Atualidade
Encontros Literários do Alto Minho “As palavras que nos unem” em Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira no próximo fim de semana
Bibliotecas Municipais recebem Rui Zink, Renato Filipe Cardoso, Mário Augusto e Álvaro Laborinho Lúcio como autores convidados para estas sessões, que incluem no seu programa conteúdos inclusivos
No próximo fim de semana, realizam-se, em Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira, os Encontros Literários do Alto Minho “As palavras que nos unem”, numa organização da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho), em colaboração com a RIBAM – Rede Intermunicipal das Bibliotecas Públicas Municipais do Alto Minho, no âmbito do projeto “Inclusão ativa de grupos vulneráveis – Cultura para todos”.
Com uma programação que privilegia conteúdos em multiformato, como audiodescrições do programa, traduções em braille e em língua gestual, de forma a proporcionar a participação e a integração de diferentes públicos, estes encontros pretendem, por um lado, juntar à conversa diferentes autores portugueses, unindo todos os públicos em torno dos livros, e, por outro, sensibilizar para a necessidade de promoção de uma cultura acessível e inclusiva no âmbito da atividade de programação cultural.
No dia 29 de abril, sexta-feira, na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, o escritor Rui Zink encontra-se, a partir das 10h00, com um público infanto-juvenil para abordar três dos seus livros: um livro para a coleção Meninos Especiais, sobre a síndrome de Pitt Hopkins – “Que Aventura Ser Matilde”, outro sobre a Doença de Alzheimer – “O Avô Tem Uma Borracha na Cabeça, e “O Aníbaleitor”, mais adequado para adolescentes, sendo um livro de incentivo à leitura.
Pelas 14h30, haverá um momento com a Associação de Escritores, Jornalistas e Produtores Culturais de Ponte de Lima, onde os elementos desta associação trarão as suas memórias, experiências, textos e poemas para partilhar. À noite, a partir das 21h30, Renato Filipe Cardoso junta-se a Rui Zink para uma conversa designada “Escrever Contar o Medo”. Num dos seus últimos livros, justamente “A Instalação do Medo”, Rui Zink aborda a necessidade de alimentar este sentimento para a sobrevivência de um país, bem como o medo que está instalado em todos nós. Renato Filipe Cardoso faz da poesia uma forma de intervenção, usa a voz como ferramenta de eleição e divulga poesia como panaceia contemporânea entre a televisão, a rádio e os livros.
Os encontros literários continuam no dia seguinte (30 de abril), na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira, pelas 11h00, com o jornalista Mário Augusto, um apaixonado pela sétima arte que já entrevistou muitos atores e atrizes de Hollywood e que irá desvendar algumas descobertas e contar histórias do cinema. Pelas 15h30, haverá uma atuação da Tuna da Unisénior – Universidade Sénior de Cerveira e, às 16h00, é inaugurada a exposição artística “Se a Memória não me Falha”, do curso de pintura da Unisénior. A seguir, pelas 16h30, Mário Augusto e Álvaro Laborinho Lúcio juntam-se num momento de conversa, intitulado “A Perspetiva de Quem Conta”, encerrando esta primeira etapa dos Encontros Literários “As palavras que nos unem”. João Morales fará a moderação de todas as sessões.
Os livros dos autores que participam nestes encontros encontram-se à venda nos locais das sessões, disponíveis para empréstimo em todas as bibliotecas municipais do Alto Minho e, em formato acessível para pessoas com necessidades especiais, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
Em outubro, terá lugar a segunda etapa dos Encontros Literários do Alto Minho “As palavras que nos unem”, abrangendo os concelhos de Melgaço, Ponte da Barca, Viana do Castelo, Monção e Paredes de Coura, cuja programação será, a seu tempo, divulgada.
Esta iniciativa corresponde a uma das atividades do projeto “Inclusão ativa de grupos vulneráveis – Cultura para todos”, que está a ser desenvolvido pela CIM Alto Minho e cofinanciado pelo PO Norte 2020, através do Fundo Social Europeu, tendo como principal objetivo a estruturação, dinamização e capacitação de uma rede de cooperação envolvendo as entidades locais de apoio social e cultural, tornando as manifestações culturais mais inclusivas e acessíveis.
Foto: DR.
Atualidade
Brasil: “Consórcio Cristo Sustentável” distribui agasalhos a pessoas em situação de rua no Centro do Rio de Janeiro
O Consórcio Cristo Sustentável realizou, na sexta-feira, dia 3 de julho, uma ação de distribuição de agasalhos e cobertores para pessoas em situação de rua no Centro do Rio de Janeiro, Brasil.
A equipe, liderada pelo reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, parte da Obra Social Leste Um – O Sol, no bairro do Jardim Botânico, com destino a pontos como a Lapa e a Avenida Presidente Vargas, artérias centrais da cidade.
A iniciativa integra a “Campanha do Agasalho 2026”, que estabeleceu a meta de arrecadar dez toneladas de agasalhos e cobertores para atender pessoas em situação de vulnerabilidade durante o inverno.
Segundo a organização, a campanha já distribuiu donativos para pessoas em situação de rua. Além disso, entregou doações para instituições como a Congregação das Irmãs Missionárias da Caridade, a Associação Mãe de Pentecostes (AMAPES), a Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro e o Lar Franciscano.
As doações podem ser feitas em postos de coleta distribuídos pela cidade ou por meio da plataforma online destinada à compra de agasalhos e cobertores para novas distribuições, que pode ser visualizada em: https://institutoredemptor.colabore.org/inverno/single_step
Atualidade
Programa da Fundação António Pargana e da Universidade da Beira Interior reforça ligação dos jovens lusodescendentes às raízes portuguesas
A Fundação António Pargana e a Universidade da Beira Interior (UBI) concluíram mais uma edição do programa “Portugal Através dos Olhos da Diáspora Jovem”, uma iniciativa dirigida a estudantes lusodescendentes de todos os ciclos de ensino da universidade, que decorreu entre 8 de abril e o início de julho, na Covilhã, com o objetivo de aprofundar a reflexão sobre a identidade portuguesa, a diáspora e a lusofonia através de uma abordagem académica e criativa.
Ao longo do programa, os participantes frequentaram 25 horas de formação presencial, distribuídas por cinco módulos temáticos, onde foram debatidas questões relacionadas com a cultura e a história de Portugal, a construção da identidade, a memória familiar, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e o contributo da diáspora para a afirmação internacional do país.
A componente formativa foi complementada pelo concurso “Retratos de Portugal”, que desafiou os estudantes a traduzirem, através da fotografia, a sua visão sobre Portugal e a experiência da diáspora. Cada participante apresentou um portefólio constituído por, pelo menos, três fotografias, acompanhado por uma reflexão escrita que justificava a escolha das imagens e a respetiva ligação aos temas abordados durante a formação.
A avaliação dos trabalhos incidiu sobre critérios como a pertinência temática, a qualidade técnica e artística das fotografias, a criatividade, a capacidade de reflexão crítica e a apresentação oral realizada pelos concorrentes.
O regulamento prevê a atribuição de prémios aos melhores projetos e a possibilidade de integração das obras selecionadas numa exposição permanente na Biblioteca da Universidade da Beira Interior.
Promovido em parceria pela Fundação António Pargana e pela UBI, o programa procurou criar um espaço de aprendizagem, partilha e valorização das experiências das novas gerações lusodescendentes, incentivando o conhecimento das suas origens e o fortalecimento dos laços com Portugal através da educação, da cultura e da expressão artística.
Com o encerramento de mais uma edição, a iniciativa reafirma a aposta na formação de jovens ligados à diáspora portuguesa, reconhecendo o seu papel na preservação da identidade nacional e na construção de uma visão contemporânea da lusofonia, assente no diálogo cultural, territorial e geracional.
Ígor Lopes
Atualidade
Portugal continua a ser o principal destino europeu da emigração brasileira
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou o “Relatório Consular Anual 2025” (RCA 2025), documento que reúne os principais indicadores da atuação da rede diplomática e consular brasileira em todo o mundo. Os dados confirmam que Portugal continua a afirmar-se como o segundo maior destino da diáspora brasileira, acolhendo atualmente 628 mil brasileiros registados nos serviços consulares, apenas atrás dos Estados Unidos, consolidando também um papel central na prestação de serviços, assistência consular, mobilidade internacional e cooperação bilateral.
O relatório revela que a comunidade brasileira no exterior voltou a crescer em 2025, atingindo cerca de 5,29 milhões de pessoas, das quais 1,87 milhões residem na Europa, sendo Portugal o principal destino europeu da emigração brasileira. Os 628 mil brasileiros residentes em território português representam a maior comunidade estrangeira do país.
Grande parte dessa atividade concentra-se nos dois principais postos consulares. O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa acompanha uma comunidade estimada em 370 mil brasileiros, enquanto o Consulado-Geral do Brasil no Porto presta apoio a cerca de 208 mil cidadãos, colocando Portugal entre os países com maior volume de trabalho da rede consular brasileira em todo o mundo.
Os números da assistência consular demonstram, uma vez mais, esta realidade. Durante 2025 foram registados 6.150 atendimentos consulares em Portugal, distribuídos entre 3.165 atendimentos realizados no Consulado-Geral do Brasil no Porto e 2.985 no Consulado-Geral em Lisboa, tornando Portugal o terceiro país com maior número de casos de assistência consular, apenas atrás dos Estados Unidos e da Bolívia.
Também na mobilidade internacional, Portugal mantém uma posição de destaque. Segundo o RCA 2025, cerca de 1,3 milhões de brasileiros passaram por Portugal ao longo do ano, tornando o país o quarto principal destino mundial de brasileiros em trânsito, apenas ultrapassado pelo Paraguai, Argentina e Estados Unidos.
De igual modo, a procura pelos serviços administrativos continua muito elevada. Portugal liderou mundialmente a emissão de atestados de vida, com 4.307 documentos emitidos, superando Japão e Estados Unidos. Nos registos de casamento, o país voltou a ocupar a segunda posição mundial, com 1.351 casamentos registados, apenas atrás dos Estados Unidos.
Os dados relativos aos nascimentos confirmam o peso crescente da comunidade brasileira em Portugal. Em 2025 foram registados 4.087 nascimentos de cidadãos brasileiros em território português, o segundo valor mais elevado de toda a rede diplomática brasileira, apenas atrás dos EUA (20.197).
Na área dos atos notariais, foram emitidas cerca de quatro mil procurações, além de 3.819 declarações consulares, colocando novamente o país entre aqueles onde a procura pelos serviços administrativos brasileiros é mais significativa.
O relatório evidencia ainda a consolidação das estruturas de apoio social desenvolvidas pelos consulados brasileiros. Em 2025 foram realizados 396 atendimentos de apoio psicológico em Portugal, integrados nos chamados Espaços da Mulher Brasileira, criados para apoiar cidadãos em situação de vulnerabilidade, violência doméstica ou necessidade de acompanhamento especializado.
Outro dos aspetos destacados prende-se com o reforço da cooperação institucional entre Portugal e o Brasil. O documento recorda a realização, a 30 de setembro de 2025, da reunião da Subcomissão Brasil-Portugal de Assuntos Consulares e Circulação de Pessoas, em Lisboa, onde foram discutidas matérias como as autorizações de residência, o reconhecimento mútuo das cartas de condução, a aplicação do Acordo de Segurança Social, a digitalização dos serviços consulares, o combate à xenofobia e o reforço da proteção da comunidade brasileira residente em Portugal.
O crescimento da comunidade brasileira fora dos grandes centros urbanos acompanha também a estratégia de descentralização da presença diplomática brasileira. Em entrevista recente à Agência Incomparáveis, o cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, explicou que a criação do Consulado Honorário do Brasil em Belmonte representa um passo importante nesse processo.
“O nosso objetivo é interiorizar a presença do Brasil em Portugal. Belmonte, a partir de agora, é o nosso ponto de apoio nesse exercício de diversificar a agenda e de interiorizar geograficamente a ação e a presença do Brasil”, frisou Alessandro Candeas.
Segundo este diplomata, o Interior português representa uma oportunidade pouco explorada para o aprofundamento das relações económicas, académicas e culturais entre os dois países.
“O Interior de Portugal é uma grande oportunidade ainda a ser descoberta. Ou seja, o foco, tanto político como empresarial, comercial, de investimentos, tem sido, tradicionalmente, o litoral. Cidades como Lisboa, Porto, Coimbra, Torres Vedras e a região do Algarve também, mas há pouco conhecimento do grande potencial de desenvolvimento, de atração de investimentos no Interior de Portugal”, vincou.
Candeas destacou ainda a importância crescente da Covilhã e da Universidade da Beira Interior, onde reside uma comunidade significativa de estudantes e profissionais brasileiros, considerando que o novo consulado honorário poderá servir como ponto de apoio à comunidade e ao desenvolvimento de novas parcerias.
“Covilhã é uma sede muito importante de interesse. Há muitos brasileiros que estudam já e trabalham ou que têm interesse em investir na Covilhã”, salientou, acrescentando que “o consulado honorário do Brasil em Belmonte poderá vir a ter a oportunidade de contar com um espaço físico, inclusive, de apoio logístico, para atuar desde a Covilhã, o que vai ser de muito interesse e muito importância para nós”.
Também à Agência Incomparáveis, o cônsul honorário do Brasil em Belmonte, António Dias Rocha, defendeu que a presença consular no Interior responde à evolução da própria diáspora brasileira.
“Cada vez temos mais brasileiros no Interior do país e, nesta região, com a Universidade da Beira Interior e com todos os brasileiros que aqui trabalham, mais razão havia para esta representação”, declarou este responsável, que acrescentou que o objetivo passa, de igual modo, por “aproximar os serviços diplomáticos das comunidades residentes longe de Lisboa e do Porto”.
“Justificar-se-ia que as atividades do consulado passassem também para o Interior do país e que Belmonte pudesse contribuir para auxiliar os brasileiros que cá estão e divulgar o Brasil”, referiu.
Embora o “Relatório Consular Anual” destaque sobretudo os consulados-gerais de Lisboa e Porto, a rede brasileira em Portugal integra ainda o Consulado-Geral em Faro, responsável pelo acompanhamento da comunidade residente no Algarve, que conta, segunda fontes, com cerca de 50 mil brasileiros.
Ao longo do relatório, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil conclui que o crescimento sustentado da comunidade brasileira residente em Portugal continua a reforçar a necessidade de modernizar os serviços consulares, ampliar os mecanismos de assistência aos cidadãos e aprofundar a cooperação bilateral, consolidando Portugal como um dos parceiros estratégicos da política externa brasileira e um dos principais polos da diáspora brasileira no mundo.
Ígor Lopes
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