Atualidade
Covilhã: Especialista aponta investimento estrangeiro e valorização imobiliária como motores do crescimento da Beira Interior
O consultor imobiliário português, António Carlos, defende que a Beira Interior, localizada na Região Centro de Portugal, atravessa um período de “forte crescimento económico e imobiliário”, sustentando que a região reúne atualmente “condições para atrair novos investidores nacionais e estrangeiros, fixar população e consolidar um modelo de desenvolvimento assente na qualidade de vida, na inovação e na valorização do território”.
As declarações foram prestadas à Agência Incomparáveis no âmbito de mais uma edição da Feira de São Tiago, que decorreu entre os dias 16 e 26 de julho, na Covilhã, sendo considerada um dos mais antigos certames populares de Portugal. Com origens medievais e realizada anualmente na “Cidade Neve”, a feira conjuga tradição, atividade económica, comércio, gastronomia, animação cultural e divulgação empresarial, constituindo um dos principais momentos de promoção do município e da Beira Interior.
Para António Carlos, o crescimento alcançado ao longo dos últimos anos representa o cumprimento dos objetivos que traçou quando iniciou o seu percurso no setor imobiliário. O empresário considera que o reconhecimento conquistado resulta da proximidade com a comunidade e da capacidade de apoiar não apenas compradores e vendedores, mas também iniciativas locais e projetos de desenvolvimento regional. Segundo explicou, esse envolvimento tem permitido “consolidar a sua presença em vários concelhos da Beira Interior e alargar a atividade além-fronteiras”.
“O meu sentimento é de promessa cumprida, promessa conquistada e é isto que eu faço. Aquilo que eu cumpro, para mim, é glorioso, na medida em que as pessoas sentem a satisfação, tal como eu, de todo o trabalho que nós temos feito, no fundo, por uma comunidade que é grande, não só pela Covilhã, Belmonte, Fundão, Manteigas, tenho feito um trabalho de divulgação e de ação”, descreveu este consultor, que acrescentou que esse reconhecimento se reflete igualmente na confiança demonstrada por clientes nacionais e internacionais.
“Nós estamos a conquistar não só cada cidade do país, mas inclusive outros países. Há muitos países que vêm diretamente ter comigo, já, com a minha equipa, para fazermos a venda do imóvel deles, para comprar um imóvel, para um desenvolvimento turístico”, revelou.
A procura internacional e a transformação da habitação impulsionam o “crescimento da região”
Além da procura nacional, António Carlos frisa que o mercado imobiliário da Beira Interior está também a captar investidores estrangeiros, “nomeadamente do Brasil, França, Israel e espanhóis”.
Na perspetiva deste profissional, esta procura resulta de uma tendência que antecipou ainda durante a pandemia, quando defendeu publicamente que Portugal se tornaria “um dos destinos mais procurados da Europa e do mundo”.
“Se voltarmos seis anos atrás, por exemplo, em plena pandemia de Covid-19, publiquei um vídeo nas redes sociais e disse, publicamente, que Portugal pós-pandemia iria ser um dos países mais procurados, não só da Europa, como do mundo. Isto está a acontecer”, recordou, considerando que a segurança, a qualidade de vida e o potencial de crescimento do Interior português explicam esse interesse crescente. Ao justificar essa convicção, destacou que a Beira Interior reúne condições que a tornam “particularmente competitiva” para quem procura investir ou fixar residência.
“Somos um país seguro e o Interior estava a precisar e estava com a escassez de pessoas que queiram, no fundo, fixar aqui residência, aumentar a taxa de natalidade e criar algo de novo”, sustentou.
No caso específico da Covilhã, António Carlos entende que a cidade reúne hoje vários fatores diferenciadores, apontando a saúde, o ensino superior e a localização como elementos determinantes para o crescimento do mercado imobiliário.
“Neste momento já temos cinco hospitais na cidade da Covilhã, temos a Universidade, que é um grande motor de desenvolvimento da região, e daí nós sabemos perfeitamente que a Covilhã, neste momento, é a cidade mais cara do Interior e a mais procurada”, referiu.
Este especialista avalia que esse crescimento se reflete, de igual modo, na transformação do setor da construção, que tem vindo a adaptar-se à falta de mão de obra especializada através da aposta em métodos construtivos mais rápidos e industrializados. Na sua opinião, as habitações pré-fabricadas e as construções em aço leve deverão assumir um papel “cada vez mais relevante nos próximos anos”.
“Os pré-fabricados ou as construções de aço leve estão a chegar e em seis meses a construção está pronta a habitar”, explicou, acrescentando que esta evolução representa uma “resposta direta às necessidades atuais do setor”.
“Este será o futuro, porque o problema da mão de obra é grave. Nós não temos mão de obra qualificada para poder trabalhar na construção civil (…). Estes pré-fabricados já trazem kits completos, é só montar”, salientou.
Valorização dos imóveis e falta de oferta mantêm mercado em crescimento
Apesar do aumento significativo dos preços da habitação, António Carlos rejeita a ideia de que exista uma bolha imobiliária na Covilhã. Para o consultor, a procura continua a superar a oferta disponível e o ritmo de construção permanece insuficiente para responder às necessidades do mercado. Na sua visão, a cidade continua a expandir-se para novas zonas, sobretudo junto ao Hospital Pêro da Covilhã e em áreas com melhores acessibilidades, acompanhando o crescimento da população e da procura por habitação.
“Não há ainda construção suficiente para a Covilhã. A Covilhã ainda continua a construir, ainda continua a expandir e cada vez mais está a crescer junto ao hospital e zonas com melhores acessos”, vincou, sem deixar de mencionar que “a valorização dos imóveis resulta de uma tendência sustentada ao longo dos últimos anos e não de um fenómeno especulativo”. Para ilustrar essa evolução, recordou vários negócios concretizados ao longo da carreira.
“Eu já tenho vendido imóveis em vários locais do país (…) todas as moradias que eu vendi dobraram o valor. Há moradias que eu já vendi três e quatro vezes e, no espaço de oito, nove anos, o valor dobrou”, exemplificou.
Entre os vários casos, destacou um apartamento vendido junto ao “Serra Shopping”, cujo valor praticamente duplicou.
“Eu recordo, por exemplo, apartamentos que eu vendi T3 há nove anos, junto ao “Serra Shopping”, na altura por 120 mil euros, já vendi agora por 249 mil”, revelou. Razão que leva António a considerar que o imobiliário “continua a ser uma das aplicações financeiras mais seguras”.
“No mercado imobiliário, cada vez mais, sabemos que o dinheiro está sempre seguro. Aliás, não há nada que consiga ter tanto rendimento, neste momento, como qualquer empresário a investir no mercado imobiliário”, disse, reconhecendo que “a procura por imóveis destinados ao arrendamento também tem aumentado de forma significativa, acompanhando uma mudança no perfil das novas gerações”. Para ele, muitos investidores concentram atualmente os seus investimentos em edifícios destinados exclusivamente ao mercado de arrendamento.
“Há 50% dos investidores que já estão a comprar imóveis para arrendamento”, indicou.
Ao mesmo tempo, observa que também muitos jovens optam por arrendar em vez de comprar casa, privilegiando estilos de vida mais flexíveis.
“Há uma boa parte da sociedade, com 25, 30 anos, que já não quer comprar apartamento, quer arrendar”, afirmou. Ainda assim, entende que adquirir habitação própria continua a representar uma “decisão financeiramente mais vantajosa” e uma “garantia de estabilidade para o futuro”.
O empresário, que lidera uma equipa que leva o seu nome, acredita igualmente que a atratividade da Beira Interior “continuará a crescer” devido à conjugação entre “qualidade de vida, localização e acessibilidade”.
“Nós temos aqui nesta região, além de qualidade de vida, boas ligações (…), estamos a duas horas do mar, a duas horas e meia de Lisboa, a duas horas e quinze minutos do Porto, estamos a 40 minutos de Espanha (…) e a qualidade de vida, a qualidade das águas, do ar, de tudo, vale a pena. É impagável mesmo”, concluiu.
Infraestruturas, financiamento e novas gerações moldam o futuro do mercado imobiliário
Embora considere que a Beira Interior reúne condições para continuar a crescer, António Carlos entende que existem infraestruturas fundamentais que continuam por concretizar. Entre elas, destaca a necessidade de um aeroporto regional que permita reforçar a ligação do Interior aos principais centros nacionais e internacionais.
Na sua opinião, “é uma grande pena aqui não haver um aeroporto”, até porque essa infraestrutura representaria um impulso determinante para a atração de empresas, estudantes e investimento estrangeiro.
O consultor considera que a proximidade a uma infraestrutura aeroportuária constitui um dos principais fatores valorizados pelos investidores internacionais, uma vez que “os empresários querem estar a 60 ou 80 quilómetros desviados do aeroporto mais próximo”.
Por essa razão, defende que o país deveria apostar num aeroporto no Interior, apontando Castelo Branco como uma localização estratégica.
“Portugal deveria pensar em algo mais próximo, nem que fosse Castelo Branco. No Interior, cada vez mais devemos criar as condições para um aeroporto com capacidade para que os desenvolvimentos continuem”, defendeu, sublinhando que a procura pela Beira Interior continuará a crescer, sobretudo devido à diferença de qualidade de vida relativamente ao litoral.
“As pessoas preferem viver aqui com menos dinheiro, mas terem mais qualidade de vida”, adiantou.
Ao abordar o acesso à habitação, António Carlos elogiou as medidas de financiamento do Governo do primeiro-ministro português Luís Montenegro dirigidas aos jovens compradores da primeira casa, enfatizando que representam um “incentivo importante para estimular o investimento e facilitar a emancipação das novas gerações”.
De acordo com a sua explicação, a possibilidade de financiamento a 100% veio responder a uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens, até porque, na sua perspetiva, “a aquisição de habitação própria continua a representar uma decisão financeiramente mais vantajosa do que recorrer ao mercado de arrendamento”.
“Aquilo que eles dão de amortização mensalmente é inferior à renda que eles vão pagar”, sustentou, defendendo, ao mesmo tempo, que a “educação financeira deveria começar mais cedo, permitindo que os jovens compreendessem a importância da poupança e do investimento”.
“Era bom que cada vez mais o Governo incutisse nas escolas algo que não se ensina às crianças: saber que as pequenas economias (…) podem fazer uma grande economia ao fim de dez anos”, observou.
Questionado sobre o investimento imobiliário, António Carlos voltou a frisar que continua a ser a opção “mais segura” para quem pretende preservar e rentabilizar património, já que a diversificação dos investimentos permite reduzir riscos e aumentar a segurança financeira das famílias.
De igual modo, aconselha a privilegiar imóveis de menor dimensão, considerando que “os pequenos apartamentos, com perfis T0 ou T1, são os que são mais procurados”.
Segundo referiu, essa tendência acompanha a transformação das estruturas familiares e das necessidades habitacionais. Na sua análise, as casas deixaram de ser concebidas para acolher famílias numerosas e passaram a privilegiar funcionalidade, eficiência energética e menores custos de manutenção.
“Antigamente, havia muito o conceito de ter uma casa grande para receber a família toda. Isto terminou e, cada vez mais, existe o conceito dos T0, T1”, comentou. Para António Carlos, a própria Covilhã já acompanha essa evolução.
“Vemos que os T0 são os mais rápidos a alugar e são os mais rápidos que são vendidos. Os T1 também. E são os T1 que são vendidos caríssimos por metro quadrado aqui na cidade da Covilhã”, atestou.
Ígor Lopes
Atualidade
Eduardo Barroso defende cooperação entre Castelo Branco e João Pessoa a partir da “economia criativa”
A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde para discutir património, artesanato, indústrias criativas e cooperação entre territórios. Entre os participantes esteve Eduardo Barroso, representante de João Pessoa, município brasileiro, junto da “Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO”, que participou no encontro com propostas destinadas a “aprofundar as relações entre a cidade situada no maior país da América do Sul e Castelo Branco, Portugal.
João Pessoa integra a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO desde 2017”, na categoria “Artesanato e Artes Populares”. A cidade é reconhecida pela “diversidade da produção artesanal”, que inclui “cerâmica, bordado e crochet”, e desenvolveu, ao longo dos últimos anos, estruturas ligadas à “produção, inovação e comercialização do artesanato”.
Em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, Eduardo Barroso explicou que a participação na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” teve como objetivo “dar continuidade às relações construídas entre os dois municípios”.
“A nossa presença em Castelo Branco vem no sentido de tentar reforçar esses laços de cooperação que já existem, porque hoje somos, João Pessoa e Castelo Branco, cidades geminadas. Trago comigo algumas propostas de cooperação efetiva entre as nossas duas cidades”, adiantou este representante brasileiro, que avalia que a integração numa “Rede de Cidades Criativas” deve produzir “efeitos que ultrapassem a projeção turística ou institucional”. A classificação, na sua perspetiva, deve ser sentida no território e incorporada no quotidiano da população.
“É muito mais importante do que esse selo significar um diferencial enquanto destino turístico qualificado. É uma forma de dar à cidade e à população local maior sentido de pertença, maior orgulho de serem cidadãos albicastrenses”, sustentou.
Eduardo Barroso defendeu ainda que o estatuto atribuído pela UNESCO ganha significado quando a criatividade é entendida como resultado do trabalho desenvolvido pelas pessoas.
“Não é a cidade que é criativa. São os seus artesãos, os seus artistas, a sua população em geral que deve imbuir-se desse espírito de tentar sempre fazer algo melhor, trazendo para o presente as oportunidades que o futuro traz e, com isso, novas possibilidades para a economia criativa”, explicou.
Neste contexto, este especialista brasileiro entende que uma “Cidade Criativa” não deve encarar a classificação apenas como uma distinção conquistada.
“Ser uma “Cidade Criativa” é mais do que um reconhecimento. É uma provocação, é um estímulo para que a cidade avance na direção de um desenvolvimento sustentável”, caracterizou.
A economia criativa esteve entre os temas centrais da participação de Eduardo Barroso na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”. Para o representante de João Pessoa, este modelo económico introduz uma lógica diferente daquela que assenta apenas na produção tradicional de bens e serviços, ao colocar a criatividade, o conhecimento e a cultura no centro da geração de valor.
“A economia criativa é uma nova forma de observar o processo de desenvolvimento, não mais centrada na economia tradicional, mas numa economia onde é a criatividade, a capacidade humana de transformação, que é o seu principal património, tendo a cultura como o centro desse processo de desenvolvimento”, analisou.
Barroso associa esta transformação à valorização dos elementos que diferenciam cada território.
“É uma nova economia que está a surgir, que eu classifico inclusive como a economia do singular, onde as coisas únicas e exclusivas de um território têm um valor agregado muito maior”, definiu, referindo que este modelo pode produzir impactos para além da preservação cultural.
“Isso traz uma importância não só cultural, mas principalmente do ponto de vista socioeconómico, gerando novas oportunidades de trabalho e rendimento”, acrescentou.
Durante a presença em Castelo Branco, Eduardo Barroso apresentou também experiências desenvolvidas no Brasil que considera passíveis de reflexão em Portugal, respeitando as diferenças entre os dois contextos. Entre essas iniciativas está o “Prémio Top 100” do “Artesanato Brasileiro”, instrumento criado para “identificar unidades produtivas e estimular competitividade, qualificação e acesso a mercados”.
“Nós temos no Brasil algumas iniciativas que poderiam servir como referência, não transplantadas, porque são contextos bastante diversos. Temos há 20 anos uma certificação chamada “Prémio Top 100 do Artesanato Brasileiro”, que classifica, a cada três anos, as 100 unidades mais competitivas”, exemplificou.
Na sua opinião, o modelo produz informação relevante para diferentes intervenientes do setor.
“Isso representa para os artesãos um estímulo e uma oportunidade de conquistar novos mercados. Para os consumidores, significa uma lista de referências de qualidade e, para as políticas públicas, um apontamento sobre onde estão as fragilidades e deficiências que devem ser compensadas”, detalhou.
A experiência brasileira levou-o a colocar em discussão a possibilidade de criação de uma iniciativa semelhante em Portugal.
“Esse é um dos exemplos que eu gostaria de trazer, provocando, quem sabe, aqui em Portugal, o desejo de ter também um prémio português, um Top 100 do artesanato português”, sugeriu.
Outra proposta apresentada passa pela criação de estruturas que aproximem artesanato, inovação e design. Eduardo Barroso destacou os laboratórios de inovação e design para artesanato desenvolvidos no Brasil, espaços destinados a apoiar artesãos na criação de novos produtos e na estruturação das diferentes etapas de produção.
“São equipamentos que vêm dar aos artesãos um contributo no sentido de desenvolver novas coleções em regime de cocriação, mas não só isso. Permitem acompanhar a produção desses produtos em todo o seu ciclo produtivo, em toda a sua cadeia de valor, chegando da criação à comercialização”, descreveu.
Para o representante de João Pessoa, estas práticas podem alimentar futuras iniciativas de cooperação entre os territórios representados na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”.
“São duas experiências que me parecem oportunas e que trazemos como sugestão de partilha”, propôs.
A realização do evento em Castelo Branco ocorre num momento em que o município procura consolidar a sua presença na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”. A autarquia enquadrou a “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente como uma plataforma de “valorização dos saberes tradicionais, do património e da cooperação com outras cidades e instituições”.
No balanço dos dois dias de programação, Eduardo Barroso destacou a função deste tipo de encontro na circulação de conhecimento entre cidades que colocam cultura e criatividade nas suas estratégias de desenvolvimento.
“Iniciativas como esta devem ser apoiadas e reforçadas porque se transformam no “locus ideal” de partilha das melhores práticas, visualização de novos projetos e criação de novas oportunidades de intercâmbio e cooperação”, disse.
Barroso acredita que esta articulação corresponde à própria lógica da “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, criada para “favorecer a troca de experiências entre territórios que integram cultura e criatividade nas suas políticas urbanas”. A UNESCO apresenta a rede como uma plataforma internacional de ideias e experiências destinadas a utilizar cultura e criatividade como instrumentos de desenvolvimento sustentável.
“O sentido da rede da UNESCO é exatamente esse: reforçar os vínculos de cooperação e intercâmbio entre cidades que colocaram a criatividade como o núcleo principal do seu processo de desenvolvimento”, concluiu.
Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, sob a gestão de Sónia Abreu.
Ígor Lopes
Atualidade
Castelo de Paiva: Evento promete “imersão” no futuro do “Glamping” em Portugal
Castelo de Paiva, na região do Norte de Portugal, vai ser palco, nos próximos dias 2 e 3 de outubro, da segunda edição da “Imersão Glamping Academy”, um encontro dedicado ao “desenvolvimento de projetos de Glamping, turismo de natureza e novas soluções de alojamento turístico”.
Depois da primeira edição, realizada em junho, também na Arrabia Guest Houses Glamping, a iniciativa regressa ao município português e pretende reunir, segundo os seus organizadores, proprietários de terrenos, empresários, investidores, especialistas e fornecedores de diferentes áreas.
“Mais do que receber um evento durante dois dias, Castelo de Paiva transforma-se num ponto de encontro entre quem está a pensar, criar, financiar, fornecer e operar novos projetos de Glamping em Portugal”, disse Luís Almeida, fundador da Glamping Academy e da Arrabia Guest Houses Glamping.
Do terreno ao negócio turístico
Este empresário explicou que a “Imersão” foi criada sobretudo para pessoas que “possuem terrenos ou estão a estudar o desenvolvimento de novos projetos turísticos”.
Durante dois dias serão cruzadas diferentes áreas necessárias à concretização destes investimentos, desde a análise do terreno e conceito inicial até ao licenciamento, REN e RAN, investimento, fundos e incentivos, financiamento, viabilidade económica, Tiny Houses, soluções modulares, Ecovillages, design aplicado à hospitalidade, marketing e operação turística.
A proposta diferencia-se de uma formação convencional pela “componente prática e pelo contacto direto entre participantes, especialistas, empresários e fornecedores”.
“A própria Arrabia Guest Houses Glamping, localizada na Raiva, integra a experiência. Para além de acolher o encontro, será utilizada como caso prático, permitindo conhecer os bastidores e funcionamento de uma operação turística real”, sublinhou o responsável pela iniciativa, que realçou que “as refeições, coffee breaks e jantar de networking fazem igualmente parte da dinâmica dos dois dias, prolongando a troca de experiências para além das apresentações”.
Castelo de Paiva no centro de uma nova discussão sobre turismo
A escolha de Castelo de Paiva para acolher novamente a “Imersão” procura também demonstrar o “potencial dos territórios fora dos grandes centros urbanos para receberem conhecimento, investimento e iniciativas especializadas relacionadas com as novas tendências do turismo”.
Para Luís Almeida, existe uma oportunidade para o município se afirmar progressivamente neste ecossistema.
“Queremos que Castelo de Paiva seja cada vez mais um ponto de encontro para quem está a pensar, desenvolver ou investir em novos projetos de Glamping em Portugal. Temos natureza, território e experiência turística para mostrar. Trazer até cá empresários, especialistas, fornecedores e promotores de novos projetos é também uma forma de colocar Castelo de Paiva nesta discussão”, avaliou.
A iniciativa assume uma dimensão que ultrapassa os dois dias de formação: pretende aproximar quem possui terrenos e ideias de quem detém conhecimento técnico, experiência empresarial e soluções capazes de apoiar o desenvolvimento de novos projetos.
Diferentes especialidades reunidas no mesmo espaço
De acordo com a nossa apuração, a segunda edição contará com profissionais provenientes de áreas distintas do turismo e do desenvolvimento de projetos.
Entre os convidados confirmados encontram-se Ronnie Smith, fundadora da Glamping Revolution e ligada ao Grupo AMA; Isabel Pires Lemos, advogada com experiência no licenciamento de projetos turísticos; José Rocha, empresário e ex-presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva; Rui César Castro, administrador da URBE – Consultores Associados; e Fátima Nunes, especialista em Gestão Estratégica.
Estarão ainda representadas áreas como Tiny Houses, Ecovillages, construção e soluções modulares, design de interiores, marketing digital, financiamento, fornecedores e operação turística.
O objetivo é “permitir que diferentes perspetivas se cruzem em torno de uma questão comum: como passar de um terreno ou de uma ideia para um projeto turístico estruturado e sustentável no tempo”.
Segunda edição depois da estreia em junho
A primeira “Imersão Glamping Academy” realizou-se também na Arrabia Guest Houses Glamping, reunindo participantes e especialistas durante dois dias.
A organização pretende agora “consolidar este formato e continuar a trazer a Castelo de Paiva pessoas que estão a desenvolver projetos em diferentes regiões do país”.
O formato privilegia a “proximidade entre participantes e especialistas, a discussão de casos concretos, a apresentação de soluções existentes no mercado e a criação de contactos entre pessoas ligadas ao setor”.
Recorde-se que a “Glamping Academy” é uma plataforma portuguesa dedicada à “criação, desenvolvimento e gestão de projetos de Glamping”. O projeto procura reunir num mesmo ecossistema conhecimento, especialistas, ferramentas, fornecedores e uma comunidade de pessoas interessadas no desenvolvimento de “novos conceitos de alojamento turístico e turismo de natureza”.
A segunda Imersão Glamping Academy realiza-se nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na Arrabia Guest Houses Glamping, em Castelo de Paiva, região Norte de Portugal.
As inscrições podem ser feitas através deste link: https://glamping-academy.info/imersao/outubro-2026?fbclid=IwY2xjawUeXKVwZG9mBWV4dG4DYWVtAjEwAGJyaWQRMXF5YUdXbXJHYVAxMXR0Y0tzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeqRp9C5M5f0CCawJD2OalzCpPntOnaHbkekKTW2jEdcSJzkrH_PRdeWbS0AQ_aem_IZqwhI1pSy_TELE40MGxnA
Ígor Lopes
Atualidade
Dançando com a Diferença apresenta “Gosto de Andar à Sombra” no Museu Nacional GrãoVasco
No âmbito das comemorações dos 25 anos da Dançando com a Diferença, a companhia apresenta, no dia 26 de setembro, às 16h30, no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, a visita dançada “Gosto de Andar à Sombra”, com coreografia de Leonor Barata. A iniciativa integra a exposição “Existe Luz na Sombra”, dedicada à memória da artista madeirense Lourdes Castro, e propõe uma experiência sensorial de aproximação à sua obra.
Conduzida pelos intérpretes Bernardo Graça e Laura Ávila, “Gosto de Andar à Sombra” não segue o modelo de uma visita guiada tradicional. A proposta convida o público a explorar a obra de Lourdes Castro através do corpo, do movimento, das palavras e do silêncio, percorrendo diferentes caminhos da perceção. Os intérpretes da Dançando com a Diferença estabelecem uma interação entre entre entre algumas das obras da artista e as diferentes camadas interpretativas propostas pela coreógrafa Leonor Barata.
Conhecida como a artista da sombra, Lourdes Castro é uma referência da arte contemporânea portuguesa. A sua obra multidisciplinar desenvolveu-se a partir de uma investigação em torno da sombra, da linha, do contorno e da presença ausente, elementos centrais do seu percurso artístico e do pensamento estético presente na exposição.
A colaboração entre a Dançando com a Diferença e o MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira, onde a companhia é residente desde 2006, estende-se também a esta exposição. A companhia participou na elaboração e gravação de guiões de audiodescrição para algumas das obras expostas e criou objetos impressos em 3D, numa parceria com a empresa MOVECHO, desenvolvendo diferentes elementos de mediação cultural.
“Estas abordagens de mediação cultural reforçam a aposta da companhia na criação, pesquisa e desenvolvimento de opções inovadoras que visam gerar novas formas de relação com a obra de Lourdes Castro, pensando em diferentes públicos”, refere Henrique Amoedo. Segundo o diretor artístico da Dançando com a Diferença, estas soluções permitem “ampliar a acessibilidade e a experiência interativa com as obras”.
Para a coreógrafa Leonor Barata, “Gosto de Andar à Sombra parte da obra de Lourdes Castro”, que que que considera “hiper coreográfica, com a presença constante de contornos do corpo ou da linha. Tudo isso são inspirações fortes em termos coreográficos. Nós apostamos muito nessa relação direta com a obra e com aquilo que ela ela nos inspira”.
Leonor Barata destaca ainda a experiência dos intérpretes, que assumem também o papel de mediadores da obra. “Eles ajudam a transmitir aquilo que está exposto e acrescentam camadas, não só à perceção do que apresentamos, mas também incorporando o corpo na própria visita”, explica.
Henrique Amoedo sublinha a presença do projeto no programa comemorativo dos 25 anos da companhia.. “Esta visita guiada dançada é uma oportunidade para explorar a obra de forma inovadora e sensorial. A interação entre movimento, corpo e espaço permite que o público se envolva ativamente, bem como reforça a dimensão interpretativa da experiência artística. É também uma forma de assinalinalinalar os 25 anos da companhia, que se celebram em 2026, consolidando a nossa missão de desenvolver projetos acessíveis, participativos e culturalmente enriquecedores”, afirma.
A Companhia Dançando com a Diferençaça é uma estrutura financiada pela República Portuguesa, através do XXIII Governo e da Direção-Geral das Artes, no período de 2023 a 2026, pelo Governo Regional da Madeira, através da Direção Regional de Educação e da Direção Regional da Cultura, e pela Câmara Municipal do Funchal. É companhia residente no MUDAS.
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