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Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” colocou em debate estratégias para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal

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O “IV Fórum Económico das Beiras”, realizado pela Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB), no Grande Hotel de Luso, no concelho da Mealhada, no último dia 12 de setembro, afirmou-se como um “momento maior de reflexão, cumplicidade e construção coletiva para o futuro da Região Centro”. Sob o mote “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”, o encontro colocou no centro do debate o “investimento, o financiamento e a internacionalização”, partindo de uma certeza, segundo os seus organizadores: “as Beiras são o ventre de Portugal e têm de assumir o protagonismo e nunca o papel de meras comparsas nas rotas globais de capital, conhecimento e inovação”.

A condução de todo o Fórum esteve a cargo do Conselheiro da CCRB, Luís de Matos, que acompanhou os trabalhos ao longo do dia. A Sessão de Abertura, sob o tema “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”, marcou o ponto de partida do programa com as intervenções da presidente da CCRB, Ana Correia, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Franco, do Chairman do Grande Hotel de Luso, João Diniz, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), Ribau Esteves.

Na sua intervenção inaugural, transmitida em direto nas plataformas digitais da CCRB, Ana Correia deixou uma mensagem “de ambição, exigência e compromisso absoluto com os 113 municípios que integram a área de intervenção da CCRB”.

“Falo com a paixão visceral de quem ama as Beiras e os 113 municípios que fazem parte da sua área de intervenção. Queremos afirmar as Beiras como território de coesão, de resiliência e de oportunidade”, sublinhou esta responsável, que sublinhou sete frases-chave que orientaram todo o Fórum e que, na sua opinião, sintetizam o “espírito, a matriz identitária e o roteiro estratégico para o futuro do território”.

“As Beiras são o ventre de Portugal e é deste ventre que queremos fazer nascer uma nova narrativa de desenvolvimento. A identidade das Beiras como centro nevrálgico do país não é apenas geográfica, é económica, cultural e emocional. É tempo de assumir essa centralidade com orgulho e ambição desmedida”, disse.

““Resiliência, Mecenato e Risco: três pilares para transformar desafios em oportunidades”. As gentes das Beiras sempre souberam superar adversidades. O investimento privado alinhado com o interesse público e a coragem de arriscar são motores indispensáveis para a regeneração territorial. Sem risco não há inovação, mas o risco, quando bem enquadrado, transforma-se em progresso. O papel das instituições é criar condições para que o risco seja mitigado e o investimento floresça, especialmente em territórios de baixa densidade. A Câmara de Comércio é a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, mas também a porta que traz o mundo às Beiras. A diplomacia económica é uma via de mão dupla. Queremos exportar o melhor que produzimos, mas também atrair capital, conhecimento e parceiros internacionais.  Do sucesso macro à prosperidade: queremos traduzir este debate em produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde para as nossas gentes. O crescimento económico só tem sentido se se traduzir em melhorias concretas na vida das populações. O desenvolvimento da Região Centro deve ser inclusivo e sustentável”, reforçou, recordando que o projeto de internacionalização da CCRB, a “BBEX” vai “voar mais alto para a Europa, para as Américas e para todos os destinos onde o nosso potencial possa encontrar eco”.

“O programa de internacionalização das Beiras é uma aposta ganha. No próximo ano, a “BBEX” alargará horizontes, levando as empresas das Beiras a novos mercados. Construam, com este “IV Fórum”, as pontes necessárias para levarmos as Beiras ao mundo e trazer o mundo às Beiras. Este é o propósito que nos une: criar ligações duradouras, fortalecer redes e afirmar as Beiras como território de oportunidades globais”, considerou Ana Correia.

Programa destacou potencialidades da região

Ao longo dos trabalhos, encadearam-se debates de “elevadíssima maturidade técnica e estratégica”. O debate inicial sob o mote “Resiliência, Mecenato e Risco – Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”, moderado por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, reuniu Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, abordando o “financiamento de impacto, mecenato ambiental e a capacidade de captar capital em contextos de risco”.

Seguiu-se a reflexão dedicada a “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”, com moderação de Raul Marques, co-fundador e diretor da Plataforma Diáspora Lusa, na qual participaram Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da CCAM da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Em análise estiveram as “linhas de crédito, garantias mútuas e novos mecanismos para mitigar a perceção de risco nos territórios de baixa densidade, valorizando ativos agroalimentares e tecnológicos”.

No período da tarde, a sessão “Diplomacia Económica e Grandes Mercados – Eixo Atlântico, Diáspora e Lusofonia” teve como Keynote Speaker José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo Secretário de Estado da Economia e do Mar. Moderado por Wilson Bicalho, conselheiro do Conselho Consultivo da CCRB, advogado e CEO da “Next Border”, este espaço contou com os contributos decisivos de Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China, e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP, cruzando pontes económicas com a Europa, o mundo Árabe, a Ásia e o espaço Lusófono, “um passo fulcral na preparação da missão Beiras Business Export (BBEX)”.

A fechar o ciclo de reflexão, o painel “Inovação, IA e Capacitação Exportadora – Internacionalização 4.0”, moderado por Carlos Martinho, vice-presidente do Conselho Fiscal da CCRB e CEO da MdSolutions, contou com as participações estratégicas de Renan Santana, Head de Inovação da ACIEG, Isabel Quintas, diretora de Internacionalização da AICEP, Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital da Universidade da Beira Interior, perspetivando a “aplicação da inteligência artificial, cibersegurança e transição digital” para “alavancar a competitividade exportadora da Região Centro”.

O encerramento dos trabalhos foi conduzido por Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.

Encontro ficou marcado também pela assinatura de protocolos

Um dos momentos altos do “IV Fórum” foi a assinatura de dois protocolos que “reforçam a dimensão estratégica e internacional da CCRB.

Um dos protocolos foi assinado com o IAPMEI, que visa “firmar uma aliança de cooperação” com a Agência para a Competitividade e Inovação, representada pelo vice-presidente Nuno Gonçalves, destinada a “apoiar as empresas das Beiras na internacionalização, inovação e acesso simplificado a instrumentos de financiamento”.

Outro protocolo foi firmado com a Prefeitura de Urussanga, município localizado em Santa Catarina, Sul do Brasil, que tem como objetivo estabelecer um “acordo transatlântico”. A assinatura foi estabelecida virtualmente durante o evento, sob o olhar atento da prefeita de Urussanga, Stela Maris de Agostin Talamini, e da presidente da direção da CCRB, Ana Correia, diante dos Conselheiros da CCRB que testemunharam presencialmente o ato. A iniciativa, segundo apurámos, “prevê missões empresariais, rodadas de negócios, fóruns, visitas técnicas, ações de capacitação e partilha de boas práticas”.

Segundo a prefeita do município brasileiro, “Urussanga tem potencial em diferentes áreas e precisamos criar conexões para que essas características sejam conhecidas também fora do Brasil. Esse acordo nos aproxima de empresas e instituições portuguesas e abre espaço para a troca de experiências, conhecimento e novas oportunidades de negócios”.

Futuro das ações na região

“Ficou clara, ao longo de todo o Fórum, a vontade e a total disponibilidade dos organismos institucionais, como CCDR Centro, IAPMEI, AICEP, Turismo do Centro de Portugal, Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Conselho Empresarial do Centro, setor bancário, universidades, autarquias e estruturas empresariais para trabalharem em conjunto, de forma articulada, em rede e profundamente consequente”, frisou Ana Correia.

“Do “IV Fórum Económico das Beiras” saem linhas orientadoras claras e compromissos firmes tais com reforçar o financiamento de impacto e criar instrumentos que reduzam o risco em territórios de baixa densidade; atrair capital internacional, incluindo investimento estrangeiro direto (IDE), fundos de investimento alternativos e family offices; promover a diplomacia económica, com foco no Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia; alargar a iniciativa “BBEX” a novos mercados estratégicos na Europa e nas Américas; consolidar parcerias institucionais que garantam a coesão e o desenvolvimento sustentável; traduzir o crescimento em prosperidade real, com impacto direto na produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde”, recordou a presidente da direção da CCRB, que avaliou ainda que “o “IV Fórum Económico das Beiras” foi mais do que um evento, foi um compromisso coletivo e uma afirmação de coragem com o futuro da Região Centro de Portugal”.

“As Beiras afirmam-se, cada vez mais, como território de coesão, resiliência e oportunidade um lugar onde o investimento, o financiamento e a internacionalização se conjugam para criar valor e prosperidade. A Câmara de Comércio da Região das Beiras continuará a cumprir com orgulho a sua missão: ser a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, e a porta que traz o mundo às Beiras”, finalizou Ana Correia.

Ígor Lopes

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CIM Alto Minho assinala 18 anos ao serviço do território

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A Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho) assinala hoje, 15 de outubro, 18 anos de atividade, uma maioridade marcada pelo reforço da cooperação entre os dez municípios do território, pela mobilização de investimento e pela promoção de estratégias conjuntas de desenvolvimento regional.

Ao longo deste percurso, a CIM Alto Minho afirmou-se como uma plataforma de trabalho conjunto, com um papel relevante na valorização dos recursos do território, na captação de fundos europeus, na concretização de projetos e iniciativas intermunicipais e no reforço da cooperação transfronteiriça com a Galiza. A sua intervenção em áreas como a mobilidade, a cultura, o turismo, a inovação, o desenvolvimento social e económico, a sustentabilidade ambiental e a proteção civil tem contribuído para responder a desafios comuns e criar novas oportunidades para a região. Mais recentemente, assumiu novas responsabilidades, nomeadamente enquanto Autoridade de Transportes, e passou a gerir o Contrato de Desenvolvimento e Coesão Territorial, que mobiliza cerca de 128 milhões de euros para o território.

“Celebrar 18 anos é reconhecer o caminho percorrido e poder afirmar, com orgulho, que o Alto Minho aprendeu a trabalhar em conjunto. É também reafirmar a ambição de construir um Alto Minho mais coeso, competitivo e sustentável. Os desafios que temos pela frente exigem uma cooperação cada vez mais forte entre os municípios, capacidade de inovação e uma visão partilhada para valorizar o território e melhorar a qualidade de vida das populações”, afirma o presidente da CIM Alto Minho, António Barbosa.

Com 18 anos de história, a CIM Alto Minho pretende continuar a aprofundar o trabalho em rede, a promover a articulação entre os municípios e a desenvolver respostas conjuntas aos desafios regionais, promovendo um território mais coeso e competitivo, com melhores oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida para as populações.

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Ronezete Antolini partilha em Lausanne experiência de maternidade atípica e cuidado emocional

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Ronezete Antolini, 55 anos, vive em Zurique há 32 anos e construiu na Suíça um percurso que cruza experiência pessoal, maternidade, fé e acompanhamento emocional. Com dupla nacionalidade, brasileira e suíça, começou a trajetória profissional na gastronomia e trabalhou também como cuidadora, antes de direcionar a atividade para a área terapêutica. Atualmente, atua como Master Terapeuta e terapeuta emocional, com formação em Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) e estudos relacionados com traumas, fobias, psicossomática e leitura corporal e comportamental, além da atividade como missionária e palestrante.

Foi a partir desta experiência que participou, no dia 26 de setembro, no “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, integrado na edição “Setembro Amarelo de 2026”, evento realizado entre 24 e 27 de setembro nas instalações da Église du Centre. Na sua intervenção, Ronezete colocou a saúde mental no centro da reflexão, recorrendo à própria história para falar das marcas emocionais da infância, da procura de apoio terapêutico e da maternidade atípica. A mensagem que levou ao público partiu de uma aprendizagem pessoal: “para cuidar de outras pessoas, é necessário reconhecer também a necessidade de cuidar de si”.

A participação incluiu ainda um painel dedicado à saúde mental, no qual foram abordadas questões como depressão, síndrome do pânico, atendimento ao paciente, prevenção e procura de ajuda profissional. Ronezete integrou a conversa com o médico especialista Francisco Fernández e outras terapeutas, num espaço de perguntas e partilha de conhecimento. Em entrevista à Agência Incomparáveis, esta terapeuta faz um balanço da passagem por Lausanne, explica o trabalho que desenvolve atualmente através da TRG e deixa uma mensagem dirigida à comunidade lusófona sobre a importância de reconhecer o sofrimento emocional, procurar apoio qualificado e criar redes de acolhimento, sobretudo entre quem vive longe do país de origem.

Como foi a sua participação no “Conexão Global Suíça, edição Setembro Amarelo – Conectar é acolher”, em Lausanne?

Participei como palestrante no dia 26 de setembro de 2026, durante a programação da edição “Setembro Amarelo”, com o tema “Conectar é acolher”. O evento em Lausanne foi organizado pela empresária Ana Poltera, em conjunto com a “Conexão Global Suíça”. Também participei num painel de debate com o médico Francisco Fernández, no qual eu e outras terapeutas colocámos perguntas. Foi uma experiência especial de acolhimento e partilha de conhecimentos. Encontrar mulheres fortes, de diferentes profissões e com tantas histórias para partilhar, tornou este encontro marcante para mim.

Qual foi o tema central da sua palestra ou participação?

O “Setembro Amarelo” orientou o conjunto das palestras do evento. Na minha participação, abordei a saúde mental através da minha própria história. Partilhei os desafios da infância, as marcas emocionais que carreguei e as mudanças que vivi ao procurar apoio terapêutico. Falei também sobre a maternidade atípica e sobre como as necessidades da minha família me levaram à terapia. Nesse caminho, compreendi que precisava de cuidar primeiro de mim para poder cuidar de outras pessoas com responsabilidade e acolhimento. Quis mostrar a importância de olhar para a nossa mente, para as nossas emoções e para a nossa história com atenção e respeito. Encerrei com uma mensagem de esperança: a minha trajetória poderia inspirar outras pessoas a reconhecerem as suas possibilidades, procurarem apoio e darem os seus próprios passos.

Qual foi o retorno do público à sua palestra?

O retorno foi excelente. As pessoas pararam para ouvir a minha história com muita atenção e senti uma ligação forte com o público. Partilhar a minha trajetória e perceber esse acolhimento foi muito emocionante. Foi um momento marcante para mim.

E como foi a sua participação no painel de debate, especificamente?

Durante o encontro, participei num painel sobre saúde mental, no qual discutimos depressão, síndrome do pânico e atendimento ao paciente. Eu e outras profissionais colocámos perguntas ao médico Francisco Fernández, que respondeu às nossas questões. Foi uma partilha de conhecimentos muito enriquecedora e uma oportunidade para refletir sobre o cuidado e o acolhimento de quem procura ajuda.

Como foi a sua participação no “Fórum SABE” e que assunto abordou na entrevista com Aline Brandi?

Fui entrevistada por Aline Brandi no “Fórum SABE”, onde abordei o congelamento emocional. Conversámos sobre situações em que a pessoa sente que o corpo bloqueia, mesmo com o coração acelerado e uma intensa reação interna. Falámos sobre como experiências da infância podem influenciar as emoções e as reações na vida adulta, sobre o inconsciente e sobre o papel da terapia no cuidado emocional. Aline colocou várias perguntas e pude esclarecer o tema com exemplos e uma linguagem acessível. Foi uma oportunidade especial para trazer compreensão a uma experiência que muitas pessoas vivem, mas que nem sempre conseguem identificar ou explicar.

Que balanço faz desta edição do “Conexão Global Suíça” e da resposta do público às questões relacionadas com saúde emocional, acolhimento e prevenção abordadas durante os três dias?

Faço um balanço muito positivo. Ao longo dos três dias, o público demonstrou interesse e acolheu muito bem as conversas sobre saúde emocional, relações de casal, acolhimento e prevenção. Dentro da proposta do “Setembro Amarelo”, a prevenção do suicídio trouxe uma reflexão essencial: precisamos de estar atentos ao sofrimento do próximo, ouvir com respeito e ajudar a pessoa a procurar apoio profissional adequado. Para mim, o encontro reforçou a importância de falar sobre estes assuntos com sensibilidade e responsabilidade. Foi uma oportunidade para ampliar a consciencialização e lembrar que cada um de nós pode contribuir para que alguém se sinta acolhido e encontre ajuda.

Enquanto Master Terapeuta em TRG, que trabalho desenvolve atualmente e que tipo de situações procura acompanhar através desta abordagem terapêutica?

Atualmente, desenvolvo atendimento terapêutico emocional online através da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG). Acolho pessoas que procuram apoio para lidar com marcas de experiências difíceis, traumas, medos, fobias, ansiedade, dependência emocional e bloqueios que afetam a sua vida e os seus relacionamentos. Também acompanho pessoas que apresentam sofrimento relacionado com rejeição, abandono, experiências de abuso e repetição de padrões emocionais. Tenho um olhar especialmente sensível para as mulheres e as mães atípicas, pela minha própria vivência, respeitando sempre a realidade de cada pessoa. Na TRG, o trabalho concentra-se no reprocessamento de experiências e respostas emocionais associadas ao sofrimento, sem depender apenas do relato detalhado dessas vivências. Procuro compreender a necessidade de cada pessoa e conduzir o acompanhamento com acolhimento, ética e respeito pelo seu ritmo. O meu compromisso é trabalhar dentro dos limites da minha atuação e reconhecer quando existe necessidade de outros cuidados profissionais.

A partir da sua experiência profissional, que resultados tem observado nas pessoas que acompanha e de que forma avalia a evolução de cada processo terapêutico?

Tenho observado mudanças positivas na forma como as pessoas compreendem as suas emoções e lidam com situações que antes lhes causavam sofrimento. Muitas reconhecem essa evolução e partilham comigo as diferenças que percebem no próprio dia a dia. Cada pessoa é única e o processo terapêutico precisa de respeitar a sua história, as suas necessidades e o seu ritmo. Avalio a evolução através da escuta, dos relatos da pessoa e das mudanças que observo ao longo das sessões. Considero como ela se sente perante as questões que a levaram a procurar atendimento e como essas questões passam a afetar a sua vida. Esse acompanhamento é contínuo: conversamos sobre os avanços e sobre aquilo que ainda precisa de atenção, ajustando o trabalho quando necessário. A evolução não acontece da mesma forma nem no mesmo tempo para todos. O meu compromisso é oferecer um cuidado ético, atento e dedicado, vendo a pessoa para além das suas dificuldades e respeitando a sua individualidade.

Depois da experiência em Lausanne, que mensagem considera importante deixar à comunidade de língua portuguesa no mundo sobre a procura de apoio emocional e a importância de reconhecer quando é necessário acompanhamento profissional?

A mensagem que desejo deixar é que cuidar da saúde emocional merece a mesma atenção que damos à saúde física. Procurar apoio é um gesto de coragem e de cuidado connosco próprios. Não precisamos de esperar que o sofrimento se torne insuportável para pedir ajuda. É importante reconhecer quando as dificuldades emocionais começam a afetar o sono, os relacionamentos, o trabalho ou as atividades do dia a dia. Quando sentimos que não conseguimos lidar sozinhos com aquilo que estamos a viver, procurar um profissional qualificado pode ser um passo importante. Para quem vive fora do seu país, a saudade, a adaptação cultural e as dificuldades com o idioma também podem trazer desafios emocionais. Poder expressar aquilo que sentimos na nossa língua e encontrar alguém que compreenda a nossa realidade pode facilitar essa procura por apoio. A família, os amigos e a comunidade têm um papel importante no acolhimento. Ouvir sem julgar, levar o sofrimento a sério e incentivar a procura de ajuda são atitudes que podem fazer a diferença. A fé é uma fonte de força na minha vida e pode caminhar lado a lado com o cuidado profissional. Não precisa de enfrentar tudo sozinho. A sua história merece respeito, a sua dor merece atenção e merece encontrar um espaço seguro para receber ajuda.

De que forma o público pode conhecer o seu trabalho?

As pessoas podem visitar o meu Instagram: @ronezeteantolini_

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Lufthansa entra na TAP com operação de 1,2 mil milhões de euros e aposta no Atlântico Sul

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O Governo português selecionou esta quarta-feira, 14 de outubro, o Grupo Lufthansa para a privatização parcial da TAP Air Portugal, numa operação que poderá atingir 1.201 milhões de euros pela aquisição de até 49,9% do capital da companhia. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, depois da análise das propostas finais apresentadas pela Lufthansa e pela Air France-KLM, os dois grupos que chegaram à fase decisiva do processo.

O modelo prevê a aquisição de 44,9% da TAP pelo grupo alemão, podendo a participação chegar aos 49,9% caso os trabalhadores não exerçam o direito de aquisição dos 5% que lhes estão reservados. Nesta primeira fase, o Estado português manterá 50,1% da companhia. A conclusão da operação está prevista para o início de 2028, dependendo ainda da assinatura dos contratos e das aprovações regulatórias, incluindo o processo junto da Comissão Europeia.

A componente financeira teve peso na decisão. Segundo os dados apresentados pelo Governo, a proposta da Lufthansa superou em 163 milhões de euros a oferta da Air France-KLM. O Executivo considerou que as propostas dos dois concorrentes apresentavam condições técnicas e estratégicas próximas, tendo a diferença financeira contribuído para a escolha do grupo alemão.

Para a Lufthansa, a entrada na TAP reforça uma estratégia centrada no Atlântico. O grupo alemão destacou a posição da companhia portuguesa nas ligações entre a Europa, o Brasil e outros mercados da América Latina e manifestou a intenção de apoiar o crescimento da transportadora sem alterar, nesta fase, a sua identidade portuguesa.

“TAP Air Portugal é uma companhia aérea forte e rentável, nossa parceira de longa data na Star Alliance e internacionalmente bem-sucedida como transportadora de referência nas rotas do Atlântico Sul”, afirmou Carsten Spohr, presidente executivo da Deutsche Lufthansa AG, após o anúncio da decisão.

O responsável considerou que a escolha do Governo português abre caminho para a continuação do desenvolvimento da TAP integrada numa estrutura empresarial com maior dimensão internacional. A Lufthansa tem também assumido que participações maioritárias permitem aprofundar os benefícios de integração entre companhias, deixando aberta uma discussão futura sobre a estrutura acionista da transportadora portuguesa. Qualquer eventual segunda fase terá, contudo, de decorrer num processo autónomo.

A TAP também reagiu à decisão, dando as boas-vindas ao Grupo Lufthansa e considerando que a futura entrada do parceiro alemão permitirá beneficiar da dimensão, experiência e rede internacional de um dos maiores grupos de aviação da Europa.

A proposta escolhida mantém a marca TAP, a sede em Portugal e o hub de Lisboa. O plano prevê ainda o desenvolvimento da operação no Porto, onde poderão ficar baseadas oito aeronaves, além do reforço da frota e da atividade de Manutenção & Engenharia. A TAP deverá permanecer na Star Alliance, aliança aérea da qual faz parte desde 2005.

“Mais do que a entrada de um novo acionista, importa assegurar que esta parceria se traduz em oportunidades concretas de crescimento, numa TAP mais forte e competitiva e na criação de valor para Portugal”, afirmou Carlos Oliveira, presidente do Conselho de Administração da TAP.

Uma das principais vertentes do acordo está relacionada com o Atlântico Sul. A integração permitirá à Lufthansa aumentar a exposição ao mercado latino-americano através da rede da TAP, particularmente no Brasil. Segundo as projeções apresentadas pelo Governo, a quota conjunta de passageiros na América Latina poderá passar dos atuais 9% da Lufthansa para cerca de 20% quando considerada a operação combinada com a transportadora portuguesa.

A TAP deverá assumir, neste modelo, uma posição central nas ligações do grupo com o Brasil e com outros mercados de língua portuguesa. A companhia portuguesa é atualmente uma das principais operadoras aéreas entre a Europa e o Brasil e mantém também uma rede relevante para África, característica que esteve entre os ativos estratégicos valorizados ao longo da privatização.

A dimensão da operação terá igualmente impacto na posição do grupo no mercado internacional. De acordo com as projeções apresentadas pelo Executivo, a combinação entre Lufthansa e TAP poderá representar cerca de 47 mil milhões de euros em receitas, o que colocaria o conjunto como o maior grupo europeu de aviação em receitas e o quarto a nível mundial. Estes números representam uma projeção baseada na integração das atuais operações e não uma nova companhia já constituída.

Em número de passageiros, o conjunto poderá transportar cerca de 168 milhões de pessoas e reunir uma frota próxima das 942 aeronaves. O plano apresentado prevê que a frota própria da TAP aumente para 117 aviões até 2035 e possa chegar aos 130 após essa data, acompanhando também a futura entrada em funcionamento do novo aeroporto de Lisboa.

O crescimento projetado poderá representar entre três e quatro mil milhões de euros de investimento adicional na frota. Está ainda prevista a possibilidade de transferência de até oito Airbus A350-900 para a TAP depois de 2030, além da modernização da frota regional operada pela Portugália.

Outra componente da proposta incide sobre a manutenção aeronáutica. O plano prevê a integração da TAP Manutenção e Engenharia na rede da Lufthansa Technik e um investimento de cerca de 300 milhões de euros numa unidade industrial em Santa Maria da Feira, com a criação estimada de 700 postos de trabalho. Está também prevista uma iniciativa relacionada com formação aeronáutica em Tancos.

No mercado transatlântico norte, a TAP deverá beneficiar de uma futura integração na joint venture A++, estrutura de cooperação comercial que envolve companhias do universo Lufthansa e parceiros como a United Airlines e a Air Canada. A operação poderá ampliar as possibilidades de articulação de horários, ligações e distribuição no mercado entre a Europa e a América do Norte.

O Governo salientou ainda a preservação das ligações às regiões autónomas e aos países lusófonos, dois elementos que integravam as condições estratégicas estabelecidas para o processo de reprivatização. O reforço do Porto, o crescimento da frota e a manutenção das áreas industriais em Portugal também estiveram entre os critérios avaliados.

Apesar da decisão anunciada, a entrada da Lufthansa no capital da TAP não será imediata. O processo terá agora de passar pelas etapas contratuais e regulatórias. O Governo já admitiu que a análise por parte das autoridades europeias poderá prolongar-se entre 18 e 24 meses, razão pela qual a conclusão da primeira fase é apontada para o início de 2028.

Até lá, a TAP continuará a executar o plano estratégico definido para o período 2026-2035. A companhia chega a esta etapa depois de um processo de reestruturação apoiado pelo Estado português, que injetou cerca de 3,2 mil milhões de euros na transportadora ao longo da última década.

A escolha da Lufthansa encerra a fase competitiva entre os dois grupos europeus e inicia uma etapa centrada na negociação contratual, na avaliação regulatória e na preparação da entrada efetiva do novo acionista. Para a TAP, o processo coloca no horizonte uma integração numa estrutura aérea de maior escala, mantendo, nesta primeira fase, a maioria do capital nas mãos do Estado português e atribuindo ao Atlântico, ao Brasil e aos mercados lusófonos uma posição central na estratégia apresentada para os próximos anos.

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