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“Tenho algum cuidado com a palavra “referência”, mas também não fujo ao que venho construindo”, explicou cantautor português Eddie

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O percurso de Eddie, nome artístico de Edgar Pinto, ultrapassa há muito a dimensão de um “simples” cantor. Ao longo de mais de 20 anos, construiu uma carreira como compositor, produtor, fundador da EP-Produções Musicais e membro de algumas das mais prestigiadas instituições ligadas à indústria musical, acumulando distinções internacionais em Madrid, Hollywood, Los Angeles e, mais recentemente, Nova Iorque (Distinção Especial “Artista Influente na Música e Cultura Latina”). No centro desse percurso continua, contudo, a mesma convicção: o sucesso resulta de tempo, disciplina, trabalho e autenticidade.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, o artista português revisitou os bastidores da construção do álbum “Todo a Su Tiempo”, fala das renúncias e escolhas que marcaram a sua carreira, reflete sobre a forma como encara o reconhecimento internacional e explica por que motivo continua a privilegiar a humildade e a aprendizagem permanente, mesmo depois de alcançar um lugar de destaque no panorama musical ibero-americano.

Ao longo da conversa, Eddie sublinhou ainda a relação entre Portugal, Espanha, a Lusofonia e a América Latina, o papel da produção musical no seu percurso, a responsabilidade de integrar organismos internacionais como a Recording Academy e a Latin Recording Academy e os desafios que continua a estabelecer para o futuro, numa carreira que considera estar longe de concluída.

O projeto “Todo a Su Tiempo” levou cinco anos a ser construído e chegou a mais de 20 milhões de plays, streams e visualizações. Quando olha para este percurso, que parte da caminhada considera que o público ainda não conhece: o trabalho, as renúncias, os silêncios ou as decisões que ficaram fora dos palcos?

Hoje é difícil falar do público como uma entidade única e estanque. Há públicos diferentes: quem acompanha há anos, quem chega por uma canção, quem descobre o trabalho por um vídeo, uma rádio, uma entrevista ou um palco. O alcance pode ser grande e, ao mesmo tempo, muito parcial. Mesmo depois de uma longa jornada, continuo a chegar a novos ouvintes. Posso ter tocado numa sala importante ou passado por uma rádio, uma televisão ou um festival e, no dia seguinte, noutro contexto, haver pessoas a ouvir-me pela primeira vez. Isso agrada-me, mantém-me atento, vivo e com os pés no chão. Por isso, quando olho para este percurso, penso sobretudo na parte que se vê de fora: as canções, os vídeos, os concertos, as entrevistas, os prémios e os resultados. Por trás de tudo isto existe uma parte menos exposta, que é a do silêncio. “Todo a Su Tiempo” levou cinco anos a ser construído, mas esses cinco anos não nasceram do nada. Trazem uma história de vida, muitos anos de música, estúdio, palco, viagens, investimento pessoal, dúvidas, escolhas difíceis e muita aprendizagem. Este álbum tem esse nome por alguma razão. Não foi feito à pressa, nem para responder a uma moda ou a uma tendência. Houve músicas que ficaram para trás, ideias que precisaram de amadurecer e momentos em que tive de parar para perceber se cada passo fazia sentido para mim. Também houve renúncias: tempo pessoal, tranquilidade, oportunidades e até alguns caminhos que talvez fossem mais rápidos, mas não eram necessariamente os meus. Talvez a parte menos conhecida seja essa: continuar a construir quando ainda não há aplauso, quando ainda não há palco, quando ainda não há números para mostrar. No meu caso, muita coisa também se construiu nesses dias em que ninguém estava a ver. Quem escuta a canção pode não conhecer todos os bastidores, mas percebe quando ela não nasceu por acaso.

Ao longo de mais de duas décadas de carreira, passou por estúdios, palcos, rádios, televisões, prémios e reconhecimento internacional. Que sacrifícios foram necessários para chegar a este patamar sem perder o controlo criativo, a identidade artística e a ligação às suas origens?

Mais do que falar de sacrifícios de forma dramática, prefiro falar de escolhas exigentes. No meu caso, estes anos não se fizeram apenas de inspiração. Houve disciplina, investimento, persistência e foco, mesmo quando a visibilidade e o retorno nem sempre corresponderam ao esforço colocado. Sendo artista, compositor, produtor e tendo passado tantos anos dentro de estúdios, acabei por olhar para cada projeto como um todo. Não penso apenas na canção isoladamente; penso na produção, interpretação, imagem, direção artística e na forma como tudo chega ao público. Isso dá-me autonomia, mas também aumenta muito a responsabilidade. O lado criativo e de estúdio é talvez o que me surge de forma mais natural. O lado mais exigente é muitas vezes a gestão humana e operacional de um projeto independente: coordenar pessoas, prazos, sensibilidades, decisões e recursos. Nem sempre existe uma estrutura grande por trás, e isso leva-me a estar em muitas frentes. Houve momentos em que foi preciso abdicar de descanso, tempo pessoal e tranquilidade para proteger uma visão. Não vejo isso como queixa. Faz parte da escolha. A música tem-me dado muito, mas pede entrega, consistência e capacidade de não me dispersar. Talvez um dos maiores desafios tenha sido manter foco e identidade sem fechar a minha música numa só linguagem. Ao longo do meu percurso cruzei-me com projetos, estilos, artistas e sensibilidades muito diferentes, e tudo isso alargou a minha forma de ouvir, criar e pensar a música. O meu caminho tem sido encontrar coerência dentro dessa diversidade, sem transformar a música numa fórmula.

Os prémios recebidos em Madrid, Hollywood, Los Angeles e Nova Iorque colocaram o seu trabalho num circuito internacional onde estão alguns dos grandes nomes da música. Como gere esse reconhecimento sem o transformar em vaidade, mantendo a humildade e a consciência de que a carreira continua em construção?

Reconheço o valor desses prémios e tenho orgulho neles. Não os vejo como um detalhe: dão peso ao percurso, reforçam credibilidade e mostram que o trabalho conseguiu sair do seu lugar de origem para ser escutado noutros contextos. Ao mesmo tempo, nenhuma distinção encerra uma carreira; faz-me continuar com mais critério. Também sei que ganhar um prémio não significa que toda a gente fique automaticamente a saber. A atenção está muito fragmentada entre públicos, países, meios e plataformas. Para mim, o reconhecimento também existe fora dos prémios: numa rádio, em palco, entrevistas, colaborações ou no respeito de alguém do meio artístico que reconhece valor no projeto. Ter passado tantos anos em estúdio e ter-me cruzado com grandes nomes da música ajuda-me a pôr as coisas em perspetiva. Por mais importante que seja uma etapa, há sempre trabalho a fazer: na canção seguinte, no próximo palco, no próximo projeto.

“Todo a Su Tiempo” parece traduzir uma ideia de maturação, paciência e persistência. Em que medida este álbum representa não apenas uma fase musical, mas também uma forma de estar na vida e na indústria, num tempo em que muitos artistas são pressionados a produzir depressa e a responder ao algoritmo?

“Todo a Su Tiempo” tem muito de vida antes de ser apenas um título de álbum. Eu acredito no trabalho, na preparação, na persistência e em fazer a minha parte. Ainda assim, há coisas que só acontecem quando encontram o momento certo. Na música sinto o mesmo: cada canção tem a sua maturação e a sua razão para chegar. Tenho uma relação muito própria com os discos e as canções. Não gosto de lançar só para cumprir calendário ou alimentar plataformas. Hoje é preciso comunicar, estar presente, perceber a indústria e acompanhar o ritmo das coisas. Faço parte dessa realidade, procuro apenas que a pressa não mande mais do que a própria música. Para mim, uma música chega melhor quando sinto que está pronta e que a posso levar ao público com convicção. Nem sempre é possível controlar todos os calendários, porque também há oportunidades, compromissos e pressões naturais do mercado. Ainda assim, tento não perder esse critério. Prefiro que uma canção chegue um pouco mais tarde, mas chegue com sentido.

O seu percurso cruza Portugal, Espanha, a Lusofonia e a América Latina, com uma identidade luso-ibérica que não procura “folclorizar” a origem nem diluí-la no mercado global. Como encontra esse equilíbrio entre pertencer a um território cultural e, ao mesmo tempo, dialogar com públicos de vários países?

Reconheço-me muito nesse cruzamento e nessa ideia de ponte entre lugares, culturas, línguas e formas diferentes de sentir a música. Nasci em Portugal, mas o meu percurso não ficou fechado ao lugar onde nasci. Fui vivendo, viajando, trabalhando e criando em contacto com outros lugares, sobretudo Espanha, com uma ligação forte a Madrid e à Andaluzia, e também com a Lusofonia e o universo latino. Não nasceu de uma estratégia; faz parte da minha vida. A Lusofonia tem uma dimensão familiar, afetiva e musical. Espanha entrou no meu percurso por presença real, trabalho, amizade, palco, estúdio e tempo vivido. A América Latina foi surgindo pela língua, pelas canções, pelos media, pelas colaborações e pelo diálogo natural com públicos que sentem a música de forma próxima. O equilíbrio está em deixar que essa vida apareça naturalmente na música.

Além de cantautor, é produtor, fundador da EP-Produções Musicais, membro votante da Recording Academy e da Latin Recording Academy, integra a Academia de la Música de España e a Sociedade Portuguesa de Autores. Como vive a responsabilidade de ser referência em várias esferas da música sem perder a inquietação de quem continua a aprender?

Vejo essa dimensão como parte do percurso que tenho vindo a construir. São mais de duas décadas de estúdio, produção, canções, palco, trabalho com outros artistas, academias e contacto com vários lados da música. Reconheço o peso desse caminho, mas prefiro vivê-lo como responsabilidade e não como estatuto. Tenho algum cuidado com a palavra “referência”, mas também não fujo ao que venho construindo. A EP-Produções Musicais foi decisiva nessa história. Não foi apenas um estúdio, embora essa tenha sido a face mais visível. A partir de 2006 aproximou-me da indústria musical e fez com que muitos artistas, editoras e profissionais conhecessem melhor o meu trabalho como produtor e a minha forma de acompanhar projetos. Mais tarde, esse percurso também alimentou a minha fase autoral e artística. Produzir passa muito por ouvir, perceber o que cada canção pede e criar as condições certas para que a música aconteça. As academias e associações acrescentam outra dimensão, porque ser membro votante e participar em estruturas ligadas a compositores, produtores, engenheiros e autores faz-me olhar para a música para além do meu próprio trabalho: a autoria, a qualidade técnica, os direitos dos criadores e as novas gerações. A inquietação continua porque a forma de fazer, produzir e comunicar música está em constante transformação. As tecnologias, o mercado e as formas de chegar ao público obrigam-me a rever formas de trabalhar sem perder critério. Cada canção e cada colaboração trazem uma dinâmica própria. Posso ter mais estrada e experiência acumulada, mas isso não me dispensa de estar atento e, muitas vezes, recomeçar.

Depois de prémios, reconhecimento internacional, milhões de visualizações e uma trajetória construída com tempo, que novos desafios ainda o movem? O que falta conquistar, não apenas em números ou distinções, mas em verdade artística, impacto cultural e legado?

O que me move é continuar a crescer, aprender, viajar, tocar, criar e levar o meu trabalho a novos lugares. Tudo o que já aconteceu até aqui conta, mas não substitui a vontade de fazer mais e melhor.

Depois de uma canção estar produzida e chegar ao público, começa outra etapa: perceber como ela vive depois, por uma rádio, um palco, outro país ou na memória de quem a recebe. Esse impacto interessa-me muito, porque nem tudo o que conta cabe numa estatística.

Sendo artista independente, tenho consciência de que nem sempre os recursos acompanham a dimensão das ideias. Gostava de poder levar algumas produções mais longe, com maior impacto cénico, mais estrutura e mais presença ao vivo. Tenho também muita vontade de ir em promoção e em concerto a mais países da Lusofonia, especialmente ao Brasil, onde sinto uma relação bonita através das redes e de algumas canções que tiveram muito boa receção. Também gostava de aprofundar ligações na América Latina e nos Estados Unidos, com alguns pontos naturais como Miami, Puerto Rico ou Nashville, e, mais à frente, regressar à Ásia.

Quanto ao legado, não penso nisso como monumento. Gostava que um dia, quem olhasse para o conjunto das minhas canções, discos, imagens, colaborações e produção percebesse uma história real, com fases, línguas e influências diferentes, mas reconhecível como minha.

Ígor Lopes

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Castelo de Paiva: Evento promete “imersão” no futuro do “Glamping” em Portugal

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Castelo de Paiva, na região do Norte de Portugal, vai ser palco, nos próximos dias 2 e 3 de outubro, da segunda edição da “Imersão Glamping Academy”, um encontro dedicado ao “desenvolvimento de projetos de Glamping, turismo de natureza e novas soluções de alojamento turístico”.

Depois da primeira edição, realizada em junho, também na Arrabia Guest Houses Glamping, a iniciativa regressa ao município português e pretende reunir, segundo os seus organizadores, proprietários de terrenos, empresários, investidores, especialistas e fornecedores de diferentes áreas.

“Mais do que receber um evento durante dois dias, Castelo de Paiva transforma-se num ponto de encontro entre quem está a pensar, criar, financiar, fornecer e operar novos projetos de Glamping em Portugal”, disse Luís Almeida, fundador da Glamping Academy e da Arrabia Guest Houses Glamping.

Do terreno ao negócio turístico

Este empresário explicou que a “Imersão” foi criada sobretudo para pessoas que “possuem terrenos ou estão a estudar o desenvolvimento de novos projetos turísticos”.

Durante dois dias serão cruzadas diferentes áreas necessárias à concretização destes investimentos, desde a análise do terreno e conceito inicial até ao licenciamento, REN e RAN, investimento, fundos e incentivos, financiamento, viabilidade económica, Tiny Houses, soluções modulares, Ecovillages, design aplicado à hospitalidade, marketing e operação turística.

A proposta diferencia-se de uma formação convencional pela “componente prática e pelo contacto direto entre participantes, especialistas, empresários e fornecedores”.

“A própria Arrabia Guest Houses Glamping, localizada na Raiva, integra a experiência. Para além de acolher o encontro, será utilizada como caso prático, permitindo conhecer os bastidores e funcionamento de uma operação turística real”, sublinhou o responsável pela iniciativa, que realçou que “as refeições, coffee breaks e jantar de networking fazem igualmente parte da dinâmica dos dois dias, prolongando a troca de experiências para além das apresentações”.

Castelo de Paiva no centro de uma nova discussão sobre turismo

A escolha de Castelo de Paiva para acolher novamente a “Imersão” procura também demonstrar o “potencial dos territórios fora dos grandes centros urbanos para receberem conhecimento, investimento e iniciativas especializadas relacionadas com as novas tendências do turismo”.

Para Luís Almeida, existe uma oportunidade para o município se afirmar progressivamente neste ecossistema.

“Queremos que Castelo de Paiva seja cada vez mais um ponto de encontro para quem está a pensar, desenvolver ou investir em novos projetos de Glamping em Portugal. Temos natureza, território e experiência turística para mostrar. Trazer até cá empresários, especialistas, fornecedores e promotores de novos projetos é também uma forma de colocar Castelo de Paiva nesta discussão”, avaliou.

A iniciativa assume uma dimensão que ultrapassa os dois dias de formação: pretende aproximar quem possui terrenos e ideias de quem detém conhecimento técnico, experiência empresarial e soluções capazes de apoiar o desenvolvimento de novos projetos.

Diferentes especialidades reunidas no mesmo espaço

De acordo com a nossa apuração, a segunda edição contará com profissionais provenientes de áreas distintas do turismo e do desenvolvimento de projetos.

Entre os convidados confirmados encontram-se Ronnie Smith, fundadora da Glamping Revolution e ligada ao Grupo AMA; Isabel Pires Lemos, advogada com experiência no licenciamento de projetos turísticos; José Rocha, empresário e ex-presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva; Rui César Castro, administrador da URBE – Consultores Associados; e Fátima Nunes, especialista em Gestão Estratégica.

Estarão ainda representadas áreas como Tiny Houses, Ecovillages, construção e soluções modulares, design de interiores, marketing digital, financiamento, fornecedores e operação turística.

O objetivo é “permitir que diferentes perspetivas se cruzem em torno de uma questão comum: como passar de um terreno ou de uma ideia para um projeto turístico estruturado e sustentável no tempo”.

Segunda edição depois da estreia em junho

A primeira “Imersão Glamping Academy” realizou-se também na Arrabia Guest Houses Glamping, reunindo participantes e especialistas durante dois dias.

A organização pretende agora “consolidar este formato e continuar a trazer a Castelo de Paiva pessoas que estão a desenvolver projetos em diferentes regiões do país”.

O formato privilegia a “proximidade entre participantes e especialistas, a discussão de casos concretos, a apresentação de soluções existentes no mercado e a criação de contactos entre pessoas ligadas ao setor”.

Recorde-se que a “Glamping Academy” é uma plataforma portuguesa dedicada à “criação, desenvolvimento e gestão de projetos de Glamping”. O projeto procura reunir num mesmo ecossistema conhecimento, especialistas, ferramentas, fornecedores e uma comunidade de pessoas interessadas no desenvolvimento de “novos conceitos de alojamento turístico e turismo de natureza”.

A segunda Imersão Glamping Academy realiza-se nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na Arrabia Guest Houses Glamping, em Castelo de Paiva, região Norte de Portugal.

As inscrições podem ser feitas através deste link: https://glamping-academy.info/imersao/outubro-2026?fbclid=IwY2xjawUeXKVwZG9mBWV4dG4DYWVtAjEwAGJyaWQRMXF5YUdXbXJHYVAxMXR0Y0tzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeqRp9C5M5f0CCawJD2OalzCpPntOnaHbkekKTW2jEdcSJzkrH_PRdeWbS0AQ_aem_IZqwhI1pSy_TELE40MGxnA

Ígor Lopes

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Dançando com a Diferença apresenta “Gosto de Andar à Sombra” no Museu Nacional GrãoVasco

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No âmbito das comemorações dos 25 anos da Dançando com a Diferença, a companhia apresenta, no dia 26 de setembro, às 16h30, no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, a visita dançada “Gosto de Andar à Sombra”, com coreografia de Leonor Barata. A iniciativa integra a exposição “Existe Luz na Sombra”, dedicada à memória da artista madeirense Lourdes Castro, e propõe uma experiência sensorial de aproximação à sua obra.

Conduzida pelos intérpretes Bernardo Graça e Laura Ávila, “Gosto de Andar à Sombra” não segue o modelo de uma visita guiada tradicional. A proposta convida o público a explorar a obra de Lourdes Castro através do corpo, do movimento, das palavras e do silêncio, percorrendo diferentes caminhos da perceção. Os intérpretes da Dançando com a Diferença estabelecem uma interação entre entre entre algumas das obras da artista e as diferentes camadas interpretativas propostas pela coreógrafa Leonor Barata.

Conhecida como a artista da sombra, Lourdes Castro é uma referência da arte contemporânea portuguesa. A sua obra multidisciplinar desenvolveu-se a partir de uma investigação em torno da sombra, da linha, do contorno e da presença ausente, elementos centrais do seu percurso artístico e do pensamento estético presente na exposição.

A colaboração entre a Dançando com a Diferença e o MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira, onde a companhia é residente desde 2006, estende-se também a esta exposição. A companhia participou na elaboração e gravação de guiões de audiodescrição para algumas das obras expostas e criou objetos impressos em 3D, numa parceria com a empresa MOVECHO, desenvolvendo diferentes elementos de mediação cultural.

“Estas abordagens de mediação cultural reforçam a aposta da companhia na criação, pesquisa e desenvolvimento de opções inovadoras que visam gerar novas formas de relação com a obra de Lourdes Castro, pensando em diferentes públicos”, refere Henrique Amoedo. Segundo o diretor artístico da Dançando com a Diferença, estas soluções permitem “ampliar a acessibilidade e a experiência interativa com as obras”.

Para a coreógrafa Leonor Barata, “Gosto de Andar à Sombra parte da obra de Lourdes Castro”, que que que considera “hiper coreográfica, com a presença constante de contornos do corpo ou da linha. Tudo isso são inspirações fortes em termos coreográficos. Nós apostamos muito nessa relação direta com a obra e com aquilo que ela ela nos inspira”.

Leonor Barata destaca ainda a experiência dos intérpretes, que assumem também o papel de mediadores da obra. “Eles ajudam a transmitir aquilo que está exposto e acrescentam camadas, não só à perceção do que apresentamos, mas também incorporando o corpo na própria visita”, explica.

Henrique Amoedo sublinha a presença do projeto no programa comemorativo dos 25 anos da companhia.. “Esta visita guiada dançada é uma oportunidade para explorar a obra de forma inovadora e sensorial. A interação entre movimento, corpo e espaço permite que o público se envolva ativamente, bem como reforça a dimensão interpretativa da experiência artística. É também uma forma de assinalinalinalar os 25 anos da companhia, que se celebram em 2026, consolidando a nossa missão de desenvolver projetos acessíveis, participativos e culturalmente enriquecedores”, afirma.

A Companhia Dançando com a Diferençaça é uma estrutura financiada pela República Portuguesa, através do XXIII Governo e da Direção-Geral das Artes, no período de 2023 a 2026, pelo Governo Regional da Madeira, através da Direção Regional de Educação e da Direção Regional da Cultura, e pela Câmara Municipal do Funchal. É companhia residente no MUDAS.

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Theatro Gil Vicente apresenta programação de outubro

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O Theatro Gil Vicente apresenta, em outubro, uma programação diversificada, pensada para diferentes públicos. Entre os destaques do mês estão o concerto dos Bandidos do Cante, “Namastê”, o primeiro espetáculo a solo de Inês Aires Pereira, e a estreia de “Os Capitães”, pela companhia barcelense A Capoeira. A agenda inclui ainda cinema, propostas para famílias e concertos fora de portas.

Música
Os Bandidos do Cante sobem ao palco no dia 10 de outubro, às 22h00, com um projeto que parte das raízes do Cante Alentejano para explorar novas sonoridades e possibilidades de fusão, mantendo a identidade de uma expressão reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A programação musical inclui ainda duas propostas do triciclo fora de portas. A primeira acontece a 4 de outubro, às 22h00, na sede da Junta de Freguesia de Barcelinhos, com Cobrafuma + Caos Ritual. Os Cobrafuma apresentam “Droga Total”, o seu álbum de estreia, partilhando a noite com os barcelenses Caos Ritual, cuja sonoridade se inscreve no doom/stoner metal.

A 15 de outubro, também às 22h00, o trompetista João Pedro Dias atua na Casa da Azenha, num concerto integrado no triciclo. Com um percurso ligado ao jazz e à música improvisada, o músico tem colaborado com diferentes projetos e nomes do panorama musical nacional.

Teatro
A 17 de outubro, às 21h30, A Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos estreia “Os Capitães”, uma criação inspirada na tradição da Commedia dell’Arte, que coloca frente a frente três capitães vindos de diferentes partes do mundo, todos com a mesma ambição: conquistar o título de “Maior Capitão do Mundo”.

Histórias improváveis, rivalidades e muita fanfarronice, a disputa dá corpo a uma comédia que recorre ao humor físico, à improvisação, à música e à interação com o público.

Stand-up
No dia 14 de outubro, às 21h30, Inês Aires Pereira apresenta “Namastê”, o seu primeiro espetáculo a solo, depois de quase duas décadas a interpretar diferentes personagens no cinema, na televisão e no teatro.

Desta vez, a atriz apresenta-se em nome próprio, num espetáculo que parte de uma fase de transformação pessoal e leva para o palco inquietações, vulnerabilidades e experiências ligadas ao autoconhecimento, sempre através do humor.

Em Família
As propostas para famílias distribuem-se por vários domingos de outubro, começando no dia 4, às 16h00, com “Lobo Mau”, da Red Cloud Teatro de Marionetas. Sem recurso à palavra, o espetáculo combina teatro, marionetas, desenho animado e música, numa comédia visual construída a partir da interação entre a intérprete e as imagens projetadas.

No dia 11 de outubro, “O Feiticeiro de Oz – O Musical”, pela Art’é Vida, apresenta-se em duas sessões, às 16h00 e às 18h00, recuperando a conhecida história de Dorothy e dos companheiros que encontra a caminho da Cidade das Esmeraldas, numa versão com música e coreografias. 

A 18 de outubro, às 16h00, A Capoeira regressa ao palco com “O Principezinho”, numa adaptação da obra de Antoine de Saint-Exupéry que aborda a amizade, o amor, a perda e a responsabilidade, a partir do olhar da infância sobre o mundo dos adultos.

No dia 25 de outubro, a programação começa às 10h00 e prossegue às 11h30 com “Experimentar Pinturas”, da Oficina Josefina, uma proposta para bebés dos 9 aos 36 meses que convida à descoberta de cores e texturas através de tintas comestíveis feitas a partir de ingredientes como farinha, água, couves, tomates e especiarias.

No mesmo dia, às 16h00, a ADN de Palco apresenta “Uma Família Fantasma”, um musical inspirado no imaginário do Halloween, cuja ação decorre numa misteriosa Mansão Fantasma e junta teatro, música original, humor, magia e fantasia.

Cinema
O Cineclube ZOOM dedica as sessões de outubro ao realizador francês Jean Eustache. No dia 6, às 21h30, é exibido “As Minhas Namoradinhas”, filme centrado em Daniel, um rapaz de 12 anos confrontado precocemente com a vida adulta, os primeiros amores e as primeiras desilusões.

A segunda sessão acontece a 20 de outubro, também às 21h30, com a exibição de três curtas-metragens do realizador: “Os de Robinson”, “O Pai Natal tem Olhos Azuis” e “Uma História Suja”.

Exposições
O Café-Concerto recebe duas exposições ao longo do mês. De 2 a 28 de outubro, estará patente “Olhares que Transformam”, do projeto CLDS 5G, promovida pela Divisão da Ação Social e Saúde do Município de Barcelos, em parceria com o professor Luís Carvalhido.

A partir de 30 de outubro e até 29 de novembro, o espaço acolhe “Identidades ROMANI”, de Osvaldo Grilo e Natália Serrana. As datas e autoria das duas exposições estão de acordo com a agenda.

Os bilhetes para os espetáculos podem ser adquiridos no Theatro Gil Vicente, em gilvicente.bol.pt e em todos os espaços culturais parceiros do Pentágono Cultural. Para informações e reservas, estão disponíveis o telefone 253 809 694 e o endereço eletrónico tgv@cm-barcelos.pt

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