Connect with us

Atualidade

Prémio António Sérgio 2021 distingue seis projetos vencedores

Um por cada categoria

Publicado

on

O Prémio António Sérgio 2021 distinguiu seis projetos vencedores, um por cada categoria – Inovação e Sustentabilidade, Estudos e Investigação, Estudos e Investigação na Lusofonia, Formação Pós-Graduada, Trabalhos de Âmbito Escola e Trabalhos Jornalísticas – atribuindo também quatro menções honrosas e reconhecendo as Personalidades do Ano da Economia Social: Rogério Cação (Carreira) e Joana Moreira (Capacidade Empreendedora).

A Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) divulgou os vencedores do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2021.

O Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio, criado pela CASES em 2012, destina-se a homenagear as pessoas singulares e coletivas que, em cada ano, mais se tenham distinguido em domínio relevantes para a Economia Social, contando com seis categorias e um Prémio de Honra.

Categoria Inovação e Sustentabilidade

Vencedor

Crescer na Maior – Associação de Intervenção Comunitária – É UM RESTAURANTE

Criado em 2019 É UM RESTAURANTE é um projeto cujo objetivo é promover a integração no mercado de trabalho das pessoas que se encontram em situação de sem abrigo na cidade de Lisboa, visando melhorar as suas condições de vida, reduzindo as assimetrias sociais e tomando parte decisiva na sua inclusão. Um projeto com forte impacto social que dá ainda resposta a uma demanda cada vez maior no setor da restauração na cidade de Lisboa.

Menção honrosa

Santa Casa da Misericórdia de Melgaço – Lado a Lado

O projeto Lado a Lado pretende melhorar a qualidade de vida da população depois dos 65 anos e promover/valorizar o ageing in place, através do acompanhamento por parte de uma equipa técnica multidisciplinar aos idosos e seus familiares, no seu próprio domicílio, com o intuito de prolongar o máximo de tempo possível a estadia das pessoas nas suas próprias casas, através da redução do risco de ocorrências de intrusão e de insegurança pessoal; aumento de medidas corretivas, usando um sistema de monitorização de sinais vitais de saúde e aumento de prestação de serviços preventivos e corretivos de saúde física e psicológica, através da prestação dos serviços de apoio psicossocial e de teleassistência com localização SOS.

Categoria de Estudos e Investigação

Vencedora

Cláudia Sofia Marques Cordeiro – Inovação e Governança para a Sustentabilidade das Organizações de Economia Social: educação de jovens empreendedores e dirigentes de projetos sociais – Mestrado em Gestão De Organizações de Economia Social – Instituto Politécnico de Santarém

O Estudo vencedor procurou saber qual o impacto de um projeto de empreendedorismo social numa escola pública, através do caso concreto do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação. Teve como objetivos: Contribuir para a formação de jovens alunos portugueses, através da estimulação das suas capacidades, dos seus talentos, aplicando como competência estratégica o empreendedorismo social; Sensibilizar a comunidade escolar (alunos e professores) para as valências da Economia Social; Medir o impacto da implementação do mesmo nas expetativas e aceções destes agentes antes, durante e depois do projeto.

Este projeto envolveu 5 turmas (duas do 7º ano e três do 8º) na hora destinada à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. A avaliação do impacto da intervenção foi feita através de três questionários e seis entrevistas.

Menção honrosa

Luís Jacob – Universidades Seniores Portuguesas: Caracterização e Desenvolvimento – Tese de doutoramento internacional – Universidade de Salamanca

O objetivo do Estudo foi conhecer o desenvolvimento e fazer a caracterização das Universidades Sénior em Portugal e do impacto que têm sobre os seus frequentadores, com recurso a fontes de informação primárias, a teses académicas e a quatro inquéritos criados para este propósito com um total de 2.074 respostas. Os inquéritos incidiram sobre os alunos seniores, os professores voluntários, as entidades promotoras das Universidades Seniores e especialistas em educação ao longo da vida. Apresenta sugestões para futuras investigações: “estudar mais profundamente a relação entre os alunos seniores e o consumo de medicação antidepressiva; analisar e caracterizar os dirigentes e coordenadores das Universidade Seniores; descobrir como cativar mais homens; realizar um estudo longitudinal que avalie o aluno antes de entrar na US e após algum tempo de a frequentar, e estudar mais pormenorizadamente o método pedagógico mais adequada para os mais velhos.”

Categoria de Estudos e Investigação na Lusofonia

Vencedores

Ana Martha Bülow e Leonardo Custodio Machado – Potencial de bancarização do cooperativismo de crédito nos municípios brasileiros desassistidos pelo SFN

O Estudo pretendeu investigar o potencial de bancarização do cooperativismo de crédito brasileiro nos municípios que não possuem nenhuma agência, posto de atendimento ou posto de atendimento eletrónico, bem como mensurar a população desassistida nestes locais e o perfil socioeconómico desta população. Teve como objetivos: quantificar os indivíduos e municípios brasileiros que não possuem acesso ao crédito e serviços financeiros; traçar o perfil socioeconómico desta população e avaliar o potencial de bancarização das cooperativas de crédito nesses locais. O Estudo baseou-se nos dados recolhidos do Banco Central do Brasil (Bacen), na utilização das estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2019 e indicadores sociais disponibilizados pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil; e estabeleceu correlação com os 202 municípios destacados no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. A identificação de 392 municípios sem acesso ao crédito e serviços bancários permite às cooperativas de crédito brasileiras colocarem-se como agentes potenciais de bancarização e atendimento às necessidades das pessoas que residem nesses locais, na medida em que atuam como instrumento de inclusão financeira e social.

Categoria Formação Pós-Graduada

Vencedor

Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) – Instituto Politécnico do Porto – Mestrado em gestão e regime jurídico-empresarial da economia social

O curso tem como objetivo geral, através de uma abordagem inovadora e multidisciplinar de gestão, jurídica, contabilística, económica, de aplicação de novas tecnologias e de marketing, proporcionar uma formação integrada e especializada para o exercício de uma atividade profissional no setor da Economia Social, contribuindo para a profissionalização da gestão, a transparência na governação, o funcionamento em rede e uma eficiente comunicação interna e externa. Pretende-se, igualmente, que os mestrandos contactem, através da frequência do Mestrado, com um conjunto diversificado de projetos, entidades, e de redes nacionais e internacionais no âmbito da economia social.

Categoria Trabalhos de Âmbito Escolar

Vencedor

Agrupamento de Escolas de Aver-o-Mar – Projeto Aver-O-Mundo

Este projeto tem como objetivo a maior inclusão social dos alunos Nacionais de Países Terceiros (NPT) e suas famílias, com reflexos ao nível da melhoria do sucesso escolar. Contou com a participação de 700 pessoas, desde pais, alunos, pessoal docente, não docente e comunidade envolvente. Teve como ações: a) Capacitação da Comunidade Educativa sobre interculturalidade: plano de capacitação para a comunidade educativa; não-docentes; docentes; encarregados de educação/ pais; alunos; b) Adequar para Integrar: adequação do Agrupamento ao princípio da interculturalidade, c) Elos: criação de parcerias com organizações locais que contribuam para uma capacitação adequada da comunidade educativa e um melhor acolhimento e integração dos alunos NPTs; d) Colaboração em Rede: desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre as organizações educativas que integram a REEI e outras que promovam as atividades de educação intercultural.

Categoria Trabalhos Jornalísticos

Vencedora

Cecília Malheiro – COVID-19: Centro de Apoio ao Sem-abrigo do Porto triplica refeições entregues semanalmente – Lusa

O trabalho, desenvolvido em formato imprensa, relata como A CASA – Centro de Apoio aos Sem-Abrigo do Porto foi um das poucas da cidade do Porto a continuar a trabalhar em tempos de pandemia e em estado de emergência, mesmo com menos voluntários. O trabalho mostra que há muitos voluntários que continuaram a trabalhar mesmo com medo do novo coronavírus, porque a crise fez disparar os pedidos de ajuda para comer devido à crise económica local, nacional e mundial que se instalou com a pandemia.

Menções Honrosas

Sara Moreira, Catarina Leal, Filipe Nunes – Pandemia Solidária – jornal Mapa

Em resposta à crise sanitária, económica e social trazida pela COVID-19, surgiu um “surto de apoio mútuo” de Norte a Sul do país. Entre abril e maio de 2020, o Jornal Mapa entrevistou um conjunto de associações, cooperativas e coletivos informais que deram corpo e voz à série

PANDEMIA SOLIDÁRIA. Cantinas autogeridas, redes de distribuição de alimentos e bens essenciais e apoio a pessoas e animais vulneráveis são algumas das iniciativas que vão bem além da assistência e caridade e que demonstram a concretização da solidariedade na prática.

Num contexto em que as medidas de confinamento levaram à redução drástica do apoio garantido por entidades formais da Economia Social, importou identificar iniciativas que, com diferentes meios e recursos, implementaram redes de apoio com impacto significativo, e com a rapidez e agilidade que não foram possíveis em contextos institucionais. Assim, nesta série, julgam os autores ver expandida a noção de Economia Social para um conjunto de práticas que se verificam em diferentes esferas sociais e de acordo com diferentes modelos organizacionais.

O planeamento da PANDEMIA SOLIDÁRIA envolveu um processo colaborativo entre jornalistas/colaboradores de diversas partes do país para discutir e montar um guião comum de entrevista, a ser aplicado em cada um dos casos retratados em diferentes regiões.

Nuno Guedes – O diário da nossa pandemia – TSF

A reportagem, formato de rádio, retrata a adaptação à pandemia do Projeto Teatro de Identidades, uma iniciativa que até aí se realizava em centros de dia de várias instituições sociais e que é promovida por uma parceria entre a Câmara Municipal da Amadora, a Escola Superior de Teatro e Cinema e a Associação de Amigos da Escola Superior Teatro e Cinema. Um trabalho que tenta, em paralelo, perceber os medos, as angústias e o dia a dia de quem, de repente, teve mesmo, pela idade, de ficar fechado em casa, numa reportagem toda feita por telefone. O Trabalho aborda uma realidade que não é apenas da Economia Social, pois o projeto retratado desenvolvia-se, antes da pandemia, no terreno, em diversos centros de dia de várias instituições sociais, resultando de uma parceria entre uma autarquia, uma instituição de ensino superior e uma associação.

Prémio de Honra Personalidade da Economia Social 2020

Honra à Carreira

Vencedor

Rogério Cação (a título póstumo) – nomeado por CONFECOOP

Nota biográfica: Rogério Manuel Dias Cação nasceu em Peniche, no dia 14 de fevereiro de 1956. Frequentou o Curso de Estudos Superiores Especializados em Supervisão Pedagógica e Gestão de Formação, na Escola Superior de Educação de Lisboa, fez a parte curricular do Mestrado em Antropologia. Como docente e em regime de destacamento, em 1988 iniciou a função de Professor de Educação Especial na CERCIPENICHE, com sede em Peniche, tendo-se mantido nesta função até 2013. Até ao seu último ato público desempenhou o cargo de Vice-presidente da Direção e Diretor-executivo da FENACERCI, Presidente da Direção da CERCIPENICHE e Presidente da Direção da CONFECOOP, Presidente da Direção da ADEPE. Participou em múltiplas iniciativas, grupos de trabalho e entrevistas nos domínios da Ética e Deontologia, Educação

Especial, Escola Inclusiva e Transição para a Vida Adulta, Formação e Emprego das Pessoas com Deficiência, bem como na área da Economia Social, tendo sido agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito em 2010. Foi ainda Vice-Presidente da Confederação Portuguesa da Economia Social; Presidente da mesa da assembleia da ACOMPANHA – Cooperativa de Solidariedade Social; Vereador na Câmara Municipal de Peniche; Membro do Conselho Económico e Social; Comendador da Ordem do Mérito. O seu último ato publico foi a assinatura do Compromisso de Cooperação – Protocolo para o Biénio 2021-2022, assinado na véspera do seu falecimento, contribuindo para a estabilidade e sustentabilidades das organizações do setor social e solidário.

Honra à Capacidade Empreendedora

Vencedora

Joana Moreira – nomeada pela Associação Juvenil Transformers

Nota biográfica: Joana Moreira tem 31 anos e desde 2006 que iniciou um caminho de voluntariado que a levou a vários lugares, potenciando diferentes comunidades e promovendo a cidadania em cada um desses sítios. De bairros sociais a prisões juvenis, a Joana promoveu atividades de música, pintura e consciência social. Mais tarde foi também voluntária em centros de apoio à deficiência, no Grupo de Ação Social do Porto e dedicou muitas horas ao apoio ao estudo em IPSS. Em 2008 concluiu com sucesso o Mestrado Integrado em Psicologia Clínica e da Saúde, ingressando, em 2013, no Movimento Transformers, organização que lidera desde então e que a levou a fazer formação executiva em Empreendedorismo Social. Em 2015 envolveu-se numa missão de voluntariado internacional em São Tomé e Príncipe. Durante 3 meses trabalhou com mais de 150 crianças e jovens no sentido de perceber os seus talentos e de os capacitar para resolverem problemas da comunidade. É também formadora do IES – Social Business School, onde foi também Diretora de Programas e Gestora de Projeto, potenciando muitos negócios de impacto. É especialista da IRIS – Incubadora Regional de Inovação Social, onde dá apoio a startups de impacto, associações em crescimento e pessoas que querem mudar de carreira. Foi mentora da Portuguese Women in Tech, uma comunidade de mulheres líderes na tecnologia, gestora de projeto na Vintage for a Cause, um projeto focado na promoção e desenvolvimento da economia circular e do envelhecimento ativo. É também cofundadora da Associação MAD Panda, uma plataforma de apoio às associações focadas na causa animal que já evitou mais de 8 toneladas de desperdício alimentar, canalizando-o para as associações com necessidades. No início de 2021, a Comissão Europeia elegeu a Joana como uma das 100 melhores empreendedoras sociais da Europa.

A Cerimónia Pública de entrega do Prémio terá lugar no primeiro trimestre de 2022, em formato e data ainda a definir.

António Sérgio de Sousa (1883-1969)

António Sérgio nasceu em Damão, em 1883. Foi escritor, pensador e pedagogo, com vasta obra publicada que se estende da teoria do conhecimento à filosofia política e de educação.

Afirmou-se na área da Educação com obras e pensamento originais, tendo dirigido publicações periódicas e fundado o movimento Renascença Portuguesa, precursor da reforma do ensino a seguir à Proclamação da República.

Os seus escritos, nas mais diversas áreas, revelam uma filosofia com profundas implicações humanas e sociais. Defendeu a doutrina democrática a nível de organização política, uma conceção da pedagogia que valorize a criança e o jovem como seres criativos, e foi um dos principais ideólogos do cooperativismo em Portugal.

Exilou-se em Paris após a subida ao poder de António Oliveira Salazar. Das suas obras destacam-se Educação Cívica (1915) e oito volumes de Ensaios (1920-1958). Morreu em Lisboa, em 1969.

Imagem: CASES.

Atualidade

Cultura digital pode “comprometer” a criatividade antes de “provocar” mudanças genéticas, diz neurocientista

Publicado

on

Segundo o neurocientista português Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, a cultura digital pode reduzir o uso de capacidades cognitivas que favoreceram a evolução humana, como a criatividade e a concentração prolongada. Essa redução pode ocorrer antes que qualquer alteração genética aconteça.

De acordo com o especialista, o cérebro humano evoluiu em um ambiente de escassez de estímulos, mas hoje enfrenta notificações constantes, excesso de informações e mudanças frequentes de atenção. Para ele, essa diferença impõe uma carga elevada ao córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e controle executivo.

O pesquisador afirma que plataformas digitais também estimulam continuamente o sistema de recompensa do cérebro, favorecendo a fadiga mental, a dificuldade de manter a atenção e a procrastinação. Na sua visão, tarefas inacabadas permanecem ativas na memória e aumentam a sensação de sobrecarga, enquanto o stress prolongado pode elevar os níveis de cortisol e prejudicar o desempenho cognitivo.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues ressalta que não há evidências de que o ambiente digital provoque mudanças genéticas na espécie humana. A adaptação observada, afirma, ocorre por meio da neuroplasticidade, processo pelo qual os circuitos neurais se reorganizam em resposta às experiências.

“O principal desafio é preservar a capacidade de reflexão profunda em um contexto marcado pela abundância de informações e pela rápida evolução tecnológica. O potencial cognitivo humano permanece, mas o seu desenvolvimento depende de como o cérebro é exercitado no cotidiano”, finalizou Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues.

Ígor Lopes

Continuar a ler

Atualidade

“Millennium Estoril Open 2026” regressou ao circuito ATP com vitória do francês Luca Van Assche

Publicado

on

O “Millennium Estoril Open 2026” decorreu entre os dias 18 e 26 de julho, no Clube de Ténis do Estoril, em Cascais, a oeste de Lisboa, assinalando o regresso da competição ao circuito “ATP Tour” na categoria “ATP 250”, depois de, na edição anterior, ter integrado o circuito “Challenger”. O francês Luca Van Assche conquistou o primeiro título ATP da carreira ao derrotar o belga Alexander Blockx na final, encerrando uma edição marcada pela elevada competitividade, pela forte presença de tenistas portugueses e pela projeção internacional do evento.

O torneio arrancou com a fase de qualificação, nos dias 18 e 19 de julho, reunindo dezenas de atletas em busca de um lugar no quadro principal. A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, acompanhado pelo executivo municipal, assinalando o início de uma competição que voltou a colocar o concelho no centro do calendário internacional do ténis.

Apesar das desistências de última hora de jogadores como Casper Ruud (Noruega), Alejandro Davidovich Fokina (Espanha) e Matteo Arnaldi (Itália), a prova apresentou um quadro competitivo de elevado nível, liderado pelo russo Andrey Rublev, primeiro cabeça de série, pelo italiano Luciano Darderi, pelo chileno Alejandro Tabilo e pelo belga Alexander Blockx.
Um dos momentos mais aguardados da semana foi também o regresso do suíço Stan Wawrinka ao Estoril, integrado na digressão de despedida do antigo vencedor de três torneios do Grand Slam.

A edição de 2026 ficou igualmente marcada pela maior representação portuguesa de sempre num torneio ATP realizado em território nacional. Nuno Borges, Jaime Faria, Henrique Rocha, Frederico Ferreira Silva, Tiago Pereira e Tiago Torres integraram o quadro principal, beneficiando, de igual modo, da reorganização dos wild cards após as entradas diretas de alguns jogadores.

Entre os portugueses, Tiago Torres e Jaime Faria protagonizaram as melhores campanhas da edição, ambos alcançando os quartos de final. Torres assinou um dos resultados mais marcantes do torneio ao eliminar o chileno Alejandro Tabilo, terceiro cabeça de série e um dos principais favoritos à conquista do título, antes de ser afastado pelo francês Hugo Gaston nos quartos de final.

Já Jaime Faria venceu o peruano Gonzalo Bueno e o neerlandês Botic van de Zandschulp, alcançando também os quartos de final, onde acabou eliminado pelo italiano Luciano Darderi, num encontro decidido em três sets.

Nuno Borges, principal representante nacional no quadro principal, iniciou a participação com uma vitória sobre o brasileiro Orlando Luz, acabando, contudo, por ser eliminado na segunda ronda pelo argentino Román Andrés Burruchaga, num encontro disputado em três sets.
Henrique Rocha e Frederico Ferreira Silva despediram-se na ronda inaugural. Rocha foi afastado pelo espanhol Pedro Martínez, enquanto Ferreira Silva discutiu a passagem à segunda ronda até ao terceiro set frente ao francês Luca Van Assche, que acabaria por conquistar o título do torneio.

Na fase de qualificação, Tiago Pereira foi o português que mais longe chegou, alcançando o quadro principal do torneio, onde acabou derrotado por Gonzalo Bueno. João Domingues, João Silva, Gonçalo Castro e Francisco Rocha não conseguiram ultrapassar a primeira ronda do qualifying.

Luca Van Assche conquistou no Estoril o primeiro título ATP da carreira

Ao longo da semana, Luca Van Assche construiu uma campanha de grande consistência. Depois de ultrapassar Frederico Ferreira Silva, Pablo Carreño Busta, Andrey Rublev e Hugo Gaston, o jovem francês confirmou o excelente momento de forma ao vencer Alexander Blockx na final (6-4, 4-6 e 7-5), conquistando o primeiro título ATP da carreira, depois de já ter somado vários triunfos no circuito Challenger em Portugal (Maia Challenger), França e Itália.
Natural da Bélgica, mas radicado em França desde criança, Van Assche, então 78.º classificado do ranking ATP, confirmou no Estoril a recuperação competitiva iniciada durante a temporada de 2026, após as vitórias nos Challengers de Quimper e Lille.

Com um prémio monetário global de 651.865 euros e 250 pontos ATP atribuídos ao vencedor, o “Millennium Estoril Open” contou com transmissão através de várias plataformas internacionais, incluindo Tennis TV, Eurosport, HBO Max, TVI Player, CNN Portugal e V+, permitindo ampliar a visibilidade do torneio junto do público internacional.

De igual modo, ao regressar ao calendário “ATP Tour”, o “Millennium Estoril Open” reforçou novamente a posição de Portugal no circuito profissional de ténis, em particular na temporada europeia de terra batida, conciliando competição de alto nível, forte participação nacional e projeção internacional de Cascais como destino privilegiado para grandes eventos desportivos.

Ígor Lopes

Continuar a ler

Atualidade

Castelo Branco: “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” promete afirmar artesanato, património e inovação como “motores de desenvolvimento económico e cultural” do município português

Publicado

on

A cidade de Castelo Branco, na região Centro de Portugal, acolhe, nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), a primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, e integrada na programação do “Festival Sabores de Perdição”, que decorrerá entre 3 e 6 de setembro.

A Bienal nasce na sequência da inclusão de Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, distinção atribuída em 31 de outubro de 2023, na categoria “Artesanato e Artes Populares”, reconhecimento internacional alcançado graças ao “valor patrimonial, artístico e identitário” do “Bordado de Castelo Branco”, uma das manifestações mais emblemáticas da cultura portuguesa e elemento central da identidade albicastrense.

Ao longo de dois dias, especialistas nacionais e internacionais, investigadores, artesãos, representantes institucionais, organismos públicos, instituições de ensino superior e cidades pertencentes à “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” discutirão políticas públicas, inovação, empreendedorismo, internacionalização, cooperação entre territórios, preservação dos saberes tradicionais, renovação geracional e o papel das artes e dos ofícios enquanto “instrumentos de desenvolvimento económico, turístico e cultural”.

Além dos debates e conferências, a programação integrará visitas ao Museu dos Têxteis, ao Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, a exposição “O Mundo Bordado à Mão” e iniciativas de demonstração artesanal ao vivo.

Uma Bienal que “consolida a estratégia de crescimento internacional” de Castelo Branco

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, considera que a Bienal representa a evolução natural da estratégia que o município tem vindo a desenvolver desde que passou a integrar a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”.

“A ‘Bienal de Artes e Ofícios’ vem na linha de continuidade do desenvolvimento desta participação do município de Castelo Branco na ‘Rede das Cidades Criativas’. Temos uma programação que está alocada a esta chancela e, dentro dessa programação, está também o desenvolvimento desta ‘Bienal Internacional de Artes e Ofícios’”, referiu esta responsável, que aproveitou para recordar que o município já promoveu anteriormente outras iniciativas internacionais associadas à distinção da UNESCO.

“Já se fizeram outras atividades, nomeadamente o ‘Encontro Internacional de Cidades Criativas e Desenvolvimento Sustentável’, o ‘Fórum Ibero-Americano das Cidades Criativas’ e, agora, este foi o desenvolvimento natural das atividades que estão muito ligadas às cidades criativas”, sustentou.

Na sua perspetiva, mais do que organizar um congresso especializado, o objetivo consiste em “criar um espaço permanente de diálogo entre cidades, instituições e especialistas”, promovendo a “circulação de conhecimento e a partilha de experiências”.

“A ideia aqui é sobretudo partilhar experiências, divulgar boas práticas e ligar todas as cidades do país que estão também associadas às Cidades Criativas”, frisou, realçando que, apesar de Castelo Branco integrar a categoria de “Artesanato e Artes Populares”, a organização optou por envolver também cidades pertencentes a outras categorias da Rede UNESCO, assinalando tratar-se de um “valor acrescentado” para o certame.

Castelo Branco quer transformar distinção da UNESCO numa “ferramenta de desenvolvimento económico”

Ao longo da entrevista, Sónia Abreu defendeu que a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO na categoria Artesanato e Artes Populares” representa muito mais do que um reconhecimento internacional. Para Sónia, esta distinção deve funcionar como um “instrumento de desenvolvimento económico, turístico e cultural, envolvendo toda a comunidade e reforçando o posicionamento do concelho no panorama internacional”.

De acordo com Sónia, um dos maiores desafios passa precisamente por “fazer compreender à população o verdadeiro significado da chancela atribuída pela UNESCO e o potencial que esta encerra para o território”.

“É uma questão que eu tenho refletido muito sobre e tenho conversado com o presidente da Câmara, porque é ele quem tem o pelouro da Cultura e das Cidades Criativas. O facto de termos esta chancela é muito mais do que só dizer ‘somos uma cidade criativa’. É muito mais do que isso. Penso que deveríamos aproveitar este legado, esta chancela que tem muito peso e é tão importante para chamar todos”, acrescentou.

A chefe de divisão de Museus e Cultura admite que continua a existir um trabalho de sensibilização junto da população, para que os albicastrenses “compreendam que esta distinção internacional não constitui apenas um selo institucional, mas uma oportunidade concreta de projeção económica, cultural e turística”.

“É uma chancela que nos pode projetar”, refletiu.

“Bordado de Castelo Branco” deve afirmar-se no “segmento do luxo”

Durante a entrevista, visitamos as instalações do Centro de Interpretação do Bordado e presenciamos as profissionais darem vida a peças exclusivas, que valorizam a tradução local. Precisamente em virtude dessa importância, Sónia Abreu considera que o futuro do “Bordado de Castelo Branco” passa por uma maior valorização económica e por uma aposta clara em mercados de elevado valor acrescentado, sem descurar o trabalho desenvolvido pelas bordadeiras tradicionais. Na sua visão, o “Bordado de Castelo Branco” reúne características que lhe permitem afirmar-se internacionalmente em segmentos ligados ao luxo e à diferenciação.

“Estou absolutamente convicta de que o caminho, neste caso para o Bordado de Castelo Branco, que é o ícone da nossa Cidade Criativa, é o segmento mais virado ao segmento de luxo”, defendeu, acrescentando que é necessário um reforço da presença do bordado em certames internacionais especializados e mercados mais exigentes.

“Precisamos investir mais nessa parte, chegar às feiras de artesanato ligadas ao luxo, aos segmentos mais altos”, salientou. Ainda assim, fez questão de sublinhar que esta estratégia “não implica desvalorizar o trabalho artesanal” desenvolvido diariamente por muitas mulheres no concelho.

“E, claro, sem desvalorizar aquilo que é o bordado que muitas mulheres fazem em casa, mas este bordado certificado em concreto tem que ter um lugar na economia e no segmento do luxo, sem dúvida nenhuma”, argumentou.

Explicar aos albicastrenses o que significa ser “Cidade Criativa da UNESCO”

Mais do que organizar um encontro internacional com especialistas, a Bienal pretende também aproximar a população do projeto UNESCO e esclarecer o significado da classificação atribuída ao município. Sónia Abreu alega que continua a existir alguma “dificuldade” em explicar à comunidade o verdadeiro alcance desta distinção.

“O objetivo é que no fim desta Bienal as pessoas sintam que é muito importante para nós, albicastrenses, ter essa distinção, porque eu vejo nas ruas as pessoas perguntarem-se: ‘O que é isto, ser uma ‘Cidade Criativa da UNESCO?’. Era esta a mensagem que eu gostava que passássemos durante o evento”, admitiu Sónia, que acredita que existe um forte sentimento de pertença em torno do Bordado de Castelo Branco, independentemente das preferências estéticas individuais.

“Não há nenhum albicastrense que não tenha gosto em falar daquilo que é o seu património”, enfatizou, acrescentando que sempre que alguém identifica Castelo Branco, a associação ao bordado surge de forma praticamente imediata.

Para esta chefe de Divisão na autarquia albicastrense, uma “Cidade Criativa da UNESCO” não pode resumir-se exclusivamente ao bordado, razão pela qual pretende igualmente “valorizar outras formas de artesanato existentes no concelho”.

“Nesta Bienal, em concreto, vamos focar-nos naquilo que nos elevou à categoria de Cidade Criativa da UNESCO, que são o Artesanato e as Artes Populares, como o bordado, mas a ideia depois, é também apoiar e promover outras formas de artesanato que existem na cidade”, realçou.

Nesse sentido, a organização promoverá, em paralelo com a Bienal, “A Criatividade e os Ofícios”, espaço instalado no âmbito do “Festival Sabores de Perdição”, onde artesãos de diferentes áreas desenvolverão demonstrações ao vivo e contacto direto com os visitantes.

“Vamos chamar outros artesãos, que vão estar no local a trabalhar ao vivo, a partilhar experiências, a deixar as pessoas mexerem, meterem ali as ‘mãos na massa’, porque nós achamos que é também esse o caminho”, disse.

Programa aposta na “reflexão, inovação e cooperação” entre cidades criativas

Ao longo dos dois dias, 4 e 5 de setembro, a “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reunirá participantes de renome, alguns já confirmados, como representantes diplomáticos do Brasil e de Cabo Verde, a cônsul honorária de Cabo Verde para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, Sofia Lourenço, o diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGArtes), Américo Rodrigues, a chefe de Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, I.P., Maria Antónia Amaral, da A.CERTIFICA, atualmente o único organismo de certificação acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) para a certificação de produções artesanais tradicionais, Associação Portugal à Mão – Centro de Estudos e Promoção das Artes e Ofícios Portugueses, do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e o Património (CEARTE), da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESART-IPCB) e representantes de diversas cidades portuguesas integradas na Rede de Cidades Criativas da UNESCO, entre outros nomes.

“O que esperamos é que, mais do que um momento de reflexão, todos consigamos identificar medidas públicas de proteção e de valorização destes recursos culturais de cada território e, nomeadamente, do território de Castelo Branco”, ressaltou Sónia Abreu, que não deixa de mencionar que “preservar uma tradição não significa mantê-la inalterada, mas garantir a sua capacidade de adaptação às exigências contemporâneas”.

“Estas artes têm que ser contemporâneas. Se queremos que estas artes continuem a vingar, há aqui um momento em que elas têm que dar o salto”, atentou Sónia Abreu, que considera que essa evolução já começou a concretizar-se através da colaboração estabelecida entre o município e a Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, cujo trabalho será igualmente apresentado durante a Bienal.

“Os cursos de licenciatura e mestrado na área do design têxtil têm sido um aporte muito interessante para a questão do desenvolvimento do Bordado de Castelo Branco”, avançou, apesar de reconhecer que a introdução de novas abordagens continua a gerar diferentes sensibilidades.

“Claro que isto levanta muitas questões. Há muitas pessoas que não concordam, mas eu acho que, enquanto houver discussão, o tema está sempre a correr bem. Quer dizer que estamos a evoluir. As discussões são boas, nós temos que partir pedra, trocar ideias”, admitiu esta responsável, que comentou ainda sobre a diversidade institucional presente na Bienal para abrir o diálogo sobre diferentes perspetivas relativamente à valorização do património.

A ideia é que a Bienal possa “conjugar a reflexão científica com experiências práticas, aproximando especialistas, artesãos e visitantes num mesmo espaço de partilha e valorização do património cultural”.

“Cidades Criativas da UNESCO” representadas em Castelo Branco

O segundo dia da Bienal, 5 de setembro, será particularmente dedicado ao universo das “Cidades Criativas da UNESCO”, reunindo municípios portugueses pertencentes a diferentes categorias da rede internacional, como Barcelos, Caldas da Rainha, Idanha-a-Nova, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira ou Matosinhos.

De acordo com Sónia Abreu, esta opção pretende demonstrar que a criatividade pode assumir diferentes expressões e constituir um verdadeiro instrumento de desenvolvimento territorial.

“Vão estar representadas as categorias música, gastronomia, artesanato e artes populares, artes digitais e design, e isso é muito interessante para as pessoas perceberem que esta questão das “Cidades Criativas” pode ter uma dimensão enorme”, acrescentou.

Património, turismo e internacionalização caminham lado a lado

A distinção atribuída pela UNESCO é encarada pelo município como uma oportunidade para reforçar a promoção internacional de Castelo Branco, afirmando o património cultural imaterial como fator de diferenciação territorial e de desenvolvimento económico.

“Sem dúvida que é uma oportunidade. A promoção territorial através deste tipo de práticas, desta questão das artes tradicionais, é muito importante para o município”, realçou, destacando que “a valorização do património não deve limitar-se à preservação dos monumentos”, devendo, de igual modo, “transformar os saberes tradicionais num motivo de visita e de descoberta do território”.

“Nós percebemos que o património é muito importante, as pessoas virem ao território para ver monumentos, isso é muito importante, mas devem vir também pelo artesanato”, salientou Sónia Abreu, que avaliou que o artesanato possui uma capacidade muito própria de promover um território, permitindo que os visitantes levem consigo um elemento identitário que prolonga a ligação estabelecida durante a visita.

Como exemplo da projeção internacional já alcançada pelo Bordado de Castelo Branco, Sónia recordou um episódio recente envolvendo um investigador japonês especializado na seda, convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

“Estive em Castelo Branco com um professor do Japão que vinha dar aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ele está ligado à investigação da seda. Apesar de existir a possibilidade de visitar outros centros ligados ao trabalho da seda em Portugal, o investigador fez questão de incluir Castelo Branco no seu percurso, precisamente pelo prestígio internacional do bordado. A professora que estava com ele quis levá-lo a Freixo de Espada à Cinta, mas ele disse: ‘Eu quero ir a Castelo Branco’”, acrescentou.

Episódios desta natureza, para Sónia, demonstram que o “Bordado de Castelo Branco” ultrapassou as fronteiras nacionais, tornando-se um elemento reconhecido em contextos científicos e culturais internacionais.

“Foi incrível porque como é que, de repente, um professor catedrático de uma universidade no Japão já ouviu falar de Castelo Branco”, assinalou.

Na sua opinião, essa notoriedade deverá ser aproveitada para consolidar o concelho enquanto destino cultural e turístico.

“Mais do que aos investigadores, é aos turistas em geral. Acho que isto pode ser um polo de atração”, concluiu.

Novas gerações são “determinantes” para garantir o futuro do património

Outro dos temas que Sónia Abreu considera prioritários prende-se com a necessidade de aproximar as novas gerações do património cultural, defendendo um reforço da mediação cultural como instrumento de valorização dos saberes tradicionais.

“Para nós, a mediação cultural é urgente e muito importante para a nossa cidade”, defendeu, acrescentando que a melhor forma de criar públicos passa por trabalhar diretamente com as crianças, estabelecendo desde cedo uma ligação emocional ao património local. Na sua visão, essa relação tende a prolongar-se no tempo e acaba por envolver também as famílias.

“Se eu levar uma criança a um museu e estabelecer um laço emocional qualquer com ela, certamente vai para casa e vai exigir que os pais vão com ela àquele sítio porque foi ali que ela viu, sentiu e aprendeu”, exemplificou.

Apesar dos esforços já desenvolvidos, admite que o município ainda possui margem para crescer nesta área, nomeadamente através da criação de equipas especializadas e da dinamização de novos projetos.

“Nós, aqui na cidade, no município, ainda temos essa lacuna. Temos que trabalhar muito mais”, reconheceu. Ainda assim, sugere que nem todas as respostas têm necessariamente de partir da estrutura municipal, defendendo o estabelecimento de parcerias com profissionais e entidades que possam contribuir para esse trabalho.

“Podemos não ter as condições, não sabermos tudo ou não temos que ter especialistas em todas as áreas, mas podemos ter pessoas na cidade, ou que queiram vir para a cidade trabalhar connosco, para estabelecer essas parcerias”, vincou.

Artesãos assumem “papel ativo” na valorização do património

Ao longo da preparação da Bienal, a Câmara Municipal de Castelo Branco tem mantido contacto permanente com os artesãos do concelho, encontrando, segundo Sónia Abreu, uma “forte disponibilidade para participar nas iniciativas promovidas pelo município”.

“O feedback que nós temos é sempre positivo. Assim que contactamos as pessoas, a primeira coisa que elas nos dizem é: ‘Sim, contem comigo. Podem absolutamente contar comigo para o que for necessário’”, revelou. Uma colaboração que não se limita à Bienal, mas sempre que Castelo Branco participa em feiras de artesanato ou noutras ações de promoção.

“O município consegue mobilizar facilmente os artesãos locais. Depois, vamos ajustando. Quando vamos, por exemplo, a feiras de artesanato, convocamos os artesãos da cidade e nunca ficamos sem dar resposta às feiras. Temos sempre alguém para levar”, referiu, garantindo que esta disponibilidade “mostra que os artesãos estão envolvidos” e “reconhecem a importância da estratégia que o município tem vindo a desenvolver” em torno da valorização do património cultural.

Participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória

A participação na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” em setembro será gratuita, encontrando-se aberta a todos os interessados, embora sujeita a inscrição prévia devido à capacidade limitada do auditório do Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco.

As inscrições podem ser efetuadas através de formulário próprio no seguinte link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScDxASco71nQy1jCHIm-o5SqzxmmZZAYr1dM6eF-ky6eKONjQ/viewform

Um convite para descobrir Castelo Branco através do património, da gastronomia e da criatividade

No final da nossa reportagem, Sónia Abreu deixou um convite para que visitantes de todo o país aproveitem a Bienal como “ponto de partida” para conhecerem o património, a identidade cultural e a oferta turística de Castelo Branco.

“O convite que eu faço às pessoas é que venham a Castelo Branco, que participem neste evento. O que vamos ter aqui é um painel de oradores muitíssimo interessante, que vai falar não só sobre as questões relacionadas com o ‘Bordado de Castelo Branco’, mas sobre o património imaterial, as tradições no geral. Não deixem de estar presentes”, apelou.

Ainda no âmbito da Bienal, os visitantes poderão participar na programação gastronómica do “Festival Sabores de Perdição”, conhecer produtos endógenos do território e contactar com a nova rota gastronómica do concelho.

Uma vida dedicada ao património cultural albicastrense

À frente da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, Sónia é conhecida por ser uma profissional cuja ligação ao património da cidade começou muito antes de assumir as atuais funções.

Licenciada em História da Arte pela Universidade de Coimbra, iniciou o seu percurso profissional precisamente num museu que atualmente integra os equipamentos culturais municipais, experiência que continua a considerar “determinante” na construção da sua identidade profissional. Durante esse período, reconheceu a influência marcante de uma responsável que acompanhou os seus primeiros anos de trabalho.

“Tive a felicidade de ter uma ‘super’ diretora e uma mentora que me ensinou não só aquilo que dizia respeito aos museus, mas também a ser uma profissional humilde, empenhada, empática e, até hoje, eu tenho essa dívida de gratidão com ela”, frisou.

Posteriormente a sua vida levou-a “por outros caminhos diferentes”, exercendo funções como professora e integrando, atualmente, o quadro do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), “sem nunca perder a ligação ao património cultural da sua terra”.

Natural de Castelo Branco, explica que apenas deixou a cidade durante o período necessário para concluir a formação universitária.

“Eu sou albicastrense, nascida e criada, e costumo dizer que só estive fora o tempo estritamente necessário para fazer a minha formação e regressar a correr à casa. Eu vivi seis anos em Coimbra, onde estudei, tirei o curso de História da Arte e depois estive sempre por aqui. Nunca me imaginei a viver noutro sítio, nunca me imaginei a criar a minha família noutro sítio. A minha ligação afetiva ao território mantém-se inalterável”, contou.

Uma relação que se estende também ao marido, que, apesar de não ser natural de Castelo Branco, adotou igualmente a cidade como sua.

“Tive a felicidade de casar com um homem que, apesar de não ser de Castelo Branco, é hoje um albicastrense de coração e gostamos muito de estar aqui”, enfatizou.

“Não trocaríamos o sossego do Interior por nada deste mundo”, finalizou Sónia Abreu.

Ígor Lopes

Continuar a ler

Mais lidas