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Engenharia Civil da Universidade de Coimbra comemora meio século de existência

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No âmbito dos 50 anos da criação dos cursos de engenharia na Universidade de Coimbra (UC), o Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) celebra a data, no próximo dia 19 de novembro, no Auditório Laginha Serafim.

A cerimónia tem início às 15 horas e conta com a presença da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, do Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, do Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando de Almeida Santos, e, ainda, da Vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Bastos.

Nesta cerimónia, que pretende ser de “confraternização e reencontro entre diferentes gerações de docentes, investigadores, estudantes, funcionários e colaboradores do DEC/FCTUC”, será recordada a história deste Departamento, através da intervenção do Professor João Coutinho, e inaugurada a exposição fotográfica “50 anos – 50 momentos”.

O programa das comemorações inclui, também, um debate sobre as perspetivas e os desafios futuros da Engenharia Civil enquanto área profissional. Com moderação do jornalista José Manuel Portugal, participam no debate o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando de Almeida Santos, a Presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Laura Caldeira, o Vice-Reitor da UC para a Inovação e Empreendedorismo, Luís Simões da Silva, e o Presidente do Itecons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, António Tadeu.

Destaque, ainda, para a Lição Laginha Serafim, que pretende recordar este antigo Professor e Figura da Engenharia de grande prestígio internacional, que, juntamente com o Professor Vítor Graveto, esteve na origem do DEC/FCTUC. O Engenheiro João Leal Barreto, antigo aluno desta instituição, é o orador convidado.

O dia terminará com a atuação do Chorus Ingenium, o coro misto da Secção Regional do Centro da Ordem dos Engenheiros, seguindo-se um Porto de Honra e um jantar de Confraternização.

Os interessados em participar nesta cerimónia especial, devem inscrever-se em: http://forms.gle/4A1eh6P8P4xWYBqj8, até dia 10 de novembro.

Foto: UC.

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Equipa da Universidade de Coimbra cria programa de intervenção psicológica para apoiar mulheres na menopausa

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Com o objetivo de responder aos desafios físicos e emocionais que acompanham a transição para a menopausa, uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu e está a testar um programa de intervenção psicológica para ajudar as mulheres nesta fase das suas vidas.

Denominado Cuidar-ME – Autocuidado durante a Menopausa: uma intervenção psicológica para promover a saúde mental e a qualidade de vida das mulheres durante a (peri)menopausa, este programa digital, acessível através do computador ou do telemóvel, oferece estratégias práticas e informações baseadas em evidência científica para promover o autocuidado, o bem-estar e a qualidade de vida durante a perimenopausa e a menopausa.

“A transição para a menopausa é uma fase com muitas mudanças físicas e psicológicas que podem ter impacto não só na mulher e no seu bem-estar, mas também nas suas relações em diversos contextos, como o pessoal e o profissional”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Fonseca. “Muitas vezes, a mulher vive esta fase sozinha, sem partilhar o que sente ou mesmo sem perceber bem o que se está a passar consigo porque, infelizmente, este tema ainda é tratado como um tabu”, elucida a coordenadora do projeto, salientando ainda que “é muito importante que exista investigação dirigida a esta fase do ciclo de vida”.

A menopausa e a perimenopausa são fases naturais de transição biológica e emocional profundas, constituindo um marco desenvolvimental significativo durante a idade adulta. Este período de transição está frequentemente associado a sintomas como oscilações de humor, ansiedade, alterações de sono e perturbações na qualidade de vida global. Apesar do seu impacto na vida das mulheres, o apoio psicológico é ainda escasso e de difícil acesso para a maioria das mulheres.

Para colmatar esta lacuna, o programa Cuidar-ME apresenta uma solução digital e acessível que orienta as utilizadoras em estratégias de autocuidado e regulação emocional, promovendo competências práticas para gerir alguns dos sintomas da menopausa. “O Cuidar-ME procura ajudar as mulheres a compreender as mudanças que possam estar a sentir durante a transição ou após a menopausa e ajudá-las a encontrar estratégias úteis para promover o seu bem-estar e a sua saúde mental”, avança Ana Fonseca. “Queremos capacitar as mulheres com ferramentas práticas e validadas cientificamente, permitindo que vivam esta etapa de transição com maior bem-estar, autonomia e qualidade de vida”, sublinha a investigadora.

Neste momento, a equipa de investigação está a realizar um estudo para avaliar a eficácia e aceitabilidade desta intervenção. “Procuramos compreender a experiência das utilizadoras do programa e avaliar se, depois da participação, existem melhorias no seu bem-estar e saúde mental”, explica a docente.

O estudo é dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos de idade que se encontrem em perimenopausa ou pós-menopausa e que vivam em Portugal. É necessário que tenham acesso a um dispositivo (telemóvel ou computador) com acesso à internet para utilizar o programa. As mulheres interessadas em participar neste estudo podem inscrever-se através deste link: https://ls.fpce.uc.pt/limesurvey/index.php?r=survey/index&sid=323285.

O programa Cuidar-ME é composto por oito módulos, com informações, exercícios e estratégias para, por exemplo, gestão de ansiedade, regulação do humor e aceitação. Os módulos podem ser realizados ao ritmo de cada participante.

Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Mais informações sobre o Cuidar-ME estão disponíveis em www.uc.pt/cuidar-me/.

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“Aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal”

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, procurou aproximar “património, criatividade, conhecimento e cooperação entre territórios”. Promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, num momento em que Castelo Branco procura desenvolver o trabalho associado à sua integração na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, fez, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, um balanço positivo dos dois dias de programação, destacando a adesão do público, a qualidade das intervenções e o interesse demonstrado pelas diferentes atividades.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas, as experiências foram ótimas. Sinto também, da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, que houve muito gosto em estar presente”, avaliou.

Esta responsável apontou como exemplo dessa participação a visita realizada ao MUTEX – Museu dos Têxteis, após um primeiro dia de programa.

“Saímos daqui já com um horário bem esticado e, ainda assim, as pessoas acompanharam-nos. Tínhamos mais de 30 pessoas na visita e isso é a prova de que as pessoas estavam muito envolvidas com estas temáticas”, salientou.

O programa da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reuniu especialistas, investigadores, responsáveis públicos e agentes culturais, com debates sobre identidade local, economia criativa, património, Bordado de Castelo Branco, empreendedorismo e internacionalização. Entre os participantes esteve Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que integrou a mesa-redonda dedicada à relação entre identidade local e instrumentos públicos de valorização do património.

Para Sónia Abreu, uma das mensagens que marcou os trabalhos foi precisamente a necessidade de colocar o artesanato no mesmo espaço de reconhecimento das restantes expressões artísticas.

“Aquilo que eu mais gostei de ouvir foi esta explicação de alguém como o doutor Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que nos diz que o artesanato é arte, é uma arte maior e merece o mesmo prestígio que todas as outras categorias de arte”, observou.

A discussão em torno do Bordado de Castelo Branco ocupou igualmente uma parte do encontro, sobretudo na relação entre tradição, contemporaneidade e viabilidade económica. Sónia Abreu destacou a participação de responsáveis e especialistas de diferentes instituições e áreas, que procuraram responder ao desafio de preservar a identidade do bordado sem impedir a sua evolução.

“Este tema gera sempre discussão. Como é que nós agarramos no Bordado de Castelo Branco e o tornamos vendável, comerciável? Como é que nós o tornamos mais contemporâneo? E qual é o limite? Até onde podemos ir?”, questionou. Da reflexão resultou, segundo ela, uma aproximação entre diferentes perspetivas sobre o futuro do património.

“Foi um diálogo muito produtivo. As discussões são sempre boas e acho que foi um momento de muita aprendizagem e de percebermos que podemos dar este salto”, considerou.

Outro dos objetivos esteve relacionado com a aproximação entre a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” e a própria comunidade. A cidade integra a “Rede de Cidades Criativas” desde outubro de 2023, distinção atribuída na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. A autarquia enquadrou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente nessa estratégia de valorização dos saberes tradicionais, das indústrias criativas e da cooperação.

Para Sónia Abreu, este processo depende da capacidade de transmitir às novas gerações que o património pode ter continuidade e dimensão económica.

“O artesanato tem tudo para seguir em frente. Nós só temos de arranjar forma de cativar as gerações mais novas para conseguirmos, de facto, continuar, porque eles é que são o futuro”, defendeu. Essa participação, acrescentou, deve ultrapassar a esfera institucional.

“A chancela UNESCO só funciona se for da comunidade. Não é do município, é da cidade. Nós temos que envolver as pessoas e, de alguma forma, despertar o interesse dos jovens para estes trabalhos, para estes labores, mas, para isso, eles têm de conseguir fazer vida destas artes”, explicou.

A chefe da Divisão de Museus e Cultura considera agora prioritário aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal e utilizar o encontro como “instrumento de valorização do Bordado de Castelo Branco”.

“Aquilo que eu gostaria de fazer era continuar a investir neste projeto, de forma a que alcance cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional. Conseguir dar esta alavanca ao Bordado de Castelo Branco é muito importante. É o nosso solo. A nossa cidade criativa tem este solo, é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, projetou.

A programação permitiu também aproximar Castelo Branco de outras cidades portuguesas que integram a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, entre as quais Barcelos, Caldas da Rainha, Amarante, Idanha-a-Nova, Leiria, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira e Matosinhos. O programa oficial reservou o segundo dia para a apresentação de práticas, projetos e experiências desenvolvidas por vários destes territórios. Sónia Abreu considera que o contacto direto pode agora transformar-se em projetos conjuntos.

“Esta partilha que está a acontecer com os pontos focais das outras cidades criativas de Portugal deixa-nos muitas ideias. Depois é estreitar pontos, pensar em novos projetos que nos possam envolver, não só com as cidades criativas, mas com todas estas cidades e municípios que participaram nesta exposição e que têm também um aporte muito importante a trazer a este projeto”, perspetivou.

Um dos resultados surgiu através da exposição “O Mundo Bordado à Mão”, concebida para “reunir peças provenientes de diferentes territórios”. A mostra foi integrada no programa oficial da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” e contou com contributos de municípios portugueses e representações do Brasil, de Cabo Verde e dos Açores. Segundo Sónia Abreu, a adesão superou as expectativas iniciais.

“Endereçámos um convite aos municípios e foi incrível aquilo que aconteceu a seguir. As pessoas, de forma completamente genuína e espontânea, começaram a responder-nos e a perguntar como faziam chegar aqui as peças. Umas vieram por correio, outras vieram trazer”, recordou.

A quantidade de trabalhos recebidos permitiu ainda reorganizar a exposição, dando maior dimensão à diversidade geográfica.

“Eu achava que ia ter aqui peças do Brasil, que já tínhamos confirmado desde o início, também de Cabo Verde, e que depois teria de puxar pelo Bordado de Castelo Branco para compor a sala. Afinal, não foi preciso. Conseguimos pôr este primeiro espaço só com aquilo que nos foi chegando dos outros municípios, do Brasil e de Cabo Verde”, revelou.

Dos contactos efetuados antes e durante o encontro resultaram já manifestações de interesse na circulação da mostra.

“Já tive contactos de municípios que não estão aqui representados e que gostavam de receber a exposição. Já tive contactos destes municípios a dizer: como é que nós agora agarramos nisto e levamos também para nós? Vamos fazer isto rodar”, adiantou.

Entre as participações que surpreenderam a organização esteve a do município da Madalena, na ilha do Pico, Açores. A autarquia açoriana enviou peças e esteve representada durante os dois dias pela presidente da Câmara Municipal. Para Sónia Abreu, a resposta abriu uma possibilidade de continuidade.

“A disponibilidade foi imediata. Disponibilizaram-se para mandar as peças e, melhor do que isso, a senhora presidente da Câmara Municipal esteve presente nos dois dias da Bienal. Há aqui um envolvimento muito interessante que nós não esperávamos”, assinalou.

Esta profissional considera que a projeção institucional de Castelo Branco poderá também “servir para dar visibilidade a artesãos e territórios que ainda não dispõem do mesmo reconhecimento internacional”.

“Aquilo que nós podemos fazer é disponibilizarmo-nos para fazer parcerias, para os fazer aparecer sempre que estivermos em algum lado e eles nos queiram acompanhar. Isto passa por uma questão de divulgação deste artesanato e da projeção de que estas artesãs precisam. Precisam que se comece a falar delas, que sejam reconhecidas e que o trabalho delas seja valorizado”, sustentou.

Sobre a relação criada com o município da Madalena, Sónia Abreu deixou ainda uma expectativa de continuidade para além da primeira edição.

“Quero acreditar que isto que aconteceu em relação à Madalena é só o início de uma linda história de cooperação institucional”, anteviu.

A presença de Portugal, Brasil e Cabo Verde introduziu ainda no encontro uma dimensão lusófona, assente não apenas na circulação de técnicas e formas de expressão, mas numa língua comum que facilita os contactos entre instituições e criadores.

“É muito bom este relacionamento com estes países irmãos. A língua que nos une é, de facto, aquilo que facilita todo este trabalho e esta comunicação”, sublinhou.

A atuação da Divisão de Museus e Cultura, acrescentou Sónia Abreu, não se limita às artes e ofícios. A estrutura municipal mantém igualmente ações ligadas à literatura, edição, investigação e outras formas de produção cultural.

“Para além do artesanato, temos também esta preocupação com as outras artes, a literatura, a escrita, as performances. Tudo o que envolva outras formas de cultura estará sempre na nossa mira para apoio”, garantiu.

A génese da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” resultou precisamente da intenção de dar maior significado local à classificação atribuída pela UNESCO e explicar à população o que representa pertencer à “Rede de Cidades Criativas”, segundo os seus organizadores.

De acordo com Sónia Abreu, a programação foi construída a partir dessa necessidade de transformar uma chancela internacional num instrumento compreendido e partilhado pela cidade.

“As pessoas na comunidade não sabem, não entendem o que é isto de ser uma “Cidade Criativa da UNESCO”. O foco tinha que ser este. Temos que levar às pessoas a mensagem de uma forma muito clara. O que é ser uma cidade criativa? O que é que isto nos beneficia? O que podemos fazer com isto? A nível do futuro, como podemos projetar a nossa cidade?”, sintetizou.

No final dos dois dias, a responsável destacou ainda o trabalho coletivo que sustentou a organização e que, segundo explicou, esteve na origem da emoção demonstrada durante a sua intervenção pública no encerramento.

“Houve um trabalho enorme, uma equipa incrível que me acompanhou sempre. Eu tenho muita sorte com a equipa que tenho na minha divisão. Sentir que as pessoas estão comigo é muito bom”, concluiu.

Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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Autarca de Castelo Branco classificou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” como “instrumento de valorização do património e da economia” do município e da região

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” colocou Castelo Branco no centro de uma reflexão sobre património, artesanato, economia e cooperação entre territórios. Realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, promovido no concelho entre 3 e 6 de setembro. A realização do encontro esteve também associada à condição de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, estatuto atribuído em 2023.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, defendeu que a participação na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” ultrapassa a dimensão cultural e deve ser entendida também pelo seu potencial para gerar “atividade económica, oportunidades para os artesãos e projeção internacional do território”.

“As “Cidades Criativas da UNESCO” são uma rede mundial, onde felizmente Castelo Branco está incluído através do artesanato e das artes populares, e tivemos como elemento central na nossa candidatura o Bordado de Castelo Branco”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que reforçou que a dimensão internacional da rede permite criar escala para os produtos e saberes locais.

“Cria oportunidades, cria valor àquilo que é o Bordado e àquilo que é o artesanato local e, portanto, abre uma janela de oportunidade não apenas para o território no qual estamos inseridos, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, disse.

O autarca salientou que a presença de Castelo Branco nesta estrutura internacional implica também compromissos na preservação e transmissão dos saberes. Segundo explicou, o município tem procurado promover o artesanato local, ao mesmo tempo que estabelece contactos com outras cidades que integram a rede da UNESCO.

“Vamos integrando também o conhecimento, a forma de fazer e a forma de estar das outras Cidades Criativas da UNESCO”, referiu.

É neste contexto que Leopoldo Rodrigues enquadra a realização da Bienal Internacional de Artes e Ofícios.

“A Bienal que agora começa é um momento muito importante porque traz outras cidades, traz outros artesanatos e traz também a reflexão que, do nosso ponto de vista, é fundamental sobre este desenvolvimento económico que também é proporcionado pelo artesanato e através das cidades criativas”, sublinhou. A iniciativa, acrescentou, “permite simultaneamente mostrar a produção de Castelo Branco e conhecer métodos, experiências e práticas de outros territórios”.

“Esta Bienal tem para nós um significado muito profundo. Em primeiro lugar, porque se realiza em Castelo Branco. Em segundo lugar, porque é também uma oportunidade para mostrarmos aquilo que é o nosso artesanato nas suas diferentes dimensões. E, por último, porque nos permite acolher outras cidades, outros artesãos e outras artesãs e incorporar o seu conhecimento e também a sua forma de fazer”, atestou à Agência Incomparáveis.

O presidente da Câmara Municipal relacionou ainda a chancela da UNESCO com uma maior responsabilidade dos profissionais ligados ao artesanato. O município tem procurado avançar com processos de certificação através do CEARTE e reforçar instrumentos destinados a preservar a qualidade e a identidade das produções locais. No caso do Bordado de Castelo Branco, a autarquia tem desenvolvido ações de investigação, preservação, formação e promoção, numa estratégia igualmente destacada pela própria UNESCO.

“Pertencer a uma rede internacional, a uma chancela da UNESCO, é de facto um orgulho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade”, afirmou Leopoldo Rodrigues, que destacou ainda os efeitos já registados no Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco.

“Temos aumentado o número de trabalhos que nos são encomendados”, revelou, considerando que a integração numa estrutura internacional amplia a exposição dos produtos locais.

“Esta é uma rede global e, portanto, é a oportunidade de estar no mundo e de podermos ter também um marketing mundial”, recordou.

“Festival Sabores de Perdição” com formato centrado no território de Castelo Branco

A autarquia confirmou que a edição deste ano apostou exclusivamente em artistas e agentes da região.

“Decidimos fazer os “Sabores de Perdição” porque o festival agrega o território, promove a coesão e é um momento importante de afirmação do concelho de Castelo Branco”, explicou o presidente. Segundo Leopoldo Rodrigues, músicos, atores, agentes de animação e expositores ligados à gastronomia e ao artesanato foram selecionados no concelho e no distrito.

A programação alargada incluiu ainda ações relacionadas com gastronomia, uma rota gastronómica, showcookings e uma etapa do Grande Prémio de Ciclismo JN/TSF no concelho. Paralelamente, Castelo Branco acompanhava a candidatura do “Jardim do Paço Episcopal às Novas 7 Maravilhas de Portugal”, iniciativa que o autarca enquadrou na mesma estratégia de “promoção do património local”.

No balanço sobre a Bienal, Leopoldo Rodrigues apontou ainda para a dimensão internacional das relações criadas a partir da cultura e do artesanato.

“É também a oportunidade de termos pessoas de outros países que queremos receber pelas relações que estabelecemos, pela amizade que já vai existindo entre nós e essas pessoas e essas entidades. É também um momento para reforçar laços”, concluiu.

A realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reforçou, assim, uma estratégia que procura associar a preservação dos saberes tradicionais à “internacionalização, à economia criativa e à cooperação entre cidades”. Em Castelo Branco, o Bordado continua a ocupar uma posição central nesse percurso, enquanto “património transmitido entre gerações” e “elemento de projeção do território nas redes culturais internacionais”.

A organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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