Atualidade
Barcelos ganha Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes
Inaugurado ontem pelo Presidente da Câmara e pela Secretária de Estado da Igualdade e Migrações
Foi inaugurado, ontem à tarde, nas instalações do Balcão Único, nos Paços do Concelho de Barcelos, o CLAIM – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes. Trata-se de um posto de atendimento cuja missão é apoiar nos processos de acolhimento e integração de migrantes, articulando respostas com as diversas estruturas locais, e prestando informação geral em áreas como a regularização da estada em Portugal, processos de nacionalidade, reagrupamento familiar, habitação, retorno voluntário, trabalho, saúde e educação.
Para assinalar a abertura deste serviço, deslocou-se a Barcelos a Secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Isabel Almeida Rodrigues. Na cerimónia, participou também José Reis, vogal do Conselho Diretivo do Alto Comissariado para as Migrações, entidade com a qual o Município de Barcelos estabeleceu um protocolo para este efeito. De resto, José Reis fez questão de salientar que este tipo de serviços já existe há 20 anos e tem vindo a ser implementado em todo o país.
Mário Constantino sublinha caráter solidário do Município e dos barcelenses
O Presidente da Câmara Municipal realçou a importância do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, num concelho que prima por ser hospitaleiro e solidário e que tem acolhido migrantes e refugiados de diversas nacionalidades de uma forma exemplar, como bem ficou demonstrado, aquando da receção à vaga de refugiados provocada pela guerra na Ucrânia. “Sendo o povo português reconhecido como um povo solidário, amigo e acolhedor, permita-me a ousadia e o orgulho de lhe dizer que, de entre todos, os barcelenses serão seguramente dos mais solidários! E isso mesmo está bem demonstrado pela forma exemplar como temos vindo a acolher, ao longo dos tempos, os migrantes das mais diversas nacionalidades que têm escolhido o nosso concelho para aqui trabalharem e viver”, disse.

O autarca barcelense sublinhou que a nova realidade migratória obriga “a um trabalho ainda mais profícuo em prol da integração, da igualdade e da interculturalidade”, tanto que nos últimos cinco anos mais do que duplicou a presença de imigrantes no concelho. Com efeito, “no final do ano 2021, ainda antes do efeito dos refugiados oriundos da guerra na Ucrânia, eram 1704 os cidadãos migrantes residentes no concelho de Barcelos, quando em 2017 eram apenas 781, ou seja: um aumento acima da média nacional”, sendo a principal comunidade oriunda do Brasil, com 893 cidadãos, número superior ao das restantes 69 nacionalidades presentes no território barcelense.
Mário Constantino referiu, ainda, que, aquando da vaga de refugiados da guerra, “o Município de Barcelos recebeu 287 ucranianos, dos quais cerca de 100 são, neste momento, residentes no território”. A comunidade ucraniana que optou por ficar no concelho encontra-se a residir em alojamentos cedidos gratuitamente pela sociedade civil barcelense ou acolhida solidariamente por famílias com as quais partilham as atividades de vida diárias, “factos que evidenciam a adaptação, solidariedade e hospitalidade singular da comunidade local”.
Secretária de Estado da Igualdade e Migrações enaltece serviço do município barcelense
“As migrações são vantajosas e importantes para quem emigra e para quem acolhe” sublinhou a governante Isabel Almeida Rodrigues, dando como exemplo as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social, que já ascendem a mil milhões de euros. A Secretária de Estado da Igualdade e Migrações enfatizou a forte onda migratória dos últimos anos para Portugal e declarou que “a mobilidade deve ser vista como um direito fundamental de todos os seres humanos, pois só essa possibilidade permite que as pessoas possam procurar trabalho, possam aceder a um modo de vida que lhes permita não só a sua sobrevivência e realização pessoal como ajudarem as famílias que deixaram nos seus países de origem”.
Antes, já Isabel Almeida Rodrigues tinha expressado o seu “reconhecimento pela colaboração, disponibilidade e empenho que autarquia de Barcelos tem tido, estando na linha da frente na implementação de políticas públicas promotoras da igualdade de oportunidades”.
Concretamente em relação ao novo serviço que agora está à disposição da comunidade migrante, aquela governante salientou “a excelente colaboração entre o governo e a autarquia barcelense”, regozijou-se “pela abertura de mais este Centro” e manifestou “a certeza de que vai constituir-se como um ponto importante de ajuda à integração dos imigrantes que procuram Barcelos”, tanto para trabalharem como para residirem.
A cerimónia de inauguração do CLAIM contou com dois momentos musicais por Inês Vilas Boas e Diogo Carlos, do Conservatório de Música de Barcelos, e com um momento de declamação de poesia intercultural, pelo ator Armindo Cerqueira, da Associação D’Improviso – Artes do Espetáculo.
CLAIM visa apoiar migrantes em vários domínios
Para operacionalizar os serviços do CLAIM – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes – foi assinado um protocolo com o Alto Comissariado para as Migrações, I.P, no qual o Município de Barcelos se obriga a garantir o desempenho das funções de acolhimento, informação e apoio aos cidadãos migrantes, bem como proceder à afetação de técnicos com perfil adequado ao desempenho das funções, assegurando os custos daí inerentes.
O CLAIM – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes vai ter um período de 14 horas semanais de atendimento ao público, às segundas e terças-feiras, de acordo com critérios de adequação da disponibilidade do serviço à satisfação das necessidades dos clientes.
O Protocolo tem a duração inicial de 12 meses, sendo renovável por iguais períodos, salvo denúncia de uma das partes.
Fotos: CMB.
Atualidade
Festival literário brasileiro reuniu em palco Mia Couto, Míriam Leitão e Jamil Chade
Setenta anos depois da sua publicação, a obra “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, continua a atravessar leitores, territórios e gerações. Na noite de sábado, 29 de agosto, o escritor Mia Couto e a jornalista Míriam Leitão reuniram-se no “4º Fliparacatu”, que decorreu em Minas Gerais, no Brasil, entre 26 e 30 de agosto, para celebrar a permanência da obra de João Guimarães Rosa e refletir sobre a sua força literária e humana. Em diálogo com o tema desta edição, “Sertão em Nós: Meu lugar no mundo”, a conversa passou pela “relação entre território e identidade, pela linguagem como forma de compreender o outro e pela travessia como experiência que transforma quem a percorre”.
Mediado por Jamil Chade, o encontro “Grande Sertão: Veredas – 70 anos: A Travessia Continua” também aproximou os dois patronos desta edição: Guimarães Rosa, celebrado pela sua obra, e Milton Santos, cuja reflexão sobre território ajuda a engrandecer as reflexões que o romance ainda provoca. Entre a experiência concreta do sertão, a invenção de uma linguagem rosiana e os desafios do mundo contemporâneo, os convidados discutiram como a literatura pode ensinar a olhar para um lugar e, a partir dele, compreender melhor a si mesmo.
A relação de Míriam Leitão com esse sertão passou também pela experiência concreta do território. A jornalista percorreu Serra das Araras, Ribeirão da Areia e o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas para produzir uma reportagem para o canal de televisão a cabo brasileiro “GloboNews”. Foi a campo em busca das paisagens, das pessoas e dos caminhos que ajudam a compreender um pouco mais o universo que Guimarães Rosa transformou em literatura.
Para Mia Couto, porém, o encontro com Rosa aconteceu muito antes de chegar ao sertão brasileiro. Leitor da obra do escritor mineiro, o autor moçambicano afirmou que existe, em “Grande Sertão: Veredas”, uma linguagem que ultrapassa aquilo que é simplesmente dito. Para compreender a imensidão daquele sertão, seria preciso também aprender a escutar aquilo que a palavra não diz.
Ao longo da conversa, Jamil Chade retomou a trajetória de Guimarães Rosa como diplomata e sua passagem pela Alemanha nos anos que antecederam e atravessaram a Segunda Guerra Mundial. Ao lado da esposa, Aracy de Carvalho, o escritor ajudou judeus perseguidos pelo regime nazista a conseguirem vistos para deixar o país. A partir dessa dimensão humana de Rosa, Chade lançou uma pergunta sobre o que sua obra ainda ensina.
Para Míriam, uma das respostas está na escuta. “Ele ouviu o sertão”, afirmou. Poliglota, Guimarães Rosa conhecia diferentes idiomas, mas escolheu também escutar as formas de fala que encontrava no Brasil profundo. Na sua literatura, a linguagem do sertanejo não aparece como algo menor ou periférico. Pelo contrário: torna-se matéria de invenção, pensamento e poesia.
Para o escritor de Moçambique, contar e ouvir histórias é uma das formas mais profundas de compreender o mundo e aqueles que o habitam. Ele contou que procura conversar com pessoas que pensam de maneiras diferentes para tentar compreender de onde vêm as suas visões de mundo. Num tempo em que as fronteiras entre as pessoas parecem se multiplicar, a história pode ser uma forma de aproximação.
Deixar o livro conduzir a história
Míriam Leitão também falou sobre uma ideia que, segundo ela, ainda afasta muitos leitores de “Grande Sertão: Veredas”: a fama de ser um livro difícil. Para a jornalista, talvez seja preciso abandonar a expectativa de compreender racionalmente cada palavra e permitir que a obra conduza a leitura. É preciso, como aconselhou, “ouvir a música” do livro.
É justamente essa relação com a linguagem que, para Míriam, faz da obra uma experiência de encantamento. Guimarães Rosa olha para a natureza, para o pássaro, para a serra, para os personagens e para o amor com uma atenção que acaba contaminando o leitor.
“Eu quero que mais gente se apaixone, como eu me apaixonei aos 17 anos e nunca mais me desapaixonei. Eu sou uma encantada por João Guimarães Rosa”, afirmou a jornalista.
A travessia continua
A conversa avançou, então, para uma pergunta que aproximou a obra de Rosa dos desafios do presente: qual travessia ainda precisamos fazer? Questionada por Jamil Chade sobre os caminhos necessários para enfrentar a questão social brasileira, Míriam retomou uma das imagens mais marcantes do romance. Para ela, “Grande Sertão: Veredas” começa num travessão e termina na travessia – e é justamente por isso que ela continua. A jornalista reconheceu não ter uma resposta definitiva sobre o caminho que o Brasil precisa percorrer, mas afirmou acreditar que continuar a travessia talvez seja parte dessa resposta, porque é no meio do caminho que encontramos “o real”.
Mia Couto levou a mesma reflexão para uma escala mais ampla. Ao pensar nos desafios do mundo contemporâneo, defendeu a necessidade de questionar modelos políticos e as estruturas que organizam a vida coletiva e, para o escritor, escolher representantes e participar da vida pública são exercícios de cidadania que exigem responsabilidade. Mas falou também de algo maior: a necessidade de recuperar a paixão pela vida e o respeito pelo mundo que habitamos.
Biólogo de formação, Mia Couto recorreu à própria dimensão da vida para lembrar a sua complexidade e grandiosidade. Entre células, organismos e tudo aquilo que nos conecta ao mundo, a sua reflexão devolveu a conversa a uma ideia que atravessou toda a noite: não somos separados daquilo que nos cerca. Setenta anos depois, “Grande Sertão: Veredas” talvez continue vivo justamente porque não entrega respostas prontas e, para o trio de autores, o livro segue pedindo escuta, imaginação e disposição para atravessar aquilo que ainda não compreendemos completamente.
Ao final do encontro, Celso Adolfo subiu ao palco com o violão para apresentar canções inspiradas no universo de Guimarães Rosa. Em palco, Jamil Chade também se juntou à apresentação, acompanhando Celso com a flauta transversal e levando a travessia rosiana na mesa para outro território: o da música.
História do Festival
Realizado pela “Associação Cultura Sempre um Papo”, liderada por Afonso Borges, o Fliparacatu chegou à sua quarta edição consolidado como “um dos principais festivais literários do país”. Desde a sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) é visto como “um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro”.
Esta nova edição do Fliparacatu teve patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
A curadoria nacional foi assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais foram conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infantojuvenil ficou a cargo de Rafael Nolli. Além dos debates literários e do tradicional Prémio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realizou uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez.
Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival aconteceu entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais, Brasil.
Ígor Lopes
Atualidade
Lisboa: Eleitores brasileiros vão votar na Cidade Universitária nas eleições de 2026
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa definiu a Cidade Universitária como local de votação para as eleições de 2026, distribuindo o eleitorado por três edifícios deste complexo universitário da capital portuguesa nos dias do ato eleitoral – a Reitoria, a Faculdade de Letras e a Faculdade de Direito.
Segundo os dados divulgados pelo Consulado, estarão abrangidos 78.833 eleitores, distribuídos por 209 secções, 103 urnas e 80 salas.
A Faculdade de Direito concentrará o maior número de eleitores, com 34.042 inscritos em 90 secções, 44 urnas e 37 salas de votação.
A Faculdade de Letras contará com 28.840 eleitores, distribuídos por 76 secções, 38 urnas e 38 salas.
Na Reitoria estarão instalados 43 secções e 21 urnas, abrangendo um total de 15.951 eleitores. O edifício terá cinco salas destinadas ao funcionamento das mesas eleitorais.
A distribuição por diferentes edifícios torna particularmente importante que cada eleitor confirme previamente a sua secção, uma vez que a deslocação até à Cidade Universitária não permite, por si só, determinar o edifício ou a sala onde deverá votar.
Para consultar essa informação, os eleitores devem começar por identificar o número do título de eleitor e a respetiva secção através do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou da aplicação e-Título.
Depois de obter o número da secção, o eleitor poderá utilizar o chatbot disponibilizado pelo Consulado-Geral do Brasil em Lisboa para confirmar o edifício e a sala correspondentes à sua inscrição.
A consulta antecipada pretende evitar deslocações desnecessárias dentro da Cidade Universitária e reduzir o risco de atrasos no dia da votação, sobretudo perante a distribuição do eleitorado por três edifícios distintos.
O Consulado recomenda, por isso, que os eleitores não deixem a confirmação do local exato de votação para a última hora e que consultem previamente a informação disponibilizada pelas autoridades eleitorais e consulares.
Ígor Lopes
Açores
Florianópolis: Criada “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil” durante “IX Encontro Açores Brasil”
Florianópolis recebeu, no domingo, 23 de agosto, o “IX Encontro Açores Brasil”, que reuniu representantes das oito Casas dos Açores existentes no maior país da América do Sul e marcou a constituição formal da “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil”. A iniciativa, promovida pelo Governo dos Açores, através da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades e da Direção Regional das Comunidades, decorreu na Casa José Boiteux, no centro da capital de Santa Catarina, um dia depois da inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, em Santo António de Lisboa, cerca de 15 quilómetros da região central de Florianópolis.
A criação da “Rede Nacional” foi formalizada através de um protocolo de cooperação entre a Região Autónoma dos Açores e as Casas dos Açores do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Estado do Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais e Ceará. O documento foi assinado pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, e pelos dirigentes das oito instituições brasileiras.
O protocolo define a “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil” como uma “estrutura informal de cooperação e articulação entre as instituições existentes no território brasileiro e entre estas e a Região Autónoma dos Açores”. Entre os objetivos estabelecidos estão a “promoção da cooperação, da comunicação e do intercâmbio entre as Casas, a valorização das ligações entre os Açores e os açordescendentes no Brasil, a partilha de experiências, recursos e boas práticas e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas”.
O documento prevê ainda “ações nas áreas cultural, educativa, científica, social e comunitária”, além da possibilidade de “cooperação económica, empresarial e de projetos de interesse comum”.
Segundo o documento, ao qual a nossa reportagem teve acesso, a Rede deverá também “contribuir para a divulgação da identidade, da história e da cultura dos Açores junto da sociedade brasileira” e “facilitar a articulação das Casas com o Governo Regional em matérias de interesse comum”.
A cooperação poderá materializar-se também “através de encontros, seminários, conferências e sessões de trabalho, exposições, mostras culturais, projetos de investigação, publicações, ações de formação, programas de intercâmbio institucional e cultural e iniciativas em regime de itinerância entre as Casas dos Açores no Brasil”.
A Rede terá uma Coordenação Executiva, exercida por períodos de um ano e em regime de rotatividade, seguindo a ordem cronológica de fundação das instituições participantes. Nos termos do protocolo assinado em Florianópolis, a primeira coordenação ficará a cargo da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, fundada em 1952 e a mais antiga das oito entidades que integram a estrutura. O mandato terá a duração de um ano.
À Coordenação Executiva caberá “assegurar a articulação entre as Casas, dinamizar iniciativas conjuntas, convocar e coordenar reuniões, representar a Rede nas relações institucionais com a Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades e manter a comunicação regular entre as instituições participantes e o Governo dos Açores”. O protocolo produz efeitos desde a data da assinatura e vigora por tempo indeterminado.
“Responsabilidade” na articulação entre as oito Casas dos Açores no Brasil
Para João Leonardo Soares, presidente da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, “a criação da Rede Nacional de Casas dos Açores do Brasil é importante porque aproxima instituições, fortalece a nossa representação e permite desenvolver projetos em conjunto, em comum”. Sobre a responsabilidade assumida pela instituição carioca de assumir a Coordenação Executiva da Rede, acrescentou que “além de uma honra, é uma grande responsabilidade”.
João Leonardo Soares apontou ainda como principais desafios “conciliar as diferentes realidades das Casas dos Açores, organizar esse funcionamento da rede e manter a participação de todos”, com o objetivo de “transformar essa união e esses projetos em ações concretas na preservação e na divulgação da cultura açoriana no Brasil”.
Segundo apurámos, outras Casas dos Açores que venham a ser constituídas no Brasil poderão aderir à Rede mediante manifestação de vontade e aceitação pelas instituições já integrantes.
“A “Rede Nacional de Casas dos Açores do Brasil”, que continuará a alargar-se nos próximos tempos, poderá constituir um instrumento determinante para valorizar e reforçar a relação histórica e contemporânea entre as consanguíneas ilhas açorianas e a imensa nação brasileira, através da conjugação de esforços para iniciativas conjuntas e atividades itinerantes”, disse à Agência Incomparáveis José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores.
Paulo Estêvão destaca resultados da deslocação a Santa Catarina
Em declarações à nossa reportagem, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do Governo dos Açores, Paulo Estêvão destacou, entre os resultados da deslocação a Santa Catarina, os protocolos estabelecidos no âmbito da ligação entre os Açores e as estruturas açorianas no Brasil. Sobre o protocolo assinado com as oito Casas dos Açores do Brasil, o governante explicou que “ficou articulada não só uma colaboração entre as oito casas entre si, no sentido de se apoiarem mutuamente e desenvolverem projetos em conjunto, como também uma colaboração ativa do Governo dos Açores no apoio às casas, às oito Casas dos Açores”.
Paulo Estêvão referiu ainda a atualização do protocolo com o núcleo de estudos de Santa Catarina, salientando o trabalho desenvolvido por esta estrutura.
“Há uma questão também importante, que é a realização de um protocolo com o núcleo de estudos de Santa Catarina, que tem vindo a fazer um trabalho magnífico e que atualizámos o protocolo e contamos aumentar o apoio também a este núcleo”, afirmou este responsável, que abordou igualmente a inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, em Florianópolis, considerando que “a viagem teve um êxito extraordinário”.
Paulo Estêvão explicou que a nova sede “foi totalmente suportada pela Prefeitura de Florianópolis, quer em relação à aquisição do edifício, quer em relação à sua requalificação”. Para este governante açoriano, as novas instalações vão permitir reforçar a atividade da instituição.
“A partir de agora, a Casa dos Açores de Santa Catarina terá capacidade para desenvolver um conjunto de atividades muito alargado, desde seminários a congressos, a ter a oportunidade de organizar tertúlias de diversa natureza, reuniões, portanto, uma capacidade logística que permitirá ter uma intervenção mais frequente na sociedade de Florianópolis, em Santa Catarina, no geral”, referiu Paulo Estêvão, sublinhando, ainda, o compromisso assumido por entidades municipais e estaduais relativamente ao projeto das comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores.
“As entidades, quer a nível municipal, quer a nível do Estado, assumiram a responsabilidade de colaborar com o Governo dos Açores no âmbito da concretização do projeto dos 600 anos. Inclusivamente, vão constituir uma comissão para preparar a comemoração dos 600 anos da descoberta dos Açores”, afirmou, realçando que essa comissão deverá ser constituída até ao final deste ano e ficará responsável pela preparação de um conjunto de iniciativas.
Estevão adiantou também que a Prefeitura de Florianópolis prevê criar um monumento relacionado com a efeméride.
“Também ficámos a saber que, inclusivamente, por parte da Prefeitura de Florianópolis, será elaborado um monumento alusivo à data, a inaugurar também em 2027”, concluiu.
Encontro valorizou a história açoriana na região
O “IX Encontro Açores Brasil” teve início às 10h, com a participação do diretor regional das Comunidades, José Andrade, da presidente da Academia Catarinense de Letras, Lélia Nunes, do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Luiz Nilton Corrêa, e do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. A Academia e o Instituto têm sede na Casa José Boiteux, espaço onde decorreram os trabalhos.
Um dos pontos do programa foi o painel dedicado às Casas dos Açores do Brasil, com uma análise do percurso das instituições, da situação atual e das perspetivas de atuação. Participaram João Leonardo Soares, presidente da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, fundada em 1952; Roberto de Melo Correia, da Casa dos Açores de São Paulo, fundada em 1980; Sérgio Luiz Ferreira, da Casa dos Açores de Santa Catarina, de 1999; Viviane Peixoto Hunter, da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, criada em 2003; Raphael Guará, da Casa dos Açores do Maranhão, de 2019; Nino Moreira Seródio, da Casa dos Açores do Espírito Santo, fundada em 2022; Cláudio Motta, da Casa dos Açores de Minas Gerais, criada em 2025; e Hélya Abath, da Casa dos Açores do Ceará, constituída em 2026.
A constituição da Rede introduz um mecanismo nacional de articulação entre organizações que, até agora, desenvolviam as suas atividades a partir dos respetivos estados e das realidades das comunidades locais. A estrutura permitirá coordenar projetos e fazer circular iniciativas entre diferentes regiões brasileiras, num território onde a presença açoriana e açordescendente resulta de diferentes movimentos migratórios e de povoamento.
A programação do encontro incluiu ainda, por iniciativa do Governo dos Açores, um protocolo de apoio ao “Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade do Estado de Santa Catarina”. Durante os trabalhos foram também abordadas as comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores, que serão assinaladas em 2027 e para as quais o Governo Regional pretende envolver as comunidades açorianas fora do arquipélago.
A realização do “IX Encontro” esteve associada à inauguração, no sábado, 22 de agosto, da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, em Santo António de Lisboa, Florianópolis. O edifício destinado à instituição foi adquirido e reabilitado pelo município de Florianópolis, com investimento suportado pelo orçamento municipal, passando a disponibilizar à Casa um “espaço próprio para o desenvolvimento das suas atividades”.
Santo António de Lisboa mantém uma ligação à presença açoriana no Sul do Brasil. Foi nesta zona da ilha de Santa Catarina que se fixaram açorianos no processo de povoamento iniciado a partir de 1748. A instalação da Casa dos Açores naquele território associa a atividade da instituição a uma das áreas de Florianópolis onde permanecem referências culturais relacionadas com essa presença, entre elas as festas do Divino Espírito Santo, a renda de bilros, os engenhos e manifestações ligadas à alimentação e às práticas comunitárias.
A Casa dos Açores de Santa Catarina foi fundada em 1999 e integra agora, com as restantes sete instituições brasileiras, a nova “Rede Nacional”. A abertura da sede e a realização do encontro concentraram em Florianópolis, durante o fim de semana, dirigentes das Casas dos Açores, representantes do Governo Regional e entidades catarinenses ligadas à cultura, investigação e preservação do património.
Uma nova sede, velhos anseios
No âmbito da inauguração da nova sede, Sérgio Luiz Ferreira destacou o significado da concretização de um projeto procurado ao longo de várias décadas pela instituição.
“Foi um fim de semana bastante intenso, com muitas atividades e a inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, um sonho almejado durante tantas décadas, com tantos presidentes que passaram tentando ter uma sede para a Casa dos Açores, e, finalmente, tivemos agora, com grande apoio da Prefeitura Municipal de Florianópolis. (…) Foi a Prefeitura que restaurou o prédio. O prédio pertence à Prefeitura, que o restaurou todo e o deixou em condições para que a gente pudesse ocupar e para ser a nova sede da Casa dos Açores”, explicou este responsável, que salientou ainda a localização do espaço e as valências previstas para a nova sede.
“É uma casa pequena, mas muito bem situada, no coração de Santo António de Lisboa, que é uma das freguesias mais açorianas de Santa Catarina. Vai ter uma pequena galeria de arte, onde vão poder expor os artistas locais com temática açoriana, uma bela biblioteca que homenageia José Coelho “Peninha”, um grande pesquisador da cultura popular e o grande responsável pela obra de Franklin Cascaes ter sido tão divulgada, e um microauditório, onde vamos poder ter tertúlias e conversas sobre a açorianidade”, referiu.
O presidente da Casa dos Açores de Santa Catarina destacou também a presença de representantes do Governo dos Açores nas cerimónias.
“A presença do Governo dos Açores foi fundamental e abrilhantou a nossa solenidade, com essa deferência do Governo dos Açores para estar connosco e também por ter possibilitado que todas as Casas dos Açores do Brasil pudessem estar presentes. Isso fez o evento ter um significado muito maior”, afirmou.
O “IX Encontro Açores Brasil” deu continuidade a uma programação iniciada em outubro de 2021, em Ponta Delgada. As edições seguintes passaram por Angra do Heroísmo, em março de 2022; Rio de Janeiro, em julho de 2022; Florianópolis, em dezembro de 2023; Ponta Delgada, em maio de 2024; Rio de Janeiro, em setembro de 2024; ilhas do Pico e do Faial, em outubro de 2024; e Belo Horizonte, em julho de 2025.
Com a criação da “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil”, as oito entidades passam a dispor de um “instrumento comum” para “coordenar atividades, partilhar recursos e estabelecer projetos com o Governo dos Açores”.
Ígor Lopes
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