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Liga MEO Surf: Nova geração ‘agiganta-se’ a caminho das finais do Allianz Ericeira Pro

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A praia de Ribeira d’Ilhas foi palco, este sábado, de emoções fortes e um nível altíssimo de surf no dia 2 do Allianz Ericeira Pro, a terceira etapa da Liga MEO Surf 2022. Com o mar a continuar a oferecer ondas com tamanho e potencial, os melhores surfistas nacionais souberam elevar o nível, numa jornada marcada por algumas surpresas. Os incontornáveis Frederico Morais e Teresa Bonvalot dominaram a prova masculina e feminina, respetivamente, mas a nova geração do surf nacional também deu um ar da sua graça rumo às finais na Ericeira, com especial destaque para nomes como Francisco Mittermayer e João Maria Mendonça [ndr: foto de destaque], ambos de apenas 17 anos.

Uma nova fornada de surfistas começa, assim, a espreitar os lugares mais altos do pódio e a jornada deste sábado foi prova disso mesmo, com a juventude a dar bastante trabalho aos mais graúdos e a provocar, igualmente, a eliminação do licra amarela Guilherme Ribeiro e de Afonso Antunes, também eles jovens, mas já inseridos entres os candidatos ao título e que chegaram à Ericeira no 2º e 3º posto do ranking, respetivamente. Algo que baralhou completamente as contas do ranking masculino, cuja liderança fica em aberto para o dia final em Ribeira d’Ilhas, com três surfistas ainda em prova à espreita da oportunidade.

A ação retomou com os quatro heats que ficaram por disputar da ronda inaugural masculina, com o mar ainda com algum tamanho considerável, mas com algumas abertas que iam permitindo notas altas. Luís Perloiro, Arran Strong, João Kopke, todos com pontuações acima de 13 pontos, e Eduardo Fernandes foram os primeiros vencedores da manhã, dando boas indicações para o que viria a seguir.

Seguiu-se a ronda 2, com vários jovens em destaque e muitas disputas equilibradas e decididas nas últimas trocas de ondas. Foi o caso do heat 2, em que Frederico Morais chegou aos últimos minutos no 3º posto. Contudo, Kikas elevou a fasquia e saltou diretamente para a liderança com a última onda, com Tomás Fernandes a segurar a 2ª posição e Francisco Alves, que esteve praticamente todo o heat em 1º, a ser eliminado. Antes disso, já os jovens Francisco Ordonhas e Daniel Nóbrega tinham tirado da competição os tops Guilherme Fonseca e Pedro Coelho.

Depois do triunfo de Francisco Almeida no heat 3, onde José Maria Ribeiro foi segundo, na disputa seguinte houve mais emoção em doses extra, numa bateria vencida pelo mais jovem na água. Francisco Mittermayer esteve em grande plano, somando 13,45 pontos e uma onda de 8,50 pelo meio, com Joaquim Chaves, de 18 anos, a segurar a segunda posição, com menos de 1 ponto de vantagem para dois dos favoritos em prova, Afonso Antunes, vencedor das duas últimas edições do Allianz Ericeira Pro, e Gony Zubizarreta. Mais duas eliminações surpreendentes numa fase precoce em Ribeira d’Ilhas.

Na metade inferior do quadro de competição a lógica manteve-se, com Guilherme Ribeiro a sair derrotado no heat 5, perante a oposição de Halley Batista e Ian Costa. Detentor da licra amarela Go Chill, Guilherme não aproveitou a eliminação de Afonso Antunes para ganhar vantagem no ranking. Apesar da derrota, o jovem surfista da Costa de Caparica está na liderança provisória do ranking. Contudo, deixou essas contas nas mãos de outros surfistas que continuam em prova.

Halley Batista (Foto: Jorge Matreno /AN Surfistas)

No heat 6, foi a vez de João Maria Mendonça carimbar o triunfo com 13,55 pontos, sendo secundado por João Moreira, numa bateria em que a etapa se despediu da experiência de Marlon Lipke. Até final da ronda, destaque para os triunfos de Arran Strong e Luca Guichard, com Luís Perloiro e Eduardo Fernandes a seguirem também em frente, enquanto João Kopke foi um dos nomes mais proeminentes a despedir-se de prova.

De seguida, foi a prova feminina a ir para a água, para a realização da ronda 2, onde Teresa Bonvalot abriu com tudo, destacando-se da concorrência. Teresa protagonizou o maior score feminino da etapa até ao momento, com 15,50 pontos. Carolina Mendes, Camilla Kemp e Carina Duarte foram as outras vencedoras da ronda, numa clara tendência para as surfistas mais experientes, ao contrário do que aconteceu do lado masculino.

Teresa Bonvalot (Foto: Jorge Matreno /AN Surfistas)

Ainda assim, houve também algumas representantes da nova geração a conseguirem a passagem à ronda 3. Foi o caso de Maria Chaves, Beatriz Carvalho e Maria Salgado, as duas últimas vindas diretamente de El Salvador, onde representaram Portugal no Mundial Júnior da ISA (Associação Internacional de Surf). A campeã nacional Kika Veselko foi a outra surfista a seguir em frente, após a bateria mais disputada da ronda, onde Mafalda Lopes não conseguiu evitar a eliminação, naquela que foi a maior baixa na prova feminina.

A prova masculina voltou à água a meio da tarde, com os intervenientes a elevarem, ainda mais, o nível durante a ronda 3. Com as vagas nos quartos de final man-on-man em jogo, o primeiro heat mostrou a melhor versão de Frederico Morais nesta etapa. Depois de minutos de algum equilíbrio e indefinição, Kikas arrancou para uma performance requintada. Frederico fechou a bateria com uma onda de 8,75 pontos, a melhor do campeonato até ao momento, somando, igualmente, o melhor score, com 17,15 pontos. Pelo meio ainda descartou uma onda excelente, de 8 pontos, o que dá para perceber bem o domínio mostrado, numa bateria em que Joaquim Chaves venceu a luta pela segunda posição, frente a José Maria Ribeiro e Francisco Ordonhas.

Depois do festival chamado Kikas, houve lugar a mais demonstração de nível por parte da juventude. Francisco Mittermayer venceu o heat 2, com 12,35 pontos, conseguindo o pleno de triunfos desde o início da prova. O jovem surfista da Linha carimbou a primeira passagem da carreira à fase man-on-man da Liga MEO Surf, deixou Tomás Fernandes no 2º posto e ainda eliminou Daniel Nóbrega e Francisco Almeida, impedindo este último de sonhar com a chegada à liderança do ranking nesta etapa.

Um duelo interessante entre a nova geração, com João Maria Mendonça a responder de seguida, também com o terceiro triunfo consecutivo em Ribeira d’Ilhas, desta vez com 13,70 pontos. O jovem surfista algarvio conseguiu vencer numa bateria em que Halley Batista ficou com o 2º lugar e onde Eduardo Fernandes e Luís Perloiro ficaram pelo caminho, com estes a perderem também a possibilidade do assalto à liderança do ranking

A ronda fechou com mais um heat decidido nos segundos finais. O regressado Luca Guichard carimbou o triunfo graças a uma manobra muito progressiva, com João Moreira a conseguir passar na segunda posição, perante a oposição de Ian Costa e Arran Strong. Um desfecho que permitiu a João Moreira juntar-se a Tomás Fernandes e Halley Batista como o trio que tem possibilidades de chegar à liderança do ranking no dia final deste Allianz Ericeira Pro. Para tal, Moreira tem o requisito de chegar à final para superar os 1990 pontos de Guilherme Ribeiro, enquanto Tomás Fernandes e Halley Batista precisam de vencer o evento.

É perante este cenário de muita indefinição e um nível de surf muito alto que Ribeira d’Ilhas se prepara para o dia final do Allianz Ericeira Pro. A chamada para domingo está marcada para as 7H30, com expectativas altas para as rondas finais. A prova deverá retomar com a ronda 3 feminina, com o trio da frente do ranking ainda em prova e com Kika Veselko e Carolina Mendes a tentarem tirar a licra amarela de Teresa Bonvalot. Já na prova masculina, há grandes duelos em perspetiva nos quartos de final, que começam logo com o embate entre Frederico Morais e o herói local Tomás Fernandes.

Ronda 3 feminina:

H1: Teresa Bonvalot vs. Carolina Mendes vs. Maria Chaves vs. Beatriz Carvalho

H2: Camilla Kemp vs. Carina Duarte vs. Kika Veselko vs. Maria Salgado

Quartos de final masculinos:

H1: Frederico Morais vs. Tomás Fernandes

H2: Francisco Mittermayer vs. Joaquim Chaves

H3: João Mendonça vs. João Moreira

H4: Luca Guichard vs. Halley Batista

Este sábado houve, ainda, lugar às Go Chill Expression Session, com a feminina a ser vencida pela jovem surfista de Carcavelos, Érica Máximo. Do lado masculino, houve domínio total de Halley Batista, que venceu a disputa graças a um air reverse bem alto, mas que já tinha deslumbrado com outro par de manobras.

Érica Máximo (Foto: Jorge Matreno / AN Surfistas)

Agenda para domingo:

08h00 – Call terceiro dia de competição

11h00 – Happy Hour Jerónimo Martins

13h00 – Finais do Allianz Ericeira Pro

14h00 – Entrega de prémios do Allianz Ericeira Pro Pro.

Fotos: Jorge Matreno / AN Surfistas.

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FUNCEX assina aliança com a “JX” para “ampliar IA regulatória”

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A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, FUNCEX, e a JX IA Regulatória, plataforma de inteligência regulatória que consolida fontes normativas primárias, como leis, regulações, decisões, processos e atos normativos das agências reguladoras brasileiras, firmaram uma aliança estratégica para ampliar o uso da inteligência artificial aplicada à área regulatória no Brasil. A iniciativa é voltada para reduzir riscos, organizar informações normativas e apoiar decisões empresariais em setores relevantes da economia.

Segundo fontes, a parceria coloca a FUNCEX no centro de uma agenda ligada à modernização do ambiente de negócios brasileiro. Criada em 1976, a Fundação acumula uma trajetória ligada ao comércio exterior, às relações internacionais, à inteligência econômica e à formulação de estudos e propostas para o fortalecimento da competitividade do Brasil. Com essa nova frente, a instituição amplia sua atuação ao aproximar conhecimento técnico, inovação e regulação.

“A aliança procura responder a um dos principais entraves enfrentados por empresas e investidores no país: a complexidade das informações produzidas pelas agências reguladoras”, afirmou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da FUNCEX.

De acordo com a Associação Brasileira de Agências Reguladoras, ABAR, cerca de 70% do PIB brasileiro passa, direta ou indiretamente, pela fiscalização desses órgãos, o que reforça a importância de instrumentos capazes de tornar normas, decisões e processos mais acessíveis.

Conforme apuração, a JX desenvolveu uma plataforma que organiza e analisa normas, regulamentos, decisões e processos das agências reguladoras, transformando dados dispersos em informação estratégica. A FUNCEX, por sua vez, pretende agregar a esse processo sua experiência institucional e técnica, contribuindo para que a inteligência regulatória seja aplicada de forma alinhada às necessidades do comércio exterior, dos investimentos e da economia produtiva.

A iniciativa, cujo “head” da operação pelo lado da Funcex é Mauro Souza, visa “contribuir para ampliar a previsibilidade regulatória e apoiar setores como infraestrutura, energia, logística, mineração, saneamento e telecomunicações”.

Ao aproximar inteligência artificial, regulação e análise econômica, a FUNCEX poderá reforçar sua posição como instituição de referência no debate sobre competitividade, ambiente de negócios e integração do Brasil às cadeias internacionais de valor.

“Num país ainda marcado pelo chamado Custo Brasil, a capacidade de transformar complexidade em clareza pode ser determinante para atrair capital, estimular investimentos, gerar empregos e fortalecer a competitividade nacional. A aliança entre FUNCEX e JX surge, assim, como uma resposta prática a um desafio estrutural da economia brasileira”, defendeu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.

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Reino Unido: Abertas inscrições para o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”

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O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou oficialmente, dia 5 de maio, no âmbito das comemorações pelo Dia Mundial da Língua Portuguesa, o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia. As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026.

De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.

Regras das candidaturas

A iniciativa, que conta com inscrições gratuitas, contempla duas categorias: Prosa e Poesia, e destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.

As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem tampouco terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.

Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.

“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.

Segundo apurámos, a primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal “As Notícias”, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.

“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais “Agência Incomparáveis”, “RádioTV Lusa”, “Bom Dia”, “Gazeta Lusófona” e “LusoJornal”, além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).

Como participar?

As candidaturas devem ser feitas on-line em: https://premio-literatura.com/candidaturas

O regulamento pode ser consultado em: https://premio-literatura.com/regulamento

Saiba mais sobre o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” em: https://premio-literatura.com/

Dúvidas podem ser enviada para o e-mail: joaonoronha@asnoticias.co.uk ou joaomarianoronha@yahoo.com

Ígor Lopes

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“EurAfrican Forum 2026”: Portugal e Moçambique defendem nova etapa de cooperação centrada no “investimento, estabilidade e desenvolvimento sustentável”

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Os presidentes da República Portuguesa, António José Seguro, e da República de Moçambique, Daniel Chapo, defenderam uma nova fase das relações entre os dois países, assente no investimento, na estabilidade institucional, na cooperação económica e na valorização do espaço lusófono.

A conversa decorreu no âmbito da nona edição do “EurAfrican Forum”, encontro realizado dia 16 de julho na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, e promovido pelo Conselho da Diáspora Portuguesa sob o tema “Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation”, reunindo responsáveis políticos, empresários, académicos e representantes institucionais para debater o futuro das relações entre África e Europa.

Moderado pela jornalista Cristina Esteves, da RTP, o painel “Conversa entre Presidentes” colocou em destaque o papel estratégico de Portugal e de Moçambique no atual contexto internacional e a importância de aprofundar a cooperação entre os dois países.

Ao abordar a evolução das relações bilaterais, Daniel Chapo destacou que Moçambique atravessa atualmente uma fase de maior estabilidade política, económica e social, resultado do diálogo nacional promovido após o período de instabilidade que se seguiu às eleições.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, esse ambiente constitui um fator essencial para reforçar a confiança dos investidores e criar condições favoráveis ao desenvolvimento económico.

“Nós estamos neste momento a levar a cabo o diálogo nacional inclusivo, em que participam todos os partidos políticos, a sociedade civil, as ONGs e todos os grupos sociais em todo o país para encontrarmos os caminhos que possam permitir, mesmo que haja necessidade de fazer alguma alteração em termos legislativos, fazê-lo, porque o mais importante é que haja estabilidade política, económica, paz e democracia”, começou por referir.

O presidente moçambicano aproveitou também para agradecer o apoio prestado por Portugal na resposta aos desafios de segurança em Cabo Delgado, reconhecendo o papel desempenhado pelo Estado português junto da União Europeia.

“Portugal tem tido um papel extremamente importante ao nível da União Europeia. Gostaria de aproveitar esta ocasião para agradecer ao povo português, ao Governo português e ao presidente da República por esse apoio que tem sido dado”, declarou.

De igual modo, Daniel Chapo sublinhou que o país reúne atualmente condições para atrair mais investimento internacional, defendendo uma estratégia económica baseada na diversificação e na valorização de setores como energia, agricultura, turismo, logística, indústria e economia azul.

“Queremos mais investimentos em Moçambique. Queremos também que haja mais empresários portugueses em Moçambique e mais empresários moçambicanos em Portugal. Há uma feliz coincidência entre os novos ciclos de governação em Moçambique e em Portugal, e esta amizade e cooperação vão permitir solidificar não só as relações diplomáticas e políticas, mas sobretudo a parte económica”, frisou.

O chefe de Estado moçambicano considerou ainda que o desenvolvimento sustentável dependerá da aposta na formação e na inovação, defendendo que o investimento nas pessoas constitui o principal motor do crescimento.

“Não há desenvolvimento, em qualquer parte do mundo, sem capital humano. Daí que esta aposta na formação das pessoas, na formação da juventude, na ciência, na tecnologia e no conhecimento seja estratégica”, finalizou.

Na resposta, António José Seguro reafirmou a disponibilidade permanente de Portugal para aprofundar a cooperação bilateral, defendendo uma relação baseada no respeito entre dois Estados soberanos e na construção de confiança.

“O presidente Daniel Chapo sabe verdadeiramente que pode sempre contar com Portugal no apoio que for necessário, designadamente na necessidade de se manterem as condições de segurança em Cabo Delgado, sempre no respeito pela soberania do Estado moçambicano”, salientou.

O presidente da República Portuguesa destacou também que a estabilidade política constitui um elemento determinante para atrair investimento privado e consolidar o crescimento económico.

“Estamos num momento excelente das relações entre Portugal e Moçambique. Isso gera confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante para os empresários e para os investidores”, sustentou.

Ao abordar o futuro da cooperação, António José Seguro defendeu um reforço das ligações ao nível do ensino superior, da investigação científica, da inovação tecnológica e da formação especializada, considerando que Portugal dispõe de condições para aprofundar essa colaboração.

“Nós temos centros de investigação fabulosos, universidades de excelência e áreas de formação do melhor que se faz no mundo. Temos de passar para esta partilha de conhecimento, porque isso produz muito mais do que a simples troca comercial”, concluiu.

Os dois chefes de Estado convergiram na necessidade de reforçar a cooperação face aos desafios colocados pelas alterações climáticas, pelas infraestruturas resilientes e pela transição energética, considerando que estas áreas deverão assumir um lugar central na agenda comum entre Portugal e Moçambique.

Daniel Chapo reiterou que a resposta a estes desafios exige uma visão estratégica de longo prazo, sustentando que o país moçambicano deve “integrar os desafios das mudanças climáticas nos nossos projetos, nas nossas relações de amizade e cooperação e, sobretudo, nessa visão estratégica que nós temos para os próximos anos”, acrescentando que é necessário “construir infraestruturas resilientes aos desastres naturais” e reforçar o ordenamento do território para reduzir o impacto das cheias e inundações.

Nessa mesma linha, António José Seguro vincou que a cooperação nesta matéria deve assentar no conhecimento científico e na prevenção, salientando que “há hoje modelos que nos permitem, de alguma forma, diminuir as consequências devastadoras dessas severidades atmosféricas” e garantindo que “Portugal estará sempre disponível para cooperar com o Governo de Moçambique  no que diz respeito às prevenções ou diminuição das consequências das catástrofes”.

Funcex defende maior protagonismo económico da CPLP

Convidada para estar presente no “EurAfrican Forum 2026”, a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil, e atuação em Portugal através da Funcex Europa, acompanhou os debates e considerou que a principal mensagem transmitida pelos dois chefes de Estado reforçou a necessidade de “transformar as relações políticas em cooperação económica efetiva entre os países lusófonos”.

Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Funcex. Foto: Agência Incomparáveis

O presidente da instituição, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, destacou que Moçambique representa atualmente uma oportunidade estratégica não apenas pelo potencial do gás natural, mas também pelos fertilizantes e por outros setores com capacidade de atrair investimento.

“Eu destaco Moçambique, além do gás, nos fertilizantes. A Vale, mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país, teve uma presença muito significativa em Moçambique e isso remete para a importância estratégica que o país continua a ter”, explicou.

Na perspetiva deste responsável, o “EurAfrican Forum” demonstra que continua a prevalecer uma lógica predominantemente bilateral nas relações entre Portugal e os países africanos de língua portuguesa.

“Percebe-se que os eventos se dão muito nesta lógica bilateral. É Portugal com Angola, é Portugal com Moçambique. Hoje temos há 30 anos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que deveria liderar, sem abandonar o bilateralismo, um verdadeiro multilateralismo da comunidade”, preconizou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, que considerou que a CPLP continua a surgir como consequência das relações entre os Estados, quando deveria assumir um papel estruturante na cooperação económica.

“A comunidade dos países de língua portuguesa era uma ótima consequência, mas não uma verdadeira causa, que deveria ser. A parte económica deveria ser destacada como um todo”, disse.

O presidente da Funcex defendeu ainda que Portugal deve continuar a afirmar-se como plataforma privilegiada de ligação entre a Europa, África e os restantes continentes, valorizando simultaneamente o crescente interesse internacional pela CPLP.

“Hoje já são 29 países observadores da CPLP. Se 29 países se interessam pela CPLP, ela deve ter alguma coisa de interessante. Ninguém observa sem interesse”, argumentou, sustentando que a organização dos países lusófonos necessita de “reforçar o seu posicionamento económico internacional”.

“Ela nasce muito bem pela integração através da língua e da cultura, mas durante muito tempo descartou o segmento económico. A CPLP precisa de se posicionar como um organismo de peso e de representação efetiva, porque essa dimensão económica será decisiva para o futuro da comunidade”, finalizou.

Ígor Lopes

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