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Covilhã: Especialista aponta investimento estrangeiro e valorização imobiliária como motores do crescimento da Beira Interior

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O consultor imobiliário português, António Carlos, defende que a Beira Interior, localizada na Região Centro de Portugal, atravessa um período de “forte crescimento económico e imobiliário”, sustentando que a região reúne atualmente “condições para atrair novos investidores nacionais e estrangeiros, fixar população e consolidar um modelo de desenvolvimento assente na qualidade de vida, na inovação e na valorização do território”.
As declarações foram prestadas à Agência Incomparáveis no âmbito de mais uma edição da Feira de São Tiago, que decorreu entre os dias 16 e 26 de julho, na Covilhã, sendo considerada um dos mais antigos certames populares de Portugal. Com origens medievais e realizada anualmente na “Cidade Neve”, a feira conjuga tradição, atividade económica, comércio, gastronomia, animação cultural e divulgação empresarial, constituindo um dos principais momentos de promoção do município e da Beira Interior.

Para António Carlos, o crescimento alcançado ao longo dos últimos anos representa o cumprimento dos objetivos que traçou quando iniciou o seu percurso no setor imobiliário. O empresário considera que o reconhecimento conquistado resulta da proximidade com a comunidade e da capacidade de apoiar não apenas compradores e vendedores, mas também iniciativas locais e projetos de desenvolvimento regional. Segundo explicou, esse envolvimento tem permitido “consolidar a sua presença em vários concelhos da Beira Interior e alargar a atividade além-fronteiras”.

“O meu sentimento é de promessa cumprida, promessa conquistada e é isto que eu faço. Aquilo que eu cumpro, para mim, é glorioso, na medida em que as pessoas sentem a satisfação, tal como eu, de todo o trabalho que nós temos feito, no fundo, por uma comunidade que é grande, não só pela Covilhã, Belmonte, Fundão, Manteigas, tenho feito um trabalho de divulgação e de ação”, descreveu este consultor, que acrescentou que esse reconhecimento se reflete igualmente na confiança demonstrada por clientes nacionais e internacionais.

“Nós estamos a conquistar não só cada cidade do país, mas inclusive outros países. Há muitos países que vêm diretamente ter comigo, já, com a minha equipa, para fazermos a venda do imóvel deles, para comprar um imóvel, para um desenvolvimento turístico”, revelou.

A procura internacional e a transformação da habitação impulsionam o “crescimento da região”


Além da procura nacional, António Carlos frisa que o mercado imobiliário da Beira Interior está também a captar investidores estrangeiros, “nomeadamente do Brasil, França, Israel e espanhóis”.

Na perspetiva deste profissional, esta procura resulta de uma tendência que antecipou ainda durante a pandemia, quando defendeu publicamente que Portugal se tornaria “um dos destinos mais procurados da Europa e do mundo”.

“Se voltarmos seis anos atrás, por exemplo, em plena pandemia de Covid-19, publiquei um vídeo nas redes sociais e disse, publicamente, que Portugal pós-pandemia iria ser um dos países mais procurados, não só da Europa, como do mundo. Isto está a acontecer”, recordou, considerando que a segurança, a qualidade de vida e o potencial de crescimento do Interior português explicam esse interesse crescente. Ao justificar essa convicção, destacou que a Beira Interior reúne condições que a tornam “particularmente competitiva” para quem procura investir ou fixar residência.

“Somos um país seguro e o Interior estava a precisar e estava com a escassez de pessoas que queiram, no fundo, fixar aqui residência, aumentar a taxa de natalidade e criar algo de novo”, sustentou.

No caso específico da Covilhã, António Carlos entende que a cidade reúne hoje vários fatores diferenciadores, apontando a saúde, o ensino superior e a localização como elementos determinantes para o crescimento do mercado imobiliário.

“Neste momento já temos cinco hospitais na cidade da Covilhã, temos a Universidade, que é um grande motor de desenvolvimento da região, e daí nós sabemos perfeitamente que a Covilhã, neste momento, é a cidade mais cara do Interior e a mais procurada”, referiu.
Este especialista avalia que esse crescimento se reflete, de igual modo, na transformação do setor da construção, que tem vindo a adaptar-se à falta de mão de obra especializada através da aposta em métodos construtivos mais rápidos e industrializados. Na sua opinião, as habitações pré-fabricadas e as construções em aço leve deverão assumir um papel “cada vez mais relevante nos próximos anos”.

“Os pré-fabricados ou as construções de aço leve estão a chegar e em seis meses a construção está pronta a habitar”, explicou, acrescentando que esta evolução representa uma “resposta direta às necessidades atuais do setor”.

“Este será o futuro, porque o problema da mão de obra é grave. Nós não temos mão de obra qualificada para poder trabalhar na construção civil (…). Estes pré-fabricados já trazem kits completos, é só montar”, salientou.

Valorização dos imóveis e falta de oferta mantêm mercado em crescimento

Apesar do aumento significativo dos preços da habitação, António Carlos rejeita a ideia de que exista uma bolha imobiliária na Covilhã. Para o consultor, a procura continua a superar a oferta disponível e o ritmo de construção permanece insuficiente para responder às necessidades do mercado. Na sua visão, a cidade continua a expandir-se para novas zonas, sobretudo junto ao Hospital Pêro da Covilhã e em áreas com melhores acessibilidades, acompanhando o crescimento da população e da procura por habitação.

“Não há ainda construção suficiente para a Covilhã. A Covilhã ainda continua a construir, ainda continua a expandir e cada vez mais está a crescer junto ao hospital e zonas com melhores acessos”, vincou, sem deixar de mencionar que “a valorização dos imóveis resulta de uma tendência sustentada ao longo dos últimos anos e não de um fenómeno especulativo”. Para ilustrar essa evolução, recordou vários negócios concretizados ao longo da carreira.
“Eu já tenho vendido imóveis em vários locais do país (…) todas as moradias que eu vendi dobraram o valor. Há moradias que eu já vendi três e quatro vezes e, no espaço de oito, nove anos, o valor dobrou”, exemplificou.

Entre os vários casos, destacou um apartamento vendido junto ao “Serra Shopping”, cujo valor praticamente duplicou.

“Eu recordo, por exemplo, apartamentos que eu vendi T3 há nove anos, junto ao “Serra Shopping”, na altura por 120 mil euros, já vendi agora por 249 mil”, revelou. Razão que leva António a considerar que o imobiliário “continua a ser uma das aplicações financeiras mais seguras”.

“No mercado imobiliário, cada vez mais, sabemos que o dinheiro está sempre seguro. Aliás, não há nada que consiga ter tanto rendimento, neste momento, como qualquer empresário a investir no mercado imobiliário”, disse, reconhecendo que “a procura por imóveis destinados ao arrendamento também tem aumentado de forma significativa, acompanhando uma mudança no perfil das novas gerações”. Para ele, muitos investidores concentram atualmente os seus investimentos em edifícios destinados exclusivamente ao mercado de arrendamento.
“Há 50% dos investidores que já estão a comprar imóveis para arrendamento”, indicou.
Ao mesmo tempo, observa que também muitos jovens optam por arrendar em vez de comprar casa, privilegiando estilos de vida mais flexíveis.

“Há uma boa parte da sociedade, com 25, 30 anos, que já não quer comprar apartamento, quer arrendar”, afirmou. Ainda assim, entende que adquirir habitação própria continua a representar uma “decisão financeiramente mais vantajosa” e uma “garantia de estabilidade para o futuro”.

O empresário, que lidera uma equipa que leva o seu nome, acredita igualmente que a atratividade da Beira Interior “continuará a crescer” devido à conjugação entre “qualidade de vida, localização e acessibilidade”.

“Nós temos aqui nesta região, além de qualidade de vida, boas ligações (…), estamos a duas horas do mar, a duas horas e meia de Lisboa, a duas horas e quinze minutos do Porto, estamos a 40 minutos de Espanha (…) e a qualidade de vida, a qualidade das águas, do ar, de tudo, vale a pena. É impagável mesmo”, concluiu.

Infraestruturas, financiamento e novas gerações moldam o futuro do mercado imobiliário
Embora considere que a Beira Interior reúne condições para continuar a crescer, António Carlos entende que existem infraestruturas fundamentais que continuam por concretizar. Entre elas, destaca a necessidade de um aeroporto regional que permita reforçar a ligação do Interior aos principais centros nacionais e internacionais.

Na sua opinião, “é uma grande pena aqui não haver um aeroporto”, até porque essa infraestrutura representaria um impulso determinante para a atração de empresas, estudantes e investimento estrangeiro.

O consultor considera que a proximidade a uma infraestrutura aeroportuária constitui um dos principais fatores valorizados pelos investidores internacionais, uma vez que “os empresários querem estar a 60 ou 80 quilómetros desviados do aeroporto mais próximo”.

Por essa razão, defende que o país deveria apostar num aeroporto no Interior, apontando Castelo Branco como uma localização estratégica.

“Portugal deveria pensar em algo mais próximo, nem que fosse Castelo Branco. No Interior, cada vez mais devemos criar as condições para um aeroporto com capacidade para que os desenvolvimentos continuem”, defendeu, sublinhando que a procura pela Beira Interior continuará a crescer, sobretudo devido à diferença de qualidade de vida relativamente ao litoral.

“As pessoas preferem viver aqui com menos dinheiro, mas terem mais qualidade de vida”, adiantou.

Ao abordar o acesso à habitação, António Carlos elogiou as medidas de financiamento do Governo do primeiro-ministro português Luís Montenegro dirigidas aos jovens compradores da primeira casa, enfatizando que representam um “incentivo importante para estimular o investimento e facilitar a emancipação das novas gerações”.

De acordo com a sua explicação, a possibilidade de financiamento a 100% veio responder a uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens, até porque, na sua perspetiva, “a aquisição de habitação própria continua a representar uma decisão financeiramente mais vantajosa do que recorrer ao mercado de arrendamento”.

“Aquilo que eles dão de amortização mensalmente é inferior à renda que eles vão pagar”, sustentou, defendendo, ao mesmo tempo, que a “educação financeira deveria começar mais cedo, permitindo que os jovens compreendessem a importância da poupança e do investimento”.

“Era bom que cada vez mais o Governo incutisse nas escolas algo que não se ensina às crianças: saber que as pequenas economias (…) podem fazer uma grande economia ao fim de dez anos”, observou.

Questionado sobre o investimento imobiliário, António Carlos voltou a frisar que continua a ser a opção “mais segura” para quem pretende preservar e rentabilizar património, já que a diversificação dos investimentos permite reduzir riscos e aumentar a segurança financeira das famílias.

De igual modo, aconselha a privilegiar imóveis de menor dimensão, considerando que “os pequenos apartamentos, com perfis T0 ou T1, são os que são mais procurados”.
Segundo referiu, essa tendência acompanha a transformação das estruturas familiares e das necessidades habitacionais. Na sua análise, as casas deixaram de ser concebidas para acolher famílias numerosas e passaram a privilegiar funcionalidade, eficiência energética e menores custos de manutenção.

“Antigamente, havia muito o conceito de ter uma casa grande para receber a família toda. Isto terminou e, cada vez mais, existe o conceito dos T0, T1”, comentou. Para António Carlos, a própria Covilhã já acompanha essa evolução.

“Vemos que os T0 são os mais rápidos a alugar e são os mais rápidos que são vendidos. Os T1 também. E são os T1 que são vendidos caríssimos por metro quadrado aqui na cidade da Covilhã”, atestou.

Ígor Lopes

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Funchal é palco do VII encontro “Homenagem às Migrações”

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A Associação Diáspora no Mundo (ADNM) promove nesta próxima sexta-feira, 11 de setembro, às 20h, no Auditório do Jardim Municipal do Funchal, o VII Encontro “Homenagem às Migrações”, uma celebração da diversidade cultural que caracteriza a Madeira.

O evento reunirá mais de 16 representações de comunidades estrangeiras residentes em terras portuguesas, num espetáculo que pretende dar voz às diferentes culturas através da música, da dança, das tradições e das expressões artísticas.

Entre os convidados estão Alebrije – Folclore Mexicano em Portugal, Patche Di Rima, da Guiné-Bissau, Roni de Melo, do Brasil, e a dupla internacional Sandra&Ricardo, acompanhada pelos seus músicos, entre outros grupos e artistas residentes em Portugal.

Ao longo da noite estarão representados Brasil, Cuba, Venezuela, Egito, Inglaterra, República Dominicana, Guiné-Bissau, México, França, Chile, Argentina, África do Sul, Roménia, Espanha e Itália, numa verdadeira viagem cultural por diferentes partes do mundo.

“O Encontro “Homenagem às Migrações” é uma celebração da diversidade que diariamente enriquece a nossa Região. É um momento de encontro entre culturas, histórias e pessoas, que nos recorda que a diferença nos aproxima e que cada comunidade tem um contributo único para a construção de uma Madeira mais inclusiva, plural e solidária”, afirmou Lúcia Gomes, presidente da ADNM.

Com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, o evento tem entrada livre e está aberto a toda a comunidade, convidando madeirenses, migrantes e visitantes a celebrar juntos a riqueza das diferentes culturas que hoje fazem parte da Região.

Apresentado por Carlos Nené Pereira, com esta iniciativa, a ADNM reafirma o seu compromisso com a valorização da diversidade cultural, a integração das comunidades migrantes e a promoção do diálogo intercultural, transformando o Funchal num verdadeiro ponto de encontro entre culturas.

Ígor Lopes

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Lisboa: Diplomacia brasileira celebra relações com Portugal durante festa pelos 204 anos da Independência do Brasil

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A Embaixada do Brasil em Lisboa celebrou, no dia 7 de setembro, o 204.º aniversário da Independência do Brasil com uma receção realizada na Residência Oficial do Embaixador da República Federativa do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e da embaixatriz Maria José de Ávila. A cerimónia decorreu entre às 18h e às 20h e reuniu autoridades portuguesas e brasileiras, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade luso-brasileira e convidados institucionais.

O programa incluiu a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal pela Banda da Armada, com interpretação de Taiana Froes, seguida da intervenção do embaixador e de um momento de confraternização. Entre os presentes esteve o ex-Presidente da República portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa, que acompanhou parte da cerimónia ao lado de Raimundo Carreiro.

À margem das celebrações, Raimundo Carreiro concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis e fez um balanço da evolução das relações entre Brasil e Portugal durante os quatro anos em que tem estado à frente da representação diplomática brasileira no país. Para o embaixador, cada celebração do 7 de Setembro realizada durante a sua missão tem permitido “acompanhar um processo contínuo de aproximação bilateral”.

Segundo Carreiro, a relação entre os dois países tem vindo a tornar-se mais estreita, com reflexos na presença da comunidade brasileira, no diálogo entre autoridades e nas relações económicas. O diplomata sublinhou que esta aproximação deve também ser compreendida a partir do percurso histórico iniciado com a própria Independência e com o posterior reconhecimento português da soberania brasileira.

Na entrevista, Raimundo Carreiro recordou que o reconhecimento ocorreu num contexto particular, marcado também pela relação familiar entre D. João VI e D. Pedro I. Segundo o embaixador, tratou-se de um reconhecimento entre pai e filho, acrescentando que o entendimento estabelecido naquele período apontava para uma união destinada a permanecer. O diplomata associou esse percurso histórico ao atual nível das relações bilaterais. Considerou que, ao longo dos 204 anos de independência brasileira, Brasil e Portugal procuraram construir uma relação assente na proximidade, que hoje se manifesta através da mobilidade das pessoas, da cooperação institucional, dos negócios e da presença crescente dos brasileiros na sociedade portuguesa.

O embaixador destacou ainda o papel desempenhado por Portugal no processo de aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo Carreiro, Portugal esteve entre os países europeus que apoiaram o entendimento e defenderam a conclusão do acordo, sendo também um dos Estados que poderão beneficiar do aumento das oportunidades de comércio e investimento entre os dois blocos.

O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026 e estabelece uma área económica que reúne aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a 22 biliões de dólares. A aplicação provisória do Acordo Provisório de Comércio começou em 1 de maio de 2026, enquanto prosseguem os procedimentos previstos para a entrada em vigor definitiva dos diferentes instrumentos jurídicos.

Para Raimundo Carreiro, a aproximação entre os dois blocos ultrapassa a dimensão comercial e representa também uma afirmação do multilateralismo num contexto internacional marcado por tensões económicas e geopolíticas. Neste cenário, Portugal ocupa, segundo o diplomata, uma posição relevante na ligação do Brasil ao espaço europeu, enquanto o Brasil assume igualmente uma função de ligação portuguesa à América do Sul.

Ao recordar os principais momentos da sua missão em Lisboa, o embaixador referiu ainda as comemorações do bicentenário da Independência, em 2022, quando o coração de D. Pedro I foi transportado de Portugal para o Brasil no âmbito das celebrações dos 200 anos, e as iniciativas que assinalaram, em 2025, os dois séculos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e do reconhecimento português da Independência brasileira.

Carreiro afirmou que acompanhar estes acontecimentos durante a sua missão representa uma “responsabilidade institucional e pessoal”, considerando que o posto de embaixador do Brasil em Portugal possui uma dimensão particular pela história partilhada pelos dois países.

Para Raimundo Carreiro, este percurso demonstra a continuidade de uma relação que, mais de dois séculos depois da separação política, permanece em processo de aproximação e consolidação.

Discurso oficial destacou relações bilaterais

Na abertura de seu discurso oficial, no início da noite, Raimundo Carreiro destacou o significado da celebração e a relação entre Brasil e Portugal.

“É uma grande satisfação recebê-los na Residência Oficial da Embaixada do Brasil em Lisboa para a celebração dos 204 anos da Independência do Brasil. A execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal simboliza a amizade e o respeito que unem os nossos dois países”, declarou.

Ao abordar as relações bilaterais, o embaixador brasileiro recordou o bicentenário das relações diplomáticas e ressaltou o momento atual da parceria entre as duas nações.

“No ano passado, celebrámos o bicentenário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal. Foi uma oportunidade para recordarmos a nossa trajetória comum, construída ao longo de dois séculos, e para projetarmos o futuro da parceria que une as duas nações. Em 2026, esse espírito de celebração continua a inspirar o fortalecimento dos laços entre os nossos dois países. O intenso diálogo político, o crescente intercâmbio cultural, a vitalidade das nossas diásporas e a expansão dos vínculos económicos mostram que Brasil e Portugal vivem um momento de consolidação das relações bilaterais”, destacou.

Na sequência, Raimundo Carreiro mencionou os contatos políticos e institucionais mantidos entre Brasil e Portugal.

“Em novembro passado, o primeiro-ministro português Luís Montenegro realizou uma visita ao Brasil para participar na COP30, em Belém. Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa e reuniu-se com o primeiro-ministro e com o Presidente da República Portuguesa. Os laços de amizade entre os parlamentos continuam também a estreitar-se. Em abril, o Congresso Nacional brasileiro recebeu uma delegação da Assembleia da República Portuguesa, liderada por José Cesário. Em julho, recebemos em Lisboa o presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, ministro Edson Fachin. As reuniões realizadas contribuíram para reforçar a cooperação entre os órgãos judiciais, tanto no plano bilateral como no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, assinalou.

Um dos pontos centrais do discurso foi a presença da comunidade brasileira em Portugal.

“Os brasileiros já representam cerca de 5% da população de Portugal. A sua presença é parte integrante da vida económica, social, académica e cultural portuguesa. A comunidade brasileira tem uma ligação muito forte com a sociedade portuguesa, favorecida pela língua comum, pelas afinidades culturais e pelos valores partilhados que aproximam os nossos povos. Essa realidade não nos impede de reconhecer os desafios que ainda persistem e de continuarmos a trabalhar em conjunto com as autoridades portuguesas para melhorar a integração da comunidade brasileira”, considerou o diplomata.

No plano econômico, Raimundo Carreiro referiu-se ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um marco para as relações entre as duas regiões.

“A entrada em vigor do acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico para as duas regiões, com reflexos positivos e duradouros para as relações do Brasil e também de Portugal. Depois de mais de duas décadas de negociações, inauguramos uma das maiores áreas de integração económica do mundo, com cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto superior a 22 biliões de dólares. O apoio de Portugal foi decisivo para demonstrar que este acordo pode ser benéfico para ambas as partes”, declarou.

Segundo o embaixador, o acordo amplia as possibilidades para empresas portuguesas no mercado sul-americano.

“Fortemente integrada nas cadeias de valor europeias, a economia portuguesa passa a dispor de um canal ampliado para um mercado de aproximadamente 272 milhões de consumidores do Mercosul. Num cenário global marcado pela fragmentação e pela incerteza, esta parceria representa também um reforço do multilateralismo”, avaliou.

Raimundo Carreiro dedicou ainda parte do discurso às eleições gerais brasileiras de 2026 e à participação dos eleitores residentes em Portugal.

“No dia 4 de outubro, o Brasil realiza eleições gerais. Cerca de 158,7 milhões de pessoas estão habilitadas a votar. Em Portugal, são cerca de 135 mil eleitores brasileiros, o que representa aproximadamente 15% dos eleitores inscritos no exterior. Lisboa e Porto são, respetivamente, o primeiro e o terceiro maiores colégios eleitorais brasileiros fora do Brasil”, informou.

Ao tratar dos próximos grandes eventos internacionais no Brasil, Raimundo Carreiro destacou a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027.

“O Brasil terá muito orgulho em receber o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027. Será a décima edição do torneio e a primeira realizada na América do Sul. Convido todos a visitarem o Brasil no próximo ano e a acompanharem de perto este grande evento”, afirmou.

O embaixador acrescentou que a realização da competição também deverá contribuir para discussões sociais.

“Realizar o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino no Brasil representa um reconhecimento da força crescente da modalidade e do potencial das mulheres no desporto. É também uma oportunidade para colocar em debate questões sociais importantes, como o combate à violência e à desigualdade de género”, enfatizou.

Na parte final do discurso, Raimundo Carreiro voltou a destacar o estágio das relações bilaterais e a necessidade de continuidade do trabalho diplomático.

“Temos muito a celebrar no relacionamento entre Brasil e Portugal, mas assumimos também o desafio de continuar a trabalhar para concretizar as oportunidades que se abrem na nossa parceria bilateral”, ponderou.

O diplomata também mencionou a nova ligação aérea anunciada pela companhia brasileira GOL entre o Rio de Janeiro e Lisboa.

“A nova ligação direta entre o Rio de Janeiro e Lisboa será a primeira da companhia entre o Brasil e a Europa e representa mais uma ponte aérea entre dois países aproximados pela história e pelo afeto”, salientou.

Raimundo Carreiro citou ainda a ampliação da presença do Banco do Brasil em Portugal, com foco no atendimento a cidadãos, empresas e investidores, classificando a instituição como “uma ponte financeira entre os nossos dois países”.

A intervenção terminou com uma referência direta à data comemorativa e à relação bilateral.

“Viva a Independência do Brasil e a amizade entre Brasil e Portugal”, concluiu Raimundo Carreiro.

Recorde-se que Raimundo Carreiro apresentou as suas credenciais em Lisboa em março de 2022 e esta foi a quarta celebração do Dia da Independência realizada durante a sua gestão diplomática em Portugal.

Ígor Lopes

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“IX Mercado da América Latina” regressa ao Estoril com três dias dedicados à cultura latino-americana

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A Casa da América Latina em Lisboa e a Câmara Municipal de Cascais organizam, entre os dias 11 e 13 de setembro, a nona edição do Mercado da América Latina, na FIARTIL – Feira Internacional de Artesanato do Estoril, a oeste de Lisboa, com uma programação dedicada à cultura, ao empreendedorismo e à participação de toda a família.

O evento, cujos bilhetes serão colocados à venda em breve, regressa pelo nono ano consecutivo à FIARTIL, reunindo durante três dias diferentes expressões culturais dos países da América Latina e criando um espaço de encontro entre comunidades e público.

Na sexta-feira, 11 de setembro, o mercado estará aberto entre as 18h e as 23h30. No sábado, 12 de setembro, o horário será das 12h às 23h30, enquanto no domingo, 13 de setembro, o recinto funcionará das 12h às 21h.

A programação inclui artes plásticas e artesanato, permitindo dar visibilidade a diferentes manifestações artísticas e produtos associados às tradições latino-americanas.

A gastronomia tradicional terá também um lugar de destaque, com especialidades que permitem conhecer a diversidade de sabores e práticas culinárias existentes entre os vários países da região.

A música e a dança ao vivo completam a componente cultural do mercado, proporcionando momentos de animação e convívio ao longo dos três dias.

A iniciativa contará ainda com um espaço dedicado às crianças, onde serão desenvolvidas várias atividades dirigidas ao público mais jovem.

Além da vertente cultural, o Mercado da América Latina apresenta uma dimensão ligada ao empreendedorismo e à integração económica, procurando apoiar pequenos empresários migrantes que vivem em Portugal e que pretendem testar ou consolidar os seus projetos.

Este apoio permite aproximar os empreendedores do público e criar oportunidades para a divulgação de produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas pelas comunidades migrantes, contribuindo para a consolidação dos seus projetos no país.

A iniciativa enquadra-se numa missão de aproximação entre comunidades e de divulgação das tradições da América Latina, associando a valorização cultural à promoção da economia e do empreendedorismo latino-americano em Portugal.

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