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Castelo Branco: “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” promete afirmar artesanato, património e inovação como “motores de desenvolvimento económico e cultural” do município português
A cidade de Castelo Branco, na região Centro de Portugal, acolhe, nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), a primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, e integrada na programação do “Festival Sabores de Perdição”, que decorrerá entre 3 e 6 de setembro.
A Bienal nasce na sequência da inclusão de Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, distinção atribuída em 31 de outubro de 2023, na categoria “Artesanato e Artes Populares”, reconhecimento internacional alcançado graças ao “valor patrimonial, artístico e identitário” do “Bordado de Castelo Branco”, uma das manifestações mais emblemáticas da cultura portuguesa e elemento central da identidade albicastrense.
Ao longo de dois dias, especialistas nacionais e internacionais, investigadores, artesãos, representantes institucionais, organismos públicos, instituições de ensino superior e cidades pertencentes à “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” discutirão políticas públicas, inovação, empreendedorismo, internacionalização, cooperação entre territórios, preservação dos saberes tradicionais, renovação geracional e o papel das artes e dos ofícios enquanto “instrumentos de desenvolvimento económico, turístico e cultural”.
Além dos debates e conferências, a programação integrará visitas ao Museu dos Têxteis, ao Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, a exposição “O Mundo Bordado à Mão” e iniciativas de demonstração artesanal ao vivo.
Uma Bienal que “consolida a estratégia de crescimento internacional” de Castelo Branco
Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, considera que a Bienal representa a evolução natural da estratégia que o município tem vindo a desenvolver desde que passou a integrar a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”.
“A ‘Bienal de Artes e Ofícios’ vem na linha de continuidade do desenvolvimento desta participação do município de Castelo Branco na ‘Rede das Cidades Criativas’. Temos uma programação que está alocada a esta chancela e, dentro dessa programação, está também o desenvolvimento desta ‘Bienal Internacional de Artes e Ofícios’”, referiu esta responsável, que aproveitou para recordar que o município já promoveu anteriormente outras iniciativas internacionais associadas à distinção da UNESCO.
“Já se fizeram outras atividades, nomeadamente o ‘Encontro Internacional de Cidades Criativas e Desenvolvimento Sustentável’, o ‘Fórum Ibero-Americano das Cidades Criativas’ e, agora, este foi o desenvolvimento natural das atividades que estão muito ligadas às cidades criativas”, sustentou.
Na sua perspetiva, mais do que organizar um congresso especializado, o objetivo consiste em “criar um espaço permanente de diálogo entre cidades, instituições e especialistas”, promovendo a “circulação de conhecimento e a partilha de experiências”.
“A ideia aqui é sobretudo partilhar experiências, divulgar boas práticas e ligar todas as cidades do país que estão também associadas às Cidades Criativas”, frisou, realçando que, apesar de Castelo Branco integrar a categoria de “Artesanato e Artes Populares”, a organização optou por envolver também cidades pertencentes a outras categorias da Rede UNESCO, assinalando tratar-se de um “valor acrescentado” para o certame.
Castelo Branco quer transformar distinção da UNESCO numa “ferramenta de desenvolvimento económico”
Ao longo da entrevista, Sónia Abreu defendeu que a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO na categoria Artesanato e Artes Populares” representa muito mais do que um reconhecimento internacional. Para Sónia, esta distinção deve funcionar como um “instrumento de desenvolvimento económico, turístico e cultural, envolvendo toda a comunidade e reforçando o posicionamento do concelho no panorama internacional”.
De acordo com Sónia, um dos maiores desafios passa precisamente por “fazer compreender à população o verdadeiro significado da chancela atribuída pela UNESCO e o potencial que esta encerra para o território”.
“É uma questão que eu tenho refletido muito sobre e tenho conversado com o presidente da Câmara, porque é ele quem tem o pelouro da Cultura e das Cidades Criativas. O facto de termos esta chancela é muito mais do que só dizer ‘somos uma cidade criativa’. É muito mais do que isso. Penso que deveríamos aproveitar este legado, esta chancela que tem muito peso e é tão importante para chamar todos”, acrescentou.
A chefe de divisão de Museus e Cultura admite que continua a existir um trabalho de sensibilização junto da população, para que os albicastrenses “compreendam que esta distinção internacional não constitui apenas um selo institucional, mas uma oportunidade concreta de projeção económica, cultural e turística”.
“É uma chancela que nos pode projetar”, refletiu.
“Bordado de Castelo Branco” deve afirmar-se no “segmento do luxo”
Durante a entrevista, visitamos as instalações do Centro de Interpretação do Bordado e presenciamos as profissionais darem vida a peças exclusivas, que valorizam a tradução local. Precisamente em virtude dessa importância, Sónia Abreu considera que o futuro do “Bordado de Castelo Branco” passa por uma maior valorização económica e por uma aposta clara em mercados de elevado valor acrescentado, sem descurar o trabalho desenvolvido pelas bordadeiras tradicionais. Na sua visão, o “Bordado de Castelo Branco” reúne características que lhe permitem afirmar-se internacionalmente em segmentos ligados ao luxo e à diferenciação.
“Estou absolutamente convicta de que o caminho, neste caso para o Bordado de Castelo Branco, que é o ícone da nossa Cidade Criativa, é o segmento mais virado ao segmento de luxo”, defendeu, acrescentando que é necessário um reforço da presença do bordado em certames internacionais especializados e mercados mais exigentes.
“Precisamos investir mais nessa parte, chegar às feiras de artesanato ligadas ao luxo, aos segmentos mais altos”, salientou. Ainda assim, fez questão de sublinhar que esta estratégia “não implica desvalorizar o trabalho artesanal” desenvolvido diariamente por muitas mulheres no concelho.
“E, claro, sem desvalorizar aquilo que é o bordado que muitas mulheres fazem em casa, mas este bordado certificado em concreto tem que ter um lugar na economia e no segmento do luxo, sem dúvida nenhuma”, argumentou.
Explicar aos albicastrenses o que significa ser “Cidade Criativa da UNESCO”
Mais do que organizar um encontro internacional com especialistas, a Bienal pretende também aproximar a população do projeto UNESCO e esclarecer o significado da classificação atribuída ao município. Sónia Abreu alega que continua a existir alguma “dificuldade” em explicar à comunidade o verdadeiro alcance desta distinção.
“O objetivo é que no fim desta Bienal as pessoas sintam que é muito importante para nós, albicastrenses, ter essa distinção, porque eu vejo nas ruas as pessoas perguntarem-se: ‘O que é isto, ser uma ‘Cidade Criativa da UNESCO?’. Era esta a mensagem que eu gostava que passássemos durante o evento”, admitiu Sónia, que acredita que existe um forte sentimento de pertença em torno do Bordado de Castelo Branco, independentemente das preferências estéticas individuais.
“Não há nenhum albicastrense que não tenha gosto em falar daquilo que é o seu património”, enfatizou, acrescentando que sempre que alguém identifica Castelo Branco, a associação ao bordado surge de forma praticamente imediata.
Para esta chefe de Divisão na autarquia albicastrense, uma “Cidade Criativa da UNESCO” não pode resumir-se exclusivamente ao bordado, razão pela qual pretende igualmente “valorizar outras formas de artesanato existentes no concelho”.
“Nesta Bienal, em concreto, vamos focar-nos naquilo que nos elevou à categoria de Cidade Criativa da UNESCO, que são o Artesanato e as Artes Populares, como o bordado, mas a ideia depois, é também apoiar e promover outras formas de artesanato que existem na cidade”, realçou.
Nesse sentido, a organização promoverá, em paralelo com a Bienal, “A Criatividade e os Ofícios”, espaço instalado no âmbito do “Festival Sabores de Perdição”, onde artesãos de diferentes áreas desenvolverão demonstrações ao vivo e contacto direto com os visitantes.
“Vamos chamar outros artesãos, que vão estar no local a trabalhar ao vivo, a partilhar experiências, a deixar as pessoas mexerem, meterem ali as ‘mãos na massa’, porque nós achamos que é também esse o caminho”, disse.
Programa aposta na “reflexão, inovação e cooperação” entre cidades criativas
Ao longo dos dois dias, 4 e 5 de setembro, a “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reunirá participantes de renome, alguns já confirmados, como representantes diplomáticos do Brasil e de Cabo Verde, a cônsul honorária de Cabo Verde para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, Sofia Lourenço, o diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGArtes), Américo Rodrigues, a chefe de Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, I.P., Maria Antónia Amaral, da A.CERTIFICA, atualmente o único organismo de certificação acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) para a certificação de produções artesanais tradicionais, Associação Portugal à Mão – Centro de Estudos e Promoção das Artes e Ofícios Portugueses, do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e o Património (CEARTE), da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESART-IPCB) e representantes de diversas cidades portuguesas integradas na Rede de Cidades Criativas da UNESCO, entre outros nomes.
“O que esperamos é que, mais do que um momento de reflexão, todos consigamos identificar medidas públicas de proteção e de valorização destes recursos culturais de cada território e, nomeadamente, do território de Castelo Branco”, ressaltou Sónia Abreu, que não deixa de mencionar que “preservar uma tradição não significa mantê-la inalterada, mas garantir a sua capacidade de adaptação às exigências contemporâneas”.
“Estas artes têm que ser contemporâneas. Se queremos que estas artes continuem a vingar, há aqui um momento em que elas têm que dar o salto”, atentou Sónia Abreu, que considera que essa evolução já começou a concretizar-se através da colaboração estabelecida entre o município e a Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, cujo trabalho será igualmente apresentado durante a Bienal.
“Os cursos de licenciatura e mestrado na área do design têxtil têm sido um aporte muito interessante para a questão do desenvolvimento do Bordado de Castelo Branco”, avançou, apesar de reconhecer que a introdução de novas abordagens continua a gerar diferentes sensibilidades.
“Claro que isto levanta muitas questões. Há muitas pessoas que não concordam, mas eu acho que, enquanto houver discussão, o tema está sempre a correr bem. Quer dizer que estamos a evoluir. As discussões são boas, nós temos que partir pedra, trocar ideias”, admitiu esta responsável, que comentou ainda sobre a diversidade institucional presente na Bienal para abrir o diálogo sobre diferentes perspetivas relativamente à valorização do património.
A ideia é que a Bienal possa “conjugar a reflexão científica com experiências práticas, aproximando especialistas, artesãos e visitantes num mesmo espaço de partilha e valorização do património cultural”.
“Cidades Criativas da UNESCO” representadas em Castelo Branco
O segundo dia da Bienal, 5 de setembro, será particularmente dedicado ao universo das “Cidades Criativas da UNESCO”, reunindo municípios portugueses pertencentes a diferentes categorias da rede internacional, como Barcelos, Caldas da Rainha, Idanha-a-Nova, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira ou Matosinhos.
De acordo com Sónia Abreu, esta opção pretende demonstrar que a criatividade pode assumir diferentes expressões e constituir um verdadeiro instrumento de desenvolvimento territorial.
“Vão estar representadas as categorias música, gastronomia, artesanato e artes populares, artes digitais e design, e isso é muito interessante para as pessoas perceberem que esta questão das “Cidades Criativas” pode ter uma dimensão enorme”, acrescentou.
Património, turismo e internacionalização caminham lado a lado
A distinção atribuída pela UNESCO é encarada pelo município como uma oportunidade para reforçar a promoção internacional de Castelo Branco, afirmando o património cultural imaterial como fator de diferenciação territorial e de desenvolvimento económico.
“Sem dúvida que é uma oportunidade. A promoção territorial através deste tipo de práticas, desta questão das artes tradicionais, é muito importante para o município”, realçou, destacando que “a valorização do património não deve limitar-se à preservação dos monumentos”, devendo, de igual modo, “transformar os saberes tradicionais num motivo de visita e de descoberta do território”.
“Nós percebemos que o património é muito importante, as pessoas virem ao território para ver monumentos, isso é muito importante, mas devem vir também pelo artesanato”, salientou Sónia Abreu, que avaliou que o artesanato possui uma capacidade muito própria de promover um território, permitindo que os visitantes levem consigo um elemento identitário que prolonga a ligação estabelecida durante a visita.
Como exemplo da projeção internacional já alcançada pelo Bordado de Castelo Branco, Sónia recordou um episódio recente envolvendo um investigador japonês especializado na seda, convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
“Estive em Castelo Branco com um professor do Japão que vinha dar aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ele está ligado à investigação da seda. Apesar de existir a possibilidade de visitar outros centros ligados ao trabalho da seda em Portugal, o investigador fez questão de incluir Castelo Branco no seu percurso, precisamente pelo prestígio internacional do bordado. A professora que estava com ele quis levá-lo a Freixo de Espada à Cinta, mas ele disse: ‘Eu quero ir a Castelo Branco’”, acrescentou.
Episódios desta natureza, para Sónia, demonstram que o “Bordado de Castelo Branco” ultrapassou as fronteiras nacionais, tornando-se um elemento reconhecido em contextos científicos e culturais internacionais.
“Foi incrível porque como é que, de repente, um professor catedrático de uma universidade no Japão já ouviu falar de Castelo Branco”, assinalou.
Na sua opinião, essa notoriedade deverá ser aproveitada para consolidar o concelho enquanto destino cultural e turístico.
“Mais do que aos investigadores, é aos turistas em geral. Acho que isto pode ser um polo de atração”, concluiu.
Novas gerações são “determinantes” para garantir o futuro do património
Outro dos temas que Sónia Abreu considera prioritários prende-se com a necessidade de aproximar as novas gerações do património cultural, defendendo um reforço da mediação cultural como instrumento de valorização dos saberes tradicionais.
“Para nós, a mediação cultural é urgente e muito importante para a nossa cidade”, defendeu, acrescentando que a melhor forma de criar públicos passa por trabalhar diretamente com as crianças, estabelecendo desde cedo uma ligação emocional ao património local. Na sua visão, essa relação tende a prolongar-se no tempo e acaba por envolver também as famílias.
“Se eu levar uma criança a um museu e estabelecer um laço emocional qualquer com ela, certamente vai para casa e vai exigir que os pais vão com ela àquele sítio porque foi ali que ela viu, sentiu e aprendeu”, exemplificou.
Apesar dos esforços já desenvolvidos, admite que o município ainda possui margem para crescer nesta área, nomeadamente através da criação de equipas especializadas e da dinamização de novos projetos.
“Nós, aqui na cidade, no município, ainda temos essa lacuna. Temos que trabalhar muito mais”, reconheceu. Ainda assim, sugere que nem todas as respostas têm necessariamente de partir da estrutura municipal, defendendo o estabelecimento de parcerias com profissionais e entidades que possam contribuir para esse trabalho.
“Podemos não ter as condições, não sabermos tudo ou não temos que ter especialistas em todas as áreas, mas podemos ter pessoas na cidade, ou que queiram vir para a cidade trabalhar connosco, para estabelecer essas parcerias”, vincou.
Artesãos assumem “papel ativo” na valorização do património
Ao longo da preparação da Bienal, a Câmara Municipal de Castelo Branco tem mantido contacto permanente com os artesãos do concelho, encontrando, segundo Sónia Abreu, uma “forte disponibilidade para participar nas iniciativas promovidas pelo município”.
“O feedback que nós temos é sempre positivo. Assim que contactamos as pessoas, a primeira coisa que elas nos dizem é: ‘Sim, contem comigo. Podem absolutamente contar comigo para o que for necessário’”, revelou. Uma colaboração que não se limita à Bienal, mas sempre que Castelo Branco participa em feiras de artesanato ou noutras ações de promoção.
“O município consegue mobilizar facilmente os artesãos locais. Depois, vamos ajustando. Quando vamos, por exemplo, a feiras de artesanato, convocamos os artesãos da cidade e nunca ficamos sem dar resposta às feiras. Temos sempre alguém para levar”, referiu, garantindo que esta disponibilidade “mostra que os artesãos estão envolvidos” e “reconhecem a importância da estratégia que o município tem vindo a desenvolver” em torno da valorização do património cultural.
Participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória
A participação na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” em setembro será gratuita, encontrando-se aberta a todos os interessados, embora sujeita a inscrição prévia devido à capacidade limitada do auditório do Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco.
As inscrições podem ser efetuadas através de formulário próprio no seguinte link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScDxASco71nQy1jCHIm-o5SqzxmmZZAYr1dM6eF-ky6eKONjQ/viewform
Um convite para descobrir Castelo Branco através do património, da gastronomia e da criatividade
No final da nossa reportagem, Sónia Abreu deixou um convite para que visitantes de todo o país aproveitem a Bienal como “ponto de partida” para conhecerem o património, a identidade cultural e a oferta turística de Castelo Branco.
“O convite que eu faço às pessoas é que venham a Castelo Branco, que participem neste evento. O que vamos ter aqui é um painel de oradores muitíssimo interessante, que vai falar não só sobre as questões relacionadas com o ‘Bordado de Castelo Branco’, mas sobre o património imaterial, as tradições no geral. Não deixem de estar presentes”, apelou.
Ainda no âmbito da Bienal, os visitantes poderão participar na programação gastronómica do “Festival Sabores de Perdição”, conhecer produtos endógenos do território e contactar com a nova rota gastronómica do concelho.
Uma vida dedicada ao património cultural albicastrense
À frente da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, Sónia é conhecida por ser uma profissional cuja ligação ao património da cidade começou muito antes de assumir as atuais funções.
Licenciada em História da Arte pela Universidade de Coimbra, iniciou o seu percurso profissional precisamente num museu que atualmente integra os equipamentos culturais municipais, experiência que continua a considerar “determinante” na construção da sua identidade profissional. Durante esse período, reconheceu a influência marcante de uma responsável que acompanhou os seus primeiros anos de trabalho.
“Tive a felicidade de ter uma ‘super’ diretora e uma mentora que me ensinou não só aquilo que dizia respeito aos museus, mas também a ser uma profissional humilde, empenhada, empática e, até hoje, eu tenho essa dívida de gratidão com ela”, frisou.
Posteriormente a sua vida levou-a “por outros caminhos diferentes”, exercendo funções como professora e integrando, atualmente, o quadro do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), “sem nunca perder a ligação ao património cultural da sua terra”.
Natural de Castelo Branco, explica que apenas deixou a cidade durante o período necessário para concluir a formação universitária.
“Eu sou albicastrense, nascida e criada, e costumo dizer que só estive fora o tempo estritamente necessário para fazer a minha formação e regressar a correr à casa. Eu vivi seis anos em Coimbra, onde estudei, tirei o curso de História da Arte e depois estive sempre por aqui. Nunca me imaginei a viver noutro sítio, nunca me imaginei a criar a minha família noutro sítio. A minha ligação afetiva ao território mantém-se inalterável”, contou.
Uma relação que se estende também ao marido, que, apesar de não ser natural de Castelo Branco, adotou igualmente a cidade como sua.
“Tive a felicidade de casar com um homem que, apesar de não ser de Castelo Branco, é hoje um albicastrense de coração e gostamos muito de estar aqui”, enfatizou.
“Não trocaríamos o sossego do Interior por nada deste mundo”, finalizou Sónia Abreu.
Ígor Lopes
Atualidade
CCILB lança “Gerações em Conexão” para aproximar jovens e famílias da comunidade empresarial luso-brasileira
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) vai realizar, no próximo dia 11 de outubro, em Lisboa, a primeira edição do “Gerações em Conexão”, iniciativa criada para “reunir associados, famílias e jovens num espaço de contacto entre diferentes gerações da comunidade empresarial luso-brasileira”. O encontro terá como formato uma feijoada e está marcado para as 13h, no Hotel Dom Pedro Lisboa.
Segundo apurámos, a proposta da CCILB procura “aproximar pais e filhos e, em particular, jovens entre os 16 e os 25 anos, criando condições para que as novas gerações estabeleçam contacto com empresários, dirigentes e profissionais ligados às relações económicas entre Portugal e o Brasil”.
A participação está aberta a associados e não associados da Câmara e respetivas famílias.
Promovido pelo Comité Jovem e pela Direção da CCILB, o “Gerações em Conexão” insere-se no trabalho que a instituição tem desenvolvido para “ampliar a participação dos jovens na sua atividade”. A Câmara pretende, através deste formato, “colocar em contacto a experiência das atuais lideranças com as perspetivas de quem começa a construir o seu percurso académico, profissional ou empresarial”.
O evento dá continuidade à atuação do Comité Jovem da CCILB. Na primeira reunião formal desta estrutura foram definidos objetivos relacionados com aprendizagem prática, networking e contacto dos jovens com empresários e dirigentes de Portugal e do Brasil. Mais recentemente, o Comité promoveu, em Lisboa, uma edição das “Conversas da Câmara” dedicada às oportunidades decorrentes das relações entre Mercosul e União Europeia.
O encontro de outubro será conduzido por Bruno Miranda e Silva e Isabela Gaboardi, do Comité Jovem, juntamente com Otacílio Soares, presidente da CCILB, e Giovana Bratti, diretora da instituição.
A composição procura traduzir o próprio conceito da iniciativa, ao reunir diferentes gerações numa mesma agenda de relacionamento e participação institucional.
A aposta nas novas gerações acrescenta uma dimensão de continuidade à atuação da CCILB, que tem promovido ao longo de 2026 encontros empresariais, ações de networking e iniciativas direcionadas para a internacionalização e para o reforço das relações económicas entre Portugal e o Brasil. O “Gerações em Conexão” desloca parte desse trabalho para o contexto familiar, procurando envolver filhos de associados e outros jovens na comunidade que a instituição vem construindo entre os dois países.
A participação tem o valor de 40 euros, acrescido de IVA, para associados, e de 55 euros, também acrescido de IVA, para não associados. As bebidas não estão incluídas. As inscrições encontram-se abertas através da CCILB.
Informações e inscrições no “Gerações em Conexão” da CCILB em: https://ccilb.pt/eventos/geracoes-em-conexao-feijoada/
Ígor Lopes
Atualidade
“Sustentabilidade na Era da Inteligência Artificial” em debate na Universidade de Coimbra de 30 de setembro a 15 de outubro
A relação entre Inteligência Artificial (IA) e sustentabilidade, o impacto crescente da IA nas universidades e o papel do ensino superior na promoção de uma transformação digital responsável vão estar em destaque na 4.ª edição dos Dias da Sustentabilidade na Universidade de Coimbra (UC), evento que decorre entre 30 de setembro e 15 de outubro.
Sob o tema “Sustentabilidade na Era da Inteligência Artificial”, a iniciativa pretende promover a reflexão sobre o potencial da IA para responder aos desafios ambientais, sociais e económicos, mas também sobre a necessidade de assegurar que o seu desenvolvimento e utilização são éticos, inclusivos e ambientalmente sustentáveis.
O evento – com sessões agendadas para diferentes espaços do Polo I da UC – reúne especialistas, dirigentes universitários, estudantes e representantes da sociedade civil para debater as transformações que estas tecnologias estão a introduzir no ensino, na investigação, na inovação e na participação cívica, bem como os desafios associados às infraestruturas digitais, à responsabilidade institucional e à governação da IA.
O programa tem início a 30 de setembro, com uma sessão dedicada às oportunidades e desafios da Inteligência Artificial no ensino, na investigação e na inovação (10h30, Auditório Híbrido do edifício da Faculdade de Medicina no Polo I). E prossegue a 2 de outubro com um debate sobre transformação digital sustentável, infraestruturas tecnológicas e responsabilidade institucional nas universidades, com foco no exemplo da UC (10h00, Auditório 2 do Student Hub).
A participação estudantil também assume particular relevância no programa dos Dias da Sustentabilidade na UC. A 7 de outubro, o Jardim Botânico acolhe uma tarde dedicada ao debate e ao envolvimento cívico dos jovens, com duas sessões (às 14h00 e 16h00) que vão abordar os desafios da liderança, da sustentabilidade, da responsabilidade digital e do voluntariado na era da Inteligência Artificial. A iniciativa inclui ainda um Marketplace de Voluntariado, reforçando o compromisso da Universidade de Coimbra com a cidadania ativa e assinalando o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável.
Já a 9 de outubro, especialistas do ensino superior vão reunir-se para refletir sobre o futuro das universidades num contexto marcado pela Inteligência Artificial, pela produção de conhecimento e pelos desafios da sustentabilidade (10h00 Auditório Híbrido do edifício da Faculdade de Medicina no Polo I).
A iniciativa encerra a 15 de outubro, a partir das 9h00, com a conferência internacional “Appropriate Guardrails for AGI: The Crucial Role of Universities”, que vai abordar o papel das universidades na definição de princípios e salvaguardas que orientem o desenvolvimento de sistemas avançados de Inteligência Artificial de forma responsável, ética e alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Com exceção da última sessão (de acesso restrito), todas as atividades são abertas à comunidade universitária e ao público em geral, mediante inscrição, a partir do formulário disponível em https://www.uc.pt/
“A Inteligência Artificial está a transformar a forma como trabalhamos, organizamos serviços, gerimos recursos e tomamos decisões. Esta transformação abre novas oportunidades, mas coloca também importantes desafios ambientais, sociais e éticos, sobre como podemos tirar partido da IA para tornar as nossas instituições mais eficientes e sustentáveis, assegurando simultaneamente uma utilização responsável e centrada nas pessoas. Neste evento, pretendemos envolver toda a comunidade nessa reflexão, debatendo o papel que a tecnologia e as instituições podem desempenhar na construção de um futuro mais sustentável, inclusivo e responsável”, afirma a Vice-Reitora da UC para o Planeamento e a Sustentabilidade, Patrícia Pereira da Silva.
O programa completo, mais informações e o formulário de inscrição nos Dias da Sustentabilidade na UC 2026 estão disponíveis em https://www.uc.pt/
Atualidade
Município do Porto assume secretaria-geral de rede internacional de proteção de direitos humanos no ambiente digital
O Município foi eleito para assumir a secretaria-geral do conselho de administração da Cities Coalition for Digital Rights (CC4DR). A nova estrutura de governação da rede internacional de cidades dedicada à promoção e proteção dos direitos digitais no contexto urbano terá um mandato de quatro anos e reúne representantes de Bordéus, Porto, Glasgow e Maceió, refletindo a dimensão internacional e a diversidade geográfica da coligação. O Porto será representado pelo vereador da Transformação Digital e Serviços ao Cidadão, Rodrigo Passos.
A eleição atribui ao Município uma responsabilidade direta na governação da organização e coloca a cidade numa posição de liderança num dos debates que está a ganhar maior relevância à escala internacional: como garantir que a evolução tecnológica das cidades é acompanhada pela proteção dos direitos fundamentais, pela confiança e por uma utilização responsável da tecnologia.
Durante o mandato 2026-2030, o Porto participará diretamente na definição das prioridades estratégicas da CC4DR e na articulação entre as cidades que integram a rede, contribuindo para o desenvolvimento de políticas e práticas em áreas como a inteligência artificial ética, a proteção de dados, a inclusão digital e a utilização responsável das tecnologias urbanas.
Num momento em que a inteligência artificial, os dados e as novas tecnologias estão a transformar a forma como as cidades funcionam, prestam serviços e se relacionam com as suas comunidades, esta eleição coloca o Porto entre as cidades que participam ativamente na definição dos princípios que deverão orientar a governação digital dos próximos anos.
A participação do Porto na CC4DR resulta de um percurso de envolvimento continuado da cidade nesta agenda internacional. Através desta nova responsabilidade, o Porto passa de uma posição de participação na rede para um papel mais ativo na sua condução, contribuindo para aproximar a discussão internacional dos desafios concretos enfrentados pelas cidades.
“Esta eleição reconhece o trabalho que o Porto tem vindo a desenvolver e, sobretudo, a capacidade da cidade para participar na construção de respostas para os desafios que a transformação tecnológica coloca às cidades”, afirma o vereador da Transformação Digital e Serviços ao Cidadão.
Rodrigo Passos reforça que “a tecnologia deve ser uma ferramenta de progresso, mas esse progresso tem de ser acompanhado por confiança, responsabilidade e respeito pelos direitos fundamentais”.
Durante o mandato 2026-2030, o Porto terá também oportunidade de partilhar a experiência desenvolvida no território e trazer para a agenda internacional aprendizagens resultantes da experimentação e da inovação urbana. A cidade assume-se, assim, não apenas como participante nos debates sobre o futuro digital, mas como território onde diferentes soluções podem ser testadas, avaliadas e transformadas em conhecimento para outras cidades.
Esta nomeação está alinhada com a estratégia do Porto de colocar a inovação e a tecnologia ao serviço da comunidade e fortalece a ligação entre a dimensão internacional e a realidade concreta da cidade, contribuindo para transformar princípios e compromissos em soluções, projetos e práticas aplicadas ao contexto urbano.
A Cities Coalition for Digital Rights é uma rede internacional de cidades dedicada à promoção e proteção dos direitos digitais no contexto urbano. A rede reúne cidades que trabalham em conjunto para responder aos desafios colocados pela transformação tecnológica e desenvolver abordagens que coloquem as pessoas e os seus direitos no centro das políticas digitais.
A eleição do novo conselho de administração decorre no momento em que a CC4DR formaliza a sua transformação numa associação internacional sem fins lucrativos, ao abrigo da lei francesa de 1901, criando uma estrutura de governação própria e reforçando a capacidade de colaboração entre cidades de diferentes geografias.
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