Atualidade
Sintra: Reabilitação de edifícios para habitação jovem avança
A Câmara Municipal de Sintra tem a decorrer a reabilitação de edifícios municipais para habitação jovem, situados nas Escadinhas do Hospital e Calçada do Rio do Porto, num investimento de 1 milhão e 317 mil euros.
A empreitada visa reabilitar 2 edifícios de construção dos finais do séc. XIX localizados nas Escadinhas do Hospital e na Calçada do Rio do Porto, na União de Freguesias de Sintra, que se encontram em avançado estado de degradação com uma área de construção de 1.176,6 m2 e alteração de 7 para 11 fogos habitacionais.
Depois da montagem de tapume de vedação na envolvência dos edifícios a intervencionar e limpeza do pátio existente, estão em curso os trabalhos preparatórios da demolição do interior dos edifícios com a montagem de escoramentos de proteção aos pavimentos existentes.
Com esta intervenção, pretende-se respeitar e preservar as características do edificado e a coerência urbanística do conjunto, conferindo ao mesmo tempo ao edifício um nível superior de habitabilidade, conforto e segurança.
Os trabalhos da empreitada contemplam, entre outros, trabalhos de demolições estruturais, reforço estrutural das paredes envolventes, revestimentos de tetos e paredes com reboco, revestimentos cerâmicos em paredes e pavimentos, execução de novos pavimentos e de nova estrutura de suporte da cobertura, manutenção das fachadas, vãos, cantarias, guardas, recuperação do desenho das caixilharias e portadas, reconstrução das coberturas e pinturas.
Foto: DR.
Atualidade
Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” colocou em debate estratégias para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal
O “IV Fórum Económico das Beiras”, realizado pela Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB), no Grande Hotel de Luso, no concelho da Mealhada, no último dia 12 de setembro, afirmou-se como um “momento maior de reflexão, cumplicidade e construção coletiva para o futuro da Região Centro”. Sob o mote “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”, o encontro colocou no centro do debate o “investimento, o financiamento e a internacionalização”, partindo de uma certeza, segundo os seus organizadores: “as Beiras são o ventre de Portugal e têm de assumir o protagonismo e nunca o papel de meras comparsas nas rotas globais de capital, conhecimento e inovação”.
A condução de todo o Fórum esteve a cargo do Conselheiro da CCRB, Luís de Matos, que acompanhou os trabalhos ao longo do dia. A Sessão de Abertura, sob o tema “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”, marcou o ponto de partida do programa com as intervenções da presidente da CCRB, Ana Correia, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Franco, do Chairman do Grande Hotel de Luso, João Diniz, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), Ribau Esteves.
Na sua intervenção inaugural, transmitida em direto nas plataformas digitais da CCRB, Ana Correia deixou uma mensagem “de ambição, exigência e compromisso absoluto com os 113 municípios que integram a área de intervenção da CCRB”.
“Falo com a paixão visceral de quem ama as Beiras e os 113 municípios que fazem parte da sua área de intervenção. Queremos afirmar as Beiras como território de coesão, de resiliência e de oportunidade”, sublinhou esta responsável, que sublinhou sete frases-chave que orientaram todo o Fórum e que, na sua opinião, sintetizam o “espírito, a matriz identitária e o roteiro estratégico para o futuro do território”.
“As Beiras são o ventre de Portugal e é deste ventre que queremos fazer nascer uma nova narrativa de desenvolvimento. A identidade das Beiras como centro nevrálgico do país não é apenas geográfica, é económica, cultural e emocional. É tempo de assumir essa centralidade com orgulho e ambição desmedida”, disse.
““Resiliência, Mecenato e Risco: três pilares para transformar desafios em oportunidades”. As gentes das Beiras sempre souberam superar adversidades. O investimento privado alinhado com o interesse público e a coragem de arriscar são motores indispensáveis para a regeneração territorial. Sem risco não há inovação, mas o risco, quando bem enquadrado, transforma-se em progresso. O papel das instituições é criar condições para que o risco seja mitigado e o investimento floresça, especialmente em territórios de baixa densidade. A Câmara de Comércio é a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, mas também a porta que traz o mundo às Beiras. A diplomacia económica é uma via de mão dupla. Queremos exportar o melhor que produzimos, mas também atrair capital, conhecimento e parceiros internacionais. Do sucesso macro à prosperidade: queremos traduzir este debate em produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde para as nossas gentes. O crescimento económico só tem sentido se se traduzir em melhorias concretas na vida das populações. O desenvolvimento da Região Centro deve ser inclusivo e sustentável”, reforçou, recordando que o projeto de internacionalização da CCRB, a “BBEX” vai “voar mais alto para a Europa, para as Américas e para todos os destinos onde o nosso potencial possa encontrar eco”.
“O programa de internacionalização das Beiras é uma aposta ganha. No próximo ano, a “BBEX” alargará horizontes, levando as empresas das Beiras a novos mercados. Construam, com este “IV Fórum”, as pontes necessárias para levarmos as Beiras ao mundo e trazer o mundo às Beiras. Este é o propósito que nos une: criar ligações duradouras, fortalecer redes e afirmar as Beiras como território de oportunidades globais”, considerou Ana Correia.
Programa destacou potencialidades da região
Ao longo dos trabalhos, encadearam-se debates de “elevadíssima maturidade técnica e estratégica”. O debate inicial sob o mote “Resiliência, Mecenato e Risco – Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”, moderado por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, reuniu Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, abordando o “financiamento de impacto, mecenato ambiental e a capacidade de captar capital em contextos de risco”.
Seguiu-se a reflexão dedicada a “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”, com moderação de Raul Marques, co-fundador e diretor da Plataforma Diáspora Lusa, na qual participaram Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da CCAM da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Em análise estiveram as “linhas de crédito, garantias mútuas e novos mecanismos para mitigar a perceção de risco nos territórios de baixa densidade, valorizando ativos agroalimentares e tecnológicos”.
No período da tarde, a sessão “Diplomacia Económica e Grandes Mercados – Eixo Atlântico, Diáspora e Lusofonia” teve como Keynote Speaker José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo Secretário de Estado da Economia e do Mar. Moderado por Wilson Bicalho, conselheiro do Conselho Consultivo da CCRB, advogado e CEO da “Next Border”, este espaço contou com os contributos decisivos de Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China, e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP, cruzando pontes económicas com a Europa, o mundo Árabe, a Ásia e o espaço Lusófono, “um passo fulcral na preparação da missão Beiras Business Export (BBEX)”.
A fechar o ciclo de reflexão, o painel “Inovação, IA e Capacitação Exportadora – Internacionalização 4.0”, moderado por Carlos Martinho, vice-presidente do Conselho Fiscal da CCRB e CEO da MdSolutions, contou com as participações estratégicas de Renan Santana, Head de Inovação da ACIEG, Isabel Quintas, diretora de Internacionalização da AICEP, Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital da Universidade da Beira Interior, perspetivando a “aplicação da inteligência artificial, cibersegurança e transição digital” para “alavancar a competitividade exportadora da Região Centro”.
O encerramento dos trabalhos foi conduzido por Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.
Encontro ficou marcado também pela assinatura de protocolos
Um dos momentos altos do “IV Fórum” foi a assinatura de dois protocolos que “reforçam a dimensão estratégica e internacional da CCRB.
Um dos protocolos foi assinado com o IAPMEI, que visa “firmar uma aliança de cooperação” com a Agência para a Competitividade e Inovação, representada pelo vice-presidente Nuno Gonçalves, destinada a “apoiar as empresas das Beiras na internacionalização, inovação e acesso simplificado a instrumentos de financiamento”.
Outro protocolo foi firmado com a Prefeitura de Urussanga, município localizado em Santa Catarina, Sul do Brasil, que tem como objetivo estabelecer um “acordo transatlântico”. A assinatura foi estabelecida virtualmente durante o evento, sob o olhar atento da prefeita de Urussanga, Stela Maris de Agostin Talamini, e da presidente da direção da CCRB, Ana Correia, diante dos Conselheiros da CCRB que testemunharam presencialmente o ato. A iniciativa, segundo apurámos, “prevê missões empresariais, rodadas de negócios, fóruns, visitas técnicas, ações de capacitação e partilha de boas práticas”.
Segundo a prefeita do município brasileiro, “Urussanga tem potencial em diferentes áreas e precisamos criar conexões para que essas características sejam conhecidas também fora do Brasil. Esse acordo nos aproxima de empresas e instituições portuguesas e abre espaço para a troca de experiências, conhecimento e novas oportunidades de negócios”.
Futuro das ações na região
“Ficou clara, ao longo de todo o Fórum, a vontade e a total disponibilidade dos organismos institucionais, como CCDR Centro, IAPMEI, AICEP, Turismo do Centro de Portugal, Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Conselho Empresarial do Centro, setor bancário, universidades, autarquias e estruturas empresariais para trabalharem em conjunto, de forma articulada, em rede e profundamente consequente”, frisou Ana Correia.
“Do “IV Fórum Económico das Beiras” saem linhas orientadoras claras e compromissos firmes tais com reforçar o financiamento de impacto e criar instrumentos que reduzam o risco em territórios de baixa densidade; atrair capital internacional, incluindo investimento estrangeiro direto (IDE), fundos de investimento alternativos e family offices; promover a diplomacia económica, com foco no Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia; alargar a iniciativa “BBEX” a novos mercados estratégicos na Europa e nas Américas; consolidar parcerias institucionais que garantam a coesão e o desenvolvimento sustentável; traduzir o crescimento em prosperidade real, com impacto direto na produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde”, recordou a presidente da direção da CCRB, que avaliou ainda que “o “IV Fórum Económico das Beiras” foi mais do que um evento, foi um compromisso coletivo e uma afirmação de coragem com o futuro da Região Centro de Portugal”.
“As Beiras afirmam-se, cada vez mais, como território de coesão, resiliência e oportunidade um lugar onde o investimento, o financiamento e a internacionalização se conjugam para criar valor e prosperidade. A Câmara de Comércio da Região das Beiras continuará a cumprir com orgulho a sua missão: ser a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, e a porta que traz o mundo às Beiras”, finalizou Ana Correia.
Ígor Lopes
Atualidade
Sofia Lourenço destaca “cooperação lusófona” e defende novas pontes entre “tradição, inovação e acolhimento” no Interior de Portugal
A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde em torno da valorização do património, das indústrias criativas e da cooperação entre territórios. Integrado na programação do “Festival Sabores de Perdição”, o encontro decorreu numa cidade que integra, desde 2023, a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, classificação que coloca a preservação dos saberes tradicionais, a transmissão de técnicas e a cooperação internacional entre os compromissos assumidos pelo município.
Entre as participantes esteve Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, que acompanhou os trabalhos e destacou, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, a responsabilidade associada à representação do arquipélago num espaço dedicado ao património e às relações entre diferentes territórios.
“Estar a representar Cabo Verde enquanto cônsul-honorária é uma responsabilidade acrescida, mas, neste percurso de intercâmbio cultural e de ação social, estamos apenas a dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Claro que o aumento da responsabilidade nos gera também um leque de oportunidades maior”, afirmou.
Para Sofia Lourenço, o conteúdo apresentado durante os dois dias demonstrou a possibilidade de transformar encontros culturais em instrumentos para aprofundar relações institucionais.
“Os painéis do evento desta Bienal estão com uma qualidade indiscutível. Há um leque de informações e um intercâmbio de informação muito importante. No que toca a Portugal e Cabo Verde, falar de cultura e destas relações que podemos criar só nos enriquece e melhora também as oportunidades”, considerou.
A presença cabo-verdiana ficou igualmente materializada através de peças representativas do património do arquipélago. Entre elas esteve o pano de terra, uma das expressões do artesanato tradicional de Cabo Verde, que serviu também para introduzir uma das questões que atravessaram a programação da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”: a relação entre “preservação, tradição e capacidade de renovação”.
“Temos aqui peças de Cabo Verde, destacando o pano de terra, que é um ex-líbris de Cabo Verde. E o que podemos fazer entre inovação e tradição? Isso ficou muito presente em todos os painéis e em todos os oradores. É por aí que nós vamos avançar”, apontou.
A dimensão cultural cabo-verdiana esteve ainda presente através da presença de Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa e das Batucadeiras das Olaias, que participaram na abertura do evento. O batuque, expressão associada à história e à identidade cultural de Cabo Verde, entrou assim na programação como manifestação de um património que continua a ser transmitido fora do arquipélago.
“Tivemos a alegria de ter como abertura do evento as Batucadeiras das Olaias, que representam a tradição de Cabo Verde, mas mostrando que são contemporâneas. É isso que é importante preservarmos dentro da cultura lusófona”, sustentou.
O encontro realizado em Castelo Branco ganhou também uma dimensão particular para Sofia Lourenço pela ligação pessoal e institucional que mantém com os três países representados.
“Sou privilegiada porque sou brasileira, portuguesa e represento Cabo Verde. Conseguir fazer esta sinergia entre os três países é muito importante”, assinalou.
Essa aproximação poderá, segundo a cônsul-honorária, traduzir-se em novas iniciativas entre estruturas consulares, como a do Brasil, por exemplo, e entidades dos diferentes territórios.
“Com relação a essa parceria que vai nascer entre dois consulados honorários do território, Cabo Verde e Brasil, teremos toda a responsabilidade de afirmar as duas culturas, perceber o que é possível melhorar entre os dois países, e esse é o ponto de partida desta parceria entre Brasil e Cabo Verde”, antecipou.
A diplomacia cultural e a cooperação entre comunidades apareceram, desta forma, associadas ao próprio espírito da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”. Para Sofia Lourenço, a continuidade do trabalho passa pelo reforço de protocolos, parcerias e projetos construídos a partir dos contactos existentes.
A discussão sobre cultura foi ainda relacionada com outro tema que acompanha a atuação consular no Interior de Portugal: o acolhimento das comunidades migrantes. Sofia Lourenço destacou o trabalho desenvolvido nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu junto de cidadãos cabo-verdianos que chegam ao país para estudar ou trabalhar.
“Os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu têm já feito um trabalho de interior muito importante relativamente ao acolhimento dos cabo-verdianos que vêm, tanto para trabalhar como para estudar”, reconheceu.
Para a cônsul-honorária, este processo exige continuidade na qualificação, integração e criação de condições para a permanência das novas gerações.
“Nós temos que não perder o foco e continuar a reforçar sempre estas ligações, melhorar a capacitação dos jovens que vêm para cá, habilitá-los com melhor qualidade formativa e, ao mesmo tempo, mostrar aos que trabalham e aos que se fixam cá que têm um país que os acolhe verdadeiramente”, defendeu.
Sofia Lourenço considera que este trabalho também faz parte da missão de uma representação consular de proximidade.
“Este é o trabalho de um cônsul-honorário de um país que quer melhorar toda esta ligação lusófona”, concluiu.
A participação cabo-verdiana na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” acrescentou, assim, uma dimensão de cooperação lusófona a um evento pensado para aproximar patrimónios, artesãos, instituições e territórios. A própria “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” estabelece entre os objetivos de Castelo Branco o “aprofundamento da cooperação e do intercâmbio internacional através do artesanato e das artes populares, enquadramento que reforça a importância de iniciativas capazes de ligar cultura, transmissão de saberes e relações entre comunidades”.
A organização da Bienal foi da responsabilidade da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.
Ígor Lopes
Atualidade
Academia Portuguesa de Fibromialgia edita livro em português sobre experiência de superação de doente espanhol
A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica acaba de dar um novo passo na sua missão de apoio e sensibilização ao editar, em português, o livro “A Minha Luta com a Fibromialgia”, de Alfred Blasi. A obra parte da experiência pessoal do autor e apresenta um percurso marcado pelo “sofrimento, pela procura de respostas e pela tentativa de recuperar qualidade de vida”, colocando o doente no centro da narrativa. Em vez de uma abordagem técnico-científica, o livro assume-se como um “relato humano” sobre o impacto da fibromialgia no quotidiano, desde o aparecimento dos sintomas às dificuldades sentidas na relação com os serviços de saúde e ao processo de procura de alternativas. Alfred Blasi já tinha sido reconhecido pela Academia como “Académico de Mérito” e apresentado, em Portugal, uma comunicação centrada no valor do chamado “doente experiente”.
Em entrevista à Agência Incomparáveis, o presidente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, explica que a opção por iniciar a edição de livros da instituição com um testemunho de vida resulta da própria filosofia da Academia, que procura “aprender também com a experiência dos doentes”. Segundo este responsável, o relato de Alfred Blasi pode ajudar outras pessoas a reconhecerem situações semelhantes, a perceberem que não estão isoladas e a compreenderem melhor uma doença que continua a exigir acompanhamento individualizado. José Luis Arranz Gil sublinha ainda que a fibromialgia é uma doença crónica e que, do ponto de vista clínico, o enquadramento mais correto passa pelo tratamento, controlo dos sintomas e redução da frequência das crises, evitando confundir melhorias clínicas com uma promessa de cura definitiva.
A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, na sua missão de apoio aos doentes com fibromialgia, iniciou a edição de um livro sobre a enfermidade. Conte-nos como surgiu esta iniciativa…
Sim, para nós tem sido muito gratificante este primeiro livro editado pela Academia Portuguesa de Fibromialgia, porque, como bem diz o lema do nosso logótipo: “Docendo discimus”, em latim, que traduzido para o português significa “ensinando, aprendemos”. E aprendemos, sobretudo, com os doentes, dia após dia. São eles que nos ensinam. Tínhamos escutado o relato deste doente que tinha escrito o livro em espanhol e nós quisemos traduzi-lo para português.
Este livro é de carácter científico-técnico ou, pelo contrário, é o relato de um doente com fibromialgia?
Na realidade, não quisemos começar, na Academia, por editar livros de carácter científico-técnico. Parece-nos mais oportuno começar pela história de alguém que sofreu muito por causa da fibromialgia, e cujo exemplo, transcrito neste livro, pode ser de grande ajuda para outros doentes, ao permitir-lhes identificarem-se com essa experiência, não se sentirem sozinhos e perceberem que aquilo que lhes aconteceu também já aconteceu a muitas pessoas, há bastante tempo. Por isso, este primeiro livro é importante: é o relato, a experiência de vida e de sofrimento pela qual passou um doente com fibromialgia.
Conte-nos brevemente o que relata Alfredo Blasi, o informático autor deste livro, que hoje apresentam e que tem por título “A Minha Luta com a Fibromialgia”.
Ele relata toda a sua experiência de vida, desde o início dos sintomas. Segundo o próprio autor escreve na obra, tudo começou na sequência de uma gripe muito forte, que terá deixado como consequência uma fibromialgia. A partir daí, conta o seu percurso: as inúmeras vezes que recorreu às urgências devido às dores, ao cansaço, à sensação de angústia, e relata todas essas experiências pessoais e, acima de tudo, humanas. Como referi anteriormente, este testemunho pode servir de exemplo e de ajuda a muitos outros doentes. E relata também, posteriormente, como conseguiu sair desse círculo vicioso em que se encontrava.
Na realidade, apurámos que o autor do livro foi muito “maltratado” em Espanha pelos profissionais de saúde que o acompanharam ao longo dos anos em que esteve doente. Por que razão pensa que isso aconteceu?
Na realidade, os testemunhos que o autor relata sobre os “maus-tratos psicológicos” que sofreu, sobre a forma como se riram dele, chegando mesmo, em algumas ocasiões, a troçar dele, sobre como não lhe davam atenção e como o tratavam como se fosse louco, são realmente situações que nos deixam muito tristes. E se me pergunta porquê, eu diria que, talvez, quem melhor deixou isto escrito foi o filósofo e poeta espanhol António Machado, quando afirmou: “As pessoas desprezam aquilo que ignoram”. Quando alguém desconhece o que é uma doença, sobretudo quando nunca passou por essa doença ou não tem um familiar próximo que tenha vivido essa experiência, não consegue compreendê-la. Isto é lamentável. Mas, infelizmente, o ser humano é assim.
Surpreenderam-nos dois pontos ao ler o livro de Alfredo Blasi. O primeiro é que o doente investigou, por sua própria conta, sobre a fibromialgia e chegou a encontrar a sua própria terapia…
Sim, efectivamente. Começou a investigar por conta própria, até encontrar uma abordagem terapêutica que, segundo afirma, o terá curado. E, de facto, segundo a documentação que apresenta, é o único doente em Espanha diagnosticado com fibromialgia que possui um documento comprovativo da sua cura. Essa abordagem terapêutica que ele afirma ter sido responsável pela sua recuperação abriu um caminho para uma possível solução perante uma doença tão difícil como a fibromialgia e que poderá, eventualmente, ajudar muitas outras pessoas.
O segundo ponto que nos surpreendeu foi o facto de lhe ter sido reconhecida uma incapacidade absoluta e permanente, de 100%, devido à fibromialgia.
Sim! Eu vi os relatórios médicos relativos ao seu diagnóstico e, de facto, foi-lhe reconhecida essa incapacidade. E, apesar disso, perante essa luta titânica que travou para seguir em frente, Alfredo Blasi foi um doente activo, que investigam, fazem perguntas aos médicos e isso também nos estimula, como médicos.
No final do livro, são apresentados vários testemunhos de pessoas que seguiram o método do autor e que conseguiram uma melhoria muito significativa. Isto pode acontecer sempre?
Esses testemunhos de doentes são reais. Conheço os casos e, além de serem reais, posso dizer que, pela minha experiência pessoal, uma grande parte dessas pessoas apresentou uma melhoria considerável. Mas, naturalmente, nenhuma terapêutica é eficaz a 100%. Uma aspirina pode ser maravilhosa para uma dor de cabeça, mas não resulta da mesma forma para todas as pessoas. É necessário individualizar o tratamento. Mas é verdade que uma proporção significativa de pessoas se beneficia.
A fibromialgia tem cura ou tem tratamento?
É curioso que as pessoas perguntem sempre se a fibromialgia tem cura. A fibromialgia é uma doença crónica. Porque é que as pessoas não perguntam, por exemplo, se a diabetes, que é uma doença crónica, tem cura? Ou porque é que não perguntam se a “miastenia gravis” tem cura? As pessoas parecem pensar que a Fibromialgia é uma doença aguda. E não é. É uma doença crónica e, como tal, tem tratamento. Com o tratamento adequado, as pessoas podem apresentar melhorias muito significativas. No entanto, é uma doença que evolui por crises. Por vezes, surgem crises dolorosas e os sintomas reaparecem. O que temos de procurar é que essas crises sejam cada vez mais espaçadas no tempo, até que, praticamente, deixem de ocorrer. Mas, enquanto doença crónica, o mais correto é falar em tratamento e controlo da doença, e não numa cura definitiva.
E como se pode adquirir esta obra?
A todos que pretendem comprar este livro poderão fazê-lo pelo e-mail: doctorarrazgil@gmail.com, pelo qual terão todas as informações sobre valores e portes de envio. O livro pode ser entregue, em português, em qualquer parte do mundo.
Ígor Lopes
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