Atualidade
Semana do Ambiente em Santa Marta de Penaguião
Sob o mote de “Porque é preciso primeiro conhecer para depois se preservar!”, o Município de Santa Marta de Penaguião organizou, de dia 21 a 25 de março, a Semana do Ambiente, uma semana com a inclusão de caminhadas pelo meio ambiente e a identificação das diferentes espécies arbustivas e arbóreas existentes no concelho.

A atividade foi realizada com os alunos do pré-escolar e do 1º ciclo com o intuito de, bem cedo, começarem a consciencializar as crianças e jovens para a preservação do ambiente e da flora.
De referir que, devido às condições climatéricas, a ação na EB1 de Fontes ficou adiada para a próxima semana.

“O Município deixa um especial agradecimento ao acompanhamento do PIIE e à Escola Segura, que através do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente), se constitui também como polícia ambiental, visando a proteção da natureza, do ambiente e do património natural, em todo o território”, refere em nota.
Fotos: CMSMP.
Atualidade
“4º Fliparacatu” reúne autores para “pensar o mundo” sob a inspiração de Guimarães Rosa e Milton Santos
O 4.º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu traz como tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, em uma homenagem aos patronos desta edição, o escritor João Guimarães Rosa, nos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, em seu centenário de nascimento. A curadoria nacional é assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais são conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infantojuvenil fica a cargo de Rafael Nolli. Além dos debates literários e do tradicional Prêmio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realiza uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez. Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival acontece entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
No âmbito de convidados nacionais e internacionais, participam dessa edição Mia Couto, Alê Santos, Alexandre Coimbra Amaral, Bia Bracher, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Cristóvão Tezza, Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Fabiana Carneiro, Geni Núñez, Ítalo Moriconi, Jairo Marques, Jamil Chade, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Marcelino Freire, Míriam Leitão, Mônica Meyer, Natalia Timerman, Nina Santos, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Paulliny Tort, Renato Nogueira, Ricardo Ramos Filho, Rita von Hunty, Sandra Menezes, Sérgio Abranches e Taiane Santi Martins. Entre os autores regionais estão Alexandre de Oliveira Gama, Ana Carolina Campos de Carvalho, Benedita dos Reis Soares Costa, Daniela Prado, Edina Sueli das Dores, Eleusa Spagnuolo, Helen Ulhôa Pimentel, Isaias Nery Ferreira, José Ivan Lopes, Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio, Murilo Caldas, Nágela Caldas, Raik, Silvano Avelar, Tarzan Leão, Telma Borges, Terezinha de Jesus Santana Guimarães e Vandeir José da Silva. Vindos da literatura, do jornalismo, da filosofia, da educação, das artes e das ciências humanas, eles formam um painel diverso de vozes e experiências. Programação completa em atualização no site www.fliparacatu.com.br
A programação reafirma uma característica dos festivais realizados pela Associação Cultural Sempre um Papo – Fliaraxá, Flitabira e Flipetrópolis, além do próprio projeto Sempre um Papo, que completa 40 anos em 2026 -, que é a busca pelo equilíbrio entre homens e mulheres, a presença significativa de autores negros e indígenas e o diálogo entre diferentes gerações, áreas do conhecimento e perspectivas. A diversidade de vozes é uma escolha curatorial que amplia a conversa e enriquece a experiência dos leitores.
Os patronos Guimarães Rosa e Milton Santos
A escolha de Guimarães Rosa e Milton Santos revela o espírito desta edição. Rosa fez do sertão um território de linguagem e reflexão sobre a condição humana. Milton Santos revolucionou a geografia ao mostrar como o espaço, as cidades e as desigualdades moldam a vida contemporânea. Setenta anos depois da publicação de Grande Sertão: Veredas e cem anos após o nascimento do geógrafo baiano, suas obras permanecem atuais e continuam oferecendo instrumentos para pensar um mundo em transformação.
Lançamento de livro
O Fliparacatu abre espaço para autores que vão além da leitura e se dedicam também à escrita, garantindo a presença de livros publicados em uma área dedicada a autógrafos, e integrada à programação oficial do festival. A iniciativa contempla, especialmente, os escritores e escritoras que publicam de forma independente, muitas vezes responsáveis por todo o processo de edição de suas obras. Ainda assim, o espaço também é aberto a títulos publicados por editoras tradicionais.O registro é gratuito, mediante a doação de dois exemplares do livro lançado para a equipe organizadora do evento, que os repassará para a biblioteca da cidade, a Biblioteca Municipal René Lepesqueur.
As inscrições podem ser feitas no formulário oficial disponível neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfJhsmEpHoUZSh3ecy4irZSA1ZUun2mdqyUL_-JrvlnM-ClUA/viewform
Prêmio de Redação e Desenho
O tradicional Prêmio de Redação e Desenho integra a programação do Fliparacatu 2026 e mobiliza estudantes da rede pública e privada de Paracatu em atividades de criação literária e artística, a partir do tema “Meu lugar no Mundo”, em consonância com a abordagem proposta pelo festival.
A iniciativa contempla alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, distribuídos em categorias específicas de desenho e redação, organizadas por faixa etária, incluindo também estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e modalidades equivalentes de ensino.
Os trabalhos são desenvolvidos no ambiente escolar, com orientação dos professores, e passam por uma seleção interna realizada pelas próprias instituições de ensino antes do envio ao festival. As produções selecionadas são avaliadas por uma comissão julgadora definida pela organização do Fliparacatu.Os vencedores recebem premiação em dinheiro, no valor de R$1.000,00 para o primeiro lugar, R$500,00 para o segundo e R$300,00 para o terceiro. Os professores dos estudantes premiados também são contemplados com livros selecionados pela organização do festival.
Cada escola poderá encaminhar produções selecionadas internamente, com limite de envio por categoria. As redações e desenhos deverão ser produzidos em sala de aula, com acompanhamento do professor, em folha-padrão disponibilizada pelo festival e enviados ao endereço eletrônico redacao@fliparacatu.com.br
Guignard e a Paisagem de Minas
Em 2026, quando se comemoram os 130 anos de nascimento de Alberto da Veiga Guignard, o Fliparacatu realiza uma exposição com 24 reproduções de obras do artista, sob a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez, instaladas ao ar livre no Centro Histórico de Paracatu.Reconhecido como um dos maiores pintores brasileiros do século XX, Guignard transformou a paisagem de Minas Gerais em um dos temas centrais de sua produção artística. Suas montanhas, igrejas, casarios, jardins, céus e horizontes revelam um olhar singular sobre o território mineiro, aproximando natureza, patrimônio histórico e imaginação poética.
A escolha de Paracatu para receber a mostra estabelece um diálogo natural com a obra do artista. Assim como Ouro Preto, Sabará, Diamantina e outras cidades históricas retratadas por Guignard, Paracatu preserva um dos mais importantes conjuntos urbanos coloniais de Minas Gerais, integrado à paisagem do cerrado. Nas telas do pintor e nas ruas da cidade, arquitetura, natureza e memória formam uma mesma paisagem cultural.
A exposição dialoga diretamente com o tema do 4º Fliparacatu — “O Sertão em Nós – Meu Lugar no Mundo”. Em Guimarães Rosa, o sertão é linguagem, travessia e experiência humana. Em Guignard, Minas torna-se paisagem sensível, espaço de contemplação e identidade. Ambos ajudam a compreender o território como parte da formação cultural e afetiva dos brasileiros.
Ao reunir literatura e artes visuais, o Fliparacatu amplia a experiência do público e reafirma uma característica presente desde sua criação fazer da cidade um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas. Em edições anteriores, o festival apresentou exposições dedicadas ao Projeto Portinari, à fotógrafa Vânia Toledo, ao Museu do Oratório e à série Muros Invisíveis, incorporando a fotografia, o patrimônio histórico e as artes visuais à programação literária.
História do Festival
Realizado pela Associação Cultura Sempre um Papo, o Fliparacatu chega à sua quarta edição consolidado como um dos principais festivais literários do país. Desde sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) consolidou-se como um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro. O festival teve início guiado pelo tema “Arte, Literatura e Ancestralidade”, trazendo o escritor local Afonso Arinos como patrono e celebrando as vozes de Conceição Evaristo e Mia Couto como autores homenageados. Em 2024, a segunda edição expandiu os debates sob o lema “Amor, Literatura e Diversidade”, mantendo Arinos na patronagem e prestando homenagens ao líder indígena Ailton Krenak e ao poeta Lucas Guimaraens. Já em 2025, a terceira edição mergulhou na complexidade contemporânea com o tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização”, elegendo como patrono o fundador do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade, e reverenciando a força literária de Ana Maria Gonçalves e do escritor português Valter Hugo Mãe. Dando continuidade a essa sólida trajetória de valorização da memória e da pluralidade, a quarta edição do festival se desenvolve sob o tema “SerTão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, trazendo como patronos dois dos maiores intelectuais da história do país: o escritor João Guimarães Rosa, em celebração aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento. O Fliparacatu tem patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.
Ígor Lopes
Atualidade
Viana do Castelo: Cantor popular Augusto Canário entrega quadro comemorativo dos 10 anos dos “Amigos de Bois d’Arcy” à “Fundação Santoinho”
A “Fundação Santoinho”, com em Darque, Viana do Castelo, na região do Alto Minho, Portugal, recebeu um quadro comemorativo dos 10 anos da “Associação Amigos de Bois d’Arcy”, entregue recentemente pelo cantor de música popular portuguesa Augusto Canário, distinguindo o trabalho desenvolvido pela comunidade portuguesa daquela localidade francesa na preservação e promoção das tradições minhotas através da recriação anual do “Arraial Minhoto” inspirado no Santoinho.
A peça passará a integrar a Sala das Comunidades da Fundação Santoinho, espaço dedicado às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo que mantêm vivas as tradições populares do Alto Minho, constituindo um reconhecimento pelo percurso desenvolvido pelos “Amigos de Bois d’Arcy” ao longo da última década.
Fundada há dez anos, a associação organiza anualmente, nos arredores de Paris, um “Arraial Minhoto” inspirado na festa original de Santoinho, recriando com autenticidade elementos emblemáticos da romaria, desde a decoração com balões, arcos, corações e copos tradicionais até às quadras populares criadas por António Cunha, fundador do Santoinho.
A comemoração do décimo aniversário reuniu cerca de 500 participantes e contou com a atuação de “Augusto Canário e Amigos”, num ambiente marcado pela gastronomia, música tradicional, folclore e pelos costumes característicos do Minho, reafirmando o papel da comunidade portuguesa na divulgação da identidade cultural portuguesa em França.
Segundo Valdemar Cunha, responsável pela Fundação Santoinho e filho de António Cunha, a ligação entre Darque e Bois d’Arcy tem sido construída ao longo dos anos através de um intercâmbio permanente.
Em declarações à Agência Incomparáveis, explicou que dirigentes da associação francesa visitam regularmente Santoinho para aprofundar o conhecimento sobre a tradição original e garantir a autenticidade das celebrações realizadas em França.
“Existe permanente contacto com a Casa Mãe para melhorar e acompanhar as ações na defesa dos valores que a Fundação Santoinho defende”, explicou Valdemar Cunha, que acrescentou que esse intercâmbio “vai muito além da partilha institucional, traduzindo-se também na cedência de diversos elementos tradicionais utilizados na recriação da romaria”.
“O intercâmbio é permanente e levam os arcos, os copos e os gigantones oferecidos na partilha do interesse comum, que é marcar a tradição, a festa e a romaria”, disse.
Para este responsável, a força da marca Santoinho continua a residir precisamente na capacidade de unir comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo em torno das suas raízes.
“A marca Santoinho é muito poderosa. A evocação dos usos e dos costumes da identidade cultural minhota alimenta, em redor da mesa, os laços da amizade e da solidariedade, enquanto abraça e une a comunidade em ambiente de festa e de alegria de Santoinho”, referiu, acrescentando que o trabalho representa a continuidade do legado deixado pelo fundador.
A entrega do quadro assume igualmente um significado especial por decorrer no ano em que se assinalam os 100 anos do nascimento de António Cunha, personalidade considerada uma referência na promoção turística portuguesa e distinguida, em 1975, com a “Medalha de Mérito Turístico” atribuída pelo então ministro do Turismo, pelos relevantes serviços prestados ao turismo nacional.
Valdemar Cunha considera que essa efeméride constitui também uma oportunidade para recordar a dimensão internacional do trabalho desenvolvido pelo pai e criticou o facto desse reconhecimento não ter a mesma expressão na sua terra natal.
“Tenho que o dizer com muita mágoa. Viana não reconhece. Chama-se ingratidão”, lamentou.
Ainda assim, sublinha que são precisamente as comunidades portuguesas no estrangeiro que continuam a manter vivo esse legado.
Atualmente, a tradição inspirada em Santoinho encontra-se presente em várias comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, incluindo iniciativas promovidas por Casas do Minho no Brasil, França, Suíça, Canadá, entre outros países, demonstrando como o legado criado por António Cunha continua a unir gerações de portugueses através da cultura, da gastronomia e das tradições populares do Alto Minho.
Ígor Lopes
Atualidade
FAD reforça rede internacional em encontro realizado em Viseu
A Federação das Associações da Diáspora (FAD) realizou, nos dias 8 e 9 de agosto, no Solar dos Peixotos, em Viseu, o 4.º Encontro de Dirigentes Associativos. A iniciativa, acompanhada pela reportagem da Agência Incomparáveis, reuniu responsáveis de organizações ligadas às comunidades portuguesas no estrangeiro, autarcas, representantes políticos e membros dos órgãos sociais da Federação.
A sessão de abertura contou com a participação do presidente da Direção da FAD, Fernando Cabaço, do presidente da Assembleia Geral, José Ernesto Silva, do presidente da Assembleia Municipal de Viseu, José Mota Faria, e do presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo. A moderação esteve a cargo do primeiro secretário da Federação, João Paulo Rocha.
Os trabalhos centraram-se na preparação de um novo encontro de dirigentes associativos, previsto para 2027, na criação de uma rede de mandatários nos países de acolhimento e na discussão do regulamento interno. Foram também analisadas formas de melhorar a articulação entre associações com diferentes dimensões, áreas de intervenção e contextos geográficos.
Durante o encontro, a FAD nomeou mandatários encarregados de divulgar a Federação nos respetivos países, promover a adesão de associações e funcionar como pontos de contacto com a direção. A rede pretende ainda abranger comunidades portuguesas na Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.
O programa incluiu a assinatura de dois protocolos de cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Balear e a Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto. No domingo, dia 9, foram entregues os estatutos e lembranças aos participantes, seguindo-se uma visita à sede da Confraria de Saberes e Sabores da Beira Grão Vasco, entidade ligada à organização do encontro e à promoção da cultura, da gastronomia e das tradições das Beiras.
Em declarações à nossa reportagem, o presidente da Direção da FAD, Fernando Cabaço, residente em Palma de Maiorca, Espanha, considerou que a quarta edição demonstrou o interesse das organizações no trabalho federativo.
“Foi talvez um dos melhores encontros. Esperávamos mais alguns dirigentes, mas os que vieram demonstraram o interesse que existe na Federação. Isso dá-nos esperança no trabalho que temos realizado e no que vamos realizar a curto prazo”, afirmou, defendendo que “uma representação conjunta permite apresentar às autoridades os problemas partilhados pelas comunidades portuguesas, entre os quais a participação eleitoral dos emigrantes, o financiamento das associações, o apoio institucional e a consolidação das redes da diáspora”.
“Esperamos que as associações da diáspora compreendam que, estando unidas em torno da Federação, é mais fácil defendermos os nossos problemas com uma só voz do que cada uma, isoladamente, tentar defender a sua posição”, acrescentou Fernando Cabaço. Sobre a nova estrutura internacional, explicou que “o papel dos mandatários é divulgar a existência da FAD, promover a adesão das associações e ser um braço da Federação no local onde se encontram”.
Alfredo Stoffel, vice-presidente da FAD, entende que os problemas das comunidades portuguesas, apesar das diferenças entre países e continentes, apresentam pontos comuns, nomeadamente no acesso aos serviços consulares, no relacionamento com o Estado português e no ensino da língua portuguesa no estrangeiro. Para este dirigente na Alemanha, a FAD não tem como função resolver diretamente estes problemas, mas deve atuar como porta-voz das dezenas de associações da diáspora, recolher as suas reivindicações e apresentá-las às autoridades portuguesas.
“Temos de identificar os temas transversais a todas as comunidades, sem esquecer que cada país tem as suas especificidades. As próprias associações devem informar a Federação sobre os problemas existentes, para que possamos fazer valer uma voz comum”, afirmou Stoffel, que considerou ainda que o associativismo constitui a “coluna vertebral das comunidades”, apesar de alertar para a necessidade de adaptação às novas gerações, às tecnologias e a formas de participação menos dependentes de uma sede física.
“A FAD pode representar o associativismo clássico, mas só terá razão de existir se estiver virada para o futuro, aberta aos interesses dos jovens e às novas tecnologias”, referiu.
Para o presidente da Assembleia Geral da FAD, José Ernesto Silva, residente em Viseu, o encontro representa o início de uma nova fase de atividade.
“Este encontro representa o início de um trabalho para dinamizarmos a Federação, criarmos uma interligação entre as diferentes associações da diáspora e desenvolvermos polos de partilha de saberes e sabores a nível mundial”, declarou.
Por seu turno, Jorge Rodrigues, presidente do Conselho Fiscal da FAD e dirigente associativo na Suíça, destacou a função da Federação na ligação entre associações locais, estruturas federativas dos países de acolhimento e instituições portuguesas.
“A Federação tem uma importância fundamental no agrupamento das associações. Tem um caminho difícil para percorrer, mas esse caminho deve ser feito com calma e seriedade, através da agregação e do intercâmbio entre as associações da diáspora”, afirmou.
No discurso de abertura do encontro, João Paulo Rocha, primeiro secretário da Federação das Associações da Diáspora, afirmou que a FAD pretende “iniciar uma nova etapa, marcada pela aproximação às associações, pela renovação geracional e pelo envolvimento dos jovens”. Este dirigente defendeu que a Federação deve funcionar como “uma ponte entre Portugal e a sua diáspora”, promovendo parcerias e transformando conhecimento em desenvolvimento.
“Portugal não termina nas suas fronteiras. Portugal continua onde existir um português”, disse.
Autoridades e entidades ouviram preocupações
O presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, salientou o contributo económico, cultural e social das comunidades portuguesas.
“Estas comunidades contribuíram para que o país fosse mais forte, não apenas através das divisas, mas também pelo investimento, pelo conhecimento e pela troca de experiências. Foram mensageiras e embaixadoras da cultura e da língua portuguesas”, afirmou, sublinhando a necessidade de renovação das estruturas associativas.
Paulo Pisco, diretor do Departamento das Comunidades do Partido Socialista (PS) e antigo deputado à Assembleia da República eleito pela emigração pelo círculo eleitoral da Europa, considerou que o movimento associativo continua a ser uma das principais formas de organização dos portugueses residentes no estrangeiro.
“Uma comunidade organizada é uma comunidade mais forte. Uma das formas privilegiadas de organização das nossas comunidades é o movimento associativo. As associações são um rosto da presença de Portugal no mundo”, declarou, adiantando que a Federação pode ampliar a sua representação e estabelecer uma rede permanente entre organizações de vários continentes.
“Esta Federação é a manifestação de uma rede. Se existe uma diáspora que deve reforçar a sua ligação em rede é a portuguesa, porque está presente em praticamente todo o mundo”, concluiu.
Também à Agência Incomparáveis, o presidente da Junta de Freguesia de Viseu, Nuno Bico, destacou a dimensão da emigração no distrito e a necessidade de criar respostas para quem pretende regressar a Portugal.
“O regresso à casa tem de ser acompanhado por condições que permitam a estas pessoas viver melhor. A Junta de Freguesia de Viseu está disponível para colaborar com a Federação na criação dessas condições”, afirmou.
Segundo apurámos, a FAD tem como missão “congregar, representar e coordenar associações da diáspora, funcionando como plataforma de cooperação e defesa dos interesses das comunidades”. As suas áreas de intervenção incluem “desenvolvimento social, educação, formação profissional, empreendedorismo, integração económica, cultura, cidadania, cooperação internacional, sustentabilidade e participação das novas gerações”.
A Direção é presidida por Fernando Cabaço, de Espanha, e integra os vice-presidentes Alfredo Stoffel, da Alemanha, e Maria Violante, da Argentina; João Paulo Rocha, de Portugal, como primeiro secretário; Gracia Rodrigues, de Espanha, como segunda secretária; Pedro Rupio, da Bélgica, como tesoureiro; José Paulo Peixoto, do Luxemburgo, como vice-tesoureiro; Bessa de Carvalho, de Portugal, como diretor de Patrocínios; e Carlos de Oliveira, da Argentina, como diretor de Relações Públicas.
O Conselho Fiscal é presidido por Jorge Rodrigues, da Suíça, e integra Manuel Viegas, da Florida, Estados Unidos, e António Guerra, da Suíça. A Mesa da Assembleia Geral é presidida por José Ernesto Silva, de Portugal, tendo como secretários Bernardino Nascimento, de Toronto, Canadá, e Cláudia Cruz, de São Paulo, Brasil. Paulo Cardoso, ligado à Confraria de Sabores e Saberes da Beira Grão Vasco, é suplente.
A consolidação da rede de mandatários, a preparação do encontro de 2027 e a aproximação às associações e federações dos países de acolhimento constituem os próximos passos definidos pela Federação.
Ígor Lopes
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