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Luso: “IV Fórum Económico das Beiras” colocou em debate estratégias para o desenvolvimento da Região Centro de Portugal

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O “IV Fórum Económico das Beiras”, realizado pela Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB), no Grande Hotel de Luso, no concelho da Mealhada, no último dia 12 de setembro, afirmou-se como um “momento maior de reflexão, cumplicidade e construção coletiva para o futuro da Região Centro”. Sob o mote “Diplomacia Económica, Capital e Inovação: O Território do Centro nas Rotas Globais de Investimento”, o encontro colocou no centro do debate o “investimento, o financiamento e a internacionalização”, partindo de uma certeza, segundo os seus organizadores: “as Beiras são o ventre de Portugal e têm de assumir o protagonismo e nunca o papel de meras comparsas nas rotas globais de capital, conhecimento e inovação”.

A condução de todo o Fórum esteve a cargo do Conselheiro da CCRB, Luís de Matos, que acompanhou os trabalhos ao longo do dia. A Sessão de Abertura, sob o tema “Visão Estratégica, Geopolítica de Investimento e Coesão Territorial”, marcou o ponto de partida do programa com as intervenções da presidente da CCRB, Ana Correia, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Franco, do Chairman do Grande Hotel de Luso, João Diniz, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), Ribau Esteves.

Na sua intervenção inaugural, transmitida em direto nas plataformas digitais da CCRB, Ana Correia deixou uma mensagem “de ambição, exigência e compromisso absoluto com os 113 municípios que integram a área de intervenção da CCRB”.

“Falo com a paixão visceral de quem ama as Beiras e os 113 municípios que fazem parte da sua área de intervenção. Queremos afirmar as Beiras como território de coesão, de resiliência e de oportunidade”, sublinhou esta responsável, que sublinhou sete frases-chave que orientaram todo o Fórum e que, na sua opinião, sintetizam o “espírito, a matriz identitária e o roteiro estratégico para o futuro do território”.

“As Beiras são o ventre de Portugal e é deste ventre que queremos fazer nascer uma nova narrativa de desenvolvimento. A identidade das Beiras como centro nevrálgico do país não é apenas geográfica, é económica, cultural e emocional. É tempo de assumir essa centralidade com orgulho e ambição desmedida”, disse.

““Resiliência, Mecenato e Risco: três pilares para transformar desafios em oportunidades”. As gentes das Beiras sempre souberam superar adversidades. O investimento privado alinhado com o interesse público e a coragem de arriscar são motores indispensáveis para a regeneração territorial. Sem risco não há inovação, mas o risco, quando bem enquadrado, transforma-se em progresso. O papel das instituições é criar condições para que o risco seja mitigado e o investimento floresça, especialmente em territórios de baixa densidade. A Câmara de Comércio é a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, mas também a porta que traz o mundo às Beiras. A diplomacia económica é uma via de mão dupla. Queremos exportar o melhor que produzimos, mas também atrair capital, conhecimento e parceiros internacionais.  Do sucesso macro à prosperidade: queremos traduzir este debate em produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde para as nossas gentes. O crescimento económico só tem sentido se se traduzir em melhorias concretas na vida das populações. O desenvolvimento da Região Centro deve ser inclusivo e sustentável”, reforçou, recordando que o projeto de internacionalização da CCRB, a “BBEX” vai “voar mais alto para a Europa, para as Américas e para todos os destinos onde o nosso potencial possa encontrar eco”.

“O programa de internacionalização das Beiras é uma aposta ganha. No próximo ano, a “BBEX” alargará horizontes, levando as empresas das Beiras a novos mercados. Construam, com este “IV Fórum”, as pontes necessárias para levarmos as Beiras ao mundo e trazer o mundo às Beiras. Este é o propósito que nos une: criar ligações duradouras, fortalecer redes e afirmar as Beiras como território de oportunidades globais”, considerou Ana Correia.

Programa destacou potencialidades da região

Ao longo dos trabalhos, encadearam-se debates de “elevadíssima maturidade técnica e estratégica”. O debate inicial sob o mote “Resiliência, Mecenato e Risco – Guerra ao Risco, Reconstrução e Atração de Capital ESG”, moderado por Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, reuniu Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, Rogério Hilário, vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro, e Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, abordando o “financiamento de impacto, mecenato ambiental e a capacidade de captar capital em contextos de risco”.

Seguiu-se a reflexão dedicada a “A Banca e o Financiamento aos Novos Investidores”, com moderação de Raul Marques, co-fundador e diretor da Plataforma Diáspora Lusa, na qual participaram Teresa Fiúza, administradora executiva do Banco Português de Fomento, João Leal, sénior director do Banco Santander Portugal, Nuno Santos, presidente do Conselho de Administração da CCAM da Beira Baixa Sul, e Carlos Gomes Nogueira, CEO da Europartners e presidente da FACAM. Em análise estiveram as “linhas de crédito, garantias mútuas e novos mecanismos para mitigar a perceção de risco nos territórios de baixa densidade, valorizando ativos agroalimentares e tecnológicos”.

No período da tarde, a sessão “Diplomacia Económica e Grandes Mercados – Eixo Atlântico, Diáspora e Lusofonia” teve como Keynote Speaker José Maria Costa, presidente do Conselho Consultivo da CCRB e antigo Secretário de Estado da Economia e do Mar. Moderado por Wilson Bicalho, conselheiro do Conselho Consultivo da CCRB, advogado e CEO da “Next Border”, este espaço contou com os contributos decisivos de Rui Gomes da Silva, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio Portugal-China, e Mário Simões, presidente da Comissão Executiva da CE-CPLP, cruzando pontes económicas com a Europa, o mundo Árabe, a Ásia e o espaço Lusófono, “um passo fulcral na preparação da missão Beiras Business Export (BBEX)”.

A fechar o ciclo de reflexão, o painel “Inovação, IA e Capacitação Exportadora – Internacionalização 4.0”, moderado por Carlos Martinho, vice-presidente do Conselho Fiscal da CCRB e CEO da MdSolutions, contou com as participações estratégicas de Renan Santana, Head de Inovação da ACIEG, Isabel Quintas, diretora de Internacionalização da AICEP, Nuno Gonçalves, vice-presidente do IAPMEI, e Pedro Inácio, vice-reitor para a Estratégia Digital da Universidade da Beira Interior, perspetivando a “aplicação da inteligência artificial, cibersegurança e transição digital” para “alavancar a competitividade exportadora da Região Centro”.

O encerramento dos trabalhos foi conduzido por Miguel Salgueiro Meira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da CCRB.

Encontro ficou marcado também pela assinatura de protocolos

Um dos momentos altos do “IV Fórum” foi a assinatura de dois protocolos que “reforçam a dimensão estratégica e internacional da CCRB.

Um dos protocolos foi assinado com o IAPMEI, que visa “firmar uma aliança de cooperação” com a Agência para a Competitividade e Inovação, representada pelo vice-presidente Nuno Gonçalves, destinada a “apoiar as empresas das Beiras na internacionalização, inovação e acesso simplificado a instrumentos de financiamento”.

Outro protocolo foi firmado com a Prefeitura de Urussanga, município localizado em Santa Catarina, Sul do Brasil, que tem como objetivo estabelecer um “acordo transatlântico”. A assinatura foi estabelecida virtualmente durante o evento, sob o olhar atento da prefeita de Urussanga, Stela Maris de Agostin Talamini, e da presidente da direção da CCRB, Ana Correia, diante dos Conselheiros da CCRB que testemunharam presencialmente o ato. A iniciativa, segundo apurámos, “prevê missões empresariais, rodadas de negócios, fóruns, visitas técnicas, ações de capacitação e partilha de boas práticas”.

Segundo a prefeita do município brasileiro, “Urussanga tem potencial em diferentes áreas e precisamos criar conexões para que essas características sejam conhecidas também fora do Brasil. Esse acordo nos aproxima de empresas e instituições portuguesas e abre espaço para a troca de experiências, conhecimento e novas oportunidades de negócios”.

Futuro das ações na região

“Ficou clara, ao longo de todo o Fórum, a vontade e a total disponibilidade dos organismos institucionais, como CCDR Centro, IAPMEI, AICEP, Turismo do Centro de Portugal, Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Conselho Empresarial do Centro, setor bancário, universidades, autarquias e estruturas empresariais para trabalharem em conjunto, de forma articulada, em rede e profundamente consequente”, frisou Ana Correia.

“Do “IV Fórum Económico das Beiras” saem linhas orientadoras claras e compromissos firmes tais com reforçar o financiamento de impacto e criar instrumentos que reduzam o risco em territórios de baixa densidade; atrair capital internacional, incluindo investimento estrangeiro direto (IDE), fundos de investimento alternativos e family offices; promover a diplomacia económica, com foco no Eixo Atlântico, na diáspora e na lusofonia; alargar a iniciativa “BBEX” a novos mercados estratégicos na Europa e nas Américas; consolidar parcerias institucionais que garantam a coesão e o desenvolvimento sustentável; traduzir o crescimento em prosperidade real, com impacto direto na produtividade, salários, infraestruturas, educação e saúde”, recordou a presidente da direção da CCRB, que avaliou ainda que “o “IV Fórum Económico das Beiras” foi mais do que um evento, foi um compromisso coletivo e uma afirmação de coragem com o futuro da Região Centro de Portugal”.

“As Beiras afirmam-se, cada vez mais, como território de coesão, resiliência e oportunidade um lugar onde o investimento, o financiamento e a internacionalização se conjugam para criar valor e prosperidade. A Câmara de Comércio da Região das Beiras continuará a cumprir com orgulho a sua missão: ser a porta que abre e leva as Beiras para o mundo, e a porta que traz o mundo às Beiras”, finalizou Ana Correia.

Ígor Lopes

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Conhecido por promover a circulação da literatura em língua portuguesa na Europa, Roberto Parmeggiani participa no 6.º “Flitabira”

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Escritor, poeta, educador, editor e prefeito da cidade italiana de Sasso Marconi, Roberto Parmeggiani é um dos convidados internacionais do 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, que acontece de 29 de outubro a 1º de novembro. Nascido em Bolonha, na Itália, em 1976, Parmeggiani construiu uma trajetória singular, marcada por sua relação com o Brasil, onde viveu durante dois anos e aprendeu o português, língua em que também escreve seus livros. No sábado, 31 de outubro, às 15h, ele participa na mesa “Outras Habilidades”, com mediação de Carlos Vinícius, para “discutir as diferenças humanas e os padrões que determinam o que a sociedade considera normal”.

Formado em Ciências da Educação pela Universidade de Bolonha, Parmeggiani trabalhou como voluntário na periferia de São Bernardo do Campo, em São Paulo. A experiência brasileira foi decisiva para sua formação pessoal e literária. O português tornou-se também sua língua de criação, e o contato com o país estabeleceu uma relação que permanece presente em sua atuação como escritor e editor.

Entre as suas obras publicadas no Brasil estão “A lição das árvores”, “A avó adormecida”, “O mundo de Arturo”, “Felicidade submersa” e “Desabilidade”. Os seus livros circulam entre a literatura infantil, a poesia e a reflexão sobre as relações humanas, abordando questões como envelhecimento, convivência, educação e as diferentes maneiras de perceber o mundo.

É em “Desabilidade”, publicado pela Editora Nós, que Parmeggiani desenvolve uma das ideias centrais de seu pensamento. Em vez de considerar a deficiência apenas uma condição individual, o escritor questiona a dificuldade da própria sociedade em reconhecer e acolher as diferenças. A provocação desloca o olhar: até que ponto a deficiência não está também na incapacidade de compreender o outro? O livro propõe uma crítica aos padrões de normalidade e às formas de exclusão que continuam presentes nas relações sociais.

Essa reflexão nasce da sua experiência na educação inclusiva. Ao longo da carreira, Parmeggiani trabalhou com crianças, professores e projetos voltados à participação de pessoas com deficiência na vida cultural e educacional. A sua literatura não se limita a apresentar personagens diferentes, mas procura questionar os critérios pelos quais determinadas maneiras de viver são consideradas legítimas e outras, inadequadas.

Um escritor entre o Brasil e a Itália

A ligação com o Brasil ganhou uma nova dimensão em 2024, quando Parmeggiani fundou, em parceria com a editora brasileira Simone Paulino, a Edizioni Noi, projeto editorial dedicado à publicação e à circulação da literatura brasileira e de língua portuguesa na Itália. A iniciativa amplia o acesso dos leitores italianos à produção literária contemporânea brasileira e estabelece uma ponte entre os mercados editoriais dos dois países.

A sua trajetória literária também recebeu reconhecimentos importantes. “A avó adormecida” foi contemplado com o Prémio Anna Osti, em 2013, e “A lição das árvores” foi selecionado pela revista “Crescer” entre os 30 melhores livros infantis de 2014. Parmeggiani já participou em importantes encontros literários brasileiros, entre eles a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o Fliaraxá e o Fliparacatu.

Além da atuação literária, Parmeggiani desenvolveu uma carreira na administração pública italiana. Eleito prefeito de Sasso Marconi, município da região de Bolonha, em 2019, foi reeleito em 2024. A sua experiência na gestão pública acrescenta outra dimensão às questões que atravessam os seus livros, especialmente no que diz respeito à “educação, à convivência social e aos direitos das pessoas com deficiência”.

Segundo apurámos, no Flitabira, o encontro “Outras Habilidades” parte justamente dessa trajetória para discutir os limites da normalidade. O que significa ser diferente? Quem estabelece os padrões pelos quais julgamos as capacidades humanas? Como a literatura pode contribuir para uma sociedade que reconheça as singularidades sem transformá-las em motivo de exclusão?

A conversa também estabelece uma relação com o tema central do Festival. Em “Claro Enigma”, Drummond apresenta, no poema “A Máquina do Mundo”, a possibilidade de uma explicação total da existência. A obra de Parmeggiani, por outro caminho, questiona as explicações que pretendem “reduzir a diversidade humana a modelos únicos de comportamento e capacidade”.

De acordo com a organização do festival, a sua participação no 6º “Flitabira” traz ao público brasileiro a “experiência de um autor que transita entre duas línguas e duas culturas, e que encontrou na literatura uma maneira de interrogar nossas certezas sobre o mundo e sobre aqueles que o habitam”.

A Vale apresenta o 6º “Flitabira”, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú.

Sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, o Festival celebra os 75 anos de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade. Toda a programação é gratuita, com transmissão ao vivo pelo YouTube @flitabira e recursos de acessibilidade.

Ígor Lopes

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Cientistas descobrem nova variante de proteína que pode ajudar a controlar o cancro e o envelhecimento celular

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Uma equipa de investigação, liderada pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra (UC), identificou, pela primeira vez, uma nova variante da proteína p53, que tem um papel direto no controlo do envelhecimento celular e propriedades anticancerígenas. A descoberta abre novas portas para compreender como travar o envelhecimento celular e a multiplicação de células tumorais.

Em concreto, este estudo liderado pelo grupo de investigação Envelhecimento Molecular, Química do RNA e Oncogénese do MIA-Portugal, liderado por Marco Candeias, descobriu esta nova variante, chamada Delta246p53, e conseguiu mostrar, em ambiente de laboratório, que esta induz a senescência celular – o processo pelo qual as células deixam de se dividir – e inibe a formação de tumores em células.

Esta variante pode contribuir para os mecanismos de proteção do organismo, ajudando a impedir que células danificadas ou com potencial tumoral continuem a multiplicar-se. “A Delta246p53 controla várias vias que envolvem outras proteínas essenciais ao controlo da senescência, promovendo este processo e limitando a proliferação de células tumorais ou de células com danos”, explica o líder da investigação.

Sobre as oportunidades que esta descoberta pode trazer, Marco Candeias destaca que “se conseguirmos manter a expressão desta nova proteína restrita apenas às células em risco de transformação oncológica, poderemos perspetivar um possível prolongamento da esperança de vida, mantendo ou reforçando em simultâneo a defesa contra o cancro”.

Esta variante é uma nova proteína produzida a partir do gene TP53, um dos genes mais poderosos do genoma humano, frequentemente chamado “guardião do genoma”. Controla a divisão das células, repara o ADN quando este sofre mutações e promove a morte celular sempre que necessário. Uma alteração ou falha no seu funcionamento leva a alterações celulares significativas que podem resultar em envelhecimento precoce e aparecimento de cancro.

A nova variante do gene TP53 agora descoberta é, em comparação com outras proteínas já identificadas, uma proteína com funções mais específicas, uma “especialização” que pode abrir caminho a intervenções mais diretas para travar o envelhecimento e problemas oncológicos.

A investigação contou ainda com a participação da Universidade de Quioto (Japão), do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e da Universidade de Trento (Itália).

O artigo científico New Delta246p53 isoform responds to DNA damage to enhance p53 family functions in cellular senescence (Nova isoforma Delta246p53 responde a danos no ADN e potencia as funções da família p53 na senescência celular, em português), publicado na revista Cell Death Discovery, está disponível em www.nature.com/articles/s41420-026-03374-7.

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Do património familiar ao empreendedorismo: Glamping Academy apresenta oportunidades à diáspora

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A “Glamping Academy”, iniciativa portuguesa dedicada à formação e ao empreendedorismo no turismo de natureza, pretende aproximar os portugueses residentes no estrangeiro das oportunidades de investimento em Portugal, particularmente através do “aproveitamento de terrenos, quintas e imóveis familiares”. O projeto, fundado pelo empresário luso Luís Almeida, procura apoiar quem pretende estudar a possibilidade de criar um alojamento turístico, seja como investimento, atividade empresarial ou parte de um plano de regresso ao país.

A proposta dirige-se a portugueses e luso-descendentes que vivem em países como França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Estados Unidos e Canadá, muitos dos quais mantêm propriedades ou ligações familiares às regiões de origem. A “Glamping Academy” considera que esse património poderá, em determinadas condições, “ser utilizado para desenvolver atividades ligadas ao turismo rural, permitindo conciliar a preservação de imóveis familiares com a criação de iniciativas económicas”.

O projeto surge num contexto de crescimento do turismo em espaço rural. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal e do Turismo de Portugal citados pela organização, o Turismo no Espaço Rural e o Turismo de Habitação receberam 1,5 milhões de hóspedes em 2025 e registaram 3,3 milhões de dormidas, aumentos de 6,7% e 6,9%, respetivamente, face ao ano anterior. As regiões Norte, Alentejo e Centro concentraram 65,1% das dormidas neste segmento.

O glamping, conceito que combina elementos do campismo com condições de conforto associadas ao alojamento turístico, é uma das modalidades apresentadas pela academia. As soluções podem incluir cabanas de madeira, tendas equipadas e pequenas unidades integradas na paisagem. A atividade procura responder à procura de experiências ligadas à natureza, à gastronomia regional e ao património dos territórios.

À frente da “Glamping Academy” está Luís Almeida, também responsável pela “Arrabia Guest Houses Glamping”, localizada na Raiva, no concelho de Castelo de Paiva. A partir da experiência na criação e gestão de alojamentos turísticos, o empresário desenvolveu uma plataforma de formação que reúne conteúdos e especialistas em áreas relacionadas com a instalação e exploração de empreendimentos turísticos.

A academia disponibiliza cursos online, ferramentas de planeamento e programas de formação sobre escolha de terrenos, licenciamento, financiamento, construção, marketing, gestão e rentabilidade. A possibilidade de acompanhar os conteúdos à distância constitui uma das características da iniciativa, permitindo que “interessados residentes no estrangeiro iniciem a avaliação de um projeto antes de regressarem a Portugal ou avançarem com um investimento”.

Um dos aspetos destacados pela organização é a necessidade de confirmar a viabilidade legal e técnica de cada propriedade. A existência de um terreno não significa, por si só, que seja permitida a instalação de unidades de glamping. A concretização de um empreendimento depende das disposições do Plano Diretor Municipal (PDM), de eventuais restrições da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN), bem como das condições de acesso e das exigências de licenciamento. Estas regras podem aplicar-se também a estruturas amovíveis, tendas e casas sobre rodas, dependendo das características do projeto e do enquadramento territorial.

Por esta razão, a “Glamping Academy” recomenda que os interessados “realizem estudos prévios de viabilidade, avaliem os custos e analisem a procura turística antes de assumirem compromissos financeiros”. A organização sublinha que “a atividade não representa uma garantia de rentabilidade e exige preparação empresarial”.

Além da formação digital, a iniciativa promove encontros presenciais denominados “Imersões Glamping Academy”, destinados a reunir empreendedores, potenciais investidores e profissionais de áreas como arquitetura, licenciamento, financiamento e exploração turística. A mais recente edição decorreu nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na “Arrabia Guest Houses Glamping”, em Castelo de Paiva.

Durante estes encontros, os participantes têm oportunidade de “conhecer experiências de gestão, esclarecer dúvidas e estabelecer contactos com profissionais do setor”. A academia pretende, ainda, “desenvolver uma comunidade de pessoas interessadas na criação de projetos turísticos, combinando a aprendizagem on-line com atividades presenciais.

Para os portugueses residentes no estrangeiro, a iniciativa apresenta-se como uma possibilidade de estudar o aproveitamento de património familiar sem necessidade de uma mudança imediata para Portugal. A análise de terrenos, a preparação de planos de negócio e o conhecimento das exigências legais podem ser realizados numa fase anterior à decisão de investir.

A “Glamping Academy” disponibiliza informações sobre os seus programas e atividades através do portal www.glamping-academy.info

Com esta iniciativa, Luís Almeida procura “colocar a formação e o planeamento ao serviço de portugueses e luso-descendentes interessados no turismo de natureza, apresentando alternativas de utilização de propriedades familiares e oportunidades de empreendedorismo nas regiões rurais portuguesas”.

Ígor Lopes

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