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Monumentos de Sintra lançam visitas guiadas diárias

Os bilhetes já estão disponíveis no site da Parques de Sintra. É possível realizar visitas guiadas aos Palácios Nacionais da Pena, de Sintra e de Queluz; Palácio de Monserrate; Chalet da Condessa d’Edla; Castelo dos Mouros; Pavilhão D. Maria I (Palácio Nacional de Queluz) e Convento dos Capuchos

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A pensar nos que querem conhecer a fundo os parques e monumentos que gere, como os Palácios Nacionais da Pena, de Queluz e de Sintra, a Parques de Sintra lançou uma nova oferta de visitas guiadas diárias, em horários fixos. Os visitantes, poderão, assim, optar por uma experiência de visita mais completa, que conta com o acompanhamento especializado de um guia preparado para revelar todos os detalhes da História, da arquitetura, das coleções e das vivências dos espaços.

Os bilhetes para os horários pré-definidos em cada monumento já estão à venda no site da Parques de Sintra, o que constitui, também, uma novidade. As visitas guiadas ao património administrado pela empresa não tinham horários fixos e só se faziam por marcação via e-mail ou telefone. Agora, não só passam a ter horários diários, como podem ser compradas antecipadamente online, o que agiliza todo o processo de planeamento por parte dos visitantes.

Para além dos Palácios já referidos, é possível adquirir visitas guiadas, nos idiomas português e inglês, para o Parque e Palácio de Monserrate, o Chalet da Condessa d’Edla, o Castelo dos Mouros, o Pavilhão D. Maria I (ala do Palácio Nacional de Queluz que foi residência dos Chefes de Estado em visita a Portugal) e o Convento dos Capuchos, local onde a oferta apenas está disponível aos sábados.

Os preços apresentados incluem a entrada nos monumentos e, regra geral, representam um acréscimo de 5€ quando comparados com o valor da visita sem guia. A única exceção é o Palácio Nacional da Pena, cujo montante reflete a inclusão de serviços especiais, como o acompanhamento de guia desde o portão principal do Parque da Pena e o acesso fast track ao Palácio, uma entrada exclusiva e sem filas.

O Palácio Nacional da Pena possibilita uma viagem no tempo que se estende da época medieval até ao início do século XX. Exploram-se os vários recantos e vivências desta residência real oitocentista do Romantismo, construída por D. Fernando II, a partir do edifício de um antigo mosteiro quinhentista.

Nesta visita guiada, os participantes são recebidos no portão principal do Parque da Pena e convidados a subir até ao Palácio, onde irão descobrir os surpreendentes elementos decorativos do edifício, explorar os espaços interiores, as vivências quotidianas e as ecléticas coleções das últimas gerações da família real portuguesa.

Localizado no centro histórico da vila de Sintra, cuja paisagem é fortemente marcada pela silhueta inconfundível das suas chaminés monumentais, o Palácio Nacional de Sintra foi habitado ao longo de quase oito séculos por monarcas portugueses e pela corte, sendo constituído por vários paços diferentes, que terão progressivamente substituído o edifício anterior que remontará possivelmente aos séculos IX ou X.

A visita guiada convida os participantes a fazerem uma viagem que atravessa mil anos de história, para conhecer as diferentes épocas, vivências e fases de construção. O Palácio alberga ainda a maior coleção europeia de azulejos hispano-mouriscos in situ.

Edificado no século XVIII, em fases distintas, por ordem de D. Pedro III, marido da rainha D. Maria I, os Jardins e o Palácio Nacional de Queluz testemunharam vários acontecimentos importantes da história setecentista e oitocentista de Portugal, como as invasões francesas e a guerra civil. A arquitetura e os detalhes decorativos refletem um gosto artístico em que se destacam os estilos rococó, barroco e neoclássico, que se estende aos jardins, em torno dos quais o palácio se desenvolve.

Do interior do palácio aos jardins, a visita guiada dá, assim, a conhecer aos participantes o ambiente das festas e das celebrações, bem como a vida quotidiana de três gerações da Família Real.

Na visita guiada ao Pavilhão D. Maria I, no Palácio Nacional de Queluz, é possível descobrir uma história de 60 anos, contada a partir de um dos palcos da diplomacia e da política externa nacionais, testemunho de episódios marcantes da história de Portugal, da Europa e do Mundo.

Percorrendo os ambientes privados onde ficaram alojados, entre 1940 e 2004, convidados ilustres da República Portuguesa, no Pavilhão D. Maria I evocam-se personalidades como a Rainha Isabel II do Reino Unido; o Generalíssimo Franco de Espanha; O Presidente do Brasil José Sarney; o Rei Juan Carlos de Espanha; os Imperadores do Japão, entre tantos outros, que marcaram a história do século XX.

Idealizado, no século XIX, pelo milionário e colecionador inglês Francis Cook, o conjunto do Parque e Palácio de Monserrate encerra influências muito diversas, que vão desde o cenário romântico e exótico que caracteriza o parque, até aos revivalismos da arquitetura gótica, indiana e mourisca representados no palácio.

Na visita guiada, entre o parque e o palácio, os participantes serão convidados a explorar a riqueza histórica, artística e natural de Monserrate, bem como as vivências dos seus habitantes.

A visita guiada ao Convento do Capuchos revela a vida desta casa religiosa e a relação que os frades tinham com a natureza. O Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra, que ficou conhecido pelo extremo da sua pobreza de construção, materializa o ideal de fraternidade e irmandade universal dos frades franciscanos que o habitaram, desde o século XVI até finais do século XVIII, altura em que terá sido abandonado em função da extinção das ordens religiosas que o regime liberal determinaria.

Situado num local cuja ocupação remonta à Pré-História, o Castelo dos Mouros foi fundado no século X, tendo sido objeto, ao longo do tempo, de várias alterações, que resultaram na fortificação que aí se encontra atualmente.

Na visita guiada, os participantes são conduzidos por um percurso histórico e arqueológico através do tempo, onde se abordam os períodos mais marcantes do monumento, tais como a época medieval e a reconstrução de cariz romântico promovida por D. Fernando II, no século XIX. Sobranceira à vila de Sintra, a vista do Castelo dos Mouros permite ainda a exploração de vários elementos da paisagem envolvente.

Na visita guiada ao Chalet e Jardim da Condessa d’Edla, abordam-se as histórias e as vivências deste recanto do Parque da Pena, idealizado por D. Fernando II e pela sua segunda mulher, Elise Hensler, a Condessa d’Edla. De sala em sala, entre a arquitetura e as coleções expostas, conta-se a história da construção − e da reconstrução − deste Chalet de estilo alpino, abordando-se também o quotidiano dos seus criadores.

Neste local de grande valor histórico e paisagístico, destacam-se os principais elementos do jardim envolvente. Com os seus surpreendentes recantos e miradouros, permite explorar temas como a geologia da serra de Sintra, a botânica e o processo de requalificação do Jardim.

Mais informações, preços, horários e venda de bilhetes: https://www.parquesdesintra.pt/pt/planear-a-visita/visitas-guiadas/

Foto: PSML – José Marques Silva.

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Otacílio Soares fala em “maturidade” nas relações entre Brasil e Portugal

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O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), Otacílio Soares, marcou presença nas comemorações oficiais do 204.º aniversário da Independência do Brasil, realizadas no dia 7 de setembro, na Residência Oficial do Embaixador da República Federativa do Brasil em Portugal, em Lisboa.

A receção foi promovida pelo embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e pela embaixatriz Maria José de Ávila, entre às 18h e às 20h, reunindo autoridades portuguesas e brasileiras, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade luso-brasileira e convidados institucionais. O antigo Presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa também esteve presente. O programa incluiu a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal pela Banda da Armada, com interpretação de Taiana Froes, seguindo-se a intervenção do embaixador e um momento de confraternização entre os convidados.

No âmbito do evento, Otacílio Soares concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, na qual analisou a evolução das relações entre Portugal e o Brasil, o momento vivido pelas empresas dos dois países, os desafios da internacionalização e as áreas onde considera existir margem para ampliar investimentos e negócios.

Reeleito presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) para o biénio 2025-2026, Otacílio Soares tem defendido uma atuação da instituição orientada para a aproximação entre empresários, geração de negócios, internacionalização e atração de investimento. A própria Câmara tem promovido, ao longo de 2026, iniciativas relacionadas com comércio externo, internacionalização e cooperação empresarial entre os dois mercados.

Questionado sobre a evolução das relações entre os dois países ao longo dos 204 anos de Independência brasileira, Otacílio Soares considerou que os vínculos entraram numa etapa marcada por maior equilíbrio e pela componente económica.

“Sem dúvida, a relação entre Brasil e Portugal mudou muito ao longo desses 204 anos e, sobretudo nas últimas décadas, ganhou uma dimensão muito mais moderna e equilibrada. Hoje já não falamos apenas de uma relação baseada na história, na língua ou nos laços culturais. Existe uma relação económica, empresarial e humana muito concreta. Temos empresas brasileiras que utilizam Portugal como porta de entrada para a Europa e empresas portuguesas que encontram no Brasil um mercado de enorme dimensão e oportunidades. Isso acontece em setores como tecnologia, energia, construção, turismo, serviços financeiros, alimentação, indústria e comércio. Também é importante destacar a mobilidade de empresários, profissionais e estudantes entre os dois países. Essa circulação de pessoas cria relações, novas empresas e novos investimentos”, disse Otacílio, que acredita que “estamos a viver uma fase de maturidade dessa relação, em que Brasil e Portugal conseguem olhar um para o outro não apenas pelo passado que partilham, mas sobretudo pelas oportunidades que podem construir juntos no futuro”.

A análise acompanha uma linha de atuação que a CCILB tem procurado desenvolver nos últimos meses. Entre as iniciativas realizadas em 2026 estão encontros sobre internacionalização para o Brasil, participação em eventos de comércio externo e debates direcionados para a utilização de Portugal como ponto de acesso de empresas brasileiras ao espaço europeu.

Relativamente ao atual cenário das relações empresariais, o presidente dessa Câmara de Comércio destacou a complementaridade entre as duas economias, mas alertou para obstáculos que continuam a exigir preparação por parte dos investidores.

“A CCILB vê essas relações de forma muito positiva. Existe hoje uma complementaridade bastante interessante entre as duas economias. Portugal oferece estabilidade, integração ao mercado europeu, infraestrutura e uma posição geográfica estratégica. O Brasil, por sua vez, oferece escala, recursos naturais, uma economia muito diversificada, capacidade empresarial e um mercado consumidor extremamente relevante. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios. Há questões burocráticas, fiscais, regulatórias e culturais que precisam ser melhor compreendidas pelos empresários dos dois lados. É justamente nesse ponto que instituições como a Câmara têm um papel importante, ajudando empresas a conhecer melhor os mercados, estabelecer contactos e evitar erros que muitas vezes acontecem por falta de informação”, frisou este responsável, que comenta ainda que “a atuação da CCILB deve ultrapassar a representação institucional e produzir resultados para os associados, através da aproximação entre empresas e entidades capazes de apoiar processos de internacionalização”.

“A Câmara de Comércio tem procurado atuar de forma cada vez mais prática. Temos promovido encontros empresariais, seminários, missões, eventos de networking e debates sobre temas relevantes para quem quer investir ou fazer negócios entre Brasil e Portugal. Também desenvolvemos iniciativas em áreas como inovação e tecnologia, turismo, comércio exterior, arbitragem, sustentabilidade e investimentos. Outro trabalho importante é aproximar empresas das instituições que podem efetivamente ajudá-las, como associações empresariais, entidades de promoção de investimento, bancos, escritórios especializados e organismos públicos dos dois países. A nossa preocupação é que a Câmara não seja apenas um espaço institucional, mas principalmente uma plataforma capaz de gerar negócios, informação e relacionamento para os seus associados”, afirmou.

Dados apurados pela nossa reportagem mostram que a CCILB tem procurado “reforçar esse posicionamento através de encontros empresariais e iniciativas de networking”, com foco declarado na “geração de oportunidades e na aproximação entre decisores, investidores e empresas dos dois países”.

Entre os segmentos que, na avaliação de Otacílio Soares, apresentam margem para crescimento, encontram-se “tecnologia, energia, indústria, turismo, agronegócio, serviços financeiros e economia digital”.

Este responsável destacou ainda a necessidade de criar condições para uma maior participação das pequenas e médias empresas nos processos de internacionalização.

“Existem muitas áreas que ainda podem avançar. Uma delas é a participação das pequenas e médias empresas nessa relação bilateral. As grandes empresas normalmente têm estrutura para estudar mercados, contratar consultores e instalar operações internacionais. Para as PME, esse processo é mais difícil e é justamente onde podemos criar mecanismos de apoio mais eficientes. Também vejo grandes oportunidades em tecnologia, energia, indústria, turismo, agronegócio, serviços financeiros e economia digital. Outro ponto fundamental é a utilização de Portugal como plataforma para empresas brasileiras chegarem ao mercado europeu e, no sentido inverso, o Brasil como plataforma para empresas portuguesas ampliarem a sua presença na América Latina. Com o avanço das relações entre a União Europeia e o Mercosul, essa dimensão tende a tornar-se ainda mais relevante”, adiantou.

“acontecimento de enorme importância para o Brasil”

Ao avaliar a receção em Lisboa, o presidente da Câmara de Comércio considerou que encontros desta natureza também desempenham uma função prática no desenvolvimento das relações empresariais, uma vez que permitem aproximar representantes institucionais e agentes económicos.

“Avaliei o evento de forma muito positiva. Esses encontros são importantes porque aproximam a comunidade empresarial, as instituições e a representação diplomática brasileira em Portugal. Além do conteúdo institucional, permitem criar relações pessoais, que continuam a ser fundamentais no mundo dos negócios. Um ponto do discurso do Embaixador que me chamou particularmente a atenção foi o convite para que os portugueses acompanhem e visitem o Brasil durante a Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027. É um acontecimento de enorme importância para o Brasil e para o mundo do desporto, mas que, na minha opinião, ainda está pouco divulgado em Portugal e mesmo internacionalmente quando comparado com a dimensão que terá. Será uma oportunidade extraordinária não apenas para o futebol feminino, mas também para o turismo, para a promoção internacional do Brasil e para a própria aproximação entre brasileiros e portugueses. É um evento que merece desde já muito mais atenção e divulgação”, explicou.

O Brasil vai receber a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027 entre 24 de junho e 25 de julho. Será a primeira edição da competição realizada na América do Sul, com jogos em oito cidades: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O Maracanã, no Rio, receberá a partida de abertura e a final.

Para Otacílio Soares, a realização do Mundial representa também uma oportunidade para ampliar fluxos turísticos e aproximar portugueses e brasileiros. A leitura insere o desporto numa relação bilateral que, segundo o presidente da CCILB, já deixou de estar limitada aos vínculos históricos e culturais e passa cada vez mais por investimento, internacionalização, circulação de profissionais e desenvolvimento de negócios entre Portugal, Brasil, Europa e América Latina.

Ígor Lopes

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FUNCEX marca presença em Lisboa na celebração da “Independência do Brasil” e projeta Portugal como “porta de entrada para Europa e CPLP”

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A Embaixada do Brasil em Lisboa celebrou, no dia 7 de setembro, o 204º aniversário da Independência do Brasil com uma recepção realizada na Residência Oficial do Embaixador da República Federativa do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e da embaixatriz Maria José de Ávila. A cerimônia ocorreu entre 18h e 20h e reuniu autoridades portuguesas e brasileiras, representantes do corpo diplomático, integrantes da comunidade luso-brasileira e convidados institucionais. O programa incluiu a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal pela Banda da Armada, com entoação de Taiana Froes, seguida do discurso do embaixador e de um momento de confraternização. O ex-presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa também esteve presente no evento.

Entre as instituições representadas esteve a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (FUNCEX), por meio de Abdul Temporário, diretor executivo da entidade, que participou da cerimônia em representação do presidente da instituição brasileira, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro. A presença da FUNCEX inseriu no encontro a dimensão econômica, empresarial e de internacionalização das relações entre Brasil e Portugal, em um momento de expansão da atuação da Fundação no continente europeu e de fortalecimento de sua posição como elo entre empresas brasileiras, mercado português, União Europeia e países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em entrevista à nossa reportagem, Abdul Temporário destacou o processo de internacionalização da Fundação e a criação de uma estrutura voltada ao mercado europeu.

“Estamos a cumprir aquilo que entendemos ser o nosso papel neste momento, com a extensão da FUNCEX através da FUNCEX Europa, ampliando a nossa atuação como facilitador e como ponte para as empresas e para o empresariado brasileiro em Portugal”, afirmou.

Segundo o diretor executivo, Portugal ocupa uma posição estratégica nos processos de internacionalização das empresas brasileiras, tanto pela inserção no mercado europeu quanto pelos vínculos com os países de língua portuguesa.

“Portugal pode funcionar como porta de entrada para a Europa e também para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A nossa missão passa por facilitar esta aproximação e criar pontes para o empresariado brasileiro”, explicou Abdul Temporário, ao abordar também o papel das novas tecnologias no trabalho desenvolvido pela Fundação.

“Estamos muito atentos às prioridades tecnológicas e industriais e à forma como novas ferramentas, incluindo a inteligência artificial, podem apoiar as empresas, os processos de internacionalização e a análise de dados ligados ao comércio exterior”, acrescentou.

Abdul também apontou a infraestrutura, as parcerias e o ambiente empresarial existentes em Portugal como elementos que podem contribuir para aprofundar as relações econômicas entre os dois países.

“Estamos a aproveitar a infraestrutura que Portugal oferece, as parcerias existentes e as próprias valências do mercado para criar condições que reforcem esta ligação entre os dois países”, observou.

A relação entre União Europeia e Mercosul foi igualmente mencionada como um dos fatores com potencial para ampliar a aproximação entre empresas brasileiras e portuguesas.

“O acordo entre o Mercosul e a União Europeia traz profundidade e constitui um instrumento agregador para esta relação. Pode tornar-se fundamental para que a ponte entre Brasil e Portugal fique ainda mais consolidada”, avaliou Abdul Temporário.

Para o dirigente da FUNCEX, a participação na celebração da Independência do Brasil em território português também traduz a proximidade construída entre os dois países em diferentes áreas.

“Celebrar os 204 anos da Independência do Brasil em Portugal tem um significado próprio. Hoje existe uma relação de proximidade que também se manifesta na economia, nas empresas, na tecnologia e nas oportunidades que os dois países podem construir em conjunto”, ressaltou.

Portugal como novo ponto de atuação

Presente pela primeira vez nas celebrações da Independência do Brasil em Lisboa, Gleide Gomes de Lima Temporário, empresária de consultoria de “cloud computing” e esposa de Abdul, destacou a dimensão simbólica do encontro com a comunidade brasileira e a ligação que mantém com o país.

Nascida em São Paulo e criada em Ilhéus, na Bahia, Gleide vive atualmente em Portugal, depois de ter residido em Londres, onde se formou e iniciou sua atuação profissional na área tecnológica. Durante o evento, destacou a emoção de ouvir o Hino Nacional e de participar de uma celebração que, segundo ela, reforça o sentimento de pertencimento e a conexão com o Brasil.

No campo profissional, Gleide trabalha com uma empresa parceira da Microsoft, apoiando companhias em processos de migração para a “cloud”, com foco na otimização de custos, segurança de dados e redução da dependência de infraestruturas físicas. Mantém atuação ligada ao mercado britânico e está estudando oportunidades em Portugal, inclusive junto a empresários brasileiros instalados no país.

Paralelamente, prepara para 2027 um projeto voltado à aproximação de mais mulheres com a tecnologia, por meio de formação, orientação profissional e incentivo ao empreendedorismo. A iniciativa pretende criar uma ligação entre Portugal, Reino Unido, Brasil e outros países de língua portuguesa.

Discurso destaca relações bilaterais

Na abertura de seu discurso, Raimundo Carreiro, embaixador do Brasil em Portugal, destacou o significado da celebração e a relação entre Brasil e Portugal.

“É uma grande satisfação recebê-los na Residência Oficial da Embaixada do Brasil em Lisboa para a celebração dos 204 anos da Independência do Brasil. A execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal simboliza a amizade e o respeito que unem os nossos dois países”, declarou.

Ao abordar as relações bilaterais, o embaixador brasileiro recordou o bicentenário das relações diplomáticas e ressaltou o momento atual da parceria entre as duas nações.

“No ano passado, celebrámos o bicentenário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal. Foi uma oportunidade para recordarmos a nossa trajetória comum, construída ao longo de dois séculos, e para projetarmos o futuro da parceria que une as duas nações. Em 2026, esse espírito de celebração continua a inspirar o fortalecimento dos laços entre os nossos dois países. O intenso diálogo político, o crescente intercâmbio cultural, a vitalidade das nossas diásporas e a expansão dos vínculos económicos mostram que Brasil e Portugal vivem um momento de consolidação das relações bilaterais”, destacou.

Na sequência, Raimundo Carreiro mencionou os contatos políticos e institucionais mantidos entre Brasil e Portugal.

“Em novembro passado, o primeiro-ministro português Luís Montenegro realizou uma visita ao Brasil para participar na COP30, em Belém. Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa e reuniu-se com o primeiro-ministro e com o Presidente da República Portuguesa. Os laços de amizade entre os parlamentos continuam também a estreitar-se. Em abril, o Congresso Nacional brasileiro recebeu uma delegação da Assembleia da República Portuguesa, liderada por José Cesário. Em julho, recebemos em Lisboa o presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, ministro Edson Fachin. As reuniões realizadas contribuíram para reforçar a cooperação entre os órgãos judiciais, tanto no plano bilateral como no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, assinalou.

Um dos pontos centrais do discurso foi a presença da comunidade brasileira em Portugal.

“Os brasileiros já representam cerca de 5% da população de Portugal. A sua presença é parte integrante da vida económica, social, académica e cultural portuguesa. A comunidade brasileira tem uma ligação muito forte com a sociedade portuguesa, favorecida pela língua comum, pelas afinidades culturais e pelos valores partilhados que aproximam os nossos povos. Essa realidade não nos impede de reconhecer os desafios que ainda persistem e de continuarmos a trabalhar em conjunto com as autoridades portuguesas para melhorar a integração da comunidade brasileira”, considerou o diplomata.

No plano econômico, Raimundo Carreiro referiu-se ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um marco para as relações entre as duas regiões.

“A entrada em vigor do acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico para as duas regiões, com reflexos positivos e duradouros para as relações do Brasil e também de Portugal. Depois de mais de duas décadas de negociações, inauguramos uma das maiores áreas de integração económica do mundo, com cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto superior a 22 biliões de dólares. O apoio de Portugal foi decisivo para demonstrar que este acordo pode ser benéfico para ambas as partes”, declarou.

Segundo o embaixador, o acordo amplia as possibilidades para empresas portuguesas no mercado sul-americano.

“Fortemente integrada nas cadeias de valor europeias, a economia portuguesa passa a dispor de um canal ampliado para um mercado de aproximadamente 272 milhões de consumidores do Mercosul. Num cenário global marcado pela fragmentação e pela incerteza, esta parceria representa também um reforço do multilateralismo”, avaliou.

Raimundo Carreiro dedicou ainda parte do discurso às eleições gerais brasileiras de 2026 e à participação dos eleitores residentes em Portugal.

“No dia 4 de outubro, o Brasil realiza eleições gerais. Cerca de 158,7 milhões de pessoas estão habilitadas a votar. Em Portugal, são cerca de 135 mil eleitores brasileiros, o que representa aproximadamente 15% dos eleitores inscritos no exterior. Lisboa e Porto são, respetivamente, o primeiro e o terceiro maiores colégios eleitorais brasileiros fora do Brasil”, informou.

Ao tratar dos próximos grandes eventos internacionais no Brasil, Raimundo Carreiro destacou a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027.

“O Brasil terá muito orgulho em receber o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027. Será a décima edição do torneio e a primeira realizada na América do Sul. Convido todos a visitarem o Brasil no próximo ano e a acompanharem de perto este grande evento”, afirmou.

O embaixador acrescentou que a realização da competição também deverá contribuir para discussões sociais.

“Realizar o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino no Brasil representa um reconhecimento da força crescente da modalidade e do potencial das mulheres no desporto. É também uma oportunidade para colocar em debate questões sociais importantes, como o combate à violência e à desigualdade de género”, enfatizou.

Na parte final do discurso, Raimundo Carreiro voltou a destacar o estágio das relações bilaterais e a necessidade de continuidade do trabalho diplomático.

“Temos muito a celebrar no relacionamento entre Brasil e Portugal, mas assumimos também o desafio de continuar a trabalhar para concretizar as oportunidades que se abrem na nossa parceria bilateral”, ponderou.

O diplomata também mencionou a nova ligação aérea anunciada pela companhia brasileira GOL entre o Rio de Janeiro e Lisboa.

“A nova ligação direta entre o Rio de Janeiro e Lisboa será a primeira da companhia entre o Brasil e a Europa e representa mais uma ponte aérea entre dois países aproximados pela história e pelo afeto”, salientou.

Raimundo Carreiro citou ainda a ampliação da presença do Banco do Brasil em Portugal, com foco no atendimento a cidadãos, empresas e investidores, classificando a instituição como “uma ponte financeira entre os nossos dois países”.

A intervenção terminou com uma referência direta à data comemorativa e à relação bilateral.

“Viva a Independência do Brasil e a amizade entre Brasil e Portugal”, concluiu Raimundo Carreiro.

Ígor Lopes

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Universidade Aberta lança comunidade europeia para reforçar ensino da “Robótica Educativa” e do “Pensamento Computacional”

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Sessão oficial de lançamento da “ERTA Community of Practice” terá lugar na Universidade Aberta, em Lisboa, nos dias 17 e 18 de setembro. Foto: divulgação/Universidade Aberta

A Universidade Aberta (UAb), através do LE@D – Laboratório de Educação a Distância e eLearning, anunciou esta semana o lançamento da “ERTA Community of Practice” (CoP), uma comunidade europeia de prática dedicada à promoção da “Robótica Educativa” e do “Pensamento Computacional” na formação inicial e contínua de educadores e professores.

A nova comunidade integra o projeto europeu “ERTA – European Robotics Teachers’ Academy”, iniciativa cofinanciada pela União Europeia que reúne universidades, centros de investigação, escolas e diversas organizações europeias com o objetivo de reforçar a qualidade da formação docente nas áreas da “Robótica Educativa” e do “Pensamento Computacional”.

Concebida como um espaço permanente de colaboração e desenvolvimento profissional, a “ERTA Community of Practice” pretende aproximar educadores de infância, professores, formadores de professores, investigadores, decisores educativos e outros profissionais interessados na integração destas áreas em diferentes contextos de ensino, incentivando a partilha de experiências, a criação conjunta de recursos pedagógicos e a disseminação de práticas inovadoras.

Ao longo do segundo semestre de 2026 e durante todo o ano de 2027, a comunidade desenvolverá um conjunto alargado de iniciativas destinadas a fomentar a cooperação entre os seus membros. A programação contempla webinars internacionais, workshops presenciais e online, fóruns temáticos de discussão, desafios colaborativos, momentos de partilha de boas práticas educativas, disponibilização de recursos de apoio à formação de professores e atividades de co-criação entre participantes de diferentes países europeus.

As atividades arrancam já durante este mês de julho com o workshop “Computational Thinking and Robotics: Coding to Develop Competences”, iniciativa que antecede a abertura da fase de pré-registo dos interessados em integrar a comunidade.

A sessão oficial de lançamento da “ERTA Community of Practice” terá lugar na Universidade Aberta, em Lisboa, nos dias 17 e 18 de setembro, reunindo os parceiros internacionais do consórcio responsável pelo projeto e assinalando o início formal da rede europeia de colaboração.

Entre os principais temas previstos para os encontros, formações e debates promovidos pela comunidade encontram-se a “Robótica Educativa” na Educação de Infância, o desenvolvimento do “Pensamento Computacional”, a utilização da robótica como instrumento de aprendizagem inovadora, a aplicação do “Design Thinking”, a promoção da inclusão e da diversidade, o desenvolvimento da inteligência emocional e das competências sociais, bem como a formação contínua de professores e a investigação em inovação educativa.

Ígor Lopes

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