Atualidade
Prémio António Sérgio 2021 distingue seis projetos vencedores
Um por cada categoria
O Prémio António Sérgio 2021 distinguiu seis projetos vencedores, um por cada categoria – Inovação e Sustentabilidade, Estudos e Investigação, Estudos e Investigação na Lusofonia, Formação Pós-Graduada, Trabalhos de Âmbito Escola e Trabalhos Jornalísticas – atribuindo também quatro menções honrosas e reconhecendo as Personalidades do Ano da Economia Social: Rogério Cação (Carreira) e Joana Moreira (Capacidade Empreendedora).
A Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) divulgou os vencedores do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2021.
O Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio, criado pela CASES em 2012, destina-se a homenagear as pessoas singulares e coletivas que, em cada ano, mais se tenham distinguido em domínio relevantes para a Economia Social, contando com seis categorias e um Prémio de Honra.
Categoria Inovação e Sustentabilidade
Vencedor
Crescer na Maior – Associação de Intervenção Comunitária – É UM RESTAURANTE
Criado em 2019 É UM RESTAURANTE é um projeto cujo objetivo é promover a integração no mercado de trabalho das pessoas que se encontram em situação de sem abrigo na cidade de Lisboa, visando melhorar as suas condições de vida, reduzindo as assimetrias sociais e tomando parte decisiva na sua inclusão. Um projeto com forte impacto social que dá ainda resposta a uma demanda cada vez maior no setor da restauração na cidade de Lisboa.
Menção honrosa
Santa Casa da Misericórdia de Melgaço – Lado a Lado
O projeto Lado a Lado pretende melhorar a qualidade de vida da população depois dos 65 anos e promover/valorizar o ageing in place, através do acompanhamento por parte de uma equipa técnica multidisciplinar aos idosos e seus familiares, no seu próprio domicílio, com o intuito de prolongar o máximo de tempo possível a estadia das pessoas nas suas próprias casas, através da redução do risco de ocorrências de intrusão e de insegurança pessoal; aumento de medidas corretivas, usando um sistema de monitorização de sinais vitais de saúde e aumento de prestação de serviços preventivos e corretivos de saúde física e psicológica, através da prestação dos serviços de apoio psicossocial e de teleassistência com localização SOS.
Categoria de Estudos e Investigação
Vencedora
Cláudia Sofia Marques Cordeiro – Inovação e Governança para a Sustentabilidade das Organizações de Economia Social: educação de jovens empreendedores e dirigentes de projetos sociais – Mestrado em Gestão De Organizações de Economia Social – Instituto Politécnico de Santarém
O Estudo vencedor procurou saber qual o impacto de um projeto de empreendedorismo social numa escola pública, através do caso concreto do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação. Teve como objetivos: Contribuir para a formação de jovens alunos portugueses, através da estimulação das suas capacidades, dos seus talentos, aplicando como competência estratégica o empreendedorismo social; Sensibilizar a comunidade escolar (alunos e professores) para as valências da Economia Social; Medir o impacto da implementação do mesmo nas expetativas e aceções destes agentes antes, durante e depois do projeto.
Este projeto envolveu 5 turmas (duas do 7º ano e três do 8º) na hora destinada à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. A avaliação do impacto da intervenção foi feita através de três questionários e seis entrevistas.
Menção honrosa
Luís Jacob – Universidades Seniores Portuguesas: Caracterização e Desenvolvimento – Tese de doutoramento internacional – Universidade de Salamanca
O objetivo do Estudo foi conhecer o desenvolvimento e fazer a caracterização das Universidades Sénior em Portugal e do impacto que têm sobre os seus frequentadores, com recurso a fontes de informação primárias, a teses académicas e a quatro inquéritos criados para este propósito com um total de 2.074 respostas. Os inquéritos incidiram sobre os alunos seniores, os professores voluntários, as entidades promotoras das Universidades Seniores e especialistas em educação ao longo da vida. Apresenta sugestões para futuras investigações: “estudar mais profundamente a relação entre os alunos seniores e o consumo de medicação antidepressiva; analisar e caracterizar os dirigentes e coordenadores das Universidade Seniores; descobrir como cativar mais homens; realizar um estudo longitudinal que avalie o aluno antes de entrar na US e após algum tempo de a frequentar, e estudar mais pormenorizadamente o método pedagógico mais adequada para os mais velhos.”
Categoria de Estudos e Investigação na Lusofonia
Vencedores
Ana Martha Bülow e Leonardo Custodio Machado – Potencial de bancarização do cooperativismo de crédito nos municípios brasileiros desassistidos pelo SFN
O Estudo pretendeu investigar o potencial de bancarização do cooperativismo de crédito brasileiro nos municípios que não possuem nenhuma agência, posto de atendimento ou posto de atendimento eletrónico, bem como mensurar a população desassistida nestes locais e o perfil socioeconómico desta população. Teve como objetivos: quantificar os indivíduos e municípios brasileiros que não possuem acesso ao crédito e serviços financeiros; traçar o perfil socioeconómico desta população e avaliar o potencial de bancarização das cooperativas de crédito nesses locais. O Estudo baseou-se nos dados recolhidos do Banco Central do Brasil (Bacen), na utilização das estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2019 e indicadores sociais disponibilizados pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil; e estabeleceu correlação com os 202 municípios destacados no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. A identificação de 392 municípios sem acesso ao crédito e serviços bancários permite às cooperativas de crédito brasileiras colocarem-se como agentes potenciais de bancarização e atendimento às necessidades das pessoas que residem nesses locais, na medida em que atuam como instrumento de inclusão financeira e social.
Categoria Formação Pós-Graduada
Vencedor
Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) – Instituto Politécnico do Porto – Mestrado em gestão e regime jurídico-empresarial da economia social
O curso tem como objetivo geral, através de uma abordagem inovadora e multidisciplinar de gestão, jurídica, contabilística, económica, de aplicação de novas tecnologias e de marketing, proporcionar uma formação integrada e especializada para o exercício de uma atividade profissional no setor da Economia Social, contribuindo para a profissionalização da gestão, a transparência na governação, o funcionamento em rede e uma eficiente comunicação interna e externa. Pretende-se, igualmente, que os mestrandos contactem, através da frequência do Mestrado, com um conjunto diversificado de projetos, entidades, e de redes nacionais e internacionais no âmbito da economia social.
Categoria Trabalhos de Âmbito Escolar
Vencedor
Agrupamento de Escolas de Aver-o-Mar – Projeto Aver-O-Mundo
Este projeto tem como objetivo a maior inclusão social dos alunos Nacionais de Países Terceiros (NPT) e suas famílias, com reflexos ao nível da melhoria do sucesso escolar. Contou com a participação de 700 pessoas, desde pais, alunos, pessoal docente, não docente e comunidade envolvente. Teve como ações: a) Capacitação da Comunidade Educativa sobre interculturalidade: plano de capacitação para a comunidade educativa; não-docentes; docentes; encarregados de educação/ pais; alunos; b) Adequar para Integrar: adequação do Agrupamento ao princípio da interculturalidade, c) Elos: criação de parcerias com organizações locais que contribuam para uma capacitação adequada da comunidade educativa e um melhor acolhimento e integração dos alunos NPTs; d) Colaboração em Rede: desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre as organizações educativas que integram a REEI e outras que promovam as atividades de educação intercultural.
Categoria Trabalhos Jornalísticos
Vencedora
Cecília Malheiro – COVID-19: Centro de Apoio ao Sem-abrigo do Porto triplica refeições entregues semanalmente – Lusa
O trabalho, desenvolvido em formato imprensa, relata como A CASA – Centro de Apoio aos Sem-Abrigo do Porto foi um das poucas da cidade do Porto a continuar a trabalhar em tempos de pandemia e em estado de emergência, mesmo com menos voluntários. O trabalho mostra que há muitos voluntários que continuaram a trabalhar mesmo com medo do novo coronavírus, porque a crise fez disparar os pedidos de ajuda para comer devido à crise económica local, nacional e mundial que se instalou com a pandemia.
Menções Honrosas
Sara Moreira, Catarina Leal, Filipe Nunes – Pandemia Solidária – jornal Mapa
Em resposta à crise sanitária, económica e social trazida pela COVID-19, surgiu um “surto de apoio mútuo” de Norte a Sul do país. Entre abril e maio de 2020, o Jornal Mapa entrevistou um conjunto de associações, cooperativas e coletivos informais que deram corpo e voz à série
PANDEMIA SOLIDÁRIA. Cantinas autogeridas, redes de distribuição de alimentos e bens essenciais e apoio a pessoas e animais vulneráveis são algumas das iniciativas que vão bem além da assistência e caridade e que demonstram a concretização da solidariedade na prática.
Num contexto em que as medidas de confinamento levaram à redução drástica do apoio garantido por entidades formais da Economia Social, importou identificar iniciativas que, com diferentes meios e recursos, implementaram redes de apoio com impacto significativo, e com a rapidez e agilidade que não foram possíveis em contextos institucionais. Assim, nesta série, julgam os autores ver expandida a noção de Economia Social para um conjunto de práticas que se verificam em diferentes esferas sociais e de acordo com diferentes modelos organizacionais.
O planeamento da PANDEMIA SOLIDÁRIA envolveu um processo colaborativo entre jornalistas/colaboradores de diversas partes do país para discutir e montar um guião comum de entrevista, a ser aplicado em cada um dos casos retratados em diferentes regiões.
Nuno Guedes – O diário da nossa pandemia – TSF
A reportagem, formato de rádio, retrata a adaptação à pandemia do Projeto Teatro de Identidades, uma iniciativa que até aí se realizava em centros de dia de várias instituições sociais e que é promovida por uma parceria entre a Câmara Municipal da Amadora, a Escola Superior de Teatro e Cinema e a Associação de Amigos da Escola Superior Teatro e Cinema. Um trabalho que tenta, em paralelo, perceber os medos, as angústias e o dia a dia de quem, de repente, teve mesmo, pela idade, de ficar fechado em casa, numa reportagem toda feita por telefone. O Trabalho aborda uma realidade que não é apenas da Economia Social, pois o projeto retratado desenvolvia-se, antes da pandemia, no terreno, em diversos centros de dia de várias instituições sociais, resultando de uma parceria entre uma autarquia, uma instituição de ensino superior e uma associação.
Prémio de Honra Personalidade da Economia Social 2020
Honra à Carreira
Vencedor
Rogério Cação (a título póstumo) – nomeado por CONFECOOP
Nota biográfica: Rogério Manuel Dias Cação nasceu em Peniche, no dia 14 de fevereiro de 1956. Frequentou o Curso de Estudos Superiores Especializados em Supervisão Pedagógica e Gestão de Formação, na Escola Superior de Educação de Lisboa, fez a parte curricular do Mestrado em Antropologia. Como docente e em regime de destacamento, em 1988 iniciou a função de Professor de Educação Especial na CERCIPENICHE, com sede em Peniche, tendo-se mantido nesta função até 2013. Até ao seu último ato público desempenhou o cargo de Vice-presidente da Direção e Diretor-executivo da FENACERCI, Presidente da Direção da CERCIPENICHE e Presidente da Direção da CONFECOOP, Presidente da Direção da ADEPE. Participou em múltiplas iniciativas, grupos de trabalho e entrevistas nos domínios da Ética e Deontologia, Educação
Especial, Escola Inclusiva e Transição para a Vida Adulta, Formação e Emprego das Pessoas com Deficiência, bem como na área da Economia Social, tendo sido agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito em 2010. Foi ainda Vice-Presidente da Confederação Portuguesa da Economia Social; Presidente da mesa da assembleia da ACOMPANHA – Cooperativa de Solidariedade Social; Vereador na Câmara Municipal de Peniche; Membro do Conselho Económico e Social; Comendador da Ordem do Mérito. O seu último ato publico foi a assinatura do Compromisso de Cooperação – Protocolo para o Biénio 2021-2022, assinado na véspera do seu falecimento, contribuindo para a estabilidade e sustentabilidades das organizações do setor social e solidário.
Honra à Capacidade Empreendedora
Vencedora
Joana Moreira – nomeada pela Associação Juvenil Transformers
Nota biográfica: Joana Moreira tem 31 anos e desde 2006 que iniciou um caminho de voluntariado que a levou a vários lugares, potenciando diferentes comunidades e promovendo a cidadania em cada um desses sítios. De bairros sociais a prisões juvenis, a Joana promoveu atividades de música, pintura e consciência social. Mais tarde foi também voluntária em centros de apoio à deficiência, no Grupo de Ação Social do Porto e dedicou muitas horas ao apoio ao estudo em IPSS. Em 2008 concluiu com sucesso o Mestrado Integrado em Psicologia Clínica e da Saúde, ingressando, em 2013, no Movimento Transformers, organização que lidera desde então e que a levou a fazer formação executiva em Empreendedorismo Social. Em 2015 envolveu-se numa missão de voluntariado internacional em São Tomé e Príncipe. Durante 3 meses trabalhou com mais de 150 crianças e jovens no sentido de perceber os seus talentos e de os capacitar para resolverem problemas da comunidade. É também formadora do IES – Social Business School, onde foi também Diretora de Programas e Gestora de Projeto, potenciando muitos negócios de impacto. É especialista da IRIS – Incubadora Regional de Inovação Social, onde dá apoio a startups de impacto, associações em crescimento e pessoas que querem mudar de carreira. Foi mentora da Portuguese Women in Tech, uma comunidade de mulheres líderes na tecnologia, gestora de projeto na Vintage for a Cause, um projeto focado na promoção e desenvolvimento da economia circular e do envelhecimento ativo. É também cofundadora da Associação MAD Panda, uma plataforma de apoio às associações focadas na causa animal que já evitou mais de 8 toneladas de desperdício alimentar, canalizando-o para as associações com necessidades. No início de 2021, a Comissão Europeia elegeu a Joana como uma das 100 melhores empreendedoras sociais da Europa.
A Cerimónia Pública de entrega do Prémio terá lugar no primeiro trimestre de 2022, em formato e data ainda a definir.
António Sérgio de Sousa (1883-1969)
António Sérgio nasceu em Damão, em 1883. Foi escritor, pensador e pedagogo, com vasta obra publicada que se estende da teoria do conhecimento à filosofia política e de educação.
Afirmou-se na área da Educação com obras e pensamento originais, tendo dirigido publicações periódicas e fundado o movimento Renascença Portuguesa, precursor da reforma do ensino a seguir à Proclamação da República.
Os seus escritos, nas mais diversas áreas, revelam uma filosofia com profundas implicações humanas e sociais. Defendeu a doutrina democrática a nível de organização política, uma conceção da pedagogia que valorize a criança e o jovem como seres criativos, e foi um dos principais ideólogos do cooperativismo em Portugal.
Exilou-se em Paris após a subida ao poder de António Oliveira Salazar. Das suas obras destacam-se Educação Cívica (1915) e oito volumes de Ensaios (1920-1958). Morreu em Lisboa, em 1969.
Imagem: CASES.
Atualidade
Largo da Oliveirinha recebe memorial às 16 vítimas do Elevador da Glória
Lisboa inaugura esta quinta-feira, 3 de setembro, um memorial dedicado às 16 vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória, precisamente um ano depois da tragédia que marcou a capital portuguesa. O espaço foi instalado no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, e foi concebido como local permanente de homenagem, memória e recolhimento. A cerimónia está marcada para às 9h e terá acesso reservado.
O acidente ocorreu ao final da tarde de 3 de setembro de 2025, quando a cabina n.º 1 do histórico ascensor descarrilou durante a descida da Calçada da Glória e embateu na envolvente urbana. A tragédia causou 16 mortos e 24 feridos, envolvendo pessoas de 15 nacionalidades, segundo o balanço referido pela Câmara Municipal de Lisboa na apresentação do memorial. Entre as vítimas mortais estavam cinco portugueses, três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadianos, um suíço, um francês, um ucraniano e um norte-americano.
O elemento central do novo memorial é uma oliveira adulta com cerca de 150 anos, instalada numa estrutura circular. À sua volta foram colocados 16 blocos pétreos em calcário, um por cada vítima mortal, dispostos radialmente, com diferentes alturas e superfícies destinadas à gravação dos nomes. A composição inclui ainda um banco semicircular em pedra natural, uma guarda metálica e uma estrutura preparada para a deposição de flores. A iluminação foi incorporada na guarda, permitindo a leitura e valorização do espaço durante o período noturno.
A escolha da oliveira está relacionada com o próprio topónimo Largo da Oliveirinha e procura assumir uma função simbólica associada à continuidade e à memória. Segundo a Câmara de Lisboa, a disposição circular pretende criar um percurso de contemplação, articulando a árvore, os elementos em pedra e o espaço público envolvente. A intervenção utiliza sobretudo pedra calcária e elementos vegetais, procurando manter uma ligação com a configuração histórica da Calçada da Glória e com o património urbano daquela zona da cidade.
O projeto insere-se também numa intervenção de requalificação do Largo da Oliveirinha, espaço situado entre a Calçada da Glória e a Travessa do Fala-Só. A zona, integrada no conjunto urbano associado ao Ascensor da Glória, passou por trabalhos de reorganização do espaço público, com criação de áreas pedonais e de permanência. O conjunto formado pelo Ascensor da Glória e pelo meio urbano envolvente encontra-se classificado como Monumento Nacional.
A instalação do memorial concretiza uma decisão assumida pela autarquia poucos dias depois do acidente. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, em setembro de 2025, medidas destinadas a preservar a memória das vítimas e a acompanhar as consequências da tragédia. Na proposta municipal então apresentada, o acidente foi considerado um dos episódios urbanos com maior número de vítimas mortais registados em Lisboa nas últimas décadas.
Um ano depois, porém, o processo de apuramento técnico e judicial continua em curso. O relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), concluiu que a ligação do cabo à cabina n.º 1 se rompeu, desencadeando o descarrilamento e a colisão. A investigação identificou igualmente falhas nos processos de aquisição, controlo e manutenção do cabo utilizado no sistema. O GPIAAF sublinhou, contudo, que a investigação técnica procura determinar fatores causais e emitir recomendações de segurança, não estabelecer responsabilidades criminais.
As autoridades mantêm também aberto o inquérito criminal dirigido pelo Ministério Público. Em 2026, a Polícia Judiciária realizou buscas na Carris e na empresa responsável por trabalhos de manutenção do ascensor, no âmbito das diligências destinadas ao apuramento de responsabilidades. Paralelamente, prosseguem as peritagens técnicas ao cabo, aos sistemas de travagem e ao comportamento dinâmico do equipamento. O GPIAAF informou recentemente que prevê concluir e divulgar o seu relatório final até ao final de março de 2027.
O acidente alterou também o futuro dos ascensores históricos de Lisboa. O Elevador da Glória ficou profundamente danificado e os restantes equipamentos históricos permaneceram suspensos enquanto avançam avaliações técnicas e projetos destinados a reforçar as condições de segurança. A Carris anunciou, entretanto, a intenção de desenvolver um novo Ascensor da Glória, com sistemas de monitorização e novas soluções tecnológicas, apontando para uma possível entrada em funcionamento em 2029, ainda dependente do desenvolvimento do projeto e dos procedimentos de contratação.
Inaugurado originalmente em 1885, o Ascensor da Glória estabeleceu uma ligação entre a zona dos Restauradores e São Pedro de Alcântara, tornando-se parte do sistema de mobilidade e do património da cidade. O Largo da Oliveirinha encontra-se precisamente neste eixo histórico, próximo do Jardim de São Pedro de Alcântara, funcionando como ponto de transição entre a encosta da Glória e algumas das zonas de maior circulação do centro de Lisboa.
A partir de 3 de setembro de 2026, o lugar passa a acumular uma nova função. Os 16 blocos de pedra, organizados em redor da oliveira, deixam inscrita no espaço público a identidade das pessoas que morreram no acidente. Um ano depois da tragédia, enquanto as investigações continuam e permanecem questões relativas às responsabilidades e indemnizações, Lisboa fixa no Largo da Oliveirinha um espaço permanente dedicado à memória das vítimas.
Atualidade
Brasil: Mais de 32 mil pessoas estiveram presentes no “4.º Fliparacatu”
O “4.º Fliparacatu” – Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou a sua edição de 2026 com 32.500 pessoas circulando pelo Centro Histórico do município mineiro, ao longo dos cinco dias de programação, de 26 a 30 de agosto. A maior parte das sessões de debates realizadas no auditório do Fliparacatu, alcançou o limite da lotação, estimado em 600 pessoas.
Prémio de Redação e Desenho
O Fliparacatu começou muito antes da abertura dos palcos. Com o apoio da Prefeitura de Paracatu, por intermédio da Secretaria de Educação, uma das suas principais forças, o Prémio de Redação e Desenho teve como tema: “Meu Lugar no Mundo”. O concurso contemplou diferentes faixas etárias, distribuídas entre categorias de redação e desenho, ampliando as possibilidades de participação de estudantes do ensino infantil, fundamental, médio e para jovens e adultos (EJA). Antes de os escritores chegarem à cidade, portanto, o Fliparacatu já estava dentro de praticamente todas as escolas, mobilizando alunos e professores em torno da leitura, da escrita, da imaginação e do pertencimento.
Programação diversa
Nesta edição, a curadoria apresentou uma estrutura “plural e robusta”, composta pelos cinco curadores: Afonso Borges, presidente do Fliparacatu; Calila das Mercês e Sérgio Abranches, curadores da programação Nacional/ Internacional; Daniela Prado, responsável pela curadoria local; e Rafael Nolli, que ficou por conta das atividades voltadas para o público infantojuvenil.
A grade de convidados trouxe um autor internacional, 31 autores de projeção nacional, 11 autores focados no público infantil e 24 autores locais. Além da programação oficial, o Fliparacatu abriu espaço direto para a produção independente, registrando o lançamento e a sessão de autógrafos de 105 autores autônomos (sem contar os 68 escritores da programação do Festival).
Sob o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, a quarta edição homenageou João Guimarães Rosa, pelos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e Milton Santos, no centenário de seu nascimento. A partir dessas duas referências, o Festival reuniu autores de diferentes gerações, origens, identidades, experiências e campos de atuação. Essa diversidade esteve nos próprios autores.
Mia Couto, Míriam Leitão, Bruna Lombardi, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz, Geni Núñez, Alê Santos, Renato Noguera, Rita von Hunty, Bia Bracher, Cristovão Tezza, Jamil Chade, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Natalia Timerman, Calila das Mercês, Sérgio Abranches, Ítalo Moriconi, Paulliny Tort, Sandra Menezes, Estevão Ribeiro e Taiane Santi Martins, entre muitos outros, dividiram a programação com escritores de Paracatu e da região. Autores negros, brancos e indígenas, mulheres e homens, escritores consagrados e novas vozes fizeram dos palcos um espaço de encontro entre diferentes experiências e maneiras de compreender o Brasil e o mundo.
A mesma diversidade apareceu nos temas. Partindo do sertão de Guimarães Rosa e do pensamento de Milton Santos sobre território e lugar, o Fliparacatu falou de literatura, memória e pertencimento, mas também de racismo, afrofuturismo, democracia, corpo, identidade, acessibilidade, amor, medo, desigualdade, tecnologia, meio ambiente, jornalismo, futuro e ficção especulativa. Questões íntimas conviveram com os grandes dilemas políticos, sociais e culturais da contemporaneidade.
O Festival também ampliou as formas de expressão, sendo literatura adulta e infantojuvenil, música, artes visuais, slam, batalha de rimas, tradição oral, bordado, oficinas e atividades educativas. A exposição “O Sertão de Portinari”, realizada em parceria com o Projeto Portinari, levou às ruas outra leitura do sertão brasileiro e de seus personagens, com reproduções de obras de Candido Portinari.
Números do “4.º Fliparacatu”
Os 32.500 participantes mostram a dimensão alcançada pelo Festival nas ruas e nos espaços de programação. O público mínimo de 250 pessoas e máxima de 600 pessoas, em todas as atividades, demonstra que o interesse não se restringiu aos nomes mais conhecidos, mas se distribuiu por autores, assuntos e linguagens muito diferentes.
O público pôde acompanhar um total de 68 atividades distribuídas por oito espaços temáticos do festival: a Livraria, a Central de Autógrafos, o Espaço Cerrado de Origem (Sebrae), o Quintal Casa Paracatu, a Academia de Letras do Noroeste de Minas, o espaço Fliparacatu da Gente, a Casa Kinross e o Auditório Fliparacatu, onde foram realizadas as principais atividades do evento. A programação do debate público e da formação literária contou com 28 mesas de debates nacionais e internacionais, 11 mesas locais, 17 mesas infantojuvenis, oito oficinas e quatro apresentações musicais. A valorização da economia da região também se materializou na ocupação comercial do evento, com sete stands no espaço do Sebrae e dez stands no Fliparacatu da Gente, voltados a produtores locais.
A complexidade e a grandiosidade da infraestrutura do Fliparacatu 2026 refletem-se nos indicadores técnicos de produção e montagem. O festival demandou 560 m² de área coberta com piso elevado e o manejo de mais de 38 toneladas entre estruturas, equipamentos e materiais diversos. O acabamento estético e de comunicação visual utilizou 380 m² de impressão digital, 2.900 metros lineares de revestimento em tecido e 560 m² de revestimento de piso. Apenas nas etapas de montagem e desmontagem, a equipe técnica contou com 21 profissionais dedicados, registrando 2.800 horas de trabalho com priorização da contratação de mão de obra local.
Em termos de geração de ocupação e dinamização econômica, o festival mobilizou diretamente uma equipe de 124 pessoas, abrangendo áreas de produção, comunicação, curadoria, administrativo, recepção de autores e acessibilidade, com presença de intérpretes de Libras. No ecossistema de prestação de serviços indiretos, foram mapeados, no mínimo, 110 profissionais atuando em frentes operacionais – incluindo 21 técnicos de montagem, 5 profissionais de livraria, 6 de restauração, 20 no espaço Fliparacatu da Gente, 14 no Sebrae, 19 seguranças, 10 profissionais de limpeza, 8 carregadores, 3 motoristas e 4 dedicados à locação de mobiliário.
Somados os quadros diretos e indiretos já catalogados, o Fliparacatu movimentou ao menos 234 profissionais na execução do projeto. Este indicador é parcial e tende a crescer com a consolidação dos dados de setores como a rede hoteleira, gráficas, serviços de transporte corporativo e fornecedores complementares da cadeia de turismo e eventos.
Além de palestras, debates, atividades culturais e apresentações musicais, a livraria, o coração de todo festival literário, teve seu destaque como grande atrativo. Foi montado um espaço de 220 m² dedicado à venda de livros no Fliparacatu, com títulos literários abrangendo diversos gêneros, como romance, poesia, ensaio, aventura, terror, crónica, biografia, infantojuvenil, entre outros. No total, foram vendidos cerca de cinco mil exemplares, distribuídos entre 1.500 títulos.
O balanço do “4.º Fliparacatu” pode, assim, ser compreendido, segundo os seus organizadores, por um movimento que começa antes e continua depois dos cinco dias de Festival: começa nas escolas, com o Prêmio de Redação e Desenho; ocupa o Centro Histórico com 32.500 pessoas e uma grande diversidade de autores e temas; e permanece aberto ao mundo, com todos os debates disponíveis gratuitamente no YouTube. Com investimento contínuo na formação de leitores e no fortalecimento do setor cultural, a 4ª edição do Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou sua programação consolidando-se como um verdadeiro sucesso de público, crítica e mobilização comunitária.
4.º Fliparacatu
Em 2026, o Fliparacatu realizou sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.
Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reuniu escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.
Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu aconteceu em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.
A quarta edição do Fliparacatu é patrocinada pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o patrocínio da Caixa e apoio cultural da Prefeitura de Paracatu, Academia de Letras do Noroeste de Minas e Sebrae. Desde sua primeira edição, todas as atividades do Festival são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).
Todos os debates e mesas desta quarta edição foram transmitidos ao vivo, gravados e já se encontram disponíveis para ser assistidos, gratuitamente, no YouTube @fliparacatu. É um aspecto fundamental do projeto levar o encontro presencial imediatamente em acervo audiovisual, público e permanente. As conversas realizadas em Paracatu podem ser vistas, revistas, compartilhadas e aproveitadas por leitores, estudantes, professores e pesquisadores.
Ígor Lopes
Atualidade
Oeiras: “Semana do Brasil” regressa com 37 negócios unidos para celebrar a cultura brasileira
O centro histórico de Oeiras, a oeste de Lisboa, recebe, entre os dias 4 e 13 de setembro, a décima edição da “Semana do Brasil”, iniciativa que este ano apresenta a sua maior edição, reunindo 37 estabelecimentos comerciais numa programação dedicada à gastronomia, cultura e tradições brasileiras, com entrada gratuita e participação aberta ao público.
Promovido a partir de uma iniciativa que nasceu numa gelataria de Oeiras e que, ao longo dos anos, passou a envolver diferentes agentes do centro histórico e entidades dos dois lados do Atlântico, a “Semana do Brasil” teve a sua origem em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, quando a gelataria Don Pavili criou uma série de sabores de gelado inspirados na doçaria e gastronomia brasileiras.
A iniciativa passou posteriormente a repetir-se anualmente em torno do dia 7 de setembro, data em que o Brasil assinala a sua Independência.
Em 2025, na nona edição, o projeto deixou de estar circunscrito à gelataria e avançou para o espaço público do centro histórico de Oeiras. A “Gatafunho Editora e Livraria”, a “Confraria do Polvo” e a “Frigideira Carioca” juntaram-se à iniciativa, que passou a integrar atividades culturais e propostas gastronómicas dirigidas aos visitantes da zona histórica.
O resultado dessa experiência conduziu à expansão do projeto em 2026, com a organização a procurar envolver comerciantes locais e instituições na preparação da décima edição.
Segundo a organização, o número de estabelecimentos envolvidos chegou este ano aos 37, numa mobilização que pretende transformar o Centro Histórico de Oeiras no ponto de encontro entre diferentes manifestações da cultura brasileira.
A programação da edição deste ano inclui a “reinterpretação dos clássicos da gastronomia brasileira”, acompanhada por iniciativas de música e entretenimento, com destaque para rodas de samba, concertos e espetáculos.
O programa contempla também palestras, apresentações literárias, contos narrados, artesanato, workshops e masterclasses.
Entre as propostas apresentadas pela organização está igualmente a valorização da gastronomia brasileira através de diferentes espaços comerciais, permitindo que a celebração se estenda para além de um único local e envolva diretamente os estabelecimentos que aderiram ao projeto.
A iniciativa mantém ainda uma dimensão de aproximação institucional e comunitária. A organização agradeceu o envolvimento da Associação Comercial e Empresarial dos Concelhos de Oeiras e Amadora (ACECOA), da Câmara Municipal de Oeiras, da União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias e de outros parceiros, destacando ainda a existência de apoios provenientes de Portugal e do Brasil.
Ígor Lopes
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