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PSP: Atividade do Comando Distrital de Castelo Branco entre 08 e 15 de fevereiro
Várias detenções nas cidades de Castelo Branco e Covilhã
O Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de Castelo Branco, no período compreendido entre as 09h00 do dia 08 de fevereiro e as 09h00 do dia 15 de fevereiro, desenvolveu, nas cidades de Castelo Branco e da Covilhã, a seguinte atividade operacional:
Detido por agressões a Agente da PSP
Na cidade de Castelo Branco, foi detido um homem, de 23 anos de idade, residente no concelho de Castelo Branco, por agressões a Agente da PSP. Foi constituído arguido e notificado para comparecer em Tribunal para julgamento em Processo Sumário, tendo ficado sujeito a Termo de Identidade e Residência.
Detidos por condução sob influência de álcool
Em Castelo Branco, foram detidos seis homens, de 26, 28, 30, 43, 47 e 52 anos de idade, todos residentes nesta cidade. Submetidos ao teste de alcoolemia acusaram, respetivamente, a TAS (Taxa de Álcool no Sangue) de 1,33 Gr./L, 1,27 Gr./L, 1,53 Gr./L, 1,69 Gr./L, 1,37 Gr./L e 1,99 Gr./L.
Na Covilhã, foi detido um homem, de 28 anos de idade, residente nessa cidade. Submetido ao teste de alcoolemia acusou, a TAS de 1,37 Gr./L.
Foram constituídos arguidos e notificados para comparecer em Tribunal para julgamento em Processo Sumário, tendo ficado sujeitos a Termo de Identidade e Residência.
Detidos por condução sem habilitação legal
Em Castelo Branco, foram detidos dois homens, de 40 e 46 anos de idade, residentes no concelho de Castelo Branco, tendo um deles sido detido duas vezes no mesmo dia, pelo mesmo motivo.
Na Covilhã, foi detido um homem, de 36 anos de idade, residente em Castelo Branco.
Foram constituídos arguidos e notificados para comparecer em Tribunal para julgamento em Processo Sumário, tendo ficado sujeitos a Termo de Identidade e Residência.
Operações de Fiscalização de Trânsito
A PSP realizou 14 ações de fiscalização de trânsito e prevenção rodoviária e procedeu à fiscalização de 127 condutores. Foram, ainda, controlados 851 condutores em operações de fiscalização de excesso de velocidade. No âmbito destas ações, foram autuados 13 cidadãos por:
. 03 Autos de Contraordenação muito grave e 04 Autos de Contraordenação grave por condução na via pública de veículo sob influência de álcool no sangue;
. 06 Autos de Contraordenação grave, por condução na via pública de veículo em excesso de velocidade.
Sinistralidade rodoviária
A PSP registou:
. Três acidentes de viação na cidade de Castelo Branco, dos quais resultaram dois feridos ligeiros e danos materiais;
. Um acidente de viação na cidade da Covilhã, do qual resultou apenas danos materiais.
Foto: DR.
Atualidade
Funchal é palco do VII encontro “Homenagem às Migrações”
A Associação Diáspora no Mundo (ADNM) promove nesta próxima sexta-feira, 11 de setembro, às 20h, no Auditório do Jardim Municipal do Funchal, o VII Encontro “Homenagem às Migrações”, uma celebração da diversidade cultural que caracteriza a Madeira.
O evento reunirá mais de 16 representações de comunidades estrangeiras residentes em terras portuguesas, num espetáculo que pretende dar voz às diferentes culturas através da música, da dança, das tradições e das expressões artísticas.
Entre os convidados estão Alebrije – Folclore Mexicano em Portugal, Patche Di Rima, da Guiné-Bissau, Roni de Melo, do Brasil, e a dupla internacional Sandra&Ricardo, acompanhada pelos seus músicos, entre outros grupos e artistas residentes em Portugal.
Ao longo da noite estarão representados Brasil, Cuba, Venezuela, Egito, Inglaterra, República Dominicana, Guiné-Bissau, México, França, Chile, Argentina, África do Sul, Roménia, Espanha e Itália, numa verdadeira viagem cultural por diferentes partes do mundo.

“O Encontro “Homenagem às Migrações” é uma celebração da diversidade que diariamente enriquece a nossa Região. É um momento de encontro entre culturas, histórias e pessoas, que nos recorda que a diferença nos aproxima e que cada comunidade tem um contributo único para a construção de uma Madeira mais inclusiva, plural e solidária”, afirmou Lúcia Gomes, presidente da ADNM.
Com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, o evento tem entrada livre e está aberto a toda a comunidade, convidando madeirenses, migrantes e visitantes a celebrar juntos a riqueza das diferentes culturas que hoje fazem parte da Região.
Apresentado por Carlos Nené Pereira, com esta iniciativa, a ADNM reafirma o seu compromisso com a valorização da diversidade cultural, a integração das comunidades migrantes e a promoção do diálogo intercultural, transformando o Funchal num verdadeiro ponto de encontro entre culturas.
Ígor Lopes
Atualidade
Lisboa: Diplomacia brasileira celebra relações com Portugal durante festa pelos 204 anos da Independência do Brasil
A Embaixada do Brasil em Lisboa celebrou, no dia 7 de setembro, o 204.º aniversário da Independência do Brasil com uma receção realizada na Residência Oficial do Embaixador da República Federativa do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e da embaixatriz Maria José de Ávila. A cerimónia decorreu entre às 18h e às 20h e reuniu autoridades portuguesas e brasileiras, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade luso-brasileira e convidados institucionais.
O programa incluiu a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal pela Banda da Armada, com interpretação de Taiana Froes, seguida da intervenção do embaixador e de um momento de confraternização. Entre os presentes esteve o ex-Presidente da República portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa, que acompanhou parte da cerimónia ao lado de Raimundo Carreiro.
À margem das celebrações, Raimundo Carreiro concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis e fez um balanço da evolução das relações entre Brasil e Portugal durante os quatro anos em que tem estado à frente da representação diplomática brasileira no país. Para o embaixador, cada celebração do 7 de Setembro realizada durante a sua missão tem permitido “acompanhar um processo contínuo de aproximação bilateral”.
Segundo Carreiro, a relação entre os dois países tem vindo a tornar-se mais estreita, com reflexos na presença da comunidade brasileira, no diálogo entre autoridades e nas relações económicas. O diplomata sublinhou que esta aproximação deve também ser compreendida a partir do percurso histórico iniciado com a própria Independência e com o posterior reconhecimento português da soberania brasileira.
Na entrevista, Raimundo Carreiro recordou que o reconhecimento ocorreu num contexto particular, marcado também pela relação familiar entre D. João VI e D. Pedro I. Segundo o embaixador, tratou-se de um reconhecimento entre pai e filho, acrescentando que o entendimento estabelecido naquele período apontava para uma união destinada a permanecer. O diplomata associou esse percurso histórico ao atual nível das relações bilaterais. Considerou que, ao longo dos 204 anos de independência brasileira, Brasil e Portugal procuraram construir uma relação assente na proximidade, que hoje se manifesta através da mobilidade das pessoas, da cooperação institucional, dos negócios e da presença crescente dos brasileiros na sociedade portuguesa.
O embaixador destacou ainda o papel desempenhado por Portugal no processo de aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo Carreiro, Portugal esteve entre os países europeus que apoiaram o entendimento e defenderam a conclusão do acordo, sendo também um dos Estados que poderão beneficiar do aumento das oportunidades de comércio e investimento entre os dois blocos.
O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026 e estabelece uma área económica que reúne aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a 22 biliões de dólares. A aplicação provisória do Acordo Provisório de Comércio começou em 1 de maio de 2026, enquanto prosseguem os procedimentos previstos para a entrada em vigor definitiva dos diferentes instrumentos jurídicos.
Para Raimundo Carreiro, a aproximação entre os dois blocos ultrapassa a dimensão comercial e representa também uma afirmação do multilateralismo num contexto internacional marcado por tensões económicas e geopolíticas. Neste cenário, Portugal ocupa, segundo o diplomata, uma posição relevante na ligação do Brasil ao espaço europeu, enquanto o Brasil assume igualmente uma função de ligação portuguesa à América do Sul.
Ao recordar os principais momentos da sua missão em Lisboa, o embaixador referiu ainda as comemorações do bicentenário da Independência, em 2022, quando o coração de D. Pedro I foi transportado de Portugal para o Brasil no âmbito das celebrações dos 200 anos, e as iniciativas que assinalaram, em 2025, os dois séculos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e do reconhecimento português da Independência brasileira.
Carreiro afirmou que acompanhar estes acontecimentos durante a sua missão representa uma “responsabilidade institucional e pessoal”, considerando que o posto de embaixador do Brasil em Portugal possui uma dimensão particular pela história partilhada pelos dois países.
Para Raimundo Carreiro, este percurso demonstra a continuidade de uma relação que, mais de dois séculos depois da separação política, permanece em processo de aproximação e consolidação.
Discurso oficial destacou relações bilaterais
Na abertura de seu discurso oficial, no início da noite, Raimundo Carreiro destacou o significado da celebração e a relação entre Brasil e Portugal.
“É uma grande satisfação recebê-los na Residência Oficial da Embaixada do Brasil em Lisboa para a celebração dos 204 anos da Independência do Brasil. A execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal simboliza a amizade e o respeito que unem os nossos dois países”, declarou.
Ao abordar as relações bilaterais, o embaixador brasileiro recordou o bicentenário das relações diplomáticas e ressaltou o momento atual da parceria entre as duas nações.
“No ano passado, celebrámos o bicentenário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal. Foi uma oportunidade para recordarmos a nossa trajetória comum, construída ao longo de dois séculos, e para projetarmos o futuro da parceria que une as duas nações. Em 2026, esse espírito de celebração continua a inspirar o fortalecimento dos laços entre os nossos dois países. O intenso diálogo político, o crescente intercâmbio cultural, a vitalidade das nossas diásporas e a expansão dos vínculos económicos mostram que Brasil e Portugal vivem um momento de consolidação das relações bilaterais”, destacou.
Na sequência, Raimundo Carreiro mencionou os contatos políticos e institucionais mantidos entre Brasil e Portugal.
“Em novembro passado, o primeiro-ministro português Luís Montenegro realizou uma visita ao Brasil para participar na COP30, em Belém. Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa e reuniu-se com o primeiro-ministro e com o Presidente da República Portuguesa. Os laços de amizade entre os parlamentos continuam também a estreitar-se. Em abril, o Congresso Nacional brasileiro recebeu uma delegação da Assembleia da República Portuguesa, liderada por José Cesário. Em julho, recebemos em Lisboa o presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, ministro Edson Fachin. As reuniões realizadas contribuíram para reforçar a cooperação entre os órgãos judiciais, tanto no plano bilateral como no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, assinalou.
Um dos pontos centrais do discurso foi a presença da comunidade brasileira em Portugal.
“Os brasileiros já representam cerca de 5% da população de Portugal. A sua presença é parte integrante da vida económica, social, académica e cultural portuguesa. A comunidade brasileira tem uma ligação muito forte com a sociedade portuguesa, favorecida pela língua comum, pelas afinidades culturais e pelos valores partilhados que aproximam os nossos povos. Essa realidade não nos impede de reconhecer os desafios que ainda persistem e de continuarmos a trabalhar em conjunto com as autoridades portuguesas para melhorar a integração da comunidade brasileira”, considerou o diplomata.
No plano econômico, Raimundo Carreiro referiu-se ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um marco para as relações entre as duas regiões.
“A entrada em vigor do acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico para as duas regiões, com reflexos positivos e duradouros para as relações do Brasil e também de Portugal. Depois de mais de duas décadas de negociações, inauguramos uma das maiores áreas de integração económica do mundo, com cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto superior a 22 biliões de dólares. O apoio de Portugal foi decisivo para demonstrar que este acordo pode ser benéfico para ambas as partes”, declarou.
Segundo o embaixador, o acordo amplia as possibilidades para empresas portuguesas no mercado sul-americano.
“Fortemente integrada nas cadeias de valor europeias, a economia portuguesa passa a dispor de um canal ampliado para um mercado de aproximadamente 272 milhões de consumidores do Mercosul. Num cenário global marcado pela fragmentação e pela incerteza, esta parceria representa também um reforço do multilateralismo”, avaliou.
Raimundo Carreiro dedicou ainda parte do discurso às eleições gerais brasileiras de 2026 e à participação dos eleitores residentes em Portugal.
“No dia 4 de outubro, o Brasil realiza eleições gerais. Cerca de 158,7 milhões de pessoas estão habilitadas a votar. Em Portugal, são cerca de 135 mil eleitores brasileiros, o que representa aproximadamente 15% dos eleitores inscritos no exterior. Lisboa e Porto são, respetivamente, o primeiro e o terceiro maiores colégios eleitorais brasileiros fora do Brasil”, informou.
Ao tratar dos próximos grandes eventos internacionais no Brasil, Raimundo Carreiro destacou a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027.
“O Brasil terá muito orgulho em receber o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027. Será a décima edição do torneio e a primeira realizada na América do Sul. Convido todos a visitarem o Brasil no próximo ano e a acompanharem de perto este grande evento”, afirmou.
O embaixador acrescentou que a realização da competição também deverá contribuir para discussões sociais.
“Realizar o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino no Brasil representa um reconhecimento da força crescente da modalidade e do potencial das mulheres no desporto. É também uma oportunidade para colocar em debate questões sociais importantes, como o combate à violência e à desigualdade de género”, enfatizou.
Na parte final do discurso, Raimundo Carreiro voltou a destacar o estágio das relações bilaterais e a necessidade de continuidade do trabalho diplomático.
“Temos muito a celebrar no relacionamento entre Brasil e Portugal, mas assumimos também o desafio de continuar a trabalhar para concretizar as oportunidades que se abrem na nossa parceria bilateral”, ponderou.
O diplomata também mencionou a nova ligação aérea anunciada pela companhia brasileira GOL entre o Rio de Janeiro e Lisboa.
“A nova ligação direta entre o Rio de Janeiro e Lisboa será a primeira da companhia entre o Brasil e a Europa e representa mais uma ponte aérea entre dois países aproximados pela história e pelo afeto”, salientou.
Raimundo Carreiro citou ainda a ampliação da presença do Banco do Brasil em Portugal, com foco no atendimento a cidadãos, empresas e investidores, classificando a instituição como “uma ponte financeira entre os nossos dois países”.
A intervenção terminou com uma referência direta à data comemorativa e à relação bilateral.
“Viva a Independência do Brasil e a amizade entre Brasil e Portugal”, concluiu Raimundo Carreiro.
Recorde-se que Raimundo Carreiro apresentou as suas credenciais em Lisboa em março de 2022 e esta foi a quarta celebração do Dia da Independência realizada durante a sua gestão diplomática em Portugal.
Ígor Lopes
Atualidade
Castelo Branco: Durante “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, especialistas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos discutiram potencialidades no âmbito das “Cidades Criativas da UNESCO”
A “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” terminou no sábado, 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), com um segundo dia dedicado à partilha de práticas entre Cidades Criativas da UNESCO e à discussão sobre empreendedorismo, valorização da tradição e internacionalização das indústrias criativas. A iniciativa decorreu em paralelo e de forma integrada no programa do “Festival Sabores de Perdição”, uma aposta do município albicastrense para afirmar Castelo Branco enquanto Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.
Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da Bienal, fez uma avaliação positiva dos dois dias de programação e destacou a participação do público.
“A avaliação é muito positiva. As partilhas e as experiências foram ótimas e senti, também da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, muito gosto em estar presente”, afirmou. Para esta responsável, um dos resultados do encontro foi demonstrar que “o artesanato tem tudo para seguir em frente”, mas que é necessário envolver as novas gerações e criar condições para que possam fazer destas artes uma atividade profissional.
Sónia Abreu apontou ainda a projeção do Bordado de Castelo Branco como uma das prioridades após a realização do encontro.
“Gostaria de continuar a investir neste projeto de forma a alcançar cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional”, referiu, sublinhando que “a nossa Cidade Criativa tem este solo, que é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, acrescentou.
A programação do segundo dia começou às 10h com a sessão “Cidades Criativas da UNESCO: Práticas, Projetos e Inspirações”, que reuniu representantes de diferentes municípios portugueses integrados na rede internacional. Participaram Castelo Branco, Barcelos e Caldas da Rainha, todas na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, além de Amarante e Leiria, ambas classificadas na categoria de “Música”. Depois de uma pausa, os trabalhos foram retomados às 12h com uma segunda sessão dedicada à mesma temática, desta vez com a participação de Braga, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artes Digitais”, Covilhã, na categoria de “Design”, Idanha-a-Nova, na categoria de “Música”, e Matosinhos, na categoria de “Gastronomia”. O encontro permitiu apresentar diferentes modelos de valorização do património, da criatividade e das indústrias culturais a partir das especificidades de cada território.
A manhã terminou com um período de debate e participação do público, previsto para as 13h15. A presença de diferentes cidades na programação reforçou uma das linhas centrais da Bienal, a criação de um espaço de intercâmbio entre territórios que utilizam cultura, património e criatividade como instrumentos de desenvolvimento local e de cooperação.
O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, destacou precisamente esta dimensão económica e internacional da Rede de Cidades Criativas da UNESCO.
“Sabemos que uma rede com esta dimensão cria escala, cria oportunidades e cria valor para aquilo que é o bordado e o artesanato local, abrindo uma janela de oportunidade não apenas para o território, mas também para os vários continentes e para o mundo inteiro”, afirmou o autarca, referindo que “esta Bienal tem para nós um significado muito profundo”, tanto por se realizar em Castelo Branco como pela possibilidade de mostrar o artesanato local, receber outras cidades e incorporar novos conhecimentos e formas de fazer. Leopoldo Rodrigues sublinhou ainda que integrar uma rede internacional com a chancela da UNESCO representa simultaneamente “um orgulho e uma responsabilidade”, sobretudo na valorização dos artesãos e das produções do território.
Durante a tarde, a programação concentrou-se na mesa-redonda “Transformar a Tradição em Valor: Empreendedorismo e Internacionalização nas Indústrias Criativas”. A sessão teve moderação de Eduardo Barroso, consultor e ponto focal internacional de João Pessoa, no Brasil, Cidade Criativa da UNESCO na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. Barroso, representante de João Pessoa junto da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO, destacou a relação já estabelecida entre a cidade brasileira e Castelo Branco e o potencial de encontros desta natureza para produzir novas formas de cooperação.
“A nossa presença em Castelo Branco vem no sentido de reforçar esses laços de cooperação que já existem, porque hoje João Pessoa e Castelo Branco são cidades geminadas”, afirmou. Na sua avaliação sobre os dois dias, Barroso considera que “iniciativas como esta devem ser apoiadas e reforçadas, porque se transformam no espaço ideal de partilha das melhores práticas, de apresentação de novos projetos e de criação de novas oportunidades de intercâmbio e cooperação”. Para ele, ser Cidade Criativa “é mais do que um reconhecimento, é uma provocação e um estímulo para que a cidade avance na direção de um desenvolvimento sustentável”.
Participaram no painel Higor Esteves, vice-presidente da Comissão Executiva da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) e diretor-geral da “Start CPLP”, Marielza Rodriguez, gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), e Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde.
Higor Esteves enquadrou a participação da CE-CPLP e da “Start CPLP” na necessidade de criar condições económicas para que o artesanato se transforme numa atividade sustentável.
“É muito importante percebermos como está hoje a realidade dos artesãos, como têm a sua produção garantida e sustentável economicamente e como podemos criar canais para que essa sustentabilidade seja cada vez mais robusta e possa perpetuar-se”, afirmou, defendendo que a língua portuguesa pode funcionar como instrumento económico entre os países da comunidade.
“A língua é um passo importante e decisivo para criarmos pontes, relações e confiança multilateral”, declarou, acrescentando que cabe às estruturas empresariais da CPLP proporcionar ferramentas e um ambiente de negócios que permita transformar essa confiança em atividade económica.
Já Marielza Rodriguez levou ao encontro a experiência do “Programa do Artesanato Paraibano” e destacou a relação entre a Paraíba e Castelo Branco.
“Castelo Branco é uma cidade já irmã de João Pessoa e, desta quarta vez que venho a Castelo Branco, trazemos aquilo que temos de melhor em coleções feitas com inovação e design no artesanato paraibano”, disse esta responsável brasileira, que destacou a importância da cidade portuguesa enquanto referência para a cooperação entre territórios ligados ao artesanato.
“Castelo Branco, para mim, é uma referência, porque são pessoas que pensam no futuro e fazem eventos importantes de intercâmbio”, declarou Marielza Rodriguez, que sugere que a experiência permite levar para João Pessoa e para a Paraíba exemplos de projetos desenvolvidos em Portugal que podem ser adaptados à realidade brasileira. Na sua intervenção, abordou também o papel do artesanato na fixação das populações nos territórios e na geração de rendimento. A gestora explicou que a incorporação de design e inovação permite preservar técnicas transmitidas entre gerações e, simultaneamente, tornar as peças mais atrativas para novos públicos, contribuindo para o desenvolvimento local e para a permanência dos artesãos nas comunidades de origem.
Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal da Praia, salientou que a ligação institucional com Castelo Branco antecede a atual edição da Bienal e recordou a participação da capital cabo-verdiana no processo de candidatura albicastrense à Rede de Cidades Criativas da UNESCO.
“Já existem parcerias em várias áreas com Castelo Branco há muitos anos. Hoje viemos sublinhar a importância desta relação de cooperação e partilhar algumas boas práticas da Praia”, afirmou, afirmando que a participação na Bienal permite transportar experiências em ambas as direções.
“Queremos levar conhecimento, novas práticas e know-how e, sobretudo, qualidade de vida”, referiu, defendendo que a cooperação entre cidades deve contribuir para criar oportunidades económicas e condições para que os jovens permaneçam nos seus territórios.
Fernando Pinto apresentou, entre as experiências desenvolvidas na Praia, iniciativas relacionadas com “economia circular, educação ambiental e reutilização de materiais”, defendendo a “transformação de resíduos em recursos capazes de gerar atividade económica”.
O painel colocou em discussão a passagem dos saberes tradicionais para modelos capazes de gerar atividade económica, criar oportunidades para artesãos e criadores e ampliar a presença dos produtos e projetos culturais em novos mercados. O tema esteve alinhado com a orientação geral da Bienal, centrada na preservação dos saberes tradicionais, na inovação nas indústrias criativas, na valorização do património e no papel da Rede de Cidades Criativas da UNESCO no desenvolvimento dos territórios.
A relação entre património, cultura e políticas públicas foi também abordada durante a Bienal pelo diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES), Américo Rodrigues, que considerou importante a realização de iniciativas desta natureza e destacou a cooperação já existente com Castelo Branco.
“Para nós é muito importante, no plano do Ministério da Cultura de Portugal e através da Direção-Geral das Artes, articularmos, colaborarmos e apoiarmos esta iniciativa e iniciativas deste tipo”, afirmou, salientando a necessidade de atribuir às artes e ofícios tradicionais uma posição própria nas políticas culturais.
“O que queremos é valorizar o património material e o saber-fazer tradicional, mas encará-lo como algo vivo, dinâmico, inscrito no presente e capaz de contribuir também para a economia”, referiu. Sobre o trabalho desenvolvido localmente, acrescentou que “Castelo Branco é um bom exemplo do trabalho que se pode fazer nesta área”, apontando o Bordado de Castelo Branco como “uma das referências na articulação entre tradição, promoção e desenvolvimento”.
A certificação das produções tradicionais foi outro dos temas presentes. Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, Organismo de Certificação de Produções Artesanais Tradicionais, explicou que o trabalho de certificação procura “garantir o respeito pelos padrões históricos, matérias-primas, técnicas e características que definem cada produção”.
Sobre Castelo Branco, Teresa Costa destacou o reconhecimento alcançado pelo bordado dentro e fora de Portugal.
“O Bordado de Castelo Branco é um trabalho reconhecido não só no território nacional, mas também além-fronteiras, e o facto de a cidade ter esta chancela da UNESCO é importante para as artesãs”, realçou. Segundo ela, o reconhecimento do trabalho das bordadeiras “contribui para projetar internacionalmente uma técnica com características próprias, desenvolvida através do bordado em seda sobre linho”. Para Teresa Costa, a certificação deve funcionar também como um instrumento pedagógico. A responsável explicou que, quando uma peça apresenta elementos que não cumprem os requisitos definidos, o objetivo passa por “orientar o artesão para as correções necessárias antes de atribuir a respetiva certificação, preservando a autenticidade da produção sem afastar quem mantém vivo o saber-fazer”.
A dimensão internacional esteve igualmente presente através do Brasil. O cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, António Pinto Dias Rocha, classificou a Bienal como uma “oportunidade para reforçar a aproximação entre o território e a comunidade brasileira”.
“Castelo Branco é uma cidade importante, com muitos brasileiros, e a nossa obrigação enquanto cônsul honorário do Brasil é tentar criar condições para sermos úteis àqueles que aqui vivem”, afirmou, além de apontar também o potencial económico da região e a possibilidade de aprofundar as relações empresariais. O representante consular disse ainda estar otimista quanto à criação de condições para reforçar a presença e os serviços consulares destinados à comunidade brasileira no distrito.
A ligação entre Portugal e Cabo Verde foi outra das dimensões presentes no encontro. Sofia Lourenço, cônsul honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, destacou a qualidade dos painéis e o potencial da Bienal para aprofundar o intercâmbio cultural.
“Os painéis desta Bienal têm uma qualidade indiscutível e proporcionam um intercâmbio de informações muito importante”, afirmou. Para Sofia Lourenço, a relação entre tradição e inovação constitui uma das principais linhas de trabalho para o futuro.
“Falando de cultura e destas relações que podemos construir entre Portugal e Cabo Verde, só nos enriquecemos e melhoramos as oportunidades”, declarou. A responsável frisou ainda a presença de elementos da cultura cabo-verdiana, incluindo o pano de terra e as batucadeiras, defendendo que o objetivo passa por “preservar a tradição e, ao mesmo tempo, criar novas formas de cooperação no espaço lusófono”.
O encerramento da Bienal aconteceu com uma visita guiada ao “Centro de Interpretação do Bordado”, aproximando os participantes de um dos elementos culturais que sustentaram a integração de Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”.
A dimensão do Bordado de Castelo Branco esteve também presente no primeiro dia da Bienal, realizado na sexta-feira, 4 de setembro. A abertura foi conduzida por Leopoldo Rodrigues, seguindo-se um momento musical das “Batucadeiras das Olaias”. A manhã prosseguiu com a mesa-redonda “Identidade Local e Economia Criativa: Instrumentos Públicos para Valorizar o Património”, moderada por Sofia Lourenço. Essa primeira sessão contou com António Pinto Dias Rocha, cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, Maria Antónia Amaral, chefe de Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, I.P., e Américo Rodrigues, diretor-geral da Direção-Geral das Artes (DGARTES).
Durante a tarde do primeiro dia, o debate concentrou-se no tema “O Bordado de Castelo Branco: Tradição e Inovação”. A mesa-redonda foi moderada por Teresa Costa, gerente da A. CERTIFICA, e contou com Ana Cristina Mendes, diretora-adjunta do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), Graça Ramos, presidente da Associação Portugal à Mão, Ana Margarida Fernandes, professora na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) da Universidade Politécnica de Castelo Branco, e Sónia Santiago, diretora de Marketing e Comunicação do “Grupo O Valor do Tempo”.
O dia 4 terminou com a inauguração da exposição “O Mundo Bordado à Mão” e uma visita guiada ao “Museu dos Têxteis (MUTEX)”. A exposição reuniu trabalhos provenientes de diferentes municípios, além de peças do Brasil e de Cabo Verde. Segundo Sónia Abreu, os contactos estabelecidos a partir da mostra começaram já a gerar interesse de outros municípios em receber a exposição, abrindo a possibilidade de circulação do projeto e de novas relações de cooperação institucional.
Para os seus responsáveis, ao longo dos dois dias, a Bienal procurou “articular património, artesanato, inovação, economia criativa e cooperação internacional”, reunindo participantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e representantes de várias cidades integradas na rede da UNESCO.
A realização da Bienal insere-se na estratégia de Castelo Branco enquanto “Cidade Criativa da UNESCO”, estatuto que o município tem utilizado para “reforçar a promoção das artes e ofícios tradicionais, a transmissão de conhecimentos, a cooperação entre territórios e a valorização dos recursos culturais locais”.
Recorde-se que UNESCO integrou oficialmente Castelo Branco na “Rede de Cidades Criativas em 2023”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, tendo o Bordado de Castelo Branco assumido um “papel central” na candidatura e na estratégia cultural associada ao reconhecimento. A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” decorreu entre os dias 4 e 5 de setembro. Por sua vez, o “Festival Sabores de Perdição 2026” decorre de 3 a 6 de setembro.
Ígor Lopes
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