Atualidade
Barcelos: “Uma coleção dos Diabos”, do colecionador José Santos Silva, em exposição no Museu de Olaria
Na Sala da Capela até maio
É inaugurada, no próximo sábado, às 16h30, na Sala da Capela do Museu de Olaria, a exposição “Uma coleção dos Diabos”, do colecionador José Santos Silva, que estará patente ao público até 4 de maio de 2025.
“Uma coleção dos Diabos” é uma mostra dedicada à representação de diabos, maioritariamente feitos em cerâmica. Santos Silva destaca-se por reunir peças criadas por reconhecidos e notáveis barristas, ceramistas e artesãos nacionais. Essa dedicação coloca-o num patamar de excelência, tornando-o num legítimo representante da história e cultura de uma importante comunidade artesanal portuguesa. Ao partilhar, nesta exposição temporária, a sua coleção com o Museu de Olaria, Santos Silva proporciona ao público a oportunidade de estabelecer um contacto privilegiado com produções artesanais de elevado valor cultural. As peças, produzidas ao longo de um extenso período temporal, evidenciam a relevância desse tema no imaginário e na expressão artística dos artesãos portugueses.
Pode visitar a exposição de terça-feira a sexta-feira, das 10h00 às 17h30; aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.
Sobre o colecionador
José Santos Silva, técnico do Museu Municipal Santos Rocha desde 1976, é um colecionador que se destaca pela sua paixão curiosa: os diabos, demónios e mafarricos. Esta coleção, que começou de forma despretensiosa e inocente, cresceu ao longo dos anos e hoje é composta por cerca de 300 peças, criadas por mais de 100 artistas, que inclui nomes consagrados da arte popular e novos criadores, e abrange uma vasta diversidade de estilos e técnicas.
A história da sua ligação ao barro cozido começou na feira anual de São João, na Figueira da Foz, quando a mãe, Maria de Lourdes, lhe comprou a primeira peça de figurado de Barcelos – um apito. No início, não se tratava de constituir uma coleção, mas apenas de aquisições de figurinhas avulsas de arte popular. Mais tarde, esta paixão consolida-se com a sua atividade profissional no museu, onde começou a lidar com fragmentos cerâmicos arqueológicos, o que o levou a aprofundar o conhecimento sobre cerâmica e todos os seus diferentes processos técnicos.
Foi quando lhe ofereceram o primeiro diabo, da autoria de Rosa Ramalho, que despertou em si o desejo de colecionar esta figura, transformando uma simples curiosidade numa verdadeira paixão.
O ponto de viragem na sua trajetória enquanto colecionador aconteceu quando tomou a decisão de deixar de fumar. Em vez de gastar o dinheiro que antes destinava aos cigarros, optou por investir numa coleção mais focada e criteriosa. Começou, assim, a adquirir diabos de artesãos de Barcelos, que, até então, eram praticamente os únicos a representar esta figura de forma tão expressiva. Com o tempo, a sua coleção foi aumentando, com diabos de todo o país e do estrangeiro.
A exposição – Uma Coleção dos Diabos – inclui peças únicas, algumas das quais concebidas especificamente para José Santos Silva, com alguns artistas a produzir, pela primeira vez e única, figuras do diabo especialmente para a sua coleção. As peças variam entre o popular e as abordagens mais contemporâneas, e são um reflexo da riqueza cultural e da diversidade de interpretações criadas e reproduzidas ao longo dos tempos desta figura mítica e lendária.
Uma coleção que, nas palavras do próprio colecionador, ultrapassa o simples ato de colecionar, é uma homenagem à arte popular e à criatividade humana, refletindo o fascínio por esta figura fantástica que amedronta, mas também cativa e que é parte intrínseca das nossas tradições, histórias e crenças. Mais do que uma coleção, os diabos de José Santos Silva são um testemunho de uma paixão que nasceu sem grandes ambições, mas que, com o tempo, se transformou numa das mais impressionantes coleções deste tema em Portugal.
Imagem: CMB.
Atualidade
Barcelos: 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica já abriu portas no Parque da Cidade
A 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica foi inaugurada na passada sexta-feira, 31 de julho, no Parque da Cidade, reunindo centenas de visitantes na abertura de um dos mais emblemáticos certames dedicados ao artesanato e à cerâmica em Portugal. Até ao próximo dia 9 de agosto, Barcelos volta a afirmar-se como um território de excelência na valorização dos saberes tradicionais, da criatividade e da identidade cultural, reforçando a sua projeção nacional e internacional enquanto Cidade Criativa da UNESCO no Artesanato e Arte Popular.
A cerimónia de inauguração contou com a presença do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, do Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, do vice-presidente da CCDR-N para a Cultura, Rui Costa, do vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Cancela Moura, do presidente da Assembleia Municipal, Fernando Pereira, do presidente da EMEC, Jorge Cruz, bem como de autarcas, representantes de diversas entidades, artesãos e ceramistas.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal destacou o significado especial desta edição, realizada poucos dias depois da inscrição do Figurado de Barcelos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a quarta distinção nacional atribuída ao património imaterial do concelho. O autarca salientou que este reconhecimento reforça a identidade cultural de Barcelos e constitui um estímulo para continuar a valorizar o trabalho dos artesãos.
“O verdadeiro património não são as peças; são as pessoas que, com as suas mãos e criatividade, moldam o barro e transformam esta mostra numa beleza única e irrepetível.”
Mário Constantino Lopes sublinhou ainda a importância de continuar a apostar na certificação, valorização e internacionalização do artesanato, defendendo que “o artesanato é cultura, mas também economia”, e apelou à transmissão destes saberes às novas gerações, para que Barcelos continue a afirmar-se como uma referência nacional e internacional neste domínio.
Na sua intervenção, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços enalteceu o percurso de Barcelos enquanto marca consolidada e reconhecida, considerando que a Mostra representa a identidade do território.
“Aquilo que hoje nacionais e estrangeiros procuram é viver algo que só é possível naquele território. E tenho a certeza absoluta de que aquilo que vamos viver nesta 43.ª Mostra só é possível aqui, em Barcelos.”
Pedro Machado defendeu igualmente a necessidade de reforçar os processos de certificação e de proteger a autenticidade do artesanato, valorizando economicamente o trabalho dos artesãos e combatendo as imitações que desvirtuam o valor das peças originais.
Também o vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal destacou Barcelos como um exemplo de autenticidade e de valorização da cultura popular, considerando que o artesanato constitui um dos principais fatores de diferenciação do concelho.
“Barcelos é muito mais do que uma cidade. É um território onde a tradição continua a ter futuro.”
Cancela Moura salientou ainda que a distinção de Barcelos como Cidade Criativa da UNESCO reconhece o valor universal do saber-fazer dos seus artesãos e demonstra como a cultura pode gerar desenvolvimento, dinamizar o turismo e afirmar internacionalmente um território.
Ao longo de dez dias, a Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica reúne dezenas de artesãos, ceramistas, associações e produtores, proporcionando aos visitantes a oportunidade de contactar com o trabalho ao vivo dos mestres, participar em 25 workshops dedicados às artes e ofícios tradicionais, assistir a espetáculos de animação, folclore e música, bem como conhecer e saborear os produtos endógenos do concelho.
A edição deste ano conta ainda com a participação de várias Cidades Criativas da UNESCO, portuguesas e estrangeiras, reforçando a dimensão internacional do certame e os laços de cooperação entre territórios que partilham o compromisso com a valorização do artesanato, da cerâmica e das artes tradicionais.
Com entrada gratuita, a 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica decorre até ao dia 9 de agosto, afirmando-se, uma vez mais, como um dos maiores acontecimentos culturais e turísticos do concelho e um palco privilegiado para a promoção da identidade, da criatividade e da excelência do artesanato barcelense.
Atualidade
“4º Fliparacatu” reúne autores para “pensar o mundo” sob a inspiração de Guimarães Rosa e Milton Santos
O 4.º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu traz como tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, em uma homenagem aos patronos desta edição, o escritor João Guimarães Rosa, nos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, em seu centenário de nascimento. A curadoria nacional é assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais são conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infantojuvenil fica a cargo de Rafael Nolli. Além dos debates literários e do tradicional Prêmio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realiza uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez. Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival acontece entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
No âmbito de convidados nacionais e internacionais, participam dessa edição Mia Couto, Alê Santos, Alexandre Coimbra Amaral, Bia Bracher, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Cristóvão Tezza, Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Fabiana Carneiro, Geni Núñez, Ítalo Moriconi, Jairo Marques, Jamil Chade, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Marcelino Freire, Míriam Leitão, Mônica Meyer, Natalia Timerman, Nina Santos, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Paulliny Tort, Renato Nogueira, Ricardo Ramos Filho, Rita von Hunty, Sandra Menezes, Sérgio Abranches e Taiane Santi Martins. Entre os autores regionais estão Alexandre de Oliveira Gama, Ana Carolina Campos de Carvalho, Benedita dos Reis Soares Costa, Daniela Prado, Edina Sueli das Dores, Eleusa Spagnuolo, Helen Ulhôa Pimentel, Isaias Nery Ferreira, José Ivan Lopes, Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio, Murilo Caldas, Nágela Caldas, Raik, Silvano Avelar, Tarzan Leão, Telma Borges, Terezinha de Jesus Santana Guimarães e Vandeir José da Silva. Vindos da literatura, do jornalismo, da filosofia, da educação, das artes e das ciências humanas, eles formam um painel diverso de vozes e experiências. Programação completa em atualização no site www.fliparacatu.com.br
A programação reafirma uma característica dos festivais realizados pela Associação Cultural Sempre um Papo – Fliaraxá, Flitabira e Flipetrópolis, além do próprio projeto Sempre um Papo, que completa 40 anos em 2026 -, que é a busca pelo equilíbrio entre homens e mulheres, a presença significativa de autores negros e indígenas e o diálogo entre diferentes gerações, áreas do conhecimento e perspectivas. A diversidade de vozes é uma escolha curatorial que amplia a conversa e enriquece a experiência dos leitores.
Os patronos Guimarães Rosa e Milton Santos
A escolha de Guimarães Rosa e Milton Santos revela o espírito desta edição. Rosa fez do sertão um território de linguagem e reflexão sobre a condição humana. Milton Santos revolucionou a geografia ao mostrar como o espaço, as cidades e as desigualdades moldam a vida contemporânea. Setenta anos depois da publicação de Grande Sertão: Veredas e cem anos após o nascimento do geógrafo baiano, suas obras permanecem atuais e continuam oferecendo instrumentos para pensar um mundo em transformação.
Lançamento de livro
O Fliparacatu abre espaço para autores que vão além da leitura e se dedicam também à escrita, garantindo a presença de livros publicados em uma área dedicada a autógrafos, e integrada à programação oficial do festival. A iniciativa contempla, especialmente, os escritores e escritoras que publicam de forma independente, muitas vezes responsáveis por todo o processo de edição de suas obras. Ainda assim, o espaço também é aberto a títulos publicados por editoras tradicionais.O registro é gratuito, mediante a doação de dois exemplares do livro lançado para a equipe organizadora do evento, que os repassará para a biblioteca da cidade, a Biblioteca Municipal René Lepesqueur.
As inscrições podem ser feitas no formulário oficial disponível neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfJhsmEpHoUZSh3ecy4irZSA1ZUun2mdqyUL_-JrvlnM-ClUA/viewform
Prêmio de Redação e Desenho
O tradicional Prêmio de Redação e Desenho integra a programação do Fliparacatu 2026 e mobiliza estudantes da rede pública e privada de Paracatu em atividades de criação literária e artística, a partir do tema “Meu lugar no Mundo”, em consonância com a abordagem proposta pelo festival.
A iniciativa contempla alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, distribuídos em categorias específicas de desenho e redação, organizadas por faixa etária, incluindo também estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e modalidades equivalentes de ensino.
Os trabalhos são desenvolvidos no ambiente escolar, com orientação dos professores, e passam por uma seleção interna realizada pelas próprias instituições de ensino antes do envio ao festival. As produções selecionadas são avaliadas por uma comissão julgadora definida pela organização do Fliparacatu.Os vencedores recebem premiação em dinheiro, no valor de R$1.000,00 para o primeiro lugar, R$500,00 para o segundo e R$300,00 para o terceiro. Os professores dos estudantes premiados também são contemplados com livros selecionados pela organização do festival.
Cada escola poderá encaminhar produções selecionadas internamente, com limite de envio por categoria. As redações e desenhos deverão ser produzidos em sala de aula, com acompanhamento do professor, em folha-padrão disponibilizada pelo festival e enviados ao endereço eletrônico redacao@fliparacatu.com.br
Guignard e a Paisagem de Minas
Em 2026, quando se comemoram os 130 anos de nascimento de Alberto da Veiga Guignard, o Fliparacatu realiza uma exposição com 24 reproduções de obras do artista, sob a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez, instaladas ao ar livre no Centro Histórico de Paracatu.Reconhecido como um dos maiores pintores brasileiros do século XX, Guignard transformou a paisagem de Minas Gerais em um dos temas centrais de sua produção artística. Suas montanhas, igrejas, casarios, jardins, céus e horizontes revelam um olhar singular sobre o território mineiro, aproximando natureza, patrimônio histórico e imaginação poética.
A escolha de Paracatu para receber a mostra estabelece um diálogo natural com a obra do artista. Assim como Ouro Preto, Sabará, Diamantina e outras cidades históricas retratadas por Guignard, Paracatu preserva um dos mais importantes conjuntos urbanos coloniais de Minas Gerais, integrado à paisagem do cerrado. Nas telas do pintor e nas ruas da cidade, arquitetura, natureza e memória formam uma mesma paisagem cultural.
A exposição dialoga diretamente com o tema do 4º Fliparacatu — “O Sertão em Nós – Meu Lugar no Mundo”. Em Guimarães Rosa, o sertão é linguagem, travessia e experiência humana. Em Guignard, Minas torna-se paisagem sensível, espaço de contemplação e identidade. Ambos ajudam a compreender o território como parte da formação cultural e afetiva dos brasileiros.
Ao reunir literatura e artes visuais, o Fliparacatu amplia a experiência do público e reafirma uma característica presente desde sua criação fazer da cidade um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas. Em edições anteriores, o festival apresentou exposições dedicadas ao Projeto Portinari, à fotógrafa Vânia Toledo, ao Museu do Oratório e à série Muros Invisíveis, incorporando a fotografia, o patrimônio histórico e as artes visuais à programação literária.
História do Festival
Realizado pela Associação Cultura Sempre um Papo, o Fliparacatu chega à sua quarta edição consolidado como um dos principais festivais literários do país. Desde sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) consolidou-se como um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro. O festival teve início guiado pelo tema “Arte, Literatura e Ancestralidade”, trazendo o escritor local Afonso Arinos como patrono e celebrando as vozes de Conceição Evaristo e Mia Couto como autores homenageados. Em 2024, a segunda edição expandiu os debates sob o lema “Amor, Literatura e Diversidade”, mantendo Arinos na patronagem e prestando homenagens ao líder indígena Ailton Krenak e ao poeta Lucas Guimaraens. Já em 2025, a terceira edição mergulhou na complexidade contemporânea com o tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização”, elegendo como patrono o fundador do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade, e reverenciando a força literária de Ana Maria Gonçalves e do escritor português Valter Hugo Mãe. Dando continuidade a essa sólida trajetória de valorização da memória e da pluralidade, a quarta edição do festival se desenvolve sob o tema “SerTão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, trazendo como patronos dois dos maiores intelectuais da história do país: o escritor João Guimarães Rosa, em celebração aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
Ígor Lopes
Atualidade
Viana do Castelo: Cantor popular Augusto Canário entrega quadro comemorativo dos 10 anos dos “Amigos de Bois d’Arcy” à “Fundação Santoinho”
A “Fundação Santoinho”, com em Darque, Viana do Castelo, na região do Alto Minho, Portugal, recebeu um quadro comemorativo dos 10 anos da “Associação Amigos de Bois d’Arcy”, entregue recentemente pelo cantor de música popular portuguesa Augusto Canário, distinguindo o trabalho desenvolvido pela comunidade portuguesa daquela localidade francesa na preservação e promoção das tradições minhotas através da recriação anual do “Arraial Minhoto” inspirado no Santoinho.
A peça passará a integrar a Sala das Comunidades da Fundação Santoinho, espaço dedicado às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo que mantêm vivas as tradições populares do Alto Minho, constituindo um reconhecimento pelo percurso desenvolvido pelos “Amigos de Bois d’Arcy” ao longo da última década.
Fundada há dez anos, a associação organiza anualmente, nos arredores de Paris, um “Arraial Minhoto” inspirado na festa original de Santoinho, recriando com autenticidade elementos emblemáticos da romaria, desde a decoração com balões, arcos, corações e copos tradicionais até às quadras populares criadas por António Cunha, fundador do Santoinho.
A comemoração do décimo aniversário reuniu cerca de 500 participantes e contou com a atuação de “Augusto Canário e Amigos”, num ambiente marcado pela gastronomia, música tradicional, folclore e pelos costumes característicos do Minho, reafirmando o papel da comunidade portuguesa na divulgação da identidade cultural portuguesa em França.
Segundo Valdemar Cunha, responsável pela Fundação Santoinho e filho de António Cunha, a ligação entre Darque e Bois d’Arcy tem sido construída ao longo dos anos através de um intercâmbio permanente.
Em declarações à Agência Incomparáveis, explicou que dirigentes da associação francesa visitam regularmente Santoinho para aprofundar o conhecimento sobre a tradição original e garantir a autenticidade das celebrações realizadas em França.
“Existe permanente contacto com a Casa Mãe para melhorar e acompanhar as ações na defesa dos valores que a Fundação Santoinho defende”, explicou Valdemar Cunha, que acrescentou que esse intercâmbio “vai muito além da partilha institucional, traduzindo-se também na cedência de diversos elementos tradicionais utilizados na recriação da romaria”.
“O intercâmbio é permanente e levam os arcos, os copos e os gigantones oferecidos na partilha do interesse comum, que é marcar a tradição, a festa e a romaria”, disse.
Para este responsável, a força da marca Santoinho continua a residir precisamente na capacidade de unir comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo em torno das suas raízes.
“A marca Santoinho é muito poderosa. A evocação dos usos e dos costumes da identidade cultural minhota alimenta, em redor da mesa, os laços da amizade e da solidariedade, enquanto abraça e une a comunidade em ambiente de festa e de alegria de Santoinho”, referiu, acrescentando que o trabalho representa a continuidade do legado deixado pelo fundador.
A entrega do quadro assume igualmente um significado especial por decorrer no ano em que se assinalam os 100 anos do nascimento de António Cunha, personalidade considerada uma referência na promoção turística portuguesa e distinguida, em 1975, com a “Medalha de Mérito Turístico” atribuída pelo então ministro do Turismo, pelos relevantes serviços prestados ao turismo nacional.
Valdemar Cunha considera que essa efeméride constitui também uma oportunidade para recordar a dimensão internacional do trabalho desenvolvido pelo pai e criticou o facto desse reconhecimento não ter a mesma expressão na sua terra natal.
“Tenho que o dizer com muita mágoa. Viana não reconhece. Chama-se ingratidão”, lamentou.
Ainda assim, sublinha que são precisamente as comunidades portuguesas no estrangeiro que continuam a manter vivo esse legado.
Atualmente, a tradição inspirada em Santoinho encontra-se presente em várias comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, incluindo iniciativas promovidas por Casas do Minho no Brasil, França, Suíça, Canadá, entre outros países, demonstrando como o legado criado por António Cunha continua a unir gerações de portugueses através da cultura, da gastronomia e das tradições populares do Alto Minho.
Ígor Lopes
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