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Rampa da Arrábida: José Correia vence edição marcada pelo recorde de espetadores

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A 33ª Rampa da Arrábida presenteou a ”Família da Montanha” com uma “festa rija”. A prova inaugural do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group bateu todos os recordes de espetadores das edições anteriores, com vários milhares de aficionados a acorrerem à idílica serra durante os dois dias de competição. José Correia (Norma FC 20) [ndr: na foto de destaque] recuperou o cetro de “Rei da Arrábida” triunfando com naturalidade pela terceira vez na prova muito bem organizada pelo Clube de Motorismo de Setúbal.

Bom ritmo nas subidas, decisões atiladas, intenso trabalho comunicacional e uma preocupação para introduzir melhorias continuas. Eis o segredo para que o Clube de Motorismo de Setúbal tenha vivido a mais intensa e bem sucedida edição da Rampa da Arrábida, desde o seu regresso em 2017, com o certame a ser já uma marca para o concelho, a região e o campeonato.

E foi perante milhares de espetadores que quase seis dezenas de pilotos saborearam o arranque do campeonato de Portugal de Montanha JC Group, proporcionando um espetáculo de fino recorte, seguido de forma apaixonada pelo público espalhado pelas zonas instaladas ao longo dos 3,5 km do percurso e todos quantos seguiram a transmissão em livestreaming do evento.

José Correia venceu e convenceu. O “patrão” e piloto do JC Group Racing Team foi o mais rápido em todas as subidas, dominando com naturalidade a prova, estabelecendo ainda excelentes tempos nas subidas de prova. A sua melhor marca do fim-de-semana, fazendo rodar a Norma FC20 na 2ª Subida de Prova em 1:41.978, à média horária de 123,55 km/h.

Correia começa assim da melhor forma o campeonato e mostra, claramente, que está muito motivado para tentar chegar ao segundo título absoluto da sua carreira.

O 2º lugar de Hélder Silva transformou-se numa boa “gestão de danos” para o atual tricampeão nacional. O poveiro da Power House não conseguiu ter pronta a sua Osella PA2000 PA.30 EVO2 e alinhou com a Osella PA21S Evo que normalmente é conduzida pelo Nuno Caetano. O protótipo tem um nível de competitividade mais baixo do que a “montada” habitual e Hélder Silva focou-se em garantir a presença no segundo degrau do pódio, amealhando pontos que podem vir a ser importantes na discussão do título.

GT: muda a época e “toca” o mesmo

Ouro dos “MVP” do fim-de-semana foi Vítor Pascoal. O baionense começou da melhor forma a defesa do seu título nacional na Categoria GT, impondo o seu novo Porsche 991.2 GT3 CUP.

O piloto de Baião estava com alguma apreensão, pelo facto de não ter testado o carro, mas utilizou com maestria as subidas de treino do fim de semana para ir ganhando confiança e melhorando as afinações. Depois, bem, voltou a provar porque é que o seu cognome é “Sniper de Baião”, sendo sempre o mais forte na sua categoria e, paulatinamente, eliminando a oposição no caminho para mais uma presença no pódio da geral de uma prova do campeonato. Fez assim uma espécie de pleno e deixou bem claro que tem tudo para mais uma época ao mais alto nível.

A 2º posição final entre os GT acabou por ir parar às mãos do estreante André Fernandes (Porsche 997 GT3 Cup), depois da desclassificação do galego Bernardo Garcia de Castro, devido ao seu Porsche 997 GT3 Cup ter registado na pesagem oficial um valor abaixo do mínimo regulamentar.

Na sequência do sucedido, Gabriela Correia (Mercedes AMG GT4) subiu ao 3º posto. Registe-se que Garcia de Castro, Fernandes e a “Princesa da Montanha” andaram sempre muito perto, num batalha intensa pelos lugares secundários do pódio.

Nos Protótipos B, para além de assinalarmos a justa e natural vitória de Nuno Guimarães, com o “Capitão da Montanha” a impor o Silver Car S2 da NJ Racing em todas as subidas de prova, embora tendo sempre perto o regressado Joaquim Rino, com o “Senador de Porto de Mós” a revelar uma rapidez notável aos comandos do BRC B49 Evo da Articimentos, premiada com um robusto 2º posto na Divisão.

Festa rija foi a que se viveu na Power House, comemorando o excelente 3º lugar do jovem Afonso Santos. Aso 16 anos de idade, o poveiro não se amedrontou com a pressão natural da estreia no campeonato e da exigência própria da condução do protótipo BRC B49 EVO e rubricou uma exibição segura e em crescendo, coroada com o primeiro pódio da carreira. Tem tudo para vir a ser um nome em destaque no futuro.

Luís Nunes soma e segue entre os Super Challenge

Pela amostra do que sucedeu na Arrábida, 2024 tem tudo para se transformar em novo “passeio no parque” de Luís Nunes a caminho do seu sexto título nacional que, a suceder, será o segundo consecutivo na Categoria Super Challenge.

Nesta prova inaugural, colocou o seu Skoda Fabia R5 da Nunes Sport a rodar sempre num ritmo avassalador, longe dos adversários da categoria e imiscuindo-se na luta pelo pódio absoluto, tendo terminado na 5ª posição da geral. Juntou ainda ao pecúlio a natural vitória no Grupo SC-A.

José Lameiro foi quem menos longe rodou do “Foguetão de Valpaços”. O piloto da Diatosta enfrentou alguns problemas técnicos no Skoda Fabia R5 no sábado, mas logrou protagonizar uma boa jornada de domingo, coroada com um excelente 2º lugar na categoria e no mesmo grupo de Nunes.

Bruno Carvalho completou o pódio da Categoria Super Challenge e venceu o Grupo SC-C com naturalidade, mas não sem enfrentar um momento de grande tensão, quando o seu Citroen Saxo sofreu um grave problema no motor que obrigou a sua equipa técnica a mostrar todo o seu valor, conseguindo, em tempo recorde, reparar o propulsor. João Rodrigues (Peugeot 106 XSi) secundou Carvalho no grupo, reclamando ainda a 4ª posição na categoria, tendo logo atrás, no 3º lugar, Jorge Vicente, num Renault Clio.

Quanto ao Grupo SC-D, o jovem Carlos Correia Pouca Sorte foi o melhor, impondo a BMW M3 SW da Megamotors, tendo ainda sido 5º na categoria. O pódio ficou completo com a presenças de Arlindo Beça (Mini Cooper S).

Turismo: Summavielle estreia Cupra TCR com vitória musculada

A Categoria Turismo está em processo de renovação de protagonistas na batalha pelo título nacional, sendo de esperar que, com a aparição de alguns pilotos habituais, cuja ausência na Arrábida foi pontual, a luta se intensifique.

Em Setúbal, ninguém conseguiu contrariar o domínio de Parcídio Summavielle. Agora aos comandos do Cupra TCR que pertenceu a Joaquim Teixeira, o “Bisturi de Fafe” não ostentou qualquer limitação pleno facto de ser a primeira prova com o carro catalão e, paulatinamente, foi intensificando o ritmo, melhorando substancialmente os tempos, não dando veleidades aos mais diretos opositores, conquistando assim a primeira vitória da época e assumindo uma sólida candidatura ao título nacional da categoria.

Summaville dominou também, como é óbvio, a Divisão Turismo 2, tendo sido aqui secundado por José Carlos Magalhães, no Seat Leon MKII da MNE Sport e pela jovem Beatriz Correia, muito segura a tripular o Cupra TCR do JC Group Racing Team.

Gonçalo Inácio, que este ano fará todo o campeonato, voltou a mostrar todos os seus dotes de condução, contribuindo para uma “dobradinha” da Befast Motosport na categoria. Extraindo de forma notável todo o potencial do seu Peugeot 208 VTI R2, Inácio adicionou ao 2º lugar na categoria, uma vitoria clara nas lides da Divisão Turismo 3, onde foi acompanhado no pódio por Bruno Rodrigues (Honda Civic Type R) e Carlos Ferreira Citroen Saxo Cup).

Prova de grande nível foi a que assinou Daniel Pacheco. O piloto de Paredes adquiriu um Mitsubishi Lancer EVO X e estreou o carro nipónico com o triunfo na Divisão Turismo 1 – aqui sem grande oposição por parte de Carlos Gonçalves, em carro idêntico – almejando ainda reclamar o degrau mais baixo do pódio da categoria.

TPKM: Tiago Pinto vence duelo aceso

440 milésimos de segundo. Eis a magra diferença final, já no somatório dos tempos das duas melhores subidas de prova, que separou Tiago Pinto (LBS Motor Club RX 01) e Nelson Rocha (SEMOG Bravo Sport SE) na luta pela primazia na Taça de Portugal Kartcross de Montanha JC Group, com a vantagem a pender para o jovem piloto da DM Motorsport sobre o veterano setubalense.

Foi um duelo muito interessante de seguir, com ambos a venceram subidas ao longo do fim-de-semana e a realizar tempos que, a existir uma geral global, os colocaria sempre a rodar dentro de um hipotético Top 15, dando conta da capacidade competitiva dos pequenos monolugares e da sua impressionante relação peso/potência.

O Campeonato de Portugal de Montanha JC Group ruma agora a Norte. A 6 e 7 de abril, caberá ao Demoporto organizar em Guimarães nova edição da Rampa da Penha Paisagem Protegida.

Foto: FPAK.

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“Aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal”

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, procurou aproximar “património, criatividade, conhecimento e cooperação entre territórios”. Promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, num momento em que Castelo Branco procura desenvolver o trabalho associado à sua integração na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, fez, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, um balanço positivo dos dois dias de programação, destacando a adesão do público, a qualidade das intervenções e o interesse demonstrado pelas diferentes atividades.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas, as experiências foram ótimas. Sinto também, da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, que houve muito gosto em estar presente”, avaliou.

Esta responsável apontou como exemplo dessa participação a visita realizada ao MUTEX – Museu dos Têxteis, após um primeiro dia de programa.

“Saímos daqui já com um horário bem esticado e, ainda assim, as pessoas acompanharam-nos. Tínhamos mais de 30 pessoas na visita e isso é a prova de que as pessoas estavam muito envolvidas com estas temáticas”, salientou.

O programa da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reuniu especialistas, investigadores, responsáveis públicos e agentes culturais, com debates sobre identidade local, economia criativa, património, Bordado de Castelo Branco, empreendedorismo e internacionalização. Entre os participantes esteve Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que integrou a mesa-redonda dedicada à relação entre identidade local e instrumentos públicos de valorização do património.

Para Sónia Abreu, uma das mensagens que marcou os trabalhos foi precisamente a necessidade de colocar o artesanato no mesmo espaço de reconhecimento das restantes expressões artísticas.

“Aquilo que eu mais gostei de ouvir foi esta explicação de alguém como o doutor Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que nos diz que o artesanato é arte, é uma arte maior e merece o mesmo prestígio que todas as outras categorias de arte”, observou.

A discussão em torno do Bordado de Castelo Branco ocupou igualmente uma parte do encontro, sobretudo na relação entre tradição, contemporaneidade e viabilidade económica. Sónia Abreu destacou a participação de responsáveis e especialistas de diferentes instituições e áreas, que procuraram responder ao desafio de preservar a identidade do bordado sem impedir a sua evolução.

“Este tema gera sempre discussão. Como é que nós agarramos no Bordado de Castelo Branco e o tornamos vendável, comerciável? Como é que nós o tornamos mais contemporâneo? E qual é o limite? Até onde podemos ir?”, questionou. Da reflexão resultou, segundo ela, uma aproximação entre diferentes perspetivas sobre o futuro do património.

“Foi um diálogo muito produtivo. As discussões são sempre boas e acho que foi um momento de muita aprendizagem e de percebermos que podemos dar este salto”, considerou.

Outro dos objetivos esteve relacionado com a aproximação entre a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” e a própria comunidade. A cidade integra a “Rede de Cidades Criativas” desde outubro de 2023, distinção atribuída na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. A autarquia enquadrou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente nessa estratégia de valorização dos saberes tradicionais, das indústrias criativas e da cooperação.

Para Sónia Abreu, este processo depende da capacidade de transmitir às novas gerações que o património pode ter continuidade e dimensão económica.

“O artesanato tem tudo para seguir em frente. Nós só temos de arranjar forma de cativar as gerações mais novas para conseguirmos, de facto, continuar, porque eles é que são o futuro”, defendeu. Essa participação, acrescentou, deve ultrapassar a esfera institucional.

“A chancela UNESCO só funciona se for da comunidade. Não é do município, é da cidade. Nós temos que envolver as pessoas e, de alguma forma, despertar o interesse dos jovens para estes trabalhos, para estes labores, mas, para isso, eles têm de conseguir fazer vida destas artes”, explicou.

A chefe da Divisão de Museus e Cultura considera agora prioritário aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal e utilizar o encontro como “instrumento de valorização do Bordado de Castelo Branco”.

“Aquilo que eu gostaria de fazer era continuar a investir neste projeto, de forma a que alcance cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional. Conseguir dar esta alavanca ao Bordado de Castelo Branco é muito importante. É o nosso solo. A nossa cidade criativa tem este solo, é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, projetou.

A programação permitiu também aproximar Castelo Branco de outras cidades portuguesas que integram a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, entre as quais Barcelos, Caldas da Rainha, Amarante, Idanha-a-Nova, Leiria, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira e Matosinhos. O programa oficial reservou o segundo dia para a apresentação de práticas, projetos e experiências desenvolvidas por vários destes territórios. Sónia Abreu considera que o contacto direto pode agora transformar-se em projetos conjuntos.

“Esta partilha que está a acontecer com os pontos focais das outras cidades criativas de Portugal deixa-nos muitas ideias. Depois é estreitar pontos, pensar em novos projetos que nos possam envolver, não só com as cidades criativas, mas com todas estas cidades e municípios que participaram nesta exposição e que têm também um aporte muito importante a trazer a este projeto”, perspetivou.

Um dos resultados surgiu através da exposição “O Mundo Bordado à Mão”, concebida para “reunir peças provenientes de diferentes territórios”. A mostra foi integrada no programa oficial da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” e contou com contributos de municípios portugueses e representações do Brasil, de Cabo Verde e dos Açores. Segundo Sónia Abreu, a adesão superou as expectativas iniciais.

“Endereçámos um convite aos municípios e foi incrível aquilo que aconteceu a seguir. As pessoas, de forma completamente genuína e espontânea, começaram a responder-nos e a perguntar como faziam chegar aqui as peças. Umas vieram por correio, outras vieram trazer”, recordou.

A quantidade de trabalhos recebidos permitiu ainda reorganizar a exposição, dando maior dimensão à diversidade geográfica.

“Eu achava que ia ter aqui peças do Brasil, que já tínhamos confirmado desde o início, também de Cabo Verde, e que depois teria de puxar pelo Bordado de Castelo Branco para compor a sala. Afinal, não foi preciso. Conseguimos pôr este primeiro espaço só com aquilo que nos foi chegando dos outros municípios, do Brasil e de Cabo Verde”, revelou.

Dos contactos efetuados antes e durante o encontro resultaram já manifestações de interesse na circulação da mostra.

“Já tive contactos de municípios que não estão aqui representados e que gostavam de receber a exposição. Já tive contactos destes municípios a dizer: como é que nós agora agarramos nisto e levamos também para nós? Vamos fazer isto rodar”, adiantou.

Entre as participações que surpreenderam a organização esteve a do município da Madalena, na ilha do Pico, Açores. A autarquia açoriana enviou peças e esteve representada durante os dois dias pela presidente da Câmara Municipal. Para Sónia Abreu, a resposta abriu uma possibilidade de continuidade.

“A disponibilidade foi imediata. Disponibilizaram-se para mandar as peças e, melhor do que isso, a senhora presidente da Câmara Municipal esteve presente nos dois dias da Bienal. Há aqui um envolvimento muito interessante que nós não esperávamos”, assinalou.

Esta profissional considera que a projeção institucional de Castelo Branco poderá também “servir para dar visibilidade a artesãos e territórios que ainda não dispõem do mesmo reconhecimento internacional”.

“Aquilo que nós podemos fazer é disponibilizarmo-nos para fazer parcerias, para os fazer aparecer sempre que estivermos em algum lado e eles nos queiram acompanhar. Isto passa por uma questão de divulgação deste artesanato e da projeção de que estas artesãs precisam. Precisam que se comece a falar delas, que sejam reconhecidas e que o trabalho delas seja valorizado”, sustentou.

Sobre a relação criada com o município da Madalena, Sónia Abreu deixou ainda uma expectativa de continuidade para além da primeira edição.

“Quero acreditar que isto que aconteceu em relação à Madalena é só o início de uma linda história de cooperação institucional”, anteviu.

A presença de Portugal, Brasil e Cabo Verde introduziu ainda no encontro uma dimensão lusófona, assente não apenas na circulação de técnicas e formas de expressão, mas numa língua comum que facilita os contactos entre instituições e criadores.

“É muito bom este relacionamento com estes países irmãos. A língua que nos une é, de facto, aquilo que facilita todo este trabalho e esta comunicação”, sublinhou.

A atuação da Divisão de Museus e Cultura, acrescentou Sónia Abreu, não se limita às artes e ofícios. A estrutura municipal mantém igualmente ações ligadas à literatura, edição, investigação e outras formas de produção cultural.

“Para além do artesanato, temos também esta preocupação com as outras artes, a literatura, a escrita, as performances. Tudo o que envolva outras formas de cultura estará sempre na nossa mira para apoio”, garantiu.

A génese da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” resultou precisamente da intenção de dar maior significado local à classificação atribuída pela UNESCO e explicar à população o que representa pertencer à “Rede de Cidades Criativas”, segundo os seus organizadores.

De acordo com Sónia Abreu, a programação foi construída a partir dessa necessidade de transformar uma chancela internacional num instrumento compreendido e partilhado pela cidade.

“As pessoas na comunidade não sabem, não entendem o que é isto de ser uma “Cidade Criativa da UNESCO”. O foco tinha que ser este. Temos que levar às pessoas a mensagem de uma forma muito clara. O que é ser uma cidade criativa? O que é que isto nos beneficia? O que podemos fazer com isto? A nível do futuro, como podemos projetar a nossa cidade?”, sintetizou.

No final dos dois dias, a responsável destacou ainda o trabalho coletivo que sustentou a organização e que, segundo explicou, esteve na origem da emoção demonstrada durante a sua intervenção pública no encerramento.

“Houve um trabalho enorme, uma equipa incrível que me acompanhou sempre. Eu tenho muita sorte com a equipa que tenho na minha divisão. Sentir que as pessoas estão comigo é muito bom”, concluiu.

Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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Autarca de Castelo Branco classificou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” como “instrumento de valorização do património e da economia” do município e da região

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” colocou Castelo Branco no centro de uma reflexão sobre património, artesanato, economia e cooperação entre territórios. Realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, promovido no concelho entre 3 e 6 de setembro. A realização do encontro esteve também associada à condição de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, estatuto atribuído em 2023.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, defendeu que a participação na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” ultrapassa a dimensão cultural e deve ser entendida também pelo seu potencial para gerar “atividade económica, oportunidades para os artesãos e projeção internacional do território”.

“As “Cidades Criativas da UNESCO” são uma rede mundial, onde felizmente Castelo Branco está incluído através do artesanato e das artes populares, e tivemos como elemento central na nossa candidatura o Bordado de Castelo Branco”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que reforçou que a dimensão internacional da rede permite criar escala para os produtos e saberes locais.

“Cria oportunidades, cria valor àquilo que é o Bordado e àquilo que é o artesanato local e, portanto, abre uma janela de oportunidade não apenas para o território no qual estamos inseridos, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, disse.

O autarca salientou que a presença de Castelo Branco nesta estrutura internacional implica também compromissos na preservação e transmissão dos saberes. Segundo explicou, o município tem procurado promover o artesanato local, ao mesmo tempo que estabelece contactos com outras cidades que integram a rede da UNESCO.

“Vamos integrando também o conhecimento, a forma de fazer e a forma de estar das outras Cidades Criativas da UNESCO”, referiu.

É neste contexto que Leopoldo Rodrigues enquadra a realização da Bienal Internacional de Artes e Ofícios.

“A Bienal que agora começa é um momento muito importante porque traz outras cidades, traz outros artesanatos e traz também a reflexão que, do nosso ponto de vista, é fundamental sobre este desenvolvimento económico que também é proporcionado pelo artesanato e através das cidades criativas”, sublinhou. A iniciativa, acrescentou, “permite simultaneamente mostrar a produção de Castelo Branco e conhecer métodos, experiências e práticas de outros territórios”.

“Esta Bienal tem para nós um significado muito profundo. Em primeiro lugar, porque se realiza em Castelo Branco. Em segundo lugar, porque é também uma oportunidade para mostrarmos aquilo que é o nosso artesanato nas suas diferentes dimensões. E, por último, porque nos permite acolher outras cidades, outros artesãos e outras artesãs e incorporar o seu conhecimento e também a sua forma de fazer”, atestou à Agência Incomparáveis.

O presidente da Câmara Municipal relacionou ainda a chancela da UNESCO com uma maior responsabilidade dos profissionais ligados ao artesanato. O município tem procurado avançar com processos de certificação através do CEARTE e reforçar instrumentos destinados a preservar a qualidade e a identidade das produções locais. No caso do Bordado de Castelo Branco, a autarquia tem desenvolvido ações de investigação, preservação, formação e promoção, numa estratégia igualmente destacada pela própria UNESCO.

“Pertencer a uma rede internacional, a uma chancela da UNESCO, é de facto um orgulho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que destacou ainda os efeitos já registados no Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco.

“Temos aumentado o número de trabalhos que nos são encomendados”, revelou, considerando que a integração numa estrutura internacional amplia a exposição dos produtos locais.

“Esta é uma rede global e, portanto, é a oportunidade de estar no mundo e de podermos ter também um marketing mundial”, recordou.

“Festival Sabores de Perdição” com formato centrado no território de Castelo Branco

A autarquia confirmou que a edição deste ano apostou exclusivamente em artistas e agentes da região.

“Decidimos fazer os “Sabores de Perdição” porque o festival agrega o território, promove a coesão e é um momento importante de afirmação do concelho de Castelo Branco”, explicou o presidente. Segundo Leopoldo Rodrigues, músicos, atores, agentes de animação e expositores ligados à gastronomia e ao artesanato foram selecionados no concelho e no distrito.

A programação alargada incluiu ainda ações relacionadas com gastronomia, uma rota gastronómica, showcookings e uma etapa do Grande Prémio de Ciclismo JN/TSF no concelho. Paralelamente, Castelo Branco acompanhava a candidatura do “Jardim do Paço Episcopal às Novas 7 Maravilhas de Portugal”, iniciativa que o autarca enquadrou na mesma estratégia de “promoção do património local”.

No balanço sobre a Bienal, Leopoldo Rodrigues apontou ainda para a dimensão internacional das relações criadas a partir da cultura e do artesanato.

“É também a oportunidade de termos pessoas de outros países que queremos receber pelas relações que estabelecemos, pela amizade que já vai existindo entre nós e essas pessoas e essas entidades. É também um momento para reforçar laços”, concluiu.

A realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reforçou, assim, uma estratégia que procura associar a preservação dos saberes tradicionais à “internacionalização, à economia criativa e à cooperação entre cidades”. Em Castelo Branco, o Bordado continua a ocupar uma posição central nesse percurso, enquanto “património transmitido entre gerações” e “elemento de projeção do território nas redes culturais internacionais”.

A organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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Pedro Ramos defende: “é preciso colocar a gestão de pessoas no centro do crescimento das empresas lusófonas”

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A transformação do mercado de trabalho, a inteligência artificial, a mobilidade profissional e a necessidade de novas competências estão a alterar as prioridades das empresas no espaço lusófono. Para Pedro Ramos, especialista português em Liderança, Gestão de Pessoas e Transformação Organizacional, responder a este cenário exige que as organizações deixem de olhar para os Recursos Humanos apenas como uma estrutura administrativa e integrem a gestão de pessoas na própria estratégia empresarial. A sua abordagem parte de um princípio que tem acompanhado o percurso profissional: liderar é cuidar.

Doutorado em Economia de Empresa, mestre em Sociologia do Emprego, professor universitário e CEO da Dale Carnegie Portugal, Pedro Ramos acumula mais de 30 anos de experiência em funções ligadas à liderança, Recursos Humanos e desenvolvimento organizacional. A Dale Carnegie Portugal mantém atualmente programas dirigidos à comunicação, liderança, relacionamento interpessoal, gestão do stress, desenvolvimento de equipas e transformação comportamental nas organizações.

O trabalho desenvolvido por Pedro Ramos tem assumido uma dimensão crescente dentro da lusofonia, sobretudo através da participação em encontros empresariais e académicos em Portugal, Brasil, Cabo Verde e Angola, por exemplo. O especialista tem defendido que mercados com características distintas podem encontrar na língua, na formação de lideranças e no desenvolvimento do capital humano pontos de aproximação capazes de gerar cooperação empresarial.

Para Pedro Ramos, as empresas que pretendem crescer dentro do espaço lusófono precisam de integrar estratégia, cultura organizacional, qualificação e desenvolvimento humano. Segundo o especialista, a circulação de profissionais e empresas entre Portugal, Brasil, Cabo Verde e outros países de língua portuguesa torna ainda mais necessária uma gestão capaz de compreender contextos culturais diferentes, sem perder objetivos comuns de produtividade, inovação e desenvolvimento.

“O futuro do mundo lusófono depende de líderes capazes de integrar pessoas, propósito e desenvolvimento económico”, sustentou Pedro Ramos, ao defender a ética, a confiança, a inclusão, a diversidade cognitiva e o desenvolvimento contínuo como componentes da gestão das organizações.

A visão ganha relevância num momento em que Portugal reforça a sua ligação a mercados internacionais, o Brasil mantém uma das maiores comunidades profissionais de Recursos Humanos do mundo e Cabo Verde procura posicionar-se como espaço de ligação entre Europa, África e Américas. Neste quadro, Pedro Ramos tem procurado estabelecer pontes entre diferentes ecossistemas empresariais, transportando para o debate lusófono temas como liderança, comunicação, retenção de talento, formação contínua, inteligência artificial, gestão da mudança e cultura organizacional.

No Brasil, essa ligação ficou novamente demonstrada com a participação no CONARH 2026, realizado em São Paulo. Pedro Ramos integra o Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos e participou também nos trabalhos ligados ao congresso. Durante a edição deste ano, moderou uma sessão dedicada a experiências empresariais asiáticas e à aplicação desses conhecimentos no contexto brasileiro, num encontro centrado nos desafios da gestão de pessoas, liderança, aprendizagem, inovação e transformação das organizações.

O mercado brasileiro ocupa, neste percurso, uma posição estratégica. A dimensão económica do país, o volume de empresas e a presença de estruturas dedicadas à gestão de pessoas criam condições para a partilha de experiências com Portugal e outros países lusófonos. Para Pedro Ramos, esta relação pode ultrapassar o intercâmbio de práticas empresariais e contribuir para a criação de modelos de liderança adaptados a organizações que trabalham simultaneamente em diferentes culturas e geografias.

Em Cabo Verde, Pedro Ramos desempenhou igualmente um papel ligado ao desenvolvimento desta agenda. Nos dias 24 e 25 de julho, participou no Human Leaders International Congress 2026, realizado na cidade da Praia, tendo integrado o projeto como embaixador. O encontro reuniu dirigentes, especialistas e académicos para debater liderança, capital humano, inovação, sustentabilidade, inclusão e futuro do trabalho. A presença do especialista português inseriu-se numa estratégia de aproximação entre profissionais e organizações de diferentes países de língua portuguesa.

Pedro Ramos tem defendido que a gestão do talento deve ultrapassar o recrutamento e os procedimentos internos das empresas. Integração de trabalhadores, preparação das lideranças, retenção de profissionais, comunicação entre culturas, adaptação tecnológica e desenvolvimento de equipas capazes de trabalhar em diferentes mercados fazem, na sua perspetiva, parte do mesmo processo de gestão.

Segundo o especialista, os modelos de desenvolvimento utilizados no seu trabalho procuram gerar alterações comportamentais aplicadas ao funcionamento diário das organizações, com incidência na confiança, comunicação, responsabilidade individual e liderança próxima. Esta abordagem é também apresentada pela Dale Carnegie Portugal como parte de uma metodologia orientada para o desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional.

“O sucesso empresarial nasce do cuidado genuíno com os talentos, as equipas e as comunidades”, afirmou Pedro Ramos.

A presença em Cabo Verde e no Brasil foi antecedida, em julho, pela participação no Carreira International Summit 2026, em Luanda. O encontro reuniu representantes de Angola, Portugal e Brasil em torno do futuro do trabalho, da liderança e da gestão de pessoas, reforçando uma agenda profissional que Pedro Ramos tem procurado desenvolver dentro dos mercados de língua portuguesa.

Este percurso coloca Portugal como um dos pontos de articulação do trabalho desenvolvido por Pedro Ramos. A partir de Lisboa, onde está sediada a Dale Carnegie Portugal, o especialista tem procurado estabelecer ligações com organizações, gestores, universidades e estruturas profissionais de vários países, num modelo em que a formação de lideranças acompanha os processos de internacionalização empresarial.

Para ele, o crescimento das empresas lusófonas não deverá depender apenas da abertura de novos mercados ou da expansão comercial. A capacidade de preparar pessoas para liderar equipas multiculturais, gerir processos de mudança e responder ao impacto da tecnologia deverá assumir igualmente um papel na competitividade das organizações.

Num espaço formado por economias com dimensões e estruturas diferentes, Pedro Ramos identifica na língua portuguesa uma plataforma de aproximação, mas considera que a cooperação empresarial exige conhecimento das especificidades locais. Portugal, Brasil e Cabo Verde apresentam realidades laborais distintas, mas enfrentam desafios comuns relacionados com talento, liderança, transformação tecnológica e qualificação profissional.

“Colocar as pessoas no centro de todas as estratégias organizacionais” é, segundo Pedro Ramos, o ponto de partida para transformar os desafios empresariais em desenvolvimento sustentável.

A trajetória recente do especialista traduz, assim, uma estratégia direcionada para a circulação de conhecimento dentro da lusofonia. De Lisboa a São Paulo e da cidade da Praia a Luanda, Pedro Ramos tem colocado a gestão de pessoas, a liderança e a formação de talento no centro de uma discussão que acompanha a crescente internacionalização das empresas e a necessidade de preparar organizações capazes de atuar num mercado lusófono cada vez mais interligado.

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