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Em dezembro, Vagos volta a sentir a magia do Natal

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Vagos prepara-se para um mês de dezembro pleno de espírito natalício, com a realização de muitas iniciativas que visam celebrar esta época tão marcadamente sentida por todos.

Logo no início do mês, iremos ter instalada a iluminação de Natal, emprestando um colorido muito especial ao Largo da Biblioteca Municipal João Grave, às Praças da Corredoura e da República, ao Museu do Brincar, às rotundas da Vila de Vagos e ao Largo Parracho Branco, na Praia da Vagueira.

De 9 a 13 de dezembro, o único Pai Natal certificado da Península Ibérica vai ao encontro das crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo do concelho de Vagos para lhes levar a mensagem de Boas Festas, conjuntamente com uma prendinha didática.

Cumprido este roteiro, a partir do dia 14, tem início o evento “Vagos, o Nosso Natal” que volta a ser o ex-libris das comemorações natalícias vaguenses. A abertura do evento ficará marcada pela sempre apoteótica chegada do Pai Natal, acompanhado pela Minnie, pelo Mickey e pela mascote do Museu do Brincar, o Biskinho. O desfile será encabeçado pela Banda Vaguense, com guarda de honra dos Pais Natais motorizados dos Bombeiros Voluntários de Vagos e percorrerá as três praças onde o evento estará centralizado, ou seja: o Largo da Biblioteca Municipal de Vagos, a Praça da Corredoura e a Praça da República. Logo no primeiro dia, grande destaque para o concerto da Banda Vaguense, a partir das 21h00.

A Casa do Pai Natal estará ao dispor de todos no Museu do Brincar e, ao longo dos 15 dias do evento, teremos concertos, espetáculos, animação de rua, pinturas faciais, teatro, artesanato, histórias à fogueira, um mega-carrossel na Praça da Corredoura, outro na Praça da República e muito mais motivos de atratividade para que o “Vagos, o Nosso Natal” possa ser plenamente vivido pela comunidade.

Do programa destacam-se vários momentos como a edição de Natal da FaaVa – Feira de Artesanato e Antiguidades de Vagos que acontecerá durante todo o dia 15 de dezembro.

Nos dias 16 e 17 de dezembro teremos a oficina de artes “É Natal”, a oficina de teatro “Diverte-te”, o teatro interativo “Falta uma peça”, a peça teatral “Por favor! Ajuda!” e a dança interativa “Ou é ou Noel”, que se repetirão numa base diária.

No dia 18, o destaque vai para duas apresentações do Somnium Circus – Especial Natal, numa performance circense que não vai deixar ninguém indiferente.

Para 19 de dezembro, as pinturas faciais vão, decerto, fazer as delícias dos mais pequenos, com o ponto alto a serem as celebrações do IX aniversário da Biblioteca Municipal João Grave, com o contador de histórias Rodolfo Castro, a música de Nuno Cipriano e a presença da artista plástica Edna Larião.

O dia 21 vai ser aproveitado para uma sessão de cinema de Natal no auditório do Centro de Educação e Recreio de Vagos e terá como ponto forte o concerto do Coral de Santa Cecília de Calvão.

No dia 22, Edna Larião é a protagonista da atividade “Retrata o teu Natal”. Iremos ter o concerto com o Grupo Coral S. Salvador de Covão do Lobo e a atuação da Escola de Música “Música Convida” de Ponte de Vagos, como grandes destaques.

No dia 23, saliência para a atuação da Escola de Música da Filarmónica Vaguense. A véspera de Natal será mais leve, em termos de programação: prepararemos a consoada com teatro, dança e pinturas faciais.

Esta será também a receita para o dia 26 de dezembro, sendo que no dia 27 voltam os destaques com a atuação de Zé Mágico, interpretando o espetáculo “Nem eu sei como fiz isto!”.

No dia 28, a não perder a atuação da Escola de Música de Calvão e o concerto com o vencedor do The Voice Portugal, Gustavo Reinas.

O “Vagos, o Nosso Natal” despede-se com a performance de fogo “Christmas Fire”, no dia 29.

Também com enquadramento na programação, o Pai Natal vai estar no Museu do Brincar de 17 a 20 de dezembro, que também acolherá a exposição “Tradições de Natal”. Acontecerão, igualmente, diversas oficinas de Natal e apresentações de livros na Biblioteca Municipal.

Iremos ter os sempre convidativos passeios de moliceiro pelo Rio Boco nos dias 21 e 28 e visitas guiadas aos Moinhos e Azenhas, no dia 21 e à Casa-Museu Gandaresa de Santo António de Vagos, nos dias 22 e 29 de dezembro, dias que também acolhem a exposição “Retratos de Vidas das Companhas da Arte Xávega” que estará patente no Espaço Museológico da Praia da Vagueira.

Vão ser imensos motivos para não perder nada do “Vagos, o Nosso Natal”.

Imagem: CMV.

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Castelo Branco: Durante “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, especialistas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos discutiram potencialidades no âmbito das “Cidades Criativas da UNESCO”

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A “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” terminou no sábado, 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), com um segundo dia dedicado à partilha de práticas entre Cidades Criativas da UNESCO e à discussão sobre empreendedorismo, valorização da tradição e internacionalização das indústrias criativas. A iniciativa decorreu em paralelo e de forma integrada no programa do “Festival Sabores de Perdição”, uma aposta do município albicastrense para afirmar Castelo Branco enquanto Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da Bienal, fez uma avaliação positiva dos dois dias de programação e destacou a participação do público.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas e as experiências foram ótimas e senti, também da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, muito gosto em estar presente”, afirmou. Para esta responsável, um dos resultados do encontro foi demonstrar que “o artesanato tem tudo para seguir em frente”, mas que é necessário envolver as novas gerações e criar condições para que possam fazer destas artes uma atividade profissional.

Sónia Abreu apontou ainda a projeção do Bordado de Castelo Branco como uma das prioridades após a realização do encontro.

“Gostaria de continuar a investir neste projeto de forma a alcançar cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional”, referiu, sublinhando que “a nossa Cidade Criativa tem este solo, que é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, acrescentou.

A programação do segundo dia começou às 10h com a sessão “Cidades Criativas da UNESCO: Práticas, Projetos e Inspirações”, que reuniu representantes de diferentes municípios portugueses integrados na rede internacional. Participaram Castelo Branco, Barcelos e Caldas da Rainha, todas na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, além de Amarante e Leiria, ambas classificadas na categoria de “Música”. Depois de uma pausa, os trabalhos foram retomados às 12h com uma segunda sessão dedicada à mesma temática, desta vez com a participação de Braga, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artes Digitais”, Covilhã, na categoria de “Design”, Idanha-a-Nova, na categoria de “Música”, e Matosinhos, na categoria de “Gastronomia”. O encontro permitiu apresentar diferentes modelos de valorização do património, da criatividade e das indústrias culturais a partir das especificidades de cada território.

A manhã terminou com um período de debate e participação do público, previsto para as 13h15. A presença de diferentes cidades na programação reforçou uma das linhas centrais da Bienal, a criação de um espaço de intercâmbio entre territórios que utilizam cultura, património e criatividade como instrumentos de desenvolvimento local e de cooperação.

O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, destacou precisamente esta dimensão económica e internacional da Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

“Sabemos que uma rede com esta dimensão cria escala, cria oportunidades e cria valor para aquilo que é o bordado e o artesanato local, abrindo uma janela de oportunidade não apenas para o território, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, afirmou o autarca, referindo que “esta Bienal tem para nós um significado muito profundo”, tanto por se realizar em Castelo Branco como pela possibilidade de mostrar o artesanato local, receber outras cidades e incorporar novos conhecimentos e formas de fazer. Leopoldo Rodrigues sublinhou ainda que integrar uma rede internacional com a chancela da UNESCO representa simultaneamente “um orgulho e uma responsabilidade”, sobretudo na valorização dos artesãos e das produções do território.

Durante a tarde, a programação concentrou-se na mesa-redonda “Transformar a Tradição em Valor: Empreendedorismo e Internacionalização nas Indústrias Criativas”. A sessão teve moderação de Eduardo Barroso, consultor e ponto focal internacional de João Pessoa, no Brasil, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. Barroso, representante de João Pessoa junto da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO, destacou a relação já estabelecida entre a cidade brasileira e Castelo Branco e o potencial de encontros desta natureza para produzir novas formas de cooperação.

“A nossa presença em Castelo Branco vem no sentido de reforçar esses laços de cooperação que já existem, porque hoje João Pessoa e Castelo Branco são cidades geminadas”, afirmou. Na sua avaliação sobre os dois dias, Barroso considera que “iniciativas como esta devem ser apoiadas e reforçadas, porque se transformam no espaço ideal de partilha das melhores práticas, de apresentação de novos projetos e de criação de novas oportunidades de intercâmbio e cooperação”. Para ele, ser Cidade Criativa “é mais do que um reconhecimento, é uma provocação e um estímulo para que a cidade avance na direção de um desenvolvimento sustentável”.

Participaram no painel Higor Esteves, vice-presidente da Comissão Executiva da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) e diretor-geral da “Start CPLP”, Marielza Rodriguez, gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), e Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde.

Higor Esteves enquadrou a participação da CE-CPLP e da “Start CPLP” na necessidade de criar condições económicas para que o artesanato se transforme numa atividade sustentável.

“É muito importante percebermos como está hoje a realidade dos artesãos, como têm a sua produção garantida e sustentável economicamente e como podemos criar canais para que essa sustentabilidade seja cada vez mais robusta e possa perpetuar-se”, afirmou, defendendo que a língua portuguesa pode funcionar como instrumento económico entre os países da comunidade.

“A língua é um passo importante e decisivo para criarmos pontes, relações e confiança multilateral”, declarou, acrescentando que cabe às estruturas empresariais da CPLP proporcionar ferramentas e um ambiente de negócios que permita transformar essa confiança em atividade económica.

Já Marielza Rodriguez levou ao encontro a experiência do “Programa do Artesanato Paraibano” e destacou a relação entre a Paraíba e Castelo Branco.

“Castelo Branco é uma cidade já irmã de João Pessoa e, desta quarta vez que venho a Castelo Branco, trazemos aquilo que temos de melhor em coleções feitas com inovação e design no artesanato paraibano”, disse esta responsável brasileira, que destacou a importância da cidade portuguesa enquanto referência para a cooperação entre territórios ligados ao artesanato.

“Castelo Branco, para mim, é uma referência, porque são pessoas que pensam no futuro e fazem eventos importantes de intercâmbio”, declarou Marielza Rodriguez, que sugere que a experiência permite levar para João Pessoa e para a Paraíba exemplos de projetos desenvolvidos em Portugal que podem ser adaptados à realidade brasileira. Na sua intervenção, abordou também o papel do artesanato na fixação das populações nos territórios e na geração de rendimento. A gestora explicou que a incorporação de design e inovação permite preservar técnicas transmitidas entre gerações e, simultaneamente, tornar as peças mais atrativas para novos públicos, contribuindo para o desenvolvimento local e para a permanência dos artesãos nas comunidades de origem.

Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, salientou que a ligação institucional com Castelo Branco antecede a atual edição da Bienal e recordou a participação da capital cabo-verdiana no processo de candidatura albicastrense à Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

“Já existem parcerias em várias áreas com Castelo Branco há muitos anos. Hoje viemos sublinhar a importância desta relação de cooperação e partilhar algumas boas práticas da Praia”, afirmou, afirmando que a participação na Bienal permite transportar experiências em ambas as direções.

“Queremos levar conhecimento, novas práticas e know-how e, sobretudo, qualidade de vida”, referiu, defendendo que a cooperação entre cidades deve contribuir para criar oportunidades económicas e condições para que os jovens permaneçam nos seus territórios.

Fernando Pinto apresentou, entre as experiências desenvolvidas na Praia, iniciativas relacionadas com “economia circular, educação ambiental e reutilização de materiais”, defendendo a “transformação de resíduos em recursos capazes de gerar atividade económica”.

O painel colocou em discussão a passagem dos saberes tradicionais para modelos capazes de gerar atividade económica, criar oportunidades para artesãos e criadores e ampliar a presença dos produtos e projetos culturais em novos mercados. O tema esteve alinhado com a orientação geral da Bienal, centrada na preservação dos saberes tradicionais, na inovação nas indústrias criativas, na valorização do património e no papel da Rede de Cidades Criativas da UNESCO no desenvolvimento dos territórios.

A relação entre património, cultura e políticas públicas foi também abordada durante a Bienal pelo diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES), Américo Rodrigues, que considerou importante a realização de iniciativas desta natureza e destacou a cooperação já existente com Castelo Branco.

“Para nós é muito importante, no plano do Ministério da Cultura de Portugal e através da Direção-Geral das Artes, articularmos, colaborarmos e apoiarmos esta iniciativa e iniciativas deste tipo”, afirmou, salientando a necessidade de atribuir às artes e ofícios tradicionais uma posição própria nas políticas culturais.

“O que queremos é valorizar o património material e o saber-fazer tradicional, mas encará-lo como algo vivo, dinâmico, inscrito no presente e capaz de contribuir também para a economia”, referiu. Sobre o trabalho desenvolvido localmente, acrescentou que “Castelo Branco é um bom exemplo do trabalho que se pode fazer nesta área”, apontando o Bordado de Castelo Branco como “uma das referências na articulação entre tradição, promoção e desenvolvimento”.

A certificação das produções tradicionais foi outro dos temas presentes. Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, Organismo de Certificação de Produções Artesanais Tradicionais, explicou que o trabalho de certificação procura “garantir o respeito pelos padrões históricos, matérias-primas, técnicas e características que definem cada produção”.

Sobre Castelo Branco, Teresa Costa destacou o reconhecimento alcançado pelo bordado dentro e fora de Portugal.

“O Bordado de Castelo Branco é um trabalho reconhecido não só no território nacional, mas também além-fronteiras, e o facto de a cidade ter esta chancela da UNESCO é importante para as artesãs”, realçou. Segundo ela, o reconhecimento do trabalho das bordadeiras “contribui para projetar internacionalmente uma técnica com características próprias, desenvolvida através do bordado em seda sobre linho”. Para Teresa Costa, a certificação deve funcionar também como um instrumento pedagógico. A responsável explicou que, quando uma peça apresenta elementos que não cumprem os requisitos definidos, o objetivo passa por “orientar o artesão para as correções necessárias antes de atribuir a respetiva certificação, preservando a autenticidade da produção sem afastar quem mantém vivo o saber-fazer”.

A dimensão internacional esteve igualmente presente através do Brasil. O cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, António Pinto Dias Rocha, classificou a Bienal como uma “oportunidade para reforçar a aproximação entre o território e a comunidade brasileira”.

“Castelo Branco é uma cidade importante, com muitos brasileiros, e a nossa obrigação enquanto cônsul honorário do Brasil é tentar criar condições para sermos úteis àqueles que aqui vivem”, afirmou, além de apontar também o potencial económico da região e a possibilidade de aprofundar as relações empresariais. O representante consular disse ainda estar otimista quanto à criação de condições para reforçar a presença e os serviços consulares destinados à comunidade brasileira no distrito.

A ligação entre Portugal e Cabo Verde foi outra das dimensões presentes no encontro. Sofia Lourenço, cônsul honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, destacou a qualidade dos painéis e o potencial da Bienal para aprofundar o intercâmbio cultural.

“Os painéis desta Bienal têm uma qualidade indiscutível e proporcionam um intercâmbio de informações muito importante”, afirmou. Para Sofia Lourenço, a relação entre tradição e inovação constitui uma das principais linhas de trabalho para o futuro.

“Falando de cultura e destas relações que podemos construir entre Portugal e Cabo Verde, só nos enriquecemos e melhoramos as oportunidades”, declarou. A responsável frisou ainda a presença de elementos da cultura cabo-verdiana, incluindo o pano de terra e as batucadeiras, defendendo que o objetivo passa por “preservar a tradição e, ao mesmo tempo, criar novas formas de cooperação no espaço lusófono”.

O encerramento da Bienal aconteceu com uma visita guiada ao “Centro de Interpretação do Bordado”, aproximando os participantes de um dos elementos culturais que sustentaram a integração de Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”.

A dimensão do Bordado de Castelo Branco esteve também presente no primeiro dia da Bienal, realizado na sexta-feira, 4 de setembro. A abertura foi conduzida por Leopoldo Rodrigues, seguindo-se um momento musical das “Batucadeiras das Olaias”. A manhã prosseguiu com a mesa-redonda “Identidade Local e Economia Criativa: Instrumentos Públicos para Valorizar o Património”, moderada por Sofia Lourenço. Essa primeira sessão contou com António Pinto Dias Rocha, cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, Maria Antónia Amaral, chefe de Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, I.P., e Américo Rodrigues, diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES).

Durante a tarde do primeiro dia, o debate concentrou-se no tema “O Bordado de Castelo Branco: Tradição e Inovação”. A mesa-redonda foi moderada por Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, e contou com Ana Cristina Mendes, diretora-adjunta do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), Graça Ramos, presidente da Associação Portugal à Mão, Ana Margarida Fernandes, professora na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) da Universidade Politécnica de Castelo Branco, e Sónia Santiago, diretora de Marketing e Comunicação do “Grupo O Valor do Tempo”.

O dia 4 terminou com a inauguração da exposição “O Mundo Bordado à Mão” e uma visita guiada ao “Museu dos Têxteis (MUTEX)”. A exposição reuniu trabalhos provenientes de diferentes municípios, além de peças do Brasil e de Cabo Verde. Segundo Sónia Abreu, os contactos estabelecidos a partir da mostra começaram já a gerar interesse de outros municípios em receber a exposição, abrindo a possibilidade de circulação do projeto e de novas relações de cooperação institucional.

Para os seus responsáveis, ao longo dos dois dias, a Bienal procurou “articular património, artesanato, inovação, economia criativa e cooperação internacional”, reunindo participantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e representantes de várias cidades integradas na rede da UNESCO.

A realização da Bienal insere-se na estratégia de Castelo Branco enquanto “Cidade Criativa da UNESCO”, estatuto que o município tem utilizado para “reforçar a promoção das artes e ofícios tradicionais, a transmissão de conhecimentos, a cooperação entre territórios e a valorização dos recursos culturais locais”.

Recorde-se que UNESCO integrou oficialmente Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas em 2023”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, tendo o Bordado de Castelo Branco assumido um “papel central” na candidatura e na estratégia cultural associada ao reconhecimento. A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” decorreu entre os dias 4 e 5 de setembro. Por sua vez, o “Festival Sabores de Perdição 2026” decorre de 3 a 6 de setembro.

Ígor Lopes

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Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” coloca “investimento, financiamento e internacionalização” em foco na estratégia para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal

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A Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB) realiza, no próximo dia 12 de setembro, no Grande Hotel de Luso, região Centro de Portugal, a quarta edição do “Fórum Económico das Beiras”, este ano subordinada ao tema “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”. O encontro decorre entre às 08h30 e às 19h e pretende “assumir-se como plataforma de ligação entre empresas, decisores políticos, instituições financeiras, organismos públicos e estruturas internacionais”, com foco na “captação de investimento, no acesso ao financiamento e na internacionalização da economia regional”.

A edição de 2026 marca uma nova etapa no percurso do fórum. Depois de encontros dedicados às oportunidades de desenvolvimento regional, às energias renováveis e à transição digital, a CCRB direciona agora a discussão para a integração da Região Centro nas redes internacionais de capital e comércio. A própria organização enquadra o “IV Fórum” como um “catalisador de financiamento bancário, investimento e alianças internacionais”.

Para Ana Correia, presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, esta edição pretende “reforçar a ligação do território aos centros de investimento e decisão”. Esta responsável afirma que o “IV Fórum Económico das Beiras” representa “mais um passo na construção de uma região conectada com essas estruturas”, acrescentando que o objetivo passa por “transformar contactos em parcerias, conhecimento em inovação e relações internacionais em oportunidades concretas para as empresas e para o território”.

Ana Correia sublinha ainda que o encontro vai funcionar como “impulsionador de capital, financiamento e alianças internacionais para a Região Centro”. Segundo a presidente, o programa está estruturado em quatro eixos: “capital e resiliência, banca e financiamento, diplomacia económica e inovação, inteligência artificial e capacitação das empresas para a internacionalização através de tecnologias avançadas”.

A sessão de abertura será dedicada à “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”. Ana Correia fará o enquadramento institucional do encontro e da estratégia de internacionalização da CCRB. Estão igualmente previstas intervenções de António Franco, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, João Diniz, chairman do Grande Hotel de Luso, e Ribau Esteves, presidente do Conselho Regional do Centro da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. O papel da Região Centro na atração de investimento, na coesão territorial e na internacionalização das empresas será um dos pontos de partida do programa.

O primeiro painel será dedicado à “Resiliência, Mecenato e Risco”, sob o eixo “Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”. Moderada por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, a sessão contará com Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro. O debate deverá abordar financiamento de impacto, incentivos fiscais, mecenato empresarial e ambiental, reconstrução e capacidade dos territórios para captar investimento em contextos de risco.

Às 11h25, o financiamento empresarial passa para o centro da agenda com o painel “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”. Moderada por Agostinho Franklin, diretor do “Diário As Beiras”, a sessão junta Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Entre os temas previstos encontram-se linhas de crédito, garantias mútuas, financiamento à internacionalização e formas de reduzir a perceção de risco associada ao investimento em territórios de baixa densidade, incluindo a valorização de ativos agroalimentares e tecnológicos.

Durante a tarde, o fórum amplia a discussão para os mercados internacionais. A partir das 14h45, o painel “Diplomacia Económica e Grandes Mercados” terá José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo secretário de Estado da Economia e do Mar, como keynote speaker. A sessão, moderada pelo advogado Wilson Bicalho, será centrada no “Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia”. Participam Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP. A presença destas estruturas empresariais coloca no mesmo espaço ligações económicas com geografias europeias, árabes, asiáticas e lusófonas.

Para a CCRB, este cruzamento “assume relevância na tentativa de transformar a diplomacia económica numa ferramenta de internacionalização para empresas da Região Centro”.

A “inovação e a inteligência artificial” entram no programa às 16h15, com o quarto painel, dedicado à “Inovação, IA e Capacitação Exportadora”, sob o conceito “Internacionalização 4.0”. Moderada por Carlos Martinho, a sessão terá intervenções de Renan Santana, CEO da PRTE e  head de Inovação da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (ACIEG), Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital, Gestão da Informação e dos Recursos Humanos, responsável pelo Gabinete de Cibersegurança e Proteção de Dados e docente do Departamento de Informática da Universidade da Beira Interior. O objetivo passa por “discutir de que forma tecnologias avançadas, competências digitais, inteligência artificial e cibersegurança podem ser incorporadas nos processos de expansão internacional das empresas”.

Outro dos momentos institucionais do “IV Fórum” está previsto para às 17h30, com a assinatura de protocolo de cooperação entre a CCRB e o IAPMEI.  Esta componente procura “criar mecanismos de cooperação ligados ao financiamento, desenvolvimento regional, apoio empresarial, turismo e internacionalização”.

O encerramento dos trabalhos ficará a cargo de Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.

“A importância desta quarta edição reside na tentativa de aproximar, num único programa, alguns dos principais fatores que condicionam a capacidade competitiva da Região Centro: financiamento, atração de capital, inovação, acesso a mercados, redes internacionais e capacitação empresarial. A proposta da CCRB procura ligar internacionalização, banca, diplomacia económica, tecnologia e instituições públicas numa mesma agenda, criando condições para que as empresas da região possam estabelecer novos contactos, identificar instrumentos de financiamento e ampliar relações comerciais”, referiu Ana Correia.

O “IV Fórum Económico das Beiras” realiza-se no Grande Hotel de Luso, na Mealhada, com receção dos participantes a partir das 08h30. A participação, incluindo almoço, tem um valor anunciado de 60 euros para associados da CCRB e de 88 euros para o público em geral. As inscrições decorrem até 10 de setembro através do link: https://forms.gle/TDWh91qbfny42B1E9

O encontro conta com organização da Câmara de Comércio da Região das Beiras e apoio institucional do Município da Mealhada, do Turismo do Centro de Portugal e do Grande Hotel de Luso.

Ígor Lopes

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“Espaço Cordel e Repente” leva literatura popular à 28ª Bienal do Livro de São Paulo

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A literatura de cordel, o repente, a xilogravura e outras expressões da cultura popular brasileira ganharão espaço de destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, Brasil.

Integrado aos 11 espaços temáticos do evento, o “Espaço Cordel e Repente” reunirá autores, artistas e pesquisadores em uma programação que inclui lançamentos, declamações, oficinas, contação de histórias, música, teatro de bonecos e encontros com escritores.

A programação é coordenada por Lucinda Marques, diretora-presidente da Editora IMEPH. À frente do espaço desde 2016, esta empresária e gestora cultural chega à quinta edição do projeto levando para a Bienal representantes de diferentes regiões do Brasil e fortalecendo a presença da literatura popular no principal evento literário do país.

Mais do que apresentar livros, o espaço cria oportunidades para que autores e artistas populares ampliem a circulação das suas obras e estabeleçam contacto direto com leitores e profissionais do mercado editorial. A programação valoriza tanto novos talentos quanto nomes consagrados, reafirmando o cordel como “uma manifestação cultural viva, contemporânea e capaz de dialogar com diferentes gerações”.

Para a coordenadora, a criação de um espaço dedicado ao cordel e ao repente representa também o “reconhecimento da importância dessas manifestações dentro do cenário literário nacional”. A iniciativa amplia a visibilidade dos artistas, aproxima diferentes públicos e contribui para a preservação e renovação da cultura popular brasileira.

Destaque para cultura nordestina

A programação começa no dia 4 de setembro, com abertura conduzida por Lucinda Marques e convidados, seguida de apresentação de Chambinho do Acordeon. Ao longo dos dez dias, o público poderá acompanhar lançamentos, declamações, contações de histórias, apresentações musicais, encontros literários e espetáculos de repente.

Entre os destaques está o lançamento de “70 Anos Grande Sertão: Veredas”, de João Gomes Sá, além da participação de nomes como Moreira de Acopiara, Daniel Yehudi, Tião Simpatia, Manoel Cavalcante, Mariane Bigio, Paulo de Tarso, Maciel Melo, Socorro Lira, Cacá Lopes, Del Feliz e Pedro do Cordel, entre outros representantes da literatura e da música popular.

Música dá tom ao espaço

O “Espaço Cordel e Repente” terá ainda, dia 10 de setembro, quinta-feira, das 18h às 19h, um pocket show de Mayana Neiva, sob o tema “TÁ TUDO AQUI DENTRO”. Mayana Neiva é uma multiartista brasileira nascida em Campina Grande, Paraíba, atua como atriz, cantora, escritora e diretora. A sua trajetória académica e artística inclui formação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e estudos de drama na Universidade de São Francisco, na Califórnia. É autora do livro infantil “Sofia”, publicado em 2011. Foi Miss Paraíba em 2003 e ficou conhecida nacionalmente por interpretar a modelo “Desireé”, em “Ti Ti Ti”, “Maria do Amparo”, em “Amor Eterno Amor”, “Leandra”, em “O Outro Lado do Paraíso”, e a delegada “Carolina Ramalho”, na série “Rotas do Ódio”.

A xilogravura, uma das linguagens mais tradicionais ligadas ao cordel, também terá presença marcante. A programação inclui a oficina “A Arte da Xilogravura”, com Nireuda Longobardi, além de encontros sobre a formação do xilogravurista e atividades dedicadas à obra de J. Borges.

Literatura, memória, inclusão e identidade também estarão entre os temas abordados. O público poderá acompanhar discussões como “Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel”, apresentada por Alberto Perdigão, e “Toda cicatriz tem uma história para contar”, com Pollyana Gama e Camila Castro. O Coletivo Teodoras do Cordel apresentará ainda o espetáculo “Minha voz ecoa o grito da minha ancestralidade”.

Novas vozes e formação de leitores

A formação de leitores terá espaço especial na programação, com a participação de crianças e adolescentes entre os autores convidados. As atividades infantis e as sessões de contação de histórias contarão com nomes como Amélia Albuquerque, Andrea de Sousa, Erica Montenegro, Mariane Bigio e Lu Chamusca.

Autores publicados pela Editora IMEPH estarão entre os participantes, ao lado de escritores e artistas ligados a outros selos e projetos literários. A diversidade de convidados, segundo a organização do espaço, “amplia o diálogo entre diferentes gerações e linguagens, reunindo literatura, oralidade, música, ilustração e memória”.

As atividades encerram-se no dia 13 de setembro, com contação de histórias, o encontro “Afinal, o que é cordel?”, conduzido por Daniel Yehudi, e apresentações artísticas. As declamações estarão presentes diariamente, mantendo viva a tradição da palavra falada e sua conexão com a música e a literatura.

Com 86 mil metros quadrados, 269 expositores, cerca de 350 autores nacionais e internacionais e 3.450 horas de programação, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, estima receber mais de 700 mil visitantes.

“Nesse cenário, o “Espaço Cordel e Repente” chega para reafirmar a força da cultura popular e ampliar o lugar do cordel na cena literária contemporânea”, finalizou Lucinda Marques.

Saiba mais sobre o evento em: https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br.html

Ígor Lopes

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