Atualidade
PSP assinala 147º Aniversário do Comando Distrital de Viseu
A Polícia de Segurança Pública (PSP) assinala, amanhã, o 147º aniversário do Comando Distrital de Viseu.
A área de responsabilidade territorial do Comando Distrital de Viseu compreende as cidades de Viseu e Lamego. De acordo com os Censos 2021, estas cidades têm 46 697 e 12 073 habitantes, respetivamente, cuja segurança é da responsabilidade da PSP.
A Polícia de Viseu tem vindo a intensificar a sua comunicação externa, nomeadamente com os Órgãos de Comunicação Social (OCS) e, consequentemente, com os cidadãos em geral, sendo que a comunicação de excelência assume um papel primordial no alcance dos objetivos da PSP no que respeita a servir a população. É também dever da PSP informar os cidadãos do vasto serviço público prestado na continuação das várias atividades diárias, com o intuito de lhes poder transmitir um sentimento de segurança, especialmente em relação ao meio onde residem.
Ainda no âmbito da comunicação, o Comando Distrital de Viseu tem dado continuidade ao trabalho criado em setembro de 2022 com a “Coluna PSP”, artigo semanal publicado no Jornal “Diário de Viseu”, cujo objetivo é difundir, junto da população, informação útil e credível, esclarecer dúvidas respeitantes a procedimentos e alertar para questões securitárias e comportamentos de risco. Para além da “Coluna PSP”, existe ainda a estreita colaboração com a revista “Amo Viseu”, desde novembro de 2022, sendo também esta publicação um veículo informativo e de entretenimento.
Relativamente à atividade operacional no ano 2023, o Comando Distrital de Viseu destaca a detenção de 334 cidadãos na sequência de vários ilícitos criminais, nomeadamente:
– 227 detidos por condução sob o efeito do álcool;
– 37 por condução sem habilitação legal;
– 19 por tráfico de estupefacientes;
– Cumprimento de 67 mandados de detenção judiciais.
No âmbito do Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade foram efetuadas 196 ações de sensibilização junto da população idosa e 764 contactos individuais de prevenção criminal. Acresce também referir as 400 ações de informação e sensibilização, realizadas pelas Equipas do Programa Escola Segura, nas 57 escolas existentes em Viseu e Lamego, envolvendo um total de 15 877 alunos.
Em matéria de Investigação Criminal foram iniciados 1914 inquéritos crime, sendo concluídos 1716. Foram constituídos arguidos 560 suspeitos pela prática de vários crimes.
Registaram-se 942 diligências processuais (cartas precatórias), sendo concluídas 913. Foram ainda registados 1114 pedidos de entidades externas (notificações judiciais), dos quais 1027 foram concluídos.
No que concerne à segurança rodoviária foram realizadas 507 operações de fiscalização, tendo sido detetadas 4839 infrações. Dos 15 773 condutores fiscalizados, 4221 foram submetidos a teste de alcoolemia.
No que concerne à competência exclusiva da PSP em matéria de licenciamento e controlo do fabrico, comércio, armazenagem de armas e explosivos, o Comando Distrital de Viseu tem responsabilidade em todos os 24 municípios e 277 freguesias do distrito, num universo bastante alargado de titulares de licença de uso e porte de arma, a maioria de armas de caça, e algumas dezenas de operadores económicos. Através do Núcleo de Armas e Explosivos, a PSP de Viseu realizou 124 ações de fiscalização e 9 de formação, destacando-se, ainda:
– 233 exames periciais (armas e munições);
– 515 armas recebidas a favor do Estado;
– 5515 processos de licenciamento (dos quais 1723 de licenciamento de uso e porte de armas, 206 autorizações de compra de armas, 961 transmissões de armas, 544 pedidos de segundas vias de manifesto, 137 candidatos à frequência de curso de formação técnica e cívica (CFTC) e 21 candidatos à frequência do curso de atualização técnica e cívica (CATC);
– 15 licenças de autorização de compra e emprego de explosivos;
– 37 licenças de autorização de lançamento de artigos de pirotecnia.
Foram, ainda, instaurados 346 processos de contraordenação, sendo 225 por falta de cofre e 121 por motivos diversos relacionados com armas e pirotecnia.
No âmbito das comemorações do aniversário do Comando Distrital de Viseu, a Banda Sinfónica da PSP realizará um Concerto no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, no próximo dia 11 de janeiro. O Concerto será aberto ao público e gratuito, pelo que os interessados deverão proceder ao levantamento dos bilhetes a partir da 20H30 no Teatro Ribeiro Conceição.
Imagem: PSP.
Atualidade
Barcelos: 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica já abriu portas no Parque da Cidade
A 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica foi inaugurada na passada sexta-feira, 31 de julho, no Parque da Cidade, reunindo centenas de visitantes na abertura de um dos mais emblemáticos certames dedicados ao artesanato e à cerâmica em Portugal. Até ao próximo dia 9 de agosto, Barcelos volta a afirmar-se como um território de excelência na valorização dos saberes tradicionais, da criatividade e da identidade cultural, reforçando a sua projeção nacional e internacional enquanto Cidade Criativa da UNESCO no Artesanato e Arte Popular.
A cerimónia de inauguração contou com a presença do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, do Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, do vice-presidente da CCDR-N para a Cultura, Rui Costa, do vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Cancela Moura, do presidente da Assembleia Municipal, Fernando Pereira, do presidente da EMEC, Jorge Cruz, bem como de autarcas, representantes de diversas entidades, artesãos e ceramistas.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal destacou o significado especial desta edição, realizada poucos dias depois da inscrição do Figurado de Barcelos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a quarta distinção nacional atribuída ao património imaterial do concelho. O autarca salientou que este reconhecimento reforça a identidade cultural de Barcelos e constitui um estímulo para continuar a valorizar o trabalho dos artesãos.
“O verdadeiro património não são as peças; são as pessoas que, com as suas mãos e criatividade, moldam o barro e transformam esta mostra numa beleza única e irrepetível.”
Mário Constantino Lopes sublinhou ainda a importância de continuar a apostar na certificação, valorização e internacionalização do artesanato, defendendo que “o artesanato é cultura, mas também economia”, e apelou à transmissão destes saberes às novas gerações, para que Barcelos continue a afirmar-se como uma referência nacional e internacional neste domínio.
Na sua intervenção, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços enalteceu o percurso de Barcelos enquanto marca consolidada e reconhecida, considerando que a Mostra representa a identidade do território.
“Aquilo que hoje nacionais e estrangeiros procuram é viver algo que só é possível naquele território. E tenho a certeza absoluta de que aquilo que vamos viver nesta 43.ª Mostra só é possível aqui, em Barcelos.”
Pedro Machado defendeu igualmente a necessidade de reforçar os processos de certificação e de proteger a autenticidade do artesanato, valorizando economicamente o trabalho dos artesãos e combatendo as imitações que desvirtuam o valor das peças originais.
Também o vice-presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal destacou Barcelos como um exemplo de autenticidade e de valorização da cultura popular, considerando que o artesanato constitui um dos principais fatores de diferenciação do concelho.
“Barcelos é muito mais do que uma cidade. É um território onde a tradição continua a ter futuro.”
Cancela Moura salientou ainda que a distinção de Barcelos como Cidade Criativa da UNESCO reconhece o valor universal do saber-fazer dos seus artesãos e demonstra como a cultura pode gerar desenvolvimento, dinamizar o turismo e afirmar internacionalmente um território.
Ao longo de dez dias, a Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica reúne dezenas de artesãos, ceramistas, associações e produtores, proporcionando aos visitantes a oportunidade de contactar com o trabalho ao vivo dos mestres, participar em 25 workshops dedicados às artes e ofícios tradicionais, assistir a espetáculos de animação, folclore e música, bem como conhecer e saborear os produtos endógenos do concelho.
A edição deste ano conta ainda com a participação de várias Cidades Criativas da UNESCO, portuguesas e estrangeiras, reforçando a dimensão internacional do certame e os laços de cooperação entre territórios que partilham o compromisso com a valorização do artesanato, da cerâmica e das artes tradicionais.
Com entrada gratuita, a 43.ª Mostra Internacional de Artesanato e Cerâmica decorre até ao dia 9 de agosto, afirmando-se, uma vez mais, como um dos maiores acontecimentos culturais e turísticos do concelho e um palco privilegiado para a promoção da identidade, da criatividade e da excelência do artesanato barcelense.
Atualidade
“4º Fliparacatu” reúne autores para “pensar o mundo” sob a inspiração de Guimarães Rosa e Milton Santos
O 4.º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu traz como tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, em uma homenagem aos patronos desta edição, o escritor João Guimarães Rosa, nos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, em seu centenário de nascimento. A curadoria nacional é assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais são conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infantojuvenil fica a cargo de Rafael Nolli. Além dos debates literários e do tradicional Prêmio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realiza uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez. Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival acontece entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
No âmbito de convidados nacionais e internacionais, participam dessa edição Mia Couto, Alê Santos, Alexandre Coimbra Amaral, Bia Bracher, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Cristóvão Tezza, Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Fabiana Carneiro, Geni Núñez, Ítalo Moriconi, Jairo Marques, Jamil Chade, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Marcelino Freire, Míriam Leitão, Mônica Meyer, Natalia Timerman, Nina Santos, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Paulliny Tort, Renato Nogueira, Ricardo Ramos Filho, Rita von Hunty, Sandra Menezes, Sérgio Abranches e Taiane Santi Martins. Entre os autores regionais estão Alexandre de Oliveira Gama, Ana Carolina Campos de Carvalho, Benedita dos Reis Soares Costa, Daniela Prado, Edina Sueli das Dores, Eleusa Spagnuolo, Helen Ulhôa Pimentel, Isaias Nery Ferreira, José Ivan Lopes, Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio, Murilo Caldas, Nágela Caldas, Raik, Silvano Avelar, Tarzan Leão, Telma Borges, Terezinha de Jesus Santana Guimarães e Vandeir José da Silva. Vindos da literatura, do jornalismo, da filosofia, da educação, das artes e das ciências humanas, eles formam um painel diverso de vozes e experiências. Programação completa em atualização no site www.fliparacatu.com.br
A programação reafirma uma característica dos festivais realizados pela Associação Cultural Sempre um Papo – Fliaraxá, Flitabira e Flipetrópolis, além do próprio projeto Sempre um Papo, que completa 40 anos em 2026 -, que é a busca pelo equilíbrio entre homens e mulheres, a presença significativa de autores negros e indígenas e o diálogo entre diferentes gerações, áreas do conhecimento e perspectivas. A diversidade de vozes é uma escolha curatorial que amplia a conversa e enriquece a experiência dos leitores.
Os patronos Guimarães Rosa e Milton Santos
A escolha de Guimarães Rosa e Milton Santos revela o espírito desta edição. Rosa fez do sertão um território de linguagem e reflexão sobre a condição humana. Milton Santos revolucionou a geografia ao mostrar como o espaço, as cidades e as desigualdades moldam a vida contemporânea. Setenta anos depois da publicação de Grande Sertão: Veredas e cem anos após o nascimento do geógrafo baiano, suas obras permanecem atuais e continuam oferecendo instrumentos para pensar um mundo em transformação.
Lançamento de livro
O Fliparacatu abre espaço para autores que vão além da leitura e se dedicam também à escrita, garantindo a presença de livros publicados em uma área dedicada a autógrafos, e integrada à programação oficial do festival. A iniciativa contempla, especialmente, os escritores e escritoras que publicam de forma independente, muitas vezes responsáveis por todo o processo de edição de suas obras. Ainda assim, o espaço também é aberto a títulos publicados por editoras tradicionais.O registro é gratuito, mediante a doação de dois exemplares do livro lançado para a equipe organizadora do evento, que os repassará para a biblioteca da cidade, a Biblioteca Municipal René Lepesqueur.
As inscrições podem ser feitas no formulário oficial disponível neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfJhsmEpHoUZSh3ecy4irZSA1ZUun2mdqyUL_-JrvlnM-ClUA/viewform
Prêmio de Redação e Desenho
O tradicional Prêmio de Redação e Desenho integra a programação do Fliparacatu 2026 e mobiliza estudantes da rede pública e privada de Paracatu em atividades de criação literária e artística, a partir do tema “Meu lugar no Mundo”, em consonância com a abordagem proposta pelo festival.
A iniciativa contempla alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, distribuídos em categorias específicas de desenho e redação, organizadas por faixa etária, incluindo também estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e modalidades equivalentes de ensino.
Os trabalhos são desenvolvidos no ambiente escolar, com orientação dos professores, e passam por uma seleção interna realizada pelas próprias instituições de ensino antes do envio ao festival. As produções selecionadas são avaliadas por uma comissão julgadora definida pela organização do Fliparacatu.Os vencedores recebem premiação em dinheiro, no valor de R$1.000,00 para o primeiro lugar, R$500,00 para o segundo e R$300,00 para o terceiro. Os professores dos estudantes premiados também são contemplados com livros selecionados pela organização do festival.
Cada escola poderá encaminhar produções selecionadas internamente, com limite de envio por categoria. As redações e desenhos deverão ser produzidos em sala de aula, com acompanhamento do professor, em folha-padrão disponibilizada pelo festival e enviados ao endereço eletrônico redacao@fliparacatu.com.br
Guignard e a Paisagem de Minas
Em 2026, quando se comemoram os 130 anos de nascimento de Alberto da Veiga Guignard, o Fliparacatu realiza uma exposição com 24 reproduções de obras do artista, sob a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez, instaladas ao ar livre no Centro Histórico de Paracatu.Reconhecido como um dos maiores pintores brasileiros do século XX, Guignard transformou a paisagem de Minas Gerais em um dos temas centrais de sua produção artística. Suas montanhas, igrejas, casarios, jardins, céus e horizontes revelam um olhar singular sobre o território mineiro, aproximando natureza, patrimônio histórico e imaginação poética.
A escolha de Paracatu para receber a mostra estabelece um diálogo natural com a obra do artista. Assim como Ouro Preto, Sabará, Diamantina e outras cidades históricas retratadas por Guignard, Paracatu preserva um dos mais importantes conjuntos urbanos coloniais de Minas Gerais, integrado à paisagem do cerrado. Nas telas do pintor e nas ruas da cidade, arquitetura, natureza e memória formam uma mesma paisagem cultural.
A exposição dialoga diretamente com o tema do 4º Fliparacatu — “O Sertão em Nós – Meu Lugar no Mundo”. Em Guimarães Rosa, o sertão é linguagem, travessia e experiência humana. Em Guignard, Minas torna-se paisagem sensível, espaço de contemplação e identidade. Ambos ajudam a compreender o território como parte da formação cultural e afetiva dos brasileiros.
Ao reunir literatura e artes visuais, o Fliparacatu amplia a experiência do público e reafirma uma característica presente desde sua criação fazer da cidade um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas. Em edições anteriores, o festival apresentou exposições dedicadas ao Projeto Portinari, à fotógrafa Vânia Toledo, ao Museu do Oratório e à série Muros Invisíveis, incorporando a fotografia, o patrimônio histórico e as artes visuais à programação literária.
História do Festival
Realizado pela Associação Cultura Sempre um Papo, o Fliparacatu chega à sua quarta edição consolidado como um dos principais festivais literários do país. Desde sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) consolidou-se como um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro. O festival teve início guiado pelo tema “Arte, Literatura e Ancestralidade”, trazendo o escritor local Afonso Arinos como patrono e celebrando as vozes de Conceição Evaristo e Mia Couto como autores homenageados. Em 2024, a segunda edição expandiu os debates sob o lema “Amor, Literatura e Diversidade”, mantendo Arinos na patronagem e prestando homenagens ao líder indígena Ailton Krenak e ao poeta Lucas Guimaraens. Já em 2025, a terceira edição mergulhou na complexidade contemporânea com o tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização”, elegendo como patrono o fundador do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade, e reverenciando a força literária de Ana Maria Gonçalves e do escritor português Valter Hugo Mãe. Dando continuidade a essa sólida trajetória de valorização da memória e da pluralidade, a quarta edição do festival se desenvolve sob o tema “SerTão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, trazendo como patronos dois dos maiores intelectuais da história do país: o escritor João Guimarães Rosa, em celebração aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
Ígor Lopes
Atualidade
Viana do Castelo: Cantor popular Augusto Canário entrega quadro comemorativo dos 10 anos dos “Amigos de Bois d’Arcy” à “Fundação Santoinho”
A “Fundação Santoinho”, com em Darque, Viana do Castelo, na região do Alto Minho, Portugal, recebeu um quadro comemorativo dos 10 anos da “Associação Amigos de Bois d’Arcy”, entregue recentemente pelo cantor de música popular portuguesa Augusto Canário, distinguindo o trabalho desenvolvido pela comunidade portuguesa daquela localidade francesa na preservação e promoção das tradições minhotas através da recriação anual do “Arraial Minhoto” inspirado no Santoinho.
A peça passará a integrar a Sala das Comunidades da Fundação Santoinho, espaço dedicado às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo que mantêm vivas as tradições populares do Alto Minho, constituindo um reconhecimento pelo percurso desenvolvido pelos “Amigos de Bois d’Arcy” ao longo da última década.
Fundada há dez anos, a associação organiza anualmente, nos arredores de Paris, um “Arraial Minhoto” inspirado na festa original de Santoinho, recriando com autenticidade elementos emblemáticos da romaria, desde a decoração com balões, arcos, corações e copos tradicionais até às quadras populares criadas por António Cunha, fundador do Santoinho.
A comemoração do décimo aniversário reuniu cerca de 500 participantes e contou com a atuação de “Augusto Canário e Amigos”, num ambiente marcado pela gastronomia, música tradicional, folclore e pelos costumes característicos do Minho, reafirmando o papel da comunidade portuguesa na divulgação da identidade cultural portuguesa em França.
Segundo Valdemar Cunha, responsável pela Fundação Santoinho e filho de António Cunha, a ligação entre Darque e Bois d’Arcy tem sido construída ao longo dos anos através de um intercâmbio permanente.
Em declarações à Agência Incomparáveis, explicou que dirigentes da associação francesa visitam regularmente Santoinho para aprofundar o conhecimento sobre a tradição original e garantir a autenticidade das celebrações realizadas em França.
“Existe permanente contacto com a Casa Mãe para melhorar e acompanhar as ações na defesa dos valores que a Fundação Santoinho defende”, explicou Valdemar Cunha, que acrescentou que esse intercâmbio “vai muito além da partilha institucional, traduzindo-se também na cedência de diversos elementos tradicionais utilizados na recriação da romaria”.
“O intercâmbio é permanente e levam os arcos, os copos e os gigantones oferecidos na partilha do interesse comum, que é marcar a tradição, a festa e a romaria”, disse.
Para este responsável, a força da marca Santoinho continua a residir precisamente na capacidade de unir comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo em torno das suas raízes.
“A marca Santoinho é muito poderosa. A evocação dos usos e dos costumes da identidade cultural minhota alimenta, em redor da mesa, os laços da amizade e da solidariedade, enquanto abraça e une a comunidade em ambiente de festa e de alegria de Santoinho”, referiu, acrescentando que o trabalho representa a continuidade do legado deixado pelo fundador.
A entrega do quadro assume igualmente um significado especial por decorrer no ano em que se assinalam os 100 anos do nascimento de António Cunha, personalidade considerada uma referência na promoção turística portuguesa e distinguida, em 1975, com a “Medalha de Mérito Turístico” atribuída pelo então ministro do Turismo, pelos relevantes serviços prestados ao turismo nacional.
Valdemar Cunha considera que essa efeméride constitui também uma oportunidade para recordar a dimensão internacional do trabalho desenvolvido pelo pai e criticou o facto desse reconhecimento não ter a mesma expressão na sua terra natal.
“Tenho que o dizer com muita mágoa. Viana não reconhece. Chama-se ingratidão”, lamentou.
Ainda assim, sublinha que são precisamente as comunidades portuguesas no estrangeiro que continuam a manter vivo esse legado.
Atualmente, a tradição inspirada em Santoinho encontra-se presente em várias comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, incluindo iniciativas promovidas por Casas do Minho no Brasil, França, Suíça, Canadá, entre outros países, demonstrando como o legado criado por António Cunha continua a unir gerações de portugueses através da cultura, da gastronomia e das tradições populares do Alto Minho.
Ígor Lopes
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