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Academia Portuguesa de Fibromialgia edita livro em português sobre experiência de superação de doente espanhol

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A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica acaba de dar um novo passo na sua missão de apoio e sensibilização ao editar, em português, o livro “A Minha Luta com a Fibromialgia”, de Alfred Blasi. A obra parte da experiência pessoal do autor e apresenta um percurso marcado pelo “sofrimento, pela procura de respostas e pela tentativa de recuperar qualidade de vida”, colocando o doente no centro da narrativa. Em vez de uma abordagem técnico-científica, o livro assume-se como um “relato humano” sobre o impacto da fibromialgia no quotidiano, desde o aparecimento dos sintomas às dificuldades sentidas na relação com os serviços de saúde e ao processo de procura de alternativas. Alfred Blasi já tinha sido reconhecido pela Academia como “Académico de Mérito” e apresentado, em Portugal, uma comunicação centrada no valor do chamado “doente experiente”.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, o presidente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, explica que a opção por iniciar a edição de livros da instituição com um testemunho de vida resulta da própria filosofia da Academia, que procura “aprender também com a experiência dos doentes”. Segundo este responsável, o relato de Alfred Blasi pode ajudar outras pessoas a reconhecerem situações semelhantes, a perceberem que não estão isoladas e a compreenderem melhor uma doença que continua a exigir acompanhamento individualizado. José Luis Arranz Gil sublinha ainda que a fibromialgia é uma doença crónica e que, do ponto de vista clínico, o enquadramento mais correto passa pelo tratamento, controlo dos sintomas e redução da frequência das crises, evitando confundir melhorias clínicas com uma promessa de cura definitiva.

A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, na sua missão de apoio aos doentes com fibromialgia, iniciou a edição de um livro sobre a enfermidade. Conte-nos como surgiu esta iniciativa…

Sim, para nós tem sido muito gratificante este primeiro livro editado pela Academia Portuguesa de Fibromialgia, porque, como bem diz o lema do nosso logótipo: “Docendo discimus”, em latim, que traduzido para o português significa “ensinando, aprendemos”. E aprendemos, sobretudo, com os doentes, dia após dia. São eles que nos ensinam. Tínhamos escutado o relato deste doente que tinha escrito o livro em espanhol e nós quisemos traduzi-lo para português.

Este livro é de carácter científico-técnico ou, pelo contrário, é o relato de um doente com fibromialgia?


Na realidade, não quisemos começar, na Academia, por editar livros de carácter científico-técnico. Parece-nos mais oportuno começar pela história de alguém que sofreu muito por causa da fibromialgia, e cujo exemplo, transcrito neste livro, pode ser de grande ajuda para outros doentes, ao permitir-lhes identificarem-se com essa experiência, não se sentirem sozinhos e perceberem que aquilo que lhes aconteceu também já aconteceu a muitas pessoas, há bastante tempo. Por isso, este primeiro livro é importante: é o relato, a experiência de vida e de sofrimento pela qual passou um doente com fibromialgia.


Conte-nos brevemente o que relata Alfredo Blasi, o informático autor deste livro, que hoje apresentam e que tem por título “A Minha Luta com a Fibromialgia”.

Ele relata toda a sua experiência de vida, desde o início dos sintomas. Segundo o próprio autor escreve na obra, tudo começou na sequência de uma gripe muito forte, que terá deixado como consequência uma fibromialgia. A partir daí, conta o seu percurso: as inúmeras vezes que recorreu às urgências devido às dores, ao cansaço, à sensação de angústia, e relata todas essas experiências pessoais e, acima de tudo, humanas. Como referi anteriormente, este testemunho pode servir de exemplo e de ajuda a muitos outros doentes. E relata também, posteriormente, como conseguiu sair desse círculo vicioso em que se encontrava.

Na realidade, apurámos que o autor do livro foi muito “maltratado” em Espanha pelos profissionais de saúde que o acompanharam ao longo dos anos em que esteve doente. Por que razão pensa que isso aconteceu?

Na realidade, os testemunhos que o autor relata sobre os “maus-tratos psicológicos” que sofreu, sobre a forma como se riram dele, chegando mesmo, em algumas ocasiões, a troçar dele, sobre como não lhe davam atenção e como o tratavam como se fosse louco, são realmente situações que nos deixam muito tristes. E se me pergunta porquê, eu diria que, talvez, quem melhor deixou isto escrito foi o filósofo e poeta espanhol António Machado, quando afirmou: “As pessoas desprezam aquilo que ignoram”. Quando alguém desconhece o que é uma doença, sobretudo quando nunca passou por essa doença ou não tem um familiar próximo que tenha vivido essa experiência, não consegue compreendê-la. Isto é lamentável. Mas, infelizmente, o ser humano é assim.

Surpreenderam-nos dois pontos ao ler o livro de Alfredo Blasi. O primeiro é que o doente investigou, por sua própria conta, sobre a fibromialgia e chegou a encontrar a sua própria terapia…

Sim, efectivamente. Começou a investigar por conta própria, até encontrar uma abordagem terapêutica que, segundo afirma, o terá curado. E, de facto, segundo a documentação que apresenta, é o único doente em Espanha diagnosticado com fibromialgia que possui um documento comprovativo da sua cura. Essa abordagem terapêutica que ele afirma ter sido responsável pela sua recuperação abriu um caminho para uma possível solução perante uma doença tão difícil como a fibromialgia e que poderá, eventualmente, ajudar muitas outras pessoas.

O segundo ponto que nos surpreendeu foi o facto de lhe ter sido reconhecida uma incapacidade absoluta e permanente, de 100%, devido à fibromialgia.

Sim! Eu vi os relatórios médicos relativos ao seu diagnóstico e, de facto, foi-lhe reconhecida essa incapacidade. E, apesar disso, perante essa luta titânica que travou para seguir em frente, Alfredo Blasi foi um doente activo, que investigam, fazem perguntas aos médicos e isso também nos estimula, como médicos.

No final do livro, são apresentados vários testemunhos de pessoas que seguiram o método do autor e que conseguiram uma melhoria muito significativa. Isto pode acontecer sempre?

Esses testemunhos de doentes são reais. Conheço os casos e, além de serem reais, posso dizer que, pela minha experiência pessoal, uma grande parte dessas pessoas apresentou uma melhoria considerável. Mas, naturalmente, nenhuma terapêutica é eficaz a 100%. Uma aspirina pode ser maravilhosa para uma dor de cabeça, mas não resulta da mesma forma para todas as pessoas. É necessário individualizar o tratamento. Mas é verdade que uma proporção significativa de pessoas se beneficia.

A fibromialgia tem cura ou tem tratamento?


É curioso que as pessoas perguntem sempre se a fibromialgia tem cura. A fibromialgia é uma doença crónica. Porque é que as pessoas não perguntam, por exemplo, se a diabetes, que é uma doença crónica, tem cura? Ou porque é que não perguntam se a “miastenia gravis” tem cura? As pessoas parecem pensar que a Fibromialgia é uma doença aguda. E não é. É uma doença crónica e, como tal, tem tratamento. Com o tratamento adequado, as pessoas podem apresentar melhorias muito significativas. No entanto, é uma doença que evolui por crises. Por vezes, surgem crises dolorosas e os sintomas reaparecem. O que temos de procurar é que essas crises sejam cada vez mais espaçadas no tempo, até que, praticamente, deixem de ocorrer. Mas, enquanto doença crónica, o mais correto é falar em tratamento e controlo da doença, e não numa cura definitiva.

E como se pode adquirir esta obra?

A todos que pretendem comprar este livro poderão fazê-lo pelo e-mail: doctorarrazgil@gmail.com, pelo qual terão todas as informações sobre valores e portes de envio. O livro pode ser entregue, em português, em qualquer parte do mundo.

Ígor Lopes

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Conhecido por promover a circulação da literatura em língua portuguesa na Europa, Roberto Parmeggiani participa no 6.º “Flitabira”

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Escritor, poeta, educador, editor e prefeito da cidade italiana de Sasso Marconi, Roberto Parmeggiani é um dos convidados internacionais do 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, que acontece de 29 de outubro a 1º de novembro. Nascido em Bolonha, na Itália, em 1976, Parmeggiani construiu uma trajetória singular, marcada por sua relação com o Brasil, onde viveu durante dois anos e aprendeu o português, língua em que também escreve seus livros. No sábado, 31 de outubro, às 15h, ele participa na mesa “Outras Habilidades”, com mediação de Carlos Vinícius, para “discutir as diferenças humanas e os padrões que determinam o que a sociedade considera normal”.

Formado em Ciências da Educação pela Universidade de Bolonha, Parmeggiani trabalhou como voluntário na periferia de São Bernardo do Campo, em São Paulo. A experiência brasileira foi decisiva para sua formação pessoal e literária. O português tornou-se também sua língua de criação, e o contato com o país estabeleceu uma relação que permanece presente em sua atuação como escritor e editor.

Entre as suas obras publicadas no Brasil estão “A lição das árvores”, “A avó adormecida”, “O mundo de Arturo”, “Felicidade submersa” e “Desabilidade”. Os seus livros circulam entre a literatura infantil, a poesia e a reflexão sobre as relações humanas, abordando questões como envelhecimento, convivência, educação e as diferentes maneiras de perceber o mundo.

É em “Desabilidade”, publicado pela Editora Nós, que Parmeggiani desenvolve uma das ideias centrais de seu pensamento. Em vez de considerar a deficiência apenas uma condição individual, o escritor questiona a dificuldade da própria sociedade em reconhecer e acolher as diferenças. A provocação desloca o olhar: até que ponto a deficiência não está também na incapacidade de compreender o outro? O livro propõe uma crítica aos padrões de normalidade e às formas de exclusão que continuam presentes nas relações sociais.

Essa reflexão nasce da sua experiência na educação inclusiva. Ao longo da carreira, Parmeggiani trabalhou com crianças, professores e projetos voltados à participação de pessoas com deficiência na vida cultural e educacional. A sua literatura não se limita a apresentar personagens diferentes, mas procura questionar os critérios pelos quais determinadas maneiras de viver são consideradas legítimas e outras, inadequadas.

Um escritor entre o Brasil e a Itália

A ligação com o Brasil ganhou uma nova dimensão em 2024, quando Parmeggiani fundou, em parceria com a editora brasileira Simone Paulino, a Edizioni Noi, projeto editorial dedicado à publicação e à circulação da literatura brasileira e de língua portuguesa na Itália. A iniciativa amplia o acesso dos leitores italianos à produção literária contemporânea brasileira e estabelece uma ponte entre os mercados editoriais dos dois países.

A sua trajetória literária também recebeu reconhecimentos importantes. “A avó adormecida” foi contemplado com o Prémio Anna Osti, em 2013, e “A lição das árvores” foi selecionado pela revista “Crescer” entre os 30 melhores livros infantis de 2014. Parmeggiani já participou em importantes encontros literários brasileiros, entre eles a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o Fliaraxá e o Fliparacatu.

Além da atuação literária, Parmeggiani desenvolveu uma carreira na administração pública italiana. Eleito prefeito de Sasso Marconi, município da região de Bolonha, em 2019, foi reeleito em 2024. A sua experiência na gestão pública acrescenta outra dimensão às questões que atravessam os seus livros, especialmente no que diz respeito à “educação, à convivência social e aos direitos das pessoas com deficiência”.

Segundo apurámos, no Flitabira, o encontro “Outras Habilidades” parte justamente dessa trajetória para discutir os limites da normalidade. O que significa ser diferente? Quem estabelece os padrões pelos quais julgamos as capacidades humanas? Como a literatura pode contribuir para uma sociedade que reconheça as singularidades sem transformá-las em motivo de exclusão?

A conversa também estabelece uma relação com o tema central do Festival. Em “Claro Enigma”, Drummond apresenta, no poema “A Máquina do Mundo”, a possibilidade de uma explicação total da existência. A obra de Parmeggiani, por outro caminho, questiona as explicações que pretendem “reduzir a diversidade humana a modelos únicos de comportamento e capacidade”.

De acordo com a organização do festival, a sua participação no 6º “Flitabira” traz ao público brasileiro a “experiência de um autor que transita entre duas línguas e duas culturas, e que encontrou na literatura uma maneira de interrogar nossas certezas sobre o mundo e sobre aqueles que o habitam”.

A Vale apresenta o 6º “Flitabira”, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú.

Sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, o Festival celebra os 75 anos de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade. Toda a programação é gratuita, com transmissão ao vivo pelo YouTube @flitabira e recursos de acessibilidade.

Ígor Lopes

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Cientistas descobrem nova variante de proteína que pode ajudar a controlar o cancro e o envelhecimento celular

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Uma equipa de investigação, liderada pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra (UC), identificou, pela primeira vez, uma nova variante da proteína p53, que tem um papel direto no controlo do envelhecimento celular e propriedades anticancerígenas. A descoberta abre novas portas para compreender como travar o envelhecimento celular e a multiplicação de células tumorais.

Em concreto, este estudo liderado pelo grupo de investigação Envelhecimento Molecular, Química do RNA e Oncogénese do MIA-Portugal, liderado por Marco Candeias, descobriu esta nova variante, chamada Delta246p53, e conseguiu mostrar, em ambiente de laboratório, que esta induz a senescência celular – o processo pelo qual as células deixam de se dividir – e inibe a formação de tumores em células.

Esta variante pode contribuir para os mecanismos de proteção do organismo, ajudando a impedir que células danificadas ou com potencial tumoral continuem a multiplicar-se. “A Delta246p53 controla várias vias que envolvem outras proteínas essenciais ao controlo da senescência, promovendo este processo e limitando a proliferação de células tumorais ou de células com danos”, explica o líder da investigação.

Sobre as oportunidades que esta descoberta pode trazer, Marco Candeias destaca que “se conseguirmos manter a expressão desta nova proteína restrita apenas às células em risco de transformação oncológica, poderemos perspetivar um possível prolongamento da esperança de vida, mantendo ou reforçando em simultâneo a defesa contra o cancro”.

Esta variante é uma nova proteína produzida a partir do gene TP53, um dos genes mais poderosos do genoma humano, frequentemente chamado “guardião do genoma”. Controla a divisão das células, repara o ADN quando este sofre mutações e promove a morte celular sempre que necessário. Uma alteração ou falha no seu funcionamento leva a alterações celulares significativas que podem resultar em envelhecimento precoce e aparecimento de cancro.

A nova variante do gene TP53 agora descoberta é, em comparação com outras proteínas já identificadas, uma proteína com funções mais específicas, uma “especialização” que pode abrir caminho a intervenções mais diretas para travar o envelhecimento e problemas oncológicos.

A investigação contou ainda com a participação da Universidade de Quioto (Japão), do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e da Universidade de Trento (Itália).

O artigo científico New Delta246p53 isoform responds to DNA damage to enhance p53 family functions in cellular senescence (Nova isoforma Delta246p53 responde a danos no ADN e potencia as funções da família p53 na senescência celular, em português), publicado na revista Cell Death Discovery, está disponível em www.nature.com/articles/s41420-026-03374-7.

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Do património familiar ao empreendedorismo: Glamping Academy apresenta oportunidades à diáspora

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A “Glamping Academy”, iniciativa portuguesa dedicada à formação e ao empreendedorismo no turismo de natureza, pretende aproximar os portugueses residentes no estrangeiro das oportunidades de investimento em Portugal, particularmente através do “aproveitamento de terrenos, quintas e imóveis familiares”. O projeto, fundado pelo empresário luso Luís Almeida, procura apoiar quem pretende estudar a possibilidade de criar um alojamento turístico, seja como investimento, atividade empresarial ou parte de um plano de regresso ao país.

A proposta dirige-se a portugueses e luso-descendentes que vivem em países como França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Estados Unidos e Canadá, muitos dos quais mantêm propriedades ou ligações familiares às regiões de origem. A “Glamping Academy” considera que esse património poderá, em determinadas condições, “ser utilizado para desenvolver atividades ligadas ao turismo rural, permitindo conciliar a preservação de imóveis familiares com a criação de iniciativas económicas”.

O projeto surge num contexto de crescimento do turismo em espaço rural. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal e do Turismo de Portugal citados pela organização, o Turismo no Espaço Rural e o Turismo de Habitação receberam 1,5 milhões de hóspedes em 2025 e registaram 3,3 milhões de dormidas, aumentos de 6,7% e 6,9%, respetivamente, face ao ano anterior. As regiões Norte, Alentejo e Centro concentraram 65,1% das dormidas neste segmento.

O glamping, conceito que combina elementos do campismo com condições de conforto associadas ao alojamento turístico, é uma das modalidades apresentadas pela academia. As soluções podem incluir cabanas de madeira, tendas equipadas e pequenas unidades integradas na paisagem. A atividade procura responder à procura de experiências ligadas à natureza, à gastronomia regional e ao património dos territórios.

À frente da “Glamping Academy” está Luís Almeida, também responsável pela “Arrabia Guest Houses Glamping”, localizada na Raiva, no concelho de Castelo de Paiva. A partir da experiência na criação e gestão de alojamentos turísticos, o empresário desenvolveu uma plataforma de formação que reúne conteúdos e especialistas em áreas relacionadas com a instalação e exploração de empreendimentos turísticos.

A academia disponibiliza cursos online, ferramentas de planeamento e programas de formação sobre escolha de terrenos, licenciamento, financiamento, construção, marketing, gestão e rentabilidade. A possibilidade de acompanhar os conteúdos à distância constitui uma das características da iniciativa, permitindo que “interessados residentes no estrangeiro iniciem a avaliação de um projeto antes de regressarem a Portugal ou avançarem com um investimento”.

Um dos aspetos destacados pela organização é a necessidade de confirmar a viabilidade legal e técnica de cada propriedade. A existência de um terreno não significa, por si só, que seja permitida a instalação de unidades de glamping. A concretização de um empreendimento depende das disposições do Plano Diretor Municipal (PDM), de eventuais restrições da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN), bem como das condições de acesso e das exigências de licenciamento. Estas regras podem aplicar-se também a estruturas amovíveis, tendas e casas sobre rodas, dependendo das características do projeto e do enquadramento territorial.

Por esta razão, a “Glamping Academy” recomenda que os interessados “realizem estudos prévios de viabilidade, avaliem os custos e analisem a procura turística antes de assumirem compromissos financeiros”. A organização sublinha que “a atividade não representa uma garantia de rentabilidade e exige preparação empresarial”.

Além da formação digital, a iniciativa promove encontros presenciais denominados “Imersões Glamping Academy”, destinados a reunir empreendedores, potenciais investidores e profissionais de áreas como arquitetura, licenciamento, financiamento e exploração turística. A mais recente edição decorreu nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na “Arrabia Guest Houses Glamping”, em Castelo de Paiva.

Durante estes encontros, os participantes têm oportunidade de “conhecer experiências de gestão, esclarecer dúvidas e estabelecer contactos com profissionais do setor”. A academia pretende, ainda, “desenvolver uma comunidade de pessoas interessadas na criação de projetos turísticos, combinando a aprendizagem on-line com atividades presenciais.

Para os portugueses residentes no estrangeiro, a iniciativa apresenta-se como uma possibilidade de estudar o aproveitamento de património familiar sem necessidade de uma mudança imediata para Portugal. A análise de terrenos, a preparação de planos de negócio e o conhecimento das exigências legais podem ser realizados numa fase anterior à decisão de investir.

A “Glamping Academy” disponibiliza informações sobre os seus programas e atividades através do portal www.glamping-academy.info

Com esta iniciativa, Luís Almeida procura “colocar a formação e o planeamento ao serviço de portugueses e luso-descendentes interessados no turismo de natureza, apresentando alternativas de utilização de propriedades familiares e oportunidades de empreendedorismo nas regiões rurais portuguesas”.

Ígor Lopes

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