Atualidade
“Sun Care Box” reforça presença em pontos turísticos após passagem pelo programa de aceleração Push4Tourism
Com as suas vending machines para acesso fácil a protetores solares
O conceito de máquinas automáticas para venda de produtos de proteção solar foi lançado no verão de 2021 e esse test run teve resultados tão positivos que a Sun Care Box acabou selecionada pelo programa de aceleração Push4Tourism como um dos projetos de inovação setorial apoiado pelo Turismo de Portugal. Com uma estética a lembrar a das cabines telefónicas britânicas, as vending machines patenteadas pelo jovem empresário Luís Teles começaram por conquistar a marca NÍVEA e, agora, estão a convencer hotéis e outros espaços turísticos das zonas mais quentes do país.
Quando a multinacional BEIERSDORF, detentora da icónica marca NÍVEA, se associou ao projeto do português Luís Teles, explicou logo as razões que a convenceram: “A Sun Care Box é uma ideia inovadora pela sua simplicidade, mas também corajosa pela sua abordagem diferente a um produto tradicional”, defendia, então, Gonçalo Sousa Tavares, Country Commercial Manager da marca em Portugal. Um ano depois, o mesmo diretor comercial reforça essa opinião e mantém que as máquinas automáticas para acesso mais fácil e cómodo a protetores solares são uma estratégia decisiva para incentivar comportamentos mais responsáveis nos consumidores que, frequentando zonas balneares e outros pontos geográficos sujeitos a intensa exposição solar, tantas vezes negligenciam a devida proteção por não encontrarem produtos de marcas fidedignas em locais próximos ou só os descobrirem a preços significativamente inflacionados.
“Foi para acabar com isso que criei a Sun Care Box”, recorda Luís Teles, criador e gestor desse conceito de venda automática. “Eu próprio já fiz viagens em que me esqueci de comprar protetor e, depois, com a ânsia de saborear as férias o mais possível, fui direto do aeroporto para o hotel, não vi nenhum local onde pudesse comprar uma marca credível e acabei com um escaldão enorme – que é um risco tremendo em termos oncológicos”.

Definida, assim, a ideia de negócio, a Sun Care Box passou, depois, por um processo de adaptação técnica que, hoje, assegura a cada uma das suas vending machines vários requisitos exigentes: refrigeração interna para garantia da qualidade do produto, capacidade para disponibilizar 250 artigos de várias referências em cada máquina, funcionamento apenas com cartão bancário para maior segurança sanitária, gestão telemétrica para controlo remoto de stocks e baixo consumo energético para sustentabilidade económica e ambiental.
Esse último critério foi, aliás, um dos que convenceu o júri do programa de aceleração Push4Tourism, ao qual o Turismo de Portugal I.P. se associou como sponsor para impulsionar negócios com particular potencial turístico, apoiando-os com a partilha de contactos e boas práticas nesse ecossistema, proporcionando-lhes mentorização individual e patrocinando outras medidas com vista à sua plena capacitação empresarial.
O mérito do projeto de Luís Teles não se fica, contudo, pela sua componente sustentável, como realça Sérgio Póvoas, coordenador nacional do Push4Tourism, ao reconhecer-lhe também inovação, impacto e potencial de escala. “A Sun Care Box procura responder a uma necessidade clara do mercado, tendo características que a tornam facilmente escalável”, defende esse responsável. “O perfil do empreendedor e a capacidade demonstrada até ao momento, já com alguns clientes a testar o conceito, fizeram-nos acreditar que este projeto tem tudo para beneficiar dos conteúdos e do networking do nosso programa, e que daqui irá resultar uma mais-valia significativa em termos de entrada e penetração no mercado”.
Uma cabine amarela no meio do Alentejo
O primeiro test run da Sun Care Box foi na unidade de 4 estrelas que a cadeia Be Live Hotels gere em Armação de Pera, no Algarve, e o que então começou como uma experiência-piloto passou, este ano, a ter caráter efetivo. João Henrique, chefe de receção do Be Live Palmeiras, explica porquê: “As famílias sentem-se mais seguras e protegidas ao adquirir produtos solares na comodidade das nossas instalações e os clientes adoram o conceito da cabine telefónica”.
Esses foram os mesmos motivos pelos quais, este ano, também se associaram ao conceito patenteado por Luís Teles duas outras referências do turismo nacional: a unidade de Évora da cadeia hoteleira Vila Galé e o parque temático algarvio Sand City, apontado pela respetiva direção como o maior festival de esculturas de areia a nível mundial.
Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do Grupo Vila Galé, reconhece que a Sun Care Box se enquadra na estratégia de inovação desse grupo de hotéis, que tem vindo a estabelecer parcerias com diferentes startups “para testar novos conceitos e ideias“. A instalação da respetiva vending machine a quase 150 quilómetros do ponto da orla costeira mais próximo, cumpre, também, uma missão que Luís Teles define como pedagógica: lembra o consumidor que, dadas as atuais características da radiação solar, “não é apenas na praia que se deve aplicar protetor”.
João Correia, diretor de marketing do Sand City, também percebeu, rapidamente, o potencial das máquinas automáticas patenteadas por Luís Teles. “Quando nos foi apresentado o projeto, ficámos curiosos e, após uma breve introdução, percebemos o seu potencial. O Sand City situa-se numa região com mais de 300 dias de sol por ano, o que nos convida a desfrutar da natureza e outros espaços abertos, e convida à diversão. Mas, por vezes, esquecemo-nos de nos preparar para estes momentos ao ar livre e a Sun Care Box vem colmatar essa lacuna, facilitando a utilização de proteção solar de uma forma divertida, rápida e conveniente”.
Para o criador da Sun Care Box, essa recetividade demonstra que a implementação das máquinas tem sido boa e “não desilude, nem investidores, nem clientes”, refletindo “resultados promissores que só não são mais evidentes porque o investimento para a instalação é relativamente elevado”. Luís Teles admite que o esforço é considerável numa altura em que hotéis, bares de praia, parques temáticos e festivais ainda procuram recuperar das perdas associadas a dois anos de pesadas restrições provocadas pela pandemia, mas declara: “Mais do que um mecanismo de vendas e negócio, uma Sun Care Box é também uma expressão de responsabilidade social por parte dos agentes económicos preocupados com a saúde e o bem-estar dos seus clientes”.
Fotos: DR.
Atualidade
FUNCEX assina aliança com a “JX” para “ampliar IA regulatória”
A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, FUNCEX, e a JX IA Regulatória, plataforma de inteligência regulatória que consolida fontes normativas primárias, como leis, regulações, decisões, processos e atos normativos das agências reguladoras brasileiras, firmaram uma aliança estratégica para ampliar o uso da inteligência artificial aplicada à área regulatória no Brasil. A iniciativa é voltada para reduzir riscos, organizar informações normativas e apoiar decisões empresariais em setores relevantes da economia.
Segundo fontes, a parceria coloca a FUNCEX no centro de uma agenda ligada à modernização do ambiente de negócios brasileiro. Criada em 1976, a Fundação acumula uma trajetória ligada ao comércio exterior, às relações internacionais, à inteligência econômica e à formulação de estudos e propostas para o fortalecimento da competitividade do Brasil. Com essa nova frente, a instituição amplia sua atuação ao aproximar conhecimento técnico, inovação e regulação.
“A aliança procura responder a um dos principais entraves enfrentados por empresas e investidores no país: a complexidade das informações produzidas pelas agências reguladoras”, afirmou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da FUNCEX.
De acordo com a Associação Brasileira de Agências Reguladoras, ABAR, cerca de 70% do PIB brasileiro passa, direta ou indiretamente, pela fiscalização desses órgãos, o que reforça a importância de instrumentos capazes de tornar normas, decisões e processos mais acessíveis.
Conforme apuração, a JX desenvolveu uma plataforma que organiza e analisa normas, regulamentos, decisões e processos das agências reguladoras, transformando dados dispersos em informação estratégica. A FUNCEX, por sua vez, pretende agregar a esse processo sua experiência institucional e técnica, contribuindo para que a inteligência regulatória seja aplicada de forma alinhada às necessidades do comércio exterior, dos investimentos e da economia produtiva.
A iniciativa, cujo “head” da operação pelo lado da Funcex é Mauro Souza, visa “contribuir para ampliar a previsibilidade regulatória e apoiar setores como infraestrutura, energia, logística, mineração, saneamento e telecomunicações”.
Ao aproximar inteligência artificial, regulação e análise econômica, a FUNCEX poderá reforçar sua posição como instituição de referência no debate sobre competitividade, ambiente de negócios e integração do Brasil às cadeias internacionais de valor.
“Num país ainda marcado pelo chamado Custo Brasil, a capacidade de transformar complexidade em clareza pode ser determinante para atrair capital, estimular investimentos, gerar empregos e fortalecer a competitividade nacional. A aliança entre FUNCEX e JX surge, assim, como uma resposta prática a um desafio estrutural da economia brasileira”, defendeu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.
Atualidade
Reino Unido: Abertas inscrições para o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”
O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou oficialmente, dia 5 de maio, no âmbito das comemorações pelo Dia Mundial da Língua Portuguesa, o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia. As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026.
De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.
Regras das candidaturas
A iniciativa, que conta com inscrições gratuitas, contempla duas categorias: Prosa e Poesia, e destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.
As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem tampouco terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.
Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.
“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.
Segundo apurámos, a primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal “As Notícias”, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.
“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais “Agência Incomparáveis”, “RádioTV Lusa”, “Bom Dia”, “Gazeta Lusófona” e “LusoJornal”, além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).
Como participar?
As candidaturas devem ser feitas on-line em: https://premio-literatura.com/candidaturas
O regulamento pode ser consultado em: https://premio-literatura.com/regulamento
Saiba mais sobre o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” em: https://premio-literatura.com/
Dúvidas podem ser enviada para o e-mail: joaonoronha@asnoticias.co.uk ou joaomarianoronha@yahoo.com
Ígor Lopes
Atualidade
“EurAfrican Forum 2026”: Portugal e Moçambique defendem nova etapa de cooperação centrada no “investimento, estabilidade e desenvolvimento sustentável”
Os presidentes da República Portuguesa, António José Seguro, e da República de Moçambique, Daniel Chapo, defenderam uma nova fase das relações entre os dois países, assente no investimento, na estabilidade institucional, na cooperação económica e na valorização do espaço lusófono.
A conversa decorreu no âmbito da nona edição do “EurAfrican Forum”, encontro realizado dia 16 de julho na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, e promovido pelo Conselho da Diáspora Portuguesa sob o tema “Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation”, reunindo responsáveis políticos, empresários, académicos e representantes institucionais para debater o futuro das relações entre África e Europa.
Moderado pela jornalista Cristina Esteves, da RTP, o painel “Conversa entre Presidentes” colocou em destaque o papel estratégico de Portugal e de Moçambique no atual contexto internacional e a importância de aprofundar a cooperação entre os dois países.
Ao abordar a evolução das relações bilaterais, Daniel Chapo destacou que Moçambique atravessa atualmente uma fase de maior estabilidade política, económica e social, resultado do diálogo nacional promovido após o período de instabilidade que se seguiu às eleições.
Segundo o chefe de Estado moçambicano, esse ambiente constitui um fator essencial para reforçar a confiança dos investidores e criar condições favoráveis ao desenvolvimento económico.
“Nós estamos neste momento a levar a cabo o diálogo nacional inclusivo, em que participam todos os partidos políticos, a sociedade civil, as ONGs e todos os grupos sociais em todo o país para encontrarmos os caminhos que possam permitir, mesmo que haja necessidade de fazer alguma alteração em termos legislativos, fazê-lo, porque o mais importante é que haja estabilidade política, económica, paz e democracia”, começou por referir.
O presidente moçambicano aproveitou também para agradecer o apoio prestado por Portugal na resposta aos desafios de segurança em Cabo Delgado, reconhecendo o papel desempenhado pelo Estado português junto da União Europeia.
“Portugal tem tido um papel extremamente importante ao nível da União Europeia. Gostaria de aproveitar esta ocasião para agradecer ao povo português, ao Governo português e ao presidente da República por esse apoio que tem sido dado”, declarou.
De igual modo, Daniel Chapo sublinhou que o país reúne atualmente condições para atrair mais investimento internacional, defendendo uma estratégia económica baseada na diversificação e na valorização de setores como energia, agricultura, turismo, logística, indústria e economia azul.
“Queremos mais investimentos em Moçambique. Queremos também que haja mais empresários portugueses em Moçambique e mais empresários moçambicanos em Portugal. Há uma feliz coincidência entre os novos ciclos de governação em Moçambique e em Portugal, e esta amizade e cooperação vão permitir solidificar não só as relações diplomáticas e políticas, mas sobretudo a parte económica”, frisou.
O chefe de Estado moçambicano considerou ainda que o desenvolvimento sustentável dependerá da aposta na formação e na inovação, defendendo que o investimento nas pessoas constitui o principal motor do crescimento.
“Não há desenvolvimento, em qualquer parte do mundo, sem capital humano. Daí que esta aposta na formação das pessoas, na formação da juventude, na ciência, na tecnologia e no conhecimento seja estratégica”, finalizou.
Na resposta, António José Seguro reafirmou a disponibilidade permanente de Portugal para aprofundar a cooperação bilateral, defendendo uma relação baseada no respeito entre dois Estados soberanos e na construção de confiança.
“O presidente Daniel Chapo sabe verdadeiramente que pode sempre contar com Portugal no apoio que for necessário, designadamente na necessidade de se manterem as condições de segurança em Cabo Delgado, sempre no respeito pela soberania do Estado moçambicano”, salientou.
O presidente da República Portuguesa destacou também que a estabilidade política constitui um elemento determinante para atrair investimento privado e consolidar o crescimento económico.
“Estamos num momento excelente das relações entre Portugal e Moçambique. Isso gera confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante para os empresários e para os investidores”, sustentou.
Ao abordar o futuro da cooperação, António José Seguro defendeu um reforço das ligações ao nível do ensino superior, da investigação científica, da inovação tecnológica e da formação especializada, considerando que Portugal dispõe de condições para aprofundar essa colaboração.
“Nós temos centros de investigação fabulosos, universidades de excelência e áreas de formação do melhor que se faz no mundo. Temos de passar para esta partilha de conhecimento, porque isso produz muito mais do que a simples troca comercial”, concluiu.
Os dois chefes de Estado convergiram na necessidade de reforçar a cooperação face aos desafios colocados pelas alterações climáticas, pelas infraestruturas resilientes e pela transição energética, considerando que estas áreas deverão assumir um lugar central na agenda comum entre Portugal e Moçambique.
Daniel Chapo reiterou que a resposta a estes desafios exige uma visão estratégica de longo prazo, sustentando que o país moçambicano deve “integrar os desafios das mudanças climáticas nos nossos projetos, nas nossas relações de amizade e cooperação e, sobretudo, nessa visão estratégica que nós temos para os próximos anos”, acrescentando que é necessário “construir infraestruturas resilientes aos desastres naturais” e reforçar o ordenamento do território para reduzir o impacto das cheias e inundações.
Nessa mesma linha, António José Seguro vincou que a cooperação nesta matéria deve assentar no conhecimento científico e na prevenção, salientando que “há hoje modelos que nos permitem, de alguma forma, diminuir as consequências devastadoras dessas severidades atmosféricas” e garantindo que “Portugal estará sempre disponível para cooperar com o Governo de Moçambique no que diz respeito às prevenções ou diminuição das consequências das catástrofes”.
Funcex defende maior protagonismo económico da CPLP
Convidada para estar presente no “EurAfrican Forum 2026”, a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil, e atuação em Portugal através da Funcex Europa, acompanhou os debates e considerou que a principal mensagem transmitida pelos dois chefes de Estado reforçou a necessidade de “transformar as relações políticas em cooperação económica efetiva entre os países lusófonos”.

O presidente da instituição, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, destacou que Moçambique representa atualmente uma oportunidade estratégica não apenas pelo potencial do gás natural, mas também pelos fertilizantes e por outros setores com capacidade de atrair investimento.
“Eu destaco Moçambique, além do gás, nos fertilizantes. A Vale, mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país, teve uma presença muito significativa em Moçambique e isso remete para a importância estratégica que o país continua a ter”, explicou.
Na perspetiva deste responsável, o “EurAfrican Forum” demonstra que continua a prevalecer uma lógica predominantemente bilateral nas relações entre Portugal e os países africanos de língua portuguesa.
“Percebe-se que os eventos se dão muito nesta lógica bilateral. É Portugal com Angola, é Portugal com Moçambique. Hoje temos há 30 anos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que deveria liderar, sem abandonar o bilateralismo, um verdadeiro multilateralismo da comunidade”, preconizou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, que considerou que a CPLP continua a surgir como consequência das relações entre os Estados, quando deveria assumir um papel estruturante na cooperação económica.
“A comunidade dos países de língua portuguesa era uma ótima consequência, mas não uma verdadeira causa, que deveria ser. A parte económica deveria ser destacada como um todo”, disse.
O presidente da Funcex defendeu ainda que Portugal deve continuar a afirmar-se como plataforma privilegiada de ligação entre a Europa, África e os restantes continentes, valorizando simultaneamente o crescente interesse internacional pela CPLP.
“Hoje já são 29 países observadores da CPLP. Se 29 países se interessam pela CPLP, ela deve ter alguma coisa de interessante. Ninguém observa sem interesse”, argumentou, sustentando que a organização dos países lusófonos necessita de “reforçar o seu posicionamento económico internacional”.
“Ela nasce muito bem pela integração através da língua e da cultura, mas durante muito tempo descartou o segmento económico. A CPLP precisa de se posicionar como um organismo de peso e de representação efetiva, porque essa dimensão económica será decisiva para o futuro da comunidade”, finalizou.
Ígor Lopes
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