Atualidade
Voleibol: Jogos com Espanha avaliam sub-20 masculinos
Multiusos de Miranda do Douro recebe as duas seleções para 3 jogos de preparação
A Seleção Nacional de Sub-20 Masculinos, orientada por Nuno Pereira, inicia, hoje, um estágio que integra 3 jogos de preparação com a sua congénere espanhola, que terão por palco o Pavilhão Multiusos de Miranda do Douro, nos dias 18, 19 e 20 de março.
O estágio insere-se na preparação da Seleção Nacional com vista à participação na Pool D de Apuramento para o Europeu de Sub-20 Masculinos, a disputar no Centro Cultural de Viana do Castelo, de 8 a 10 de abril do ano corrente.
Nuno Pereira salienta a relevância dos duelos ibéricos na preparação da equipa lusitana: “O bilateral com a Seleção de Espanha é muito importante e vem no seguimento do planeamento que realizámos no início da época. Neste momento, os atletas que compõem a Seleção Nacional de Sub-20 não estão a realizar treinos regulares pela Seleção porque a grande maioria já se encontra a jogar no escalão principal. Assim, este bilateral aparece no momento certo, no sentido de realizarmos uma avaliação do nosso desempenho individual e coletivo, bem como, avaliarmos os níveis físicos que os nossos atletas apresentam. Após este bilateral, já teremos informações mais precisas do rendimento individual e coletivo da Seleção e, assim, podermos trabalhar, corrigir e aperfeiçoar os aspetos menos bons que registarmos nos jogos com Espanha. É de referir que este grupo já trabalha junto desde 2018, tendo participado em várias competições, nomeadamente na Fase Final do Campeonato da Europa de Sub-17 em 2019. É um grupo muito forte, competitivo e coeso, o que nos deixa com muitas esperanças no apuramento para o Campeonato da Europa de Sub-20“.
A equipa técnica chamou os seguintes 15 atletas para o estágio:
Convocados
AA Espinho:
Paulo Daniel Monteiro
AA S. Mamede:
Gonçalo Gomes
Castêlo da Maia GC:
Miguel Azenha
Tiago Matos
Esmoriz GC:
Bruno Dias
Daniel Teixeira
GC Santo Tirso:
Diogo Fevereiro
Duarte Abecasis
Santiago Pimentel
Leixões SC:
André Pereira
SL Benfica:
Eduardo Brito
João Infante
VC Viana:
Manuel Figueiredo
Nuno Marques
Ricardo Martins
Horário dos jogos
18 de março de 2022
18h00 – PORTUGAL vs. Espanha, no Pavilhão Multiusos de Miranda do Douro
19 de março de 2022
18h00 – PORTUGAL vs. Espanha, no Pavilhão Multiusos de Miranda do Douro
20 de março de 2022
10h00 – PORTUGAL vs. Espanha, no Pavilhão Multiusos de Miranda do Douro

Pool D de Apuramento para o Campeonato da Europa 2022 (Centro Cultural de Viana do Castelo, de 8 a 10 de abril)
Na Pool D de Apuramento para o Campeonato da Europa de Sub-20, a disputar no Centro Cultural de Viana do Castelo, de 8 a 10 de abril do ano corrente, a Seleção Nacional de Sub-20 Masculinos vai defrontar, sucessivamente, as suas congéneres da Suíça, de Israel e da Alemanha.
O Selecionador Nacional antevê: “Este grupo habituou-nos a superar grandes desafios. Assim, este próximo desafio é encarado com muita responsabilidade e com uma vontade enorme de voltar a estar presente numa Fase Final do Campeonato da Europa de Sub-20. A nossa Pool vai ser muito competitiva, porque as quatro seleções são muito equilibradas, mas acredito que nós poderemos voltar a fazer história e conseguir já, em Viana do Castelo, o apuramento direto para o Campeonato da Europa de Sub-20. Em relação ao facto de a competição se realizar em Viana do Castelo, importa referir que noutras competições já realizadas aqui, pudemos constatar o carinho com que os vianenses nos acolheram e o apoio que sempre nos deram. Por isso, contamos novamente com esse carinho e apoio para, juntos, conseguirmos o nosso objetivo principal que é estar na Fase Final do Campeonato da Europa de Sub-20. O lema da Seleção de Sub-20 é «If you want to go fast, go alone. If you want to go far, go as a team!»“.
Calendário de jogos
8 de abril de 2022
17h30 – Israel vs. Alemanha
20h00 – PORTUGAL vs. Suíça
9 de abril de 2022
15h00 – Alemanha vs. Suíça
18h00 – Israel vs. PORTUGAL
10 de abril de 2022
15h00 – Suíça vs. Israel
18h00 – Alemanha vs. PORTUGAL
A equipa de arbitragem será formada por Elisabeth Wurtenberger (Áustria), Ruben Sánchez Rodríguez (Espanha), Marek Lagierski (Polónia) e Vladimir Cvetkovic (Sérvia).
Imagens: FPV.
Atualidade
Equipa da Universidade de Coimbra cria programa de intervenção psicológica para apoiar mulheres na menopausa
Com o objetivo de responder aos desafios físicos e emocionais que acompanham a transição para a menopausa, uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu e está a testar um programa de intervenção psicológica para ajudar as mulheres nesta fase das suas vidas.
Denominado Cuidar-ME – Autocuidado durante a Menopausa: uma intervenção psicológica para promover a saúde mental e a qualidade de vida das mulheres durante a (peri)menopausa, este programa digital, acessível através do computador ou do telemóvel, oferece estratégias práticas e informações baseadas em evidência científica para promover o autocuidado, o bem-estar e a qualidade de vida durante a perimenopausa e a menopausa.
“A transição para a menopausa é uma fase com muitas mudanças físicas e psicológicas que podem ter impacto não só na mulher e no seu bem-estar, mas também nas suas relações em diversos contextos, como o pessoal e o profissional”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Fonseca. “Muitas vezes, a mulher vive esta fase sozinha, sem partilhar o que sente ou mesmo sem perceber bem o que se está a passar consigo porque, infelizmente, este tema ainda é tratado como um tabu”, elucida a coordenadora do projeto, salientando ainda que “é muito importante que exista investigação dirigida a esta fase do ciclo de vida”.
A menopausa e a perimenopausa são fases naturais de transição biológica e emocional profundas, constituindo um marco desenvolvimental significativo durante a idade adulta. Este período de transição está frequentemente associado a sintomas como oscilações de humor, ansiedade, alterações de sono e perturbações na qualidade de vida global. Apesar do seu impacto na vida das mulheres, o apoio psicológico é ainda escasso e de difícil acesso para a maioria das mulheres.
Para colmatar esta lacuna, o programa Cuidar-ME apresenta uma solução digital e acessível que orienta as utilizadoras em estratégias de autocuidado e regulação emocional, promovendo competências práticas para gerir alguns dos sintomas da menopausa. “O Cuidar-ME procura ajudar as mulheres a compreender as mudanças que possam estar a sentir durante a transição ou após a menopausa e ajudá-las a encontrar estratégias úteis para promover o seu bem-estar e a sua saúde mental”, avança Ana Fonseca. “Queremos capacitar as mulheres com ferramentas práticas e validadas cientificamente, permitindo que vivam esta etapa de transição com maior bem-estar, autonomia e qualidade de vida”, sublinha a investigadora.
Neste momento, a equipa de investigação está a realizar um estudo para avaliar a eficácia e aceitabilidade desta intervenção. “Procuramos compreender a experiência das utilizadoras do programa e avaliar se, depois da participação, existem melhorias no seu bem-estar e saúde mental”, explica a docente.
O estudo é dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos de idade que se encontrem em perimenopausa ou pós-menopausa e que vivam em Portugal. É necessário que tenham acesso a um dispositivo (telemóvel ou computador) com acesso à internet para utilizar o programa. As mulheres interessadas em participar neste estudo podem inscrever-se através deste link: https://ls.fpce.uc.pt/limesurvey/index.php?r=survey/index&sid=323285.
O programa Cuidar-ME é composto por oito módulos, com informações, exercícios e estratégias para, por exemplo, gestão de ansiedade, regulação do humor e aceitação. Os módulos podem ser realizados ao ritmo de cada participante.
Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Mais informações sobre o Cuidar-ME estão disponíveis em www.uc.pt/cuidar-me/.
Atualidade
“Aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal”
A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, procurou aproximar “património, criatividade, conhecimento e cooperação entre territórios”. Promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, num momento em que Castelo Branco procura desenvolver o trabalho associado à sua integração na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.
Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, fez, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, um balanço positivo dos dois dias de programação, destacando a adesão do público, a qualidade das intervenções e o interesse demonstrado pelas diferentes atividades.
“A avaliação é muito positiva. As partilhas, as experiências foram ótimas. Sinto também, da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, que houve muito gosto em estar presente”, avaliou.
Esta responsável apontou como exemplo dessa participação a visita realizada ao MUTEX – Museu dos Têxteis, após um primeiro dia de programa.
“Saímos daqui já com um horário bem esticado e, ainda assim, as pessoas acompanharam-nos. Tínhamos mais de 30 pessoas na visita e isso é a prova de que as pessoas estavam muito envolvidas com estas temáticas”, salientou.
O programa da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reuniu especialistas, investigadores, responsáveis públicos e agentes culturais, com debates sobre identidade local, economia criativa, património, Bordado de Castelo Branco, empreendedorismo e internacionalização. Entre os participantes esteve Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que integrou a mesa-redonda dedicada à relação entre identidade local e instrumentos públicos de valorização do património.
Para Sónia Abreu, uma das mensagens que marcou os trabalhos foi precisamente a necessidade de colocar o artesanato no mesmo espaço de reconhecimento das restantes expressões artísticas.
“Aquilo que eu mais gostei de ouvir foi esta explicação de alguém como o doutor Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que nos diz que o artesanato é arte, é uma arte maior e merece o mesmo prestígio que todas as outras categorias de arte”, observou.
A discussão em torno do Bordado de Castelo Branco ocupou igualmente uma parte do encontro, sobretudo na relação entre tradição, contemporaneidade e viabilidade económica. Sónia Abreu destacou a participação de responsáveis e especialistas de diferentes instituições e áreas, que procuraram responder ao desafio de preservar a identidade do bordado sem impedir a sua evolução.
“Este tema gera sempre discussão. Como é que nós agarramos no Bordado de Castelo Branco e o tornamos vendável, comerciável? Como é que nós o tornamos mais contemporâneo? E qual é o limite? Até onde podemos ir?”, questionou. Da reflexão resultou, segundo ela, uma aproximação entre diferentes perspetivas sobre o futuro do património.
“Foi um diálogo muito produtivo. As discussões são sempre boas e acho que foi um momento de muita aprendizagem e de percebermos que podemos dar este salto”, considerou.
Outro dos objetivos esteve relacionado com a aproximação entre a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” e a própria comunidade. A cidade integra a “Rede de Cidades Criativas” desde outubro de 2023, distinção atribuída na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. A autarquia enquadrou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente nessa estratégia de valorização dos saberes tradicionais, das indústrias criativas e da cooperação.
Para Sónia Abreu, este processo depende da capacidade de transmitir às novas gerações que o património pode ter continuidade e dimensão económica.
“O artesanato tem tudo para seguir em frente. Nós só temos de arranjar forma de cativar as gerações mais novas para conseguirmos, de facto, continuar, porque eles é que são o futuro”, defendeu. Essa participação, acrescentou, deve ultrapassar a esfera institucional.
“A chancela UNESCO só funciona se for da comunidade. Não é do município, é da cidade. Nós temos que envolver as pessoas e, de alguma forma, despertar o interesse dos jovens para estes trabalhos, para estes labores, mas, para isso, eles têm de conseguir fazer vida destas artes”, explicou.
A chefe da Divisão de Museus e Cultura considera agora prioritário aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal e utilizar o encontro como “instrumento de valorização do Bordado de Castelo Branco”.
“Aquilo que eu gostaria de fazer era continuar a investir neste projeto, de forma a que alcance cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional. Conseguir dar esta alavanca ao Bordado de Castelo Branco é muito importante. É o nosso solo. A nossa cidade criativa tem este solo, é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, projetou.
A programação permitiu também aproximar Castelo Branco de outras cidades portuguesas que integram a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, entre as quais Barcelos, Caldas da Rainha, Amarante, Idanha-a-Nova, Leiria, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira e Matosinhos. O programa oficial reservou o segundo dia para a apresentação de práticas, projetos e experiências desenvolvidas por vários destes territórios. Sónia Abreu considera que o contacto direto pode agora transformar-se em projetos conjuntos.
“Esta partilha que está a acontecer com os pontos focais das outras cidades criativas de Portugal deixa-nos muitas ideias. Depois é estreitar pontos, pensar em novos projetos que nos possam envolver, não só com as cidades criativas, mas com todas estas cidades e municípios que participaram nesta exposição e que têm também um aporte muito importante a trazer a este projeto”, perspetivou.
Um dos resultados surgiu através da exposição “O Mundo Bordado à Mão”, concebida para “reunir peças provenientes de diferentes territórios”. A mostra foi integrada no programa oficial da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” e contou com contributos de municípios portugueses e representações do Brasil, de Cabo Verde e dos Açores. Segundo Sónia Abreu, a adesão superou as expectativas iniciais.
“Endereçámos um convite aos municípios e foi incrível aquilo que aconteceu a seguir. As pessoas, de forma completamente genuína e espontânea, começaram a responder-nos e a perguntar como faziam chegar aqui as peças. Umas vieram por correio, outras vieram trazer”, recordou.
A quantidade de trabalhos recebidos permitiu ainda reorganizar a exposição, dando maior dimensão à diversidade geográfica.
“Eu achava que ia ter aqui peças do Brasil, que já tínhamos confirmado desde o início, também de Cabo Verde, e que depois teria de puxar pelo Bordado de Castelo Branco para compor a sala. Afinal, não foi preciso. Conseguimos pôr este primeiro espaço só com aquilo que nos foi chegando dos outros municípios, do Brasil e de Cabo Verde”, revelou.
Dos contactos efetuados antes e durante o encontro resultaram já manifestações de interesse na circulação da mostra.
“Já tive contactos de municípios que não estão aqui representados e que gostavam de receber a exposição. Já tive contactos destes municípios a dizer: como é que nós agora agarramos nisto e levamos também para nós? Vamos fazer isto rodar”, adiantou.
Entre as participações que surpreenderam a organização esteve a do município da Madalena, na ilha do Pico, Açores. A autarquia açoriana enviou peças e esteve representada durante os dois dias pela presidente da Câmara Municipal. Para Sónia Abreu, a resposta abriu uma possibilidade de continuidade.
“A disponibilidade foi imediata. Disponibilizaram-se para mandar as peças e, melhor do que isso, a senhora presidente da Câmara Municipal esteve presente nos dois dias da Bienal. Há aqui um envolvimento muito interessante que nós não esperávamos”, assinalou.
Esta profissional considera que a projeção institucional de Castelo Branco poderá também “servir para dar visibilidade a artesãos e territórios que ainda não dispõem do mesmo reconhecimento internacional”.
“Aquilo que nós podemos fazer é disponibilizarmo-nos para fazer parcerias, para os fazer aparecer sempre que estivermos em algum lado e eles nos queiram acompanhar. Isto passa por uma questão de divulgação deste artesanato e da projeção de que estas artesãs precisam. Precisam que se comece a falar delas, que sejam reconhecidas e que o trabalho delas seja valorizado”, sustentou.
Sobre a relação criada com o município da Madalena, Sónia Abreu deixou ainda uma expectativa de continuidade para além da primeira edição.
“Quero acreditar que isto que aconteceu em relação à Madalena é só o início de uma linda história de cooperação institucional”, anteviu.
A presença de Portugal, Brasil e Cabo Verde introduziu ainda no encontro uma dimensão lusófona, assente não apenas na circulação de técnicas e formas de expressão, mas numa língua comum que facilita os contactos entre instituições e criadores.
“É muito bom este relacionamento com estes países irmãos. A língua que nos une é, de facto, aquilo que facilita todo este trabalho e esta comunicação”, sublinhou.
A atuação da Divisão de Museus e Cultura, acrescentou Sónia Abreu, não se limita às artes e ofícios. A estrutura municipal mantém igualmente ações ligadas à literatura, edição, investigação e outras formas de produção cultural.
“Para além do artesanato, temos também esta preocupação com as outras artes, a literatura, a escrita, as performances. Tudo o que envolva outras formas de cultura estará sempre na nossa mira para apoio”, garantiu.
A génese da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” resultou precisamente da intenção de dar maior significado local à classificação atribuída pela UNESCO e explicar à população o que representa pertencer à “Rede de Cidades Criativas”, segundo os seus organizadores.
De acordo com Sónia Abreu, a programação foi construída a partir dessa necessidade de transformar uma chancela internacional num instrumento compreendido e partilhado pela cidade.
“As pessoas na comunidade não sabem, não entendem o que é isto de ser uma “Cidade Criativa da UNESCO”. O foco tinha que ser este. Temos que levar às pessoas a mensagem de uma forma muito clara. O que é ser uma cidade criativa? O que é que isto nos beneficia? O que podemos fazer com isto? A nível do futuro, como podemos projetar a nossa cidade?”, sintetizou.
No final dos dois dias, a responsável destacou ainda o trabalho coletivo que sustentou a organização e que, segundo explicou, esteve na origem da emoção demonstrada durante a sua intervenção pública no encerramento.
“Houve um trabalho enorme, uma equipa incrível que me acompanhou sempre. Eu tenho muita sorte com a equipa que tenho na minha divisão. Sentir que as pessoas estão comigo é muito bom”, concluiu.
Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.
Ígor Lopes
Atualidade
Autarca de Castelo Branco classificou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” como “instrumento de valorização do património e da economia” do município e da região
A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” colocou Castelo Branco no centro de uma reflexão sobre património, artesanato, economia e cooperação entre territórios. Realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, promovido no concelho entre 3 e 6 de setembro. A realização do encontro esteve também associada à condição de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, estatuto atribuído em 2023.
Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, defendeu que a participação na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” ultrapassa a dimensão cultural e deve ser entendida também pelo seu potencial para gerar “atividade económica, oportunidades para os artesãos e projeção internacional do território”.
“As “Cidades Criativas da UNESCO” são uma rede mundial, onde felizmente Castelo Branco está incluído através do artesanato e das artes populares, e tivemos como elemento central na nossa candidatura o Bordado de Castelo Branco”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que reforçou que a dimensão internacional da rede permite criar escala para os produtos e saberes locais.
“Cria oportunidades, cria valor àquilo que é o Bordado e àquilo que é o artesanato local e, portanto, abre uma janela de oportunidade não apenas para o território no qual estamos inseridos, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, disse.
O autarca salientou que a presença de Castelo Branco nesta estrutura internacional implica também compromissos na preservação e transmissão dos saberes. Segundo explicou, o município tem procurado promover o artesanato local, ao mesmo tempo que estabelece contactos com outras cidades que integram a rede da UNESCO.
“Vamos integrando também o conhecimento, a forma de fazer e a forma de estar das outras Cidades Criativas da UNESCO”, referiu.
É neste contexto que Leopoldo Rodrigues enquadra a realização da Bienal Internacional de Artes e Ofícios.
“A Bienal que agora começa é um momento muito importante porque traz outras cidades, traz outros artesanatos e traz também a reflexão que, do nosso ponto de vista, é fundamental sobre este desenvolvimento económico que também é proporcionado pelo artesanato e através das cidades criativas”, sublinhou. A iniciativa, acrescentou, “permite simultaneamente mostrar a produção de Castelo Branco e conhecer métodos, experiências e práticas de outros territórios”.
“Esta Bienal tem para nós um significado muito profundo. Em primeiro lugar, porque se realiza em Castelo Branco. Em segundo lugar, porque é também uma oportunidade para mostrarmos aquilo que é o nosso artesanato nas suas diferentes dimensões. E, por último, porque nos permite acolher outras cidades, outros artesãos e outras artesãs e incorporar o seu conhecimento e também a sua forma de fazer”, atestou à Agência Incomparáveis.
O presidente da Câmara Municipal relacionou ainda a chancela da UNESCO com uma maior responsabilidade dos profissionais ligados ao artesanato. O município tem procurado avançar com processos de certificação através do CEARTE e reforçar instrumentos destinados a preservar a qualidade e a identidade das produções locais. No caso do Bordado de Castelo Branco, a autarquia tem desenvolvido ações de investigação, preservação, formação e promoção, numa estratégia igualmente destacada pela própria UNESCO.
“Pertencer a uma rede internacional, a uma chancela da UNESCO, é de facto um orgulho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que destacou ainda os efeitos já registados no Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco.
“Temos aumentado o número de trabalhos que nos são encomendados”, revelou, considerando que a integração numa estrutura internacional amplia a exposição dos produtos locais.
“Esta é uma rede global e, portanto, é a oportunidade de estar no mundo e de podermos ter também um marketing mundial”, recordou.
“Festival Sabores de Perdição” com formato centrado no território de Castelo Branco
A autarquia confirmou que a edição deste ano apostou exclusivamente em artistas e agentes da região.
“Decidimos fazer os “Sabores de Perdição” porque o festival agrega o território, promove a coesão e é um momento importante de afirmação do concelho de Castelo Branco”, explicou o presidente. Segundo Leopoldo Rodrigues, músicos, atores, agentes de animação e expositores ligados à gastronomia e ao artesanato foram selecionados no concelho e no distrito.
A programação alargada incluiu ainda ações relacionadas com gastronomia, uma rota gastronómica, showcookings e uma etapa do Grande Prémio de Ciclismo JN/TSF no concelho. Paralelamente, Castelo Branco acompanhava a candidatura do “Jardim do Paço Episcopal às Novas 7 Maravilhas de Portugal”, iniciativa que o autarca enquadrou na mesma estratégia de “promoção do património local”.
No balanço sobre a Bienal, Leopoldo Rodrigues apontou ainda para a dimensão internacional das relações criadas a partir da cultura e do artesanato.
“É também a oportunidade de termos pessoas de outros países que queremos receber pelas relações que estabelecemos, pela amizade que já vai existindo entre nós e essas pessoas e essas entidades. É também um momento para reforçar laços”, concluiu.
A realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reforçou, assim, uma estratégia que procura associar a preservação dos saberes tradicionais à “internacionalização, à economia criativa e à cooperação entre cidades”. Em Castelo Branco, o Bordado continua a ocupar uma posição central nesse percurso, enquanto “património transmitido entre gerações” e “elemento de projeção do território nas redes culturais internacionais”.
A organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.
Ígor Lopes
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