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Teresa Bonvalot e Francisco Ordonhas vencem nos Açores

Teresa Bonvalot conquista 5º título nacional da carreira

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Teresa Bonvalot e Francisco Ordonhas conquistaram, este domingo, a vitória no Allianz Ribeira Grande Pro, quarta e penúltima etapa da Liga MEO Surf. Se no lado feminino, Bonvalot conseguiu assegurar o título nacional de forma antecipada, ainda durante a manhã do dia final da etapa açoriana, Ordonhas estreou-se a vencer na Liga MEO Surf, depois de ter contribuído diretamente para o adiar da decisão do título masculino. Com a chegada à final masculina Guilherme Ribeiro conseguiu ultrapassar Tomás Fernandes na liderança do ranking masculino e carimbar o triunfo no troféu Allianz Triple Crown, a par de Teresa Bonvalot.

Com a chamada para o dia final a acontecer, ainda, antes das 7 horas, a ação retomou com a ronda 3 masculina, onde Tomás Fernandes e Guilherme Ribeiro estreitaram ainda mais as contas do título, com ambos a conseguirem seguir para a fase man-on-man. Contudo, a melhor performance desta fase pertenceu a Halley Batista, com a melhor onda do campeonato, de 9,25 pontos, e um score de 17, que lhe rendeu o prémio Waversby Round.

Depois foi a vez de ir para a água a ronda 2 feminina, onde Teresa Bonvalot jogava a hipótese de conquistar o título. E Teresa não facilitou, somando 14,50 pontos para vencer a bateria e assegurar o quinto título nacional da carreira. Iniciava-se, assim, a festa de Bonvalot, que não iria parar por aqui.

Enquanto se festejava na areia, na água assistia-se às grandes decisões da prova masculina, com os quartos de final. Foi nesta fase que Tomás Fernandes foi surpreendido por Francisco Ordonhas, com as contas do título a ficarem automaticamente adiadas para a última etapa. Enquanto isso, Guilherme Ribeiro aproveitou o deslize do líder do ranking, para se aproximar da licra amarela. Nesta mesma fase Afonso Antunes venceu uma verdadeira final frente a Tiago Stock para ficar com a hipótese de se manter nas contas do título.

Nas meias-finais femininas houve um duelo de estreantes na fase woman-on-woman, com Concha Balsemão a garantir a primeira final da carreira, após triunfo frente a Teresa Pereira. A ela juntou-se a inevitável Teresa Bonvalot, que bateu Mafalda Lopes após somar 15,75 pontos e garantir logo aí o triunfo no prémio Bom Petisco Girls Score.

Nas meias-finais masculinas, Francisco Ordonhas venceu João Mendonça e garantiu a primeira final da carreira na Liga MEO Surf. Na outra semifinal esteve em jogo muito mais que a presença na final, com Guilherme Ribeiro a vencer Afonso Antunes e a garantir a subida à liderança do ranking, mas também a conquista do troféu Allianz Triple Crown, que do lado feminino já tinha sido assegurado por Teresa Bonvalot.

Antes das finais do Allianz Ribeira Grande Pro realizaram-se as Go Chill Expression Session, com Teresa Bonvalot a vencer a feminina e a juntar mais um prémio ao vasto leque de conquistas na prova açoriana. Do lado masculino foi Joaquim Chaves a voar mais alto que toda a concorrência.

Foi ao início da tarde que foram para a água as finais, com Teresa Bonvalot a vencer a prova feminina, culminando, assim, de forma imaculada esta vinda aos Açores. Teresa somou 9,95 pontos contra 7,10 de Concha Balsemão, conquistando a 27ª vitória da carreira na Liga MEO Surf e a terceira vitória em quatro etapas realizadas em 2024.

“Estou contente por sair daqui com o título e a vitória”, começou por dizer Teresa Bonvalot, após a final. “Apesar de esperar que as ondas colaborassem mais na final, fiquei feliz por fazer a final com a Concha Balsemão, que conheço há muito tempo. Foram três dias de boas ondas e surf e saímos dos Açores muito felizes. Saio daqui super motivada e preparada para as provas que aí vêm, tanto no circuito Challenger Series como nos Jogos Olímpicos”, frisou a nova campeã nacional de surf.

Na final masculina, houve muito equilíbrio até ao fim, com constantes trocas na liderança e com o triunfo a sorrir a Francisco Ordonhas, por apenas 0,35 pontos, com 12,10 contra 11,75 pontos de Guilherme Ribeiro. Além da primeira final da carreira, o jovem surfista de Carcavelos conquistou a primeira vitória da carreira, a menos de um mês de completar 19 anos.

“Este era um objetivo que já tinha há algum tempo”, começou por afirmar Francisco Ordonhas. “Sinceramente, não estava muito à espera, mas estou muito contente por ter acontecido. O heat teve um início lento e decidi esperar mais por melhores ondas e manter a calma, o que deu resultado. Quando fazemos bons resultados a confiança aumenta e penso que estou a atravessar uma boa fase”, rematou.

A Liga MEO Surf 2024 entra, agora, numa pausa de verão, para regressar à ação de 25 a 27 de outubro, com o Bom Petisco Peniche Pro, a quinta e última etapa da temporada, onde irá ser decidido o título nacional masculino. É na Capital da Onda que Guilherme Ribeiro e Tomás Fernandes e vão definir quem será o sucessor de Joaquim Chaves como campeão nacional de surf.

Allianz Ribeira Grande Pro resultados

Final masculina: Teresa Bonvalot 9,95 pontos x Concha Balsemão 7,10 pontos

Final feminina: Francisco Ordonhas 12,10 pontos x Guilherme Ribeiro 11,75 pontos

Allianz Triple Crown: Teresa Bonvalot e Guilherme Ribeiro

Best Wave: Halley Batista, 9,25 pontos

Bom Petisco Girls Score: Teresa Bonvalot, 15,75 pontos

Waversby Round: Halley Batista, 17 pontos

Go Chill Expression Session: Teresa Bonvalot e Joaquim Chaves

Waikiki Junior Award: Miguel Lages

Ribeira Grande Best Surfer: Peter Healion

A nível televisivo, o Allianz Ribeira Grande Pro foi acompanhado em direto na Sport TV, assim como nos restantes meios oficiais: Facebook do MEO, botão azul do comando MEO, em www.ansurfistas.com e redes sociais em @ansurfistas.

A Liga MEO Surf 2024 é uma organização da Associação Nacional de Surfistas e da Fire!, com o patrocínio do MEO, Allianz Seguros, Somersby, Bom Petisco, Go Chill, Corona, Waikiki, Rip Curl, o parceiro de sustentabilidade Jerónimo Martins, o apoio local da Câmara Municipal da Ribeira Grande e o apoio técnico da Associação Açores Surf e Bodyboard e da Federação Portuguesa de Surf.

Teresa Bonvalot conquista 5º título nacional da carreira

Teresa Bonvalot conquistou, também este domingo, o título nacional de surf por antecipação, durante o dia final do Allianz Ribeira Grande Pro, quarta e penúltima etapa da Liga MEO Surf 2024.

O quinto título da carreira de Teresa Bonvalot chegou ao início da manhã, no lado poente da praia do Areal de Santa Bárbara, depois de a surfista de 24 anos ter conseguido superar a ronda 2 da prova feminina e conseguido a consequente qualificação para as meias-finais.

Teresa somou 14,50 pontos e venceu uma bateria em que enfrentou Teresa Pereira, que passou em segundo lugar, Núria Maganinho e Matilde Pinto, dando início aos festejos assim que saiu da água. Esta é uma repetição do que se sucedeu em 2022, onde Bonvalot também carimbou o título nacional de forma antecipada nas ondas açorianas.

“Estou muito contente”, começou por afirmar Teresa após o final da bateria. “Já são alguns anos a vencer e até parece estranho pensar que já lá vão 10 anos desde o primeiro título. Sempre tive objetivos muito claros na minha cabeça. Recordo-me de começar a surfar cedo e de ganhar a primeira etapa com 13 anos. Muita coisa mudou desde então, mas a paixão que tenho é a mesma. Sinto que estou no bom caminho, num caminho de lutar cada vez mais pelos meus objetivos”, frisou.

Depois de se ter sagrado campeã nacional pela primeira vez aos 14 anos, há precisamos 10 anos, Teresa Bonvalot repetiu o feito em 2015, 2020 e 2022. Apenas Patrícia Lopes, com 11 títulos, soma mais vitórias que Teresa na Liga nacional.

Além do título, Teresa Bonvalot também carimbou a vitória na Allianz Triple Crown. Esta é, igualmente, a quinta ocasião em que Teresa consegue este histórico sub-troféu que premeia os melhores surfistas no conjunto de três etapas – Figueira da Foz, Ericeira e Ribeira Grande.

Fotos: Jorge Matreno / ANS.

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Largo da Oliveirinha recebe memorial às 16 vítimas do Elevador da Glória

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Lisboa inaugura esta quinta-feira, 3 de setembro, um memorial dedicado às 16 vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória, precisamente um ano depois da tragédia que marcou a capital portuguesa. O espaço foi instalado no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, e foi concebido como local permanente de homenagem, memória e recolhimento. A cerimónia está marcada para às 9h e terá acesso reservado.

O acidente ocorreu ao final da tarde de 3 de setembro de 2025, quando a cabina n.º 1 do histórico ascensor descarrilou durante a descida da Calçada da Glória e embateu na envolvente urbana. A tragédia causou 16 mortos e 24 feridos, envolvendo pessoas de 15 nacionalidades, segundo o balanço referido pela Câmara Municipal de Lisboa na apresentação do memorial. Entre as vítimas mortais estavam cinco portugueses, três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadianos, um suíço, um francês, um ucraniano e um norte-americano.

O elemento central do novo memorial é uma oliveira adulta com cerca de 150 anos, instalada numa estrutura circular. À sua volta foram colocados 16 blocos pétreos em calcário, um por cada vítima mortal, dispostos radialmente, com diferentes alturas e superfícies destinadas à gravação dos nomes. A composição inclui ainda um banco semicircular em pedra natural, uma guarda metálica e uma estrutura preparada para a deposição de flores. A iluminação foi incorporada na guarda, permitindo a leitura e valorização do espaço durante o período noturno.

A escolha da oliveira está relacionada com o próprio topónimo Largo da Oliveirinha e procura assumir uma função simbólica associada à continuidade e à memória. Segundo a Câmara de Lisboa, a disposição circular pretende criar um percurso de contemplação, articulando a árvore, os elementos em pedra e o espaço público envolvente. A intervenção utiliza sobretudo pedra calcária e elementos vegetais, procurando manter uma ligação com a configuração histórica da Calçada da Glória e com o património urbano daquela zona da cidade.

O projeto insere-se também numa intervenção de requalificação do Largo da Oliveirinha, espaço situado entre a Calçada da Glória e a Travessa do Fala-Só. A zona, integrada no conjunto urbano associado ao Ascensor da Glória, passou por trabalhos de reorganização do espaço público, com criação de áreas pedonais e de permanência. O conjunto formado pelo Ascensor da Glória e pelo meio urbano envolvente encontra-se classificado como Monumento Nacional.

A instalação do memorial concretiza uma decisão assumida pela autarquia poucos dias depois do acidente. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, em setembro de 2025, medidas destinadas a preservar a memória das vítimas e a acompanhar as consequências da tragédia. Na proposta municipal então apresentada, o acidente foi considerado um dos episódios urbanos com maior número de vítimas mortais registados em Lisboa nas últimas décadas.
Um ano depois, porém, o processo de apuramento técnico e judicial continua em curso. O relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), concluiu que a ligação do cabo à cabina n.º 1 se rompeu, desencadeando o descarrilamento e a colisão. A investigação identificou igualmente falhas nos processos de aquisição, controlo e manutenção do cabo utilizado no sistema. O GPIAAF sublinhou, contudo, que a investigação técnica procura determinar fatores causais e emitir recomendações de segurança, não estabelecer responsabilidades criminais.

As autoridades mantêm também aberto o inquérito criminal dirigido pelo Ministério Público. Em 2026, a Polícia Judiciária realizou buscas na Carris e na empresa responsável por trabalhos de manutenção do ascensor, no âmbito das diligências destinadas ao apuramento de responsabilidades. Paralelamente, prosseguem as peritagens técnicas ao cabo, aos sistemas de travagem e ao comportamento dinâmico do equipamento. O GPIAAF informou recentemente que prevê concluir e divulgar o seu relatório final até ao final de março de 2027.
O acidente alterou também o futuro dos ascensores históricos de Lisboa. O Elevador da Glória ficou profundamente danificado e os restantes equipamentos históricos permaneceram suspensos enquanto avançam avaliações técnicas e projetos destinados a reforçar as condições de segurança. A Carris anunciou, entretanto, a intenção de desenvolver um novo Ascensor da Glória, com sistemas de monitorização e novas soluções tecnológicas, apontando para uma possível entrada em funcionamento em 2029, ainda dependente do desenvolvimento do projeto e dos procedimentos de contratação.

Inaugurado originalmente em 1885, o Ascensor da Glória estabeleceu uma ligação entre a zona dos Restauradores e São Pedro de Alcântara, tornando-se parte do sistema de mobilidade e do património da cidade. O Largo da Oliveirinha encontra-se precisamente neste eixo histórico, próximo do Jardim de São Pedro de Alcântara, funcionando como ponto de transição entre a encosta da Glória e algumas das zonas de maior circulação do centro de Lisboa.

A partir de 3 de setembro de 2026, o lugar passa a acumular uma nova função. Os 16 blocos de pedra, organizados em redor da oliveira, deixam inscrita no espaço público a identidade das pessoas que morreram no acidente. Um ano depois da tragédia, enquanto as investigações continuam e permanecem questões relativas às responsabilidades e indemnizações, Lisboa fixa no Largo da Oliveirinha um espaço permanente dedicado à memória das vítimas.

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Brasil: Mais de 32 mil pessoas estiveram presentes no “4.º Fliparacatu”

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O “4.º Fliparacatu” – Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou a sua edição de 2026 com 32.500 pessoas circulando pelo Centro Histórico do município mineiro, ao longo dos cinco dias de programação, de 26 a 30 de agosto. A maior parte das sessões de debates realizadas no auditório do Fliparacatu, alcançou o limite da lotação, estimado em 600 pessoas.

Prémio de Redação e Desenho

O Fliparacatu começou muito antes da abertura dos palcos. Com o apoio da Prefeitura de Paracatu, por intermédio da Secretaria de Educação, uma das suas principais forças, o Prémio de Redação e Desenho teve como tema: “Meu Lugar no Mundo”. O concurso contemplou diferentes faixas etárias, distribuídas entre categorias de redação e desenho, ampliando as possibilidades de participação de estudantes do ensino infantil, fundamental, médio e para jovens e adultos (EJA). Antes de os escritores chegarem à cidade, portanto, o Fliparacatu já estava dentro de praticamente todas as escolas, mobilizando alunos e professores em torno da leitura, da escrita, da imaginação e do pertencimento.

Programação diversa

Nesta edição, a curadoria apresentou uma estrutura “plural e robusta”, composta pelos cinco curadores: Afonso Borges, presidente do Fliparacatu; Calila das Mercês e Sérgio Abranches, curadores da programação Nacional/ Internacional; Daniela Prado, responsável pela curadoria local; e Rafael Nolli, que ficou por conta das atividades voltadas para o público infantojuvenil.

A grade de convidados trouxe um autor internacional, 31 autores de projeção nacional, 11 autores focados no público infantil e 24 autores locais. Além da programação oficial, o Fliparacatu abriu espaço direto para a produção independente, registrando o lançamento e a sessão de autógrafos de 105 autores autônomos (sem contar os 68 escritores da programação do Festival).

Sob o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, a quarta edição homenageou João Guimarães Rosa, pelos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e Milton Santos, no centenário de seu nascimento. A partir dessas duas referências, o Festival reuniu autores de diferentes gerações, origens, identidades, experiências e campos de atuação. Essa diversidade esteve nos próprios autores.

Mia Couto, Míriam Leitão, Bruna Lombardi, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz, Geni Núñez, Alê Santos, Renato Noguera, Rita von Hunty, Bia Bracher, Cristovão Tezza, Jamil Chade, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Natalia Timerman, Calila das Mercês, Sérgio Abranches, Ítalo Moriconi, Paulliny Tort, Sandra Menezes, Estevão Ribeiro e Taiane Santi Martins, entre muitos outros, dividiram a programação com escritores de Paracatu e da região. Autores negros, brancos e indígenas, mulheres e homens, escritores consagrados e novas vozes fizeram dos palcos um espaço de encontro entre diferentes experiências e maneiras de compreender o Brasil e o mundo.

A mesma diversidade apareceu nos temas. Partindo do sertão de Guimarães Rosa e do pensamento de Milton Santos sobre território e lugar, o Fliparacatu falou de literatura, memória e pertencimento, mas também de racismo, afrofuturismo, democracia, corpo, identidade, acessibilidade, amor, medo, desigualdade, tecnologia, meio ambiente, jornalismo, futuro e ficção especulativa. Questões íntimas conviveram com os grandes dilemas políticos, sociais e culturais da contemporaneidade.

O Festival também ampliou as formas de expressão, sendo literatura adulta e infantojuvenil, música, artes visuais, slam, batalha de rimas, tradição oral, bordado, oficinas e atividades educativas. A exposição “O Sertão de Portinari”, realizada em parceria com o Projeto Portinari, levou às ruas outra leitura do sertão brasileiro e de seus personagens, com reproduções de obras de Candido Portinari.

Números do “4.º Fliparacatu”

Os 32.500 participantes mostram a dimensão alcançada pelo Festival nas ruas e nos espaços de programação. O público mínimo de 250 pessoas e máxima de 600 pessoas, em todas as atividades, demonstra que o interesse não se restringiu aos nomes mais conhecidos, mas se distribuiu por autores, assuntos e linguagens muito diferentes.

O público pôde acompanhar um total de 68 atividades distribuídas por oito espaços temáticos do festival: a Livraria, a Central de Autógrafos, o Espaço Cerrado de Origem (Sebrae), o Quintal Casa Paracatu, a Academia de Letras do Noroeste de Minas, o espaço Fliparacatu da Gente, a Casa Kinross e o Auditório Fliparacatu, onde foram realizadas as principais atividades do evento. A programação do debate público e da formação literária contou com 28 mesas de debates nacionais e internacionais, 11 mesas locais, 17 mesas infantojuvenis, oito oficinas e quatro apresentações musicais. A valorização da economia da região também se materializou na ocupação comercial do evento, com sete stands no espaço do Sebrae e dez stands no Fliparacatu da Gente, voltados a produtores locais.

A complexidade e a grandiosidade da infraestrutura do Fliparacatu 2026 refletem-se nos indicadores técnicos de produção e montagem. O festival demandou 560 m² de área coberta com piso elevado e o manejo de mais de 38 toneladas entre estruturas, equipamentos e materiais diversos. O acabamento estético e de comunicação visual utilizou 380 m² de impressão digital, 2.900 metros lineares de revestimento em tecido e 560 m² de revestimento de piso. Apenas nas etapas de montagem e desmontagem, a equipe técnica contou com 21 profissionais dedicados, registrando 2.800 horas de trabalho com priorização da contratação de mão de obra local.

Em termos de geração de ocupação e dinamização econômica, o festival mobilizou diretamente uma equipe de 124 pessoas, abrangendo áreas de produção, comunicação, curadoria, administrativo, recepção de autores e acessibilidade, com presença de intérpretes de Libras. No ecossistema de prestação de serviços indiretos, foram mapeados, no mínimo, 110 profissionais atuando em frentes operacionais – incluindo 21 técnicos de montagem, 5 profissionais de livraria, 6 de restauração, 20 no espaço Fliparacatu da Gente, 14 no Sebrae, 19 seguranças, 10 profissionais de limpeza, 8 carregadores, 3 motoristas e 4 dedicados à locação de mobiliário.

Somados os quadros diretos e indiretos já catalogados, o Fliparacatu movimentou ao menos 234 profissionais na execução do projeto. Este indicador é parcial e tende a crescer com a consolidação dos dados de setores como a rede hoteleira, gráficas, serviços de transporte corporativo e fornecedores complementares da cadeia de turismo e eventos.

Além de palestras, debates, atividades culturais e apresentações musicais, a livraria, o coração de todo festival literário, teve seu destaque como grande atrativo. Foi montado um espaço de 220 m² dedicado à venda de livros no Fliparacatu, com títulos literários abrangendo diversos gêneros, como romance, poesia, ensaio, aventura, terror, crónica, biografia, infantojuvenil, entre outros. No total, foram vendidos cerca de cinco mil exemplares, distribuídos entre 1.500 títulos.

O balanço do “4.º Fliparacatu” pode, assim, ser compreendido, segundo os seus organizadores, por um movimento que começa antes e continua depois dos cinco dias de Festival: começa nas escolas, com o Prêmio de Redação e Desenho; ocupa o Centro Histórico com 32.500 pessoas e uma grande diversidade de autores e temas; e permanece aberto ao mundo, com todos os debates disponíveis gratuitamente no YouTube. Com investimento contínuo na formação de leitores e no fortalecimento do setor cultural, a 4ª edição do Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou sua programação consolidando-se como um verdadeiro sucesso de público, crítica e mobilização comunitária.

4.º Fliparacatu

Em 2026, o Fliparacatu realizou sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.

Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reuniu escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.

Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu aconteceu em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.

A quarta edição do Fliparacatu é patrocinada pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o patrocínio da Caixa e apoio cultural da Prefeitura de Paracatu, Academia de Letras do Noroeste de Minas e Sebrae. Desde sua primeira edição, todas as atividades do Festival são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Todos os debates e mesas desta quarta edição foram transmitidos ao vivo, gravados e já se encontram disponíveis para ser assistidos, gratuitamente, no YouTube @fliparacatu.  É um aspecto fundamental do projeto levar o encontro presencial imediatamente em acervo audiovisual, público e permanente. As conversas realizadas em Paracatu podem ser vistas, revistas, compartilhadas e aproveitadas por leitores, estudantes, professores e pesquisadores.

Ígor Lopes

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Oeiras: “Semana do Brasil” regressa com 37 negócios unidos para celebrar a cultura brasileira

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O centro histórico de Oeiras, a oeste de Lisboa, recebe, entre os dias 4 e 13 de setembro, a décima edição da “Semana do Brasil”, iniciativa que este ano apresenta a sua maior edição, reunindo 37 estabelecimentos comerciais numa programação dedicada à gastronomia, cultura e tradições brasileiras, com entrada gratuita e participação aberta ao público.

Promovido a partir de uma iniciativa que nasceu numa gelataria de Oeiras e que, ao longo dos anos, passou a envolver diferentes agentes do centro histórico e entidades dos dois lados do Atlântico, a “Semana do Brasil” teve a sua origem em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, quando a gelataria Don Pavili criou uma série de sabores de gelado inspirados na doçaria e gastronomia brasileiras.

A iniciativa passou posteriormente a repetir-se anualmente em torno do dia 7 de setembro, data em que o Brasil assinala a sua Independência.

Em 2025, na nona edição, o projeto deixou de estar circunscrito à gelataria e avançou para o espaço público do centro histórico de Oeiras. A “Gatafunho Editora e Livraria”, a “Confraria do Polvo” e a “Frigideira Carioca” juntaram-se à iniciativa, que passou a integrar atividades culturais e propostas gastronómicas dirigidas aos visitantes da zona histórica.

O resultado dessa experiência conduziu à expansão do projeto em 2026, com a organização a procurar envolver comerciantes locais e instituições na preparação da décima edição.

Segundo a organização, o número de estabelecimentos envolvidos chegou este ano aos 37, numa mobilização que pretende transformar o Centro Histórico de Oeiras no ponto de encontro entre diferentes manifestações da cultura brasileira.

A programação da edição deste ano inclui a “reinterpretação dos clássicos da gastronomia brasileira”, acompanhada por iniciativas de música e entretenimento, com destaque para rodas de samba, concertos e espetáculos.

O programa contempla também palestras, apresentações literárias, contos narrados, artesanato, workshops e masterclasses.

Entre as propostas apresentadas pela organização está igualmente a valorização da gastronomia brasileira através de diferentes espaços comerciais, permitindo que a celebração se estenda para além de um único local e envolva diretamente os estabelecimentos que aderiram ao projeto.

A iniciativa mantém ainda uma dimensão de aproximação institucional e comunitária. A organização agradeceu o envolvimento da Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA), da Câmara Municipal de Oeiras, da União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias e de outros parceiros, destacando ainda a existência de apoios provenientes de Portugal e do Brasil.

Ígor Lopes

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