Atualidade
Ofertas de emprego no 3º trimestre de 2023 recuam 45% face ao trimestre anterior
Insight da Fundação José Neves revela que ofertas de emprego no 3º trimestre foram as mais baixas dos últimos dois anos
Depois da redução de 16% do volume das ofertas de emprego no 2º trimestre de 2023 em comparação com o 1º trimestre de 2023, as ofertas do 3º trimestre acentuaram ainda mais a tendência de decréscimo, registando uma forte queda de 45% em comparação com o trimestre anterior.
Dados revelados pelo mais recente Insight da Fundação José Neves demonstram um recuo contínuo do volume trimestral de ofertas de emprego desde o início de 2023. Entre o 1º e o 3º trimestre baixaram cerca de 54%, ou seja, o número de ofertas no 3º trimestre foi menos de metade do registado nos primeiros três meses do ano.
Analisando a evolução mensal, verifica-se que a redução das ofertas de emprego foi constante ao longo do 3º trimestre de 2023. Face a junho de 2023, as ofertas de julho registaram uma redução de 35%. Entre julho e agosto decresceram 26% e entre agosto e setembro baixaram aproximadamente 30%.
Se compararmos com o período homólogo de 2022, registou-se uma redução bastante acentuada (70%), o que faz com que o 3º trimestre de 2023 tenha o número mais baixo de ofertas de emprego dos últimos dois anos.
Profissões que mais decresceram no 3º trimestre de 2023 face ao período homólogo de 2022
97% das profissões registadas na plataforma Brighter Future registaram uma redução do volume de ofertas comparativamente ao trimestre homólogo de 2022.
As seguintes sofreram um decréscimo superior a 90%: Trabalhadores da recuperação de resíduos; Trabalhadores não qualificados da indústria transformadora; Rececionistas de hotel; Trabalhadores de cuidados pessoais nos serviços de saúde.
Em termos absolutos, a redução das ofertas de emprego foi mais significativa para as seguintes profissões, face ao período homólogo do ano anterior: Empregados de mesa e bar; Operadores de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas; Empregados dos centros de chamadas; Vendedores e encarregados de lojas; Pessoal de informação administrativa
Apesar de em minoria, este foi o conjunto de profissões com crescimento superior a 20% do volume das ofertas no 3º trimestre de 2023 face ao período homólogo de 2022: Diretores de vendas e marketing; Analistas e programadores de software e aplicações; Técnicos operadores das tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Profissões mais procuradas pelos empregadores no 3º trimestre de 2023
Apesar da volatilidade registada no número de ofertas mensais de emprego ao longo dos últimos anos, as profissões mais procuradas têm sido bastante consistentes ao longo do tempo.
Existem sete profissões no top dez das profissões mais procuradas no 3º trimestre de 2023 que também estavam no top no período homólogo de 2022. Tal como verificado para os trimestres anteriores, o top de profissões mais procuradas foi composto, na sua maioria, por profissões com uma forte componente tecnológica e com ligação ao setor do comércio.
1º Programadores de software
2º Analistas de sistemas
3º Diretores de investigação e desenvolvimento
4º Engenheiros biomédicos, de engenhos explosivos, de salvamento marítimo, de materiais, óticos e de segurança
5º Operadores de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas
6º Especialistas em publicidade e marketing
7º Representantes comerciais
8º Pessoal de informação administrativa
9º Empregados de escritório, técnicos de secretariado e operadores de processamento de dados
10º Empregados de mesa e bar
Os ‘Programadores de software’ e os ‘Empregados de escritório, técnicos de secretariado e operadores de processamento de dados’ foram as únicas profissões que não alteraram de posição ao manterem, respetivamente, o 1º e o 9º lugar entre as profissões mais procuradas.
Face ao 3º trimestre de 2022, os ‘Analistas de sistemas’ e os ‘Representantes comerciais’ subiram várias posições entre as mais procuradas, ocupando, no 3º trimestre de 2023, o 2º e 7º lugar do top, respetivamente.
No sentido inverso, os ‘Operadores de caixa e outros trabalhadores relacionados com vendas’ e o ‘Pessoal de informação administrativa’ baixaram três posições, encontrando-se, no 3º trimestre de 2023, no 5º e 8º lugar do top, respetivamente.
Profissões que entraram e que saíram do top das mais procuradas
Face ao 3º trimestre de 2022, as três profissões que saíram do top foram as seguintes: Empregados dos centros de chamadas; Vendedores e encarregados de lojas; Motoristas de veículos pesados e de autocarros.
No sentido oposto, as três profissões que entraram no top das mais procuradas no 3º trimestre de 2023 foram as seguintes: Diretores de investigação e desenvolvimento; Engenheiros biomédicos, de engenhos explosivos, de salvamento marítimo, de materiais, óticos e de segurança; Especialistas em publicidade e marketing.
Destas profissões, destacaram-se as subidas de 14 posições dos ‘Especialistas em publicidade e marketing’ até ao 6º lugar do top das mais procuras no 3º trimestre de 2023.
Estes e outros dados podem ser consultados no Insight “Ofertas de emprego do 3º trimestre de 2023 reduziram 45% face ao trimestre anterior”, da Fundação José Neves, através do link https://www.joseneves.org/artigo/ofertas-de-emprego-do-3o-trimestre-de-2023-reduziram-45-face-ao-trimestre-anterior.
A elaboração deste Insight recorreu aos dados das ofertas de emprego online no mercado laboral português facultados pela Burning Glass e tratados pela FJN e disponíveis no Brighter Future, relativos ao 3º trimestre de 2023, comparando os mesmos, quer face aos trimestres anteriores quer com o período homólogo de 2022.
Imagem: FJN.
Atualidade
Universidade de Coimbra integra projeto europeu que lança guia gratuito para apoiar o ensino de português a migrantes e refugiados
A Universidade de Coimbra anunciou o lançamento do guia gratuito “Ensinar com o KITE: atividades práticas para promover a inclusão linguística e cultural”, uma publicação desenvolvida no âmbito do projeto europeu COMMUNIKITE, destinada a apoiar professores e mediadores que trabalham com migrantes e refugiados para quem o português constitui uma língua não materna.
O manual foi publicado pelas editoras Imprensa da Universidade de Coimbra e Ediciones Universidad de Salamanca e encontra-se disponível para descarga gratuita em sete idiomas – português, alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e polaco -, permitindo que docentes e mediadores de diferentes países utilizem metodologias adaptadas aos respetivos contextos educativos.
Coordenado na Universidade de Coimbra pela docente da Faculdade de Letras Cristina Martins, o guia foi concebido para servir de instrumento de apoio ao ensino da língua e à integração social de pessoas deslocadas, disponibilizando um conjunto de 191 atividades pedagógicas orientadas para situações reais de comunicação no país de acolhimento.
O novo guia constitui também um complemento da plataforma digital KITE, criada no ano passado pela equipa internacional do projeto COMMUNIKITE. De acesso livre, esta plataforma disponibiliza diversos recursos destinados a facilitar a comunicação em contextos de acolhimento humanitário, incluindo informações práticas sobre o funcionamento dos países de destino, glossários ilustrados, materiais de apoio à aprendizagem fonética, orientações sobre comunicação verbal e não verbal e testemunhos de migrantes e refugiados provenientes de países como a Índia, Marrocos e Ucrânia.
Segundo Cristina Martins, o manual procura responder às necessidades concretas de quem acompanha diariamente processos de integração linguística e cultural.
“Reúne um conjunto de 191 atividades pedagógicas destinadas a ajudar migrantes e refugiados a desenvolver a sua capacidade de comunicação na vida real no país de acolhimento, promovendo a interação, o desenvolvimento da literacia e a integração social”, explica a investigadora.
Para a responsável, esta nova publicação permitirá potenciar a utilização dos conteúdos já existentes na plataforma digital.
“O guia Ensinar com o KITE: atividades práticas para promover a inclusão linguística e cultural foi concebido para a exploração pedagógica dos recursos multilingues disponíveis na plataforma KITE”, frisa.
Cristina Martins acrescenta que o projeto disponibiliza agora um conjunto ainda mais completo de ferramentas dirigidas aos profissionais que acompanham populações migrantes.
“Com a publicação deste manual, vai ser possível potenciar a utilização dos recursos na plataforma KITE: para além de ajudar quem está na linha da frente do acolhimento de refugiados e migrantes com instrumentos auxiliares de comunicação acessíveis, temos também uma nova ferramenta para facilitar o ensino do português por parte de professores e mediadores”, conclui.
O projeto COMMUNIKITE – Necessidades de Comunicação num Kit de Primeiros Socorros para Situações de Emergência Humanitária resulta de uma parceria europeia liderada pela Universidade de Salamanca (Espanha), envolvendo igualmente a Universidade de Coimbra, a Universidade de Bolonha (Itália), a Universidade de Heidelberg (Alemanha), a Universidade de Poitiers (França), a Universidade de Kiev (Ucrânia) e a Universidade de Varsóvia (Polónia).
Ígor Lopes
Atualidade
TSP defende avanço do voto eletrónico remoto e pede que Governo passe das declarações à ação
Em comunicado divulgado à imprensa, a TSP considera que “é hora de passar das palavras aos atos”, depois de vários membros do Governo terem manifestado publicamente apoio à introdução do voto eletrónico remoto para os portugueses residentes no estrangeiro.
A associação recorda que, em janeiro deste ano, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, revelou que esta modalidade de voto estava a ser estudada, posição posteriormente reforçada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e pelo secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, durante as recentes reuniões do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, realizadas em Lisboa.
Segundo a TSP, estas posições representam um sinal político positivo, sobretudo porque “a TSP tem vindo a pedir a implementação do voto eletrónico remoto desde 2017”. Ainda assim, a associação considera que o processo não pode ficar limitado às intenções políticas.
“Não bastam declarações: é preciso que essa modalidade de voto seja inscrita nas leis eleitorais”, realçou a associação.
Nesse mesmo comunicado, a TSP lembra que vários projetos de lei sobre esta matéria foram apresentados no passado, mas acabaram rejeitados pela Assembleia da República. Agora, entende que existe um contexto parlamentar mais favorável.
“Cremos que, neste momento, haverá, na Assembleia da República, uma maioria de dois terços disponível para aprovar um projeto neste sentido”, referiu, apelando para que “os partidos que concordam com esta mudança apresentem, o quanto antes, uma proposta relativa à introdução do voto digital”.
De igual modo, a associação defende que a introdução do voto eletrónico remoto seja acompanhada por um plano de implementação progressivo e tecnicamente rigoroso, começando por um processo de testes.
“Para que o voto digital seja a ferramenta de participação cívica e política que as comunidades portuguesas aguardam há anos, é necessário um plano realista de implementação que inclua obrigatoriamente um processo de teste”, sustentou.
Na perspetiva da TSP, esse período experimental deverá permitir avaliar e aperfeiçoar sucessivamente o sistema, aproveitando “os estudos já feitos pela Administração Eleitoral e o exemplo das eleições para os franceses no estrangeiro”.
O comunicado frisa ainda que um sistema desta natureza deve ser desenvolvido com especial atenção às questões jurídicas, tecnológicas e operacionais.
“Um sistema desta natureza tem de ser pensado e testado nas suas múltiplas dimensões: legais, de conformidade com as leis portuguesas e dos países onde votarão os portugueses, de comunicações seguras, de segurança informática, de facilidade de utilização, de informação aos eleitores, de controlo efetivo e de transparência”, defende a associação.
“O processo de teste, que não deverá incidir apenas sobre uma amostra limitada, tem de contemplar adequadamente todos estes passos, sem atropelos nem omissões”, referiu, acrescentando que “a TSP não apoia um plano apressado para cumprir calendários”.
A concluir, a associação reafirma que considera este o momento adequado para iniciar a modernização do sistema eleitoral destinado à diáspora portuguesa, mas insiste que a implementação deve privilegiar a segurança, a confiança e a qualidade do processo.
“Acreditamos que chegou a hora do voto digital remoto. Vamos começar já, quanto antes, mas vamos fazê-lo bem. Os portugueses no estrangeiro merecem-no”, concluiu a TSP.
Ígor Lopes
Atualidade
Universidade da Beira Interior cria licenciatura em “Cidades e Comunidades Sustentáveis Inteligentes” para responder aos desafios da transição ecológica e digital
A Universidade da Beira Interior (UBI) vai disponibilizar, já no Concurso Nacional de Acesso
ao Ensino Superior deste ano, a nova licenciatura em “Cidades e Comunidades Sustentáveis
Inteligentes”, um curso com 30 vagas que integra a oferta formativa do Departamento de
Engenharia Civil e pretende responder às necessidades emergentes da transformação digital
e ambiental dos territórios.
Alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em
particular com o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, o plano curricular combina
áreas como Engenharia, Ambiente, Urbanismo, Geomática, Ciência de Dados e Inteligência
Artificial.
Ao longo do curso, os estudantes terão contacto com tecnologias como sensores
inteligentes, Internet das Coisas (IoT), Sistemas de Informação Geográfica (SIG), veículos
aéreos não tripulados, modelação digital e ferramentas avançadas de análise de dados,
desenvolvendo competências para monitorizar infraestruturas, apoiar processos de decisão
técnica, aplicar princípios de economia circular e criar respostas para a adaptação às
alterações climáticas.
A licenciatura privilegia também uma componente prática, promovendo o contacto direto
com problemas reais através da colaboração com empresas, autarquias, instituições públicas
e entidades do sistema científico e tecnológico.
Neste sentido, os futuros diplomados poderão exercer funções em áreas como
administração local e regional, empresas municipais, entidades gestoras dos setores da
água, saneamento, resíduos e energia, empresas tecnológicas, consultoras de ambiente,
sustentabilidade, mobilidade, transportes, geomática, planeamento urbano e ciência de
dados, podendo ainda prosseguir estudos em cursos de mestrado.
O novo ciclo de estudos admite candidatos através de diferentes combinações de provas de
ingresso, todas elas tendo por base a disciplina de Matemática B, complementada por uma
das seguintes provas: Biologia e Geologia, Desenho, Economia, Física e Química, Geometria
Descritiva ou Português.
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