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Os passos do empréstimo habitação

Vai comprar casa? Conheça todos os passos do empréstimo habitação e saiba o que deve ter em conta neste artigo

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Comprar casa é o sonho e objetivo de vida de muitas pessoas. Para grande parte, a compra de casa está estreitamente ligada à aprovação de um empréstimo habitação.

Todavia, sendo este um processo por vezes longo e com alguma burocracia, torna-se importante perceber exatamente por onde podemos começar ou o que devemos fazer.

A pensar nisso, em colaboração com a UCI (entidade financeira especializada em financiamento para compra de casa), desenvolvemos um pequeno guia que o vai orientar pelos vários passos do pedido de empréstimo habitação. Vamos começar?

1.    Que casa pode comprar?

Antes de começar à procura de casa é importante saber qual o valor da casa que pode comprar. Não vale a pena procurar uma casa de 200 mil euros se só tem capacidade financeira para garantir um empréstimo habitação de 150 mil euros.

Como tal, antes de qualquer coisa, faça uma análise à sua taxa de esforço, para tal basta utilizar a seguinte formula:

Encargos mensais com créditos / Rendimento líquido total mensal do agregado familiar x 100

Lembre-se que segundo as recomendações do Banco de Portugal a sua taxa de esforço (considerando os encargos com todos os créditos, incluindo o empréstimo habitação) não poderá ir além dos 50%, sendo mesmo recomendável que esta fique abaixo dos 40%.

Se não é muito de contas, pode utilizar o simulador quanto pode gastar disponível no site da UCI, para saber qual o valor da casa que pode comprar. Assim, poderá logo à partida estabelecer um intervalo de preços, tornando a sua procura de casa mais fácil.

2.    Faça várias simulações de empréstimo habitação e compare propostas

Ainda antes de avançar para as simulações de empréstimo habitação, tenha claro que atualmente os bancos não financiam a compra de casa a 100% (exceção dos imóveis do banco), sendo o montante máximo de financiamento de 90%. Como tal, terá de ter capitais próprios para dar no mínimo 10% de entrada inicial.

Se tem o valor necessário para dar de entrada inicial, então passemos ao passo seguinte, fazer simulações.

  1. Faça simulações em diferentes bancos, com diferentes taxas de juro e diferentes prazos. Tenha em atenção que para que as propostas sejam comparáveis deverá procurar ter propostas com características idênticas (por exemplo com o mesmo prazo de financiamento e o mesmo montante de empréstimo).
  2. Ao fazer as simulações receberá uma Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), este documento é de grande importância, pois contem vários indicadores que lhe permitem comparar as simulações do empréstimo habitação, como:
    . Montante de financiamento;
    . Valor da prestação;
    . Despesas e impostos do empréstimo habitação;
    . Seguros;
    . Taxas de Juro (Taxa Fixa, Mista e Variável);
    . Spread, TAN, TAEG e MTIC;
    . Outras informações relevantes sobre o empréstimo habitação.
  3. Muito embora, o spread seja um indicador importante, este representa apenas um dos custos. Como tal, ao procurar o melhor empréstimo habitação para si, tenha em especial atenção, o MTIC, através deste indicador conseguirá ter uma noção real de quanto vai pagar pelo dinheiro emprestado.
  4. É frequente os bancos proporem vendas associadas facultativas (cartões de crédito, conta à ordem, domiciliações/pagamentos de serviços, etc…) como contrapartida para a redução do Spread. No entanto, estes produtos têm custos associados que podem encarecer o seu empréstimo. Caso não pretenda um destes produtos, ou desista deles durante o contrato, as condições financeiras do empréstimo habitação também poderão ser agravadas deixando de beneficiar do spread inicial que contratou.

3.    Pedido de empréstimo habitação

Agora que escolheu a melhor proposta de empréstimo habitação, está na altura de enviar toda a documentação necessária.

Recolhidos e enviados todos os documentos o seu pedido de empréstimo habitação vai ser analisado de forma a avaliar a viabilidade do processo. Aguarde com tranquilidade.

4.    Empréstimo habitação aprovado

Se o empréstimo habitação for aprovado, surgem duas importantes etapas:

  1. A avaliação do imóvel. Esta será realizada por uma entidade independente e tem como objetivo avaliar o imóvel de acordo com os valores de mercado de forma a definir o valor que servirá de garantia para o empréstimo habitação;
  2. A verificação registal do imóvel, de forma a avaliar se do ponto de vista legal está tudo em conformidade. Este passo é muito importante para garantir a segurança de todas as partes envolvidas no negócio.

Ao concluir esta etapa, receberá uma FINE aprovação, que nada mais é do que um documento que incorpora todas as condições do contrato de empréstimo aprovadas. Em conjunto receberá também uma minuta do contrato do empréstimo habitação.

Antes de passar para a última fase, a assinatura da escritura, deverá decorrer ainda um tempo obrigatório que serve para refletir sobre as implicações do empréstimo habitação, para que possa tomar uma decisão consciente.

5.    A escritura

O processo de compra de casa com recurso a empréstimo habitação culmina com a assinatura da escritura de compra e venda e mútuo com hipoteca num notário ou conservatória.

No dia da escritura, será necessário levar os documentos de identificação, os originais da documentação do imóvel e realizar o pagamento de impostos e emolumentos registais que são previamente informados.

No final da escritura o imóvel será oficialmente seu. Parabéns!

Se ainda tem dúvidas sobre o pedido de empréstimo habitação, fale com um especialista em financiamento como a UCI, que além de soluções de adaptadas às suas necessidades, também poderá responder a todas as suas questões.

Foto: DR.

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Jornalista Ana Paula Padrão leva a Lisboa reflexão sobre novos caminhos e protagonismo das mulheres

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A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) promove, no próximo dia 19 de novembro, às 10h, no Hotel Dom Pedro Lisboa, uma edição especial das “Conversas da Câmara”, que terá como convidada Ana Paula Padrão, jornalista e empreendedora brasileira. O encontro, subordinado ao tema “O Próximo Capítulo”, pretende abordar as escolhas que marcam os percursos pessoais e profissionais, os desafios associados à mudança e o papel das mulheres na construção de novas oportunidades.

A iniciativa integra o programa de encontros da CCILB, dedicado à aproximação entre profissionais, empresários e representantes de diferentes setores ligados a Portugal e ao Brasil.

Sob o lema “A voz dos líderes entre Portugal e Brasil”, as “Conversas da Câmara” procuram “criar espaços de diálogo sobre experiências profissionais, liderança, empreendedorismo e desenvolvimento de projetos”.

Percurso marcado pela “inovação”

Com um percurso desenvolvido na comunicação social brasileira, Ana Paula Padrão construiu uma carreira no jornalismo televisivo, tendo desempenhado funções de apresentação e reportagem. A sua trajetória inclui experiências em diferentes órgãos de comunicação e, mais recentemente, atividades ligadas ao empreendedorismo. A participação em Lisboa permitirá abordar a relação entre a experiência acumulada ao longo da carreira e as decisões que conduzem à abertura de novos ciclos profissionais.

O tema escolhido para esta edição, “O Próximo Capítulo”, coloca em discussão as mudanças que surgem ao longo da vida profissional e a forma como podem ser encaradas por mulheres que ocupam funções de liderança ou pretendem desenvolver projetos próprios. A conversa deverá explorar questões relacionadas com escolhas, novos caminhos e protagonismo feminino, a partir do percurso da convidada.

A sessão terá como chairs Giovana Bratti, diretora da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, e Mara Catarina, coordenadora do Comité de Liderança Feminina. A presença das duas responsáveis enquadra o encontro numa reflexão sobre a participação das mulheres nos espaços de decisão, a partilha de experiências e a criação de relações entre profissionais de diferentes gerações e setores.

A trajetória da convidada inclui passagens pela TV Globo, pelo SBT e pela Record, onde desempenhou funções de reportagem, apresentação e direção editorial. Como correspondente internacional, acompanhou acontecimentos como os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e conflitos no Afeganistão. Em 2014, iniciou uma nova etapa profissional ao assumir a apresentação do programa “MasterChef Brasil”, da Band, função que exerceu durante uma década, até ao final de 2024.

Depois de deixar o programa, Ana Paula Padrão passou a concentrar a sua atividade na educação empresarial e no desenvolvimento de carreiras femininas. Atualmente, é sócia e responsável pela Conquer Unna, unidade da Conquer Business School dedicada à formação de mulheres em áreas como liderança, gestão, planeamento profissional e empreendedorismo. O projeto dá continuidade a iniciativas que desenvolveu anteriormente, entre as quais a Escola de Você e a plataforma Tempo de Mulher.

A experiência da jornalista nas mudanças de carreira constitui um dos pontos de partida para a conversa em Lisboa. A transição do jornalismo para o entretenimento televisivo e, posteriormente, para o setor da formação empresarial permite abordar questões relacionadas com a adaptação profissional, a identificação de oportunidades e os desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes fases da vida.

A participação no evento tem um custo de 30 euros, com IVA incluído, para associados da CCILB, e de 35 euros, com IVA incluído, para não associados. O encontro conta com o patrocínio do Hotel Dom Pedro Lisboa, da Baektó Coffee e da MOVE.

“A CCILB prossegue o seu programa de encontros entre representantes dos meios empresariais português e brasileiro, desta vez com uma abordagem centrada nas experiências de liderança feminina e nas decisões que podem transformar um percurso profissional. Será uma oportunidade positiva para trabalharmos a questão do empreendedorismo, dos caminhos profissionais, mas, também, do papel feminino no campo da liderança”, disse Otacílio Soares presidente da CCILB.

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Semijoias de Ada Helena chegam à moda de Milão e abrem caminho para novos negócios na Suíça e em Portugal

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A empresária brasileira Ada Helena Gomes Torres levou a Genebra, na Suíça, um projeto que começou no Brasil e que, em 2026, entrou numa nova fase de internacionalização. Fundadora da “Ada Helena Semijoias”, participou, no dia 11 de outubro, na 9.ª edição do “Summit Estética by Lu Pires”, realizada no Hotel Royal, onde esteve como palestrante e expositora, apresentando a marca a um público formado por profissionais, empresários e empreendedores de diferentes nacionalidades.

A presença em Genebra aconteceu poucas semanas depois de peças da sua marca terem integrado produções apresentadas durante a “Milano Fashion Week”, em setembro. A participação resultou de uma parceria com a estilista Sofia Nose, que utilizou acessórios da marca na composição dos looks levados ao circuito de moda em Milão. Embora Ada Helena não tenha estado presencialmente na cidade italiana, acompanhou à distância a apresentação das peças e o momento em que o nome da empresa foi anunciado. A empresária descreveu a experiência como uma etapa que “não fazia parte dos seus planos iniciais de expansão internacional”.

Foi também a ligação criada a partir da experiência em Milão que aproximou Ada Helena da também empresária Lu Pires e abriu caminho para a participação no encontro realizado em Genebra. Na Suíça, Lu Pires recebeu Ada, numa iniciativa que reuniu áreas como beleza, estética, saúde, moda, empreendedorismo, comunicação, liderança e negócios.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, realizada na Suíça, Ada Helena explicou que a presença na Europa reforçou uma possibilidade que começou a ser considerada apenas nos últimos meses: “transformar uma operação construída no Brasil numa marca com atuação internacional”.

“Estar aqui neste momento divulgando a marca “Ada Helena Semijoias”, trazendo essa marca que tem um propósito de ajudar e colaborar com a vida de outras mulheres, é motivo de muita alegria. Hoje temos uma rede de mulheres que se ajudam e que se desenvolvem”, afirmou.

O percurso profissional dessa empresária começou longe do mercado de acessórios. Natural de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Brasil, Ada Helena é formada em Psicologia e trabalhou durante 13 anos na área. A mudança ocorreu quando decidiu deixar o emprego para dedicar mais tempo à família. Casada e mãe de três filhos, encontrou posteriormente no comércio de semijoias uma possibilidade de regressar à atividade profissional através do empreendedorismo.

“Quando decidi cuidar da minha família, saí do trabalho para poder cuidar dos meus filhos e surgiu essa oportunidade de empreender. A semijoia trouxe essa verdadeira Ada que existia dentro de mim e que eu não conhecia. A partir daí, comecei também a ajudar outras mulheres a descobrirem-se”, recordou.

A marca “Ada Helena Semijoias” foi criada em 2021, com uma proposta baseada na comercialização de colares, brincos, pulseiras, anéis e outros acessórios. Paralelamente à venda direta e através dos canais digitais, a empresa desenvolveu uma rede de revendedoras, transformando o produto num “instrumento de geração de rendimento para outras mulheres”.

Esta vertente tornou-se um dos principais eixos do modelo de negócio. Segundo Ada, entre as revendedoras encontram-se mulheres que passaram a contribuir diretamente para o rendimento familiar e mães que sustentam os seus agregados através da atividade comercial.

“Tenho muitas mulheres que começaram a empreender a partir da semijoia. Tenho mulheres que sustentam os seus lares no Brasil, mães que sustentam famílias, e mulheres que não tinham sonhos e que hoje construíram e realizaram sonhos”, relatou.

A empresa desenvolve ainda um trabalho com as revendedoras direcionado para a definição de objetivos pessoais. Ada Helena contou o caso de uma participante que estabeleceu metas durante uma atividade promovida pela marca e conseguiu concretizá-las antes de completar um ano, entre elas a obtenção das cartas de condução de automóvel e motociclo.

Para a empresária, a lógica ultrapassa a simples comercialização de acessórios. A estratégia passa por associar revenda, formação pessoal e criação de rendimento, procurando oferecer às participantes uma atividade que possa ser desenvolvida de acordo com a realidade profissional e familiar de cada uma.

“Se conhecermos a história destas mulheres, começamos a perceber o quanto foram crescendo e desenvolvendo-se”, afirmou Ada Helena.

A política comercial da empresa procura também atingir diferentes segmentos de rendimento. Ada Helena recordou que, no início da atividade, vendeu produtos a consumidoras que nunca tinham comprado uma semijoia. Essa experiência ajudou a definir uma proposta que procura combinar diversidade de preços e acesso a diferentes públicos.

A expansão internacional começou a ganhar forma em junho deste ano. Antes da deslocação à Europa, a empresária procurou informações sobre os procedimentos necessários para uma futura operação de exportação e iniciou contactos para receber acompanhamento técnico quando regressasse ao Brasil. A experiência na Suíça levou-a a avançar com estudos sobre logística, regulamentação e comercialização fora do mercado brasileiro.

“Quando voltar ao Brasil, quero estudar mais sobre exportação e perceber como vai funcionar esse processo. Diante do cenário que vivi aqui na Suíça e desta experiência no “Summit”, acredito muito na possibilidade de crescimento e de trazer a “Ada Helena Semijoias” para a Europa e para o mundo”, explicou.

Portugal e Suíça surgiram naturalmente nas primeiras experiências desta nova etapa. Produtos da marca já começaram a circular em território europeu e a empresa procura agora compreender como transformar estes contactos iniciais numa operação estruturada. Ada Helena recorreu ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), antes da viagem e deixou agendada uma consultoria para aprofundar o processo quando regressasse ao país.

Neste movimento, a empresária mantém também um olhar atento à comunidade lusófona, sobretudo pela afinidade linguística, cultural e comercial entre Brasil, Portugal e os brasileiros residentes em diferentes países europeus. A presença em Genebra, diante de um público multicultural, reforçou essa perceção e abriu novas possibilidades de aproximação a consumidores e empreendedoras que falam português, tanto na Suíça como noutros mercados europeus.

Desafios e oportunidades internacionais

A passagem pela “Milano Fashion Week” representou, neste percurso, a primeira exposição da marca num contexto internacional ligado diretamente à moda. A colaboração com Sofia Nose colocou as semijoias brasileiras na composição de produções apresentadas em Milão e funcionou como ponto de ligação para novas oportunidades.

“O desfile foi a porta de entrada. Fui convidada para patrocinar o desfile com as nossas semijoias. Foi através dessa possibilidade e dessa ligação com Sofia Nose que conheci a Lu Pires e nos conectámos para eu estar aqui hoje”, explicou Ada, durante a entrevista em Genebra.

Ao recordar o momento em que ouviu o nome da empresa associado à apresentação em Milão, a empresária relacionou o episódio com um percurso construído ao longo dos últimos anos.

“Quando ouvi “Ada Helena Semijoias” no palco da Fashion Week de Milão, pensei: meu Deus, é um sonho inimaginável. Hoje, fazendo uma retrospectiva da minha história, vejo que é toda uma construção”, disse.

Essa construção inclui também iniciativas próprias de moda no Brasil. A “Ada Helena Semijoias” prepara para 12 de novembro a segunda edição do seu desfile, denominado “Celebrare 2026”. O tema escolhido para este ano é “O essencial que você leva para a vida” e a proposta passa por “apresentar as peças a partir da realidade quotidiana das próprias consumidoras”.

“As nossas clientes são mulheres comuns. A mensagem que queremos trazer neste desfile é para que essa mulher não deixe de ser quem ela é nos diversos lugares que ocupa”, explicou.

A utilização dos acessórios em produções de moda integra uma estratégia da empresa de posicionar as semijoias para além do consumo isolado. A marca procura relacionar os produtos com a construção de uma imagem e com a composição completa dos looks, como aconteceu na parceria desenvolvida com Sofia Nose em Milão.

Ao mesmo tempo, a estrutura de revenda continua a ocupar uma posição central no crescimento da empresa. O modelo permite que mulheres comercializem as peças e criem uma atividade empresarial própria, enquanto a marca aumenta a distribuição sem depender exclusivamente dos canais tradicionais de retalho.

Em Genebra, esta dupla vertente esteve no centro da intervenção de Ada Helena: internacionalizar a empresa e, ao mesmo tempo, manter a ligação a uma rede de mulheres que utiliza a venda das peças como fonte de rendimento. A empresária apresentou ainda a importância do autoconhecimento e da definição de objetivos na construção de um negócio.

“Um dos pontos principais é o autoconhecimento. Quando sabemos quem somos, ganhamos força e coragem para alcançar novos lugares. Para uma pessoa ter sucesso, tem de fazer aquilo de que gosta, com propósito”, declarou.

Depois de as peças terem passado por Milão, de já estar a chegar ao público português e de a fundadora ter apresentado pessoalmente o projeto em Genebra, a “Ada Helena Semijoias” regressa ao Brasil com a internacionalização ainda em fase de estruturação, porém, segundo apurámos, o próximo passo passa pelo estudo dos processos de exportação e pela definição dos mercados em que a marca poderá operar de forma regular.

Para Ada Helena, a viagem à Europa alterou a dimensão do projeto que começou em Belo Horizonte. O que nasceu como uma alternativa profissional após a saída da Psicologia passou a reunir comércio, revenda, moda e empreendedorismo feminino.

Milão abriu uma primeira montra internacional. Genebra colocou a empresária diante de novos públicos. O desafio agora é transformar essas experiências numa estratégia de entrada da marca noutros mercados.

Ígor Lopes

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Açores

Adélio Amaro coordena jornadas internacionais que aproximam investigação académica e cultura popular em Leiria

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A cidade de Leiria, em Portugal, prepara-se para receber, no próximo dia 7 de novembro, a sexta edição das Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria (JIEL), uma iniciativa dedicada ao estudo, à preservação e à valorização do património cultural. O encontro decorrerá na Casa da Música de Maceira, no Auditório da Filarmónica, entre as 9h30 e as 17h00, reunindo investigadores e especialistas de Portugal, Brasil, Espanha e México.

Organizadas pela Câmara Municipal de Leiria e pelo Agromuseu Municipal Dona Julinha, as jornadas pretendem “promover o diálogo entre a investigação académica, as instituições culturais e as comunidades, tendo como referência as práticas, os saberes, as tradições e as identidades que integram a memória coletiva dos territórios”.

A coordenação da edição de 2026 está a cargo de Adélio Amaro, que também participará como orador no primeiro painel. O encontro procurará relacionar o estudo das tradições com questões contemporâneas, incluindo a utilização das tecnologias digitais na preservação da memória, os movimentos migratórios e a transformação das manifestações culturais.

A sessão de abertura contará com as intervenções de Adélio Amaro, coordenador das JIEL 2026, de Vítor Santos, presidente da Junta de Freguesia de Maceira, e de Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria. O programa incluirá ainda momentos musicais protagonizados por grupos folclóricos e associações culturais.

Património e etnografia na era digital

O primeiro painel, subordinado ao tema “Do Território ao Espaço Digital”, terá início às 10h e será moderado por André Camponês, da Câmara Municipal de Leiria, através da Divisão de Museus e Património Cultural.

Tiago Pereira, responsável pelo projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, apresentará uma intervenção sobre o Lastro.net, a memória, o arquivo e a inteligência artificial, abordando as possibilidades de utilização das ferramentas digitais na documentação e divulgação das expressões culturais.

António José Santos, etnógrafo português, apresentará o tema “Ethnos-Folk Livros: Um Espaço do Passado, Aberto ao Mundo”, enquanto Adélio Amaro, doutorando na Universidade dos Açores, através da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, abordará os espaços etnográficos existentes no concelho de Leiria.

A intervenção do coordenador das jornadas permitirá analisar a relação entre os equipamentos culturais, a preservação da memória local e a valorização dos testemunhos materiais e imateriais das comunidades.

O segundo painel, “Folclore e Etnografia: Desafios Contemporâneos”, terá início às 11h15, com moderação de Luís Miguel Narciso, do Arquivo Municipal de Leiria.

A investigadora mexicana Tatiana Bernaldez, mestre em Antropologia Ibero-Americana pela Universidade de Salamanca, apresentará uma comunicação sobre a problemática dos têxteis indígenas e os desafios da investigação etnográfica.

O português Ludgero Mendes, do Centro Etnográfico Celestino Graça, abordará os movimentos migratórios e a emergência de novos terrenos antropológicos, relacionando a mobilidade das populações com as transformações culturais.

A participação brasileira estará representada por Ana Beatriz M. Mattar, doutoranda em Artes na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que apresentará uma investigação sobre o sapateado brasileiro, os seus diálogos culturais e as relações com manifestações tradicionais do México e de Portugal.

O painel contará também com Jesús Javier Piñero Rodríguez, do Instituto Val de Xálima, em Espanha, que analisará a experiência da Associação Folclórica Cultural U Fresnu, enquanto estudo de caso sobre associativismo e preservação cultural.

Música, tradição e memória coletiva

Durante a tarde, a programação prosseguirá com o painel “Música e Tradição”, marcado para as 14h30, sob moderação de Sofia Francisco, da Junta de Freguesia de Maceira.

Alberto Roque, maestro português, abordará a presença da canção popular portuguesa na música para banda filarmónica. Nuno Brito, professor e músico, apresentará a comunicação “Do sotaque ao sucesso: Já se sabe!”, dedicada às relações entre música, identidade e expressão cultural.

O investigador brasileiro Ronaldo Augusto Pires, psicólogo e historiador, participará com uma intervenção intitulada “Do Mastro à Coroa: Fé, Liderança e Tradição na Festa de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo”, abordando manifestações religiosas e práticas culturais associadas à memória das comunidades.

O último painel, “Património, Memória e Território”, começará às 15h30, com moderação de Rui Cunha, chefe da Divisão da Ação Cultural do Município de Leiria.

Celeste Afonso, especialista em Gestão Cultural Integrada do Território, apresentará uma reflexão sobre as relações entre memória, práticas culturais e a devoção a Nossa Senhora da Gaiola.

Ana Moderno, conservadora de museu, abordará a história das minas de carvão da Batalha, a partir das experiências das populações, dos testemunhos locais e da investigação participada.

A participação espanhola ficará ainda marcada pela intervenção de Carlos Montes Perez, da Universidade de Salamanca, que apresentará um estudo sobre memória e etnografia industrial, centrado no comboio de La Fregeneda a Barca d’Alva.

A programação contará igualmente com apresentações do Rancho Folclórico de Maceira, do Rancho Folclórico Roda Viva do Telheiro, do Rancho Folclórico da Costa, da Sociedade Philharmonica Maceirense e do Grupo Coral Anima Choralis, associando as comunicações académicas à participação de agentes culturais do território.

Ligação entre investigação e comunidades

Sob a coordenação de Adélio Amaro, as VI Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria procuram consolidar um espaço de encontro entre investigadores, instituições e associações que trabalham na documentação e transmissão do património cultural.

A participação de especialistas de quatro países permitirá cruzar experiências sobre folclore, memória, migrações, património industrial e tecnologias digitais, contribuindo para uma reflexão sobre a forma como as tradições são preservadas e reinterpretadas pelas comunidades.

A sessão de encerramento, prevista para as 17h00, contará com a apresentação do livro das JIEL 2025 e com intervenções de Adélio Amaro e de Anabela Graça, vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria.

A iniciativa conta com parcerias de instituições culturais, académicas e associativas, incluindo entidades de Portugal e do estrangeiro, reforçando a dimensão internacional do encontro.

A participação nas jornadas é gratuita, mas exige inscrição prévia, até ao dia 2 de novembro, através do endereço eletrónico jieleiria@gmail.com

O número de lugares é limitado.

Com esta sexta edição, as Jornadas Internacionais de Etnografia de Leiria dão continuidade ao debate sobre a preservação das práticas culturais, a investigação do património e a transmissão da memória entre gerações, num programa que articula conhecimento académico e participação comunitária.

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