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No campus da Universidade do Minho também há horta

Tem mais de cem espécies, como faveiras, morangueiros e plantas aromáticas e medicinais

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A Universidade do Minho (UMinho) tem, há dois anos, uma horta pedagógica em pleno campus de Gualtar, em Braga. Possui mais de uma centena de espécies em 30 metros quadrados e um talhão recente para espécies não anuais.

Esta horta serve de apoio às aulas de Biologia, mas também para divulgar ciência em visitas de escolas, campos de férias, oficinas na biblioteca e, no 1º ciclo e seminários, de cultura visual. Foi, ainda, criado um jogo da memória e um pequeno livro sobre as plantas da horta e prepara-se recursos educativos online gratuitos. A polinização, as sementes, a rega, o pH do solo e o coberto vegetal são alguns aspetos abordados.

Chama-se Horta-STOL, acrónimo de Science Through Our Lives, uma plataforma da Escola de Ciências da UMinho. É liderada pela docente e bióloga Alexandra Nobre, também ligada à iniciativa “PubhD UMinho”, que leva a ciência aos bares desde 2016. A mentora cultiva o terreno com os alunos, valorizando a gestão racional de água e espaço, a compostagem e a biodiversidade.

O projeto surgiu das aulas de Fisiologia Microbiana, quando se desafiava estudantes com quintais a trazerem uma faveira para se analisar as raízes. As faveiras foram assim as primeiras semeadas nesta horta. Depois vieram morangueiros, plantas aromáticas a medicinais (lúcia-lima, erva cidreira, hibisco, erva príncipe, camomila), maracujás, framboesas, fisálias, tomates, pimentos, ervilhas tortas, alfaces, girassóis, azevinhos, lufas e muito mais. Já se fez quiche com ervas aromáticas e espinafres da horta, entre outras iguarias. E quer criar-se um minibanco de sementes. A natureza merece.

Foto: UM.

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Viseu: Festival “Rock & Dão” estreia com música internacional, vinhos do Dão e gastronomia

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A cidade de Viseu, no centro-norte de Portugal, recebe, nos dias 18 e 19 de setembro, a primeira edição do “Rock & Dão”, festival que terá lugar no Parque de Santiago e reunirá Mika, UB40 feat. Ali Campbell, David Bruno, Delfins, Samuel Úria, Cassete Pirata, Ganso e Os Pontos Negros, numa programação que cruza música, gastronomia e promoção dos Vinhos do Dão.

Com capacidade para receber até 10 mil pessoas por dia, o novo festival prevê alcançar cerca de 18 mil visitantes na sua edição inaugural. A organização estima que 60% do público seja proveniente de fora do concelho de Viseu, incluindo visitantes nacionais e estrangeiros, com particular expectativa em relação ao mercado espanhol.

Na sexta-feira, 18 de setembro, Mika será o cabeça de cartaz do primeiro dia, apresentando em Viseu o seu mais recente álbum, “Hyperlove”, a par de alguns dos temas que marcaram a sua carreira internacional, como “Grace Kelly”, “Relax, Take It Easy” e “Love Today”. Com mais de 10 milhões de discos vendidos em todo o mundo, o artista britânico constitui uma das principais apostas internacionais da estreia do evento.

O alinhamento do primeiro dia inclui também David Bruno, nome reconhecido pela abordagem singular à música portuguesa e pelos seus trabalhos de natureza conceptual, além dos “Cassete Pirata”, banda da cena indie nacional, e dos “Os Pontos Negros”, grupo que soma mais de duas décadas de carreira e se tornou uma referência do indie rock português.

Já no sábado, dia 19 de setembro, o palco principal recebe os UB40 feat. Ali Campbell, responsáveis por sucessos internacionais como “Red Red Wine”, “Kingston Town” e “(I Can’t Help) Falling in Love with You”. Com mais de 70 milhões de discos vendidos, a banda britânica surge como o principal nome internacional da segunda jornada.

A programação de sábado será ainda preenchida pelos “Delfins”, uma das formações mais emblemáticas do pop rock português, por Samuel Úria, cantautor natural de Tondela associado ao conceito de “Blues do Dão”, e pelos “Ganso”, banda da nova geração da música alternativa portuguesa.

Para além da componente musical, o “Rock & Dão” foi concebido para apresentar uma experiência diretamente ligada à identidade da região. Vinte produtores de vinho do Dão estarão presentes no recinto, numa área com curadoria do enólogo João Oliveira, estando previsto um consumo entre 32 e 34 mil copos de vinho durante os dois dias.

A gastronomia constitui outro dos eixos do festival, com cinco chefs selecionados pelo chef Luís Almeida a integrarem a oferta destinada aos visitantes. A proposta pretende aproximar produtos e sabores da região de uma programação musical capaz de atrair públicos de diferentes origens.

O projeto conta com o apoio institucional do Município de Viseu, da Comissão Vitivinícola Regional do Dão e do Turismo do Centro, numa articulação que procura reforçar a ligação entre o festival e o território onde é realizado.

A organização prevê um investimento superior a 800 mil euros na primeira edição e estabeleceu um plano de cinco edições, sinalizando a intenção de desenvolver o “Rock & Dão” como um projeto de continuidade e não apenas como um evento pontual.

Para Pedro Morais Leitão, diretor do festival, a ligação à cidade constitui uma das dimensões centrais da iniciativa. “O ‘Rock & Dão’ é feito por nós, enquanto promotores do evento, mas pertence verdadeiramente a esta cidade. Este festival é uma celebração conjunta, e o nosso grande objetivo é continuar a trazer dinamismo, orgulho e momentos inesquecíveis que valorizem a nossa comunidade e coloquem a nossa região no mapa”, frisou.

A aposta na atração de visitantes externos está igualmente relacionada com a ambição de posicionar Viseu como destino para grandes eventos culturais, aproveitando a capacidade do festival para conjugar entretenimento, produtos regionais e promoção turística.

Os bilhetes encontram-se já disponíveis nas plataformas de venda oficiais, com preços a partir de 35 euros para o bilhete diário e de 60 euros para o passe de dois dias.

Ígor Lopes

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Equipa da Universidade de Coimbra cria programa de intervenção psicológica para apoiar mulheres na menopausa

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Com o objetivo de responder aos desafios físicos e emocionais que acompanham a transição para a menopausa, uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu e está a testar um programa de intervenção psicológica para ajudar as mulheres nesta fase das suas vidas.

Denominado Cuidar-ME – Autocuidado durante a Menopausa: uma intervenção psicológica para promover a saúde mental e a qualidade de vida das mulheres durante a (peri)menopausa, este programa digital, acessível através do computador ou do telemóvel, oferece estratégias práticas e informações baseadas em evidência científica para promover o autocuidado, o bem-estar e a qualidade de vida durante a perimenopausa e a menopausa.

“A transição para a menopausa é uma fase com muitas mudanças físicas e psicológicas que podem ter impacto não só na mulher e no seu bem-estar, mas também nas suas relações em diversos contextos, como o pessoal e o profissional”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Fonseca. “Muitas vezes, a mulher vive esta fase sozinha, sem partilhar o que sente ou mesmo sem perceber bem o que se está a passar consigo porque, infelizmente, este tema ainda é tratado como um tabu”, elucida a coordenadora do projeto, salientando ainda que “é muito importante que exista investigação dirigida a esta fase do ciclo de vida”.

A menopausa e a perimenopausa são fases naturais de transição biológica e emocional profundas, constituindo um marco desenvolvimental significativo durante a idade adulta. Este período de transição está frequentemente associado a sintomas como oscilações de humor, ansiedade, alterações de sono e perturbações na qualidade de vida global. Apesar do seu impacto na vida das mulheres, o apoio psicológico é ainda escasso e de difícil acesso para a maioria das mulheres.

Para colmatar esta lacuna, o programa Cuidar-ME apresenta uma solução digital e acessível que orienta as utilizadoras em estratégias de autocuidado e regulação emocional, promovendo competências práticas para gerir alguns dos sintomas da menopausa. “O Cuidar-ME procura ajudar as mulheres a compreender as mudanças que possam estar a sentir durante a transição ou após a menopausa e ajudá-las a encontrar estratégias úteis para promover o seu bem-estar e a sua saúde mental”, avança Ana Fonseca. “Queremos capacitar as mulheres com ferramentas práticas e validadas cientificamente, permitindo que vivam esta etapa de transição com maior bem-estar, autonomia e qualidade de vida”, sublinha a investigadora.

Neste momento, a equipa de investigação está a realizar um estudo para avaliar a eficácia e aceitabilidade desta intervenção. “Procuramos compreender a experiência das utilizadoras do programa e avaliar se, depois da participação, existem melhorias no seu bem-estar e saúde mental”, explica a docente.

O estudo é dirigido a mulheres entre os 40 e 60 anos de idade que se encontrem em perimenopausa ou pós-menopausa e que vivam em Portugal. É necessário que tenham acesso a um dispositivo (telemóvel ou computador) com acesso à internet para utilizar o programa. As mulheres interessadas em participar neste estudo podem inscrever-se através deste link: https://ls.fpce.uc.pt/limesurvey/index.php?r=survey/index&sid=323285.

O programa Cuidar-ME é composto por oito módulos, com informações, exercícios e estratégias para, por exemplo, gestão de ansiedade, regulação do humor e aceitação. Os módulos podem ser realizados ao ritmo de cada participante.

Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Mais informações sobre o Cuidar-ME estão disponíveis em www.uc.pt/cuidar-me/.

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“Aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal”

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, procurou aproximar “património, criatividade, conhecimento e cooperação entre territórios”. Promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco, através da Divisão de Museus e Cultura, a iniciativa reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde e integrou a programação do “Festival Sabores de Perdição”, num momento em que Castelo Branco procura desenvolver o trabalho associado à sua integração na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”.

Sónia Abreu, chefe da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco e responsável pela organização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, fez, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, um balanço positivo dos dois dias de programação, destacando a adesão do público, a qualidade das intervenções e o interesse demonstrado pelas diferentes atividades.

“A avaliação é muito positiva. As partilhas, as experiências foram ótimas. Sinto também, da parte do público e das pessoas que estiveram connosco, que houve muito gosto em estar presente”, avaliou.

Esta responsável apontou como exemplo dessa participação a visita realizada ao MUTEX – Museu dos Têxteis, após um primeiro dia de programa.

“Saímos daqui já com um horário bem esticado e, ainda assim, as pessoas acompanharam-nos. Tínhamos mais de 30 pessoas na visita e isso é a prova de que as pessoas estavam muito envolvidas com estas temáticas”, salientou.

O programa da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” reuniu especialistas, investigadores, responsáveis públicos e agentes culturais, com debates sobre identidade local, economia criativa, património, Bordado de Castelo Branco, empreendedorismo e internacionalização. Entre os participantes esteve Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que integrou a mesa-redonda dedicada à relação entre identidade local e instrumentos públicos de valorização do património.

Para Sónia Abreu, uma das mensagens que marcou os trabalhos foi precisamente a necessidade de colocar o artesanato no mesmo espaço de reconhecimento das restantes expressões artísticas.

“Aquilo que eu mais gostei de ouvir foi esta explicação de alguém como o doutor Américo Rodrigues, diretor-geral das Artes, que nos diz que o artesanato é arte, é uma arte maior e merece o mesmo prestígio que todas as outras categorias de arte”, observou.

A discussão em torno do Bordado de Castelo Branco ocupou igualmente uma parte do encontro, sobretudo na relação entre tradição, contemporaneidade e viabilidade económica. Sónia Abreu destacou a participação de responsáveis e especialistas de diferentes instituições e áreas, que procuraram responder ao desafio de preservar a identidade do bordado sem impedir a sua evolução.

“Este tema gera sempre discussão. Como é que nós agarramos no Bordado de Castelo Branco e o tornamos vendável, comerciável? Como é que nós o tornamos mais contemporâneo? E qual é o limite? Até onde podemos ir?”, questionou. Da reflexão resultou, segundo ela, uma aproximação entre diferentes perspetivas sobre o futuro do património.

“Foi um diálogo muito produtivo. As discussões são sempre boas e acho que foi um momento de muita aprendizagem e de percebermos que podemos dar este salto”, considerou.

Outro dos objetivos esteve relacionado com a aproximação entre a classificação de Castelo Branco como “Cidade Criativa da UNESCO” e a própria comunidade. A cidade integra a “Rede de Cidades Criativas” desde outubro de 2023, distinção atribuída na categoria de “Artesanato e Artes Populares”. A autarquia enquadrou a realização da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente nessa estratégia de valorização dos saberes tradicionais, das indústrias criativas e da cooperação.

Para Sónia Abreu, este processo depende da capacidade de transmitir às novas gerações que o património pode ter continuidade e dimensão económica.

“O artesanato tem tudo para seguir em frente. Nós só temos de arranjar forma de cativar as gerações mais novas para conseguirmos, de facto, continuar, porque eles é que são o futuro”, defendeu. Essa participação, acrescentou, deve ultrapassar a esfera institucional.

“A chancela UNESCO só funciona se for da comunidade. Não é do município, é da cidade. Nós temos que envolver as pessoas e, de alguma forma, despertar o interesse dos jovens para estes trabalhos, para estes labores, mas, para isso, eles têm de conseguir fazer vida destas artes”, explicou.

A chefe da Divisão de Museus e Cultura considera agora prioritário aumentar a projeção da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” dentro e fora de Portugal e utilizar o encontro como “instrumento de valorização do Bordado de Castelo Branco”.

“Aquilo que eu gostaria de fazer era continuar a investir neste projeto, de forma a que alcance cada vez mais notoriedade, não só a nível nacional, mas também internacional. Conseguir dar esta alavanca ao Bordado de Castelo Branco é muito importante. É o nosso solo. A nossa cidade criativa tem este solo, é o bordado, e nós não podemos fugir disso, nem queremos. É o património”, projetou.

A programação permitiu também aproximar Castelo Branco de outras cidades portuguesas que integram a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, entre as quais Barcelos, Caldas da Rainha, Amarante, Idanha-a-Nova, Leiria, Braga, Covilhã, Santa Maria da Feira e Matosinhos. O programa oficial reservou o segundo dia para a apresentação de práticas, projetos e experiências desenvolvidas por vários destes territórios. Sónia Abreu considera que o contacto direto pode agora transformar-se em projetos conjuntos.

“Esta partilha que está a acontecer com os pontos focais das outras cidades criativas de Portugal deixa-nos muitas ideias. Depois é estreitar pontos, pensar em novos projetos que nos possam envolver, não só com as cidades criativas, mas com todas estas cidades e municípios que participaram nesta exposição e que têm também um aporte muito importante a trazer a este projeto”, perspetivou.

Um dos resultados surgiu através da exposição “O Mundo Bordado à Mão”, concebida para “reunir peças provenientes de diferentes territórios”. A mostra foi integrada no programa oficial da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” e contou com contributos de municípios portugueses e representações do Brasil, de Cabo Verde e dos Açores. Segundo Sónia Abreu, a adesão superou as expectativas iniciais.

“Endereçámos um convite aos municípios e foi incrível aquilo que aconteceu a seguir. As pessoas, de forma completamente genuína e espontânea, começaram a responder-nos e a perguntar como faziam chegar aqui as peças. Umas vieram por correio, outras vieram trazer”, recordou.

A quantidade de trabalhos recebidos permitiu ainda reorganizar a exposição, dando maior dimensão à diversidade geográfica.

“Eu achava que ia ter aqui peças do Brasil, que já tínhamos confirmado desde o início, também de Cabo Verde, e que depois teria de puxar pelo Bordado de Castelo Branco para compor a sala. Afinal, não foi preciso. Conseguimos pôr este primeiro espaço só com aquilo que nos foi chegando dos outros municípios, do Brasil e de Cabo Verde”, revelou.

Dos contactos efetuados antes e durante o encontro resultaram já manifestações de interesse na circulação da mostra.

“Já tive contactos de municípios que não estão aqui representados e que gostavam de receber a exposição. Já tive contactos destes municípios a dizer: como é que nós agora agarramos nisto e levamos também para nós? Vamos fazer isto rodar”, adiantou.

Entre as participações que surpreenderam a organização esteve a do município da Madalena, na ilha do Pico, Açores. A autarquia açoriana enviou peças e esteve representada durante os dois dias pela presidente da Câmara Municipal. Para Sónia Abreu, a resposta abriu uma possibilidade de continuidade.

“A disponibilidade foi imediata. Disponibilizaram-se para mandar as peças e, melhor do que isso, a senhora presidente da Câmara Municipal esteve presente nos dois dias da Bienal. Há aqui um envolvimento muito interessante que nós não esperávamos”, assinalou.

Esta profissional considera que a projeção institucional de Castelo Branco poderá também “servir para dar visibilidade a artesãos e territórios que ainda não dispõem do mesmo reconhecimento internacional”.

“Aquilo que nós podemos fazer é disponibilizarmo-nos para fazer parcerias, para os fazer aparecer sempre que estivermos em algum lado e eles nos queiram acompanhar. Isto passa por uma questão de divulgação deste artesanato e da projeção de que estas artesãs precisam. Precisam que se comece a falar delas, que sejam reconhecidas e que o trabalho delas seja valorizado”, sustentou.

Sobre a relação criada com o município da Madalena, Sónia Abreu deixou ainda uma expectativa de continuidade para além da primeira edição.

“Quero acreditar que isto que aconteceu em relação à Madalena é só o início de uma linda história de cooperação institucional”, anteviu.

A presença de Portugal, Brasil e Cabo Verde introduziu ainda no encontro uma dimensão lusófona, assente não apenas na circulação de técnicas e formas de expressão, mas numa língua comum que facilita os contactos entre instituições e criadores.

“É muito bom este relacionamento com estes países irmãos. A língua que nos une é, de facto, aquilo que facilita todo este trabalho e esta comunicação”, sublinhou.

A atuação da Divisão de Museus e Cultura, acrescentou Sónia Abreu, não se limita às artes e ofícios. A estrutura municipal mantém igualmente ações ligadas à literatura, edição, investigação e outras formas de produção cultural.

“Para além do artesanato, temos também esta preocupação com as outras artes, a literatura, a escrita, as performances. Tudo o que envolva outras formas de cultura estará sempre na nossa mira para apoio”, garantiu.

A génese da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” resultou precisamente da intenção de dar maior significado local à classificação atribuída pela UNESCO e explicar à população o que representa pertencer à “Rede de Cidades Criativas”, segundo os seus organizadores.

De acordo com Sónia Abreu, a programação foi construída a partir dessa necessidade de transformar uma chancela internacional num instrumento compreendido e partilhado pela cidade.

“As pessoas na comunidade não sabem, não entendem o que é isto de ser uma “Cidade Criativa da UNESCO”. O foco tinha que ser este. Temos que levar às pessoas a mensagem de uma forma muito clara. O que é ser uma cidade criativa? O que é que isto nos beneficia? O que podemos fazer com isto? A nível do futuro, como podemos projetar a nossa cidade?”, sintetizou.

No final dos dois dias, a responsável destacou ainda o trabalho coletivo que sustentou a organização e que, segundo explicou, esteve na origem da emoção demonstrada durante a sua intervenção pública no encerramento.

“Houve um trabalho enorme, uma equipa incrível que me acompanhou sempre. Eu tenho muita sorte com a equipa que tenho na minha divisão. Sentir que as pessoas estão comigo é muito bom”, concluiu.

Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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