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BP Ultimate Rally-Raid Portugal oficialmente apresentado

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De 2 a 7 de abril, a única etapa do Mundial de Todo-Terreno disputada na Europa traz as estrelas do Dakar aos trilhos do Alentejo, Ribatejo e da Estremadura espanhola. Uma organização do Automóvel Club de Portugal numa competição de carros, motos e quads ao longo de mais de mil quilómetros

Já são conhecidas as linhas mestras do BP Ultimate Rally-Raid Portugal, nova prova que marca a estreia de Portugal entre a elite do Campeonato do Mundo de Rally-Raid (W2RC), organizado pela FIA e pela FIM. A prova com mais de 1.700 quilómetros de percurso (mais de 1.000 cronometrados) vai trazer a Portugal as grandes máquinas e figuras do Dakar, numa competição para automóveis, motos e quads.

De 2 a 7 de abril, a vila alentejana de Grândola recebe a base operacional e o Prólogo da prova, composta por cinco etapas – de quarta-feira a domingo – e que atravessa as regiões do Alentejo e Ribatejo, com uma incursão pela Estremadura espanhola e pela cidade de Badajoz.

Estrelas do Dakar confirmadas

O BP Ultimate Rally-Raid Portugal é a terceira prova do Campeonato do Mundo, que começou em janeiro, com o Rali Dakar, na Arábia Saudita, prosseguindo depois com o Abu Dhabi Desert Challenge. As inscrições só fecham a 18 de março, mas já é possível antecipar alguns dos nomes sonantes que estarão em Portugal.

No pelotão dos automóveis e dos SSV, o bicampeão mundial de Rally-Raid e cinco vezes vencedor do Dakar, Nasser Al-Attiyah (Prodrive Hunter T1+), vai enfrentar a forte oposição dos pilotos da equipa oficial da Toyota, como o brasileiro Lucas Moraes e o norte-americano Seth Quintero, mas também dos pilotos da Overdrive Racing, como Guerlain Chicherit, Guillaume de Mévius e Yazeed Al-Rajhi, também ao volante das Toyota Hilux T1+. Os irmãos Christian e Marcos Baumgart são, igualmente, nomes a ter em conta na discussão dos lugares cimeiros, com os brasileiros a alinharem aos comandos de dois Prodrive Hunter T1+.

A espanhola Cristina Gutiérrez, brilhante vencedora do Dakar na categoria Challenger (ex-T3), é outro dos nomes a ter em conta na prova dos protótipos ‘side-by-side’, tal como o português João Ferreira, piloto oficial da Can-Am na categoria SSV (ex-T4), os americanos Austin Jones (Challenger) e Sara Price (SSV), ou o lituano Rokas Baciuška (Challenger), entre outros.

A prova do ACP também é pontuável para o Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, atualmente liderado pelo campeão em título Tiago Reis, logo seguido por João Ramos, ambos com as Toyota Hilux T1+. A pontuação do CPTT é atribuída no final da Etapa 2, com os concorrentes nacionais a poderem, depois, prosseguir em prova, em competição direta com os melhores do mundo.

Nas motos, muita expectativa para o embate entre as equipas oficiais da Honda, Sherco e Hero, que trazem a Portugal talentos das duas rodas como o norte-americano Ricky Brabec (Honda), duplo vencedor do Dakar, Ross Branch (Hero), o atual líder do Mundial, Pablo Quintanilla (Honda), ex-campeão mundial de Ralis Cross-Country, Jose Ignacio Cornejo (Honda), Adrien Van Beveren (Honda), Skyler Howes (Honda), Lorenzo Santolino (Sherco) e Harith Noah (Sherco), entre outros.

Carlos Barbosa, presidente da Automóvel Club de Portugal, sublinhou que “é uma prova difícil de organizar, são mais de 1.700 quilómetros de percurso, com tudo o que isso envolve, mas com a experiência e a qualidade nossa equipa conseguimos fazê-lo. Penso que o ACP vai fazer uma grande prova e demonstrar, mais uma vez, que somos organizadores de excelência. Vamos ter todos os melhores pilotos mundiais de automóveis, motos e quads que estiveram no Dakar, mais os pilotos nacionais e as equipas da Europa que não tiveram oportunidade de ir ao Dakar. Vai ser uma prova com muita gente, com grandes pilotos e sobretudo muito interessante, porque o percurso é completamente diferente do que fizeram até hoje. É importante levar estas provas para o interior de Portugal, porque enchem hotéis, enchem restaurantes, atraem público… O interior precisa de uma economia forte e de eventos como este.”

Já Carina Batista, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Grândola, considerou que “é, ao mesmo tempo, um desafio para Grândola, mas um evento muito importante para a economia local, devido aos pilotos e equipas que nos vão visitar, além de uma forma de divulgar o nosso concelho.”

Inês Rodrigues, da BP Portugal, afirmou que “o ACP é um dos principais parceiros da BP Portugal e para nós é um orgulho podermos apoiar mais uma prova de caráter mundial. A equipa BP Ultimate foi formada há dois anos e dinamiza a imagem dos nossos combustíveis premium, não só em Portugal como no circuito internacional do todo-terreno.

Santiago Amaro Barril, da Junta da Extremadura, disse que querem “colocar a Extremadura em foco no panorama nacional e internacional. A relação com Portugal é de irmãos, somos unidos por uma partilha cultural, de património, de turismo. Trabalhámos nos dois lados da raia e para nós é muito importante darmos este passo em frente também nos grandes eventos de desporto automóvel.”

Siga o BP Ultimate Rally-Raid Portugal nas redes sociais:

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https://www.instagram.com/rallyraidpt

Foto: ACP.

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Leiria recebe “UHF” e “The Cartel” em concerto solidário

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“UHF” regressa a Leiria com a participação especial da banda “The Cartel”, para um momento que promete ficar na memória de todos. No dia 25 de setembro, às 21h30, o Teatro José Lúcio da Silva receberá um concerto solidário que une música, comunidade e a força da cultura popular.

Organizado pelo Centro do Património da Estremadura (CEPAE), este espetáculo tem um “propósito maior angariar verbas para apoiar o Rancho Folclórico dos Soutos (Caranguejeira) e o Rancho Folclórico Juventude Amiga de Conqueiros (Souto da Carpalhosa) cujas sedes ficaram sem telhado durante a tempestade Kristin”.

“Será uma noite para celebrar a resistência, a solidariedade e a identidade cultural, ao som de uma das bandas mais emblemáticas do rock português. Um palco histórico, uma causa urgente e a energia inconfundível dos UHF e The Cartel”, disseram os responsáveis pelo evento.

Adélio Amaro, presidente do CEPAE, explicou-nos que a ideia de se realizar um concerto solidário aconteceu após este ter visitado as instalações dos Ranchos dos Soutos e dos Conqueiros, associados do CEPAE, e constar “o que é ficar sem teto”. Posteriormente, em conversa telefónica com o António Manuel Ribeiro, fundador e vocalista dos UHF, nasceu a “ideia de se fazer um concerto solidário”.

À nossa reportagem, o presidente do CEPAE disse esperar “um Teatro José Lúcio da Silva lotado para que, através deste espetáculo, se possa homenagear todos aqueles que lutaram para minimizar os estragos que a Kristin provocou”, acrescentando que ter duas bandas no palco com este prestígio é sinónimo de qualidade”.

“Por isso, como presidente do CEPAE, estou muito grato pela generosidade de ambas. Tal só foi possível porque o António tem um coração grande”, afirmou Adélio.

Os bilhetes podem ser adquiridos on-line na plataforma do Teatro José Lúcio da Silva, em: https://www.teatrojlsilva.pt/evento/concerto-solidario-uhf

Ígor Lopes

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Cascais Fest está a chegar, para promover a Paz, com o DJ Padre Guilherme como surpresa da noite

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No dia 19 de setembro, a Praia de Carcavelos recebe a primeira edição do Cascais Fest, um festival promovido pelo Município de Cascais que este ano tem como mote: a Paz. O Festival é gratuito, mas tem uma lotação limitada. Não perca a oportunidade e garanta já as suas entradas. Quem tem cartão Viver Cascais (acessível a quem vive, trabalha ou estuda no Concelho), terá acesso um espaço exclusivo em frente ao palco.

Os bilhetes podem ser obtidos online, através da MEO Blueticket, ou presencialmente nas Lojas Cascais, no Cascais Visitor Center e nos locais habituais: FNAC, Worten, El Corte Inglés, Turismo de Lisboa e Cascais, Lojas MEO, WOOK, Palko, Rede PagaAqui, ACP e Time Out.

Num ano em que Cascais assume o título de Capital Europeia da Democracia, o evento destaca valores como a inclusão, o respeito, a convivência e a comunidade, reforçando o papel da cultura como espaço de encontro e de construção coletiva.

Além da atuação do Padre Guilherme (Padre DJ), que ganhou projeção internacional após a sua atuação na Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, a noite contará também com HMB, Gospel Collective e DJ Disi, garantindo um ambiente vibrante, diverso e aberto a todas as gerações.

Cultura ao serviço da comunidade

Para Nuno Piteira Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Cascais, o festival nasce da vontade de criar “um momento único e acessível a todos, onde uma causa universal ganha expressão através da música, da participação e da cidadania”, promovendo uma comunidade mais participativa, inclusiva e com maior qualidade de vida.

Com acesso livre e uma área especial destinada aos titulares do Cartão Viver Cascais, o Cascais Fest Pela Paz afirma-se como um evento de referência no concelho, fazendo da Praia de Carcavelos um palco de encontro, partilha e celebração de um valor que une todas as pessoas: a Paz.

Entrada gratuita — bilhete obrigatório

A entrada no Cascais Fest Pela Paz é gratuita, mas exige a aquisição prévia de bilhete, limitada à lotação do recinto.

Mais informações em https://www.cascais.pt/

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Festival literário brasileiro reuniu em palco Mia Couto, Míriam Leitão e Jamil Chade

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Setenta anos depois da sua publicação, a obra “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, continua a atravessar leitores, territórios e gerações. Na noite de sábado, 29 de agosto, o escritor Mia Couto e a jornalista Míriam Leitão reuniram-se no “4º Fliparacatu”, que decorreu em Minas Gerais, no Brasil, entre 26 e 30 de agosto, para celebrar a permanência da obra de João Guimarães Rosa e refletir sobre a sua força literária e humana. Em diálogo com o tema desta edição, “Sertão em Nós: Meu lugar no mundo”, a conversa passou pela “relação entre território e identidade, pela linguagem como forma de compreender o outro e pela travessia como experiência que transforma quem a percorre”.

Mediado por Jamil Chade, o encontro “Grande Sertão: Veredas – 70 anos: A Travessia Continua” também aproximou os dois patronos desta edição: Guimarães Rosa, celebrado pela sua obra, e Milton Santos, cuja reflexão sobre território ajuda a engrandecer as reflexões que o romance ainda provoca. Entre a experiência concreta do sertão, a invenção de uma linguagem rosiana e os desafios do mundo contemporâneo, os convidados discutiram como a literatura pode ensinar a olhar para um lugar e, a partir dele, compreender melhor a si mesmo.

A relação de Míriam Leitão com esse sertão passou também pela experiência concreta do território. A jornalista percorreu Serra das Araras, Ribeirão da Areia e o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas para produzir uma reportagem para o canal de televisão a cabo brasileiro “GloboNews”. Foi a campo em busca das paisagens, das pessoas e dos caminhos que ajudam a compreender um pouco mais o universo que Guimarães Rosa transformou em literatura.

Para Mia Couto, porém, o encontro com Rosa aconteceu muito antes de chegar ao sertão brasileiro. Leitor da obra do escritor mineiro, o autor moçambicano afirmou que existe, em “Grande Sertão: Veredas”, uma linguagem que ultrapassa aquilo que é simplesmente dito. Para compreender a imensidão daquele sertão, seria preciso também aprender a escutar aquilo que a palavra não diz.

Ao longo da conversa, Jamil Chade retomou a trajetória de Guimarães Rosa como diplomata e sua passagem pela Alemanha nos anos que antecederam e atravessaram a Segunda Guerra Mundial. Ao lado da esposa, Aracy de Carvalho, o escritor ajudou judeus perseguidos pelo regime nazista a conseguirem vistos para deixar o país. A partir dessa dimensão humana de Rosa, Chade lançou uma pergunta sobre o que sua obra ainda ensina.

Para Míriam, uma das respostas está na escuta. “Ele ouviu o sertão”, afirmou. Poliglota, Guimarães Rosa conhecia diferentes idiomas, mas escolheu também escutar as formas de fala que encontrava no Brasil profundo. Na sua literatura, a linguagem do sertanejo não aparece como algo menor ou periférico. Pelo contrário: torna-se matéria de invenção, pensamento e poesia.

Para o escritor de Moçambique, contar e ouvir histórias é uma das formas mais profundas de compreender o mundo e aqueles que o habitam. Ele contou que procura conversar com pessoas que pensam de maneiras diferentes para tentar compreender de onde vêm as suas visões de mundo. Num tempo em que as fronteiras entre as pessoas parecem se multiplicar, a história pode ser uma forma de aproximação.

Deixar o livro conduzir a história

Míriam Leitão também falou sobre uma ideia que, segundo ela, ainda afasta muitos leitores de “Grande Sertão: Veredas”: a fama de ser um livro difícil. Para a jornalista, talvez seja preciso abandonar a expectativa de compreender racionalmente cada palavra e permitir que a obra conduza a leitura. É preciso, como aconselhou, “ouvir a música” do livro.

É justamente essa relação com a linguagem que, para Míriam, faz da obra uma experiência de encantamento. Guimarães Rosa olha para a natureza, para o pássaro, para a serra, para os personagens e para o amor com uma atenção que acaba contaminando o leitor.

“Eu quero que mais gente se apaixone, como eu me apaixonei aos 17 anos e nunca mais me desapaixonei. Eu sou uma encantada por João Guimarães Rosa”, afirmou a jornalista.

A travessia continua

A conversa avançou, então, para uma pergunta que aproximou a obra de Rosa dos desafios do presente: qual travessia ainda precisamos fazer? Questionada por Jamil Chade sobre os caminhos necessários para enfrentar a questão social brasileira, Míriam retomou uma das imagens mais marcantes do romance. Para ela, “Grande Sertão: Veredas” começa num travessão e termina na travessia – e é justamente por isso que ela continua. A jornalista reconheceu não ter uma resposta definitiva sobre o caminho que o Brasil precisa percorrer, mas afirmou acreditar que continuar a travessia talvez seja parte dessa resposta, porque é no meio do caminho que encontramos “o real”.

Mia Couto levou a mesma reflexão para uma escala mais ampla. Ao pensar nos desafios do mundo contemporâneo, defendeu a necessidade de questionar modelos políticos e as estruturas que organizam a vida coletiva e, para o escritor, escolher representantes e participar da vida pública são exercícios de cidadania que exigem responsabilidade. Mas falou também de algo maior: a necessidade de recuperar a paixão pela vida e o respeito pelo mundo que habitamos.

Biólogo de formação, Mia Couto recorreu à própria dimensão da vida para lembrar a sua complexidade e grandiosidade. Entre células, organismos e tudo aquilo que nos conecta ao mundo, a sua reflexão devolveu a conversa a uma ideia que atravessou toda a noite: não somos separados daquilo que nos cerca. Setenta anos depois, “Grande Sertão: Veredas” talvez continue vivo justamente porque não entrega respostas prontas e, para o trio de autores, o livro segue pedindo escuta, imaginação e disposição para atravessar aquilo que ainda não compreendemos completamente.

Ao final do encontro, Celso Adolfo subiu ao palco com o violão para apresentar canções inspiradas no universo de Guimarães Rosa. Em palco, Jamil Chade também se juntou à apresentação, acompanhando Celso com a flauta transversal e levando a travessia rosiana na mesa para outro território: o da música.

História do Festival

Realizado pela “Associação Cultura Sempre um Papo”, liderada por Afonso Borges, o Fliparacatu chegou à sua quarta edição consolidado como “um dos principais festivais literários do país”. Desde a sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) é visto como “um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro”.

Esta nova edição do Fliparacatu teve patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.

A curadoria nacional foi assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais foram conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infantojuvenil ficou a cargo de Rafael Nolli. Além dos debates literários e do tradicional Prémio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realizou uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez.

Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival aconteceu entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais, Brasil.

Ígor Lopes

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