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“Próxima Paragem” é o novo disco dos Senza e o single do lançamento evoca a luta de Mandela

Depois do tema com a participação de Carlão, em 2021

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O terceiro álbum da dupla, que tem protagonizado espetáculos por todo o mundo, não prescinde da identidade lusófona e mantém os cruzamentos étnicos que vêm conquistando diferentes públicos, mas na sonoridade dos Senza há agora mais rap e novos elementos eletrónicos, o que resulta numa experiência musical de maior modernidade e sofisticação.

Parcialmente produzido durante a pandemia, o disco “Próxima Paragem” confirma a maturidade artística de Catarina Duarte e Nuno Caldeira, insiste na mensagem com conteúdo e reflete sobre temas da agenda mundial como a instrumentalização dos média, a identidade de género e a influência da cor da pele na progressão social. Depois do tema “Sozinha no Mundo”, com a participação especial de Carlão, o segundo single do disco é “Bailarina do Soweto”, composto a partir do contacto dos músicos com a realidade do bairro sul-africano onde viveu o líder anti-apartheid Nelson Mandela (1918-2013).

“Próxima Paragem” é o novo disco dos Senza e chega às plataformas digitais, com nove faixas que Catarina Duarte e Nuno Caldeira começaram a criar no período de confinamento pandémico e acabaram de produzir já no espírito de recuperação de 2022. Nos próximos dias, o disco chega também às lojas físicas, envolto numa capa de tons quentes em que a lista de novas canções tanto reflete um conteúdo amadurecido pela introspeção proporcionada pelo isolamento social – é o que acontece em “Sozinha no Mundo” e “Som Misturado” – como expressa a celebração vibrante da liberdade recuperada – manifestada em “Cor” e “Alma a Céu Aberto”.

O novo disco dos Senza (Foto: DR)

Sendo o terceiro disco dos Senza, o álbum antecipa no respetivo título a nova etapa que preconiza para a carreira da dupla: em sentido figurado, “Próxima Paragem” é o rumo musical a seguir, que Nuno Caldeira diz agora “mais arrojado e contemporâneo”; em sentido literal, é cada destino geográfico de uma agenda de concertos que, como realça Catarina Duarte, está apostada em “acabar com a má memória dos cancelamentos impostos pela COVID” e, até final do ano, inclui passagem por diversas cidades portuguesas e também por palcos na Índia.

“Se nos discos anteriores nos focámos sobretudo em experiências e episódios das viagens que fizemos, neste dedicámo-nos mais a uma reflexão sobre a sociedade atual e sobre os temas que ainda precisam de soluções. Foi efeito da paragem forçada que tivemos em 2020 – o confinamento exerceu uma influência forte nas nossas opções e acreditamos que quem ouvir estas novas músicas vai identificar-se connosco, porque passou pelo mesmo, sentiu as mesmas angústias, passou a valorizar coisas diferentes”, defende Nuno Caldeira.

Catarina Duarte admite que o teor da mensagem pode, por vezes, ser “pesado”, mas considera que as composições, o leque de instrumentos utilizados e o ecletismo dos arranjos finais têm o mérito de fazer a música valer por si mesma. “Falamos de migrações, dos desafios de mestiçar culturas, dos média, da desigualdade de oportunidades devido à cor da pele, de orientação sexual e identidade de género. Também cantamos sobre a Namíbia, sobre o bairro do Soweto e sobre o Brasil. Mas usamos sonoridades de várias proveniências e agrada-nos o exotismo destas misturas. O disco convida a reflexões profundas, é verdade, mas tem também uma leveza própria que resulta do seu tom luminoso, do seu caráter urbano e dançável”, explica a cantora.

Novo single foi lançado no Dia Internacional de Nelson Mandela

“Bailarina do Soweto”, o segundo single do disco “Próxima Paragem”, foi lançado por altura do Dia Internacional de Nelson Mandela, que a Organização das Nações Unidas assinala a 18 de julho para recordar o líder que, após 27 anos de prisão pelo seu ativismo na luta anti-apartheid, foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1993 e acabaria por ser eleito presidente da África do Sul. “Em 2018, quando fizemos a tournée pela África austral, demos um concerto em Joanesburgo e depois fomos ao Soweto, visitar a casa-museu do Mandela. Foi aí que ficámos a saber de um projeto local de dança incrível, que tem meninas com muito talento, mas que, por terem nascido numa zona onde ainda só há oportunidades para pessoas com cor de pele mais clara, enfrentam sucessivas dificuldades a vários níveis, principalmente em termos de internacionalização artística”, conta Catarina Duarte. “Isto só prova que, tantos anos depois, o apartheid ainda existe e continua enraizado”, lamenta Nuno Caldeira. E é por isso que a letra dos Senza refere: “Vim do ghetto, do secreto / A nossa história não tem amuleto / … Vim do entulho, do cimento / Tenho nas pernas a nossa cura / … E mesmo sem o futuro risonho de sonho que todos querem / Seremos donas de nós”.

À parceria com Carlão juntou-se a da estrela namibiana Elemotho

O primeiro single do álbum “Próxima Paragem” a ser tornado público, em setembro de 2021, foi “Sozinha no Mundo”, que, além das vozes de Catarina Duarte e Nuno Caldeira, conta também com a de Carlão, o rapper fundador da icónica banda de hip-hop Da Weasel. A canção escrita pelos Senza fala de tecnologias e de comodismo, confronta vícios digitais com experiências físicas, e Carlos Nobre reviu-se nesse alerta, acabando por criar para o tema os seus próprios versos. É dele, portanto, o recado: “Caminha no parque, brinca na estrada /… Destino é romance, faz a tua chance…. / Faz-te fera”.

Outra colaboração especial do disco “Próxima Paragem”, só agora revelada, é a do artista Elemotho, na faixa com o nome do seu país, “Namíbia”. Os músicos portugueses conheceram o cantor no Festival de Jazz de Windhoek, onde os três atuaram, e, ao fim de alguns dias de relacionamento, decidiram colaborar na criação de um tema inspirado por interesses partilhados. Foi assim que nasceu a canção entoada em três línguas: por um lado, no Português dos músicos que se sentiram tocados pela travessia do deserto do Namibe; por outro, no idioma Setswana, que é a língua nativa do deserto do Kalahari, do qual o artista africano é originário; e ainda em Inglês, para que uma maior audiência participe da partilha. “A esposa do Elemotho é galega e até poderíamos ter explorado as raízes que temos em comum, mas o que nos impressionou mesmo foi aquela paisagem do Kalahari e prometemos que haveríamos de escrever uma canção sobre o deserto – sobre aquela terra de tal aridez e vastidão que nos faz sentir pequeninos”, explica Nuno Caldeira.

Essas e outras reflexões estão já a ser cantadas ao vivo na tournée nacional que os Senza têm a decorrer até final de 2022, com concertos em cidades como Lisboa, Aveiro, Évora, Proença-a-Nova, Coimbra e Santa Maria, nos Açores. Os espetáculos que a dupla deu nos últimos meses em palcos dos Estados Unidos, Panamá, Alemanha, França e Argélia já tiveram o revenge feeling que seria de esperar após dois anos de confinamento, restrições e cancelamentos, mas a dupla garante que tem ainda muito mais entusiasmo com que se vingar. “Escolhemos o caminho da música com o coração e com honestidade. Isso significa que pomos sempre o melhor de nós em palco e, depois de tanto tempo parados, contra a vontade, temos muito coração para dar ao vivo”.

Sobre os Senza:

Com percursos pessoais ligados a Coimbra, Castelo Branco e Aveiro, a dupla formada por Catarina Duarte e Nuno Caldeira surgiu de um gosto partilhado por música e viagens. A sua estreia discográfica deu-se em 2016 com o álbum “Praia da Independência”, logo reconhecido como “Disco Antena 1”, e em 2018 seguiu-se “Antes da Monção”, que mereceu ampla cobertura na imprensa portuguesa. Com base nesse dois LP, os Senza protagonizaram diversos concertos em Portugal e realizaram já várias tournées internacionais que os levaram a países como Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Bulgária, México, África do Sul, Namíbia, Zimbabué, Índia, Brasil, Estados Unidos, China, Quénia, Timor, Panamá e Argélia. Foi no âmbito dessas digressões que, privilegiando sempre a Língua Portuguesa, subiram ao palco de salas icónicas como o Joe’s Pub e integraram o cartaz de eventos emblemáticos da world music como o HIFA – Harare International Festival of the Arts (no Zimbabué), o Whindoek Jazz Festival (na Namíbia) e o Lusitoland Festival (na África do Sul).  Em dezembro de 2022 vão também atuar no Udaipur World Music Festival, na Índia.

A experiência e maturidade refletida nessa carreira internacional e na sonoridade distintiva da dupla, cujas composições revelam uma identidade marcadamente lusa e ainda assim imbuída de exotismo e transversalidade cultural, justificam que o seu trabalho venha contando com a parceria de artistas como Rão Kyao, Júlio Pereira, Carlão e o namibiano Elemotho.

Numa estratégia altruísta de partilha do conhecimento adquirido nessa troca de experiências, conhecimentos e valores, os Senza assumem ainda uma missão pedagógica apostada em formar novos públicos para a música portuguesa e em despertar nessas plateias um maior interesse pelas linguagens musicais de outras culturas e latitudes. Através de um programa regular de parceria com rádios regionais portuguesas, em regime de voluntariado, a dupla já visitou assim mais de 100 emissoras através das quais deu a conhecer instrumentos musicais característicos dos países que inspiraram os seus álbuns, tonalidades próprias das diferentes sociedades e etnias com que vêm contactando, e os valores sociológicos que, em cada território, determinam a respetiva criação artística e fruição cultural.

Fotos: DR.

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Câmara de Barcelos inaugura troço urbano da Ecovia

Centenas de pessoas participaram na caminhada

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“A inauguração deste troço urbano da Ecovia do Cávado, em Barcelos, representa um marco muito significativo no desenvolvimento sustentável da cidade, um marco que inicia uma nova relação entre os munícipes e o ambiente natural”. Foi assim que o Presidente da Câmara, Mário Constantino Lopes, se expressou no ato inaugural do Troço Urbano da Ecovia do Cávado, que se desenvolve num percurso de 2.300 metros, entre a Ponte Ferroviária e o lugar de Souto dos Burros, na margem esquerda do rio.

Perante centenas de pessoas, que se reuniram no átrio da sede da Junta de Barcelinhos (e que depois participaram na caminhada pela ecovia), Mário Constantino Lopes vincou a sua satisfação por “cumprir mais um compromisso eleitoral”, salientando que “esta obra faz parte de um plano muito mais alargado de valorização do Rio Cávado e da dinamização das suas Frentes Ribeirinhas”. O autarca evidenciou que o objetivo do Município é, através do desenvolvimento do MasterPlan, “aproximar as pessoas do rio, potenciar a fruição das margens e dos futuros parques fluviais, incentivar o recreio, o lazer, o convívio e a atividade física”, tendo, para esse efeito comprado já os terrenos dos Norton e dos Vessadas. No horizonte, estão os projetos que farão ligar este troço urbano da ecovia aos concelhos de Esposende e de Braga.

O presidente aproveitou a ocasião para agradecer o trabalho e a colaboração de várias entidades e pessoas, entre os quais o autor do projeto, a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e os serviços municipais.

Ministro José Manuel Fernandes saúda trabalho da Câmara Municipal

Convidado para presidir à inauguração oficial da ecovia urbana de Barcelos, o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, deixou palavras elogiosas ao “trabalho que o presidente da Câmara tem feito à frente dos destinos do concelho”, sublinhando a “ação competente e a visão do Município no desenvolvimento do concelho”, através da potenciação dos recursos naturais do território. O governante acentuou o trabalho que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem efetuado, apelando à rapidez processual e à desburocratização de procedimentos.

Fazendo alusão aos recursos naturais, ao ambiente e à agricultura, José Manuel Fernandes vincou a importância desta trilogia no desenvolvimento sustentado da economia, da potenciação dos recursos paisagísticos e do aproveitamento para atividades de lazer e desporto ao ar livre.

Antes destas intervenções, o Presidente da Junta de Barcelinhos, José Rui Peixoto, deu as boas-vindas a todos os participantes, e fez questão de agradecer ao município pela execução de uma obra tão importante, não só para Barcelinhos como para todo o Concelho.

Logo após o autor do projeto, arquiteto Bruno Costa, apresentou as especificidades da ecovia de Barcelos, sendo complementado pelo presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, Eng. Pimenta Machado, que salientou a importância de, no médio prazo, a ecovia fazer a “ligação do mar até ao Gerês”. Sublinhado que o trabalho que a Câmara de Barcelos está a fazer é muito importante para “voltar a cidade para o rio”, aquele responsável deixou a promessa de que a APA está e vai continuar a colaborar com o Município de Barcelos, no projeto de requalificação das frentes ribeirinhas e parques fluviais.

Troço Urbano da Ecovia do Cávado

Desenvolve-se entre a Ponte de Ferro (a montante da ponte medieval) e o lugar do Souto dos Burros, num troço de 2.300 metros. A obra teve um custo de 1 milhão e 278 mil euros, sendo financiada pelo FEDER no valor de 827 mil euros.

O troço agora inaugurado desenvolve-se na margem esquerda do rio e insere-se no projeto “Ecovia do Rio Cávado entre Fornelos e Pousa”, que depois de concluído terá numa extensão de mais de 22 quilómetros. Faz parte de um projeto mais global que após estar completamente executado ligará o litoral (Esposende) ao Parque nacional da Peneda Gerês.

Este tipo de intervenções visam a promoção de estratégias de baixo teor de carbono para todos os tipos de territórios, nomeadamente as zonas urbanas, incluindo a promoção da mobilidade urbana multimodal sustentável e medidas de adaptação relevantes para uma mobilidade sustentável.

Foto: CMB.

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Barcelos recebe gala dos Prémios do Teatro Amador Europeu

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A gala dedicada às artes cénicas promete trazer o melhor do teatro amador europeu a Portugal. A entrega dos galardões decorre este sábado, 29 de março, pelas 21h30, no Theatro Gil Vicente, em Barcelos, e contará, com o espetáculo de teatro internacional, a ‘A Felicidade Roubada’ da companhia Malanka Theater, vinda da Ucrânia, além da festa dos premiados em três categorias: Melhor Texto Original, Melhor Projeto Artístico e Melhores Causas Teatrais.

As estatuetas do busto de Gil Vicente, esculpidas pelo conhecido artista barcelense Joaquim Esteves, serão atribuídas pelo Teatro de Balugas, naquela que será a primeira edição dos prémios, afirmando o diretor da companhia, Cândido Sobreiro, que “esta cerimónia foi especialmente criada para celebrar a originalidade, a criatividade e o compromisso no teatro amador na Europa”.

Os bilhetes estão à venda em https://gilvicente.bol.pt/ ou na bilheteira do teatro em Barcelos.

Imagem: DR.

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Cascais e Sintra: Quatro detidos pelos crimes de ofensas à integridade física qualificada e dois por tráfico de estupefacientes

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O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, através da Divisão Policial de Cascais, no dia 19 de março, pelas 07h00, na sequência de uma investigação relacionada com a prática de um crime de ofensas à integridade física qualificada, nos concelhos de Cascais e Sintra, deu cumprimento a cinco Mandados de Busca e apreensão domiciliária e deteve através de Mandados de Detenção fora de flagrante delito emitidos por Autoridade Judiciária, quatro homens, com idades compreendidas entre 17 e 19 anos de idade.

A investigação realizada pela PSP abrangeu um inquérito, dirigido pelo Ministério Público de Cascais, da Comarca de Lisboa Oeste, referente a um crime de ofensas à integridade física qualificada e de um crime de gravações e fotografias ilícitas, praticados no dia 20 de dezembro, junto de um estabelecimento de ensino, no concelho de Cascais.

As ofensas provocadas e que revelaram especial censurabilidade e perversidade, tiveram como vítima um jovem menor de 14 anos, por este ter partilhado um story no seu perfil de uma rede social, que era acompanhada com uma música com letra de teor negativo entre residentes de bairros do concelho.

A vítima foi agredida com socos na face, pontapés na barriga e vários pontapés por todo o corpo, atingindo-o principalmente na cabeça, face e tronco, fazendo com que o mesmo perdesse a consciência. Um dos suspeitos, com recurso ao seu telemóvel gravou um vídeo do episódio de todas as agressões provocadas à vítima.

Na sequência das agressões, a vítima foi transportada de urgência para o Hospital de Cascais, onde ficou internado, sendo depois transferido para o Hospital São Francisco Xavier, onde foi sujeito a cirurgia ao nariz.

Os suspeitos provocaram, ainda, à vítima vários hematomas e equimoses, especialmente na face, bem como uma fratura dos ossos próprios do nariz e da apófise frontal esquerda, várias fraturas no maxilar esquerdo e fratura dos dois dentes frontais.

Das buscas domiciliárias realizadas, apreenderam-se seis telemóveis e uma catana de grandes dimensões, com 46 cm de lâmina. Do exame pericial aos telemóveis apreendidos, logrou-se recolher o vídeo do episódio de todas as agressões provocadas à vítima.

No decurso das buscas efetivadas, procedeu-se ainda à detenção de dois homens de 29 e 49 anos, por serem suspeitos da prática do crime de tráfico de estupefacientes, os quais tinham na sua posse 358,34 doses individuais de haxixe; e 149,20 doses individuais de cocaína.

“Com as detenções realizadas, a PSP visou não só a obtenção de meios de prova, mas não menos importante, devolver e fomentar o sentimento de tranquilidade e segurança pública ao Concelho de Cascais”, referiu a força policial.

Os detidos foram presentes em 1.º interrogatório judicial de arguido detido no Tribunal de Instrução Criminal de Cascais, sendo aplicada a medida de coação de prisão preventiva a dois deles e de proibições e imposições aos outros dois.

No que concerne aos detidos por tráfico de estupefacientes, os mesmos ficaram com a medida de coação de apresentações periódicas.

Foto: PSP.

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