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Lagos recebe representante dos municípios cabo-verdianos

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O Presidente da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos (ANMCV), Herménio Celso Fernandes, esteve, ontem, em Lagos, a convite do Presidente da Direção da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico (APMCH), função desempenhada por Hugo Pereira, presidente da autarquia lacobrigense. O motivo desta visita oficial foi a assinatura de um protocolo de colaboração entre as duas estruturas associativas.

O momento foi presenciado pelo presidente do município de Machico, Ricardo Franco, membro do Conselho Fiscal da APMCH, e pelo vereador do município de Lagoa, Mário Guerreiro, também associado da APMCH, bem como pelos secretários-gerais da ANMCV e da APMCH, Fernando Borges e Frederico Paula.

A parceria agora formalizada tem como objetivo a criação de sinergias através de ações conjuntas ou coordenadas a promover no âmbito de iniciativas, programas e projetos de cooperação que contribuam para o melhor desempenho das respetivas missões, designadamente em matéria de salvaguarda, promoção e valorização dos centros históricos e do poder local. A colaboração entre a APMCH e a ANMCV poderá concretizar-se ao nível da troca de experiências e de informação técnico-científica, da permuta de publicações científicas periódicas e partilha de recursos bibliográficos, da organização conjunta de eventos (visitas de estudo, conferências, colóquios, cursos e seminários), da divulgação das iniciativas de ambas as instituições pelas suas redes de contactos e/ou parceiros, ou, até mesmo, numa colaboração direta em projetos e programas de cooperação técnico-científica de interesse comum.

Em declarações proferidas durante o evento, Herménio Fernandes referiu-se à assinatura do protocolo como um acontecimento muito importante para os municípios de Cabo Verde, dada a oportunidade que os centros históricos representam para a dinamização do turismo e para a atratividade dos próprios territórios, acrescentando-lhes competitividade e impactos positivos para as comunidades. Recordando os projetos estruturantes para o desenvolvimento resiliente do turismo e economia azul cabo-verdiana que estão a ser desenvolvidos no arquipélago pelo Fundo de Turismo com financiamento do Banco Mundial, o presidente da ANMCV acrescentou que não basta recuperar e requalificar o património, sendo necessário acrescentar conhecimento para garantir uma gestão qualificada dos centros históricos e harmonizar o nível da oferta de serviços disponibilizados ao turista/visitante com o que se pratica em outras geografias, pois só assim se conseguirá gerar efetivamente valor, depositando, por isso, grande expetativa na mais-valia da parceria agora firmada.

Aludindo aos centros históricos como a marca da nossa identidade e um dos mais importantes fatores de valorização e competitividade dos territórios, por impulsionarem como poucos outros o turismo, Hugo Pereira não deixou de lembrar que esta atividade, nomeadamente enquanto turismo de massas, encerra igualmente perigos suscetíveis de potenciar a destruição desses valores históricos e patrimoniais, exigindo-se, como tal, uma gestão capacitada e equilibrada, para a qual contribui o trabalho que a APMCH tem vindo a fazer em termos de difusão do conhecimento e da partilha de boas práticas.

Foto: CML.

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Feira de São Mateus reforça ligação entre Viseu e a diáspora portuguesa

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A Feira de São Mateus voltou a colocar Viseu no centro da agenda cultural e turística de Portugal. A 634.ª edição decorre entre 6 de agosto e 6 de setembro de 2026, na zona do Campo de Viriato, com um programa que cruza música, gastronomia, comércio, cultura, artesanato, literatura, diversões e iniciativas dirigidas a diferentes gerações. Tradicionalmente, portugueses residentes na Suíça marcam presença na festividade.

Acompanhamos a programação do dia 8 de agosto, marcada pela estreia de Maiara & Maraisa no “Palco Visit Viseu”. A dupla brasileira levou ao recinto milhares de pessoas, num concerto acompanhado por público português e luso-brasileiro, além de visitantes de outras nacionalidades, bem como membros da diáspora lusa. Viseu é hoje uma cidade onde vivem cidadãos provenientes de diferentes países e onde as comunidades estrangeiras participam na atividade económica, social e cultural do concelho.

A edição de 2026 foi oficialmente inaugurada no dia 6 de agosto, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República portuguesa, António José Seguro, do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e do presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo. Organizada pela “Viseu Marca”, com o Município de Viseu entre os parceiros institucionais, a Feira funciona como “instrumento de promoção territorial, projetando o nome da cidade através da cultura, da gastronomia, do turismo e da programação musical”.

Durante o mês de agosto, esta função ganha maior expressão com a visita dos emigrantes portugueses. Milhares de pessoas que vivem e trabalham em países como a Suíça, França, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Canadá, Brasil e Estados Unidos, entre outros, escolhem o período das férias para voltar às suas localidades de origem. Para muitas famílias, a deslocação representa o reencontro com pais, filhos, avós, irmãos e amigos, após meses de distância.

Nascimento Cleóbulo, natural do Rio de Janeiro, Brasil, avaliou a Feira como “integrativa, pois visualizei pessoas de várias partes de Portugal, num ambiente organizado, com uma limpeza de chamar a atenção, sem falar no próprio facto de ver muitos brasileiros no recinto, o que me deixou particularmente feliz”.

Outra visitante, Estela Vasconcelos, disse à nossa reportagem que “a noite musical foi muito boa, e foi uma surpresa, pois não conhecia o cartaz e gostei de ver em palco artistas famosas no Brasil. Estela, natural de São Paulo, no Brasil, comentou ainda que gostou da organização do espaço de restauração e de ver os stands com artesanato local e regional.

“O horário da Feira é compatível com o da população e o comportamento do público, que sabia acolher quem desconhecia a festa. Foi bom também ver as crianças e os portadores de necessidades especiais terem um espaço específico dentro do recinto, bem como a sensação de segurança permanente”, reforçou.

Maria Pereira, nascida no Rio de Janeiro, e com raízes no Douro, frisou a componente de a Festa ser tradicional.

“Acompanho esta festa com a minha família e amigos há muitos anos. Hoje, vivo na Covilhã, mas não deixo de vir pelo menos um dia e foi espetacular reviver memórias de família nesta noite. Em Viseu a festa está cada vez melhor”, comentou.

O recinto torna-se um lugar de encontro entre quem permanece no território e quem mantém uma ligação familiar, afetiva ou patrimonial à região. Para os mais novos, sobretudo para os lusodescendentes nascidos fora de Portugal, a visita permite um contacto direto com a cultura, a gastronomia e as tradições da terra de origem das suas famílias.

A Feira de São Mateus é apresentada pela organização como a “feira popular mais antiga do país”.

Ígor Lopes

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Presidente da República portuguesa assinala “Dia Internacional da Juventude” na Covilhã

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O Presidente da República portuguesa, António José Seguro, desloca-se esta terça-feira, 11 de agosto, à Covilhã, onde vai assinalar o “Dia Internacional da Juventude”, celebrado anualmente a 12 de agosto. A agenda começa às 10h, com uma receção na Câmara Municipal da Covilhã, na Praça do Município.

Às 10h30, o chefe de Estado participa, no Salão Nobre da Câmara Municipal, num encontro com os líderes das juventudes partidárias nacionais e representantes jovens dos partidos com assento parlamentar.

O programa prossegue às 11h45, no Teatro Municipal da Covilhã, com uma conversa com um grupo de jovens empreendedores.

A visita termina às 12h30, com um almoço-convívio com jovens no Largo da Câmara Municipal.

Instituído pelas Nações Unidas, o “Dia Internacional da Juventude” procura chamar a atenção para os desafios, as oportunidades e a participação das novas gerações na sociedade.

Ígor Lopes

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Cultura digital pode “comprometer” a criatividade antes de “provocar” mudanças genéticas, diz neurocientista

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Segundo o neurocientista português Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, a cultura digital pode reduzir o uso de capacidades cognitivas que favoreceram a evolução humana, como a criatividade e a concentração prolongada. Essa redução pode ocorrer antes que qualquer alteração genética aconteça.

De acordo com o especialista, o cérebro humano evoluiu em um ambiente de escassez de estímulos, mas hoje enfrenta notificações constantes, excesso de informações e mudanças frequentes de atenção. Para ele, essa diferença impõe uma carga elevada ao córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e controle executivo.

O pesquisador afirma que plataformas digitais também estimulam continuamente o sistema de recompensa do cérebro, favorecendo a fadiga mental, a dificuldade de manter a atenção e a procrastinação. Na sua visão, tarefas inacabadas permanecem ativas na memória e aumentam a sensação de sobrecarga, enquanto o stress prolongado pode elevar os níveis de cortisol e prejudicar o desempenho cognitivo.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues ressalta que não há evidências de que o ambiente digital provoque mudanças genéticas na espécie humana. A adaptação observada, afirma, ocorre por meio da neuroplasticidade, processo pelo qual os circuitos neurais se reorganizam em resposta às experiências.

“O principal desafio é preservar a capacidade de reflexão profunda em um contexto marcado pela abundância de informações e pela rápida evolução tecnológica. O potencial cognitivo humano permanece, mas o seu desenvolvimento depende de como o cérebro é exercitado no cotidiano”, finalizou Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues.

Ígor Lopes

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