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Odivelas: Detido por posse de arma ilegal

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O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, através da Divisão Policial de Loures, no dia 14 de março, na freguesia de Odivelas, procedeu à detenção em flagrante delito de um jovem de 21 anos de idade, por ser suspeito da prática do crime de posse de arma ilegal.

No âmbito de policiamento de prevenção criminal, os Polícias detetaram o suspeito e quando procuraram abordar o mesmo, de imediato encetou fuga do local, tendo vindo a ser intercetado minutos depois, verificando-se que ocultava na roupa que trajava, uma arma de fogo de calibre 6.35mm, não sendo possuidor de qualquer licença para o efeito.

O detido foi libertado e notificado para comparecer no dia de hoje no Tribunal Judicial de Loures, perante a competente Autoridade Judiciária.

Foto: PSP.

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Cantautor e produtor português entra no outono com agenda entre prémios, mercados internacionais e novas colaborações

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O cantautor-produtor português Eddie, nome artístico de Edgar Pinto, entra nos últimos meses de 2026 com uma agenda que cruza música, indústria, circulação internacional e novos projetos. Com mais de duas décadas de atividade no setor musical e um percurso construído entre Portugal e outros mercados, o artista prepara uma “rentrée” marcada por Espanha, pela participação em dois encontros internacionais da indústria da música e pelo desenvolvimento de colaborações que deverão prolongar a agenda até ao primeiro trimestre de 2027.

Um dos primeiros compromissos acontece já na segunda quinzena de setembro, quando Eddie inicia a preparação da sua digressão de outono e inverno em Espanha. O mercado espanhol tem assumido um lugar central no percurso do músico português, que tem desenvolvido uma estratégia internacional assente na aproximação entre diferentes geografias e linguagens musicais, com particular incidência no espaço ibérico e ibero-americano, mas também com um olhar junto da América Latina.

A 5 de outubro, Eddie estará em Madrid para participar nos “Premios Latino”, onde vai receber uma nova distinção. O artista confirmou que venceu pelo segundo ano consecutivo e regressará à gala depois de, em 2025, ter sido distinguido com o prémio de “Melhor Tratamento Sonoro na Produção Musical” pelo single “El Otro Lado de Mí”. A produção, desenvolvida entre Portugal e Espanha e com inspiração na Andaluzia, integrou uma fase de afirmação internacional de um percurso que já soma reconhecimentos em Madrid, Hollywood, Los Angeles e Nova Iorque.

Depois da passagem pela capital espanhola, a agenda avança para dois dos encontros profissionais previstos para outubro. Entre 21 e 25, Eddie estará na Gran Canaria para participar na WOMEX – Worldwide Music Expo, plataforma internacional dedicada à world music que reúne artistas, profissionais, editoras, agentes, produtores, programadores e outros representantes do setor. A presença insere-se na estratégia de circulação profissional que o músico português tem vindo a desenvolver para além da componente de palco.

O regresso da WOMEX terá ainda uma nova paragem em Madrid. No dia 25 de outubro, Eddie fará escala na capital espanhola para receber outro reconhecimento, a ser divulgado em breve. Dois dias depois, o músico segue para Bilbau, onde participará, entre 27 e 30 de outubro, no “BIME”, encontro dedicado à indústria musical que aproxima profissionais, empresas, artistas e projetos ligados aos mercados europeu e latino-americano.

A sucessão de compromissos mostra uma agenda que não se limita aos concertos. A presença em galas, encontros profissionais e mercados da indústria acompanha a vertente artística de Eddie e a estratégia de estabelecer ligações entre Portugal, Espanha e o espaço ibero-americano. O músico tem assumido uma identidade luso-ibérica no desenvolvimento do seu trabalho, procurando criar pontes entre diferentes mercados sem afastar a produção musical do centro da sua atividade.

Em paralelo, estão em preparação colaborações internacionais com a América Latina e tem concretização prevista para o primeiro trimestre de 2027.

A agenda internacional poderá ganhar novas geografias. Estão em análise deslocações aos Estados Unidos e à América Latina, ainda dependentes da confirmação de datas. Caso avancem, estas viagens darão continuidade a uma trajetória que tem levado Eddie a trabalhar a internacionalização para além do circuito ibérico e a posicionar os próximos lançamentos e colaborações em diferentes mercados.

Entre setembro e o início de 2027, Eddie terá uma “rentrée” dividida entre preparação de digressão, prémios, presença em encontros internacionais e produção de novas parcerias. Espanha continuará a ocupar parte substancial desse calendário, mas América Latina e, eventualmente, Estados Unidos ampliam o mapa de uma agenda que entra no último trimestre de 2026 já com movimentos projetados para o próximo ano.

Esta fase coincide também com um novo passo no percurso internacional de Eddie. Depois de alguns dos seus trabalhos terem recebido distinções em edições anteriores dos “LIT Music Awards”, o cantautor e produtor português passa agora a integrar, enquanto jurado, o “Grand Jury Panel” da competição, participando na avaliação das candidaturas internacionais.

Os “LIT Music Awards” são promovidos pela “International Awards Associate” (IAA), entidade responsável por mais de 30 programas internacionais de prémios ligados às indústrias criativas, ao entretenimento, ao design e à comunicação. O painel reúne cerca de 40 profissionais de vários países e áreas criativas, alguns com ligações à “Recording Academy” e à “World Soundtrack Academy”, bem como com distinções e nomeações nos “Ivor Novello Awards”, “Grammy Awards”, “BAFTA” e “Emmy Awards”.

Recorde-se que Eddie tem acumulado distinções internacionais ligadas à produção musical e ao seu percurso artístico. Em 2025, venceu nos “Premios Latino”, em Madrid, o prémio de “Melhor Tratamento Sonoro na Produção Musica”l pelo tema El Otro Lado de Mí”, trabalho que também lhe valeu o “Best Latin Song” nos “World Entertainment Awards”, em Hollywood, e nos “InterContinental Music Awards”, em Los Angeles. Em Nova Iorque, recebeu ainda duas distinções “Platina” nos “LIT Music Awards”, nas categorias “Best Music Video”, “Original Song” e “Best Original Song”, “Music Video”, associadas a “El Otro Lado de Mí” e “No Puedo Vivir Sin Ti”.

Já em 2026, Eddie recebeu, em Madrid, o “Prémio de Excelência Artística” na categoria Cantautor, no âmbito dos “Premios Europa Multicultural”, e, em julho, foi distinguido em Nova Iorque, nos “Premios Gran Latino”, como “Artista Influente na Música e Cultura Latina”, numa homenagem ao seu percurso de mais de 25 anos.

Eddie venceu ainda os “Premios Costa del Sol”, em Espanha, na categoria “Premio a la excelência en producción e composición musical”, em maio deste ano, e o “Premio a la Excelencia Artística” no âmbito dos “Premios Europa Multicultural 2026”, no mês de abril, em Madrid.

Ígor Lopes

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Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” colocou em debate estratégias para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal

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O “IV Fórum Económico das Beiras”, realizado pela Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB), no Grande Hotel de Luso, no concelho da Mealhada, no último dia 12 de setembro, afirmou-se como um “momento maior de reflexão, cumplicidade e construção coletiva para o futuro da Região Centro”. Sob o mote “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”, o encontro colocou no centro do debate o “investimento, o financiamento e a internacionalização”, partindo de uma certeza, segundo os seus organizadores: “as Beiras são o ventre de Portugal e têm de assumir o protagonismo e nunca o papel de meras comparsas nas rotas globais de capital, conhecimento e inovação”.

A condução de todo o Fórum esteve a cargo do Conselheiro da CCRB, Luís de Matos, que acompanhou os trabalhos ao longo do dia. A Sessão de Abertura, sob o tema “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”, marcou o ponto de partida do programa com as intervenções da presidente da CCRB, Ana Correia, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Franco, do Chairman do Grande Hotel de Luso, João Diniz, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), Ribau Esteves.

Na sua intervenção inaugural, transmitida em direto nas plataformas digitais da CCRB, Ana Correia deixou uma mensagem “de ambição, exigência e compromisso absoluto com os 113 municípios que integram a área de intervenção da CCRB”.

“Falo com a paixão visceral de quem ama as Beiras e os 113 municípios que fazem parte da sua área de intervenção. Queremos afirmar as Beiras como território de coesão, de resiliência e de oportunidade”, sublinhou esta responsável, que sublinhou sete frases-chave que orientaram todo o Fórum e que, na sua opinião, sintetizam o “espírito, a matriz identitária e o roteiro estratégico para o futuro do território”.

“As Beiras são o ventre de Portugal e é deste ventre que queremos fazer nascer uma nova narrativa de desenvolvimento. A identidade das Beiras como centro nevrálgico do país não é apenas geográfica, é económica, cultural e emocional. É tempo de assumir essa centralidade com orgulho e ambição desmedida”, disse.

““Resiliência, Mecenato e Risco: três pilares para transformar desafios em oportunidades”. As gentes das Beiras sempre souberam superar adversidades. O investimento privado alinhado com o interesse público e a coragem de arriscar são motores indispensáveis para a regeneração territorial. Sem risco não há inovação, mas o risco, quando bem enquadrado, transforma-se em progresso. O papel das instituições é criar condições para que o risco seja mitigado e o investimento floresça, especialmente em territórios de baixa densidade. A Câmara de Comércio é a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, mas também a porta que traz o mundo às Beiras. A diplomacia económica é uma via de mão dupla. Queremos exportar o melhor que produzimos, mas também atrair capital, conhecimento e parceiros internacionais.  Do sucesso macro à prosperidade: queremos traduzir este debate em produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde para as nossas gentes. O crescimento económico só tem sentido se se traduzir em melhorias concretas na vida das populações. O desenvolvimento da Região Centro deve ser inclusivo e sustentável”, reforçou, recordando que o projeto de internacionalização da CCRB, a “BBEX” vai “voar mais alto para a Europa, para as Américas e para todos os destinos onde o nosso potencial possa encontrar eco”.

“O programa de internacionalização das Beiras é uma aposta ganha. No próximo ano, a “BBEX” alargará horizontes, levando as empresas das Beiras a novos mercados. Construam, com este “IV Fórum”, as pontes necessárias para levarmos as Beiras ao mundo e trazer o mundo às Beiras. Este é o propósito que nos une: criar ligações duradouras, fortalecer redes e afirmar as Beiras como território de oportunidades globais”, considerou Ana Correia.

Programa destacou potencialidades da região

Ao longo dos trabalhos, encadearam-se debates de “elevadíssima maturidade técnica e estratégica”. O debate inicial sob o mote “Resiliência, Mecenato e Risco – Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”, moderado por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, reuniu Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, abordando o “financiamento de impacto, mecenato ambiental e a capacidade de captar capital em contextos de risco”.

Seguiu-se a reflexão dedicada a “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”, com moderação de Raul Marques, co-fundador e diretor da Plataforma Diáspora Lusa, na qual participaram Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da CCAM da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Em análise estiveram as “linhas de crédito, garantias mútuas e novos mecanismos para mitigar a perceção de risco nos territórios de baixa densidade, valorizando ativos agroalimentares e tecnológicos”.

No período da tarde, a sessão “Diplomacia Económica e Grandes Mercados – Eixo Atlântico, Diáspora e Lusofonia” teve como Keynote Speaker José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo Secretário de Estado da Economia e do Mar. Moderado por Wilson Bicalho, conselheiro do Conselho Consultivo da CCRB, advogado e CEO da “Next Border”, este espaço contou com os contributos decisivos de Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China, e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP, cruzando pontes económicas com a Europa, o mundo Árabe, a Ásia e o espaço Lusófono, “um passo fulcral na preparação da missão Beiras Business Export (BBEX)”.

A fechar o ciclo de reflexão, o painel “Inovação, IA e Capacitação Exportadora – Internacionalização 4.0”, moderado por Carlos Martinho, vice-presidente do Conselho Fiscal da CCRB e CEO da MdSolutions, contou com as participações estratégicas de Renan Santana, Head de Inovação da ACIEG, Isabel Quintas, diretora de Internacionalização da AICEP, Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital da Universidade da Beira Interior, perspetivando a “aplicação da inteligência artificial, cibersegurança e transição digital” para “alavancar a competitividade exportadora da Região Centro”.

O encerramento dos trabalhos foi conduzido por Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.

Encontro ficou marcado também pela assinatura de protocolos

Um dos momentos altos do “IV Fórum” foi a assinatura de dois protocolos que “reforçam a dimensão estratégica e internacional da CCRB.

Um dos protocolos foi assinado com o IAPMEI, que visa “firmar uma aliança de cooperação” com a Agência para a Competitividade e Inovação, representada pelo vice-presidente Nuno Gonçalves, destinada a “apoiar as empresas das Beiras na internacionalização, inovação e acesso simplificado a instrumentos de financiamento”.

Outro protocolo foi firmado com a Prefeitura de Urussanga, município localizado em Santa Catarina, Sul do Brasil, que tem como objetivo estabelecer um “acordo transatlântico”. A assinatura foi estabelecida virtualmente durante o evento, sob o olhar atento da prefeita de Urussanga, Stela Maris de Agostin Talamini, e da presidente da direção da CCRB, Ana Correia, diante dos Conselheiros da CCRB que testemunharam presencialmente o ato. A iniciativa, segundo apurámos, “prevê missões empresariais, rodadas de negócios, fóruns, visitas técnicas, ações de capacitação e partilha de boas práticas”.

Segundo a prefeita do município brasileiro, “Urussanga tem potencial em diferentes áreas e precisamos criar conexões para que essas características sejam conhecidas também fora do Brasil. Esse acordo nos aproxima de empresas e instituições portuguesas e abre espaço para a troca de experiências, conhecimento e novas oportunidades de negócios”.

Futuro das ações na região

“Ficou clara, ao longo de todo o Fórum, a vontade e a total disponibilidade dos organismos institucionais, como CCDR Centro, IAPMEI, AICEP, Turismo do Centro de Portugal, Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Conselho Empresarial do Centro, setor bancário, universidades, autarquias e estruturas empresariais para trabalharem em conjunto, de forma articulada, em rede e profundamente consequente”, frisou Ana Correia.

“Do “IV Fórum Económico das Beiras” saem linhas orientadoras claras e compromissos firmes tais com reforçar o financiamento de impacto e criar instrumentos que reduzam o risco em territórios de baixa densidade; atrair capital internacional, incluindo investimento estrangeiro direto (IDE), fundos de investimento alternativos e family offices; promover a diplomacia económica, com foco no Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia; alargar a iniciativa “BBEX” a novos mercados estratégicos na Europa e nas Américas; consolidar parcerias institucionais que garantam a coesão e o desenvolvimento sustentável; traduzir o crescimento em prosperidade real, com impacto direto na produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde”, recordou a presidente da direção da CCRB, que avaliou ainda que “o “IV Fórum Económico das Beiras” foi mais do que um evento, foi um compromisso coletivo e uma afirmação de coragem com o futuro da Região Centro de Portugal”.

“As Beiras afirmam-se, cada vez mais, como território de coesão, resiliência e oportunidade um lugar onde o investimento, o financiamento e a internacionalização se conjugam para criar valor e prosperidade. A Câmara de Comércio da Região das Beiras continuará a cumprir com orgulho a sua missão: ser a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, e a porta que traz o mundo às Beiras”, finalizou Ana Correia.

Ígor Lopes

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Sofia Lourenço destaca “cooperação lusófona” e defende novas pontes entre “tradição, inovação e acolhimento” no Interior de Portugal

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde em torno da valorização do património, das indústrias criativas e da cooperação entre territórios. Integrado na programação do “Festival Sabores de Perdição”, o encontro decorreu numa cidade que integra, desde 2023, a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, classificação que coloca a preservação dos saberes tradicionais, a transmissão de técnicas e a cooperação internacional entre os compromissos assumidos pelo município.

Entre as participantes esteve Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, que acompanhou os trabalhos e destacou, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, a responsabilidade associada à representação do arquipélago num espaço dedicado ao património e às relações entre diferentes territórios.

“Estar a representar Cabo Verde enquanto cônsul-honorária é uma responsabilidade acrescida, mas, neste percurso de intercâmbio cultural e de ação social, estamos apenas a dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Claro que o aumento da responsabilidade nos gera também um leque de oportunidades maior”, afirmou.

Para Sofia Lourenço, o conteúdo apresentado durante os dois dias demonstrou a possibilidade de transformar encontros culturais em instrumentos para aprofundar relações institucionais.

“Os painéis do evento desta Bienal estão com uma qualidade indiscutível. Há um leque de informações e um intercâmbio de informação muito importante. No que toca a Portugal e Cabo Verde, falar de cultura e destas relações que podemos criar só nos enriquece e melhora também as oportunidades”, considerou.

A presença cabo-verdiana ficou igualmente materializada através de peças representativas do património do arquipélago. Entre elas esteve o pano de terra, uma das expressões do artesanato tradicional de Cabo Verde, que serviu também para introduzir uma das questões que atravessaram a programação da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”: a relação entre “preservação, tradição e capacidade de renovação”.

“Temos aqui peças de Cabo Verde, destacando o pano de terra, que é um ex-líbris de Cabo Verde. E o que podemos fazer entre inovação e tradição? Isso ficou muito presente em todos os painéis e em todos os oradores. É por aí que nós vamos avançar”, apontou.

A dimensão cultural cabo-verdiana esteve ainda presente através da presença de Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa e das Batucadeiras das Olaias, que participaram na abertura do evento. O batuque, expressão associada à história e à identidade cultural de Cabo Verde, entrou assim na programação como manifestação de um património que continua a ser transmitido fora do arquipélago.

“Tivemos a alegria de ter como abertura do evento as Batucadeiras das Olaias, que representam a tradição de Cabo Verde, mas mostrando que são contemporâneas. É isso que é importante preservarmos dentro da cultura lusófona”, sustentou.

O encontro realizado em Castelo Branco ganhou também uma dimensão particular para Sofia Lourenço pela ligação pessoal e institucional que mantém com os três países representados.

“Sou privilegiada porque sou brasileira, portuguesa e represento Cabo Verde. Conseguir fazer esta sinergia entre os três países é muito importante”, assinalou.

Essa aproximação poderá, segundo a cônsul-honorária, traduzir-se em novas iniciativas entre estruturas consulares, como a do Brasil, por exemplo, e entidades dos diferentes territórios.

“Com relação a essa parceria que vai nascer entre dois consulados honorários do território, Cabo Verde e Brasil, teremos toda a responsabilidade de afirmar as duas culturas, perceber o que é possível melhorar entre os dois países, e esse é o ponto de partida desta parceria entre Brasil e Cabo Verde”, antecipou.

A diplomacia cultural e a cooperação entre comunidades apareceram, desta forma, associadas ao próprio espírito da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”. Para Sofia Lourenço, a continuidade do trabalho passa pelo reforço de protocolos, parcerias e projetos construídos a partir dos contactos existentes.

A discussão sobre cultura foi ainda relacionada com outro tema que acompanha a atuação consular no Interior de Portugal: o acolhimento das comunidades migrantes. Sofia Lourenço destacou o trabalho desenvolvido nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu junto de cidadãos cabo-verdianos que chegam ao país para estudar ou trabalhar.

“Os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu têm já feito um trabalho de interior muito importante relativamente ao acolhimento dos cabo-verdianos que vêm, tanto para trabalhar como para estudar”, reconheceu.

Para a cônsul-honorária, este processo exige continuidade na qualificação, integração e criação de condições para a permanência das novas gerações.

“Nós temos que não perder o foco e continuar a reforçar sempre estas ligações, melhorar a capacitação dos jovens que vêm para cá, habilitá-los com melhor qualidade formativa e, ao mesmo tempo, mostrar aos que trabalham e aos que se fixam cá que têm um país que os acolhe verdadeiramente”, defendeu.

Sofia Lourenço considera que este trabalho também faz parte da missão de uma representação consular de proximidade.

“Este é o trabalho de um cônsul-honorário de um país que quer melhorar toda esta ligação lusófona”, concluiu.

A participação cabo-verdiana na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” acrescentou, assim, uma dimensão de cooperação lusófona a um evento pensado para aproximar patrimónios, artesãos, instituições e territórios. A própria “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” estabelece entre os objetivos de Castelo Branco o “aprofundamento da cooperação e do intercâmbio internacional através do artesanato e das artes populares, enquadramento que reforça a importância de iniciativas capazes de ligar cultura, transmissão de saberes e relações entre comunidades”.

A organização da Bienal foi da responsabilidade da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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