Atualidade
Leffest leva mais debates e cinema a Sintra
“Le bleu du caftan”, “Beyond the Wall”, “The Horse”, “To sleep with anger”, “Penitentiary” e “Grey Area” são os filmes inseridos no Lisbon & Sintra Film Festival, na agenda de dia 17 de novembro. Este dia é marcado, ainda, pela conversa “Da prisão à liberdade: leitura de cartas escritas em prisões”, tudo no Centro Cultural Olga Cadaval.
A “Le bleu du caftan”, um filme de Maryam Touzani, de 2022, faz parte da “Seleção oficial – em competição”, com exibição pelas 11h00. O filme retrata a vida de Halim e Mina proprietários de uma loja de cafetãs, que unidos por um grande amor, ajudam-se mutuamente a enfrentar os medos comuns.
A segunda transmissão do dia será pelas 14h00, com “Beyond the Wall”, um filme de Vahid Jalilvand [ndr: foto de destaque}, produzido em 2022, que também integra a “Seleção oficial – em competição” e conta a história de Ali, um homem cego, que tenta cometer suicídio, mas é interrompido pelo porteiro do seu prédio.
Integrados nas Homenagens e Retrospetivas “L.A. Rebellion”, serão exibidos os filmes “The Horse”, “To sleep with anger”, ambos de Charles Burnet, às 19h00. As sessões contam com a presença do realizador.
The Horse é uma aclamada curta metragem de Charles Burnet, produzida em 1973, num ambiente de suspense em que a endurecida e desumanizada perspetiva adulta de quatro jovens brancos contrasta com a afetuosa empatia de um jovem negro perante os últimos dias de um cavalo negro.
“To sleep with anger”, de 1990, fala sobre a mobilidade social dentro da comunidade afro americana e a alienação das suas raízes histórico-culturais.
Ainda na Categoria Homenagens e retrospetivas “L.A. Rebellion”, a programação termina com a exibição, pelas 22h00, dos filmes “Penitentiary”, de Jamaa Fanaka, e “Grey Area”, de Monona Wali.
O filme “Penitentiary” foi produzido em 1979 e expõe a prisão como um microcosmo das vidas negras nos Estados Unidos, na sua mediação de forças entre o poder externamente imposto e a dureza autoinfligida no seio da comunidade negra.
Por sua vez, “Grey Area”, de 1981, faz referência aos espaços de compromisso necessários numa sociedade branca. Registando os movimentos e contribuições sociopolíticas na comunidade negra de Los Angeles e nos Estados Unidos.
Para este dia está, também, agendado o debate “Da prisão à liberdade: leitura de cartas escritas em prisões”, pelas 17h00.
Este é um evento único e intimista onde participam convidados surpresa para ler cartas escritas durante a prisão de individualidades intelectuais, militantes ou escritores como Nelson Mandela, Jean-Genet, Georges Jackson, Camilo Castelo Branco, Albertine Sarrazin, entre outras.
O Lisbon & Sintra Film Festival decorre no Centro Cultural Olga Cadaval até 20 de novembro, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra.
Foto: DR.
Atualidade
CCILB defende networking como motor das relações económicas entre Portugal e Brasil
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, CCILB, defende que o fortalecimento das relações económicas entre Portugal e o Brasil depende da criação de redes de contacto que aproximem empresas, investidores, instituições e decisores dos dois países. Para a entidade, a qualidade do produto e a definição de uma estratégia de internacionalização são fatores relevantes, mas não dispensam o conhecimento dos mercados nem o acesso aos interlocutores certos.
Na avaliação da CCILB, os negócios internacionais começam antes da assinatura dos contratos. A entrada de uma empresa num novo país exige contactos locais, informação sobre o ambiente empresarial e capacidade para compreender diferenças jurídicas, fiscais, culturais e operacionais. Apesar da língua comum e da proximidade histórica, Portugal e Brasil mantêm realidades próprias, que devem ser consideradas na preparação de investimentos e parcerias.
Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, sustenta que o networking permite reduzir barreiras, acelerar negociações e conferir maior segurança às decisões empresariais. Neste contexto, a CCILB procura funcionar como uma ponte entre os dois mercados, ligando empresas que pretendem internacionalizar as suas operações a parceiros, entidades públicas e estruturas de apoio já integradas no ecossistema económico luso-brasileiro.
Esta articulação ganha relevância com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Os dois blocos assinaram, em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Parceria e o Acordo Comercial Intercalar, cuja aplicação provisória começou em 1 de maio. O Acordo de Parceria continua sujeito ao processo de ratificação, mas o novo enquadramento comercial abre espaço para ampliar exportações, investimentos e cadeias de valor entre os dois blocos. Comissão Europeia
Para a CCILB, o acordo precisa agora de ações efetivas e concretas que permitam transformar o enquadramento político e comercial em resultados para as empresas. Missões empresariais, encontros setoriais, identificação de parceiros, partilha de informação e acompanhamento dos projetos serão determinantes para que Portugal reforce a sua posição como porta de entrada na União Europeia e o Brasil como plataforma de acesso ao Mercosul. A aproximação entre os dois países, sublinha a entidade, deverá ser medida pela capacidade de converter relações institucionais em investimento, emprego e negócios.
Atualidade
“Somos fantásticos em estratégia e em diagnóstico, mas temos de ser melhores na execução”, disse António Calçada de Sá
O Conselho da Diáspora Portuguesa encerrou, a 16 de julho, na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, a nona edição do “EurAfrican Forum”, lançando um apelo à concretização de projetos que reforcem a cooperação económica entre Europa e África, após dois dias de debate que reuniram líderes políticos, empresários, académicos e representantes institucionais dos dois continentes.
Durante dois dias, mais de 700 participantes discutiram oportunidades de investimento, desenvolvimento sustentável, inovação, energia, infraestruturas, comércio internacional e capital humano, sob o tema “Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation”.
A mensagem de encerramento ficou a cargo do presidente da Direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, António Calçada de Sá, que defendeu uma mudança de paradigma nas relações entre Europa e África.
Para este responsável, o futuro da cooperação euro-africana dependerá da capacidade de executar projetos que criem riqueza local e promovam uma verdadeira industrialização do continente africano.
Nesse sentido, alertou que “somos fantásticos em estratégia e em diagnóstico, mas temos de ser melhores na execução”, defendendo que “as fábricas têm de ser feitas em África, o desenvolvimento tem de ser feito em África e a prosperidade tem de existir em África”.
António Calçada de Sá defendeu também uma aposta reforçada na educação, na formação profissional e na transferência de conhecimento, considerando que o reforço da cooperação deverá envolver empresas, universidades e instituições públicas na concretização de projetos estruturantes nas áreas da energia, infraestruturas, saúde e inovação.
Como um dos principais resultados da edição de 2026, anunciou ainda a elaboração de um White Paper que reunirá as principais conclusões e recomendações saídas do Fórum, desafiando os participantes a identificar iniciativas concretas capazes de reforçar a parceria entre Europa e África e de transformar diálogo em ação e cooperação em impacto concreto.
Também presente no encontro, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, enquadrou África como um parceiro estratégico para o futuro da Europa, defendendo que o crescimento demográfico do continente e a expansão da língua portuguesa reforçam o peso internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Na sua intervenção, destacou que “o continente africano será sempre a plataforma de afirmação da CPLP”, defendendo uma aposta continuada na cooperação científica, tecnológica, educativa e cultural entre os países lusófonos, bem como na complementaridade económica entre Europa e África.
O governante sustentou ainda que a proximidade geográfica e temporal entre os dois continentes representa uma vantagem competitiva frequentemente subvalorizada, defendendo que essa realidade deverá ser aproveitada para aprofundar o investimento, a circulação de conhecimento e a integração empresarial.
Seguro e Chapo reforçam confiança como base da cooperação
Entre os momentos de maior destaque do Fórum esteve a conversa entre o presidente da República Portuguesa, António José Seguro, e o presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, que convergiram na defesa de uma cooperação assente na estabilidade, na confiança institucional e no investimento produtivo.
Daniel Chapo considerou que Moçambique reúne atualmente condições favoráveis para aprofundar as relações económicas com Portugal, afirmando que “queremos mais investimentos em Moçambique, mais empresários portugueses em Moçambique e mais empresários moçambicanos em Portugal”, sublinhando que a atual estabilidade política constitui um fator decisivo para consolidar essa confiança.
Por sua vez, António José Seguro defendeu que as relações bilaterais vivem um momento particularmente favorável, salientando que “isso gera confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante para os empresários e para os investidores”, reafirmando também a disponibilidade portuguesa para continuar a cooperar com Moçambique em áreas como segurança, formação, investigação científica e desenvolvimento económico.
Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais reforça presença empresarial lusófona
Entre as entidades presentes esteve também a Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG), representada, através da sua delegação em Lisboa, por Arthur Andrade, reforçando a participação do setor empresarial lusófono nas discussões sobre comércio internacional, investimento e cooperação económica.
Segundo a instituição, a participação permitiu acompanhar os principais debates dedicados ao capital humano, energia, infraestruturas, inovação tecnológica, geopolítica e cultura, bem como aprofundar contactos com representantes governamentais, empresariais e institucionais de Portugal, Moçambique, Angola e de outros mercados africanos e europeus.
Ao longo da edição de 2026, o “EurAfrican Forum” consolidou-se novamente como uma das principais plataformas internacionais de diálogo entre África e Europa, encerrando com uma mensagem comum: transformar a cooperação política e institucional em projetos concretos capazes de gerar investimento, crescimento económico e prosperidade partilhada.
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FUNCEX assina aliança com a “JX” para “ampliar IA regulatória”
A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, FUNCEX, e a JX IA Regulatória, plataforma de inteligência regulatória que consolida fontes normativas primárias, como leis, regulações, decisões, processos e atos normativos das agências reguladoras brasileiras, firmaram uma aliança estratégica para ampliar o uso da inteligência artificial aplicada à área regulatória no Brasil. A iniciativa é voltada para reduzir riscos, organizar informações normativas e apoiar decisões empresariais em setores relevantes da economia.
Segundo fontes, a parceria coloca a FUNCEX no centro de uma agenda ligada à modernização do ambiente de negócios brasileiro. Criada em 1976, a Fundação acumula uma trajetória ligada ao comércio exterior, às relações internacionais, à inteligência econômica e à formulação de estudos e propostas para o fortalecimento da competitividade do Brasil. Com essa nova frente, a instituição amplia sua atuação ao aproximar conhecimento técnico, inovação e regulação.
“A aliança procura responder a um dos principais entraves enfrentados por empresas e investidores no país: a complexidade das informações produzidas pelas agências reguladoras”, afirmou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da FUNCEX.
De acordo com a Associação Brasileira de Agências Reguladoras, ABAR, cerca de 70% do PIB brasileiro passa, direta ou indiretamente, pela fiscalização desses órgãos, o que reforça a importância de instrumentos capazes de tornar normas, decisões e processos mais acessíveis.
Conforme apuração, a JX desenvolveu uma plataforma que organiza e analisa normas, regulamentos, decisões e processos das agências reguladoras, transformando dados dispersos em informação estratégica. A FUNCEX, por sua vez, pretende agregar a esse processo sua experiência institucional e técnica, contribuindo para que a inteligência regulatória seja aplicada de forma alinhada às necessidades do comércio exterior, dos investimentos e da economia produtiva.
A iniciativa, cujo “head” da operação pelo lado da Funcex é Mauro Souza, visa “contribuir para ampliar a previsibilidade regulatória e apoiar setores como infraestrutura, energia, logística, mineração, saneamento e telecomunicações”.
Ao aproximar inteligência artificial, regulação e análise econômica, a FUNCEX poderá reforçar sua posição como instituição de referência no debate sobre competitividade, ambiente de negócios e integração do Brasil às cadeias internacionais de valor.
“Num país ainda marcado pelo chamado Custo Brasil, a capacidade de transformar complexidade em clareza pode ser determinante para atrair capital, estimular investimentos, gerar empregos e fortalecer a competitividade nacional. A aliança entre FUNCEX e JX surge, assim, como uma resposta prática a um desafio estrutural da economia brasileira”, defendeu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.
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