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Centro de Alto Rendimento recebe estágio de voleibol de praia

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Nem o tempo invernoso, que ‘finalmente’ parece ter assolado o País, demove as atletas de Voleibol de Praia de quererem continuar a trilhar o seu caminho, por vezes árduo, de preparação no Centro de Alto Rendimento de Voleibol de Praia (CARVP) da Federação Portuguesa de Voleibol, localizado em Cortegaça, freguesia do município de Ovar.

Sempre em atividade no CARVP, a Seleção Nacional de Seniores Femininos, constituída por Beatriz Pinheiro e Inês Castro, vai realizar, brevemente, um estágio com atletas estrangeiras.

Uma dupla sui generis já que mistura a irreverente juventude de uma atleta, a britânica Katie Keefe, de 19 anos – 9º lugar na última edição do Campeonato da Europa de Sub-20 –, com a experiência de outra, a italiana Giulia Rastelli, de 32 anos, jogadora de Voleibol de Praia, mas que também atua no Polonia SideOut London, equipa do campeonato inglês de Voleibol indoor.

Um momento importante para aferir, entre outros aspetos, a evolução dos atletas portugueses, tal como já tinha acontecido em estágios anteriores das seleções nacionais com duplas de Israel, Venezuela, Inglaterra e Paraguai.

A relevância do estágio, a realizar entre os dias 20 a 24 (de domingo a quinta-feira), é salientada pelo Selecionador Nacional, Ricardo Rocha: “Estes training camps nesta altura em que preparamos a época de 2023 são importantes principalmente para termos volume de jogo no treino e conseguirmos aferir o nível de jogo em que estamos, pontos fortes e fracos que temos de trabalhar nos próximos meses“.

Conscientes da mais-valia que constitui um momento destes, as próprias atletas mostram-se ansiosas com o intercâmbio desportivo: “Estamos muito entusiasmadas com o estágio. Como não estamos numa altura de competições, este tipo de momentos é muito bom para nós, pois ajuda-nos a começar a ganhar um certo ritmo de jogo, o que não é possível quando treinamos sozinhas“, salienta Beatriz Pinheiro, com Inês Castro a concluir que “encontramo-nos num período de preparação e fazer este tipo de estágios é ótimo para a nossa evolução e também para percebermos em que nível nos encontramos, o que nos ajuda a desenvolver as condições necessárias para uma boa participação nas futuras competições“.

Giulia Rastelli e Katie Keefe vão estagiar no CARVP – Cortegaça

O Centro de Alto Rendimento de Voleibol de Praia (CARVP) da Federação Portuguesa de Voleibol é uma instalação desportiva dotada das melhores condições para a prática do Voleibol de Praia, que recebeu já as finais dos Campeonatos Nacionais de Voleibol de Praia de 2020 e 2021, bem do Campeonato de Veteranos 2022 e estágios das duplas de Israel, Venezuela, Inglaterra ou Paraguai e etapas do circuito internacional de Voleibol de Praia.

O CARVP, que já estava a ser utilizado como base logística dos treinos de observação inseridos no processo de captação e deteção de talentos no Voleibol de Praia e na organização de provas nacionais e internacionais, continua a alargar a sua influência e, simultaneamente, a permitir a utilização das suas instalações por parte de outros interessados.

Deste modo, a FPV promove a realização de treinos abertos para captação de atletas com vista a municiar as Seleções Nacionais de Voleibol de Praia (atletas devidamente filiados na FPV), ao mesmo tempo que disponibiliza horários para treinos, abertos à comunidade em geral, no Pavilhão Gimnodesportivo de Cortegaça.

O CARVP, que acolheu a realização de uma etapa do Circuito Mundial em 2021 na sua estreia a nível internacional, continua a merecer a confiança e o interesse dos organismos que regem a modalidade a nível planetário e acolheu, em agosto deste ano, uma etapa do Volleyball World Beach Pro Tour: o Beach Pro Tour Cortegaça Futures.

Foto: FPV.

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Relação entre Portugal e Brasil continua a ganhar peso a nível comercial e de investimento

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A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) divulgou um conjunto de indicadores sobre a relação económica entre Portugal e Brasil, destacando a posição do mercado brasileiro no comércio externo português, a sua importância nas exportações para o Mercosul e o peso do investimento brasileiro em Portugal.

Em 2024, o Brasil foi o 11.º maior destino das exportações portuguesas de bens, representando 1,5% do total das vendas de Portugal ao exterior. No sentido inverso, o país ocupou a 7.ª posição entre os principais fornecedores de bens ao mercado português, assumindo uma posição mais elevada enquanto origem das importações do que enquanto destino das exportações nacionais.

A evolução mais recente mantém também uma trajetória positiva. Entre janeiro e maio de 2026, Portugal exportou para o Brasil quase 460 milhões de euros em mercadorias, valor que corresponde a um crescimento homólogo de 12,5%.

De igual modo, a posição brasileira assume particular expressão no relacionamento comercial de Portugal com o Mercosul. O Brasil concentra mais de 90% das exportações portuguesas destinadas aos países que integram o bloco sul-americano, constituindo o principal mercado português naquele espaço económico.

No âmbito do investimento estrangeiro, os indicadores apresentados pela CCILB mostram igualmente uma presença significativa do capital brasileiro em Portugal. Em junho de 2025, o Brasil representava 4,1% do stock de investimento direto estrangeiro no país, figurando entre as origens exteriores à União Europeia com maior peso.

A dimensão destes fluxos comerciais e financeiros reforça a importância de uma relação empresarial estruturada entre os dois mercados, num contexto em que empresas portuguesas procuram oportunidades de internacionalização e parceiros no Brasil, enquanto investidores e empresas brasileiras encontram em Portugal uma plataforma de entrada no mercado europeu.

É neste espaço de ligação que se posiciona a CCILB, presidida por Otacílio Soares, através de uma rede de contactos empresariais, profissionais e institucionais com o objetivo de facilitar a criação de relações de cooperação e identificar novas oportunidades entre Portugal e Brasil.

Neste sentido, para as empresas interessadas em desenvolver negócios nos dois mercados, a integração numa rede bilateral pode permitir o contacto com outros agentes económicos e institucionais, bem como o acompanhamento de iniciativas destinadas a reforçar a cooperação luso-brasileira.

Ígor Lopes

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“A mensagem que devemos deixar aos jovens é que o voto de cada um importa”, afirmou Pedro Sequeira de Carvalho sobre eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe

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São Tomé e Príncipe realizou, a 19 de julho, eleições presidenciais que resultaram na reeleição de Carlos Vila Nova para um segundo mandato de cinco anos, com 55,94% dos votos. Apesar do funcionamento regular do processo eleitoral e da tradição de transições pacíficas no país, a abstenção superior a 58% introduziu um sinal de alerta sobre a participação cívica, a representação política e o afastamento de parte do eleitorado, num país que realiza eleições multipartidárias desde 1991.

Em entrevista à nossa reportagem, o advogado e professor universitário são-tomense Pedro Sequeira de Carvalho analisa o estado da democracia no arquipélago, o papel das escolas, das universidades e da comunicação social na formação dos cidadãos e a necessidade de envolver os jovens na reconstrução da confiança nas instituições. O jurista aborda ainda o ambiente político antes das eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro, marcado pela disputa interna na Ação Democrática Independente, ADI, e pela procura de espaço eleitoral entre os partidos que apoiaram a candidatura presidencial de Carlos Vila Nova.

Como advogado e professor universitário, que importância atribui às eleições presidenciais de 19 de julho para a consolidação democrática de São Tomé e Príncipe, num momento em que o país voltou a ser chamado a escolher o seu Chefe de Estado?

O povo foi chamado para escolher o Chefe do Estado, e fê-lo com elevado sentido de responsabilidade e civismo. São sinais claros de que a nossa democracia goza de uma boa saúde, digo “boa” e não “perfeita”. Digo mais ainda, não é uma saúde garantida, mas sim uma “boa saúde” que requer um estar permanentemente atentos e cuidadosos para que ela não adoeça.  Por exemplo, há um aspeto que não podemos ignorar que é o número elevado de abstenção -58, 57%. Este é o número mais alto da nossa história como país. É verdade que houve a concorrência de vários fatores como a emigração e a atualização automática dos dados eleitores que foi feita pela primeira vez diretamente através da base dos dados dos Serviços dos Registos Civis. Mas, apesar desses factos, ficou visível aos olhos do povo que, os quatro candidatos que participaram nas eleições presidenciais, uma grande franja da população não se revia nos mesmos; eles não demonstravam nenhuma esperança num futuro melhor para o país. Na democracia, isto é preocupante.

Num processo eleitoral, a dimensão jurídica é essencial, mas a dimensão cívica também pesa. Que papel devem ter a escola, a universidade, a cultura e a comunicação social na formação de cidadãos mais conscientes, capazes de participar no voto com responsabilidade e sentido de país?

Eu não senti, de uma forma efectiva, este papel a ser exercido pelas escolas e pelas universidades. Ainda há um longo trabalho a ser feito no sentido das escolas e as universidades assumirem algum papel relevante na formação de cidadãos mais conscientes, capazes de participar no voto com responsabilidade e sentido de país. O mesmo não digo sobre a nossa cultura e sobre a comunicação social. O nosso país já tem uma cultura democrática. O lema “o povo põe, o povo tira” é sobejamente conhecido pela nossa sociedade. Toda a comunidade eleitoral nacional reconhece e respeita a soberania do povo, manifestada através dos atos eleitorais. As eleições – todas elas – são uma festa na nossa sociedade. No que diz respeito à comunicação social, esta sempre exerceu um papel muito importante na construção e solidificação do nosso sistema democrático. Em todas as eleições, a comunicação social assume, e bem, a sua missão de consciencializar os eleitores acerca da responsabilidade da vida e da sua importância para o futuro do país. No nosso país, as noites das eleições são as noites que menos se dorme, isto porque tanto a rádio pública, como a televisão pública fazem as contagens e as divulgações dos resultados eleitorais em direto. E, tem surgido também, pelo menos nesta última eleição, várias iniciativas das rádios privadas e canais digitais no sentido de acompanharem e divulgarem os resultados eleitorais. Este processo só eleva a dimensão cívica das nossas eleições.

A política, tal como a literatura e o teatro, também trabalha com narrativas, expectativas e projectos de futuro. Que mensagem considera importante deixar aos jovens são-tomenses sobre participação democrática, respeito pelas instituições e construção de um país onde a cidadania não termine no dia da eleição?

De facto, tanto a política como a literatura e o teatro trabalham com narrativas, expectativas e projetos de futuro. Relativamente à participação democrática, a mensagem que devemos deixar aos jovens é que o voto de cada um importa. Tivemos uma eleição em que a abstenção ganhou. Foram mais de 58% de abstenções; o número mais elevado da nossa história como um país independente que vem realizando eleições desde o ano 1991. Neste momento, os jovens estão cansados devido a real mudança que não chega, e pior ainda, sentem-se impotentes para fazerem partes deste processo de mudança. Pelo que, a mensagem mais importante é a de que a democracia é um regime cujo sucesso depende e muito da participação de todos os cidadãos, no nosso caso, mais ainda da juventude por ser a maioria da população. Há um país a ser reconstruído, há todo um conjunto das instituições cuja credibilidade devem ser restauradas. A construção de um país passa pela construção das instituições; não temos como termos um país que queremos, sem termos instituições que necessitamos para este efeito. Um país é o que as instituições fazem dele. É fundamental que os jovens sintam como a pedra angular na construção de São Tomé e Príncipe que está contemplado no nosso Hina nacional – “a não mais ditosa da terra”.

Como está o ambiente político no seu país e o que espera após as eleições?

As eleições foram realizadas em 19 de julho; já temos o Presidente da República: Eng. Carlos Vila Nova, que foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. Mas o ambiente político ainda continua muito conturbado, não em razão das eleições presidenciais, mas sobretudo devido as eleições legislativas que estão marcadas para o próximo dia 27 de setembro. Nesta mesma data serão realizadas mais outras duas eleições em simultâneo: eleições autárquicas e as eleições regionais. O maior partido do país que ganhou as últimas eleições legislativas em 2022 está enfrentando uma grande disputa interna de liderança, cujo capítulo mais recente foi o Tribunal Constitucional ter validado um congresso extraordinário realizado no último mês de junho, onde o atual primeiro-ministro, Américo Ramos, foi eleito, por aclamação, como o novo presidente do partido ADI-Acção Democrática Independente. Este processo tem causado uma grande cisão no seio do ADI, onde a outra ala liderada pelo Patrice Trovoada ainda reivindica a sua legitimidade, como a estrutura eleita em 2024 para liderar o partido para um mandato de quatro anos, de acordo aos estatutos deste partido político. Por outro lado, o Presidente da República, sendo oriundo da ADI, foi eleito com o apoio de quase todos os partidos políticos nacionais (MLSTP, PCD, BASTA, MDFM, UDD, e NOSSA TERRA), com uma mensagem de apelo à estabilidade e a unidade nacional. Mas, e agora? Apesar de todos esses partidos políticos concorrerem para a vitória do atual Presidente da República não podem já sentir que fazem parte da mesa do poder. A Lei eleitoral prescreve que o partido político que não obtiver 1% de votos expressos nas urnas nas eleições legislativas, é decretado extinto. Assim, o grande desafio de alguns desses partidos políticos é de conseguirem pelo menos 1% de votos expressos nas urnas nas próximas eleições legislativas marcadas para 27 de setembro próximo. Assim, os partidos políticos juntaram-se em bloco em apoio ao candidato Carlos Vila Nova, mas agora espalharam-se de novo, com o grande desafio de cada um ir desenrascar brasas para as suas sardinhas. O que alguns analistas políticos previam que seriam grandes e várias alianças e coligações, pelo menos até então não se tem verificado, e tudo indica que não se verificará, pelo menos para concorrerem, podendo haver, posteriormente, alguns acordos parlamentares, uma vez que, pelos cenários, não se evidencia a probabilidade de haver a maioria absoluta para nenhum dos dois maiores partidos do país (ADI e o MLSTP). Não está fácil fazer previsões a longo prazo, isto está um jogo bem intenso, mas até certo ponto, animado.

O que o mundo deve saber sobre as eleições presidenciais em STP? Como pode explicar a importância deste pleito de 19 de setembro de 2026?

Que São Tomé e Príncipe é um país democrático, e que a nossa democracia goza de muito boa saúde. E há um responsável por este produto: os cidadãos santomenses. Este pleito, essas eleições presidenciais de 2026, não funcionam com o fim da história, mas como mais uma página do livro sobre a boa democracia que alguém que queira ser um bom aluno nesta matéria, sobretudo na África, deveria ler. São Tomé e Príncipe já pode dizer, sem receio algum de errar, que é um exemplo da democracia na África, e quiçá, no mundo.

Ígor Lopes

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Otacílio Soares: “Nosso desafio é fazer com que a proximidade entre Portugal e Brasil se traduza, cada vez mais, em investimentos, empregos, inovação e desenvolvimento para todos”

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Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), defende que a forte proximidade histórica, cultural e linguística entre Portugal e o Brasil deve ser convertida em relações económicas ainda mais concretas, capazes de gerar mais investimentos, parcerias, negócios e desenvolvimento para ambos os países.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o responsável abordou o papel da CCILB na aproximação entre empresas, investidores e instituições portuguesas e brasileiras, destacando os processos de internacionalização, os setores com maior potencial de cooperação, o posicionamento de Portugal como plataforma de entrada no mercado europeu e as oportunidades de criação de uma rede económica no espaço da língua portuguesa.

Qual tem sido o papel da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira no reforço das relações econômicas e empresariais entre Portugal e o Brasil?

A Câmara procura transformar a proximidade histórica e cultural entre Portugal e o Brasil em relações empresariais concretas. Os dois países têm uma ligação muito forte, mas isso, por si só, não é suficiente para gerar negócios. É preciso aproximar as empresas certas, facilitar o acesso à informação e ajudar os empresários a compreender as particularidades de cada mercado. Nesse sentido, a CCILB atua como uma ponte entre empresas, investidores, associações empresariais e entidades públicas dos dois países. Promovemos encontros, missões, seminários e contatos institucionais, sempre com o objetivo de criar relações de confiança e oportunidades que possam se transformar em investimentos, parcerias e novos negócios. Nosso papel também é ajudar a reduzir a distância prática entre os dois mercados. Embora falemos a mesma língua, existem diferenças na legislação, na tributação, na cultura empresarial e na forma de negociar. Muitas vezes, uma orientação correta no início evita erros, custos e perda de tempo.

Neste período de férias de verão, na Europa, e de inverno, na América do Sul, que ações estão sobre a mesa em termos empresariais por parte da CCILB para aproximar os dois territórios?

O período de férias pode ser um bom momento para refletir e planejar. Muitas decisões empresariais importantes começam justamente quando temos mais tempo para avaliar novos mercados, rever estratégias e pensar com um pouco mais de tranquilidade. Na CCILB, estamos trabalhando na preparação de novas iniciativas para o segundo semestre, com encontros empresariais, ações de networking, seminários e atividades voltadas à internacionalização. Também estamos fortalecendo nossos comitês, que permitem tratar de forma mais especializada temas como tecnologia, inovação, turismo, comércio exterior, sustentabilidade, arbitragem e investimentos. Queremos ampliar a aproximação com câmaras de comércio, federações empresariais e entidades de promoção de investimentos dos dois países. A ideia é que essas relações institucionais resultem em agendas práticas, com empresas interessadas, oportunidades identificadas e acompanhamento posterior. Também continuaremos dando atenção ao Acordo Mercosul-União Europeia, que poderá abrir uma nova etapa nas relações econômicas entre Portugal e o Brasil. Precisamos preparar as empresas, especialmente as pequenas e médias, para entenderem as oportunidades e as exigências desse novo cenário.

De que forma a CCILB apoia empresas portuguesas e brasileiras nos processos de internacionalização, entrada nos respectivos mercados e criação de parcerias?

O primeiro apoio é ajudar a empresa a compreender o mercado no qual pretende entrar. Internacionalizar não significa apenas encontrar um cliente ou distribuidor. É necessário conhecer a legislação, os aspectos tributários, os canais de distribuição, os custos logísticos, a concorrência e a cultura empresarial local. A CCILB procura orientar as empresas e aproximá-las de profissionais, entidades e potenciais parceiros que possam apoiá-las em cada etapa. Não substituímos os especialistas, mas ajudamos o empresário a encontrar as pessoas certas e a chegar ao mercado com mais segurança. Também promovemos encontros empresariais, missões e eventos setoriais, nos quais as empresas podem apresentar seus projetos, conhecer potenciais parceiros e estabelecer relações de confiança. Esse trabalho é especialmente importante para as pequenas e médias empresas, que nem sempre possuem estrutura própria para fazer uma prospecção internacional. Entendemos que o trabalho da Câmara não termina na apresentação entre duas empresas. Sempre que possível, procuramos acompanhar a evolução dos contatos e contribuir para que uma primeira conversa possa se transformar em uma parceria efetiva e duradoura.

Que setores apresentam, atualmente, maior potencial para aprofundar o comércio, o investimento e a cooperação empresarial entre os dois países?

Existem oportunidades em diversos setores. Tecnologia, inovação, energia, infraestrutura, turismo, agronegócio, alimentos e bebidas, saúde, setor farmacêutico, construção civil, mercado imobiliário, logística e serviços financeiros estão entre as áreas com maior potencial. Portugal desenvolveu competências importantes em energias renováveis, turismo, tecnologia, engenharia, gestão de infraestrutura e serviços. O Brasil, por sua vez, possui escala, recursos naturais, capacidade industrial, produção agroalimentar e um mercado consumidor muito expressivo. Quando essas competências são combinadas, surgem oportunidades interessantes para os dois lados. Também vejo grande potencial na economia digital, na inteligência artificial e nos serviços prestados internacionalmente. São áreas nas quais a dimensão geográfica deixou de ser uma barreira tão relevante. O setor de alimentos e bebidas merece atenção especial. Portugal tem produtos de grande qualidade e o Brasil oferece um mercado amplo, embora ainda existam desafios tributários, logísticos e regulatórios. Em sentido inverso, produtos brasileiros podem utilizar Portugal como ponto de entrada e de valorização no mercado europeu.

Como pode Portugal assumir-se como plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia e, em sentido inverso, apoiar as empresas portuguesas interessadas no mercado brasileiro?

Portugal reúne condições muito favoráveis para ser uma plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia. Há proximidade cultural, facilidade de comunicação, segurança jurídica, boa infraestrutura, profissionais qualificados e acesso a um mercado europeu com centenas de milhões de consumidores. Mas Portugal não deve ser visto apenas como uma porta de entrada. Pode ser uma base para a estruturação, gestão e expansão das operações brasileiras na Europa. Uma empresa pode instalar aqui sua sede europeia, adaptar produtos às normas da União Europeia, contratar profissionais e desenvolver uma estratégia para outros mercados. No sentido inverso, o Brasil oferece às empresas portuguesas escala e acesso a um dos maiores mercados do mundo. É também uma plataforma para outros países da América do Sul. Naturalmente, o mercado brasileiro exige preparação. É necessário compreender a tributação, a regulamentação, as diferenças regionais e a dinâmica comercial do país. A CCILB pode contribuir justamente nessa ligação, aproximando empresas e instituições e ajudando a identificar parceiros locais confiáveis. Em uma internacionalização, escolher bem os parceiros é tão importante quanto escolher o mercado.

De que forma a CCILB tem ampliado a sua atuação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e que oportunidades identifica no espaço econômico da CPLP?

A língua portuguesa é um patrimônio comum e também pode ser um ativo econômico. A CPLP reúne países em diferentes continentes, com recursos, mercados e necessidades muito diversos. Essa diversidade cria oportunidades em áreas como infraestrutura, energia, agricultura, saúde, educação, tecnologia, turismo e serviços financeiros. A CCILB vem procurando ampliar o diálogo com representantes diplomáticos, instituições e empresários dos demais países de língua portuguesa. Nosso objetivo é contribuir para que Portugal e o Brasil também funcionem como pontos de conexão para negócios com a África, a Ásia e outras regiões onde a língua portuguesa está presente. Ainda existem desafios importantes, como financiamento, logística, segurança jurídica e conhecimento dos mercados locais. Por isso, é fundamental trabalhar com instituições confiáveis e projetos bem estruturados. Mais do que imaginar um mercado único, devemos construir uma rede econômica de língua portuguesa, baseada em informação, confiança, mobilidade empresarial e cooperação. Há um potencial muito grande que ainda não foi plenamente aproveitado.

Quais são as prioridades da CCILB para os próximos anos e que iniciativas estão previstas para aproximar empresários, instituições e investidores de Portugal, do Brasil e dos restantes países da CPLP?

Nossa prioridade é tornar a Câmara cada vez mais útil para seus associados e para as empresas que desejam atuar entre esses mercados. Isso significa oferecer informação relevante, promover encontros objetivos e criar condições para que as relações institucionais gerem resultados empresariais. Pretendemos fortalecer os comitês setoriais, ampliar as missões empresariais e realizar eventos sobre temas estratégicos, como o Acordo Mercosul-União Europeia, inovação, tecnologia, sustentabilidade, turismo, comércio exterior, investimentos e arbitragem. Também queremos aumentar a cooperação com câmaras de comércio, federações empresariais, universidades, embaixadas, agências de promoção de investimentos e entidades de apoio à internacionalização. Essa articulação é essencial para dar escala e continuidade às iniciativas. Outro objetivo é ampliar a presença da CCILB junto aos países da CPLP, aproximando empresários e investidores e identificando projetos concretos de cooperação. Em resumo, queremos uma Câmara aberta, dinâmica e próxima das empresas. Portugal, Brasil e os demais países de língua portuguesa possuem relações históricas muito fortes. Nosso desafio é fazer com que essa proximidade se traduza, cada vez mais, em investimentos, empregos, inovação e desenvolvimento para todos.

Ígor Lopes

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