Atualidade
Barcelos: Câmara aprova MasterPlan do Rio Cávado
Estudo prevê Parques Fluviais em Mariz, Barcelos, Barcelinhos, Tamel São Veríssimo, Manhente, Areias (Vilar e S. Vicente) e Ecoparque do Cávado
A Câmara Municipal de Barcelos aprovou, ontem à tarde, o MasterPlan do corredor do rio Cávado, um documento que estabelece as grandes linhas de ação das condições de acesso ao rio e de fruição da água das suas praias, prevendo a criação de oferta de recreio em cinco parques fluviais e um Ecoparque: Parque Fluvial de Mariz; Parque Fluvial de Barcelos e Barcelinhos; Parque Fluvial de Tamel São Veríssimo; Parque Fluvial de Manhente; Parque Fluvial de Areias de Vilar e Ecoparque do Cávado.
Segundo o Presidente da Câmara, Mário Constantino Lopes, este “é um passo decisivo para ligar as pessoas ao rio, um passo importantíssimo na concretização de um projeto que se pretende potenciador de atratividade ao desporto, lazer, recreio e convívio ao ar livre, em comunhão e fruição das pessoas com a natureza. A aprovação deste documento balizador das intervenções que venham a ser executadas ao longo do rio é também o cumprir de mais um objetivo do nosso compromisso eleitoral, o que naturalmente me deixa muito feliz”, sublinhou o autarca barcelense.
A proposta do MasterPlan abrange uma área de 742 hectares e compreende as duas margens do rio Cávado ao longo de todo o concelho de Barcelos. Na margem direita, aponta para um potencial percurso de passadiço de 22km e na margem esquerda para uma ecovia potencial de 24 km. Os percursos destinados à mobilidade suave e trilhos entre margens têm extensão de cerca de 49km, interligando-se entre si por açudes e pontes, oferecendo circuitos que atravessam distintas paisagens.
O MasterPlan – Corredor Verde do Cávado, que tem assinatura do Arq. Vítor Mogadouro e da Arq. paisagista Laura Roldão Costa, resultou de um trabalho técnico interdisciplinar acompanhado pelo Executivo camarário e por técnicos municipais. Com este Plano, o Município de Barcelos fica dotado de um documento que lhe permite gerir e programar as intervenções no corredor verde do Rio Cávado de um modo concertado e coerente, tendo em consideração as suas funções ecológicas e ao mesmo tempo a potenciação da acessibilidade e fruição às margens do rio e dos equipamentos a construir. Para o efeito, estão previstos locais de estacionamento que permitirão aos utilizadores combinar os percursos a pé ou de bicicleta com o automóvel, além da integração da rede de ciclovias e percursos pedonais que promovam a ligação com diferentes ecossistemas e habitats.
Potenciar a relação das pessoas com o rio, o recreio e a atividade física
O MasterPlan preconiza uma série de intervenções espaciais para ambas as margens do Rio Cávado que visam aproximar as populações do rio e potenciar a fruição das suas margens e dos parques fluviais, num claro incentivo ao recreio, lazer, convívio e atividade física.
Relativamente à capacidade da oferta de recreio, educação ambiental e requalificação da paisagem, foram definidas as seguintes áreas de intervenção, que se materializam em cinco parques fluviais e uma proposta de Área Protegida de âmbito Regional ou Local, a saber, Parque Fluvial de Mariz; Parque Fluvial de Barcelos e Barcelinhos; Parque Fluvial de Tamel São Veríssimo; Parque Fluvial de Manhente; Parque Fluvial de Areias (Vilar e S. Vicente) e ainda Ecoparque do Cávado.
Parque Fluvial de Barcelinhos
O MasterPlan preconiza para a margem esquerda do rio Cávado, em Barcelinhos, a instalação de uma área de Parque Fluvial com conteúdo complementar ao programa da margem de Barcelos destinando-se ao desporto. A proximidade a Barcelos e Barcelinhos, a passagem da ecovia, o banco de areia que se deposita nesta margem e a topografia criam condições propícias para a instalação de espaços que assegurem a prática desportiva em meio terrestre e aquático e em situação de espaço público.
Assim, estão previstos edifícios/balneários de carácter não permanente, campos desportivos e percursos permeáveis, entre os quais campos de jogos (futebol, râguebi, ténis, etc.), ginásio exterior e parque infantil. Em síntese, pretende-se criar um parque público vocacionado para o desporto para todas as faixas etárias.
Parque Fluvial de Tamel São Veríssimo
A implantação de percurso marginal acompanhado pela faixa da mata ripícola e com pequenas bolsas destinadas ao lazer podem definir um parque linear fluvial entre a Ilha do Tostão e a Azenha de Tamel, numa extensão de cerca de 1,5km.
Parque Fluvial de Manhente
O MasterPlan propõe uma intervenção na atual área já utilizada pela população. A proposta de requalificação permitirá receber os visitantes em áreas devidamente preparadas e controladas, com delimitação de acessos e aparcamentos, colocação de sanitários de apoio e a requalificação do mobiliário urbano.
Parque Fluvial de Areias (Vilar e S. Vicente) e Ecoparque
Junto da Barragem da Penide, deseja-se criar o parque fluvial de Areias (Vilar e de S. Vicente) tirando partido das plataformas e acessos associados à Barragem.
O Parque Fluvial compreenderá espaços arborizados que possam ser usados por um elevado número de pessoas, preferencialmente durante o verão, havendo parqueamento automóvel, sanitários públicos, espaço de refeições e percursos para caminhar dos dois lados da Barragem da Penide.
Relativamente ao Ecoparque, dada a sensibilidade ecológica do local, este deverá ser classificado como Paisagem Protegida das Lagoas de Caíde, sendo primeiramente vocacionado para proteção dos habitats tendo como funções complementares o turismo de natureza, nomeadamente para a observação de aves.
O programa do Ecoparque contempla uma pequena área de aparcamento, vedações e definição de entrada, percursos pedonais e pontos de observação, sinalética formativa e informativa, transformando aquelas Lagoas num local acessível para observatório da vida animal e um rico espaço natural no concelho de Barcelos.
Turismo sustentável de recreio e lazer
Entre os objetivos específicos que constam no MasterPlan, destacam-se a organização dos espaços no sentido de maximizar as áreas permeáveis revestidas com coberto vegetal que, sempre que possível, devem ser associadas áreas de recuperação dos ecossistemas naturais, assentes num modelo adequado que valorize o património construído pela sua relação com a natureza e a preservação das estruturas construídas associadas à prática da agricultura presente e do passado (moinhos, caminhos, muretes) com valor arquitetónico e cultural.
Simultaneamente, as propostas do Plano visam promover o turismo sustentável de recreio e lazer, atendendo a todas as classes etárias e estratos sociais, pela prática de vários desportos, nos espaços de uso público, capazes de atrair um elevado número de pessoas.

Foto e imagem: CMB.
Atualidade
Linia Brandt coordena primeira edição do SABE com 70 atividades em quatro idiomas
O “Fórum Internacional SABE – Saúde, Autocuidado e Bem-Estar” encerrou, no dia 5 de outubro, a primeira edição, depois de cinco semanas de programação dedicada à promoção da saúde numa perspetiva multidisciplinar. Com sede em Genebra, Suíça, e alcance internacional através das plataformas digitais, a iniciativa terminou com 90 participantes provenientes de 15 países, atividades realizadas em quatro idiomas, português, francês, espanhol e italiano, 70 ações programadas e um total de 49 horas de transmissão em direto.
Idealizado e coordenado por Linia Brandt, CEO do Grupo ELB Network, o fórum foi criado pela “Revista Brasil Conexão Europa”, através da “RBCE Network”, com o propósito de “aproximar profissionais de saúde, investigadores, educadores, instituições, empreendedores e representantes da sociedade civil”. Sob o lema “Construindo pontes entre saberes para promover inclusão, longevidade e qualidade de vida”, a primeira edição procurou articular “conhecimento científico, experiências profissionais e iniciativas de impacto social”.
A estrutura do “SABE” assentou em seis eixos: Conexão, Ciência, Inovação, Autocuidado, Bem-Estar e Longevidade. A organização apresentou estes temas como partes de uma mesma travessia, ligando o conhecimento individual ao cuidado coletivo. Ao longo da programação foram abordadas matérias relacionadas com prevenção, saúde mental, hábitos de vida, equilíbrio físico e emocional, inovação, envelhecimento e qualidade de vida.
O conceito ultrapassou, porém, a realização de conferências isoladas. A proposta do fórum foi construir uma plataforma internacional de diálogo entre diferentes áreas, aproximando especialistas, profissionais e participantes através de conferências, debates, workshops, apresentações de trabalhos, momentos de networking e conteúdos destinados à divulgação de conhecimento. A visão apresentada pela organização coloca a cooperação internacional, a ciência, a inclusão, a inovação, o respeito pelas pessoas e o desenvolvimento humano entre os “princípios orientadores do projeto”.
Segundo o balanço divulgado após o encerramento, as 70 atividades realizadas ao longo da primeira edição permitiram formar uma programação distribuída por diferentes formatos e públicos. A dimensão digital garantiu a participação de pessoas de fora da Suíça e permitiu acompanhar a iniciativa ao longo de cinco semanas, com conteúdos transmitidos em direto e posteriormente disponibilizados para consulta.
A edição teve ainda uma dimensão presencial. No dia 26 de setembro, Linia Brandt levou o “Movimento SABE” a Lausanne, durante o “Conexão Global Suíça”, realizado no âmbito do “Setembro Amarelo”, sob a liderança da empresária Ana Poltera. O encontro reuniu profissionais de saúde, terapeutas, lideranças comunitárias e membros da comunidade lusófona em torno da saúde emocional, prevenção e criação de redes de apoio. Nessa oportunidade, o médico Francisco Fernández participou num painel dedicado à saúde mental, onde abordou sinais de alerta, procura de ajuda e acolhimento. Participaram também Anne Marie Cordoba, ligada à Medicina Tibetana e Celular, Madalena Gonçalves, criadora do Método MADA, e a terapeuta emocional Ronezete Antolini.
Para Linia Brandt, a passagem por Lausanne traduziu o conceito que esteve na origem do projeto.
“O “SABE” nasceu para criar pontes entre conhecimento e cuidado. Por isso, ser recebido pelo ‘Setembro Amarelo’ em Lausanne confirma que falar de saúde é também falar de presença, escuta e comunidade”, afirmou.
A primeira edição procurou ainda conferir continuidade aos conteúdos produzidos. Após o encerramento, as atividades passaram a estar disponíveis em vídeo no YouTube e em formato áudio no Spotify, permitindo que conferências e debates permaneçam acessíveis depois do fim da programação ao vivo. Os participantes podem também aceder aos certificados através da área reservada e manter os respetivos perfis publicados na plataforma do fórum.
O site passa, assim, a funcionar também como registo desta primeira edição, reunindo participantes, conteúdos e informações sobre o percurso desenvolvido entre setembro e outubro. A organização alterou ainda o endereço oficial para: www.sabeforum.rbcenetwork.ch
Os números finais mostram uma dimensão superior à inicialmente anunciada. Antes do início do fórum, a organização previa mais de 40 participantes, provenientes de mais de dez países, e mais de 50 profissionais ligados a áreas como medicina, enfermagem, psicologia, psiquiatria, nutrição, farmácia, investigação, educação, terapias, serviço social e desenvolvimento humano.
A primeira edição termina, deste modo, com uma rede formada a partir de diferentes áreas, países e idiomas. Para a organização, a continuidade do SABE passa por “preservar essa ligação e manter o diálogo entre ciência, práticas profissionais e comunidade, numa lógica em que saúde, autocuidado e bem-estar são tratados como dimensões interligadas”.
Mais do que contabilizar atividades, participantes e horas de transmissão, o balanço de 2026 deixa como principal resultado a criação de uma plataforma que procurou colocar diferentes saberes em contacto. A partir de Genebra, com extensão presencial a Lausanne e alcance através das plataformas digitais, o “SABE” encerrou a primeira edição com a proposta de “transformar conhecimento partilhado em redes, prevenção e novas formas de pensar a qualidade de vida”.
Segundo a organização, todas as atividades do “SABE” estão disponíveis em vídeo no YouTube e em áudio no Spotify e podem ser acompanhados em:
YouTube: https://www.youtube.com/@SABE_2026
Spotify: https://open.spotify.com/show/32CybaHVGY3Smk9jvPzUP0
Todos os participantes tiveram acesso ao certificado de participação em português e em francês.
Atualidade
De Angola à Suíça, Olímpia Tomás transforma experiência na enfermagem em mensagem de “prevenção e acolhimento”
A enfermeira Olímpia Tomás levou ao “Conexão Global Suíça – Edição Setembro Amarelo: Conectar é Acolher”, realizado em Lausanne, uma reflexão construída ao longo de mais de 30 anos de trabalho na área da saúde e marcada por uma experiência profissional que ainda hoje integra a sua memória. Natural de Angola, criada na Alemanha e atualmente residente na Suíça, esta profissional participou no encontro que reuniu, entre 24 e 27 de setembro, participantes ligados à saúde, desenvolvimento humano, literatura, empreendedorismo e comunidade lusófona. A programação esteve centrada, entre outros temas, na valorização da vida, saúde emocional e prevenção do suicídio.
Foi precisamente a saúde emocional de quem trabalha diariamente a cuidar de outras pessoas que marcou a participação de Olímpia em Lausanne. Durante a sua intervenção, a enfermeira recuperou um episódio ocorrido há vários anos, quando trabalhava na área de cardiologia. Segundo relatou, uma paciente jovem morreu após um erro na administração de um antibiótico. No mesmo dia, um colega envolvido na situação morreu por suicídio. Na altura, segundo Olímpia, foi comunicado à equipa que a morte do profissional estaria relacionada com o impacto do sucedido e com o peso emocional que sentiu após o erro.
Ao recordar o episódio perante o público em Lausanne, Olímpia não conseguiu conter as lágrimas. O testemunho trouxe para o centro da sua intervenção uma realidade que, segundo a enfermeira, acompanhou parte do seu próprio percurso profissional: a necessidade de continuar a trabalhar, cuidar dos pacientes e responder às exigências da profissão enquanto experiências emocionalmente difíceis permaneciam guardadas.
A passagem pelo evento levou-a a formular uma pergunta que sintetiza a reflexão que pretendeu deixar junto do público: quem cuida de quem cuida? Para Olímpia, a experiência em Lausanne voltou a evidenciar a necessidade de os profissionais de saúde prestarem atenção à própria saúde emocional, particularmente num setor onde o contacto com doença, sofrimento, perda e situações de elevada responsabilidade faz parte da atividade quotidiana.
A temática enquadrou-se nos objetivos do encontro realizado em Lausanne, cuja programação incluiu palestras, talk shows, testemunhos, momentos de reflexão e partilha de experiências. A iniciativa foi desenvolvida no âmbito do “Setembro Amarelo”, com uma agenda dedicada à saúde emocional, prevenção do suicídio e reconstrução de projetos de vida, reunindo participantes provenientes, nomeadamente, da Suíça, de Portugal e do Brasil.
A experiência levada ao encontro está ligada a um percurso profissional de mais de três décadas. Olímpia Tomás tem 50 anos, nasceu em Angola e cresceu na Alemanha, país onde realizou a sua formação em enfermagem. Ao longo da carreira trabalhou em diferentes hospitais e áreas da saúde na Alemanha e na Suíça. Atualmente exerce funções num hospital suíço e trabalha também no Spitex, sistema de prestação de cuidados de saúde ao domicílio, acompanhando pessoas que necessitam de assistência de enfermagem nas suas próprias casas, incluindo situações que exigem cuidados de proximidade e acompanhamento paliativo.
Paralelamente à atividade profissional, Olímpia está a aprofundar a formação na área da menopausa e da saúde da mulher. O interesse nasceu também da própria experiência. Depois de ter sido submetida a uma histerectomia devido a miomas, com preservação dos ovários, começou posteriormente a identificar alterações relacionadas com a transição para a menopausa. Apesar da experiência acumulada enquanto enfermeira, percebeu que também tinha dúvidas sobre o processo.
Essa experiência levou-a a questionar as dificuldades enfrentadas por mulheres sem formação na área da saúde. Para Olímpia, a perimenopausa e a menopausa continuam muitas vezes associadas apenas aos afrontamentos e ao fim da menstruação, apesar de poderem estar acompanhadas por alterações do sono, cansaço, dificuldades de concentração, alterações de humor, ansiedade, dores articulares ou secura vaginal, entre outros sintomas. A enfermeira ressalva, porém, que alterações verificadas nesta fase da vida não devem ser automaticamente atribuídas à menopausa, sendo necessária uma avaliação adequada.
É neste contexto que Olímpia pretende desenvolver uma nova vertente do seu percurso, direcionada para o acolhimento, informação e futuro acompanhamento de mulheres durante esta fase da vida, em articulação com outros profissionais de saúde. A prevenção, o autocuidado e a informação surgem como componentes dessa abordagem.
A enfermeira defende ainda uma visão integrativa dos cuidados, sem estabelecer uma oposição entre medicina convencional e abordagens complementares. Depois de mais de 30 anos de experiência profissional, sublinha o papel dos tratamentos médicos, mas considera que fatores como alimentação, atividade física, sono, saúde emocional e educação para a saúde devem fazer parte da avaliação global do paciente.
A própria história familiar contribuiu para esse olhar. Nascida em Angola, Olímpia cresceu num ambiente em que a mãe recorria a plantas e ervas. Mais tarde, experiências familiares aumentaram o seu interesse por uma abordagem mais abrangente dos cuidados. Na prática profissional, dá como exemplo o acompanhamento de pessoas com diabetes, no qual considera que a atenção não deve estar limitada à medicação, mas incluir hábitos de vida e educação para a saúde.
A saúde da mulher tornou-se, assim, uma extensão do percurso desenvolvido na enfermagem. Olímpia resume a orientação que pretende imprimir a esta nova etapa através da mensagem “Nenhuma mulher deve caminhar sozinha”. Para a profissional, ser escutada e sentir que os sintomas são levados a sério são elementos importantes no acompanhamento das mulheres, juntamente com o acesso a informação, profissionais de saúde e, quando necessário, apoio psicológico.
As redes familiares, de amizade e entre mulheres podem igualmente desempenhar um papel neste processo. A experiência acumulada na enfermagem ensinou-lhe, segundo explicou, que cuidar não se limita à administração de medicamentos ou à realização de procedimentos clínicos. A escuta, a informação, a educação para a saúde e a presença junto do paciente integram também o acompanhamento.
Olímpia ainda não publicou qualquer livro, mas admite transformar no futuro parte da sua experiência profissional e pessoal em escrita. O objetivo seria abordar temas relacionados com o cuidado, autocuidado, prevenção e saúde da mulher, recuperando aprendizagens acumuladas durante mais de três décadas de trabalho entre a Alemanha e a Suíça.
A participação no “Conexão Global Suíça” acabou, porém, por colocar uma questão anterior a qualquer futuro projeto. Ao recordar em Lausanne a morte da jovem paciente e o suicídio do colega, Olímpia confrontou-se novamente com a dimensão emocional de uma profissão construída em torno do cuidado. O encontro deixou-lhe a perceção de que cuidar dos outros exige também reconhecer os próprios limites e procurar apoio quando necessário.
Foi essa reflexão que levou consigo de Lausanne. Depois de mais de 30 anos a acompanhar pacientes em hospitais e no domicílio, Olímpia Tomás reconhece que o autocuidado continua a ser um processo em construção. A pergunta que lançou durante o encontro permanece como síntese da sua participação e como tema de reflexão para quem exerce profissões ligadas ao cuidado: quem cuida de quem cuida?
Atualidade
Pedro Sequeira regressa de Portugal com propostas para a cultura santomense
O escritor santomense Pedro Sequeira esteve em Portugal entre 19 de agosto e 9 de setembro, numa visita que incluiu encontros literários, contacto com leitores e autores e participação num programa da RTP. Com os romances “Leonor” e “O branco e a preta”, passou pelas feiras do livro do Porto e da Venteira, na Amadora, e participou num Jantar de Poesia.
Em entrevista à Agência Incomparáveis, faz o balanço da viagem e destaca a receção às suas obras, a troca de experiências com outros escritores e a motivação que levou consigo para continuar o trabalho em São Tomé e Príncipe.
Os contactos estabelecidos durante a visita abriram, segundo o autor, possibilidades de cooperação nos campos da edição, da poesia e do teatro. Entre propostas ainda em estudo e contactos que pretende manter, Pedro Sequeira reflete sobre as dificuldades de publicar e sobre o papel destes encontros na circulação da literatura santomense.
Entre 19 de agosto e 9 de setembro esteve em Portugal com uma agenda que passou por diferentes cidades e encontros. Que balanço faz desta passagem pelo país e quais foram os momentos que mais marcaram esta experiência?
Foi enriquecedor e uma injeção de novas energias. Os momentos mais marcantes foram as diferentes participações nos diversos eventos culturais e literários. Tive a oportunidade de visitar pela primeira vez a Feira do Livro do Porto, este magnifico evento literário e cultural, que é organizado num espaço que é um convite a preservação da natureza; a minha participação no Jantar de Poesia em que declamei, tal como outros poetas presentes; a minha presença na Feira do Livro de Venteira, na Amadora, em que vendi alguns livros, conversei sobre as minhas obras literárias com leitores curiosos, conversei com diversos autores, sobretudo com a escritora Sara Timóteo que é uma pessoa fantástica, afável e com uma fonte de energia inesgotável.
Que agenda teve em Portugal? E como foram essas experiências?
Eu tive uma agenda cultural bem rica em Portugal. No dia 28 de agosto eu, ao convite da APP – Associação Portuguesa dos Poetas, participei no “Jantar de Poesia”. O evento foi realizado no Hotel Vila Galé Collection Arcos (Hotel dos Poetas) acompanhado de uma tertúlia. Participei, no dia 29 de agosto, na Feira do Livro do Porto que decorreu nos Jardins do Palácio de Cristal, no Norte de Portugal. Participei, no dia 30 de agosto, na Feira do Livro da Venteira, que se realizou na Avenida Conde Castro Guimarães, na freguesia de Venteira, concelho de Amadora. Participei, ainda, nos estúdios da RTP, no dia 1 de setembro, no programa televisivo “À Tarde no Kubico”. Foram, todas elas, experiências enriquecedoras. Estar com gente da cultura, em particular com pessoas da literatura é sempre gratificante e transformador.
A Feira do Livro do Porto e a passagem por outras feiras colocaram-no em contacto direto com leitores, autores, editores e agentes culturais. Que receção encontrou nestes espaços?
Encontrei uma receção muito calorosa. Há uma espécie de sede para com o que é africano, e, em particular, para com o que é santomense, que ainda é muito, quase que totalmente desconhecido, apesar dos laços históricos, linguísticos e culturais existentes entre Portugal e São Tomé e Príncipe. É talvez algo que eu não devesse dizer, mas confesso que até sinto-me mais especial cá em Portugal em alguns ambientes, mais do que no meu próprio país. Aqui há uma acentuada valorização do escritor e das suas obras.
Que livros da sua autoria trouxe consigo?
Para Portugal, levei dois dos meus romances: “Leonor” (que é o meu primeiro romance, lançado no ano 2016), pela Chiado Editora, e “O branco e a preta” (meu último romance lançado no ano 2025), pela In-Finita Editorial.
Durante esta agenda conheceu também obras, autores e projetos desenvolvidos em Portugal. Que trabalhos despertaram mais a sua atenção e que aprendizagens ou referências leva consigo dessa aproximação ao meio literário e cultural português?
Tive oportunidade de conhecer diversas obras literárias, comprei vários livros para aumentar o repertório literário, conheci vários escritores, alguns que estão a entrar agora para o mundo da literatura enquanto escritores, o que foi bastante gratificante porque podemos trocar lágrimas e sorrisos juntos, falando dos nossos desafios e das nossas caminhadas neste imenso, doce e amargo mundo literário. A grande referência que levo do meio literário cultural português é a valorização da cultura em geral e da literatura em particular. São muitos eventos a serem realizados ao mesmo tempo em diferentes cidades e freguesias, sobretudo no mês de agosto que é, por excelência, um mês reservado às férias das pessoas de uma forma geral. Em todos os eventos literários e culturais há engajamento do poder local, o que revela a sensibilidade que têm para com a cultura advindo da certeza que têm sobre a importância da cultura em geral e da literatura em particular.
Em Lisboa participou num jantar, onde esteve acompanhado pela presidente da Associação Portuguesa de Poetas (APP). Que significado teve esse encontro e que contactos, diálogos ou possibilidades de cooperação surgiram a partir dessa iniciativa?
Sim, participei num jantar onde desfrutei da companhia da presidente da Associação Portuguesa de Poetas, a honrosa presidente Rose Pereira. Foi uma experiência memorável, a presidente é uma pessoa incrível, extraordinariamente simpática. Estar com a presidente de uma organização desta dimensão é sempre algo de muito proveitoso. Ela apresentou-me a diversos participantes do jantar. A minha alegria foi imensa porque nunca tive num ambiente rodeado de tantos poetas. Parecia que tudo era versos – até os manjares que foram deliciosos. Conheci uma escritora que já participou numa obra literária ligada a São Tomé e Príncipe. O jantar funcionou como uma luz; deu-me várias ideias de diversos tipos de eventos literários a serem organizados em São Tomé e Príncipe. No contacto com a presidente abordamos diferentes formas de interações com a APP, tanto de forma individual, como institucional, através da UNEAS – União dos Escritores e Artistas Santomenses, organização da qual faço parte. Ficou estabelecido o contacto permanente com a APP, e ficou ainda aberta a possibilidade de vir a participar nos grandes eventos e iniciativas literárias e culturais que a APP organiza. Fiz o convite para a presidente da APP vir a São Tomé, convite este que foi aceite de bom grado, e ficou a promessa de juntos trabalharmos para a efetivação da mesma visita.
Ao longo destas semanas, que pessoas, instituições ou projetos considera que poderão transformar-se em novas pontes entre Portugal e São Tomé e Príncipe, seja no campo da literatura, do teatro, do Direito, da educação ou da cultura?
Eu tive diversas conversas com vários autores culturais que poderão se transformar em novas pontes entre Portugal e São Tomé e Príncipe. A título de exemplo, a presidente da APP quer firmar uma parceria com a UNEAS, ao ser concretizada aumentaria significativamente as conexões entre os poetas desses dois país e muitas atividades poderão ser realizadas em conjunto. A responsável da editora In-Finita Editorial, Adriana Mayrinck, quer publicar livros de mais autores santomenses, o que iria nos ajudar bastante devido às dificuldades editoriais que, sobretudo, os novos autores santomenses enfrentam para poderem publicar os seus trabalhos. Relativamente ao teatro também temos boas notícias; neste momento temos a Adozia Cristo, que é uma atriz santomense pertencente ao grupo teatral “Demos”, grupo presidido por mim, a fazer uma residência artísticas com o grupo teatral português o Bando. Há fortes possibilidades para que o mesmo grupo possa se deslocar a São Tomé e Príncipe no próximo ano para apresentarem o espetáculo “1001 Noites”, com a irmã santomense em que Adozia Cristo será a protagonista. De salientar que esta mesma peça está a rodar em Portugal numa séria de espetáculos em que esta mesma atriz santomense faz o papel de irmã santomense. Conheci também os organizadores da Feira do Livro da Venteira que manifestaram um grande interesse em realizar as feiras de livros em São Tomé, algo que abracei com carinho e vamos estudar as formas de materializarmos a mesma ideia.
Regressou a São Tomé e Príncipe depois de quase três semanas em Portugal. De que forma esta experiência poderá reverberar no seu trabalho e que novos projetos, livros, iniciativas culturais ou parcerias poderão nascer a partir das conexões construídas durante esta passagem?
De diversas formas. Eu não posso dizer que sou o mesmo, depois de tomar parte destas experiências. Estes contactos com as pessoas e instituições em Portugal deram-me mais motivações para continuar. No meu país, ser escritor não é missão fácil, mas as diferentes conversas com os autores, sobretudo os iniciantes, fizeram-me ver que eu não estou sozinho, que os mesmos também enfrentam imensas barreiras, que o mundo literário é um mundo para os perseverantes- eu sou perseverante, escrever é a minha missão de vida. Em termos de iniciativas culturais também fez-se luz para mim. Podemos realizar atividades mais informais e com nomes menos coloquiais, por exemplo – Jantar de Poesia – com este nome surgiu em mim diversas nomenclaturas para os eventos culturais e literários a serem organizados em São Tomé e Príncipe.
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