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“Portugal atrai perfis muito diferentes de estudantes internacionais”, afirma estudante brasileiro em Portugal

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A integração no ensino superior português constitui um dos principais desafios para quem chega ao país para iniciar uma formação académica na Europa, envolvendo não apenas a adaptação aos métodos de ensino, mas também a construção de relações com colegas e a inserção num novo ambiente social e cultural.

É a partir da sua própria experiência enquanto estudante brasileiro em Portugal que Bruno Miranda e Silva, 20 anos, natural de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, e residente em Lisboa, tem acompanhado estas questões, conciliando os estudos no terceiro ano do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa com as funções de coordenador de política internacional na Associação Académica de Ciências Económicas e Políticas (AACEP) e de coordenador do Comité Jovem da Câmara de Comércio-Indústria Luso-Brasileira.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, este responsável abordou os desafios de integração dos estudantes internacionais, os fatores que devem pesar na escolha de uma universidade portuguesa, as diferenças entre os sistemas de ensino superior de Portugal e do Brasil e a importância da participação em estruturas académicas, associativas e jornalísticas.

Na perspetiva de um estudante estrangeiro, quais são as principais dúvidas antes de iniciar uma licenciatura em Portugal e que preparativos considera indispensáveis para a adaptação académica e pessoal?

Antes de iniciar qualquer curso em Portugal, é indispensável que se verifique a estrutura do curso e o tipo de pessoas que lá estudam. A questão envolve sempre o problema da integração entre os estudantes da faculdade, ou seja, as relações que lá serão cultivadas. Quando entrei na faculdade, tinha grandes dúvidas da forma com a qual seria tratado, até com duvidas de se a própria faculdade que escolhi seria a certa para mim. Logo, quando o ano letivo começou, fiz questão de andar com as pessoas que se vestiam igual a mim, mesmo assim, as primeiras semanas da faculdade implicam uma tentativa de integração similar àquela de entrar em uma escola nova, onde não se conhece ninguém.

Que perfis de estudantes internacionais procuram atualmente as universidades portuguesas e quais são os principais fatores que pesam na escolha de Portugal como destino de formação?

Creio que Portugal atrai perfis muito diferentes de estudantes internacionais. No caso dos brasileiros, pesa bastante a língua, a proximidade cultural, a segurança, a qualidade de vida e a possibilidade de estudar numa universidade europeia sem diferença de língua gritante como no restante da europa. Além disso, muitos jovens procuram Portugal já pensando numa trajetória mais internacional, seja através de intercâmbios, de um mestrado ou de uma futura experiência profissional na Europa. Já, acho importante não escolher Portugal apenas porque parece ser um destino mais fácil para quem fala português. A decisão deveria ter em consideração a qualidade da universidade, se o curso for do seu agrado e as oportunidades que são dadas pela faculdade. A escolha da faculdade é tão importante quanto a escolha do próprio país.

Com base na sua experiência, o que funciona bem no acolhimento e na integração dos estudantes estrangeiros nas instituições de ensino superior portuguesas e o que ainda precisa de ser melhorado?

Isto tende a depender da instituição. Muitas faculdades dão liberdade aos estudantes de formarem os seus núcleos, seja de estudantes de determinados países como o Brasil ou de cariz político. No meu caso, a minha faculdade acredita que isso é contraproducente, quando falamos de núcleos de estudantes brasileiros, com o objetivo de os integrar, cria uma dinâmica onde não se integram, uma endogamia social, fazendo com que fiquem todos juntos, assim, terminam por não se integrar. Creio que esta é uma visão compreensível, onde a faculdade, por não deixar que isto aconteça, faz uma ‘arquitetura da escolha’, criando a oportunidade para que os alunos tenham que conviver uns com os outros, além dos seus moldes sociais, culturais ou mesmo de suas preferências pessoais (politicas ou hobbies). 

Qual é a importância de concluir os estudos superiores em Portugal para o percurso académico, profissional e internacional de um estudante brasileiro?

Há uma grande importância em terminar os estudos superiores em Portugal. Mas a questão do Mestrado é muito mais importante. Aqui em Portugal, se se tenciona aqui ficar, é um dos mais importantes diplomas de ter, há uma grande competitividade para os empregos nas áreas escolhidas pelo aluno. Já, se os estudantes brasileiros tencionam voltar ao Brasil, um diploma Português tem um peso elevado, em comparação ao título de igual valor no Brasil, já que o universitário tem experiência no exterior, assim tendo mais competitividade no mercado de trabalho brasileiro.

Que diferenças identifica entre os sistemas de ensino superior de Portugal e do Brasil, nomeadamente nos métodos de avaliação, na relação com os docentes, na carga de trabalho e na participação dos estudantes?

Em Portugal, o ensino superior demanda bastante autonomia por parte do estudante, tanto na organização das leituras como na preparação para provas, trabalhos e apresentações. A relação com os professores costuma ser próxima e a participação do aluno depende muito da sua iniciativa, seja em associações, conferências, jornais universitários ou outras atividades fora da universidade (no seu cotidiano). Uma diferença em relação ao Brasil está também no financiamento do ensino superior. No Brasil, as universidades públicas não cobram ‘propinas’ (mensalidade, em português do Brasil), enquanto em Portugal mesmo as instituições públicas cobram ‘propinas’, e os valores podem ser mais elevados para estudantes internacionais, chegando a 12.500 euros por ano. Para quem vem de fora, esse custo deve ser levado em conta juntamente com as despesas de moradia, transporte e alimentação.

Na sua opinião, que ideias preconcebidas sobre estudar em Portugal não correspondem à realidade e que informação deveria ser transmitida aos jovens antes de tomarem essa decisão?

Creio que as ideias concebidas sobre o estudo em Portugal estão ligadas à inclusão das pessoas. Não foram raras as vezes que estudantes brasileiros foram vítimas de xenofobia ou preconceitos, mas nem todos os professores e nem todos os alunos são assim, longe disso. A maior parte dos estudantes portugueses tem um fascínio sobre a cultura brasileira, e acolhem de braços abertos todos os alunos que estudam em solo luso. Os portugueses são um povo aberto por natureza, logo, não são mal-humorados como se acredita no Brasil ou no restante dos países da lusofonia.

Fale-nos sobre a sua experiência ao escrever para o jornal da faculdade e por pertencer ao diretório académico.

Escrever para o jornal da faculdade é uma bênção, ter a oportunidade de me expressar sobre temas diversos, debatendo e discutindo assuntos que são caros para mim, recomendo a todos. No jornal da faculdade, me foco principalmente sobre questões ligadas à América Latina, com um olhar especial pelo Brasil e pelos processos internos, mesmo assim, comento de vez em quando, sobre os resultados eleitorais nos países da América Latina. Quanto à Associação Académica de Ciências Económicas e Políticas (AACEP) da Universidade Católica Portuguesa, como coordenador de política internacional, o meu foco vai além das fronteiras da América Latina, comentando ou organizando eventos e publicações sobre assuntos de interesse. A participação em um espaço que engloba todas as faculdades de Portugal, assim tendo já viajado para o sul do país com o objetivo de promover iniciativas da nossa Associação Académica, com, neste caso, foco na Europa.

Ígor Lopes

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Presidente da República portuguesa inaugura nova Escola Secundária de Cascais após investimento de 32 milhões de euros

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A nova Escola Secundária de Cascais será inaugurada na segunda-feira, 21 de setembro, pelas 11h00, na Avenida Pedro Álvares Cabral. A cerimónia contará com as presenças do Presidente da República, António José Seguro, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, além de alunos, professores e representantes da comunidade escolar.

O estabelecimento, que já se encontra em funcionamento no âmbito do ano letivo 2026/2027, resulta de um investimento municipal superior a 32 milhões de euros, com cofinanciamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da União Europeia.

A intervenção integra a estratégia da Câmara Municipal de Cascais para requalificar, ampliar e modernizar os estabelecimentos de ensino do concelho, com o objetivo de responder às necessidades da comunidade educativa e preparar a rede escolar para as próximas décadas.

Esta escola representa uma escolha clara. Em Cascais, escolhemos construir o futuro e colocar a Educação no centro da nossa visão para as próximas gerações. Queremos que cada jovem tenha condições para aprender, crescer, descobrir o seu talento e concretizar as suas ambições, afirmou Nuno Piteira Lopes.

O presidente da Câmara Municipal de Cascais sublinhou ainda a responsabilidade partilhada entre a escola, as famílias e o município na formação dos jovens.

A escola ensina, a família educa e a Câmara potencia. Potenciar é também garantir que os nossos alunos, professores e todos os que trabalham na educação dos jovens têm as condições que merecem. Depois de 50 anos de espera, esta escola é hoje um compromisso tornado realidade e um novo ponto de partida para os jovens e para o futuro de Cascais, acrescentou.

A construção do novo edifício encerra um processo iniciado há 51 anos, quando a Escola Secundária de Cascais abriu em instalações provisórias, destinadas a acolher 650 alunos. Em 2019, a Câmara Municipal de Cascais estabeleceu um acordo com o Ministério da Educação e assumiu a construção do novo estabelecimento. A empreitada começou em 2023, nos terrenos adjacentes à antiga escola.

Com capacidade para 1.320 alunos, a nova escola dispõe de 44 salas de aula equipadas com ecrãs interativos, biblioteca, laboratórios, auditório, sala de artes performativas, centro de apoio à aprendizagem, refeitório e outros espaços destinados à comunidade escolar.

A segunda fase da intervenção prevê a conclusão dos arranjos exteriores e a construção de um novo pavilhão desportivo, cuja entrada em funcionamento está prevista até ao final de 2027.

A cerimónia começa às 11h00, seguindo-se o descerramento da placa inaugural, às 11h05, e uma visita institucional às novas instalações, às 11h15. As intervenções têm início ao meio-dia e estarão a cargo da diretora da Escola Secundária de Cascais, Inês Muller, do presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do Presidente da República, António José Seguro.

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“O que acontece à vida das mulheres vítimas depois de as leis serem feitas? É também essa pergunta que atravessa este livro”

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A deputada à Assembleia da República (AR) portuguesa e socióloga Elza Pais apresentou, no dia 15 de setembro, às 18h, na Biblioteca Passos Manuel da Assembleia da República, em Lisboa, o livro “Violência Doméstica contra as Mulheres e Decisões Judiciais: Políticas Públicas e Perspetiva de Género”. A obra, publicada pelas Edições Almedina, resulta de uma investigação desenvolvida ao longo de 15 anos sobre a “evolução legislativa, as políticas públicas e a aplicação da justiça nos casos de violência doméstica”.

A abertura da sessão esteve a cargo do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, via mensagem por vídeo. A apresentação da obra foi conduzida pelos académicos Manuel Lisboa e Teresa Pizarro Beleza, e comentários de Nelson Lourenço e do secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro. O lançamento reuniu representantes políticos, académicos, profissionais da Justiça e organizações da sociedade civil, bem como público interessado no tema.

Na sua intervenção, José Luís Carneiro destacou o percurso político, académico e cívico da autora, que classificou como um “compromisso de vida com a igualdade, a dignidade da pessoa e os direitos humanos”. Este responsável manifestou a gratidão do PS pelo trabalho desenvolvido por Elza Pais e considerou que a obra “aponta caminhos para a intervenção futura”.

“Este não é apenas um livro fechado sobre o que foi feito, mas é sobretudo um livro aberto sobre aquilo que tem de ser feito no futuro”, afirmou José Luís Carneiro, que agradeceu à deputada a “entrega, dedicação, coragem e determinação” na defesa destes valores.

Para o secretário-geral do PS, a publicação percorre o processo que retirou a violência doméstica da esfera exclusivamente privada e a colocou no centro da análise política, jurídica e social. José Luís Carneiro salientou ainda a ligação entre a legislação portuguesa, os direitos fundamentais e os instrumentos normativos internacionais produzidos no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Conselho da Europa.

Foto: Agência Incomparáveis

“A obra traça o percurso de uma realidade tantas vezes tratada como se pertencesse apenas à esfera privada e íntima, mostrando como essa realidade passou para a estrutura normativa e se tornou objeto de acompanhamento político, académico e jurídico”, observou.

Durante a sua fala, Elza Pais explicou que a investigação procura compreender os efeitos concretos das mudanças legislativas na resposta dada às vítimas.

“Este livro encerra um percurso longo, de 15 anos só nesta obra, mas não encerra um combate. Foram muitos anos a estudar a violência doméstica, a acompanhar as políticas públicas, as mudanças legislativas e, sobretudo, a compreender o que acontece depois de as leis serem feitas”, declarou a autora.

A deputada reconheceu os avanços registados em Portugal na prevenção da violência doméstica, na proteção das vítimas e na responsabilização dos agressores. Recordou ainda o processo que retirou esta forma de violência da esfera exclusivamente privada e a colocou no domínio da intervenção pública sempre que os direitos humanos são violados no espaço da intimidade. Sublinhou, contudo, que a existência de legislação e o aumento das condenações não esgotam a resposta do Estado.

“Esta investigação mostra que há taxas elevadas de condenação, mas coloca novos desafios. Condenar não esgota a resposta que devemos às vítimas. Que proteção foi, ou pode ser, efetivamente reforçada na proteção das vítimas?”, questionou Elza Pais.

A autora colocou no centro do debate o equilíbrio entre as garantias processuais dos arguidos e a proteção concedida às mulheres vítimas de violência doméstica.

“Quando o sistema concede uma nova oportunidade ao agressor, no quadro dos direitos, liberdades e garantias, será que já fizemos todo o percurso para garantir à vítima uma oportunidade igual àquela que garantimos ao agressor?”, interrogou.

José Luís Carneiro acompanhou esta preocupação e assinalou a existência de uma assimetria entre as garantias concedidas ao agressor e os mecanismos destinados a proteger as vítimas. Segundo ele, a aplicação de medidas de suspensão das penas pode manter as vítimas em circunstâncias de vulnerabilidade, sobretudo quando estão em causa agressores reincidentes.

“Há uma assimetria entre as garantias dadas a quem usa da violência e a proteção assegurada a quem é vítima dessa violência. A boa interpretação jurídica nem sempre encontra tradução prática nos instrumentos destinados a proteger as vítimas do agressor, particularmente quando existe reincidência”, sustentou.

O secretário-geral do PS chamou também a atenção para situações em que a violência doméstica pode ser desvalorizada na qualificação judicial, sendo tratada apenas como ofensa à integridade física. Na sua análise, essa abordagem retira ao crime o enquadramento social, cultural e relacional necessário à prevenção da reincidência e à adoção de medidas destinadas a corrigir comportamentos.

Segundo Elza Pais, o estudo identifica progressos, mas também tensões entre o conteúdo das leis e a sua aplicação pelos diferentes intervenientes do sistema. Para a deputada, que é também vice-presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas na AR, o desafio passa agora por assegurar a execução das normas existentes e reforçar a articulação entre a Justiça, o poder político, a academia e as organizações que acompanham as vítimas.

“Já não precisamos apenas de melhores leis, embora possamos sempre aperfeiçoá-las. Precisamos de garantir a plena aplicação das boas leis que conquistámos. Isso exige mais articulação entre a Justiça, as políticas, a academia e as organizações que vivem todos os dias a realidade das vítimas”, defendeu.

José Luís Carneiro considerou que uma das conclusões da obra está relacionada com a necessidade de formação dos profissionais responsáveis por aplicar e defender a lei. Para o dirigente, essa preparação deve integrar os contextos sociais e culturais em que ocorrem as situações de violência e permitir uma compreensão das relações de dependência e das assimetrias de poder existentes na vida das vítimas.

“Há todo um percurso que foi feito e há todo um percurso que ainda deve ser desenvolvido, do ponto de vista cultural, social, académico, político e legislativo”, frisou.

A deputada sustentou também que julgar com perspetiva de género não significa decidir contra os homens, favorecer as mulheres ou diminuir as garantias dos arguidos. Significa compreender as relações de poder, controlo e dominação presentes na violência exercida no espaço da intimidade, bem como os fatores que podem levar uma vítima a não denunciar, a regressar à relação ou a demorar a conseguir sair dela.

“Julgar com perspetiva de género significa compreender este contexto. Significa reconhecer as relações de poder, de controlo e de dominação que estão presentes na violência da intimidade. Significa compreender por que razão uma vítima pode não denunciar, pode regressar à relação ou pode demorar a conseguir sair dela”, explicou José Luís Carneiro, que relacionou estas assimetrias com os mecanismos de dependência e subalternidade que podem limitar a autonomia das mulheres. Defendeu, por isso, a continuidade das políticas de igualdade salarial, o reforço da presença feminina nos órgãos de decisão e o aprofundamento da paridade nas estruturas políticas, administrativas e empresariais.

Durante a intervenção, o secretário-geral do PS assumiu ainda o compromisso do partido com o combate às diferentes formas de violência, através do reforço da prevenção, da formação das forças de segurança e do desenvolvimento de mecanismos de alerta que permitam prestar apoio em tempo oportuno.

“Há um trabalho que pode e deve ser desenvolvido no que respeita à prevenção e ao combate às diversas formas de violência”, assinalou José Luís Carneiro, alertando também para o crescimento de posições políticas que colocam em causa conquistas alcançadas em matéria de direitos fundamentais.

Carneiro defendeu que o percurso realizado por Portugal não pode recuar perante “ventos contrários” provenientes de diferentes partes do mundo.

“O compromisso tem de ser de todos, para que o percurso que o país fez de consciencialização para estes valores e princípios fundamentais não regrida”, advertiu.

Elza Pais, por sua vez, destacou ainda o papel da Assembleia da República na aprovação das leis, no acompanhamento da sua aplicação e na fiscalização das políticas públicas. Sublinhou, porém, que a atividade legislativa deve ser confrontada com os efeitos produzidos na vida concreta das vítimas.

“O que acontece à vida das mulheres vítimas depois de as leis serem feitas? É também essa pergunta que atravessa este livro”, assinalou.

A parlamentar agradeceu o contributo dos investigadores, juristas, deputados, responsáveis institucionais e organizações não-governamentais presentes na sessão. Dirigiu uma referência às estruturas que acompanham as vítimas no terreno, reconhecendo o trabalho realizado nos momentos em que muitas mulheres sentem que têm de assegurar a própria proteção perante as limitações do sistema.

Na sua fala final, e em tom de conclusão, Elza Pais relacionou o trabalho académico com a responsabilidade política e cívica.

“Enquanto houver uma mulher que viva com medo dentro da sua própria casa, a democracia estará incompleta. É responsabilidade da polícia, da Justiça, da academia, da política e da sociedade fazer com que nenhuma mulher tenha de escolher entre o medo e a liberdade”, afirmou.

Foto: Agência Incomparáveis

A autora defendeu que uma investigação sobre violência doméstica não pode terminar na última página, devendo regressar à sociedade, à política e à vida das mulheres. A apresentação na Assembleia da República refletiu, segundo Elza Pais, essa ligação entre conhecimento, cidadania e intervenção pública.

“Investigar é também uma forma de resistir e uma forma de agir”, concluiu.

José Luís Carneiro felicitou Elza Pais por um percurso que, afirmou, serve de referência às novas gerações e contribui para a construção de uma sociedade com maior igualdade.

Recorde-se que a obra foi editada em 2026 pelas Edições Almedina. Elza Pais é doutorada em Sociologia, deputada à Assembleia da República pelo Partido Socialista, investigadora na área da violência e do género e antiga secretária de Estado da Igualdade. Ao longo do seu percurso, presidiu à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e coordenou a Estrutura de Missão contra a Violência Doméstica.

O livro pode ser adquirido em diversas livrarias portuguesas, mas também através dos links abaixo:

https://www.almedina.net/violencia-domestica-contra-as-mulheres-e-decisoes-judiciais-1776996724.html

https://www.wook.pt/livro/violencia-domestica-contra-as-mulheres-e-decisoes-judiciais-elza-maria-henriques-deus-pais/33426751

https://www.fnac.pt/Violencia-Domestica-Contra-as-Mulheres-e-Decisoes-Judiciais-Elza-Pais/a14220946

https://arquivolivraria.pt/livros/direito/violencia-domestica-contra-as-mulheres-e-decisoes-judiciais-elza-maria-henriques-deus-pais

Ígor Lopes

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Portugal: Especialista imobiliário defende aeroporto na Beira Interior para “impulsionar investimento e o desenvolvimento regional”

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O consultor imobiliário António Carlos defendeu a criação de um aeroporto na região da Beira Interior, no centro de Portugal, como “fator determinante” para “reforçar a capacidade de atração de investimento e promover o desenvolvimento económico da região”. As declarações foram prestadas em exclusivo à Agência Incomparáveis, na Covilhã, nas últimas semanas.

Na perspetiva do consultor, a inexistência de uma infraestrutura aeroportuária continua a constituir um dos principais obstáculos ao crescimento económico da Beira Interior, sobretudo numa altura em que a região desperta cada vez mais interesse junto de investidores nacionais e estrangeiros. António Carlos considera inclusive que essa necessidade é frequentemente apontada pelos próprios empresários internacionais com quem trabalha.

“O maior problema dos grandes empresários a nível mundial, porque há muitos empresários a investir, muita gente do Brasil, inclusive aqui na Covilhã, israelitas a investir na Covilhã, o que é que eles dizem? A grande pena aqui é não haver um aeroporto nem que seja pequenino”, admitiu, além de explicar que a proximidade a uma infraestrutura aeroportuária representa atualmente “um dos fatores mais valorizados pelos investidores internacionais” quando analisam novas localizações para desenvolver projetos empresariais e imobiliários.

“Os empresários querem estar a 60 km, 80 km desviados do aeroporto mais próximo”, argumentou.

Na sua opinião, Portugal deverá olhar com maior atenção para o potencial do Interior, defendendo a criação de um aeroporto regional que permita reforçar a competitividade da Beira Interior.

“Portugal deveria pensar mais próximo, nem que fosse Castelo Branco. No Interior cada vez mais necessitamos aqui de um aeroporto com capacidade para que os desenvolvimentos continuem”, enfatizou.

Para António Carlos, uma infraestrutura desta natureza não beneficiaria apenas o setor imobiliário, mas também a economia regional, as universidades e a instalação de novas empresas.

“Um aeródromo pequenino aqui na região faria toda a diferença. Iria canalizar um desenvolvimento brutal, não só para os estudantes, para as universidades, para o próprio desenvolvimento local”, sustentou.

De igual modo, este profissional realça que a criação de melhores ligações aéreas contribuiria para reduzir as assimetrias entre o litoral e o interior português, permitindo potenciar as vantagens competitivas que a Beira Interior já oferece.

Na sua análise, apesar da ausência dessa infraestrutura, a região continua a conquistar novos residentes devido à qualidade de vida, aos custos mais reduzidos e à localização estratégica.

“Nós vemos que cada vez mais o litoral está cheio de pessoas, não há qualidade de vida, e as pessoas estão-se a fixar aqui no interior cada vez mais. As pessoas preferem viver aqui com menos dinheiro, mas terem mais qualidade de vida”, observou.

Ao mesmo tempo, evidencia que o Interior reúne um conjunto de características diferenciadoras que justificam essa crescente procura.

“Nós temos aqui, além de qualidade de vida, boas ligações e, cada vez mais, qualidade de vida nestas grandes cidades do Interior, porque num espaço de 15, 20 minutos estamos perto de uma cidade, estamos perto de uma praia fluvial, estamos perto de um rio, estamos a duas horas do mar, estamos a 2h30 de Lisboa, estamos a 2h15 do Porto, estamos a 40 minutos de Espanha, e a localização é primordial”, frisou.

Na perspetiva do empresário, “reforçar as infraestruturas de mobilidade permitirá consolidar esta dinâmica de crescimento e criar condições para atrair ainda mais investimento, empresas e população para a Beira Interior, contribuindo para o desenvolvimento sustentado de toda a região”.

Ígor Lopes

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