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Comunidades

Deputado Carlos Gonçalves: “Quando os portugueses no estrangeiro pedem qualquer coisa, não é para eles, é para Portugal”

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O antigo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e atual deputado à Assembleia da República eleito pela emigração pelo círculo da Europa, Carlos Gonçalves, defendeu que o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) constitui hoje uma “instituição credível e indispensável na ligação entre o Estado português e a diáspora”, considerando que os seus 45 anos de existência representam sobretudo um “exemplo de resiliência, evolução institucional e participação democrática”.

As declarações foram proferidas durante a cerimónia comemorativa dos 45 anos do Conselho das Comunidades Portuguesas, realizada, no dia 29 de junho, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, onde antigos governantes, deputados, conselheiros e representantes institucionais refletiram sobre a evolução do órgão consultivo e os desafios futuros das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Ao iniciar a sua intervenção, Carlos Gonçalves fez questão de enquadrar simbolicamente a data, considerando que o principal significado do aniversário reside no “percurso de afirmação do Conselho”.

“Quarenta e cinco anos, acima de tudo, de resiliência, porque a evolução deste órgão não foi uma evolução fácil. Adaptou-se e evoluiu conforme também evoluiu o país a nível legislativo, mas é verdade que o Conselho das Comunidades Portuguesas teve que ultrapassar muitos obstáculos para hoje ter a credibilidade que tem”, frisou.

Antes de abordar a realidade atual da instituição, o deputado recordou o seu percurso pessoal ligado às comunidades portuguesas, sublinhando que conhece o Conselho em diferentes perspetivas.

“Sendo eu próprio residente no estrangeiro desde 1983, participei neste órgão antes de ser deputado, apresentei uma lista, votei sempre e tive uma particularidade – e isto é exclusivo – que foi ter a oportunidade de, como deputado, criticar alguns dos secretários de Estado que aqui estão sentados”, recordou.

Ao longo dessa experiência, explicou que acabou por compreender a dimensão humana e política das comunidades portuguesas, independentemente das diferenças partidárias.

“Quando se veste a camisola das Comunidades Portuguesas há algo muito forte. Aqueles que vão ao estrangeiro e veem a obra e aquilo que é feito pelas nossas comunidades pelo mundo, a forma como conseguem manter a ligação com o seu país de origem, a forma como dignificam e afirmam Portugal nos países onde residem, obrigam qualquer um de nós a vestir essa camisola”, assinalou.

Prosseguindo a reflexão, o responsável defendeu que o Conselho das Comunidades Portuguesas desempenhou sempre um papel determinante na construção das políticas públicas dirigidas à diáspora, mesmo enfrentando sucessivas alterações legislativas.

“Independentemente das alterações legislativas que ocorreram na Assembleia da República, das lutas relativamente às leis eleitorais, da uniformização da metodologia de voto, da questão do voto eletrónico, das matérias relacionadas com o ensino da língua portuguesa e de tantas questões sociais, o Conselho teve sempre um papel relevante”, realçou.

Nesse contexto, Carlos Gonçalves lembrou que foram precisamente os conselheiros que, em diversos momentos de crise, permitiram ao Estado português conhecer a realidade vivida pelas comunidades.

“Já tivemos outros momentos difíceis e foram muitas vezes os nossos conselheiros que tiveram um papel preponderante na informação que deram ao Estado português para atender às dificuldades das nossas comunidades portuguesas nos quatro cantos do mundo”, observou.

Um dos pontos centrais da intervenção incidiu sobre aquilo que considera ser a maior força do Conselho das Comunidades Portuguesas: a legitimidade democrática dos seus membros. Segundo explicou, essa legitimidade resulta precisamente da eleição direta dos conselheiros junto das comunidades que representam.

“Eu sempre defendi muito a legitimidade local. As pessoas são eleitas localmente, num círculo eleitoral, e têm de fazer um trabalho junto das pessoas que as elegeram e transmitir depois para o Conselho Regional, para o Conselho Permanente e para o Governo aquelas que são as preocupações das suas comunidades”, salientou, refletindo que essa proximidade torna os conselheiros insubstituíveis na definição das políticas públicas.

“Eu posso ser muito bom em comunidades portuguesas, mas aquele senhor conselheiro da África do Sul conhece muito melhor as questões da África do Sul do que eu. Se eu tiver de executar políticas relativas à África do Sul, sinceramente não posso tomar decisões sem falar com pessoas que no terreno conhecem, vivem e estão junto dos portugueses”, argumentou.

Por isso mesmo, lamentou que essa legitimidade nem sempre tenha sido plenamente reconhecida pelas instituições portuguesas.

“Esta legitimidade local, que por vezes não tem sido suficientemente reconhecida, muitas vezes até por esta Casa, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, tem claramente que ser uma das partes que compõem o futuro do Conselho das Comunidades Portuguesas”, defendeu.

Ao projetar o futuro da instituição, Carlos Gonçalves estabeleceu uma ligação direta entre o destino do Conselho e o próprio posicionamento internacional de Portugal.

“O futuro do Conselho das Comunidades Portuguesas está intimamente associado ao futuro do país. Para um país que tem uma vocação global de séculos, parece-me um erro profundo negligenciar o apoio e o contributo dos portugueses que residem no estrangeiro”, afirmou.

“Portugal são os de lá e os de cá”, enfatizou.

“Quem exerce funções de secretário de Estado das Comunidades Portuguesas tem a noção clara do potencial e das valências dos portugueses que residem no estrangeiro e daquilo que poderiam fazer se Portugal tivesse capacidade para orientar, incrementar e apoiar o seu investimento e a ligação com estes portugueses”, acrescentou.

De igual modo, ao abordar a evolução institucional do Conselho, Carlos Gonçalves destacou o reconhecimento que a instituição conquistou ao longo dos últimos anos através da integração em diversos órgãos nacionais.

“O Conselho já está representado no Conselho Nacional de Educação, no Conselho de Opinião da RTP e no Conselho Económico e Social. O Conselho hoje tem uma credibilidade que lhe permite ser um pilar fundamental na afirmação das políticas dos diferentes governos relativamente às comunidades portuguesas”, afirmou, manifestando concordância com a ideia lançada recentemente pelo ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, de reforçar ainda mais o papel do Conselho.

“O José Cesário lançou uma ideia que podíamos fazer um ‘upgrade’ do Conselho das Comunidades Portuguesas. Esta é uma ideia na qual eu também me revejo. Penso que, sobretudo com a sua legitimidade específica local, devemos dar esse pequeno ‘upgrade’, indo ao encontro de outros conselhos existentes noutros países, para termos um Conselho das Comunidades Portuguesas ainda mais forte”, defendeu.

Na parte final da intervenção, Carlos Gonçalves recordou alguns dos momentos mais intensos que viveu nas reuniões do Conselho, sublinhando que, apesar das divergências, sempre prevaleceu um objetivo comum.

“Eu vivi momentos muito quentes nas reuniões do Conselho das Comunidades Portuguesas. Pessoas a abandonar a sala, pessoas a levantar a voz. Porquê? Por que sentiam as coisas no coração. (…) Independentemente das diferenças – e são muitas, de país para país, de continente para continente, de ideologia para ideologia – há uma causa comum que atravessa qualquer pessoa que se entrega de corpo e alma a esta causa, que são as comunidades portuguesas e, através delas, Portugal”, vincou.

Concluindo a intervenção, Carlos Gonçalves deixou uma mensagem dirigida a todos os responsáveis políticos, defendendo que as reivindicações da diáspora nunca devem ser encaradas como interesses particulares.

“Nunca se esqueçam de uma coisa: quando os portugueses no estrangeiro pedem qualquer coisa, não é para eles, é para Portugal. Normalmente, aquilo que os portugueses no estrangeiro fazem é perguntar ao Governo o que podem fazer para ajudar o país”, finalizou.

Ígor Lopes

Atualidade

EUA: Projeto “Taste & Feel Portugal 2.0” promove produtos portugueses em Nova Orleães

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O projeto “Taste & Feel Portugal 2.0”, promovido pela InovCluster e pelo Núcleo Empresarial da Região de Évora (NERE), participou, em junho, na New Orleans Wine & Food Experience (NOWFE), em Nova Orleães, Estados Unidos, onde promoveu os produtos agroalimentares das regiões Centro e Alentejo junto de profissionais do setor, compradores e consumidores, reforçando a estratégia de internacionalização da oferta portuguesa.

Ao longo do certame, os visitantes tiveram oportunidade de conhecer uma ampla seleção de produtos portugueses através de provas, experiências gastronómicas e encontros de caráter profissional, com especial destaque para vinhos, azeites, queijos e enchidos.

Um dos momentos centrais da participação portuguesa foi o showcooking protagonizado pela chef norte-americana Dee LaVigne, que apresentou receitas desenvolvidas pela chef portuguesa Michele Marques, numa colaboração estabelecida no âmbito do projeto e que procurou demonstrar a versatilidade dos produtos portugueses e a sua capacidade de integração em diferentes referências gastronómicas, aproximando-os do mercado e do consumidor norte-americano.

A presença no The Grand Tasting, um dos eventos mais emblemáticos da NOWFE, permitiu também aumentar a notoriedade da gastronomia portuguesa e criar oportunidades de negócio, através do contacto direto com distribuidores, importadores e outros profissionais da área alimentar.

Além da vertente comercial, a missão distinguiu-se pelo seu compromisso social. O “Taste & Feel Portugal 2.0” integrou a edição deste ano da NOWFE na qualidade de patrocinador oficial, associando-se a um festival que, ao longo de mais de três décadas, já angariou mais de 1,5 milhões de dólares para organizações sem fins lucrativos dedicadas ao apoio alimentar, à formação culinária e ao desenvolvimento da comunidade local de Nova Orleães.

Segundo os promotores, esta participação permitiu consolidar a imagem dos produtos portugueses num mercado considerado estratégico, reforçando a competitividade internacional das empresas participantes e contribuindo para aumentar o reconhecimento da qualidade e autenticidade da produção agroalimentar nacional.

Cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do COMPETE 2030 – Programa Temático Inovação e Transição Digital, o “Taste & Feel Portugal 2.0” tem como principal objetivo promover e valorizar os produtos agroalimentares das regiões Centro e Alentejo nos mercados internacionais.

Ígor Lopes

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Comunidades

Ruth Collaço apresenta “Toca da Loba” e reforça presença cultural portuguesa na Suíça

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“Romance Híbrido – Toca da Loba” e exposição de trabalhos artísticos, como telas. Foram estes os motivos que levaram a portuguesa Ruth Marlene Cabral Collaço, de 58 anos, à Suíça, nos últimos meses, passando por cidades como Genebra, Versoix, Zurique, Lucerna e Bülach.

À nossa reportagem, esta autora, curadora cultural, crítica literária, ativista das letras e artista plástica, reconhecida pela sua intervenção no panorama lusófono contemporâneo explicou que o livro “Toca da Loba” é um “romance que se lê como rito, como espelho, como chamamento”.

“Toca da Loba é um romance híbrido que acompanha a jornada de uma mulher em processo de renascimento. A “loba” que dá nome ao livro não é apenas um símbolo: é a força instintiva, ancestral e selvagem que habita cada mulher e que, muitas vezes, permanece adormecida sob camadas de silêncio, dor ou esquecimento. A narrativa conduz o leitor para dentro dessa “toca”, que funciona como metáfora do território interior, o espaço onde se guardam memórias, feridas, pulsões, medos e revelações”, reforçou.

Para a autora, ao longo do livro, a protagonista atravessa um caminho de despojamento e descoberta. A loba representa o instinto que protege, mas também a vulnerabilidade que precisa ser reconhecida para que a cura aconteça. A história alterna entre momentos de introspeção poética, fragmentos narrativos e passagens simbólicas, criando uma experiência literária que não se limita ao romance tradicional. É uma obra que mistura mito, corpo, espiritualidade feminina e memória, convidando o leitor a acompanhar uma travessia que é simultaneamente íntima e universal.

Porém, segundo a própria escritora, “a obra é também de denúncia”.

“Através da metáfora da loba e da sua toca, a narrativa expõe aspetos, fatores e características ainda presentes na sociedade, aqueles que todos sabem existir, mas que muitos temem abordar. Violências silenciosas, desigualdades normalizadas, feridas que se perpetuam por tradição, estruturas que condicionam o corpo e a voz da mulher, e mecanismos sociais que empurram para a sombra aquilo que deveria ser visto. O livro não aponta dedos: revela. Não acusa: ilumina. E, ao fazê-lo, convida o leitor a reconhecer que a toca não é apenas um espaço interior, mas também um reflexo do mundo exterior que molda, limita e fere”, disse.

“Toca da Loba ajuda o leitor a compreender que a jornada da protagonista é, na verdade, um espelho: um convite para que cada pessoa reconheça a sua própria toca, os seus próprios territórios internos e a sua própria loba, a força que emerge quando finalmente se escuta o que vem de dentro e quando se ousa olhar para aquilo que a sociedade insiste em manter no escuro”, atestou.

No campo das artes plásticas, Ruth levou à Suíça três obras: “Caminho – Realismo abstrato”; “Mulher: Impressionismo orgânico” e “Conexão- Surrealismo”.

“A minha arte assenta numa expressão profundamente humanista, orientada para a revelação de dimensões internas, sociais e ancestrais que atravessam a experiência contemporânea. Parto de uma escuta sensível do ser humano e das estruturas que o moldam, trazendo à superfície temas que permanecem presentes na sociedade, embora muitas vezes silenciados ou evitados. Transformo vivências, memórias e perceções em linguagem artística que convoca reflexão, consciência e reconhecimento. Através de uma abordagem centrada na interioridade, procuro iluminar zonas de sombra – individuais e coletivas – expondo realidades que todos sabem existir, mas que muitos hesitam abordar. A minha arte opera como um espaço de revelação, onde questões de identidade, vulnerabilidade, força, silêncio, desigualdade e reconstrução ganham forma e significado”, avançou, sublinhando que “a minha produção articula sensibilidade, profundidade emocional e compromisso ético, estabelecendo pontes entre o íntimo e o social, entre o individual e o comunitário, onde posiciono a minha arte não apenas como criação estética, mas como instrumento de consciência, diálogo e transformação”, comentou.

Sobre a experiência no país helvético, Ruth Collaço avalia o país como “evoluído, marcado por um civismo exemplar e por uma riqueza cultural que se preservou ao longo dos séculos, em parte porque o território suíço não foi danificado pelas grandes guerras europeias, graças à sua política de neutralidade histórica que evitou destruição e ocupações. É uma sociedade pautada pelo respeito pelos direitos, pela convivência harmoniosa e por uma ética coletiva que valoriza o bem comum. Contudo, é também um país onde as regras e as leis, sendo iguais para todos, não permitem fugas nem exceções, exigindo de cada indivíduo um compromisso rigoroso com a ordem, a responsabilidade e a transparência”.

Para ela, o que mais lhe chamou a atenção foi o “civismo e a forma como cada um se preocupa com quem vem a seguir”.

Relativamente ao futuro, Ruth espera desenvolver um conjunto de projetos que integram criação literária, intervenção cultural, consciência social e aprofundamento da interioridade.
“Continuo a expandir o Grupo Literário Wise Winds – Ventos Sábios, presente em 71 países, fortalecendo a sua atuação enquanto plataforma de diálogo, formação e circulação de literatura lusófona. Dou continuidade ao Projeto Círculo Raiz, aprofundando práticas de expressão ancestral, imagética ritual e meditação criativa, com o objetivo de integrar arte, interioridade e comunidade. Mantenho também a minha atividade como Correspondente Internacional de Arte, Cultura e Literatura, escrevendo para o Blogue Caminho do Universo, Revista Global, Revista Mulher Africana e Revista Entre Margens, onde procuro ampliar a reflexão crítica e a visibilidade de temas essenciais. No campo da criação, trabalho na consolidação de novas obras literárias que dão continuidade ao meu compromisso com a denúncia sensível, a revelação de realidades sociais silenciadas e a exploração da interioridade humana. Paralelamente, desenvolvo projetos de formação e intervenção comunitária, dando seguimento ao trabalho pro bono que realizo desde 2009, com foco na inclusão, autonomia e fortalecimento de crianças, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade”, reforçou Ruth, que, além de portuguesa tem também nacionalidade angolana e sul-africana.

Ruth Collaço, que foi homenageada em maio deste ano na “Gala Repórter-X”, na zona de Zurique, publicou ainda “Inquietudes de Ruth Collaço”, “Ginguba com Açúcar”, “Pé de Carvão”, “Poemas na Palma da Mão” e “Toca da Loba”. O seu livro bilingue “Beijos e Contos de Ruth Collaço” e “Heterónimos” recebeu menção do presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, destacando-se pela criação de heterónimos biografados, poesia, contos e ilustrações da autora. Participou como coautora em mais de vinte antologias lusófonas e coordenou diversas coletâneas. É presidente Fundadora do Grupo Literário Wise Winds – Ventos Sábios, presente em 71 países e com cerca de 29 mil visualizações diárias, além de proprietária da chancela Ventos Sábios Ruth Collaço, dedicada à literatura e aos eventos culturais. Mantém parceria artística com João Gomez Photography. Como curadora cultural, criou e conduziu eventos como Matinés Inquietas, Desgarradas e Rapsódias Poéticas, Roda das Cores, Ventos e Vozes (em parceria com Vocaloide de João Charepe, professor Roy Hart) e Pontes Literárias, realizado na Fundação Oriente. É também criadora do Projeto Círculo Raiz, dedicado à expressão ritual, imagética ancestral, meditação criativa e práticas de interioridade.

Ígor Lopes

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Atualidade

Programa da Fundação António Pargana e da Universidade da Beira Interior reforça ligação dos jovens lusodescendentes às raízes portuguesas

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A Fundação António Pargana e a Universidade da Beira Interior (UBI) concluíram mais uma edição do programa “Portugal Através dos Olhos da Diáspora Jovem”, uma iniciativa dirigida a estudantes lusodescendentes de todos os ciclos de ensino da universidade, que decorreu entre 8 de abril e o início de julho, na Covilhã, com o objetivo de aprofundar a reflexão sobre a identidade portuguesa, a diáspora e a lusofonia através de uma abordagem académica e criativa.

Ao longo do programa, os participantes frequentaram 25 horas de formação presencial, distribuídas por cinco módulos temáticos, onde foram debatidas questões relacionadas com a cultura e a história de Portugal, a construção da identidade, a memória familiar, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e o contributo da diáspora para a afirmação internacional do país.

A componente formativa foi complementada pelo concurso “Retratos de Portugal”, que desafiou os estudantes a traduzirem, através da fotografia, a sua visão sobre Portugal e a experiência da diáspora. Cada participante apresentou um portefólio constituído por, pelo menos, três fotografias, acompanhado por uma reflexão escrita que justificava a escolha das imagens e a respetiva ligação aos temas abordados durante a formação.

A avaliação dos trabalhos incidiu sobre critérios como a pertinência temática, a qualidade técnica e artística das fotografias, a criatividade, a capacidade de reflexão crítica e a apresentação oral realizada pelos concorrentes.

O regulamento prevê a atribuição de prémios aos melhores projetos e a possibilidade de integração das obras selecionadas numa exposição permanente na Biblioteca da Universidade da Beira Interior.

Promovido em parceria pela Fundação António Pargana e pela UBI, o programa procurou criar um espaço de aprendizagem, partilha e valorização das experiências das novas gerações lusodescendentes, incentivando o conhecimento das suas origens e o fortalecimento dos laços com Portugal através da educação, da cultura e da expressão artística.

Com o encerramento de mais uma edição, a iniciativa reafirma a aposta na formação de jovens ligados à diáspora portuguesa, reconhecendo o seu papel na preservação da identidade nacional e na construção de uma visão contemporânea da lusofonia, assente no diálogo cultural, territorial e geracional.

Ígor Lopes

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