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Voleibol: Testemunhos de dois treinadores portugueses “no Mundo”

Rui Moreira e Idner Martins respondem a algumas perguntas

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Dois exemplos de técnicos que saíram de Portugal para desenvolverem projetos de trabalho no estrangeiro. Duas situações diferentes – um deixou Portugal após ter sido campeão nacional, outro trocou o sucesso na Suécia pelo enigmático Catar – mas com algumas semelhanças, como o facto de terem ambos representado a Seleção Nacional como jogadores e terem iniciado, há relativamente pouco tempo, a carreira de treinador.

Rui Moreira abraçou um projeto na Suíça, depois de ter tido sucesso a todos os níveis na AJM/FC Porto.

“Acho que existem dois pontos nessa questão, a minha saída da AJM/FC Porto e a vinda para o estrangeiro. Na primeira parte, sou e serei sempre bastante grato ao clube. Deu-me muito, especialmente títulos e reconhecimento, e sei que também deixei muitas horas de trabalho, muita dedicação, muito empenho e que ajudei o clube (AJM primeiro e AJM/FC Porto depois) a ser hoje, talvez, o clube de Voleibol com as melhores condições de trabalho a nível nacional. Mas o meu ciclo no clube chegou ao fim, penso que o clube precisava de uma pessoa diferente a comandar a equipa sénior e a gerir o clube, e eu também precisava de novos desafios para a minha carreira. Decidi dar esse passo e sair. Não teria de ser necessariamente para o estrangeiro, mas sempre tive a ambição de experimentar outros campeonatos, de me desafiar noutros contextos, então, acabou por ser uma situação que levou a outra, isso aliado ao facto de também só terem surgido convites de equipas de fora de Portugal.”

Que objetivos tem o Volleyball Franches-Montagnes (VFM) para 2021/2022?

“O clube passa por uma reestruturação financeira, fruto de gestões anteriores menos bem conseguidas, e isso tem sempre um reflexo na construção da equipa. Comparativamente a anos anteriores, tivemos uma redução drástica de orçamento, o que fez com que, atualmente, sejamos a segunda equipa com menos estrangeiros do campeonato e um dos três orçamentos mais baixos. Quando fui contratado, todo o plantel estava já montado, assim como toda a estratégia delineada, a par das metas a atingir.

O primeiro objetivo passa por nos qualificarmos para o Playoff com a melhor classificação possível. Até essa fase, para além de obter a pontuação necessária para jogar o Playoff, temos de desenvolver as atletas, individualmente, e a equipa coletivamente, para que este ano sejamos o mais competitivos possíveis e para criarmos as bases para os anos seguintes. E aí sim, com mais tempo para moldar as coisas de acordo também com a minha forma de ver, ter algo um pouco mais ambicioso”.

Rui Moreira (Foto: VFM/Jonathan Vallat)

E os objetivos pessoais para esta época (e próximos anos)?

“Os meus objetivos são simples. Sou uma pessoa ambiciosa, penso que tenho algum valor e, por isso, pretendo mostrar trabalho no campeonato suíço e conseguir chegar a melhores equipas no país ou a campeonatos mais competitivos. A médio/longo prazo, e como foi sempre a minha forma de estar, pretendo conquistar títulos e troféus, tanto a nível nacional (dos campeonatos internos que disputar), como tenho a ambição de conseguir algum dia vencer uma competição europeia.

Pretendo ainda criar as bases para poder trabalhar em simultâneo com seleções nacionais, de forma a continuar o meu desenvolvimento como treinador.

Todos os meus objetivos estão sempre ligados à minha progressão como treinador e à conquista de troféus. Nunca fui uma pessoa de valorizar muito as questões financeiras e isso nunca será o principal fator de decisão nas minhas escolhas, principalmente numa fase tão precoce da minha carreira de treinador.”

“Acredito que fiz o mais difícil, que foi sair da minha zona de conforto e de sucesso, e arriscar num novo campeonato, clube e país em busca dos meus sonhos e objetivos pessoais”.

Depois da Seleção Nacional e da AJM/FC Porto, o VFM poderá servir como um trampolim na tua carreira de treinador?

“Sem dúvida alguma que existem duas coisas que ajudaram bastante a que tivesse algumas propostas este ano. O ter estado ligado às Seleções Nacionais e o projeto do qual fiz parte e os troféus conquistados pela AJM/FC Porto. A todos eles estou muito grato e sei que lhes devo muito. O VFM é agora a minha nova casa e certamente o trabalho que eu apresentar aqui irá abrir mais portas para um futuro próximo.

Espero ter a sorte dos resultados, continuar a trabalhar com a mesma dedicação e ambição que sempre tive para que mais portas se abram. Um treinador é completamente dependente destes dois fatores e eu não serei exceção. No meu contexto, não tem de ser necessariamente ganhar um troféu, até porque a realidade atual do clube e o nível da equipa tornam esse objetivo bastante longínquo, mas uma boa classificação e desenvolver bem as jogadoras, certamente serão um bom cartão-de-visita. Por isso, acredito que fiz o mais difícil, que foi sair da minha zona de conforto e de sucesso, e arriscar num novo campeonato, clube e país em busca dos meus sonhos e objetivos pessoais. Agora, é continuar a trabalhar como sempre fiz, ter alguma sorte e… tenho a certeza que todos vocês terão muito em breve mais novidades a esse respeito.”

Não estás sozinho neste desafio. É importante sentires-te apoiado «longe de casa»?

“É muito importante termos sempre alguém connosco, seja em que vertente for, pela língua, pela amizade, pelo companheirismo, pela identificação na forma de trabalhar. A carreira de treinador é bastante solitária e há tantos fatores que não controlamos que determinam o sucesso de uma época, que se estivermos rodeados de pessoas em quem confiamos, estamos mais perto de ter sucesso. O Eduardo Faustino foi uma grande escolha a todos os níveis, há muitas qualidades que um treinador adjunto deve ter e ele reúne um sem número delas, para além das competências técnicas nas quais me auxilia bastante. A Clarisse [Peixoto] veio para cá num contexto completamente diferente. Para além de ser a minha namorada, é uma atleta de Voleibol que toda a sua carreira jogou a um nível bastante alto. A época passada para ela foi bastante difícil, e decidimos fazer um trabalho de recuperação sem tempo determinado, onde apenas voltasse a jogar quando sentíssemos que estaria pronta para voltar ao nível que sempre apresentou. Por esse motivo, ela veio comigo para a Suíça, foi inserida no grupo de trabalho enquanto atleta e, claro, auxiliava-me bastante em tarefas relacionadas com a comissão técnica. Devido ao seu perfil agregador e a toda a contribuição que nos estava a dar e a ter tido uma grande aceitação perante o grupo de trabalho e clube, foi convidada a pertencer ao staff técnico. Entendemos que poderia fazer sentido enquanto ela estivesse aqui connosco. Atualmente, finalizámos a recuperação e ela já se encontra a jogar o campeonato grego, não estando, por isso, mais connosco.

No entanto, sem dúvida alguma que sem eles tudo era bem mais difícil, são uma ajuda, um apoio e um suporte muito grande.”

Principais diferenças entre campeonatos/realidades entre Portugal e Suíça?

“Primeiro de tudo, há uma realidade bem diferente, que é a realidade económica do país e que acaba por se refletir no desporto. O país é um dos mais ricos do mundo, o que faz com que o processo de sponsorização coloque bastante dinheiro nos clubes e que com isso consigamos ter profissionais de qualidade mais elevada. Pelo mesmo motivo, as equipas são bastante heterogéneas, pois essa realidade financeira quase que impede que as jogadoras suíças sejam profissionais e isso tem uma relação direta no seu desenvolvimento: treinam menos, logo desenvolvem-se menos ou de forma mais lenta. Tudo isto torna o campeonato (de 10 equipas) bastante forte e competitivo, com duas equipas muito fortes, talvez uma mais débil que todas as outras e as restantes com investimentos e características diferentes, mas capazes de ganhar e perder pontos umas com as outras.

Somos obrigados a jogar sempre com duas jogadoras suíças em campo (as líberos contam como uma delas se tivermos duas no boletim de jogo e ambas suíças). No entanto, para além destas regras próprias da SwissVolley, existem ainda regras para emissão de vistos ou autorizações de trabalho próprias de cada cantão (vulgo distritos). Ou seja, de cantão para cantão, existe um certo número de vistos que cada entidade desportiva pode requisitar para jogadores estrangeiros e esses vistos são ainda divididos em comunitários e não comunitários.

Todos os pavilhões são muito bons, aquecidos, apetrechados com todo o material e mais algum, com número de horas de treino aceitável. E todas as condições à volta de atletas e staff são excelentes (casas, comida, carros, etc.).

De uma forma geral, penso que o campeonato português está mais regulamentado e profissionalizado, há muita coisa aqui que ainda é bastante liberal, mas realmente a condição financeira faz desequilibrar a balança porque mais dinheiro acaba por significar na teoria jogadoras melhores e torna o campeonato bem mais forte.”

Idner Martins (Imagem: DR)

Como jogador, Idner Martins representou 23 clubes, de 12 países diferentes – em Portugal, esteve ao serviço do Esmoriz GC – sempre com um espírito aventureiro que o faz procurar novos desafios…

Como treinador, começou a sua carreira há muito pouco tempo, tendo orientado, na Suécia, o Örkelljunga Volley e sido distinguido pelo trabalho realizado.

Agora, mudou-se de armas e bagagens para o Catar, onde orienta o Police SC Volleyball Club, campeão em título.

“Sou Treinador Principal de uma equipa técnica composta por um adjunto/scouter, um preparador físico e um fisioterapeuta, dois managers que trabalham diretamente com a equipa e um outro manager geral da modalidade, que também trabalha na Federação de Voleibol do Catar (FVQ).

A realidade atual está um pouco diferente daquela que conheci na época em que joguei aqui [Al-Khor]. Existem novas regras, podendo ter em campo em simultâneo dois estrangeiros, que no nosso caso são o oposto Oliver Venno, da Estónia, que jogou comigo quando era muito novo nos alemães do VFB Friedrichshafen, e o zona 4 Wilner Rivas, da Venezuela.

Pelo que tenho analisado, o nível melhorou bastante, estando presentes jogadores e treinadores de reconhecido nível mundial“, salienta o técnico luso-brasileiro e antigo jogador da Seleção Nacional, esclarecendo:

“O que me fez abraçar este projeto no Catar, enquanto a minha esposa e filhos vivem em Dusseldorf? Obviamente, a parte monetária é sempre importante, mas, neste caso, as condições de vida e de trabalho, juntamente com o profissionalismo e os objetivos do clube, fizeram toda a diferença. É um projeto ambicioso e credível, que merece ser acompanhado de perto“.

Sessão de treino do Police (Foto: DR)

E diferente dos campeonatos na Europa…

“Em termos de campeonato, realmente é um pouco diferente, mas hoje em dia já muito próximo de alguns campeonatos europeus, e com condições de trabalho melhores do que em muitos clubes e campeonatos, não só europeus.

No meu íntimo, sempre tive aquela vontade de voltar a jogar em Portugal, como tantos colegas fizeram, mas a vida é assim mesmo, nem sempre temos as mesmas oportunidades de trabalho onde gostaríamos de viver… Quem sabe, como treinador, ainda possa vir a ter essa oportunidade? O futuro a Deus pertence“.

Como jogador, representaste 23 clubes, de 12 países diferentes. Isso deve-se a teres um espírito aventureiro que te faz procurar novos desafios?

“Com certeza, ser aventureiro sempre fez parte de mim e dos meus familiares. Nessa aventura, a minha família tem um papel principal, pois sem eles não teria sentido nenhum tanto trabalho e sacrifício. Eles têm todo o meu amor e orgulho, porque só quem está «cá fora» é que sabe o que estou a dizer…

É verdade, foram muitos clubes e muitos países ainda como jogador. Agora, vou no terceiro clube como treinador e… quantos mais virão!?”

Os dados estão lançados… A Liga do Catar está prestes a iniciar-se e nas duas primeiras jornadas o Police atua na posição de anfitrião, recebendo o Al Shamal no dia 25 e o Al Gharafa no dia 29 de outubro.

Fonte: FPV.

Fotos: DR e VFM/Jonathan Vallat.

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“Espaço Cordel e Repente” leva literatura popular à 28ª Bienal do Livro de São Paulo

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A literatura de cordel, o repente, a xilogravura e outras expressões da cultura popular brasileira ganharão espaço de destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, Brasil.

Integrado aos 11 espaços temáticos do evento, o “Espaço Cordel e Repente” reunirá autores, artistas e pesquisadores em uma programação que inclui lançamentos, declamações, oficinas, contação de histórias, música, teatro de bonecos e encontros com escritores.

A programação é coordenada por Lucinda Marques, diretora-presidente da Editora IMEPH. À frente do espaço desde 2016, esta empresária e gestora cultural chega à quinta edição do projeto levando para a Bienal representantes de diferentes regiões do Brasil e fortalecendo a presença da literatura popular no principal evento literário do país.

Mais do que apresentar livros, o espaço cria oportunidades para que autores e artistas populares ampliem a circulação das suas obras e estabeleçam contacto direto com leitores e profissionais do mercado editorial. A programação valoriza tanto novos talentos quanto nomes consagrados, reafirmando o cordel como “uma manifestação cultural viva, contemporânea e capaz de dialogar com diferentes gerações”.

Para a coordenadora, a criação de um espaço dedicado ao cordel e ao repente representa também o “reconhecimento da importância dessas manifestações dentro do cenário literário nacional”. A iniciativa amplia a visibilidade dos artistas, aproxima diferentes públicos e contribui para a preservação e renovação da cultura popular brasileira.

Destaque para cultura nordestina

A programação começa no dia 4 de setembro, com abertura conduzida por Lucinda Marques e convidados, seguida de apresentação de Chambinho do Acordeon. Ao longo dos dez dias, o público poderá acompanhar lançamentos, declamações, contações de histórias, apresentações musicais, encontros literários e espetáculos de repente.

Entre os destaques está o lançamento de “70 Anos Grande Sertão: Veredas”, de João Gomes Sá, além da participação de nomes como Moreira de Acopiara, Daniel Yehudi, Tião Simpatia, Manoel Cavalcante, Mariane Bigio, Paulo de Tarso, Maciel Melo, Socorro Lira, Cacá Lopes, Del Feliz e Pedro do Cordel, entre outros representantes da literatura e da música popular.

Música dá tom ao espaço

O “Espaço Cordel e Repente” terá ainda, dia 10 de setembro, quinta-feira, das 18h às 19h, um pocket show de Mayana Neiva, sob o tema “TÁ TUDO AQUI DENTRO”. Mayana Neiva é uma multiartista brasileira nascida em Campina Grande, Paraíba, atua como atriz, cantora, escritora e diretora. A sua trajetória académica e artística inclui formação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e estudos de drama na Universidade de São Francisco, na Califórnia. É autora do livro infantil “Sofia”, publicado em 2011. Foi Miss Paraíba em 2003 e ficou conhecida nacionalmente por interpretar a modelo “Desireé”, em “Ti Ti Ti”, “Maria do Amparo”, em “Amor Eterno Amor”, “Leandra”, em “O Outro Lado do Paraíso”, e a delegada “Carolina Ramalho”, na série “Rotas do Ódio”.

A xilogravura, uma das linguagens mais tradicionais ligadas ao cordel, também terá presença marcante. A programação inclui a oficina “A Arte da Xilogravura”, com Nireuda Longobardi, além de encontros sobre a formação do xilogravurista e atividades dedicadas à obra de J. Borges.

Literatura, memória, inclusão e identidade também estarão entre os temas abordados. O público poderá acompanhar discussões como “Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel”, apresentada por Alberto Perdigão, e “Toda cicatriz tem uma história para contar”, com Pollyana Gama e Camila Castro. O Coletivo Teodoras do Cordel apresentará ainda o espetáculo “Minha voz ecoa o grito da minha ancestralidade”.

Novas vozes e formação de leitores

A formação de leitores terá espaço especial na programação, com a participação de crianças e adolescentes entre os autores convidados. As atividades infantis e as sessões de contação de histórias contarão com nomes como Amélia Albuquerque, Andrea de Sousa, Erica Montenegro, Mariane Bigio e Lu Chamusca.

Autores publicados pela Editora IMEPH estarão entre os participantes, ao lado de escritores e artistas ligados a outros selos e projetos literários. A diversidade de convidados, segundo a organização do espaço, “amplia o diálogo entre diferentes gerações e linguagens, reunindo literatura, oralidade, música, ilustração e memória”.

As atividades encerram-se no dia 13 de setembro, com contação de histórias, o encontro “Afinal, o que é cordel?”, conduzido por Daniel Yehudi, e apresentações artísticas. As declamações estarão presentes diariamente, mantendo viva a tradição da palavra falada e sua conexão com a música e a literatura.

Com 86 mil metros quadrados, 269 expositores, cerca de 350 autores nacionais e internacionais e 3.450 horas de programação, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, estima receber mais de 700 mil visitantes.

“Nesse cenário, o “Espaço Cordel e Repente” chega para reafirmar a força da cultura popular e ampliar o lugar do cordel na cena literária contemporânea”, finalizou Lucinda Marques.

Saiba mais sobre o evento em: https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br.html

Ígor Lopes

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Belo Horizonte: Tarcísio Costa recebe comenda “Mérito Cívico” pelo trabalho desenvolvido em “prol da cultura e da identidade mineiras”

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O assessor da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, Tarcísio Costa, recebeu, no dia 9 de agosto, a comenda “Mérito Cívico”, atribuída, por intermédio do senescal estadual Muryllo Alvarenga, pela Sereníssima Ordem de Cavalaria Militar Padre Anchieta em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por Tarcísio Costa nas áreas da “cultura, do turismo, da preservação do património e da valorização da identidade histórica de Minas Gerais”.

A cerimónia decorreu no Clube dos Oficiais da Polícia Militar e dos Bombeiros, em Belo Horizonte, e reuniu autoridades, membros da Ordem, representantes de instituições civis e militares e personalidades reconhecidas pelos serviços prestados à sociedade mineira.

A distinção foi entregue durante a encenação da Batalha de Ourique, episódio de relevância para a história portuguesa tradicionalmente associado à afirmação de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e ao processo de formação do Reino de Portugal.

Em declarações à Agência Incomparáveis, Tarcísio Costa relacionou a distinção com o trabalho que tem desenvolvido na aproximação entre Minas Gerais e Portugal, explicando que a ligação da Ordem ao universo português contribuiu para a atenção dirigida ao seu percurso.

“A Sereníssima Ordem da Cavalaria do Padre Anchieta tem uma ligação muito forte com os Templários em Tomar, em Portugal. E, por causa da minha atuação na Câmara como assessor de Comunicação da Presidência, a entidade se interessou pelo meu trabalho e decidiu dar-me essa distinção de mérito cívico”, explicou.

Apesar de reconhecer que prefere “manter uma posição discreta”, Tarcísio Costa admitiu ter recebido a homenagem com “satisfação”, sobretudo por considerar que a “distinção está relacionada com uma atividade que faz parte do seu percurso e das suas convicções”.

“Fiquei extremamente lisonjeado porque é estranho, mas estranho no bom sentido, receber uma homenagem por fazer aquilo que eu gosto, que é promover as relações culturais, históricas, socioeconómicas entre Minas Gerais e Portugal”, vincou.

Nesse percurso, este responsável destacou a identificação com os objetivos da instituição, centrados no reforço das relações entre Minas Gerais, o Brasil e Portugal.

“Eu visto a camisola, como se diz em português de Portugal, da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil em Minas Gerais, que tem como objetivo estreitar cada vez mais os laços que unem Minas Gerais e não só, o Brasil, e Portugal”, defendeu.

A aproximação entre os dois países, segundo Tarcísio Costa, deve também passar pela “valorização dos elementos que aproximam as respetivas sociedades, numa altura em que os debates públicos e as redes sociais são frequentemente marcados por discursos de confronto”.

“Quando você entra na internet há muita retórica odiosa, negativa, de parte a parte. Há xenofobia, há racismo, preconceito contra os brasileiros em Portugal, há brasileiros que dizem, ‘devolvam o ouro’, enfim, todo esse discurso negativo, que não leva a absolutamente nada”, lamentou. Perante esse cenário, defendeu uma abordagem centrada na cooperação e na construção de relações com resultados concretos para as comunidades dos dois lados do Atlântico.

“Eu acho que nós temos que focar no que é positivo entre os dois países. Se nós nos unirmos ou se nós nos uníssemos mais, Brasil e Portugal, as coisas seriam muito melhor em vários níveis, para os dois países, para as populações”, enfatizou.

“Esse discurso odioso sempre vai existir, sempre vão existir as pessoas negativas, com espírito destruidor, mas eu quero construir pontes e elos que nos ligam, não só elos afetivos, mas elos efetivos, coisas que realmente tragam benefícios para Minas e para Portugal”, apontou.

Entre os exemplos desse trabalho, Tarcísio Costa destaca o “Jantar dos Sete”, iniciativa criada no âmbito da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais e associada às celebrações do Dia da Independência do Brasil, a 7 de setembro, que reunirá “sete pratos, sete chefes, sete vinhos, às sete horas da noite” no Palácio D’Ouro, em Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. A iniciativa integra ainda uma componente de responsabilidade social, uma vez que os bens destinados ao leilão são doados à Câmara e as receitas revertem para uma instituição de apoio social. Este ano, segundo Tarcísio Costa, o valor arrecadado será destinado à Sociedade de São Vicente de Paulo, organização que desenvolve ações de apoio a crianças, idosos e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Ao relacionar esta iniciativa com a sua visão sobre as relações entre Portugal e Brasil, Tarcísio Costa reforçou a importância de “transformar encontros culturais, económicos e institucionais em ações com impacto direto na sociedade”.

No balanço da homenagem, Tarcísio voltou a destacar o caráter especial da distinção e a satisfação por ver reconhecido um trabalho que considera parte da sua missão enquanto assessor da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais.

“É o meu testemunho, senti-me, claro, muito lisonjeado e muito honrado ao receber esta medalha de mérito cívico”, finalizou Tarcísio Costa.

Ígor Lopes

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Largo da Oliveirinha recebe memorial às 16 vítimas do Elevador da Glória

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Lisboa inaugura esta quinta-feira, 3 de setembro, um memorial dedicado às 16 vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória, precisamente um ano depois da tragédia que marcou a capital portuguesa. O espaço foi instalado no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, e foi concebido como local permanente de homenagem, memória e recolhimento. A cerimónia está marcada para às 9h e terá acesso reservado.

O acidente ocorreu ao final da tarde de 3 de setembro de 2025, quando a cabina n.º 1 do histórico ascensor descarrilou durante a descida da Calçada da Glória e embateu na envolvente urbana. A tragédia causou 16 mortos e 24 feridos, envolvendo pessoas de 15 nacionalidades, segundo o balanço referido pela Câmara Municipal de Lisboa na apresentação do memorial. Entre as vítimas mortais estavam cinco portugueses, três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadianos, um suíço, um francês, um ucraniano e um norte-americano.

O elemento central do novo memorial é uma oliveira adulta com cerca de 150 anos, instalada numa estrutura circular. À sua volta foram colocados 16 blocos pétreos em calcário, um por cada vítima mortal, dispostos radialmente, com diferentes alturas e superfícies destinadas à gravação dos nomes. A composição inclui ainda um banco semicircular em pedra natural, uma guarda metálica e uma estrutura preparada para a deposição de flores. A iluminação foi incorporada na guarda, permitindo a leitura e valorização do espaço durante o período noturno.

A escolha da oliveira está relacionada com o próprio topónimo Largo da Oliveirinha e procura assumir uma função simbólica associada à continuidade e à memória. Segundo a Câmara de Lisboa, a disposição circular pretende criar um percurso de contemplação, articulando a árvore, os elementos em pedra e o espaço público envolvente. A intervenção utiliza sobretudo pedra calcária e elementos vegetais, procurando manter uma ligação com a configuração histórica da Calçada da Glória e com o património urbano daquela zona da cidade.

O projeto insere-se também numa intervenção de requalificação do Largo da Oliveirinha, espaço situado entre a Calçada da Glória e a Travessa do Fala-Só. A zona, integrada no conjunto urbano associado ao Ascensor da Glória, passou por trabalhos de reorganização do espaço público, com criação de áreas pedonais e de permanência. O conjunto formado pelo Ascensor da Glória e pelo meio urbano envolvente encontra-se classificado como Monumento Nacional.

A instalação do memorial concretiza uma decisão assumida pela autarquia poucos dias depois do acidente. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, em setembro de 2025, medidas destinadas a preservar a memória das vítimas e a acompanhar as consequências da tragédia. Na proposta municipal então apresentada, o acidente foi considerado um dos episódios urbanos com maior número de vítimas mortais registados em Lisboa nas últimas décadas.
Um ano depois, porém, o processo de apuramento técnico e judicial continua em curso. O relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), concluiu que a ligação do cabo à cabina n.º 1 se rompeu, desencadeando o descarrilamento e a colisão. A investigação identificou igualmente falhas nos processos de aquisição, controlo e manutenção do cabo utilizado no sistema. O GPIAAF sublinhou, contudo, que a investigação técnica procura determinar fatores causais e emitir recomendações de segurança, não estabelecer responsabilidades criminais.

As autoridades mantêm também aberto o inquérito criminal dirigido pelo Ministério Público. Em 2026, a Polícia Judiciária realizou buscas na Carris e na empresa responsável por trabalhos de manutenção do ascensor, no âmbito das diligências destinadas ao apuramento de responsabilidades. Paralelamente, prosseguem as peritagens técnicas ao cabo, aos sistemas de travagem e ao comportamento dinâmico do equipamento. O GPIAAF informou recentemente que prevê concluir e divulgar o seu relatório final até ao final de março de 2027.
O acidente alterou também o futuro dos ascensores históricos de Lisboa. O Elevador da Glória ficou profundamente danificado e os restantes equipamentos históricos permaneceram suspensos enquanto avançam avaliações técnicas e projetos destinados a reforçar as condições de segurança. A Carris anunciou, entretanto, a intenção de desenvolver um novo Ascensor da Glória, com sistemas de monitorização e novas soluções tecnológicas, apontando para uma possível entrada em funcionamento em 2029, ainda dependente do desenvolvimento do projeto e dos procedimentos de contratação.

Inaugurado originalmente em 1885, o Ascensor da Glória estabeleceu uma ligação entre a zona dos Restauradores e São Pedro de Alcântara, tornando-se parte do sistema de mobilidade e do património da cidade. O Largo da Oliveirinha encontra-se precisamente neste eixo histórico, próximo do Jardim de São Pedro de Alcântara, funcionando como ponto de transição entre a encosta da Glória e algumas das zonas de maior circulação do centro de Lisboa.

A partir de 3 de setembro de 2026, o lugar passa a acumular uma nova função. Os 16 blocos de pedra, organizados em redor da oliveira, deixam inscrita no espaço público a identidade das pessoas que morreram no acidente. Um ano depois da tragédia, enquanto as investigações continuam e permanecem questões relativas às responsabilidades e indemnizações, Lisboa fixa no Largo da Oliveirinha um espaço permanente dedicado à memória das vítimas.

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