Atualidade
Autarquia de Sintra organiza colóquio sobre “O Património do Romance”
O Património do Romance é o mote para o colóquio organizado pela Câmara Municipal de Sintra, que acontecerá no dia 23 de abril, das 10h00 às 18h00, no MFC – Museu Ferreira de Castro.
Nesta iniciativa, em pleno coração da Vila de Sintra, será abordada e debatida a importância do romance para o património histórico e cultural português, pelos oradores Carlos Jorge F. Jorge, Gabriel Rui Silva, Liberto Cruz, Manuel Matos Nunes, Miguel Real e Vítor Viçoso.
Enquanto género literário, o romance tem sido o instrumento, por excelência, de representação artística do tempo em que se escreveu. Não apenas da exploração dos cantos mais recônditos da condição humana, em que as grandes obras se tornam intemporais por representarem o homem e a mulher de sempre, mas também na fixação permanente de tudo o que de exterior existe e onde esse mesmo humano se move: a paisagem, os aglomerados populacionais, a vida social, política, cultural e mental.
Neste sentido, o romance constitui-se como um inestimável repositório de conhecimento acerca do tempo e do espaço, extrapolando as fronteiras da arte e da fruição estética, para tornar-se igualmente testemunho patrimonial da época em que foi vivido, pensado e escrito.
Durante a manhã, Carlos Jorge F. Jorge, Gabriel Rui Silva e Liberto Cruz, irão desenvolver os seguintes temas, respetivamente: “As máscaras do Viajante” (Ferreira de Castro), “A Pedra e a Pena: A Catedral de Manuel Ribeiro” e “História e ficção em Kaos, de Ruben A.”, seguido de debate.
“A Lisboa que se vê das janelas d’A Velha Casa”, “Saramago, vida e obra” e “As narrativas do fim em Raul Brandão, Carlos de Oliveira e José Cardoso Pires” são os temas a serem mencionados, e posteriormente debatidos, por Manuel Matos Nunes, Miguel Real e Vítor Viçoso, no período da tarde.
A participação nesta iniciativa é gratuita, mediante a inscrição prévia para o número de telefone 219 238 828 ou e-mail.
Os oradores
Carlos Jorge F. Jorge (Lisboa, 1944). Professor emérito da Universidade de Évora, onde ensinou Literatura Comparada e Teoria da Literatura. Autor de uma dezena de obras, entre “Figuras do Tempo e do Espaço: para uma Leitura Literária dos Textos de Viagens” (2001) e “Moradas, Aparições e Intrigas: Gótico, entre o Terror e o Melodrama” (2017). Mantém inúmeras publicações no site ACADEMIA.EDU
Gabriel Rui Silva (Almada, 1956). Doutor em Literatura Portuguesa, leitor e docente em França e Itália, foi Investigador Integrado no Centro de Estudos em Letras (Universidade de Évora). De entre os seus estudos, destaque para “Manuel Ribeiro, o Romance da Fé” (2011) e “Eduardo Metzner: Vida e Obra de um Sem-Abrigo” (2014).
Liberto Cruz (Sintra, 1935). Poeta, ensaísta, biógrafo, tradutor, conferencista. Foi docente das Universidades de Rennes, Nantes e Vincennes (França), e Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris. Além das biografias de Júlio Dinis e de Ruben A. (esta em parceria com Madalena Carretero Cruz) tem-se interessado por autores como António José da Silva, José Cardoso Pires, Blaise Cendrars e Marquês de Sade.
Manuel Matos Nunes. Licenciado em Economia e em Línguas e Literaturas Modernas, é doutor em Estudos Portugueses com a tese “José Régio, o eu superlativo – o ciclo romanesco A Velha Casa e outros escritos autobiográficos” (2013). Investigador do Centro de Estudos Regianos de Vila do Conde, é também autor de estudos sobre Ferreira de Castro e Mário Dionísio, entre outros.
Miguel Real, professor do ensino secundário e investigador do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Europeias e Lusófonas da Universidade de Lisboa, é também romancista. Entre Narração, Maravilhoso, Trágico e Sagrado em “Memorial do Convento” de José Saramago (1998) e “Fátima e a Cultura Portuguesa” (2018), é autor de mais de duas dezenas de ensaios de âmbito histórico, filosófico, literário e sociocultural.
Vítor Viçoso. Vítor Manuel Pena Viçoso é professor aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em Literatura Portuguesa (1989). É autor de ensaios sobre Raul Brandão, Alves Redol, Carlos de Oliveira e José Saramago, entre outros. De destacar os livros “A Máscara e o Sonho – Vozes, Imagens e Símbolos na Ficção de Raul Brandão” (1999) e “A Narrativa Neo-Realista – As Vozes Sociais e os Universos da Ficção” (2011).
Imagem: DR.
Atualidade
PJ detém mulher por crimes de incêndio florestal em Celorico de Basto
A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Braga deteve, fora de flagrante delito, com a colaboração do Grupo de Trabalho de Redução de Ignições – Norte Litoral e da Guarda Nacional Republicana, a presumível autora de três incêndios florestais, ocorridos nos dias 01, 17 e 23 de julho, todos na freguesia de Ourilhe, concelho de Celorico de Basto.
Após a comunicação a esta Polícia, foram de imediato efetuadas diligências de investigação, sendo possível coligir-se prova indiciária forte, que imputa à arguida a autoria dos três incêndios florestais, iniciados por chama direta, com recurso a um isqueiro e, ainda, com a utilização de velas.
O local onde os incêndios foram ateados situam-se em zona com condições de propagação à mancha florestal, gerando risco acentuado para toda a floresta, aos campos agrícolas e a várias habitações ali existentes.
As ignições ocorreram sempre durante o dia e início da noite, em dias quentes, secos, com vento e com temperaturas altas.
A arguida, agiu por motivos do foro pessoal, bem sabendo que a sua conduta era proibida por lei e representava um perigo iminente para a natureza, populações e bens de terceiros.
A detida, mulher com 49 anos, residente naquela freguesia, foi presente à autoridade judiciária competente para promoção do primeiro interrogatório judicial.
Foi-lhe decretada a medida de coação de prisão preventiva.
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Armamar: Arquitetura popular do Douro em destaque em nova exposição no CIMD
O Centro Interpretativo da Mulher Duriense (CIMD) inaugura, no dia 28 de julho, pelas 17h30, a exposição “António Menéres – Percursos pela Arquitetura Popular no Douro”, uma mostra que convida o público a descobrir a riqueza da arquitetura vernacular duriense e a sua estreita ligação à paisagem, à identidade e aos modos de vida da região.
A inauguração integra a programação do ciclo “Conversas à Terça” e contará com a presença do arquiteto Fernando Seara, diretor do Museu do Douro, que partilhará a sua visão sobre a arquitetura popular do Douro e o valor patrimonial deste legado construído.
A exposição reúne um conjunto de fotografias que documentam diferentes expressões da arquitetura vernacular duriense, revelando a forma como as gentes moldaram o território ao longo do tempo e estabeleceram uma relação única com a paisagem. Mais do que um registo documental, a mostra constitui um testemunho da evolução histórica e cultural do Douro, destacando um património que importa conhecer, preservar e valorizar.
Patente ao público até 31 de agosto de 2026, a exposição poderá ser visitada gratuitamente durante o horário normal de funcionamento do CIMD.
Atualidade
Brasil: São Paulo conta agora com uma delegação da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, entidade com sede em Viseu
A “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” realizou, no passado dia 16 de julho, a cerimónia oficial de tomada de posse da nova direção da delegação de São Paulo da entidade, quando distinguiu diversas personalidades e instituições pelo seu “contributo para a divulgação da cultura portuguesa no Brasil”, além de promover uma celebração gastronómica dedicada aos laços históricos entre Portugal e o Japão, numa tarde de eventos realizados primeiro no Auditório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e, depois, no Restaurante Osakaya, no mesmo endereço.
A sessão solene marcou o início do primeiro mandato da delegação paulista da Confraria, organização que tem como missão “preservar, divulgar e valorizar o património histórico, cultural e gastronómico da região da Beira Alta portuguesa, junto da comunidade lusa residente no Brasil e dos seus descendentes”, promovendo também o “intercâmbio cultural entre Portugal e o país sul-americano”.
A estrutura dirigente passou a ser liderada por Nilzângela de Lima Souza, que assume a presidência da delegação, acompanhada por João Baptista de Oliveira, como vice-presidente, Gabriel Kwak, como secretário-geral; e, na tesouraria, Raquel Naveira. Integram-na, ainda, os conselheiros fiscais José Francisco Ferraz Luz e José Domingos de Lima Pezza, José Alberto Lovetro, diretor de Banda Desenhada, e Salete Lima e Eliza Muratori, Fatima Fonseca, nomeadas embaixadoras culturais.
De igual modo, durante a cerimónia foram atribuídos os títulos de “Presidentes de Honra” da Confraria ao Dr. Juarez Morais de Avelar e ao jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, “distinção reservada a personalidades reconhecidas pelo apoio prestado à instituição e ao fortalecimento das relações culturais entre Portugal e o Brasil”.
Reconhecimento do mérito cultural marcou cerimónia
A tomada de posse ficou também assinalada por um conjunto de condecorações destinadas a reconhecer o trabalho desenvolvido em diferentes áreas da cultura, do associativismo e da promoção da identidade portuguesa.
Tânia Sousa Pezza e Richard Wolfgang Azevedo Bauer foram investidos como novos comendadores da Confraria, recebendo as respetivas insígnias numa cerimónia presidida por Nilzângela de Lima Souza. Ao longo da sessão foram ainda homenageados o maestro Roberto Mendes Barbosa e Elisa Mendes Barbosa, ligados ao Coral de Oficina de Arte e Cultura, bem como Benjamin Souza Marinho, distinguido enquanto representante das novas gerações que mantêm viva a ligação à cultura portuguesa.
A Confraria decidiu também atribuir uma distinção institucional ao Restaurante Osakaya, reconhecendo o contributo que o espaço tem vindo a prestar ao “fortalecimento do intercâmbio cultural luso-brasileiro” e à “valorização da gastronomia enquanto elemento de aproximação entre os povos”.
Gastronomia como expressão da história comum
Após o momento protocolar, os participantes reuniram-se no salão do Restaurante Osakaya, onde foi servido um menu concebido exclusivamente para a ocasião, pensado para traduzir, através da gastronomia, o encontro histórico entre Portugal e o Japão. A proposta gastronómica procurou revisitar um dos capítulos mais antigos das relações entre os dois países, evocando os primeiros contactos estabelecidos pelos navegadores portugueses no século XVI e a influência que essa presença deixou na cultura culinária japonesa.
Ao longo do jantar foram servidos pratos que combinaram técnicas tradicionais japonesas com ingredientes e referências profundamente associados à cozinha portuguesa, transformando cada momento da refeição numa narrativa sobre a circulação de produtos, sabores e tradições entre os dois extremos do mundo.
O percurso iniciou-se com Edamame, valorizando a simplicidade dos produtos naturais, e com uma delicada salada de hijiki, preparada com caldo dashi e shoyu, apresentada como uma evocação da profundidade do oceano e da subtileza da cozinha japonesa.
Seguiu-se um dos momentos mais simbólicos da noite: o Korokke de Bacalhau, versão japonesa inspirada no tradicional bolinho de bacalhau português. A confeção recorreu à panagem em panko, preservando, contudo, o protagonismo do bacalhau, ingrediente incontornável da gastronomia portuguesa, criando uma ponte entre duas tradições culinárias separadas por milhares de quilómetros, mas unidas pela história.
O menu prosseguiu com Orange Chicken, Karaage Nanban, Shorompo Soup, Buta Misso e Tempura Misto, prato que assumiu especial simbolismo por recordar precisamente a influência portuguesa na divulgação do tempura – pois em séculos passados esta iguaria era consumida apenas por monges, sendo proibido o consumo por pessoas comuns – a técnica de fritura que viria a dar origem à atual tempura japonês.
A refeição terminou com Choux Cream (Shu Kuri), sobremesa de inspiração francesa reinterpretada pela pastelaria japonesa, encerrando um percurso gastronómico marcado pela fusão de influências e pela valorização da partilha cultural.
Toda a experiência foi desenvolvida pelo chef Daisuke Takao, agradecemos aos proprietários Henrique Hojo e Nicolas Aoki, que procuraram construir um menu onde cada prato representasse um “momento da ligação histórica entre Portugal e o Japão”, estabelecendo um “diálogo entre tradição, criatividade e identidade”.
“Mais do que um jantar comemorativo, a receção constituiu um dos momentos centrais das celebrações da tomada de posse, reforçando a gastronomia como instrumento de diplomacia cultural e de aproximação entre comunidades”, disse Nilzângela de Lima Souza, presidente da delegação de São Paulo da “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’”, com sede em Viseu, Portugal.
A iniciativa terminou num ambiente de convívio entre confrades, dirigentes, representantes institucionais e convidados, consolidando a “Confraria Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’” como “um espaço de preservação das tradições beirãs, de promoção da cultura portuguesa e de fortalecimento dos laços entre Portugal e o Brasil”, em particular “junto da comunidade portuguesa radicada em São Paulo”.
Agência Incomparáveis
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