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Corrida com final eletrizante no Estoril Classics
O Iberian Historic Endurance encerrou mais um fim de semana de enorme sucesso do Estoril Classics 2023, numa animada corrida de cinquenta minutos em que Bruno Santos levou a melhor sobre o pelotão de quarenta e quatro carros, conquistando o seu primeiro triunfo na mais prestigiada competição de carros clássicos da Península Ibérica.
Num dia em que as bilheteiras do Autódromo do Estoril voltaram a esgotar para assistir a um dos melhores festivais de automobilismo para viaturas clássicas da Europa, existia uma enorme expectativa em relação à corrida do Historic Endurance que neste fim de semana se disputou em parceria com a Liqui Moly.
Após determinada grelha de partida numa sessão de qualificação emocionante no dia de sábado, o Merlyn Mk4 de Carlos Barbot e Pedro Matos dividiu a primeira linha da grelha de partida com o Porsche 911 3.0 RS de Bruno Duarte, enquanto os dois Ford GT40 de Paulo Lima e Christian Oldenhorff compunham da segunda linha e os 911 3.0 RS de Pedro Bastos Rezende e Cláudio Vieira, a terceira.
A primeira parte da corrida proporcionou vários pontos de interesse e quatro diferentes líderes até à paragem obrigatória nas boxes. No arranque, os dois primeiros da grelha de partida foram superados pelos dois Ford GT40 da segunda fila. Paulo Lima assumiu a liderança da corrida nos primeiros momentos, mas acabou por ser ultrapassado por Bruno Santos. Contudo, o Porsche também não ficaria durante muito tempo no topo da classificação, pois o alemão Christian Oldenhorff, que trocou o seu Alfa Romeo GTAm por o ainda mais potente Ford GT40, chamava a si a liderança da corrida.
A paragem obrigatória nas boxes voltou a baralhar os lugares cimeiros, com os Porsche de Bruno Santos, Pedro Bastos Rezende e Cláudio Vieira, por esta ordem, a assumirem as três primeiras posições da corrida. Ligeiramente mais atrás, os dois GT40 de Paulo Lima e Christian Oldenhorff travaram uma luta empolgante com o Merlyn MK4 pelo quarto lugar e pela primeira posição da classe GTP & Sportscar. Se os carros da marca de Deaborn eram mais rápidos em velocidade de ponta, o Merlyn era muito mais eficaz nas zonas sinuosas do circuito de Cascais, permitindo à equipa Carlos Barbot/Pedro Matos efetuar a volta mais rápida da corrida à 13ª passagem.
A sete minutos do fim, uma situação de Safety-Car juntou novamente o pelotão, para um “sprint” final de uma volta ao traçado do Estoril. Bruno Santos não acusou a pressão de sair na frente, destacando-se dos demais, levando o seu Porsche a cruzar a linha de meta na primeira posição, conquistando assim o triunfo na classe H-1976. Pedro Bastos Rezende levou a melhor sobre Cláudio Vieira na luta pelo segundo posto, mas este último acabaria por ser mais tarde penalizado. Mário Meireles e Vasco Nina, em Porsche 911 2.8 RS, subiram a um pódio da classe H-1976 constituído por três exemplares da marca de Weissach e todos eles preparados pela Aurora Motorsport, o braço desportivo da Garagem Aurora.
No segundo pelotão, o Merlyn Mk4 da dupla Carlos Barbot/Pedro Matos suplantou os dois Ford GT40 nos últimos e emocionantes momentos da corrida, vencendo a classe GTP & Sportscar. Christian Oldenhorff, que ainda apanhou um susto momentos antes da interrupção, efetuando um pião, foi o segundo classificado, ao passo que Paulo Lima foi o terceiro classificado, num fim de semana em que demonstrou uma enorme evolução com um carro que ainda está a descobrir.
Na sessão de qualificação, o Shelby Cobra Daytona da dupla francófona Brice Pineau / Olivier Muytjens foi a mais veloz da classe H-1965, mas na corrida, Andy Newall e Rhea Sautter, num Jaguar E-Type azul-turquesa de 1961, lideraram durante grande parte da corrida. Contudo, o duo anglo-germânico realizou uma corrida entretida, com sucessivas trocas de posições, com Palle Pedersen e o seu Ginetta G4R. Porém, no final da corrida ficou à mercê do Shelby Cobra Daytona que acabou por ser mais forte e vencer nos H-1965. Ainda na mesma classe, Thorkild Stamp e Michael Holden foram os terceiros classificados no Porsche 904/6 preparado em Portugal pela Raul Cunha Vintage Garage.
Volker Hichert e Björn Ebsen, em Alfa Romeo GTAm, celebraram um merecido triunfo na classe H-1971, seguidos Franck Biraben, em Porsche 911 R. Jorge Guimarães, no seu Volvo 121, tornou a sua resiliência e consistência num pódio numa das provas mais animadas da temporada.
A classe Gentleman Drivers Spirit (GDS) voltou a reunir um leque variado de participantes e viveu-se o domínio absoluto dos Porsche 911 SWB, que ocuparam os três primeiros lugares. O duo Nuno Nunes e Piero dal Maso foi o mais forte, vencendo, tendo os restantes lugares do pódio ficado na posse de Pedro Moryion/José Carvalhosa e Carlos Beltran, por esta ordem.
O fim de semana não terminou sem a atribuição ao vencedor do Index of Performance de um relógio exclusivo da Cuervo y Sobrinos, a marca histórica de relógios suíços, considerada como a única e genuína que possui um legado latino autêntico e comprovado. O vencedor desta classificação, que não aquele que corta a linha de meta em primeiro, mas sim aquele que executa em pista a melhor prestação em função da idade, cilindrada e tipo de carroceria da sua viatura, foi o francês Vincent Tourneur em Porsche 356 SC.
As emoções das corridas dos Historic Endurance regressam dentro de duas semanas no programa do Jerez Historic Festival, no Circuito de Jerez-Ángel Nieto, de 20 a 22 de outubro.
Calendário de 2023:
06/07 maio – Algarve Welcome Spring – Autódromo Internacional do Algarve
20/21 maio – Grand Prix de Pau Historique – Circuit de Pau-Ville
10/11 junho – Jarama Classic – Circuito del Jarama
08/09 julho – Spa Summer Classic – 3 Horas de Spa
07/08 outubro – Estoril Classics – Autódromo do Estoril
21/22 outubro – Jerez Historic Festival – Circuito de Jerez-Ángel Nieto
02/03 dezembro – 250km Estoril – Autódromo do Estoril
Foto: DR.
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Odivelas: Luso-brasileiro Rodrigo Almeida leva “Clássicos do Brasil” ao Centro Cultural Malaposta para celebrar a ligação musical entre Portugal e o Brasil
O cantor e compositor luso-brasileiro Rodrigo Almeida apresenta, no próximo dia 4 de setembro, pelas 21h, no Centro Cultural Malaposta, em Odivelas, no distrito de Lisboa, Portugal, o espetáculo “Clássicos do Brasil”, uma produção com direção musical de Marcus Nabuco e que presta homenagem à música popular brasileira e à ligação histórica e cultural entre Portugal e o Brasil.
O concerto propõe uma viagem por canções que marcaram várias gerações e atravessaram fronteiras, reunindo alguns dos mais emblemáticos temas da música brasileira, num espetáculo pensado para despertar memórias, emoções e o sentimento de pertença partilhado entre os dois lados do Atlântico.
Ao longo da atuação, Rodrigo Almeida interpretará também composições do seu próprio repertório, integradas de forma natural no alinhamento, estabelecendo um diálogo entre os grandes clássicos da música brasileira e o percurso artístico que tem vindo a desenvolver em Portugal.
Com momentos de nostalgia, romantismo e celebração, “Clássicos do Brasil” tem como objetivo proporcionar ao público uma experiência musical assente na valorização de um património cultural comum, utilizando a música como elemento de aproximação entre povos unidos pela língua portuguesa e por uma herança histórica partilhada.
Entre o Rio de Janeiro e Lisboa, Rodrigo Almeida construiu uma carreira dedicada à aproximação entre Portugal e o Brasil
Natural do Rio de Janeiro, Rodrigo Almeida é um cantor e compositor luso-brasileiro radicado em Portugal desde 2011, onde desenvolveu um percurso artístico assente na valorização das suas origens familiares e na aproximação entre as culturas portuguesa e brasileira.
Filho da consagrada cantora brasileira Ellen de Lima e do português Valentim Pereira de Almeida, antigo proprietário da histórica casa de fados “O Galo”, o artista cresceu num ambiente profundamente ligado à música.
Ao longo da sua carreira, tem conciliado influências da música popular brasileira com referências da tradição portuguesa, afirmando-se como um intérprete que utiliza a música para fortalecer os laços culturais entre os dois países.
Em entrevista concedida no último mês de junho à Agência Incomparáveis, no âmbito da Feira do Livro de Lisboa 2026, o artista explicou que o espetáculo “Clássicos do Brasil” nasceu precisamente com esse propósito, procurando revisitar “as canções que marcaram os últimos 40 anos”, muitas delas conhecidas do público português através das telenovelas brasileiras.
Além da atividade musical, Rodrigo Almeida soma participações no cinema português, tendo integrado os filmes “Estive em Lisboa e Lembrei de Você”, de José Barahona, e “São Jorge”, de Marco Martins, bem como diversos projetos ligados à comunicação social e à promoção da cultura lusófona.
Atualmente, continua a afirmar-se como um dos artistas que mais tem contribuído para reforçar o diálogo cultural entre Portugal e o Brasil através da música.
O trabalho de Rodrigo Almeida pode ser conhecido em: https://www.rodrigoalmeida.com/ e nas redes sociais em: https://www.instagram.com/rodrigoalmeidasinger/
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Fibromialgia: seis ideias frequentes, entre mitos e verdades
A fibromialgia continua rodeada de informações incorretas, apesar do conhecimento clínico acumulado sobre a doença. Em entrevista à Agência Incomparáveis, o Professor Doutor José Luís Arranz Gil, presidente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, responsável pela Unidade de Fibromialgia, Sensibilidade Central e Dor Crónica da Mutualista da Covilhã e Académico Correspondente da Real Academia de Medicina do País Basco, em Espanha, analisa seis ideias frequentes sobre esta doença, distinguindo três mitos de três verdades.
1. Mito: a fibromialgia existe apenas na cabeça do doente
A fibromialgia é uma doença real e a dor sentida pelas pessoas que dela sofrem também o é. O facto de os exames convencionais não revelarem uma lesão visível não significa que os sintomas sejam imaginários ou simulados. A doença está relacionada com alterações na forma como o sistema nervoso processa e regula os estímulos dolorosos. Por isso, para além da dor generalizada, podem surgir sintomas como fadiga, alterações do sono, rigidez, hipersensibilidade e dificuldades de concentração ou de memória, que muitas pessoas descrevem como “nevoeiro mental”. Os fatores emocionais podem influenciar a intensidade dos sintomas, tal como acontece em muitas outras doenças crónicas, mas não explicam, por si só, a fibromialgia. Considerá-la apenas um problema psicológico contribui para o estigma, pode atrasar o diagnóstico e dificulta o acesso a cuidados de saúde adequados.
2. Verdade: não existe um único exame que confirme o diagnóstico
Atualmente, o diagnóstico da fibromialgia é clínico. Não existe uma análise ao sangue, uma radiografia ou uma ressonância magnética específica que, por si só, permita confirmar a doença. O diagnóstico é feito através da avaliação de aspetos como a presença e a distribuição da dor, a sua duração, a fadiga, as alterações do sono, as dificuldades cognitivas e o impacto da doença na vida quotidiana. Em alguns casos, podem ser necessários exames complementares para excluir outras doenças que produzem sintomas semelhantes. O facto de não existir um marcador específico numa análise não significa que o diagnóstico não seja válido. Significa que é necessária uma avaliação clínica completa e especializada.
3. Mito: a fibromialgia afeta exclusivamente as mulheres
É verdade que a fibromialgia é diagnosticada com maior frequência nas mulheres, mas não é uma doença exclusiva do sexo feminino. Também pode surgir nos homens e em pessoas de diferentes idades. A ideia de que é uma doença “de mulheres” pode contribuir para que alguns doentes de outros grupos não sejam diagnosticados ou cheguem ao diagnóstico mais tarde. Além disso, não existe um único perfil homogéneo de doente com fibromialgia. A intensidade da dor, da fadiga, dos problemas de sono e das dificuldades cognitivas pode variar consideravelmente de pessoa para pessoa, tal como o impacto na atividade profissional, nas relações sociais e na autonomia.
4. Verdade: o exercício adaptado, especialmente o exercício contra resistência, pode fazer parte do tratamento
Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que uma pessoa com fibromialgia deveria evitar a atividade física. No entanto, as recomendações clínicas não apoiam essa ideia. Pelo contrário, o exercício adaptado constitui uma das ferramentas mais importantes do tratamento. E, dentro do exercício, o trabalho contra resistência, ou seja, o exercício de força, tem particular interesse. Os estudos realizados especificamente em pessoas com fibromialgia mostram que este tipo de exercício pode melhorar a capacidade funcional e contribuir para reduzir sintomas como a dor e a fadiga. Isto não significa que caminhar, nadar ou realizar exercício aeróbio não sejam úteis. Também podem trazer benefícios. O importante é que o exercício seja progressivo, adaptado às capacidades de cada pessoa e realizado de forma regular. O trabalho de força pode ser introduzido de forma gradual, respeitando sempre os limites e a situação clínica de cada doente. Por isso, não se trata simplesmente de “fazer exercício”, mas de fazer o exercício adequado e adaptá-lo a cada doente. O treino contra resistência pode ser uma componente particularmente importante desse programa, juntamente com outras modalidades de exercício, quando estejam indicadas.
5. Mito: se a fibromialgia não tem cura, não existe tratamento
Aqui é importante distinguir entre uma doença crónica e uma doença sem tratamento. A fibromialgia é uma doença crónica, ou seja, pode manter-se ao longo do tempo. Tal como acontece com muitas doenças crónicas, atualmente não dispomos de uma cura definitiva, mas isso não significa que não possa ser tratada. O objetivo do tratamento não tem necessariamente de ser “curar” a doença, mas sim controlar os sintomas, melhorar a funcionalidade e alcançar a melhor qualidade de vida possível. Existem diferentes ferramentas terapêuticas e a resposta pode variar de pessoa para pessoa. O tratamento pode incluir educação sobre a doença, exercício adaptado, estratégias para melhorar o sono, apoio psicológico quando indicado, determinados medicamentos e terapêuticas no farmacológicas. Não existe uma única intervenção que funcione da mesma forma para todos os doentes. Por isso, o facto de uma doença ser crónica não significa que não tenha tratamento. Significa que a abordagem deve ser pensada a longo prazo, adaptando-se à evolução da doença e às necessidades de cada pessoa.
6. Verdade: o tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar
A fibromialgia pode afetar diferentes dimensões da vida e apresentar períodos de maior ou menor intensidade. Por isso, o tratamento não deve centrar-se apenas na dor. É necessário ter também em consideração o sono, a fadiga, a atividade física, a saúde emocional, a vida familiar e a capacidade para realizar as atividades profissionais e quotidianas. As recomendações europeias defendem uma abordagem centrada no doente e, de um modo geral, propõem começar por medidas não farmacológicas, ajustando-as de acordo com a evolução clínica. O exercício, as intervenções psicológicas e determinados medicamentos podem fazer parte do tratamento, mas não existe uma combinação universal que funcione para todos. A abordagem multidisciplinar permite avaliar o impacto global da doença e adaptar as diferentes intervenções às características e necessidades de cada doente.
Ígor Lopes
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Relação entre Portugal e Brasil continua a ganhar peso a nível comercial e de investimento
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) divulgou um conjunto de indicadores sobre a relação económica entre Portugal e Brasil, destacando a posição do mercado brasileiro no comércio externo português, a sua importância nas exportações para o Mercosul e o peso do investimento brasileiro em Portugal.
Em 2024, o Brasil foi o 11.º maior destino das exportações portuguesas de bens, representando 1,5% do total das vendas de Portugal ao exterior. No sentido inverso, o país ocupou a 7.ª posição entre os principais fornecedores de bens ao mercado português, assumindo uma posição mais elevada enquanto origem das importações do que enquanto destino das exportações nacionais.
A evolução mais recente mantém também uma trajetória positiva. Entre janeiro e maio de 2026, Portugal exportou para o Brasil quase 460 milhões de euros em mercadorias, valor que corresponde a um crescimento homólogo de 12,5%.
De igual modo, a posição brasileira assume particular expressão no relacionamento comercial de Portugal com o Mercosul. O Brasil concentra mais de 90% das exportações portuguesas destinadas aos países que integram o bloco sul-americano, constituindo o principal mercado português naquele espaço económico.
No âmbito do investimento estrangeiro, os indicadores apresentados pela CCILB mostram igualmente uma presença significativa do capital brasileiro em Portugal. Em junho de 2025, o Brasil representava 4,1% do stock de investimento direto estrangeiro no país, figurando entre as origens exteriores à União Europeia com maior peso.
A dimensão destes fluxos comerciais e financeiros reforça a importância de uma relação empresarial estruturada entre os dois mercados, num contexto em que empresas portuguesas procuram oportunidades de internacionalização e parceiros no Brasil, enquanto investidores e empresas brasileiras encontram em Portugal uma plataforma de entrada no mercado europeu.
É neste espaço de ligação que se posiciona a CCILB, presidida por Otacílio Soares, através de uma rede de contactos empresariais, profissionais e institucionais com o objetivo de facilitar a criação de relações de cooperação e identificar novas oportunidades entre Portugal e Brasil.
Neste sentido, para as empresas interessadas em desenvolver negócios nos dois mercados, a integração numa rede bilateral pode permitir o contacto com outros agentes económicos e institucionais, bem como o acompanhamento de iniciativas destinadas a reforçar a cooperação luso-brasileira.
Ígor Lopes
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