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Fim de Semana dos Rojões e das Papas de Sarrabulho à moda de Barcelos

De 17 a 19 de março

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Nem de propósito. No tempo frio que se faz sentir, nada melhor do que sentar-se à mesa e aconchegar o estômago com ricas e avantajadas doses de rojões e papas de sarrabulho à moda de Barcelos. A iniciativa acontece já no próximo fim de semana, em 38 restaurantes do concelho, no âmbito dos fins de semana gastronómicos, promovidos pelo Município de Barcelos.

Da tradição da matança do porco, antigamente morto em casa dos lavradores e chamuscado com colmo de centeio, ficando depois suspenso de cabeça para baixo durante dois dias, sendo depois desmanchado, salgado e fumado, resultaram, entre outros práticos típicos da região minhota, as papas de sarrabulho e os rojões à moda de Barcelos.

E se, hoje, os tempos e os modos são outros, todavia, a época e a procura pelas papas de sarrabulho e pelos rojões mantém-se, pelo que esta rica e forte comida é bastante solicitada e apreciada na restauração do território barcelense.

Papas de sarrabulho (Foto: CMB)

A pensar nisso, e também como forma de promover a gastronomia local e dinamizar economicamente a restauração do concelho, o Município de Barcelos promove, de 17 a 19 de março, o fim de semana dos rojões e das papas de sarrabulho à moda de Barcelos. E se os rojões se confecionam de forma praticamente idêntica em toda a região minhota, já as papas de sarrabulho à moda de Barcelos primam pela diferença de serem confecionadas com “mílharos”, estabelecendo uma diferença no sabor, face às demais de outras localidades.

Como complemento ao repasto, o Município de Barcelos apresenta uma caminhada e uma arruada como propostas para este fim de semana. A caminhada “Pelos Trilhos do Artesanato Popular” percorrerá alguns caminhos na envolvência do monte do Facho, que muitos apontam como a origem da tradição olárica barcelense. A arruada realiza-se no sábado, pelas 10h30, no Centro Histórico de Barcelos, com o Grupo de Danças e Cantares “As Gamelinhas de Palme”.

Restaurantes Aderentes: Abel Martins (Várzea), Alma dos Reis (Igreja Nova), Ávila (Vila Seca), Babette (Barcelos), Bagoeira (Barcelos), Belchior (Campo), Belo Horizonte (Rio Côvo Sta. Eulália), Bom Gosto (Arcozelo), Casa dos Arcos (Barcelos), Casa do Eduardo (Milhazes), Casa Sêmea (Arcozelo), Chuva (Barcelinhos), Cozinha Regional de Barcelos (Várzea),  Fina Mesa (Grimancelos), Furna (Barcelos), Galliano (Barcelos), Gosto Muito (Barcelos), Manjar das Estrelas (Várzea), Maria de Medros (Barcelinhos), Muralha (Barcelos), Os Mouros (Arcozelo), Pedra Furada (Pedra Furada), Restaurante 2000 (Tamel S. Fins), Restaurante Pérola (Barcelos), Restaurante O Cruzeiro “O Rabeca” (Gilmonde), Rústico (Mariz), Solar das Fontes (Várzea), Sonho do Cávado (Manhente), Taberninha O Chico (Perelhal), Taberna do Armindo (Remelhe), Taberna “O Manhoso” (Tamel S. Veríssimo), Taberna Lopes (Gilmonde), Tasca da Ponte (Barcelinhos), Tasquinha O Telheiro (Viatodos), Terraço dos Petiscos (Vila Boa), Três Marias (Barcelos), Tropical (Várzea), Vera Cruz (Barcelos).

Foto: CMB.

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Feira de São Mateus, em Viseu, encerra edição de 2026 com mais de 1 milhão de visitantes

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A Feira de São Mateus encerrou a edição de 2026 com mais de 1 milhão de visitantes, confirmando a sua forte capacidade de atração e a sua relevância enquanto um dos principais acontecimentos culturais e populares de Portugal e da região.

Ao longo dos 32 dias de duração, o certame recebeu uma média superior a 31.500 visitantes por dia, num balanço que confirma a forte adesão do público à edição deste ano. Desde o início, esta edição deu sinais claros do sucesso que viria a alcançar em termos de afluência: logo no dia 6 de agosto, a Feira recebeu 56 mil visitantes, estabelecendo um novo recorde num dia de inauguração.

O dia 30 de agosto registou o maior número de visitantes desta edição, com 57.990 visitantes, seguindo-se o dia de encerramento, 6 de setembro, que recebeu 57.537 pessoas. No plano musical, os Calema protagonizaram o concerto mais concorrido da edição, esgotando a lotação disponível e obrigando ao encerramento antecipado das bilheteiras, confirmando o forte poder de atração da Feira de São Mateus.

“A grande afluência à Feira de São Mateus é muito encorajadora para o trabalho que a Viseu Marca tem vindo a desenvolver. Mas este é também um resultado de todos os que tornam a Feira possível: visitantes, operadores, artistas, parceiros, funcionários, equipas de segurança e emergência e todas as entidades envolvidas na sua organização. A todos deixamos o nosso agradecimento”, afirma José Silva Fernandes, Presidente da Viseu Marca.

Com um forte foco nas áreas da sustentabilidade, saúde e inclusão, a edição de 2026 apresentou várias novidades, entre as quais a realização da primeira Feira do Livro da história do evento e a disponibilização, pela primeira vez, de um concerto com interpretação em Língua Gestual Portuguesa na Feira de São Mateus.

A programação voltou a conciliar tradição e inovação, com mais de 200 atividades realizadas ou acolhidas ao longo do certame. Concertos, espetáculos, iniciativas culturais e desportivas, workshops, rastreios de saúde e bem-estar, exposições, conferências e ações de animação dirigidas a diferentes públicos contribuíram para uma oferta diversificada e para a contínua renovação de um evento com mais de seis séculos de história.

A dimensão comercial manteve igualmente um papel central, com a participação de 227 operadores, assegurando uma ampla diversidade de produtos, serviços e experiências para os visitantes e reforçando a importância da Feira enquanto espaço de promoção e dinamização da atividade económica. A esta participação juntaram-se ainda 23 juntas de freguesia da região, outra das novidades desta edição.

Mais de seis séculos depois da sua origem, a 634.ª edição confirma a vitalidade da Feira de São Mateus e a sua capacidade de preservar a identidade que a distingue, renovando-se e adaptando-se simultaneamente às expectativas de diferentes gerações de visitantes. A Feira de São Mateus continua, assim, a afirmar-se como um ponto de encontro para milhares de pessoas e uma referência incontornável no calendário de Viseu e do país.

A Feira de São Mateus regressará em 2027 para a sua 635.ª edição.

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Castelo Branco: Durante “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, especialistas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos discutiram potencialidades no âmbito das “Cidades Criativas da UNESCO”

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A “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” terminou no sábado, 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), com um segundo dia dedicado à partilha de práticas entre Cidades Criativas da UNESCO e à discussão sobre empreendedorismo, valorização da tradição e internacionalização das indústrias criativas. A iniciativa decorreu em paralelo e de forma integrada no programa do “Festival Sabores de Perdição”, uma aposta do município albicastrense para afirmar Castelo Branco enquanto Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da Bienal, fez uma avaliação positiva dos dois dias de programação e destacou a participação do público.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas e as experiências foram ótimas e senti, também da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, muito gosto em estar presente”, afirmou. Para esta responsável, um dos resultados do encontro foi demonstrar que “o artesanato tem tudo para seguir em frente”, mas que é necessário envolver as novas gerações e criar condições para que possam fazer destas artes uma atividade profissional.

Sónia Abreu apontou ainda a projeção do Bordado de Castelo Branco como uma das prioridades após a realização do encontro.

“Gostaria de continuar a investir neste projeto de forma a alcançar cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional”, referiu, sublinhando que “a nossa Cidade Criativa tem este solo, que é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, acrescentou.

A programação do segundo dia começou às 10h com a sessão “Cidades Criativas da UNESCO: Práticas, Projetos e Inspirações”, que reuniu representantes de diferentes municípios portugueses integrados na rede internacional. Participaram Castelo Branco, Barcelos e Caldas da Rainha, todas na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, além de Amarante e Leiria, ambas classificadas na categoria de “Música”. Depois de uma pausa, os trabalhos foram retomados às 12h com uma segunda sessão dedicada à mesma temática, desta vez com a participação de Braga, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artes Digitais”, Covilhã, na categoria de “Design”, Idanha-a-Nova, na categoria de “Música”, e Matosinhos, na categoria de “Gastronomia”. O encontro permitiu apresentar diferentes modelos de valorização do património, da criatividade e das indústrias culturais a partir das especificidades de cada território.

A manhã terminou com um período de debate e participação do público, previsto para as 13h15. A presença de diferentes cidades na programação reforçou uma das linhas centrais da Bienal, a criação de um espaço de intercâmbio entre territórios que utilizam cultura, património e criatividade como instrumentos de desenvolvimento local e de cooperação.

O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, destacou precisamente esta dimensão económica e internacional da Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

“Sabemos que uma rede com esta dimensão cria escala, cria oportunidades e cria valor para aquilo que é o bordado e o artesanato local, abrindo uma janela de oportunidade não apenas para o território, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, afirmou o autarca, referindo que “esta Bienal tem para nós um significado muito profundo”, tanto por se realizar em Castelo Branco como pela possibilidade de mostrar o artesanato local, receber outras cidades e incorporar novos conhecimentos e formas de fazer. Leopoldo Rodrigues sublinhou ainda que integrar uma rede internacional com a chancela da UNESCO representa simultaneamente “um orgulho e uma responsabilidade”, sobretudo na valorização dos artesãos e das produções do território.

Durante a tarde, a programação concentrou-se na mesa-redonda “Transformar a Tradição em Valor: Empreendedorismo e Internacionalização nas Indústrias Criativas”. A sessão teve moderação de Eduardo Barroso, consultor e ponto focal internacional de João Pessoa, no Brasil, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. Barroso, representante de João Pessoa junto da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO, destacou a relação já estabelecida entre a cidade brasileira e Castelo Branco e o potencial de encontros desta natureza para produzir novas formas de cooperação.

“A nossa presença em Castelo Branco vem no sentido de reforçar esses laços de cooperação que já existem, porque hoje João Pessoa e Castelo Branco são cidades geminadas”, afirmou. Na sua avaliação sobre os dois dias, Barroso considera que “iniciativas como esta devem ser apoiadas e reforçadas, porque se transformam no espaço ideal de partilha das melhores práticas, de apresentação de novos projetos e de criação de novas oportunidades de intercâmbio e cooperação”. Para ele, ser Cidade Criativa “é mais do que um reconhecimento, é uma provocação e um estímulo para que a cidade avance na direção de um desenvolvimento sustentável”.

Participaram no painel Higor Esteves, vice-presidente da Comissão Executiva da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) e diretor-geral da “Start CPLP”, Marielza Rodriguez, gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), e Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde.

Higor Esteves enquadrou a participação da CE-CPLP e da “Start CPLP” na necessidade de criar condições económicas para que o artesanato se transforme numa atividade sustentável.

“É muito importante percebermos como está hoje a realidade dos artesãos, como têm a sua produção garantida e sustentável economicamente e como podemos criar canais para que essa sustentabilidade seja cada vez mais robusta e possa perpetuar-se”, afirmou, defendendo que a língua portuguesa pode funcionar como instrumento económico entre os países da comunidade.

“A língua é um passo importante e decisivo para criarmos pontes, relações e confiança multilateral”, declarou, acrescentando que cabe às estruturas empresariais da CPLP proporcionar ferramentas e um ambiente de negócios que permita transformar essa confiança em atividade económica.

Já Marielza Rodriguez levou ao encontro a experiência do “Programa do Artesanato Paraibano” e destacou a relação entre a Paraíba e Castelo Branco.

“Castelo Branco é uma cidade já irmã de João Pessoa e, desta quarta vez que venho a Castelo Branco, trazemos aquilo que temos de melhor em coleções feitas com inovação e design no artesanato paraibano”, disse esta responsável brasileira, que destacou a importância da cidade portuguesa enquanto referência para a cooperação entre territórios ligados ao artesanato.

“Castelo Branco, para mim, é uma referência, porque são pessoas que pensam no futuro e fazem eventos importantes de intercâmbio”, declarou Marielza Rodriguez, que sugere que a experiência permite levar para João Pessoa e para a Paraíba exemplos de projetos desenvolvidos em Portugal que podem ser adaptados à realidade brasileira. Na sua intervenção, abordou também o papel do artesanato na fixação das populações nos territórios e na geração de rendimento. A gestora explicou que a incorporação de design e inovação permite preservar técnicas transmitidas entre gerações e, simultaneamente, tornar as peças mais atrativas para novos públicos, contribuindo para o desenvolvimento local e para a permanência dos artesãos nas comunidades de origem.

Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, salientou que a ligação institucional com Castelo Branco antecede a atual edição da Bienal e recordou a participação da capital cabo-verdiana no processo de candidatura albicastrense à Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

“Já existem parcerias em várias áreas com Castelo Branco há muitos anos. Hoje viemos sublinhar a importância desta relação de cooperação e partilhar algumas boas práticas da Praia”, afirmou, afirmando que a participação na Bienal permite transportar experiências em ambas as direções.

“Queremos levar conhecimento, novas práticas e know-how e, sobretudo, qualidade de vida”, referiu, defendendo que a cooperação entre cidades deve contribuir para criar oportunidades económicas e condições para que os jovens permaneçam nos seus territórios.

Fernando Pinto apresentou, entre as experiências desenvolvidas na Praia, iniciativas relacionadas com “economia circular, educação ambiental e reutilização de materiais”, defendendo a “transformação de resíduos em recursos capazes de gerar atividade económica”.

O painel colocou em discussão a passagem dos saberes tradicionais para modelos capazes de gerar atividade económica, criar oportunidades para artesãos e criadores e ampliar a presença dos produtos e projetos culturais em novos mercados. O tema esteve alinhado com a orientação geral da Bienal, centrada na preservação dos saberes tradicionais, na inovação nas indústrias criativas, na valorização do património e no papel da Rede de Cidades Criativas da UNESCO no desenvolvimento dos territórios.

A relação entre património, cultura e políticas públicas foi também abordada durante a Bienal pelo diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES), Américo Rodrigues, que considerou importante a realização de iniciativas desta natureza e destacou a cooperação já existente com Castelo Branco.

“Para nós é muito importante, no plano do Ministério da Cultura de Portugal e através da Direção-Geral das Artes, articularmos, colaborarmos e apoiarmos esta iniciativa e iniciativas deste tipo”, afirmou, salientando a necessidade de atribuir às artes e ofícios tradicionais uma posição própria nas políticas culturais.

“O que queremos é valorizar o património material e o saber-fazer tradicional, mas encará-lo como algo vivo, dinâmico, inscrito no presente e capaz de contribuir também para a economia”, referiu. Sobre o trabalho desenvolvido localmente, acrescentou que “Castelo Branco é um bom exemplo do trabalho que se pode fazer nesta área”, apontando o Bordado de Castelo Branco como “uma das referências na articulação entre tradição, promoção e desenvolvimento”.

A certificação das produções tradicionais foi outro dos temas presentes. Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, Organismo de Certificação de Produções Artesanais Tradicionais, explicou que o trabalho de certificação procura “garantir o respeito pelos padrões históricos, matérias-primas, técnicas e características que definem cada produção”.

Sobre Castelo Branco, Teresa Costa destacou o reconhecimento alcançado pelo bordado dentro e fora de Portugal.

“O Bordado de Castelo Branco é um trabalho reconhecido não só no território nacional, mas também além-fronteiras, e o facto de a cidade ter esta chancela da UNESCO é importante para as artesãs”, realçou. Segundo ela, o reconhecimento do trabalho das bordadeiras “contribui para projetar internacionalmente uma técnica com características próprias, desenvolvida através do bordado em seda sobre linho”. Para Teresa Costa, a certificação deve funcionar também como um instrumento pedagógico. A responsável explicou que, quando uma peça apresenta elementos que não cumprem os requisitos definidos, o objetivo passa por “orientar o artesão para as correções necessárias antes de atribuir a respetiva certificação, preservando a autenticidade da produção sem afastar quem mantém vivo o saber-fazer”.

A dimensão internacional esteve igualmente presente através do Brasil. O cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, António Pinto Dias Rocha, classificou a Bienal como uma “oportunidade para reforçar a aproximação entre o território e a comunidade brasileira”.

“Castelo Branco é uma cidade importante, com muitos brasileiros, e a nossa obrigação enquanto cônsul honorário do Brasil é tentar criar condições para sermos úteis àqueles que aqui vivem”, afirmou, além de apontar também o potencial económico da região e a possibilidade de aprofundar as relações empresariais. O representante consular disse ainda estar otimista quanto à criação de condições para reforçar a presença e os serviços consulares destinados à comunidade brasileira no distrito.

A ligação entre Portugal e Cabo Verde foi outra das dimensões presentes no encontro. Sofia Lourenço, cônsul honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, destacou a qualidade dos painéis e o potencial da Bienal para aprofundar o intercâmbio cultural.

“Os painéis desta Bienal têm uma qualidade indiscutível e proporcionam um intercâmbio de informações muito importante”, afirmou. Para Sofia Lourenço, a relação entre tradição e inovação constitui uma das principais linhas de trabalho para o futuro.

“Falando de cultura e destas relações que podemos construir entre Portugal e Cabo Verde, só nos enriquecemos e melhoramos as oportunidades”, declarou. A responsável frisou ainda a presença de elementos da cultura cabo-verdiana, incluindo o pano de terra e as batucadeiras, defendendo que o objetivo passa por “preservar a tradição e, ao mesmo tempo, criar novas formas de cooperação no espaço lusófono”.

O encerramento da Bienal aconteceu com uma visita guiada ao “Centro de Interpretação do Bordado”, aproximando os participantes de um dos elementos culturais que sustentaram a integração de Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”.

A dimensão do Bordado de Castelo Branco esteve também presente no primeiro dia da Bienal, realizado na sexta-feira, 4 de setembro. A abertura foi conduzida por Leopoldo Rodrigues, seguindo-se um momento musical das “Batucadeiras das Olaias”. A manhã prosseguiu com a mesa-redonda “Identidade Local e Economia Criativa: Instrumentos Públicos para Valorizar o Património”, moderada por Sofia Lourenço. Essa primeira sessão contou com António Pinto Dias Rocha, cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, Maria Antónia Amaral, chefe de Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, I.P., e Américo Rodrigues, diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES).

Durante a tarde do primeiro dia, o debate concentrou-se no tema “O Bordado de Castelo Branco: Tradição e Inovação”. A mesa-redonda foi moderada por Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, e contou com Ana Cristina Mendes, diretora-adjunta do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), Graça Ramos, presidente da Associação Portugal à Mão, Ana Margarida Fernandes, professora na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) da Universidade Politécnica de Castelo Branco, e Sónia Santiago, diretora de Marketing e Comunicação do “Grupo O Valor do Tempo”.

O dia 4 terminou com a inauguração da exposição “O Mundo Bordado à Mão” e uma visita guiada ao “Museu dos Têxteis (MUTEX)”. A exposição reuniu trabalhos provenientes de diferentes municípios, além de peças do Brasil e de Cabo Verde. Segundo Sónia Abreu, os contactos estabelecidos a partir da mostra começaram já a gerar interesse de outros municípios em receber a exposição, abrindo a possibilidade de circulação do projeto e de novas relações de cooperação institucional.

Para os seus responsáveis, ao longo dos dois dias, a Bienal procurou “articular património, artesanato, inovação, economia criativa e cooperação internacional”, reunindo participantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e representantes de várias cidades integradas na rede da UNESCO.

A realização da Bienal insere-se na estratégia de Castelo Branco enquanto “Cidade Criativa da UNESCO”, estatuto que o município tem utilizado para “reforçar a promoção das artes e ofícios tradicionais, a transmissão de conhecimentos, a cooperação entre territórios e a valorização dos recursos culturais locais”.

Recorde-se que UNESCO integrou oficialmente Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas em 2023”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, tendo o Bordado de Castelo Branco assumido um “papel central” na candidatura e na estratégia cultural associada ao reconhecimento. A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” decorreu entre os dias 4 e 5 de setembro. Por sua vez, o “Festival Sabores de Perdição 2026” decorre de 3 a 6 de setembro.

Ígor Lopes

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Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” coloca “investimento, financiamento e internacionalização” em foco na estratégia para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal

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A Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB) realiza, no próximo dia 12 de setembro, no Grande Hotel de Luso, região Centro de Portugal, a quarta edição do “Fórum Económico das Beiras”, este ano subordinada ao tema “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”. O encontro decorre entre às 08h30 e às 19h e pretende “assumir-se como plataforma de ligação entre empresas, decisores políticos, instituições financeiras, organismos públicos e estruturas internacionais”, com foco na “captação de investimento, no acesso ao financiamento e na internacionalização da economia regional”.

A edição de 2026 marca uma nova etapa no percurso do fórum. Depois de encontros dedicados às oportunidades de desenvolvimento regional, às energias renováveis e à transição digital, a CCRB direciona agora a discussão para a integração da Região Centro nas redes internacionais de capital e comércio. A própria organização enquadra o “IV Fórum” como um “catalisador de financiamento bancário, investimento e alianças internacionais”.

Para Ana Correia, presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, esta edição pretende “reforçar a ligação do território aos centros de investimento e decisão”. Esta responsável afirma que o “IV Fórum Económico das Beiras” representa “mais um passo na construção de uma região conectada com essas estruturas”, acrescentando que o objetivo passa por “transformar contactos em parcerias, conhecimento em inovação e relações internacionais em oportunidades concretas para as empresas e para o território”.

Ana Correia sublinha ainda que o encontro vai funcionar como “impulsionador de capital, financiamento e alianças internacionais para a Região Centro”. Segundo a presidente, o programa está estruturado em quatro eixos: “capital e resiliência, banca e financiamento, diplomacia económica e inovação, inteligência artificial e capacitação das empresas para a internacionalização através de tecnologias avançadas”.

A sessão de abertura será dedicada à “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”. Ana Correia fará o enquadramento institucional do encontro e da estratégia de internacionalização da CCRB. Estão igualmente previstas intervenções de António Franco, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, João Diniz, chairman do Grande Hotel de Luso, e Ribau Esteves, presidente do Conselho Regional do Centro da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. O papel da Região Centro na atração de investimento, na coesão territorial e na internacionalização das empresas será um dos pontos de partida do programa.

O primeiro painel será dedicado à “Resiliência, Mecenato e Risco”, sob o eixo “Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”. Moderada por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, a sessão contará com Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro. O debate deverá abordar financiamento de impacto, incentivos fiscais, mecenato empresarial e ambiental, reconstrução e capacidade dos territórios para captar investimento em contextos de risco.

Às 11h25, o financiamento empresarial passa para o centro da agenda com o painel “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”. Moderada por Agostinho Franklin, diretor do “Diário As Beiras”, a sessão junta Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Entre os temas previstos encontram-se linhas de crédito, garantias mútuas, financiamento à internacionalização e formas de reduzir a perceção de risco associada ao investimento em territórios de baixa densidade, incluindo a valorização de ativos agroalimentares e tecnológicos.

Durante a tarde, o fórum amplia a discussão para os mercados internacionais. A partir das 14h45, o painel “Diplomacia Económica e Grandes Mercados” terá José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo secretário de Estado da Economia e do Mar, como keynote speaker. A sessão, moderada pelo advogado Wilson Bicalho, será centrada no “Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia”. Participam Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP. A presença destas estruturas empresariais coloca no mesmo espaço ligações económicas com geografias europeias, árabes, asiáticas e lusófonas.

Para a CCRB, este cruzamento “assume relevância na tentativa de transformar a diplomacia económica numa ferramenta de internacionalização para empresas da Região Centro”.

A “inovação e a inteligência artificial” entram no programa às 16h15, com o quarto painel, dedicado à “Inovação, IA e Capacitação Exportadora”, sob o conceito “Internacionalização 4.0”. Moderada por Carlos Martinho, a sessão terá intervenções de Renan Santana, CEO da PRTE e  head de Inovação da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (ACIEG), Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital, Gestão da Informação e dos Recursos Humanos, responsável pelo Gabinete de Cibersegurança e Proteção de Dados e docente do Departamento de Informática da Universidade da Beira Interior. O objetivo passa por “discutir de que forma tecnologias avançadas, competências digitais, inteligência artificial e cibersegurança podem ser incorporadas nos processos de expansão internacional das empresas”.

Outro dos momentos institucionais do “IV Fórum” está previsto para às 17h30, com a assinatura de protocolo de cooperação entre a CCRB e o IAPMEI.  Esta componente procura “criar mecanismos de cooperação ligados ao financiamento, desenvolvimento regional, apoio empresarial, turismo e internacionalização”.

O encerramento dos trabalhos ficará a cargo de Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.

“A importância desta quarta edição reside na tentativa de aproximar, num único programa, alguns dos principais fatores que condicionam a capacidade competitiva da Região Centro: financiamento, atração de capital, inovação, acesso a mercados, redes internacionais e capacitação empresarial. A proposta da CCRB procura ligar internacionalização, banca, diplomacia económica, tecnologia e instituições públicas numa mesma agenda, criando condições para que as empresas da região possam estabelecer novos contactos, identificar instrumentos de financiamento e ampliar relações comerciais”, referiu Ana Correia.

O “IV Fórum Económico das Beiras” realiza-se no Grande Hotel de Luso, na Mealhada, com receção dos participantes a partir das 08h30. A participação, incluindo almoço, tem um valor anunciado de 60 euros para associados da CCRB e de 88 euros para o público em geral. As inscrições decorrem até 10 de setembro através do link: https://forms.gle/TDWh91qbfny42B1E9

O encontro conta com organização da Câmara de Comércio da Região das Beiras e apoio institucional do Município da Mealhada, do Turismo do Centro de Portugal e do Grande Hotel de Luso.

Ígor Lopes

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