Atualidade
Nova geração lidera surf português
A Liga MEO Surf, a 1ª divisão do surf português, apresentou o seu calendário desportivo para a temporada de 2024, com início da ação marcado para 22 de março, na Figueira da Foz. Em 2023, os títulos máximos nacionais foram atribuídos a Joaquim Chaves e Francisca Veselko, ambos surfistas na casa dos 20 anos. Na temporada que agora começa, a nova geração continuará a competir pelo processo de renovação da cara do surf português.
Calendário da Liga MEO Surf 2024:
Liga #1 – 22 a 24 de março – Allianz Figueira Pro
Liga #2 – 12 a 14 de abril – Porto Pro
Liga #3 – 24 a 26 de maio – Allianz Ericeira Pro
Liga #4 – 21 a 23 de junho – Allianz Ribeira Grande Pro
Liga #5 – 25 a 27 de outubro – Bom Petisco Peniche Pro
Francisco Rodrigues, Presidente da Associação Nacional de Surfistas, sublinha que “estamos de volta com a principal competição de surf em Portugal e com um sabor especial. Isto porque ao longo destes anos todos, vivemos debaixo de vitórias de surfistas como Frederico Morais, Vasco Ribeiro e Teresa Bonvalot, entre outros. No entanto, em 2023, os mais novos tomaram a dianteira das competições da Liga MEO Surf e isso é, por si, um excelente indicador de quem vai carregar a bandeira portuguesa no futuro. Eu, pessoalmente, gostaria ainda de ver valores como Matias Canhoto, Teresa Pereira ou Jaime Veselko a complicar a vida a Joaquim Chaves e Francisca Veselko na revalidação dos seus títulos. É isto mesmo que a Liga MEO Surf compreende: confronto de experiências entre gerações para que os surfistas portugueses se superem a si próprios de ano para ano!”
Luíza Galindo, Diretora de Marketing e Comunicação do MEO, refere que “estamos muito expectantes para, mais uma vez, apoiarmos a revelação de novos talentos, e muito orgulhosos da aposta numa modalidade que vai ao encontro de muito do que transmite a marca MEO: humanização, experiências que ligam as pessoas à vida e promoção do que temos de melhor com a passagem por algumas das praias mais bonitas de norte a sul do país e também dos Açores.”
Nesta 14ª edição de Liga MEO Surf, o regresso das estrelas nacionais às praias portuguesas acontece dentro de seis semanas, com Joaquim Chaves e Francisca Veselko a defenderem os títulos nacionais de 2023 e a competirem com o estatuto de líderes com a licra amarela Go Chill.
Campeões Nacionais nos últimos 5 anos
2023 – Joaquim Chaves e Francisca Veselko
2022 – Guilherme Ribeiro e Teresa Bonvalot
2021 – Vasco Ribeiro e Francisca Veselko
2020 – Frederico Morais e Teresa Bonvalot
2019 – Miguel Blanco e Yolanda Hopkins
Joaquim Chaves, 20 anos, campeão nacional de surf 2023, salienta que “a minha preparação para este ano está a ser um pouco diferente. Estou no Havai e vou cá ficar até 23 de fevereiro. Estou a tentar focar-me a surfar melhor com pranchas maiores. Estou a acompanhar o Frederico Morais e os outros atletas que também competem no CT que treinam com o nosso treinador, Richard Marsh. Depois vou regressar a Portugal e vou ter cerca de um mês antes da primeira competição do ano que é o último QS regional europeu. Esse vai ser o meu principal objetivo para tentar alcançar a qualificação para o Challenger Series. Se isso não acontecer, vou dedicar-me a viajar com esta equipa e evoluir o meu surf o máximo possível. A Liga MEO, este ano, vai estar um bocadinho em segundo plano, mas vou tentar fazer todas as etapas e dar o meu melhor para tentar conquistar o meu segundo título nacional.”
Francisca Veselko, 20 anos, campeã nacional de surf 2021 e 2023, deixa-nos que tem “tido uma preparação um pouco diferente em relação a outros anos. Este ano estou mais focada em melhorar a técnica nos tubos e aperfeiçoar a técnica em manobras de lip. Desta forma, espero estar à altura dos meus objetivos deste ano que são a qualificação para os Jogos Olímpicos, qualificação para o Championship Tour e a revalidação do título de campeã nacional”.
Guilherme Ribeiro, 21 anos, campeão nacional de surf 2022, afirma que “a minha pré-época começou ainda em novembro do ano passado, quando estive fora durante um mês. Primeiro, estive a treinar em Porto Rico para tentar alcançar uma vaga, juntamente com a seleção nacional, na qualificação dos Jogos Olímpicos nos ISA World Surfing Games que vão acontecer já em fevereiro. Depois, estive no Havai, naquela que foi a minha quarta temporada e sinto-me cada vez melhor naquele tipo de ondas como Sunset, Pipeline e Haleiwa. Já neste início de ano, comecei a treinar em força em Portugal já que é neste tipo de ondas que vou competir. Os meus grandes objetivos a curto prazo são qualificar-me para os Jogos Olímpicos e entrar no Challenger Series. Tenho treinado muito na Costa de Caparica porque é lá que vai acontecer a etapa decisiva do QS regional europeu. A Liga MEO Surf é um campo de treino para todos os objetivos que tenho a curto, médio e longo prazo. É onde se juntam os melhores surfistas portugueses que são, também, alguns dos melhores da Europa. Em termos de qualidade de surf e tipo de ondas que a Liga MEO Surf nos dá é muito vantajoso para nós, portugueses. Vou desfrutar de todas as etapas, mas vou para ganhar e, no final, fazemos as contas.”
Afonso Antunes, 20 anos, vice-campeão nacional de surf 2021, diz que “a minha preparação neste início de ano tem sido boa, sinto que estou a voltar ao ritmo! Tenho passado o máximo tempo possível na água, a surfar todos os tipos de condições e, claro, trabalhar também o físico. Os meus objetivos este ano na Liga MEO Surf são ganhar o título nacional e vencer, pelo menos, duas etapas. Os objetivos para o ano competitivo, em geral, são ser consistente ao longo do ano, ganhar uma etapa do QS e entrar no top 10 do QS europeu.”
Este ano é também uma época especial para Teresa Bonvalot, que está qualificada para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, depois de ter participado na elite do surf mundial no ano passado na qualidade de “surfista alternate”. Na Liga MEO Surf, Teresa já conta com quatro títulos nacionais. A 1ª divisão nacional arranca já depois da última qualificação olímpica, que acontece no final de fevereiro em Porto Rico. Assim, mais nomes podem vir a juntar-se a Teresa Bonvalot na comitiva portuguesa.
Teresa Bonvalot, 24 anos, campeã nacional de surf 2014, 2015, 2020 e 2022, salienta que “a minha preparação está a correr super bem. Estou focada e a trabalhar na parte que tenho de melhorar principalmente nesta altura do ano em que acabamos por ter mais tempo para treinar. Estou focada para os Jogos Olímpicos que, num fechar d’olhos, já estão muito perto. Mas a próxima competição vão ser os ISA World Surfing Games em Porto Rico, por isso, também estou com esse mindset de ir lá e fazer o melhor resultado possível e tentar contribuir para mais uma possível vaga para Portugal. Em relação aos meus objetivos, acabam por ser baseados no que sempre quis que é a minha evolução, sabendo que tenho muito para progredir. Não há limites para a evolução e é aí que tenho de estar focada, trabalhando os aspetos não tão positivos e torna-los melhores. O principal objetivo é a qualificação para o Championship Tour para ficar lá a tempo inteiro. Tudo o que eu faço nas etapas do QS, Challenger Series e Liga MEO vão ser uma forma de treino para conseguir por na água aquilo que tenho vindo a trabalhar nos últimos tempos o que é ótimo para poder vestir a licra.”
Este ano, a Liga MEO Surf terá, ainda, a participação a tempo inteiro de alguns talentos vindos das competições juniores como Diogo Bravo, Manuel Pirujinho, Kekoa Hummel, Joaquim Trindade e Simão Prazeres.
A Liga MEO Surf conta, pelo sexto ano consecutivo, com o Grupo Jerónimo Martins como parceiro de sustentabilidade e enfoque na preservação da biodiversidade dos oceanos. As ações de sensibilização e de pedagogia enquadradas no programa “Amar o Mar” realizam-se em conjunto com o Pingo Doce. Em 2023, estas iniciativas envolveram cerca de 600 crianças provenientes das escolas dos concelhos de cada uma das etapas.
O público também tem uma palavra a dizer, participando nas escolhas dos seus surfistas preferidos no Fantasy Surfer, com um relógio GPS The Search 2 da Rip Curl para o vencedor de cada etapa e, ainda, uma prancha da Polen Surfboards para o mais pontuado no final do ano. Para participar, basta seguir os seus surfistas preferidos em fantasy.ansurfistas.com.
Em 2024, continuam as premiações especiais: a Allianz Triple Crown, que premeia os melhores surfistas no conjunto das etapas de Figueira da Foz, Ericeira e Ribeira Grande; a disputa pela melhor onda de cada etapa; a melhor pontuação exclusivamente dedicada às senhoras no Bom Petisco Girls Score; a luta pelas melhores manobras tanto no masculino como no feminino nas Go Chill Expression Sessions, Waversby Round, Waikiki Junior Award e os prémios reservados aos melhores surfistas locais nas etapas da Figueira da Foz, Ericeira, Ribeira Grande e Peniche.
Destaque, ainda, para o Junior Tour, plataforma competitiva reservada aos talentos do surf nacional de até 20 anos. Em 2024, o Junior Tour será composto por quatro etapas. Os campeões nacionais em 2023, Martim Nunes e Gabriela Dinis, tentarão revalidar os seus títulos.
Calendário Junior Tour 2024
Projunior #1 – 6 a 7 de abril – Porto e Matosinhos
Projunior #2 – 18 a 19 de maio – Viana do Castelo
Projunior #3 – 13 a 14 de julho – Aveiro
Projunior #4 – 27 a 28 de julho – Santa Cruz
Todas as etapas poderão ser acompanhadas em direto na Sport TV, assim como nos restantes meios oficiais: Facebook do MEO, app do MEO – disponível na posição 810 da grelha de canais MEO, e em www.ansurfistas.com e redes sociais em @ansurfistas.
A Liga MEO Surf 2024 é uma organização da Associação Nacional de Surfistas e da Fire!, com o patrocínio do MEO, Allianz Seguros, Bom Petisco, Go Chill, Corona, Somersby, o parceiro de sustentabilidade Jerónimo Martins, os apoios locais dos Municípios da Figueira da Foz, Porto, Matosinhos, Mafra, Ribeira Grande e de Peniche, o apoio técnico da Associação de Surf da Figueira da Foz, Onda Pura, Ericeira Surf Clube, Associação Açores de Surf e Bodyboard, Peniche Surfing Clube e da Federação Portuguesa de Surf.
Imagem: ANS.
Atualidade
Ana Poltera: “Mais do que um congresso, este será um encontro de esperança na Suíça”
A Église du Centre, em Lausanne, na Suíça, vai ser palco, entre os dias 24 e 27 de setembro, do encontro “Conexão Global – Suíça”. No dia 24, das 19h às 22h, logo no início da programação, terá lugar também o evento “E.L.A.S Foram Chamadas para Gerar”, nessa mesma oportunidade haverá o pré-lançamento da revista-documentário “E.L.A.S Foram Chamadas para Gerar”. Esta iniciativa, que se realiza no âmbito do “Setembro Amarelo”, reunirá participantes do Brasil, de Portugal e da Suíça num momento dedicado à valorização da vida, à prevenção do suicídio, à saúde emocional e à reconstrução de projetos de vida.
Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Ana Poltera, empresária, escritora, palestrante, mentora, empresária e franqueada da Conexão Global Suíça, abordou não apenas a origem do projeto “Chamadas para Gerar” e os objetivos e a programação do encontro internacional, que conta com a participação de Rayssa Lucena, CEO da Conexão Global Suíça, mas também a criação de uma rede transnacional de apoio entre a Suíça, Portugal e o Brasil e a importância da informação, do discernimento e da proteção perante situações de vulnerabilidade emocional e financeira.
Como nasceu o projeto “Chamadas para Gerar” e de que forma a sua experiência pessoal e profissional influenciou a criação dessa iniciativa?
O projeto “Chamadas para Gerar” nasceu da minha própria história. Durante muitos anos vivi processos que me ensinaram que a verdadeira geração começa dentro de nós. Aos 40 anos recebi o diagnóstico da infertilidade e, naquele momento, pensei que jamais geraria uma vida. Com o tempo compreendi que Deus estava me preparando para gerar muito mais do que filhos biológicos. Antes de gerar filhos, eu precisava gerar uma nova mulher em mim. Minha caminhada como empresária, escritora, palestrante e mentora me mostrou que milhares de mulheres vivem em um vale de silêncio, medo, dor e desesperança. Muitas acreditam que sua história terminou porque ainda não enxergam frutos. Mas nenhuma árvore começa pelo fruto. Primeiro existe a semente. Depois a raiz. Depois o crescimento. E somente então chega a frutificação. Foi dessa compreensão que nasceu “Chamadas para Gerar”: um movimento para despertar mulheres a encontrarem seu maior tesouro, restaurarem sua identidade e entenderem que ainda podem florescer, mesmo depois de atravessarem o vale da dor. Acredito profundamente que, mesmo que uma mulher esteja vivendo hoje um vale seco ou um vale de morte, ela florescerá no tempo certo, desde que não desista da vida nem daquilo que foi chamado para gerar.
Quais são os principais objetivos do evento internacional de prevenção do suicídio que será realizado em setembro, em Lausanne, e quem o evento pretende alcançar?
Nosso maior objetivo é criar um movimento internacional de valorização da vida. Mais do que um congresso, este será um encontro de esperança. Durante três dias reuniremos palestrantes, empresários, terapeutas, psicólogos, escritores, empresários, advogados, líderes e mulheres que venceram grandes desafios para compartilhar suas histórias. Teremos palestras, talk shows, momentos de reflexão e espaços dedicados à escrita e à oralidade. Acreditamos que falar salva. Escrever também salva. Quando uma pessoa encontra coragem para colocar para fora aquilo que esteve preso por tanto tempo, ela inicia um processo de cura. E quando essa história alcança outra vida, nasce a esperança. Queremos mostrar que é possível reconstruir projetos de vida, recomeçar e transformar dor em propósito. O “Setembro Amarelo” é um convite para levantar-se, sair do lugar da dor e lançar a sua semente no mundo. Porque o fruto que veremos amanhã depende daquilo que decidimos plantar hoje.
Quais sinais de sofrimento psicológico considera importante que a comunidade lusófona reconheça, especialmente entre imigrantes, mulheres, famílias e empreendedores?
Muitas vezes o sofrimento não aparece de forma evidente. Ele se manifesta através do isolamento, da perda de esperança, da sensação constante de incapacidade, do cansaço emocional, da falta de sentido para viver e do afastamento das relações. Entre os imigrantes, esse sofrimento pode ser intensificado pela distância da família, pelas dificuldades de adaptação, pela solidão e pelos desafios culturais. É importante compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um ato de coragem. Em 2010, o pesquisador austríaco Thomas Niederkrotenthaler apresentou o conceito do Efeito Papageno, que demonstra como histórias de superação, livros, palestras e testemunhos podem exercer um efeito protetor diante do comportamento suicida. Esse conceito reforça aquilo que acreditamos no projeto “Chamadas para Gerar”: histórias têm poder de salvar vidas. Quando uma pessoa percebe que outra conseguiu atravessar a dor e reencontrar sentido para viver, ela passa a acreditar que também pode reconstruir a própria história.
De que forma o projeto pretende estabelecer uma rede internacional entre Suíça, Portugal e Brasil, garantindo continuidade para além da programação de setembro?
O encontro de setembro representa apenas o início de um movimento muito maior. Nosso propósito é construir uma rede transnacional que conecte a comunidade lusófona da Suíça, de Portugal e do Brasil por meio do acolhimento, da formação, da prevenção e do fortalecimento emocional. Queremos criar conexões permanentes entre profissionais, empresários, terapeutas, psicólogos, escritores, empresários e mulheres comprometidas com a promoção da vida. O projeto “E.L.A.S. – Foram Chamadas para Gerar” reúne 52 mulheres, 52 histórias, 52 sementes e 52 legados. Cada uma dessas mulheres será uma multiplicadora. Mulheres que levantarão outras mulheres. Mulheres curadas ajudando mulheres em processo de cura. Essa é a força da multiplicação. É assim que nasce um legado.
Como está definida a programação do evento e onde ele será realizado?
O encontro acontecerá durante três dias, no mês de setembro, em Lausanne, na Suíça, reunindo participantes da comunidade lusófona da Suíça, Portugal e Brasil. A programação contará com palestras de vários Países inspiradoras, talk shows trazendo temas sobre a preservação, rodas de conversa, momentos de testemunhos, lançamentos de livros, partilhas de experiências, espaços de networking e ações voltadas à promoção da saúde emocional, da prevenção do suicídio e da reconstrução de projetos de vida. Mais do que um evento, este será um chamado à vida. Porque acreditamos que toda pessoa foi criada para gerar. Gerar esperança. Gerar cura. Gerar propósito. Gerar legado. E, quando chegar a sua estação, florescer e dar o seu fruto no tempo certo.
O que significa este evento?
Prevenção também é informação, discernimento e proteção. Quando falamos em prevenção, não estamos nos referindo apenas à saúde mental e emocional. Também falamos sobre proteger sonhos, projetos de vida e pessoas que, muitas vezes, se encontram emocionalmente vulneráveis. Nos últimos seis anos, ouvindo mulheres de diferentes países, conheci histórias profundamente marcantes. Mulheres que carregavam o sonho de ser mães e que investiram tudo o que tinham: venderam carros, utilizaram suas economias, comprometeram apartamentos, anos de trabalho e toda a poupança na esperança de realizar esse sonho. O filho, porém, é o resultado de um processo. É o fruto. E, muitas vezes, procuramos fora aquilo que primeiro precisa ser fortalecido dentro de nós. Em sua dor e no desejo legítimo de gerar uma vida, muitas mulheres acreditam que, pagando mais, o filho finalmente virá. Infelizmente, algumas acabam encontrando pessoas ou serviços que se aproveitam dessa vulnerabilidade, oferecendo falsas promessas, alimentando expectativas irreais e provocando enormes perdas emocionais, financeiras e familiares. Em muitos casos, não apenas o patrimônio é abalado, mas também casamentos, relacionamentos e a esperança. Essa mesma realidade também pode ser observada em outros contextos. Autores, escritores, empreendedores e profissionais que desejam colocar seu “filho” no mundo – um livro, um projeto, um negócio ou uma missão de vida – muitas vezes são atraídos por promessas de sucesso imediato, mentorias sem resultados, contratos abusivos, tarifas desproporcionais e estratégias de marketing que exploram justamente quem está mais fragilizado. Movidas pelo propósito, essas pessoas investem tudo o que possuem acreditando que estão dando um passo em direção ao seu chamado. Em vez de encontrarem orientação responsável, encontram exploração, endividamento, frustração e, muitas vezes, desistem do legado que sonharam construir durante anos. Por isso, também queremos promover informação, consciência e discernimento. Acreditamos que gerar um legado exige preparo, ética e relacionamentos saudáveis. Nenhum sonho deve ser construído sobre manipulação, falsas promessas ou exploração financeira. O “filho” – seja um filho biológico, um livro, um projeto, uma empresa ou uma missão de vida – é fruto de uma longa gestação. Ele merece nascer em um ambiente seguro, cercado por pessoas comprometidas em fortalecer, orientar e servir, e nunca em explorar quem decidiu responder ao seu chamado. Nossa proposta é incentivar uma cultura de colaboração, transparência e responsabilidade, para que cada pessoa possa lançar sua semente no mundo com segurança, confiança e liberdade, transformando seu propósito em legado, sem abrir mão da sua dignidade, da sua saúde emocional e dos valores que sustentam sua caminhada.
Ígor Lopes
Atualidade
São Paulo: Pedro Ramos reforça presença luso-brasileira no CONARH 2026
O especialista português em gestão de pessoas e recursos humanos, Pedro Ramos, participou no CONARH 2026, realizado de 18 a 20 de agosto no São Paulo Expo, na maior cidade da América Latina, localizada no Brasil. A sua intervenção institucional ganhou destaque pela “moderação de conteúdo internacional” e pelo “contacto direto com milhares de profissionais e visitantes no maior evento de gestão de pessoas da América Latina e o segundo maior do mundo”. Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), o CONARH 2026 decorreu sob o conceito “Cidade do RH” e colocou em debate temas como “liderança, inteligência artificial, saúde mental, inovação e novas formas de trabalhar no futuro”.
Pedro Ramos integra o Conselho Empresarial da ABRH Brasil e o Comité do CONARH, evento que, nesta edição, reuniu mais de 120 palestrantes, contou com mais de 300 stands e múltiplos espaços de conteúdo e experiências dedicados ao futuro do trabalho e à gestão de pessoas.
Um dos momentos de maior atenção do público durante a participação de Pedro Ramos, que é também presidente da Sociedade de Excelência Luso-Brasileira (SELB), aconteceu na tarde do terceiro dia do congresso, com a moderação da sessão “Cases Orientais: Insights para as Empresas Brasileiras”, ao lado de Carla Caracol, outra profissional portuguesa de renome. O painel trouxe uma perspetiva internacional sobre “aprendizagem organizacional, comunicação e superação de desafios empresariais”, reforçando o “caráter global do CONARH 2026” e a capacidade do evento para “aproximar diferentes geografias e culturas de gestão”.
Na sessão, Ranjan Kumar Mohapatra, convidado da Índia, sublinhou a importância da “aprendizagem contínua nas organizações” e da capacidade de “transformar conhecimento em ação rápida”, num contexto empresarial cada vez mais exigente e imprevisível. Já Mohamed Isa, convidado do Bahrein, partilhou reflexões sobre “comunicação, qualidade das relações e a necessidade de superar os vários “Everest” presentes na vida das empresas e das lideranças contemporâneas”.
Para além da intervenção no palco, Pedro Ramos autografou o livro “Gestão de Pessoas de A a Zen”,da sua autoria, durante o terceiro dia do evento.
Ambiente internacional
A edição de 2026 apresentou uma estrutura alargada de experiências, incluindo auditório principal, espaços dedicados a inteligência artificial, laboratórios interativos, festival do trabalho e arenas temáticas, “refletindo a evolução do RH para um papel cada vez mais estratégico, humano e orientado para resultados sustentáveis”.
Sob o tema “Brasil Global: o futuro da gestão é humano”, o evento consolidou a relevância internacional do debate sobre “talento, cultura, liderança e transformação organizacional”.
Fontes indicam que a participação de Pedro Ramos no CONARH 2026 “reforça o seu posicionamento como uma das vozes de referência na liderança, desenvolvimento humano e aproximação entre Portugal e Brasil na área da gestão de pessoas”. A presença em São Paulo evidencia também o “contributo crescente de profissionais lusófonos nos grandes fóruns internacionais dedicados ao futuro do trabalho”.
Ígor Lopes
Atualidade
FUNCEX passa a “Observador Consultivo” da CPLP
A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (FUNCEX), com sede no Rio de Janeiro, Brasil, passou a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na categoria de “Observador Consultivo”, após decisão aprovada pelo Conselho de Ministros da organização durante a XXXI Reunião Ordinária, realizada no dia 19 de agosto, em Díli, Timor-Leste. Na resolução oficial, a instituição surge com a designação Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, nome que esteve na origem da atual FUNCEX, entretanto alterado para corresponder às atuais atividades lideradas pela fundação em nível global. A decisão inclui a fundação brasileira entre 14 entidades de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Timor-Leste que receberam o estatuto.
A entrada da FUNCEX no quadro de “Observadores Consultivos” cria um canal institucional para a fundação no espaço lusófono, em um momento em que a organização brasileira tem ampliado a atuação internacional por meio da FUNCEX Europa, em Portugal, e da FUNCEX Mercosul, desde o Uruguai. A estrutura posiciona a instituição em um eixo que envolve Brasil, Mercosul, União Europeia, países africanos de língua portuguesa e outros mercados ligados à CPLP. A fundação completa, em 2026, 50 anos de atividade.
Para o presidente da FUNCEX, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, a presença no espaço lusófono insere-se no processo de internacionalização desenvolvido pela instituição. Ao abordar a estratégia da fundação para a CPLP, o responsável afirmou que “a criação da FUNCEX Europa abriu um eixo estruturante de articulação com países lusófonos”. Na mesma linha, definiu como objetivo “posicionar a Fundação como ponte técnica entre América do Sul, África lusófona e União Europeia”.
A atribuição da categoria de “Observador Consultivo” reforça, neste contexto, uma relação que vinha sendo construída pela FUNCEX com instituições e mercados de língua portuguesa. A fundação mantém presença em Portugal desde 2022, por meio da FUNCEX Europa, e tem desenvolvido iniciativas direcionadas à aproximação entre empresas, governos e instituições. Antonio Carlos da Silveira Pinheiro já havia assinalado que Portugal pode atuar como porta de entrada de empresas brasileiras no mercado europeu, mantendo simultaneamente ligações com o Brasil, o Mercosul e os países da CPLP.
A estratégia ganha também dimensão econômica diante da aproximação entre o Mercosul e a União Europeia. A FUNCEX tem associado a sua atuação em Portugal à preparação de empresas e instituições para novas condições de comércio e investimento, incluindo exigências regulatórias, regras de origem, sustentabilidade e padrões técnicos. A fundação defende uma atuação articulada entre a sua estrutura no Brasil, a FUNCEX Europa e a FUNCEX Mercosul, procurando estabelecer conexões entre a América do Sul, o mercado europeu e o espaço de língua portuguesa, além de reforçar o seu papel no ramo da internacionalização, tendo ainda anunciado, nas últimas semanas, aposta no campo da Inteligência Artificial em prol da melhor compreensão do ambiente do mercado externo, com foco nas empresas brasileiras que desejam exportar.
Esta aproximação à CPLP por parte da FUNCEX não começou com a decisão de Díli. Em declarações anteriores sobre a expansão internacional da fundação, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro já apontava para uma atuação conjunta com a Comunidade, associando a presença europeia da FUNCEX às relações entre União Europeia e Mercosul e à cooperação com os países lusófonos. A fundação tem igualmente participado de iniciativas institucionais relacionadas com a Confederação Empresarial da CPLP e com entidades portuguesas ligadas ao financiamento, investimento e internacionalização empresarial.
A categoria de “Observador Consultivo” constitui um dos mecanismos utilizados pela CPLP para integrar organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas, entidades empresariais e organismos especializados na atividade da Comunidade. O modelo permite aprofundar a cooperação por meio das estruturas e comissões temáticas existentes, que abrangem áreas como economia, empresariado e investimento, educação, ciência e tecnologia, meio ambiente, energia, assuntos do mar, infraestruturas, administração e políticas públicas. A própria CPLP considera essas entidades instrumentos de participação da sociedade civil na dinâmica da organização.
Além da FUNCEX, receberam a categoria de “Observador Consultivo” a Associação das Comunidades Luso-Asiáticas, APCA, de Timor-Leste; a Associação Internacional das Comunidades de Língua Portuguesa, CLPI, a Confederação do Desporto de Portugal, o Panathlon Clube de Lisboa e a Universidade de Lisboa/Colégio Tropical, de Portugal; a Associação de Educação de Jovens e Adultos de Nampula, ASEJANA, e o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique; e, por Angola, a Associação de Mulheres Marítimas e Portuárias e Actividades Conexas de Angola, AMMPACA-WIMANGOLA, e o Fórum Empresarial dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, FE-PALOP.
Do Brasil, além da FUNCEX, receberam o estatuto o Centro de Educação Ambiental e Preservação do Património da Universidade Federal do Paraná, o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo, FOAESP, o Fundo Brasileiro de Educação Ambiental, FunBEA, e o Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Socioambiental. A resolução oficial contabiliza, assim, cinco entidades brasileiras entre as 14 admitidas nesta reunião. Um momento acompanhado de perto pelo Embaixador Juliano Nascimento, representante permanente do Brasil junto à CPLP.
A decisão foi tomada durante a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada sob a presidência de Bendito dos Santos Freitas, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste. Participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores, ou os respectivos representantes, de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, além da secretária-executiva da CPLP, embaixadora Maria de Fátima Jardim.
Novas resoluções
A reunião de Díli teve uma agenda que ultrapassou a entrada dos novos “Observadores Consultivos”. Os ministros analisaram e aprovaram documentos relacionados com a implementação do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros, o balanço da Visão Estratégica da CPLP 2016-2026 e a preparação da estratégia para 2027-2033, a situação na Guiné-Bissau, a aplicação da Convenção Multilateral de Segurança Social, a operacionalização da Década da Juventude da CPLP 2026-2036 e o reforço da resposta a desastres climáticos.
Foram ainda tratadas resoluções relacionadas com saúde pública, por meio do Programa Frátria, com o Programa CPLP Audiovisual, a Rede de Arquivos Nacionais, a criação de uma rede sobre alimentação, nutrição e saúde escolar e a elaboração da Agenda Estratégica para a Consolidação da Cooperação Econômica na CPLP para o período de 2028 a 2032. O Conselho analisou igualmente matérias orçamentárias e de auditoria referentes ao Secretariado Executivo e ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Foram aprovadas ainda a Declaração sobre os 30 anos da constituição da CPLP e a declaração sobre a consolidação do Estado de Direito Democrático e os desafios da Comunidade.
Para a FUNCEX, a nova condição institucional insere a fundação diretamente em uma “plataforma multilateral que reúne países distribuídos por quatro continentes e onde a cooperação econômica passou a assumir uma presença crescente na agenda”.
“A fundação chega a este espaço com estruturas no Brasil, na Europa e no Mercosul e com uma estratégia direcionada para internacionalização, inteligência de comércio exterior, formação e aproximação institucional e empresarial. O estatuto aprovado em Díli cria, desta forma, uma ligação formal entre a experiência acumulada pela FUNCEX no comércio exterior brasileiro e a agenda de cooperação da CPLP. Num cenário marcado pelas relações entre Mercosul e União Europeia e pela procura de novas ligações econômicas com África e o espaço lusófono, a fundação passa a integrar a rede de entidades chamadas a contribuir para projetos e iniciativas da Comunidade. Como tenho defendido, a atuação deverá manter-se ligada ao Brasil, a Portugal, ao Mercosul e aos países da CPLP, procurando transformar cooperação institucional em projetos e resultados”, disse à nossa reportagem o presidente da FUNCEX, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.
O evento contou ainda com a presença do primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão; de Maria de Fátima Jardim, secretária-executiva da CPLP; do ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional de Cabo Verde, Manuel Augusto Lima Amante da Rosa, e de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, entre outras autoridades.
Ígor Lopes
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