Cultura
Museu e Bibliotecas do Porto promovem cursos breves dedicados à música, fotografia e arquitetura
Durante o mês de julho, o Museu e Bibliotecas do Porto promovem dois cursos breves que convidam à reflexão sobre diferentes expressões culturais e artísticas. Entre a música, a fotografia, a cidade e a arquitetura, as propostas reúnem investigadores, arquitetos, artistas e outros especialistas para quatro semanas de encontros dedicados ao pensamento crítico e à partilha de conhecimento.
Curso Breve KISMIF | 6 a 20 de julho
Integrado na programação da KISMIF Conference 2026 e orientado pela socióloga e investigadora Paula Guerra, o Curso Breve KISMIF propõe uma viagem pela exposição, enquanto espaço de encontro entre fotografia, música e cidade.
Ao longo de três sessões, o curso reúne investigadores, músicos, artistas e curadores para refletir sobre temas como as culturas underground, diáspora, identidades, género, práticas artísticas, memória musical, afetos, artivismo e as culturas DIY. A partir da exposição, cada encontro pretende aprofundar o papel da música e da criação artística enquanto formas de resistência, construção identitária e intervenção cultural.
O programa conta com a participação de Filipe Ribeiro, Pedro Medeiros e Victor Torpedo (6 de julho), Ângela Berlinde, Manuela Matos Monteiro e Susana Lourenço Marques (13 de julho) e Álvaro Costa, Fernando Pinto e João Paulo Dias (20 de julho).
As sessões realizam-se às 18 horas, na Casa do Infante. A entrada é gratuita, mediante a lotação do espaço (60 participantes).
Curso Breve Modernidades da Arquitetura Portuense do Século XX | 6 a 27 de julho
Orientado pelo arquiteto e investigador José Pedro Tenreiro, o Curso Breve do Museu e Bibliotecas do Porto propõe uma leitura da evolução da arquitetura portuense ao longo do século XX, analisando os momentos de transformação que moldaram a cidade e influenciaram o pensamento arquitetónico em Portugal.
Organizado em quatro sessões cronológicas, 1910, 1930, 1950 e 1970, o curso percorre diferentes fases da modernidade arquitetónica, abordando as mudanças políticas, sociais, técnicas e culturais, que marcaram a produção arquitetónica do Porto. Através da obra e da ação de alguns dos seus principais arquitetos, serão explorados os debates, as ruturas e as permanências que definiram a construção da cidade contemporânea.
As sessões decorrem às segundas-feiras, entre as 18 e as 20 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Os bilhetes podem ser adquiridos na bilheteira online ou nos espaços com bilheteira do Museu e Bibliotecas do Porto.
Mais informações podem ser consultadas na página do Museu do Porto, em: http://www.museudoporto.pt/
Atualidade
Armamar: Arquitetura popular do Douro em destaque em nova exposição no CIMD
O Centro Interpretativo da Mulher Duriense (CIMD) inaugura, no dia 28 de julho, pelas 17h30, a exposição “António Menéres – Percursos pela Arquitetura Popular no Douro”, uma mostra que convida o público a descobrir a riqueza da arquitetura vernacular duriense e a sua estreita ligação à paisagem, à identidade e aos modos de vida da região.
A inauguração integra a programação do ciclo “Conversas à Terça” e contará com a presença do arquiteto Fernando Seara, diretor do Museu do Douro, que partilhará a sua visão sobre a arquitetura popular do Douro e o valor patrimonial deste legado construído.
A exposição reúne um conjunto de fotografias que documentam diferentes expressões da arquitetura vernacular duriense, revelando a forma como as gentes moldaram o território ao longo do tempo e estabeleceram uma relação única com a paisagem. Mais do que um registo documental, a mostra constitui um testemunho da evolução histórica e cultural do Douro, destacando um património que importa conhecer, preservar e valorizar.
Patente ao público até 31 de agosto de 2026, a exposição poderá ser visitada gratuitamente durante o horário normal de funcionamento do CIMD.
Atualidade
Brasil: São Paulo conta agora com uma delegação da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, entidade com sede em Viseu
A “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” realizou, no passado dia 16 de julho, a cerimónia oficial de tomada de posse da nova direção da delegação de São Paulo da entidade, quando distinguiu diversas personalidades e instituições pelo seu “contributo para a divulgação da cultura portuguesa no Brasil”, além de promover uma celebração gastronómica dedicada aos laços históricos entre Portugal e o Japão, numa tarde de eventos realizados primeiro no Auditório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e, depois, no Restaurante Osakaya, no mesmo endereço.
A sessão solene marcou o início do primeiro mandato da delegação paulista da Confraria, organização que tem como missão “preservar, divulgar e valorizar o património histórico, cultural e gastronómico da região da Beira Alta portuguesa, junto da comunidade lusa residente no Brasil e dos seus descendentes”, promovendo também o “intercâmbio cultural entre Portugal e o país sul-americano”.
A estrutura dirigente passou a ser liderada por Nilzângela de Lima Souza, que assume a presidência da delegação, acompanhada por João Baptista de Oliveira, como vice-presidente, Gabriel Kwak, como secretário-geral; e, na tesouraria, Raquel Naveira. Integram-na, ainda, os conselheiros fiscais José Francisco Ferraz Luz e José Domingos de Lima Pezza, José Alberto Lovetro, diretor de Banda Desenhada, e Salete Lima e Eliza Muratori, Fatima Fonseca, nomeadas embaixadoras culturais.
De igual modo, durante a cerimónia foram atribuídos os títulos de “Presidentes de Honra” da Confraria ao Dr. Juarez Morais de Avelar e ao jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, “distinção reservada a personalidades reconhecidas pelo apoio prestado à instituição e ao fortalecimento das relações culturais entre Portugal e o Brasil”.
Reconhecimento do mérito cultural marcou cerimónia
A tomada de posse ficou também assinalada por um conjunto de condecorações destinadas a reconhecer o trabalho desenvolvido em diferentes áreas da cultura, do associativismo e da promoção da identidade portuguesa.
Tânia Sousa Pezza e Richard Wolfgang Azevedo Bauer foram investidos como novos comendadores da Confraria, recebendo as respetivas insígnias numa cerimónia presidida por Nilzângela de Lima Souza. Ao longo da sessão foram ainda homenageados o maestro Roberto Mendes Barbosa e Elisa Mendes Barbosa, ligados ao Coral de Oficina de Arte e Cultura, bem como Benjamin Souza Marinho, distinguido enquanto representante das novas gerações que mantêm viva a ligação à cultura portuguesa.
A Confraria decidiu também atribuir uma distinção institucional ao Restaurante Osakaya, reconhecendo o contributo que o espaço tem vindo a prestar ao “fortalecimento do intercâmbio cultural luso-brasileiro” e à “valorização da gastronomia enquanto elemento de aproximação entre os povos”.
Gastronomia como expressão da história comum
Após o momento protocolar, os participantes reuniram-se no salão do Restaurante Osakaya, onde foi servido um menu concebido exclusivamente para a ocasião, pensado para traduzir, através da gastronomia, o encontro histórico entre Portugal e o Japão. A proposta gastronómica procurou revisitar um dos capítulos mais antigos das relações entre os dois países, evocando os primeiros contactos estabelecidos pelos navegadores portugueses no século XVI e a influência que essa presença deixou na cultura culinária japonesa.
Ao longo do jantar foram servidos pratos que combinaram técnicas tradicionais japonesas com ingredientes e referências profundamente associados à cozinha portuguesa, transformando cada momento da refeição numa narrativa sobre a circulação de produtos, sabores e tradições entre os dois extremos do mundo.
O percurso iniciou-se com Edamame, valorizando a simplicidade dos produtos naturais, e com uma delicada salada de hijiki, preparada com caldo dashi e shoyu, apresentada como uma evocação da profundidade do oceano e da subtileza da cozinha japonesa.
Seguiu-se um dos momentos mais simbólicos da noite: o Korokke de Bacalhau, versão japonesa inspirada no tradicional bolinho de bacalhau português. A confeção recorreu à panagem em panko, preservando, contudo, o protagonismo do bacalhau, ingrediente incontornável da gastronomia portuguesa, criando uma ponte entre duas tradições culinárias separadas por milhares de quilómetros, mas unidas pela história.
O menu prosseguiu com Orange Chicken, Karaage Nanban, Shorompo Soup, Buta Misso e Tempura Misto, prato que assumiu especial simbolismo por recordar precisamente a influência portuguesa na divulgação do tempura – pois em séculos passados esta iguaria era consumida apenas por monges, sendo proibido o consumo por pessoas comuns – a técnica de fritura que viria a dar origem à atual tempura japonês.
A refeição terminou com Choux Cream (Shu Kuri), sobremesa de inspiração francesa reinterpretada pela pastelaria japonesa, encerrando um percurso gastronómico marcado pela fusão de influências e pela valorização da partilha cultural.
Toda a experiência foi desenvolvida pelo chef Daisuke Takao, agradecemos aos proprietários Henrique Hojo e Nicolas Aoki, que procuraram construir um menu onde cada prato representasse um “momento da ligação histórica entre Portugal e o Japão”, estabelecendo um “diálogo entre tradição, criatividade e identidade”.
“Mais do que um jantar comemorativo, a receção constituiu um dos momentos centrais das celebrações da tomada de posse, reforçando a gastronomia como instrumento de diplomacia cultural e de aproximação entre comunidades”, disse Nilzângela de Lima Souza, presidente da delegação de São Paulo da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, com sede em Viseu, Portugal.
A iniciativa terminou num ambiente de convívio entre confrades, dirigentes, representantes institucionais e convidados, consolidando a “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” como “um espaço de preservação das tradições beirãs, de promoção da cultura portuguesa e de fortalecimento dos laços entre Portugal e o Brasil”, em particular “junto da comunidade portuguesa radicada em São Paulo”.
Agência Incomparáveis
Atualidade
Carla Schmidt: “Queremos fortalecer as relações entre o mercado editorial alemão e os países de língua portuguesa”
Há três décadas na Alemanha, Carla Schmidt transformou a experiência entre duas culturas numa plataforma de circulação literária. Aos 49 anos, a editora, escritora e estratega de comunicação dirige a JUST. Verlag, editora independente sediada no país europeu, criada com o propósito de aproximar autores, leitores e profissionais de diferentes mercados, com particular atenção à literatura em língua portuguesa.
Natural do Rio de Janeiro, Brasil, Carla Schmidt é formada em Musicologia e Estudos Medievais, possui um MBA em Comunicação Integrada de Marketing e desenvolve, atualmente, investigação nas áreas da liderança feminina, comunicação e burnout, enquanto doutoranda na Edinburgh Business School. Além de dirigir a JUST. Verlag, trabalha como consultora de comunicação através da SPARKS Communication, é palestrante e autora do livro “I DID IT MY WAY”.
A estreia da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt, prevista para outubro deste ano, representa uma nova etapa neste percurso. A editora prepara uma participação coletiva destinada a apresentar obras, promover autores e estabelecer contactos com editoras, agentes literários, tradutores e outros profissionais do setor. Com atividade desenvolvida na Alemanha, em Portugal, na Suíça e no Brasil, Carla Schmidt procura reforçar a ligação entre o mercado editorial alemão e o espaço lusófono, num trabalho que combina publicação, tradução, comunicação e internacionalização. Em entrevista à nossa reportagem, explica a missão da JUST. Verlag, as oportunidades abertas aos escritores e os desafios de fazer chegar a literatura em língua portuguesa a novos públicos.
A JUST. Verlag prepara a sua estreia na Feira do Livro de Frankfurt desde a criação da editora. O que representa este momento para si e para o projeto editorial, e quais são as principais expectativas para esta primeira participação?
A presença da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt representa a concretização de uma visão que existia desde a fundação da editora. Criei a JUST. Verlag com a convicção de que boas histórias merecem ultrapassar fronteiras. Frankfurt é o maior encontro editorial do mundo e, para nós, é muito mais do que uma feira comercial. É um espaço de diálogo internacional, de construção de redes e de criação de oportunidades para os nossos autores. A minha expectativa é apresentar o catálogo da editora ao mercado internacional, estabelecer novas parcerias e mostrar que existe uma literatura de enorme qualidade em língua portuguesa pronta para conquistar novos leitores.
A proposta da JUST. Verlag vai além da exposição de livros, apostando numa estratégia de internacionalização dos autores. Quais são os principais objetivos desta presença coletiva e que oportunidades pretende proporcionar aos participantes?
O nosso objetivo nunca foi apenas colocar livros numa estante. Queremos posicionar os autores internacionalmente. Por isso, desenvolvemos uma participação coletiva que inclui apresentações, networking, encontros profissionais, ações de comunicação, divulgação internacional e oportunidades de contacto com editoras, agentes literários, tradutores e profissionais do setor. Queremos que cada autor regresse da feira não apenas com uma experiência, mas com novas possibilidades para a sua carreira.
Que perfil de autores, editoras ou projetos literários a JUST. Verlag procura reunir na Feira do Livro de Frankfurt 2026? A iniciativa está aberta apenas a escritores já publicados ou também a novos talentos?
A iniciativa é aberta tanto a autores já publicados como a novos talentos. O critério principal não é o número de livros publicados, mas a qualidade da obra e o compromisso do autor com o seu percurso literário. Procuramos escritores que desejem construir uma carreira internacional e que vejam a Feira de Frankfurt como um investimento no seu desenvolvimento profissional.
Muitos autores podem ter interesse em integrar esta iniciativa. Como funciona o processo de inscrição, quais são as modalidades de participação disponíveis e que apoio será prestado aos escritores antes, durante e após a feira?
Os interessados podem candidatar-se diretamente junto da JUST. Verlag, em: https://www.just-verlag.de/
Existem diferentes modalidades de participação, desde a presença do livro no stand até programas mais completos, que incluem sessões de autógrafos, apresentações, apoio de comunicação, divulgação nas redes sociais e acompanhamento durante todo o processo. O nosso trabalho começa muito antes da feira e continua depois dela, porque acreditamos que a internacionalização não acontece em cinco dias, mas através de uma estratégia consistente. Mais informações podem ser solicitadas por e-mail: info@just-verlag.de
A JUST. Verlag tem vindo a afirmar-se no mercado editorial alemão, mas também com um olhar no público lusófono. Que missão orienta a editora e de que forma pretende contribuir para a projeção internacional da literatura em língua portuguesa e de autores de outras nacionalidades? Há traduções para outras línguas na editora?
A missão da JUST. Verlag é construir pontes entre culturas através da literatura. Publicamos obras de diferentes nacionalidades e acreditamos que uma boa história pode emocionar qualquer leitor, independentemente da sua língua. Sim. Trabalhamos com traduções, sobretudo entre português, alemão e inglês, e pretendemos expandir este trabalho para outras línguas nos próximos anos. O nosso objetivo é tornar autores internacionalmente visíveis e facilitar o diálogo entre diferentes mercados editoriais.
Entre as iniciativas previstas destaca-se o JUST. Literary Award. Qual é a importância deste prémio para a valorização dos autores e que impacto espera que tenha na promoção das obras e no reconhecimento dos seus participantes?
O JUST. Literary Award nasceu para reconhecer a qualidade literária, independentemente do tamanho da editora ou da notoriedade do autor. Queremos criar um espaço onde as obras sejam avaliadas pelo seu mérito e onde novos talentos possam ganhar visibilidade. Esperamos que o prémio contribua para aumentar a projeção internacional dos participantes e incentive ainda mais a circulação de obras entre diferentes países.
A Feira do Livro de Frankfurt é considerada o maior encontro mundial da indústria editorial. O que espera que esta edição de 2026 represente para a JUST. Verlag, para os autores participantes e para o fortalecimento das ligações entre os mercados editoriais internacionais?
Espero que esta edição marque o início de uma presença duradoura da JUST. Verlag em Frankfurt. Queremos fortalecer as relações entre o mercado editorial alemão e os países de língua portuguesa, aproximar autores, editoras e profissionais e mostrar que a literatura continua a ser uma das formas mais poderosas de criar pontes entre culturas.
Em que locais tem atuado com a editora e como escritora?
Ao longo dos últimos, anos participei em projetos editoriais e literários na Alemanha, Portugal, Suíça e Brasil. A JUST. Verlag tem vindo a marcar presença em diferentes eventos internacionais e, em 2026, participará, entre outros, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na Feira do Livro de Frankfurt, no Salon du Livre de Colmar e Genebra, e em diversos encontros literários na Alemanha. Como autora, tenho apresentado o livro “I DID IT MY WAY” em diferentes cidades europeias e brasileiras.
Como é viver na Alemanha?
Viver na Alemanha ensinou-me o valor da organização, da disciplina e do planeamento. Ao mesmo tempo, nunca perdi as minhas raízes brasileiras. Hoje, sinto que pertenço aos dois países. Essa combinação entre a objetividade alemã e a criatividade brasileira influencia profundamente a minha forma de trabalhar e também a identidade da JUST. Verlag.
Como avalia o campo literário no país?
A Alemanha possui um dos mercados editoriais mais estruturados do mundo, com enorme respeito pelos livros, pelas livrarias independentes e pelos eventos literários. Ao mesmo tempo, existe espaço para novas vozes e para literatura internacional. Vejo um crescente interesse por autores que apresentam diferentes perspetivas culturais, e acredito que a literatura em língua portuguesa tem muito a oferecer aos leitores alemães.
Por fim, quem é Carla Schmidt?
Carla Schmidt é editora, escritora e estratega de comunicação. Sou brasileira radicada na Alemanha há três décadas, fundei a JUST. Verlag com a missão de aproximar culturas através da literatura. Atuo também como consultora de comunicação internacional, palestrante e autora. O meu trabalho centra-se na internacionalização de autores, na valorização da diversidade cultural e na construção de pontes entre os mercados editoriais europeu e lusófono.
Ígor Lopes
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