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ANAM assinala Dia Internacional da Mulher com debate sobre composição paritária no poder local

Portugal: Assembleias Municipais continuam a ser o órgão de poder local com mais mulheres eleitas

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Debater a composição paritária nos órgãos municipais e o papel da mulher no poder local, em especial nas Assembleias Municipais, foi o principal objetivo de um debate promovido ontem pela Associação Nacional de Assembleias Municipais (ANAM), no âmbito do Dia Internacional da Mulher. Este foi um encontro que colocou em discussão a realidade dos Órgãos Municipais e a Composição Paritária, contanto para tal com a participação de Isabel Cruz, Vice-presidente da ANAM, Tânia Ziulkoski, Fundadora do Movimento de Mulheres Municipalistas do Brasil, Clara Marques, Presidente da Assembleia Municipal da Praia, em Cabo Verde e Eva Macedo, investigadora e autora do estudo “A Participação das Mulheres no Poder Local”.

Para Isabel Cruz, Presidente da Assembleia Municipal da Trofa, as questões da paridade nos órgãos municipais têm conhecido, nos últimos tempos, alterações no sentido de tornar efetiva a participação de mulheres ainda que o lugar alcançado por estas seja, muitas vezes, em posições em que não existe um poder efetivo. “Continua a haver falta de igualdade no grau exigência da competência, exigindo-se muito mais a uma mulher para ocupar um cargo de relevo”, acrescenta.

Perante a consciência desta desigualdade são muitos os países que têm vindo a adotar uma postura mais proativa nas últimas décadas, recorrendo a várias medidas de ação positiva e de participação cívica, em especial nos cargos políticos. Como explica Tânia Ziulkoski “no Brasil a caminhada da mulher na busca por um espaço de atuação na política governamental e partidária é árdua, lenta, sofrida e marcada por descriminação. As mulheres representam 52% do eleitorado, mas governamos apenas com 7% da população. A baixa representatividade feminina na política é um gritante sintoma da desigualdade de género reinante no país”.

Tomando como exemplo a realidade de Cabo Verde, Clara Marques, Presidente da Assembleia Municipal da Praia, considera que “o poder é o fator limitador das mulheres na esfera politica e até económica, uma vez que os detentores desse mesmo poder não estão dispostos a abrir mão dele”.

Para Eva Macedo, investigadora e Professora de Direito Constitucional, a constituição de 1976 introduziu a igualdade de género e, na sequência desse desígnio constitucional, é aprovada em 2006 a chamada lei da paridade que vem, a partir dessa altura, estabelecer as chamadas quotas, as quais vêm exigir que nas listas candidatas a determinados órgãos do poder político, houvesse uma representação mínima de 33,3%, de qualquer um dos sexos, uma lei que foi alterada em 2019, elevando esse mínimo de paridade para 40%. Segundo Eva Macedo, importa perceber o que mudou após 17 anos da aprovação destas leis, nomeadamente no que diz respeito à participação política por parte das mulheres, referindo que “a lei da paridade não é aplicável a todos os órgãos do poder nacional, ou seja, é aplicável ao parlamento, mas não à eleição do Presidente da República, do primeiro-ministro ou dos membros do governo. A nível local também não é aplicável a todos os órgãos, sendo apenas aplicável aos órgãos colegiais como seja a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal. Neste sentido ficam de fora poderes importantes como seja o Presidente da Câmara”.

Sobre a representatividade em órgãos colegiais, a ANAM faz contas e revela que, atualmente, avaliando o universo dos 308 Municípios, esta é uma questão que acaba por ser evidente quando avaliados os números de mulheres que se encontram a Presidir as Assembleias Municipais, as quais ascendem a 59 a nível nacional, contando com uma representatividade em todos os distritos. Ainda que o número de Presidentes de Assembleias Municipais seja reduzido, acaba por ser praticamente o dobro daquele que representa as mulheres em cargos de Presidentes de Camara que não ultrapassam os 29.

Para Albino Almeida, Presidente da ANAM, a “definição de quotas dos partidos e a Lei da Paridade, constituíram um grande passo para a promoção da igualdade de género na política, tendo, sem dúvida, contribuído para aumentar o número de mulheres neste contexto, ainda assim é fundamental que essas mulheres contribuam para a elevação da democracia e fazer o que ainda não foi feito”.

Imagem: ANAM.

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São Paulo: Especialista português, Pedro Ramos volta a assumir papel de destaque na edição 2026 do Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (CONARH)

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O especialista português Pedro Ramos, CEO da Dale Carnegie Portugal e presidente da Sociedade da Excelência Luso-Brasileira (SELB), voltará a assumir um papel de relevo na edição de 2026 do Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (CONARH), o maior congresso de Gestão de Pessoas em língua portuguesa e o segundo maior do mundo, que decorrerá entre os dias 18 e 20 de agosto, na “Expo São Paulo”, no Brasil, reunindo mais de 75 mil participantes oriundos de vários países.

Reconhecido internacionalmente pelo trabalho desenvolvido na área da Liderança e da Gestão de Pessoas, Pedro Ramos manter-se-á como membro do Comité Temático do CONARH e do Conselho Estratégico Empresarial da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), organismos responsáveis pela definição das linhas estratégicas, conteúdos científicos e programação daquele que é considerado “um dos principais encontros mundiais dedicados ao desenvolvimento do capital humano”.

Além destas funções estratégicas, este profissional, com experiência a atuação no mundo lusófono, terá também a responsabilidade de moderar uma das Sessões Magnas mais relevantes da edição de 2026. Sob o tema “Cases Orientais de Sucesso: Insights para Empresas Brasileiras”, a sessão será conduzida em conjunto com Carla Caracol, Head of Engineering & Construction Human Resources do Grupo Proman, contando com a participação de dois especialistas de referência internacional: Ranjan Kumar Mohapatra, fundador e CEO da Hridayse Consulting, na Índia, e Mohamed Isa, keynote speaker e especialista em liderança da Peak Leadership, no Bahrain.

O painel procurará analisar modelos de liderança, inovação organizacional e gestão empresarial desenvolvidos em economias asiáticas e do Médio Oriente, promovendo a “partilha de experiências e boas práticas suscetíveis de serem adaptadas ao contexto empresarial brasileiro”, num momento em que a internacionalização, a transformação digital e a valorização das pessoas “assumem crescente importância nas estratégias das organizações”.

Realizado anualmente pela ABRH Brasil, o CONARH constitui hoje “uma das maiores plataformas internacionais de debate sobre Gestão de Pessoas”, reunindo líderes empresariais, gestores, académicos, investigadores e profissionais de recursos humanos num programa que integra centenas de conferências, sessões magnas, painéis temáticos, workshops, espaços de networking e apresentações de casos de sucesso nacionais e internacionais.

A edição de 2026 decorrerá sob o tema “Brasil Global”, refletindo a crescente internacionalização das organizações brasileiras e a importância da cooperação entre diferentes culturas e modelos de gestão.

Em declarações à Agência Incomparáveis, Pedro Ramos abordou a sua participação e destacou o “privilégio” de continuar a integrar a organização daquele que considera um “espaço privilegiado” para antecipar tendências e refletir sobre o futuro da liderança e da gestão humanizada.

“É sempre uma enorme honra contribuir para este espaço de partilha, reflexão e construção do futuro da gestão humanizada. Um privilégio estarmos à frente do tempo, o tempo de construir a Gestão de Pessoas e Liderança que marcará o futuro próximo das empresas, organizações, sociedades e do mundo”, enfatizou Ramos.

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Portugal: Abertas inscrições para a terceira edição das “Comissões de Cidadãos”

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As candidaturas para a terceira edição das “Comissões de Cidadãos” já estão abertas. Depois de produzir 79 propostas de políticas públicas na última edição, as “Comissões de Cidadãos” regressam para uma terceira edição e abrem candidaturas até 13 de setembro, através do seguinte link: https://tinyurl.com/comissoescidadaos

Durante uma sessão legislativa, 230 Deputados-Cidadãos, selecionados entre os candidatos, irão integrar uma das 14 Comissões de Cidadãos, inspiradas nas comissões parlamentares permanentes da Assembleia da República portuguesa (AR). A iniciativa reúne cidadãos independentes, sem filiação partidária, que, ao longo do mandato, “analisam desafios concretos do país, ouvem especialistas, promovem o debate e desenvolvem propostas de políticas públicas”.

Segundo apurámos, “após um período de consulta pública, as propostas são discutidas e votadas em Plenário de Cidadãos na Assembleia da República portuguesa. As propostas aprovadas são posteriormente apresentadas às respetivas Comissões Parlamentares, ao Governo e a outras entidades relevantes, contribuindo para aproximar os cidadãos dos processos de decisão política”.

Bárbara Pais, presidente da terceira edição das Comissões de Cidadãos salienta que “as primeiras edições das comissões de cidadãos foram fundamentais para consolidar o relacionamento com os órgãos de soberania, a quem apresentamos anualmente um conjunto de propostas pertinentes e tecnicamente robustas”.

“Procuramos cidadãos de todas as gerações e áreas de conhecimento, que se dediquem a pensar, debater e propor soluções para o país. Porque uma democracia forte necessita de cidadãos informados e motivados a contribuir para a mudança, uma proposta de cada vez”, disse Bárbara Pais.

A iniciativa chega à sua terceira edição depois de, em 2025, ter recebido cerca de mil candidaturas para a seleção dos 230 Deputados-Cidadãos da segunda edição. Ao longo desse mandato, as 14 Comissões desenvolveram 79 propostas, resultado de um processo de investigação, debate, auscultação de especialistas e participação dos cidadãos.

Entre as propostas desenvolvidas na segunda edição encontram-se, por exemplo, uma recomendação à Assembleia da República portuguesa para o reforço da literacia em Inteligência Artificial entre os jovens; propostas para uma maior transparência e utilização do património imobiliário do Estado como instrumento de política pública; e reforço da proteção das vítimas de crime. Foram também desenvolvidas propostas em áreas como a valorização da fileira da lã e a sua transformação sustentável, a regulação da publicidade a bebidas alcoólicas e jogos e apostas online e o direito à dispensa da impressão de faturas, recibos e outros documentos. A flexibilização do voto para a diáspora portuguesa e portugueses residentes em território nacional, bem como uma atualização nas políticas de estágio no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e a economia azul foram outros dos temas tratados.

Segundo os seus organizadores, nesta nova edição, as Comissões de Cidadãos irão “reforçar a sua presença no território nacional”. Embora os trabalhos das Comissões decorram maioritariamente online, está prevista a realização de três eventos presenciais ao longo da sessão legislativa, realizados em diferentes regiões do país e o Plenário Final na Assembleia da República portuguesa, em Lisboa.

Desde a sua criação, a iniciativa já reuniu participantes entre os 16 e os 74 anos, provenientes de todo o território nacional e também da diáspora portuguesa.

“A diversidade de idades, percursos e representatividade geográfica tem sido uma das características distintivas do projeto, que procura garantir uma participação plural, independente e representativa da sociedade portuguesa”, mencionaram os responsáveis pelo projeto.

“As candidaturas estão abertas. Participar também é fazer política. Qualquer cidadão português que queira contribuir para o debate e para a construção de soluções para o país pode candidatar-se a uma das 14 Comissões de Cidadãos. As candidaturas decorrem de 6 de agosto a 13 de setembro”, sublinharam esses mesmos responsáveis.

Para saber mais sobre o projeto e conhecer as 14 Comissões, consulte o seguinte link: www.os230.pt

Nas redes sociais, também é possível ter mais informações:

LinkedIn: Comissões de Cidadãos

Instagram: comissoescidadaos.pt

As candidaturas podem ser submetidas em: https://tinyurl.com/comissoescidadaos

Sobre as Comissões de Cidadãos

Recorde-se que as Comissões de Cidadãos são uma iniciativa da “Associação Os 230” que “promove a participação ativa dos cidadãos na democracia”.

Em cada edição, são selecionados 230 cidadãos independentes, sem filiação partidária, para integrar 14 Comissões, organizadas de forma semelhante às comissões parlamentares.

Durante uma sessão legislativa, os Deputados-Cidadãos “investigam, debatem, ouvem especialistas e desenvolvem propostas de políticas públicas que, após consulta pública e aprovação em Plenário de Cidadãos, são apresentadas aos Órgãos de Soberania”.

A iniciativa procura “aproximar os cidadãos da decisão pública e contribuir para uma democracia mais participativa, inclusiva e representativa”.

Ígor Lopes

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Covilhã: Feira de São Tiago encerra edição de 2026 reforçando o seu “impacto económico e cultural” na região da Beira Interior

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A 615.ª Feira de São Tiago, correspondente à 613.ª edição realizada, decorreu entre os dias 16 e 26 de julho, no Complexo Desportivo da Covilhã, reunindo mais de 200 expositores, dezenas de espaços de restauração, empresas, associações, produtores locais, artesãos, comerciantes, entidades públicas e privadas, bem como um vasto programa de animação cultural e musical que voltou a afirmar o certame como “um dos maiores eventos anuais da região portuguesa da Beira Interior”.

Com origens que remontam a 1411, a Feira de São Tiago constitui “um dos mais antigos certames populares portugueses ainda em atividade”. Ao longo de mais de seis séculos, o evento evoluiu de uma feira tradicional de comércio agrícola e pecuário para uma grande mostra económica, empresarial, cultural e turística, assumindo atualmente “um papel determinante na promoção da Covilhã e de toda a Beira Interior”.

A edição de 2026 ficou marcada por várias alterações estruturais implementadas pelo Município da Covilhã, organizador do certame em parceria com a Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP), contando ainda com o apoio do Turismo de Portugal, através do programa “Portugal Events”.

Entre as principais novidades destacou-se a redução da duração da feira de 16 para 11 dias, decisão tomada após auscultação de expositores, associações e juntas de freguesia, permitindo conciliar o certame com outras iniciativas realizadas nas freguesias do concelho e responder às dificuldades de disponibilidade de recursos humanos manifestadas por muitas empresas participantes.

A reorganização do recinto constituiu igualmente uma das maiores mudanças desta edição. A área da restauração foi ampliada e transferida para um novo espaço, proporcionando “melhores condições ao público e aos operadores”. Paralelamente, o stand institucional passou para uma localização mais central, “melhorando a circulação dentro do recinto”.

A aposta na sustentabilidade traduziu-se também na introdução de copos reutilizáveis, medida que permitiu “reduzir significativamente” a utilização de plástico descartável durante o evento.

Outra novidade passou pela implementação da bilhética digital, permitindo adquirir antecipadamente os ingressos através do site oficial da feira, solução que “facilitou o controlo das entradas e reduziu significativamente as filas de acesso ao recinto”.

Além do tradicional palco principal, a edição deste ano voltou a integrar o Palco Secundário, dedicado sobretudo a artistas e bandas da região, e o Palco Tradições, reservado a ranchos folclóricos, grupos de bombos, cantares populares e associações culturais locais.

No plano empresarial, a edição contou com 203 expositores, distribuídos por diferentes áreas de atividade. Destes, 57 empresas ocuparam 78 stands empresariais, resultado da parceria estabelecida entre o Município da Covilhã e a AECBP, demonstrando a crescente importância económica do certame enquanto plataforma de promoção empresarial e de geração de oportunidades de negócio.

De igual modo, a restauração voltou a assumir forte protagonismo, com 62 espaços gastronómicos, aos quais se juntaram produtores agrícolas, comerciantes, expositores de produtos regionais, instituições, associações, espaços dedicados ao artesanato e os tradicionais divertimentos, compondo uma oferta bastante diversificada para os milhares de visitantes que passaram pelo recinto.

A programação musical procurou responder a diferentes públicos e gerações, reunindo alguns dos principais nomes da música portuguesa. Pelo palco principal passaram Quim Barreiros, Diogo Piçarra, João Gil, Sara Correia, Plutónio, Vizinhos, Bárbara Bandeira, Pedro Abrunhosa, Inês Vasconcellos e Rita Guerra, esta última acompanhada pela Filarmónica Recreativa Carvalhense.

A animação foi complementada diariamente por atuações de artistas locais, grupos folclóricos, bombos, música tradicional, animação de rua e diversas atividades dirigidas às famílias.

Organização e participantes destacam “impacto económico, cultural e social do evento”

No balanço da edição de 2026, o vereador com o pelouro dos Eventos da Câmara Municipal da Covilhã, Luís Marques, considerou que a Feira de São Tiago voltou a afirmar-se como “um dos maiores acontecimentos da região”, destacando o impacto económico, cultural e social do certame.

Em declarações à imprensa local, o vereador mostrou-se “satisfeito” com os resultados alcançados, defendendo que o evento continua a crescer de forma “sustentada”.

“Estou muito satisfeito. Acho que fizemos um evento que nos pode deixar orgulhosos. A nossa Feira de São Tiago continua a ser um evento marcante na nossa região e acho que este ano foi mais uma edição de sucesso”, frisou este responsável, que salientou também que a reorganização da área da restauração e dos bares “correspondeu às expectativas da organização, permitindo melhorar a circulação do público e conferir uma nova imagem ao recinto”.

“Nos primeiros dias não tão conhecida porque as pessoas não estavam habituadas ao local, mas penso que nos últimos dias viu-se que foi uma aposta bem conseguida e que dá também uma nova imagem à nossa Feira de São Tiago”, observou Luís Marques, que revelou ainda que o interesse pelo certame aumentou este ano, obrigando a organização a deixar algumas empresas e associações de fora por inexistência de espaço disponível.

“Este ano já deixámos algumas pessoas de fora, algumas empresas de fora, algumas associações de fora, por falta de espaços. Vamos tentar criar mais espaços para que mais gente venha, para que mais associações venham e também possamos trazer artesanato, decoração, tudo aquilo que possa dar mais brilho a esta Feira”, explicou.

Embora a meta dos 100 mil visitantes não tenha sido atingida, devido à redução do número de dias do evento, o vereador considerou que o balanço global foi claramente positivo, anunciando que a preparação da edição de 2027 arrancaria imediatamente.

“Precisamos começar já na próxima semana a trabalhar para a Feira de São Tiago de 2027”, revelou.

Também presente no certame, a empresária, presidente da Associação Mais Lusofonia, com sede em Castelo Branco, e cônsul honorária de Cabo Verde para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, Sofia Lourenço, considerou que a Feira de São Tiago demonstra a capacidade organizativa do Interior do país e assume um papel relevante na valorização da região, contrariando a ideia de que apenas os grandes centros urbanos conseguem acolher eventos de grande dimensão.

Na sua perspetiva, o certame tem vindo a afirmar-se pela qualidade da programação cultural, gastronómica e musical, funcionando também como espaço privilegiado de encontro entre diferentes comunidades e culturas.

“Esse tipo de evento na nossa região e, principalmente, no Interior de Portugal, só dignifica e só mostra as capacidades que o interior tem, muito pelo contrário do que as pessoas dizem de que os grandes eventos acontecem nas grandes cidades”, declarou.

“A Feira de São Tiago, nos últimos anos, tem mostrado uma qualidade a nível da gastronomia, da parte cultural, da parte musical, principalmente”, acrescentou.

Sofia destacou ainda a dimensão multicultural da feira, realçando que a presença de diferentes gastronomias lusófonas contribui para reforçar os laços entre comunidades.

“No campo da lusofonia, que é o que me cabe, este evento estreita laços, une várias culturas, mesmo porque, na Feira de São Tiago, conseguimos perceber que havia stands com a alimentação brasileira, angolana, e isso significa que há uma miscigenação natural e que toda a gente pode mostrar o que tem de melhor em cada cultura”, frisou.

Por sua vez, Lara Pires, especialista em Planeamento e Propriedade Intelectual, destacou a diversidade da oferta gastronómica disponível nesta edição, considerando que o reforço da presença de produtores locais constituiu uma das principais mais-valias do certame. Na sua opinião, a feira representa uma oportunidade para aproximar consumidores e produtores.

“A feira neste ano tinha muito mais opções de alimentação e opções variadas. Sobre alimentação pude perceber também maior participação de produtores locais e de produtos agrícolas e também produção de ovos. A feira é uma oportunidade excelente para conhecer essas pessoas e começar a comprar direto do produtor”, referiu Lara Pires, que elogiou ainda a programação cultural paralela, destacando a aposta da organização nos artistas regionais e nas manifestações tradicionais.

“Gostei muito da seleção de artistas que se apresentaram no palco secundário e das apresentações folclóricas”, assinalou.

Também Cristina Cravino, professora residente na Covilhã, destacou a evolução qualitativa da edição deste ano, considerando que o reforço da oferta de restauração e a diversidade dos espaços contribuíram para tornar o certame “mais atrativo”.

“Gostei muito da edição deste ano da Feira de São Tiago. Havia mais oferta e mais qualidade nos bares e na restauração, o que trouxe mais animação e diversidade à feira. Visitei todos os stands e tive ainda o gosto de estar no stand da escola onde leciono, a receber e a acolher quem por ali passava, foi uma experiência muito gratificante!”, vincou. Na visão desta docente, a Feira continua a desempenhar um papel importante na dinamização da economia local e na promoção do trabalho desenvolvido por comerciantes, instituições e associações.

“Na minha opinião, a feira é excelente para os comerciantes e para todos os que participam, dando-lhes visibilidade e retorno”, salientou Cristina Cravino, que destacou ainda o concerto dos “Vizinhos” como um dos momentos mais marcantes da programação musical e considerou que o certame representa um importante símbolo da identidade local.

“Para mim, a Feira de São Tiago é muito mais do que um evento: mostra o que temos na nossa região e é um verdadeiro ponto de encontro de covilhanenses, um momento de identidade que renova todos os anos o nosso orgulho”, acrescentou.

Também Maria Tereza Fazendeiro, educadora de infância residente e atuante na Covilhã, considerou que a reorganização do recinto constituiu uma das principais melhorias da edição de 2026.

“Acho que a Feira de São Tiago esteve bem conseguida este ano. Um dos aspetos mais positivos foi a concentração dos restaurantes na mesma zona, o que tornou o espaço mais organizado e agradável para quem visita. Penso apenas que teria sido ainda melhor se todos os restaurantes estivessem integrados nesse espaço”, observou esta educadora de infância, que sublinhou que o certame continua a assumir um papel relevante na promoção da região e na valorização dos agentes económicos locais.

“No geral, continua a ser um evento muito importante para a Covilhã e para toda a região, porque dinamiza a economia local, promove os produtores e comerciantes e é um ponto de encontro de famílias e amigos, mantendo viva uma tradição que faz parte da identidade da Beira Interior. Ninguém resiste a uma fartura com Sumol de ananás”, referiu.

Já o empresário António Carlos, que atua no ramo imobiliário, realçou a importância da Feira de São Tiago enquanto plataforma de promoção para empresas e profissionais da região, considerando que a presença no certame contribui para reforçar a notoriedade dos negócios e gerar novas oportunidades.

“É bom estarmos presentes, é bom sermos reconhecidos e nós, para sermos reconhecidos, temos de ser bons profissionais e é isto que tem acontecido mensalmente, anualmente, ano após ano, essa conquista e esse reconhecimento é brutal”, sustentou o empresário, que avaliou que a visibilidade proporcionada pelo evento ultrapassa a dimensão local, permitindo estabelecer contactos com investidores nacionais e estrangeiros e contribuir para o desenvolvimento económico da Beira Interior.

“Há muitos países que vêm diretamente ter comigo, já, com a minha equipa, para nós fazermos a venda do imóvel deles, para comprar um imóvel, para o desenvolvimento turístico, e grandes projetos que estão a ser criados na região. As pessoas têm recorrido a mim para lhes dar mais alguma informação e para que seja algo de útil para o desenvolvimento deles”, revelou.

Por sua vez, a empresária Ana Antunes reconheceu a importância da Feira de São Tiago enquanto espaço de contacto com o público, mas considerou que, diante das experiências anteriores, identificou que “persistiram algumas fragilidades ao nível da organização do evento”.

“Participar na Feira de São Tiago foi uma experiência importante e uma oportunidade de estar em contacto com tantas pessoas. No entanto, percebi alguma desorganização, falta de planeamento, de informação e de apoio aos participantes, o que acabou por prejudicar quem investiu tempo, dedicação e recursos para estar presente. Fica a esperança de que, nas próximas edições, a organização possa rever alguns pontos e aprenda com os erros e proporcione uma experiência mais digna para expositores e visitantes”, concluiu.

“Ainda com o coração cheio! Obrigado, Covilhã! A Feira de São Tiago 2026 foi, sem dúvida, memorável. Este mar de gente reflete a força da nossa comunidade e a paixão pelas nossas tradições. Um agradecimento especial a todos os que tornaram esta edição possível: visitantes, parceiros e equipas. O vosso contributo foi inestimável. Bem-haja! Despedimo-nos com os olhos postos no futuro. O trabalho para a próxima edição já começou. A Feira de São Tiago regressa em 2027!”, mencionou a organização do evento nas redes sociais.

Uma das mais antigas da Península Ibérica, a Feira de São Tiago decorreu na Covilhã, Região Centro de Portugal, de 16 e 26 de julho de 2026.

Ígor Lopes

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