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“A mensagem que devemos deixar aos jovens é que o voto de cada um importa”, afirmou Pedro Sequeira de Carvalho sobre eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe

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São Tomé e Príncipe realizou, a 19 de julho, eleições presidenciais que resultaram na reeleição de Carlos Vila Nova para um segundo mandato de cinco anos, com 55,94% dos votos. Apesar do funcionamento regular do processo eleitoral e da tradição de transições pacíficas no país, a abstenção superior a 58% introduziu um sinal de alerta sobre a participação cívica, a representação política e o afastamento de parte do eleitorado, num país que realiza eleições multipartidárias desde 1991.

Em entrevista à nossa reportagem, o advogado e professor universitário são-tomense Pedro Sequeira de Carvalho analisa o estado da democracia no arquipélago, o papel das escolas, das universidades e da comunicação social na formação dos cidadãos e a necessidade de envolver os jovens na reconstrução da confiança nas instituições. O jurista aborda ainda o ambiente político antes das eleições legislativas, autárquicas e regionais de 27 de setembro, marcado pela disputa interna na Ação Democrática Independente, ADI, e pela procura de espaço eleitoral entre os partidos que apoiaram a candidatura presidencial de Carlos Vila Nova.

Como advogado e professor universitário, que importância atribui às eleições presidenciais de 19 de julho para a consolidação democrática de São Tomé e Príncipe, num momento em que o país voltou a ser chamado a escolher o seu Chefe de Estado?

O povo foi chamado para escolher o Chefe do Estado, e fê-lo com elevado sentido de responsabilidade e civismo. São sinais claros de que a nossa democracia goza de uma boa saúde, digo “boa” e não “perfeita”. Digo mais ainda, não é uma saúde garantida, mas sim uma “boa saúde” que requer um estar permanentemente atentos e cuidadosos para que ela não adoeça.  Por exemplo, há um aspeto que não podemos ignorar que é o número elevado de abstenção -58, 57%. Este é o número mais alto da nossa história como país. É verdade que houve a concorrência de vários fatores como a emigração e a atualização automática dos dados eleitores que foi feita pela primeira vez diretamente através da base dos dados dos Serviços dos Registos Civis. Mas, apesar desses factos, ficou visível aos olhos do povo que, os quatro candidatos que participaram nas eleições presidenciais, uma grande franja da população não se revia nos mesmos; eles não demonstravam nenhuma esperança num futuro melhor para o país. Na democracia, isto é preocupante.

Num processo eleitoral, a dimensão jurídica é essencial, mas a dimensão cívica também pesa. Que papel devem ter a escola, a universidade, a cultura e a comunicação social na formação de cidadãos mais conscientes, capazes de participar no voto com responsabilidade e sentido de país?

Eu não senti, de uma forma efectiva, este papel a ser exercido pelas escolas e pelas universidades. Ainda há um longo trabalho a ser feito no sentido das escolas e as universidades assumirem algum papel relevante na formação de cidadãos mais conscientes, capazes de participar no voto com responsabilidade e sentido de país. O mesmo não digo sobre a nossa cultura e sobre a comunicação social. O nosso país já tem uma cultura democrática. O lema “o povo põe, o povo tira” é sobejamente conhecido pela nossa sociedade. Toda a comunidade eleitoral nacional reconhece e respeita a soberania do povo, manifestada através dos atos eleitorais. As eleições – todas elas – são uma festa na nossa sociedade. No que diz respeito à comunicação social, esta sempre exerceu um papel muito importante na construção e solidificação do nosso sistema democrático. Em todas as eleições, a comunicação social assume, e bem, a sua missão de consciencializar os eleitores acerca da responsabilidade da vida e da sua importância para o futuro do país. No nosso país, as noites das eleições são as noites que menos se dorme, isto porque tanto a rádio pública, como a televisão pública fazem as contagens e as divulgações dos resultados eleitorais em direto. E, tem surgido também, pelo menos nesta última eleição, várias iniciativas das rádios privadas e canais digitais no sentido de acompanharem e divulgarem os resultados eleitorais. Este processo só eleva a dimensão cívica das nossas eleições.

A política, tal como a literatura e o teatro, também trabalha com narrativas, expectativas e projectos de futuro. Que mensagem considera importante deixar aos jovens são-tomenses sobre participação democrática, respeito pelas instituições e construção de um país onde a cidadania não termine no dia da eleição?

De facto, tanto a política como a literatura e o teatro trabalham com narrativas, expectativas e projetos de futuro. Relativamente à participação democrática, a mensagem que devemos deixar aos jovens é que o voto de cada um importa. Tivemos uma eleição em que a abstenção ganhou. Foram mais de 58% de abstenções; o número mais elevado da nossa história como um país independente que vem realizando eleições desde o ano 1991. Neste momento, os jovens estão cansados devido a real mudança que não chega, e pior ainda, sentem-se impotentes para fazerem partes deste processo de mudança. Pelo que, a mensagem mais importante é a de que a democracia é um regime cujo sucesso depende e muito da participação de todos os cidadãos, no nosso caso, mais ainda da juventude por ser a maioria da população. Há um país a ser reconstruído, há todo um conjunto das instituições cuja credibilidade devem ser restauradas. A construção de um país passa pela construção das instituições; não temos como termos um país que queremos, sem termos instituições que necessitamos para este efeito. Um país é o que as instituições fazem dele. É fundamental que os jovens sintam como a pedra angular na construção de São Tomé e Príncipe que está contemplado no nosso Hina nacional – “a não mais ditosa da terra”.

Como está o ambiente político no seu país e o que espera após as eleições?

As eleições foram realizadas em 19 de julho; já temos o Presidente da República: Eng. Carlos Vila Nova, que foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. Mas o ambiente político ainda continua muito conturbado, não em razão das eleições presidenciais, mas sobretudo devido as eleições legislativas que estão marcadas para o próximo dia 27 de setembro. Nesta mesma data serão realizadas mais outras duas eleições em simultâneo: eleições autárquicas e as eleições regionais. O maior partido do país que ganhou as últimas eleições legislativas em 2022 está enfrentando uma grande disputa interna de liderança, cujo capítulo mais recente foi o Tribunal Constitucional ter validado um congresso extraordinário realizado no último mês de junho, onde o atual primeiro-ministro, Américo Ramos, foi eleito, por aclamação, como o novo presidente do partido ADI-Acção Democrática Independente. Este processo tem causado uma grande cisão no seio do ADI, onde a outra ala liderada pelo Patrice Trovoada ainda reivindica a sua legitimidade, como a estrutura eleita em 2024 para liderar o partido para um mandato de quatro anos, de acordo aos estatutos deste partido político. Por outro lado, o Presidente da República, sendo oriundo da ADI, foi eleito com o apoio de quase todos os partidos políticos nacionais (MLSTP, PCD, BASTA, MDFM, UDD, e NOSSA TERRA), com uma mensagem de apelo à estabilidade e a unidade nacional. Mas, e agora? Apesar de todos esses partidos políticos concorrerem para a vitória do atual Presidente da República não podem já sentir que fazem parte da mesa do poder. A Lei eleitoral prescreve que o partido político que não obtiver 1% de votos expressos nas urnas nas eleições legislativas, é decretado extinto. Assim, o grande desafio de alguns desses partidos políticos é de conseguirem pelo menos 1% de votos expressos nas urnas nas próximas eleições legislativas marcadas para 27 de setembro próximo. Assim, os partidos políticos juntaram-se em bloco em apoio ao candidato Carlos Vila Nova, mas agora espalharam-se de novo, com o grande desafio de cada um ir desenrascar brasas para as suas sardinhas. O que alguns analistas políticos previam que seriam grandes e várias alianças e coligações, pelo menos até então não se tem verificado, e tudo indica que não se verificará, pelo menos para concorrerem, podendo haver, posteriormente, alguns acordos parlamentares, uma vez que, pelos cenários, não se evidencia a probabilidade de haver a maioria absoluta para nenhum dos dois maiores partidos do país (ADI e o MLSTP). Não está fácil fazer previsões a longo prazo, isto está um jogo bem intenso, mas até certo ponto, animado.

O que o mundo deve saber sobre as eleições presidenciais em STP? Como pode explicar a importância deste pleito de 19 de setembro de 2026?

Que São Tomé e Príncipe é um país democrático, e que a nossa democracia goza de muito boa saúde. E há um responsável por este produto: os cidadãos santomenses. Este pleito, essas eleições presidenciais de 2026, não funcionam com o fim da história, mas como mais uma página do livro sobre a boa democracia que alguém que queira ser um bom aluno nesta matéria, sobretudo na África, deveria ler. São Tomé e Príncipe já pode dizer, sem receio algum de errar, que é um exemplo da democracia na África, e quiçá, no mundo.

Ígor Lopes

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Eduardo Barroso defende cooperação entre Castelo Branco e João Pessoa a partir da “economia criativa”

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A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde para discutir património, artesanato, indústrias criativas e cooperação entre territórios. Entre os participantes esteve Eduardo Barroso, representante de João Pessoa, município brasileiro, junto da “Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO”, que participou no encontro com propostas destinadas a “aprofundar as relações entre a cidade situada no maior país da América do Sul e Castelo Branco, Portugal.

João Pessoa integra a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO desde 2017”, na categoria “Artesanato e Artes Populares”. A cidade é reconhecida pela “diversidade da produção artesanal”, que inclui “cerâmica, bordado e crochet”, e desenvolveu, ao longo dos últimos anos, estruturas ligadas à “produção, inovação e comercialização do artesanato”.

Em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, Eduardo Barroso explicou que a participação na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” teve como objetivo “dar continuidade às relações construídas entre os dois municípios”.

“A nossa presença em Castelo Branco vem no sentido de tentar reforçar esses laços de cooperação que já existem, porque hoje somos, João Pessoa e Castelo Branco, cidades geminadas. Trago comigo algumas propostas de cooperação efetiva entre as nossas duas cidades”, adiantou este representante brasileiro, que avalia que a integração numa “Rede de Cidades Criativas” deve produzir “efeitos que ultrapassem a projeção turística ou institucional”. A classificação, na sua perspetiva, deve ser sentida no território e incorporada no quotidiano da população.

“É muito mais importante do que esse selo significar um diferencial enquanto destino turístico qualificado. É uma forma de dar à cidade e à população local maior sentido de pertença, maior orgulho de serem cidadãos albicastrenses”, sustentou.

Eduardo Barroso defendeu ainda que o estatuto atribuído pela UNESCO ganha significado quando a criatividade é entendida como resultado do trabalho desenvolvido pelas pessoas.

“Não é a cidade que é criativa. São os seus artesãos, os seus artistas, a sua população em geral que deve imbuir-se desse espírito de tentar sempre fazer algo melhor, trazendo para o presente as oportunidades que o futuro traz e, com isso, novas possibilidades para a economia criativa”, explicou.

Neste contexto, este especialista brasileiro entende que uma “Cidade Criativa” não deve encarar a classificação apenas como uma distinção conquistada.

“Ser uma “Cidade Criativa” é mais do que um reconhecimento. É uma provocação, é um estímulo para que a cidade avance na direção de um desenvolvimento sustentável”, caracterizou.

A economia criativa esteve entre os temas centrais da participação de Eduardo Barroso na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”. Para o representante de João Pessoa, este modelo económico introduz uma lógica diferente daquela que assenta apenas na produção tradicional de bens e serviços, ao colocar a criatividade, o conhecimento e a cultura no centro da geração de valor.

“A economia criativa é uma nova forma de observar o processo de desenvolvimento, não mais centrada na economia tradicional, mas numa economia onde é a criatividade, a capacidade humana de transformação, que é o seu principal património, tendo a cultura como o centro desse processo de desenvolvimento”, analisou.

Barroso associa esta transformação à valorização dos elementos que diferenciam cada território.

“É uma nova economia que está a surgir, que eu classifico inclusive como a economia do singular, onde as coisas únicas e exclusivas de um território têm um valor agregado muito maior”, definiu, referindo que este modelo pode produzir impactos para além da preservação cultural.

“Isso traz uma importância não só cultural, mas principalmente do ponto de vista socioeconómico, gerando novas oportunidades de trabalho e rendimento”, acrescentou.

Durante a presença em Castelo Branco, Eduardo Barroso apresentou também experiências desenvolvidas no Brasil que considera passíveis de reflexão em Portugal, respeitando as diferenças entre os dois contextos. Entre essas iniciativas está o “Prémio Top 100” do “Artesanato Brasileiro”, instrumento criado para “identificar unidades produtivas e estimular competitividade, qualificação e acesso a mercados”.

“Nós temos no Brasil algumas iniciativas que poderiam servir como referência, não transplantadas, porque são contextos bastante diversos. Temos há 20 anos uma certificação chamada “Prémio Top 100 do Artesanato Brasileiro”, que classifica, a cada três anos, as 100 unidades mais competitivas”, exemplificou.

Na sua opinião, o modelo produz informação relevante para diferentes intervenientes do setor.

“Isso representa para os artesãos um estímulo e uma oportunidade de conquistar novos mercados. Para os consumidores, significa uma lista de referências de qualidade e, para as políticas públicas, um apontamento sobre onde estão as fragilidades e deficiências que devem ser compensadas”, detalhou.

A experiência brasileira levou-o a colocar em discussão a possibilidade de criação de uma iniciativa semelhante em Portugal.

“Esse é um dos exemplos que eu gostaria de trazer, provocando, quem sabe, aqui em Portugal, o desejo de ter também um prémio português, um Top 100 do artesanato português”, sugeriu.

Outra proposta apresentada passa pela criação de estruturas que aproximem artesanato, inovação e design. Eduardo Barroso destacou os laboratórios de inovação e design para artesanato desenvolvidos no Brasil, espaços destinados a apoiar artesãos na criação de novos produtos e na estruturação das diferentes etapas de produção.

“São equipamentos que vêm dar aos artesãos um contributo no sentido de desenvolver novas coleções em regime de cocriação, mas não só isso. Permitem acompanhar a produção desses produtos em todo o seu ciclo produtivo, em toda a sua cadeia de valor, chegando da criação à comercialização”, descreveu.

Para o representante de João Pessoa, estas práticas podem alimentar futuras iniciativas de cooperação entre os territórios representados na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”.

“São duas experiências que me parecem oportunas e que trazemos como sugestão de partilha”, propôs.

A realização do evento em Castelo Branco ocorre num momento em que o município procura consolidar a sua presença na “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”. A autarquia enquadrou a “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” precisamente como uma plataforma de “valorização dos saberes tradicionais, do património e da cooperação com outras cidades e instituições”.

No balanço dos dois dias de programação, Eduardo Barroso destacou a função deste tipo de encontro na circulação de conhecimento entre cidades que colocam cultura e criatividade nas suas estratégias de desenvolvimento.

“Iniciativas como esta devem ser apoiadas e reforçadas porque se transformam no “locus ideal” de partilha das melhores práticas, visualização de novos projetos e criação de novas oportunidades de intercâmbio e cooperação”, disse.

Barroso acredita que esta articulação corresponde à própria lógica da “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, criada para “favorecer a troca de experiências entre territórios que integram cultura e criatividade nas suas políticas urbanas”. A UNESCO apresenta a rede como uma plataforma internacional de ideias e experiências destinadas a utilizar cultura e criatividade como instrumentos de desenvolvimento sustentável.

“O sentido da rede da UNESCO é exatamente esse: reforçar os vínculos de cooperação e intercâmbio entre cidades que colocaram a criatividade como o núcleo principal do seu processo de desenvolvimento”, concluiu.

Recorde-se que a organização da Bienal foi liderada pela Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, sob a gestão de Sónia Abreu.

Ígor Lopes

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Castelo de Paiva: Evento promete “imersão” no futuro do “Glamping” em Portugal

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Castelo de Paiva, na região do Norte de Portugal, vai ser palco, nos próximos dias 2 e 3 de outubro, da segunda edição da “Imersão Glamping Academy”, um encontro dedicado ao “desenvolvimento de projetos de Glamping, turismo de natureza e novas soluções de alojamento turístico”.

Depois da primeira edição, realizada em junho, também na Arrabia Guest Houses Glamping, a iniciativa regressa ao município português e pretende reunir, segundo os seus organizadores, proprietários de terrenos, empresários, investidores, especialistas e fornecedores de diferentes áreas.

“Mais do que receber um evento durante dois dias, Castelo de Paiva transforma-se num ponto de encontro entre quem está a pensar, criar, financiar, fornecer e operar novos projetos de Glamping em Portugal”, disse Luís Almeida, fundador da Glamping Academy e da Arrabia Guest Houses Glamping.

Do terreno ao negócio turístico

Este empresário explicou que a “Imersão” foi criada sobretudo para pessoas que “possuem terrenos ou estão a estudar o desenvolvimento de novos projetos turísticos”.

Durante dois dias serão cruzadas diferentes áreas necessárias à concretização destes investimentos, desde a análise do terreno e conceito inicial até ao licenciamento, REN e RAN, investimento, fundos e incentivos, financiamento, viabilidade económica, Tiny Houses, soluções modulares, Ecovillages, design aplicado à hospitalidade, marketing e operação turística.

A proposta diferencia-se de uma formação convencional pela “componente prática e pelo contacto direto entre participantes, especialistas, empresários e fornecedores”.

“A própria Arrabia Guest Houses Glamping, localizada na Raiva, integra a experiência. Para além de acolher o encontro, será utilizada como caso prático, permitindo conhecer os bastidores e funcionamento de uma operação turística real”, sublinhou o responsável pela iniciativa, que realçou que “as refeições, coffee breaks e jantar de networking fazem igualmente parte da dinâmica dos dois dias, prolongando a troca de experiências para além das apresentações”.

Castelo de Paiva no centro de uma nova discussão sobre turismo

A escolha de Castelo de Paiva para acolher novamente a “Imersão” procura também demonstrar o “potencial dos territórios fora dos grandes centros urbanos para receberem conhecimento, investimento e iniciativas especializadas relacionadas com as novas tendências do turismo”.

Para Luís Almeida, existe uma oportunidade para o município se afirmar progressivamente neste ecossistema.

“Queremos que Castelo de Paiva seja cada vez mais um ponto de encontro para quem está a pensar, desenvolver ou investir em novos projetos de Glamping em Portugal. Temos natureza, território e experiência turística para mostrar. Trazer até cá empresários, especialistas, fornecedores e promotores de novos projetos é também uma forma de colocar Castelo de Paiva nesta discussão”, avaliou.

A iniciativa assume uma dimensão que ultrapassa os dois dias de formação: pretende aproximar quem possui terrenos e ideias de quem detém conhecimento técnico, experiência empresarial e soluções capazes de apoiar o desenvolvimento de novos projetos.

Diferentes especialidades reunidas no mesmo espaço

De acordo com a nossa apuração, a segunda edição contará com profissionais provenientes de áreas distintas do turismo e do desenvolvimento de projetos.

Entre os convidados confirmados encontram-se Ronnie Smith, fundadora da Glamping Revolution e ligada ao Grupo AMA; Isabel Pires Lemos, advogada com experiência no licenciamento de projetos turísticos; José Rocha, empresário e ex-presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva; Rui César Castro, administrador da URBE – Consultores Associados; e Fátima Nunes, especialista em Gestão Estratégica.

Estarão ainda representadas áreas como Tiny Houses, Ecovillages, construção e soluções modulares, design de interiores, marketing digital, financiamento, fornecedores e operação turística.

O objetivo é “permitir que diferentes perspetivas se cruzem em torno de uma questão comum: como passar de um terreno ou de uma ideia para um projeto turístico estruturado e sustentável no tempo”.

Segunda edição depois da estreia em junho

A primeira “Imersão Glamping Academy” realizou-se também na Arrabia Guest Houses Glamping, reunindo participantes e especialistas durante dois dias.

A organização pretende agora “consolidar este formato e continuar a trazer a Castelo de Paiva pessoas que estão a desenvolver projetos em diferentes regiões do país”.

O formato privilegia a “proximidade entre participantes e especialistas, a discussão de casos concretos, a apresentação de soluções existentes no mercado e a criação de contactos entre pessoas ligadas ao setor”.

Recorde-se que a “Glamping Academy” é uma plataforma portuguesa dedicada à “criação, desenvolvimento e gestão de projetos de Glamping”. O projeto procura reunir num mesmo ecossistema conhecimento, especialistas, ferramentas, fornecedores e uma comunidade de pessoas interessadas no desenvolvimento de “novos conceitos de alojamento turístico e turismo de natureza”.

A segunda Imersão Glamping Academy realiza-se nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na Arrabia Guest Houses Glamping, em Castelo de Paiva, região Norte de Portugal.

As inscrições podem ser feitas através deste link: https://glamping-academy.info/imersao/outubro-2026?fbclid=IwY2xjawUeXKVwZG9mBWV4dG4DYWVtAjEwAGJyaWQRMXF5YUdXbXJHYVAxMXR0Y0tzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeqRp9C5M5f0CCawJD2OalzCpPntOnaHbkekKTW2jEdcSJzkrH_PRdeWbS0AQ_aem_IZqwhI1pSy_TELE40MGxnA

Ígor Lopes

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Dançando com a Diferença apresenta “Gosto de Andar à Sombra” no Museu Nacional GrãoVasco

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No âmbito das comemorações dos 25 anos da Dançando com a Diferença, a companhia apresenta, no dia 26 de setembro, às 16h30, no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, a visita dançada “Gosto de Andar à Sombra”, com coreografia de Leonor Barata. A iniciativa integra a exposição “Existe Luz na Sombra”, dedicada à memória da artista madeirense Lourdes Castro, e propõe uma experiência sensorial de aproximação à sua obra.

Conduzida pelos intérpretes Bernardo Graça e Laura Ávila, “Gosto de Andar à Sombra” não segue o modelo de uma visita guiada tradicional. A proposta convida o público a explorar a obra de Lourdes Castro através do corpo, do movimento, das palavras e do silêncio, percorrendo diferentes caminhos da perceção. Os intérpretes da Dançando com a Diferença estabelecem uma interação entre entre entre algumas das obras da artista e as diferentes camadas interpretativas propostas pela coreógrafa Leonor Barata.

Conhecida como a artista da sombra, Lourdes Castro é uma referência da arte contemporânea portuguesa. A sua obra multidisciplinar desenvolveu-se a partir de uma investigação em torno da sombra, da linha, do contorno e da presença ausente, elementos centrais do seu percurso artístico e do pensamento estético presente na exposição.

A colaboração entre a Dançando com a Diferença e o MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira, onde a companhia é residente desde 2006, estende-se também a esta exposição. A companhia participou na elaboração e gravação de guiões de audiodescrição para algumas das obras expostas e criou objetos impressos em 3D, numa parceria com a empresa MOVECHO, desenvolvendo diferentes elementos de mediação cultural.

“Estas abordagens de mediação cultural reforçam a aposta da companhia na criação, pesquisa e desenvolvimento de opções inovadoras que visam gerar novas formas de relação com a obra de Lourdes Castro, pensando em diferentes públicos”, refere Henrique Amoedo. Segundo o diretor artístico da Dançando com a Diferença, estas soluções permitem “ampliar a acessibilidade e a experiência interativa com as obras”.

Para a coreógrafa Leonor Barata, “Gosto de Andar à Sombra parte da obra de Lourdes Castro”, que que que considera “hiper coreográfica, com a presença constante de contornos do corpo ou da linha. Tudo isso são inspirações fortes em termos coreográficos. Nós apostamos muito nessa relação direta com a obra e com aquilo que ela ela nos inspira”.

Leonor Barata destaca ainda a experiência dos intérpretes, que assumem também o papel de mediadores da obra. “Eles ajudam a transmitir aquilo que está exposto e acrescentam camadas, não só à perceção do que apresentamos, mas também incorporando o corpo na própria visita”, explica.

Henrique Amoedo sublinha a presença do projeto no programa comemorativo dos 25 anos da companhia.. “Esta visita guiada dançada é uma oportunidade para explorar a obra de forma inovadora e sensorial. A interação entre movimento, corpo e espaço permite que o público se envolva ativamente, bem como reforça a dimensão interpretativa da experiência artística. É também uma forma de assinalinalinalar os 25 anos da companhia, que se celebram em 2026, consolidando a nossa missão de desenvolver projetos acessíveis, participativos e culturalmente enriquecedores”, afirma.

A Companhia Dançando com a Diferençaça é uma estrutura financiada pela República Portuguesa, através do XXIII Governo e da Direção-Geral das Artes, no período de 2023 a 2026, pelo Governo Regional da Madeira, através da Direção Regional de Educação e da Direção Regional da Cultura, e pela Câmara Municipal do Funchal. É companhia residente no MUDAS.

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