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Lagos revive a chegada do comboio a Lagos há 100 anos

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Foram dois dias repletos de atividades que permitiram recordar a história da chegada do comboio a Lagos, a 30 de julho de 1922, há precisamente 100 anos. Da efeméride, assinalada nos dias 29 e 30 de julho, irão perdurar a imagem da nova peça de arte pública que ornamenta agora a rotunda localizada entre a antiga e a nova Estação Ferroviária de Lagos, a formalização do primeiro passo para a requalificação e abertura ao público do Núcleo Museológico de Lagos do Museu Nacional Ferroviário, assim como a exposição “Lagos, a última paragem” que ficará patente para visita, no Centro Cultural de Lagos, até ao final do ano e, ainda, as várias peças comemorativas e documentos informativos produzidos a este pretexto.

O município, com o apoio da Infraestruturas de Portugal e da CP, promoveu este sábado, dia 30 de julho, uma viagem simbólica e evocativa da chegada do comboio a Lagos, recriando o momento vivido, pela primeira vez, há cem anos atrás. Embora sem a comoção comparável à que foi sentida pelos lacobrigenses no dia 30 de julho de 1922, a iniciativa teve a presença de entidades locais, regionais e visitantes convidadas, contando com a participação do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere e da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1º de Maio, que animaram a viagem e a chegada à Estação.

A manhã ficaria, ainda, marcada pela inauguração da peça de arte pública comemorativa, da autoria de João Duarte, instalada na rotunda viária a meio caminho entre a antiga e a nova Estação Ferroviária de Lagos, uma localização que, segundo o autor, inspirou o próprio processo criativo desta obra.

Outro dos momentos altos das comemorações consistiu na assinatura do Protocolo de Gestão Partilhada do Núcleo Museológico de Lagos do Museu Nacional Ferroviário. A parceria, firmada no Centro Cultural de Lagos, tem como grande objetivo devolver à comunidade o acesso à história e a um espaço e património há muito desejado. Manuel Cabral, presidente da Fundação, contextualizou a iniciativa no pacote de investimentos de cerca de 5 milhões de euros que irá ser feito nos vários núcleos do Museu Nacional Ferroviário, os quais terão um discurso conjunto, coerente e deverão funcionar em articulação, com o devido enquadramento sociológico local, mas sem perder o discurso ferroviário. Manifestando satisfação com o passo dado, Hugo Pereira reiterou o interesse e compromisso do município em aceitar a transferência da gestão do Núcleo Museológico de Lagos, que se encontra integrado no Domínio Público Ferroviário, sob administração da Fundação, assim como a responsabilidade de proceder à requalificação da antiga cocheira e do espaço envolvente, zelar pela manutenção do edificado, dotar o equipamento de recursos humanos para o funcionamento do Núcleo e proceder à respetiva abertura ao público. O ensaio desta parceria aconteceu no âmbito das comemorações, em que as partes se juntaram para idealizar e produzir a exposição “LAGOS, a última paragem”, inaugurada na mesma data e que ficará patente ao público até 30 de dezembro. O discurso expositivo é da autoria da Fundação, que também cedeu os bens patrimoniais integrados na mostra, tendo a produção ficado a cargo da Câmara Municipal de Lagos.

Em cerimónia contínua, realizou-se, no mesmo local, a apresentação da medalha comemorativa, da autoria de João Duarte, que, defendendo a medalhística como uma arte nobre da escultura, revelou, em primeira mão, ter sido esta peça a escolhida para representar Portugal no XXXVII da FIDEM, a realizar em 2023 em Florença (Itália). João Duarte evidenciou, ainda, o lugar de destaque que os portugueses ocupam no setor da criação de medalhas e moedas, cujo palmarés conta já com a conquista de dois prémios internacionais, considerados os prémios Nobel da medalhística, um deles atribuído a trabalho da sua autoria.

Não menos proeminente é o currículo dos CTT em matéria de emissões filatélicas. Isabel Fonseca, que participou na cerimónia em representação do departamento de Filatelia da referida empresa, para dar a conhecer as edições comemorativas (de selo e Inteiro Postal) alusivas ao Centenário da Chegada do Comboio a Lagos, presenteou o público com um breve historial sobre o surgimento e a evolução do selo, salientando, igualmente, os prémios conquistados pelos CTT, assim como o facto do artista do selo mais premiado internacionalmente ser um português. No cerimonial de colocação do selo de primeiro dia de circulação destas peças filatélicas, Isabel Fonseca convocou as entidades organizadoras das comemorações e outras entidades presentes, entre as quais a Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras (município geminado com Lagos) e a Vice-Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, onde está sediado o Museu Nacional Ferroviário.

Nesta ocasião foi, ainda, publicada, pelo município, uma revista comemorativa alusiva à efeméride que estará, em breve, disponível nos principais balcões de atendimento ao público dos serviços e dos equipamentos culturais municipais.

A exposição “LAGOS, A ÚLTIMA PARAGEM” fica patente no Centro Cultural até ao final do ano, o mesmo acontecendo com a exposição de arte urbana/fotografia intitulada “Trechos – 100 anos sobre a chegada do comboio a Lagos”, produzida pela Questão Repetida – Associação Cultural, a qual poderá ser apreciada no Parque do Anel Verde e nos edifícios de apoio da Docapesca.

As celebrações surgiram da iniciativa da Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da Chegada do Comboio a Lagos que integrou a Assembleia, a Câmara Municipal de Lagos e as Juntas de Freguesia do concelho.

Foto: CML.

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Equipa da Universidade de Coimbra cria programa de intervenção psicológica para apoiar mulheres na menopausa

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Com o objetivo de responder aos desafios físicos e emocionais que acompanham a transição para a menopausa, uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu e está a testar um programa de intervenção psicológica para ajudar as mulheres nesta fase das suas vidas.

Denominado Cuidar-ME – Autocuidado durante a Menopausa: uma intervenção psicológica para promover a saúde mental e a qualidade de vida das mulheres durante a (peri)menopausa, este programa digital, acessível através do computador ou do telemóvel, oferece estratégias práticas e informações baseadas em evidência científica para promover o autocuidado, o bem-estar e a qualidade de vida durante a perimenopausa e a menopausa.

“A transição para a menopausa é uma fase com muitas mudanças físicas e psicológicas que podem ter impacto não só na mulher e no seu bem-estar, mas também nas suas relações em diversos contextos, como o pessoal e o profissional”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Fonseca. “Muitas vezes, a mulher vive esta fase sozinha, sem partilhar o que sente ou mesmo sem perceber bem o que se está a passar consigo porque, infelizmente, este tema ainda é tratado como um tabu”, elucida a coordenadora do projeto, salientando ainda que “é muito importante que exista investigação dirigida a esta fase do ciclo de vida”.

A menopausa e a perimenopausa são fases naturais de transição biológica e emocional profundas, constituindo um marco desenvolvimental significativo durante a idade adulta. Este período de transição está frequentemente associado a sintomas como oscilações de humor, ansiedade, alterações de sono e perturbações na qualidade de vida global. Apesar do seu impacto na vida das mulheres, o apoio psicológico é ainda escasso e de difícil acesso para a maioria das mulheres.

Para colmatar esta lacuna, o programa Cuidar-ME apresenta uma solução digital e acessível que orienta as utilizadoras em estratégias de autocuidado e regulação emocional, promovendo competências práticas para gerir alguns dos sintomas da menopausa. “O Cuidar-ME procura ajudar as mulheres a compreender as mudanças que possam estar a sentir durante a transição ou após a menopausa e ajudá-las a encontrar estratégias úteis para promover o seu bem-estar e a sua saúde mental”, avança Ana Fonseca. “Queremos capacitar as mulheres com ferramentas práticas e validadas cientificamente, permitindo que vivam esta etapa de transição com maior bem-estar, autonomia e qualidade de vida”, sublinha a investigadora.

Neste momento, a equipa de investigação está a realizar um estudo para avaliar a eficácia e aceitabilidade desta intervenção. “Procuramos compreender a experiência das utilizadoras do programa e avaliar se, depois da participação, existem melhorias no seu bem-estar e saúde mental”, explica a docente.

O estudo é dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos de idade que se encontrem em perimenopausa ou pós-menopausa e que vivam em Portugal. É necessário que tenham acesso a um dispositivo (telemóvel ou computador) com acesso à internet para utilizar o programa. As mulheres interessadas em participar neste estudo podem inscrever-se através deste link: https://ls.fpce.uc.pt/limesurvey/index.php?r=survey/index&sid=323285.

O programa Cuidar-ME é composto por oito módulos, com informações, exercícios e estratégias para, por exemplo, gestão de ansiedade, regulação do humor e aceitação. Os módulos podem ser realizados ao ritmo de cada participante.

Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Mais informações sobre o Cuidar-ME estão disponíveis em www.uc.pt/cuidar-me/.

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“Aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal”

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, procurou aproximar “património, criatividade, conhecimento e cooperação entre territórios”. Promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, num momento em que Castelo Branco procura desenvolver o trabalho associado à sua integração na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, fez, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, um balanço positivo dos dois dias de programação, destacando a adesão do público, a qualidade das intervenções e o interesse demonstrado pelas diferentes atividades.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas, as experiências foram ótimas. Sinto também, da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, que houve muito gosto em estar presente”, avaliou.

Esta responsável apontou como exemplo dessa participação a visita realizada ao MUTEX – Museu dos Têxteis, após um primeiro dia de programa.

“Saímos daqui já com um horário bem esticado e, ainda assim, as pessoas acompanharam-nos. Tínhamos mais de 30 pessoas na visita e isso é a prova de que as pessoas estavam muito envolvidas com estas temáticas”, salientou.

O programa da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reuniu especialistas, investigadores, responsáveis públicos e agentes culturais, com debates sobre identidade local, economia criativa, património, Bordado de Castelo Branco, empreendedorismo e internacionalização. Entre os participantes esteve Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que integrou a mesa-redonda dedicada à relação entre identidade local e instrumentos públicos de valorização do património.

Para Sónia Abreu, uma das mensagens que marcou os trabalhos foi precisamente a necessidade de colocar o artesanato no mesmo espaço de reconhecimento das restantes expressões artísticas.

“Aquilo que eu mais gostei de ouvir foi esta explicação de alguém como o doutor Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que nos diz que o artesanato é arte, é uma arte maior e merece o mesmo prestígio que todas as outras categorias de arte”, observou.

A discussão em torno do Bordado de Castelo Branco ocupou igualmente uma parte do encontro, sobretudo na relação entre tradição, contemporaneidade e viabilidade económica. Sónia Abreu destacou a participação de responsáveis e especialistas de diferentes instituições e áreas, que procuraram responder ao desafio de preservar a identidade do bordado sem impedir a sua evolução.

“Este tema gera sempre discussão. Como é que nós agarramos no Bordado de Castelo Branco e o tornamos vendável, comerciável? Como é que nós o tornamos mais contemporâneo? E qual é o limite? Até onde podemos ir?”, questionou. Da reflexão resultou, segundo ela, uma aproximação entre diferentes perspetivas sobre o futuro do património.

“Foi um diálogo muito produtivo. As discussões são sempre boas e acho que foi um momento de muita aprendizagem e de percebermos que podemos dar este salto”, considerou.

Outro dos objetivos esteve relacionado com a aproximação entre a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” e a própria comunidade. A cidade integra a “Rede de Cidades Criativas” desde outubro de 2023, distinção atribuída na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. A autarquia enquadrou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente nessa estratégia de valorização dos saberes tradicionais, das indústrias criativas e da cooperação.

Para Sónia Abreu, este processo depende da capacidade de transmitir às novas gerações que o património pode ter continuidade e dimensão económica.

“O artesanato tem tudo para seguir em frente. Nós só temos de arranjar forma de cativar as gerações mais novas para conseguirmos, de facto, continuar, porque eles é que são o futuro”, defendeu. Essa participação, acrescentou, deve ultrapassar a esfera institucional.

“A chancela UNESCO só funciona se for da comunidade. Não é do município, é da cidade. Nós temos que envolver as pessoas e, de alguma forma, despertar o interesse dos jovens para estes trabalhos, para estes labores, mas, para isso, eles têm de conseguir fazer vida destas artes”, explicou.

A chefe da Divisão de Museus e Cultura considera agora prioritário aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal e utilizar o encontro como “instrumento de valorização do Bordado de Castelo Branco”.

“Aquilo que eu gostaria de fazer era continuar a investir neste projeto, de forma a que alcance cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional. Conseguir dar esta alavanca ao Bordado de Castelo Branco é muito importante. É o nosso solo. A nossa cidade criativa tem este solo, é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, projetou.

A programação permitiu também aproximar Castelo Branco de outras cidades portuguesas que integram a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, entre as quais Barcelos, Caldas da Rainha, Amarante, Idanha-a-Nova, Leiria, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira e Matosinhos. O programa oficial reservou o segundo dia para a apresentação de práticas, projetos e experiências desenvolvidas por vários destes territórios. Sónia Abreu considera que o contacto direto pode agora transformar-se em projetos conjuntos.

“Esta partilha que está a acontecer com os pontos focais das outras cidades criativas de Portugal deixa-nos muitas ideias. Depois é estreitar pontos, pensar em novos projetos que nos possam envolver, não só com as cidades criativas, mas com todas estas cidades e municípios que participaram nesta exposição e que têm também um aporte muito importante a trazer a este projeto”, perspetivou.

Um dos resultados surgiu através da exposição “O Mundo Bordado à Mão”, concebida para “reunir peças provenientes de diferentes territórios”. A mostra foi integrada no programa oficial da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” e contou com contributos de municípios portugueses e representações do Brasil, de Cabo Verde e dos Açores. Segundo Sónia Abreu, a adesão superou as expectativas iniciais.

“Endereçámos um convite aos municípios e foi incrível aquilo que aconteceu a seguir. As pessoas, de forma completamente genuína e espontânea, começaram a responder-nos e a perguntar como faziam chegar aqui as peças. Umas vieram por correio, outras vieram trazer”, recordou.

A quantidade de trabalhos recebidos permitiu ainda reorganizar a exposição, dando maior dimensão à diversidade geográfica.

“Eu achava que ia ter aqui peças do Brasil, que já tínhamos confirmado desde o início, também de Cabo Verde, e que depois teria de puxar pelo Bordado de Castelo Branco para compor a sala. Afinal, não foi preciso. Conseguimos pôr este primeiro espaço só com aquilo que nos foi chegando dos outros municípios, do Brasil e de Cabo Verde”, revelou.

Dos contactos efetuados antes e durante o encontro resultaram já manifestações de interesse na circulação da mostra.

“Já tive contactos de municípios que não estão aqui representados e que gostavam de receber a exposição. Já tive contactos destes municípios a dizer: como é que nós agora agarramos nisto e levamos também para nós? Vamos fazer isto rodar”, adiantou.

Entre as participações que surpreenderam a organização esteve a do município da Madalena, na ilha do Pico, Açores. A autarquia açoriana enviou peças e esteve representada durante os dois dias pela presidente da Câmara Municipal. Para Sónia Abreu, a resposta abriu uma possibilidade de continuidade.

“A disponibilidade foi imediata. Disponibilizaram-se para mandar as peças e, melhor do que isso, a senhora presidente da Câmara Municipal esteve presente nos dois dias da Bienal. Há aqui um envolvimento muito interessante que nós não esperávamos”, assinalou.

Esta profissional considera que a projeção institucional de Castelo Branco poderá também “servir para dar visibilidade a artesãos e territórios que ainda não dispõem do mesmo reconhecimento internacional”.

“Aquilo que nós podemos fazer é disponibilizarmo-nos para fazer parcerias, para os fazer aparecer sempre que estivermos em algum lado e eles nos queiram acompanhar. Isto passa por uma questão de divulgação deste artesanato e da projeção de que estas artesãs precisam. Precisam que se comece a falar delas, que sejam reconhecidas e que o trabalho delas seja valorizado”, sustentou.

Sobre a relação criada com o município da Madalena, Sónia Abreu deixou ainda uma expectativa de continuidade para além da primeira edição.

“Quero acreditar que isto que aconteceu em relação à Madalena é só o início de uma linda história de cooperação institucional”, anteviu.

A presença de Portugal, Brasil e Cabo Verde introduziu ainda no encontro uma dimensão lusófona, assente não apenas na circulação de técnicas e formas de expressão, mas numa língua comum que facilita os contactos entre instituições e criadores.

“É muito bom este relacionamento com estes países irmãos. A língua que nos une é, de facto, aquilo que facilita todo este trabalho e esta comunicação”, sublinhou.

A atuação da Divisão de Museus e Cultura, acrescentou Sónia Abreu, não se limita às artes e ofícios. A estrutura municipal mantém igualmente ações ligadas à literatura, edição, investigação e outras formas de produção cultural.

“Para além do artesanato, temos também esta preocupação com as outras artes, a literatura, a escrita, as performances. Tudo o que envolva outras formas de cultura estará sempre na nossa mira para apoio”, garantiu.

A génese da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” resultou precisamente da intenção de dar maior significado local à classificação atribuída pela UNESCO e explicar à população o que representa pertencer à “Rede de Cidades Criativas”, segundo os seus organizadores.

De acordo com Sónia Abreu, a programação foi construída a partir dessa necessidade de transformar uma chancela internacional num instrumento compreendido e partilhado pela cidade.

“As pessoas na comunidade não sabem, não entendem o que é isto de ser uma “Cidade Criativa da UNESCO”. O foco tinha que ser este. Temos que levar às pessoas a mensagem de uma forma muito clara. O que é ser uma cidade criativa? O que é que isto nos beneficia? O que podemos fazer com isto? A nível do futuro, como podemos projetar a nossa cidade?”, sintetizou.

No final dos dois dias, a responsável destacou ainda o trabalho coletivo que sustentou a organização e que, segundo explicou, esteve na origem da emoção demonstrada durante a sua intervenção pública no encerramento.

“Houve um trabalho enorme, uma equipa incrível que me acompanhou sempre. Eu tenho muita sorte com a equipa que tenho na minha divisão. Sentir que as pessoas estão comigo é muito bom”, concluiu.

Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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Autarca de Castelo Branco classificou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” como “instrumento de valorização do património e da economia” do município e da região

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” colocou Castelo Branco no centro de uma reflexão sobre património, artesanato, economia e cooperação entre territórios. Realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, promovido no concelho entre 3 e 6 de setembro. A realização do encontro esteve também associada à condição de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, estatuto atribuído em 2023.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, defendeu que a participação na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” ultrapassa a dimensão cultural e deve ser entendida também pelo seu potencial para gerar “atividade económica, oportunidades para os artesãos e projeção internacional do território”.

“As “Cidades Criativas da UNESCO” são uma rede mundial, onde felizmente Castelo Branco está incluído através do artesanato e das artes populares, e tivemos como elemento central na nossa candidatura o Bordado de Castelo Branco”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que reforçou que a dimensão internacional da rede permite criar escala para os produtos e saberes locais.

“Cria oportunidades, cria valor àquilo que é o Bordado e àquilo que é o artesanato local e, portanto, abre uma janela de oportunidade não apenas para o território no qual estamos inseridos, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, disse.

O autarca salientou que a presença de Castelo Branco nesta estrutura internacional implica também compromissos na preservação e transmissão dos saberes. Segundo explicou, o município tem procurado promover o artesanato local, ao mesmo tempo que estabelece contactos com outras cidades que integram a rede da UNESCO.

“Vamos integrando também o conhecimento, a forma de fazer e a forma de estar das outras Cidades Criativas da UNESCO”, referiu.

É neste contexto que Leopoldo Rodrigues enquadra a realização da Bienal Internacional de Artes e Ofícios.

“A Bienal que agora começa é um momento muito importante porque traz outras cidades, traz outros artesanatos e traz também a reflexão que, do nosso ponto de vista, é fundamental sobre este desenvolvimento económico que também é proporcionado pelo artesanato e através das cidades criativas”, sublinhou. A iniciativa, acrescentou, “permite simultaneamente mostrar a produção de Castelo Branco e conhecer métodos, experiências e práticas de outros territórios”.

“Esta Bienal tem para nós um significado muito profundo. Em primeiro lugar, porque se realiza em Castelo Branco. Em segundo lugar, porque é também uma oportunidade para mostrarmos aquilo que é o nosso artesanato nas suas diferentes dimensões. E, por último, porque nos permite acolher outras cidades, outros artesãos e outras artesãs e incorporar o seu conhecimento e também a sua forma de fazer”, atestou à Agência Incomparáveis.

O presidente da Câmara Municipal relacionou ainda a chancela da UNESCO com uma maior responsabilidade dos profissionais ligados ao artesanato. O município tem procurado avançar com processos de certificação através do CEARTE e reforçar instrumentos destinados a preservar a qualidade e a identidade das produções locais. No caso do Bordado de Castelo Branco, a autarquia tem desenvolvido ações de investigação, preservação, formação e promoção, numa estratégia igualmente destacada pela própria UNESCO.

“Pertencer a uma rede internacional, a uma chancela da UNESCO, é de facto um orgulho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que destacou ainda os efeitos já registados no Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco.

“Temos aumentado o número de trabalhos que nos são encomendados”, revelou, considerando que a integração numa estrutura internacional amplia a exposição dos produtos locais.

“Esta é uma rede global e, portanto, é a oportunidade de estar no mundo e de podermos ter também um marketing mundial”, recordou.

“Festival Sabores de Perdição” com formato centrado no território de Castelo Branco

A autarquia confirmou que a edição deste ano apostou exclusivamente em artistas e agentes da região.

“Decidimos fazer os “Sabores de Perdição” porque o festival agrega o território, promove a coesão e é um momento importante de afirmação do concelho de Castelo Branco”, explicou o presidente. Segundo Leopoldo Rodrigues, músicos, atores, agentes de animação e expositores ligados à gastronomia e ao artesanato foram selecionados no concelho e no distrito.

A programação alargada incluiu ainda ações relacionadas com gastronomia, uma rota gastronómica, showcookings e uma etapa do Grande Prémio de Ciclismo JN/TSF no concelho. Paralelamente, Castelo Branco acompanhava a candidatura do “Jardim do Paço Episcopal às Novas 7 Maravilhas de Portugal”, iniciativa que o autarca enquadrou na mesma estratégia de “promoção do património local”.

No balanço sobre a Bienal, Leopoldo Rodrigues apontou ainda para a dimensão internacional das relações criadas a partir da cultura e do artesanato.

“É também a oportunidade de termos pessoas de outros países que queremos receber pelas relações que estabelecemos, pela amizade que já vai existindo entre nós e essas pessoas e essas entidades. É também um momento para reforçar laços”, concluiu.

A realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reforçou, assim, uma estratégia que procura associar a preservação dos saberes tradicionais à “internacionalização, à economia criativa e à cooperação entre cidades”. Em Castelo Branco, o Bordado continua a ocupar uma posição central nesse percurso, enquanto “património transmitido entre gerações” e “elemento de projeção do território nas redes culturais internacionais”.

A organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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