Comunidades
Lisboa: Associação Romã Azul angariou mais de cinco mil euros para apoiar vítimas dos sismos na Venezuela
A Associação Romã Azul (A.R.A), entidade filantrópica com sede em Portugal, mobilizou associados e voluntários numa campanha de apoio humanitário ao povo venezuelano, na sequência dos dois sismos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. A iniciativa permitiu, segundo a entidade, angariar 5.226 euros, valor convertido na “compra de 100 tendas, 110 sacos-cama e 30 kits de primeiros socorros”, destinados às famílias que perderam habitação, bens e condições básicas de segurança.
A ajuda foi entregue à Associação Venexos, entidade que actua em Portugal no apoio à comunidade venezuelana e na articulação de programas de ajuda humanitária dirigidos a venezuelanos residentes em Portugal e a populações em situação de vulnerabilidade na Venezuela. A associação informa que, desde 2016, tem colaborado no envio de ajuda humanitária para a Venezuela, através de projectos próprios e parcerias no terreno.
De acordo com a A.R.A., cada donativo representou “um gesto de esperança, de dignidade e de proximidade” para pessoas obrigadas a recomeçar após a catástrofe.
“A adesão dos seus associados evidenciou a força dos laços de solidariedade e o compromisso da comunidade com quem enfrenta situações de emergência, mesmo a milhares de quilómetros de distância”, disse Isabel Pauleta, presidente da A.R.A.
A campanha liderada por esta entidade, surge num momento em que a dimensão humana da tragédia continua a agravar-se. O mais recente balanço oficial citado por meios internacionais aponta para 3.685 mortos, 16.740 feridos e 17.907 pessoas sem habitação na Venezuela, após os sismos de magnitude 7,2 e 7,5.
A comunidade portuguesa e lusodescendente foi particularmente atingida. De acordo com informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o número de portugueses e lusodescendentes mortos subiu para 100, mantendo-se 59 desaparecidos ou incontactáveis. Entre as vítimas mortais, 86 tinham também nacionalidade venezuelana, incluindo 18 crianças e 82 adultos.
Portugal avançou, entretanto, para uma nova fase de apoio humanitário. O Governo português anunciou o envio para Caracas, através da Força Aérea Portuguesa, de 12 toneladas de material de higiene, abrigo, conforto e saneamento, duas ambulâncias equipadas doadas pela Cruz Vermelha Portuguesa e 1,5 toneladas de ferramentas e equipamentos da Marinha Portuguesa para apoio à remoção de escombros. Foi ainda activado um apoio adicional de 400 mil euros, gerido pelo Camões, I.P., para projectos da Cáritas e da Oikos junto das populações afectadas.
A resposta solidária também tem sido acompanhada pelas estruturas representativas da diáspora. O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP-CCP) aprovou, em Lisboa, uma moção de solidariedade dirigida ao povo venezuelano e à comunidade portuguesa residente no país, expressando “apoio incondicional” às vítimas e às suas famílias. O documento sublinha que a resiliência do povo venezuelano e da comunidade portuguesa será decisiva no processo de recuperação.
Em entrevista à nossa reportagem, o conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito pela Venezuela, Fernando Campos Topa, alertou para a dimensão da devastação e para a necessidade de Portugal manter apoio continuado aos portugueses e lusodescendentes afectados. “Renascer das cinzas vai ser difícil”, afirmou, ao descrever famílias que perderam casas, negócios e familiares, num país já marcado por dificuldades económicas.
Fernando Topa destacou ainda que o maior desafio começará depois da fase imediata de emergência, quando muitas famílias terão de lidar com perdas materiais, trauma psicológico e eventual necessidade de regressar a Portugal. O conselheiro referiu que o Centro Português de Caracas praticamente não sofreu danos e está preparado para receber apoios e donativos, em articulação com o consulado, a embaixada e as associações portuguesas na Venezuela.
Outros relatos recolhidos junto da comunidade portuguesa indicam um cenário de incerteza. O também conselheiro Leonel Moniz admitiu que o susto foi grande em todo o país e que muitos portugueses perderam contacto com familiares. O jornalista lusodescendente Marcos Ramos Jardim relatou dificuldades de comunicação, com Internet instável, e notícias de muitos portugueses desaparecidos.
A dimensão económica da catástrofe também preocupa as entidades luso-venezuelanas. Uma primeira avaliação da Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio, Indústria, Turismo e Actividades Afins, CAVENPORT VE, aponta para prejuízos superiores a 10 mil milhões de dólares, cerca de 8,5 mil milhões de euros, com danos em habitações, edifícios comerciais, estradas, infra-estruturas de água e electricidade, energia, petróleo, comércio e turismo.
Neste contexto, a intervenção da A.R.A. reforça o papel das organizações da sociedade civil na resposta às emergências internacionais.
“Ao canalizar recursos para tendas, sacos-cama e primeiros socorros, transformamos a mobilização comunitária em apoio concreto, dirigido a necessidades imediatas de abrigo, protecção e assistência básica”, frisou Isabel Pauleta, que acredita que “a campanha confirma que a solidariedade não conhece fronteiras e que a cooperação e a fraternidade entre associações pode reduzir a distância entre quem quer ajudar e quem precisa de reconstruir a vida”.
Atualidade
Brasil: São Paulo conta agora com uma delegação da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, entidade com sede em Viseu
A “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” realizou, no passado dia 16 de julho, a cerimónia oficial de tomada de posse da nova direção da delegação de São Paulo da entidade, quando distinguiu diversas personalidades e instituições pelo seu “contributo para a divulgação da cultura portuguesa no Brasil”, além de promover uma celebração gastronómica dedicada aos laços históricos entre Portugal e o Japão, numa tarde de eventos realizados primeiro no Auditório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e, depois, no Restaurante Osakaya, no mesmo endereço.
A sessão solene marcou o início do primeiro mandato da delegação paulista da Confraria, organização que tem como missão “preservar, divulgar e valorizar o património histórico, cultural e gastronómico da região da Beira Alta portuguesa, junto da comunidade lusa residente no Brasil e dos seus descendentes”, promovendo também o “intercâmbio cultural entre Portugal e o país sul-americano”.
A estrutura dirigente passou a ser liderada por Nilzângela de Lima Souza, que assume a presidência da delegação, acompanhada por João Baptista de Oliveira, como vice-presidente, Gabriel Kwak, como secretário-geral; e, na tesouraria, Raquel Naveira. Integram-na, ainda, os conselheiros fiscais José Francisco Ferraz Luz e José Domingos de Lima Pezza, José Alberto Lovetro, diretor de Banda Desenhada, e Salete Lima e Eliza Muratori, Fatima Fonseca, nomeadas embaixadoras culturais.
De igual modo, durante a cerimónia foram atribuídos os títulos de “Presidentes de Honra” da Confraria ao Dr. Juarez Morais de Avelar e ao jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, “distinção reservada a personalidades reconhecidas pelo apoio prestado à instituição e ao fortalecimento das relações culturais entre Portugal e o Brasil”.
Reconhecimento do mérito cultural marcou cerimónia
A tomada de posse ficou também assinalada por um conjunto de condecorações destinadas a reconhecer o trabalho desenvolvido em diferentes áreas da cultura, do associativismo e da promoção da identidade portuguesa.
Tânia Sousa Pezza e Richard Wolfgang Azevedo Bauer foram investidos como novos comendadores da Confraria, recebendo as respetivas insígnias numa cerimónia presidida por Nilzângela de Lima Souza. Ao longo da sessão foram ainda homenageados o maestro Roberto Mendes Barbosa e Elisa Mendes Barbosa, ligados ao Coral de Oficina de Arte e Cultura, bem como Benjamin Souza Marinho, distinguido enquanto representante das novas gerações que mantêm viva a ligação à cultura portuguesa.
A Confraria decidiu também atribuir uma distinção institucional ao Restaurante Osakaya, reconhecendo o contributo que o espaço tem vindo a prestar ao “fortalecimento do intercâmbio cultural luso-brasileiro” e à “valorização da gastronomia enquanto elemento de aproximação entre os povos”.
Gastronomia como expressão da história comum
Após o momento protocolar, os participantes reuniram-se no salão do Restaurante Osakaya, onde foi servido um menu concebido exclusivamente para a ocasião, pensado para traduzir, através da gastronomia, o encontro histórico entre Portugal e o Japão. A proposta gastronómica procurou revisitar um dos capítulos mais antigos das relações entre os dois países, evocando os primeiros contactos estabelecidos pelos navegadores portugueses no século XVI e a influência que essa presença deixou na cultura culinária japonesa.
Ao longo do jantar foram servidos pratos que combinaram técnicas tradicionais japonesas com ingredientes e referências profundamente associados à cozinha portuguesa, transformando cada momento da refeição numa narrativa sobre a circulação de produtos, sabores e tradições entre os dois extremos do mundo.
O percurso iniciou-se com Edamame, valorizando a simplicidade dos produtos naturais, e com uma delicada salada de hijiki, preparada com caldo dashi e shoyu, apresentada como uma evocação da profundidade do oceano e da subtileza da cozinha japonesa.
Seguiu-se um dos momentos mais simbólicos da noite: o Korokke de Bacalhau, versão japonesa inspirada no tradicional bolinho de bacalhau português. A confeção recorreu à panagem em panko, preservando, contudo, o protagonismo do bacalhau, ingrediente incontornável da gastronomia portuguesa, criando uma ponte entre duas tradições culinárias separadas por milhares de quilómetros, mas unidas pela história.
O menu prosseguiu com Orange Chicken, Karaage Nanban, Shorompo Soup, Buta Misso e Tempura Misto, prato que assumiu especial simbolismo por recordar precisamente a influência portuguesa na divulgação do tempura – pois em séculos passados esta iguaria era consumida apenas por monges, sendo proibido o consumo por pessoas comuns – a técnica de fritura que viria a dar origem à atual tempura japonês.
A refeição terminou com Choux Cream (Shu Kuri), sobremesa de inspiração francesa reinterpretada pela pastelaria japonesa, encerrando um percurso gastronómico marcado pela fusão de influências e pela valorização da partilha cultural.
Toda a experiência foi desenvolvida pelo chef Daisuke Takao, agradecemos aos proprietários Henrique Hojo e Nicolas Aoki, que procuraram construir um menu onde cada prato representasse um “momento da ligação histórica entre Portugal e o Japão”, estabelecendo um “diálogo entre tradição, criatividade e identidade”.
“Mais do que um jantar comemorativo, a receção constituiu um dos momentos centrais das celebrações da tomada de posse, reforçando a gastronomia como instrumento de diplomacia cultural e de aproximação entre comunidades”, disse Nilzângela de Lima Souza, presidente da delegação de São Paulo da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, com sede em Viseu, Portugal.
A iniciativa terminou num ambiente de convívio entre confrades, dirigentes, representantes institucionais e convidados, consolidando a “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” como “um espaço de preservação das tradições beirãs, de promoção da cultura portuguesa e de fortalecimento dos laços entre Portugal e o Brasil”, em particular “junto da comunidade portuguesa radicada em São Paulo”.
Agência Incomparáveis
Atualidade
Cônsul-Geral Adjunta de Portugal no Rio de Janeiro recebe “Título de Cidadã Carioca” pelo “reforço das relações entre Portugal e a cidade maravilhosa
A Cônsul-Geral Adjunta de Portugal no Rio de Janeiro, Ana Rita Ferreira, foi distinguida com o “Título de Cidadã Honorária do Município do Rio de Janeiro”, numa cerimónia realizada no Palácio de São Clemente, sede do Consulado-Geral de Portugal na cidade maravilhosa e residência oficial da cônsul-geral portuguesa na cidade, por iniciativa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, através da iniciativa promovida pelo vereador e primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Rafael Aloisio Freitas, em reconhecimento pelo “contributo da diplomata para o fortalecimento das relações entre Portugal, o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro”.
A sessão solene, decorrida na passada quarta-feira, 8 de julho, foi presidida pela Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, embaixadora Joana Gaspar, reunindo representantes do corpo diplomático, autoridades civis, dirigentes associativos, presidentes de Casas Portuguesas, empresários e diversas personalidades ligadas à comunidade luso-brasileira.
Segundo apurámos, a distinção reconhece o “percurso diplomático” de Ana Rita Ferreira e o “trabalho desenvolvido ao longo da sua missão no Rio de Janeiro, marcado pelo reforço da cooperação institucional entre Portugal e o Brasil, pela promoção das relações culturais e pelo acompanhamento permanente da comunidade portuguesa residente na região”.
Esta homenagem foi proposta pelo vereador Rafael Aloisio Freitas, cuja intervenção destacou precisamente o empenho de Ana Rita Ferreira na “criação de pontes de diálogo e cooperação entre os dois lados do Atlântico” e na “consolidação dos laços históricos que unem Portugal e o Rio de Janeiro”.
O processo contou também com a colaboração de Gilberto Moreira Júnior, assessor do vereador, que participou na preparação e desenvolvimento da proposta apresentada à Câmara Municipal.
A atribuição do “Título de Cidadã Honorária do Município do Rio de Janeiro” constitui “uma das mais relevantes distinções concedidas pela autarquia carioca” e simboliza o “reconhecimento oficial da cidade às personalidades que, mesmo não sendo naturais do Rio de Janeiro, prestam contributos relevantes para o seu desenvolvimento institucional, cultural e internacional”.
Num ambiente marcado pela emoção e pelo reconhecimento público, a cerimónia reforçou ainda a profunda ligação histórica entre Portugal e o Rio de Janeiro, celebrando o legado de diálogo, amizade e cooperação que Ana Rita Ferreira ajudou a consolidar durante o exercício das suas funções diplomáticas.
Ígor Lopes
Atualidade
“Encceja Exterior 2026”: Inscrições para exame de certificação de brasileiros residentes no estrangeiro decorrem entre 3 e 14 de agosto
O Governo do Brasil publicou o edital do “Encceja Exterior 2026”, oficialmente conhecido como Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, uma prova gratuita e de participação voluntária destinada a jovens e adultos brasileiros residentes no estrangeiro que não concluíram o ensino fundamental ou o ensino médio na idade regular mas que pretendam obter certificação escolar correspondente ao ensino fundamental ou ao ensino médio. As inscrições decorrem entre 3 e 14 de agosto de 2026, estando a realização das provas marcada para 22 de novembro de 2026, anunciou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Para concorrer ao certificado do ensino fundamental, os candidatos deverão ter 15 anos completos na data da realização da prova; para o ensino médio, a idade mínima exigida é de 18 anos, em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.º 9.394/1996). A inscrição exige ainda a existência de um número de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) válido.
As provas realizam-se num único dia, distribuídas pelos períodos da manhã e da tarde, sendo compostas por quatro provas objetivas, com 30 questões de escolha múltipla cada, e por uma prova de redação.
No caso do ensino fundamental, são avaliadas as áreas de Ciências Naturais, Matemática, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e Redação, bem como História e Geografia.
Já para os candidatos ao ensino médio, o exame incide sobre Ciências da Natureza e as suas Tecnologias (Química, Física e Biologia), Matemática e as suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e as suas Tecnologias e Redação (Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes e Educação Física) e Ciências Humanas e as suas Tecnologias (História, Geografia, Filosofia e Sociologia).
O INEP recomenda aos interessados a consulta integral do edital, disponível através do site institucional oficial das provas, onde constam todas as regras de participação, os procedimentos de inscrição e as condições para obtenção da certificação escolar.
Ígor Lopes
-
Atualidade4 anos atrásAgrária de Coimbra promove 9ª Edição do Curso de Fogo Controlado
-
Atualidade4 anos atrásLisboa: Leilão de Perdidos e Achados da PSP realiza-se a 08 de maio
-
Atualidade5 anos atrásCoimbra: PSP faz duas detenções
-
Atualidade4 anos atrásGuerra pode causar um ecocídio na Ucrânia
-
Atualidade3 anos atrásVisto CPLP não permite a circulação como turista na União Europeia
-
Atualidade1 ano atrásBarcelos: Município lança Cartão Jovem no decorrer do 1º Fórum da Juventude
-
Atualidade5 anos atrásSanta Marta de Penaguião coloca passadeiras 3D para aumentar a segurança rodoviária
-
Atualidade5 anos atrásCLIPSAS: Maçonaria Mundial reúne-se em Lisboa
