Atualidade
Balanço da Campanha “Cinto-me Vivo”
Em relação ao período homólogo de 2021, verificaram-se mais 376 acidentes, mais 2 vítimas mortais, menos 10 feridos graves e mais 191 feridos leves
A Campanha de Segurança Rodoviária “Cinto-me vivo”, da responsabilidade da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), decorreu nos dias 12 a 19 de setembro e teve como objetivo alertar os condutores e passageiros para a importância de utilizarem sempre, e de forma correta, os dispositivos de segurança.
Esta campanha contou, uma vez mais, com a participação do serviço da administração regional da Região Autónoma da Madeira na realização de ações de sensibilização, completando o trabalho de fiscalização que tem sido realizado pelos comandos Regionais da PSP.
Inserida no Plano Nacional de Fiscalização de 2022, a campanha foi divulgada nos meios digitais e através de cinco ações de sensibilização da ANSR, realizadas em simultâneo com as operações de fiscalização da responsabilidade da PSP e GNR, nas localidades de Carcavelos, Bragança, Viseu, Vila Real, Viana do Castelo, Portalegre. Idênticas ações ocorreram na Região Autónoma da Madeira.
Na campanha, foram sensibilizados 364 condutores e passageiros no Continente e na Região Autónoma da Madeira, a quem foram transmitidas as seguintes mensagens:
. Utilize sempre uma cadeirinha homologada, devidamente instalada, e adaptada à altura e peso da criança;
· Utilize sempre o cinto de segurança, em todos os lugares do veículo, e em todos os percursos, mesmo nos de curta distância;
. Utilize o capacete de modelo aprovado, devidamente ajustado e apertado.
Durante as operações das Forças de Segurança, realizadas entre os dias 12 e 19 de setembro, foram fiscalizados presencialmente em Portugal 95.073 veículos, tendo sido registado um total de 20.365 infrações, das quais 966 relativas à não utilização ou utilização incorreta dos dispositivos de segurança.

No período da campanha, de 12 a 19 de setembro de 2022, registou-se um total de 3.183 acidentes, de que resultaram 9 vítimas mortais, 63 feridos graves e 1.048 feridos leves.
As 9 vítimas mortais, 8 das quais do sexo masculino, tinham idades entre 24 e 78 anos.
Os 9 acidentes com vítimas mortais ocorreram nos distritos de Braga (2), Vila Real, Porto, Leiria, Lisboa, Setúbal, Évora e Faro.
Destes acidentes, 6 foram despistes de 4 automóveis ligeiros de passageiros e de 2 motociclos.
Verificaram-se, ainda, 2 colisões, num caso entre um veículo ligeiro e um veículo pesado de mercadorias, e noutro entre um veículo ligeiro e um velocípede.
Ocorreu, também, 1 atropelamento por um veículo ligeiro de passageiros, na EN125.
Relativamente ao período homólogo de 2021, verificaram-se mais 376 acidentes, mais 2 vítimas mortais, menos 10 feridos graves e mais 191 feridos leves.
“Com esta campanha, foi dado mais um passo para o envolvimento dos condutores no desígnio de tornar a segurança rodoviária uma prioridade de todos”, sublinham os promotores (ANSR, PSP e GNR).
Foto: DR.
Atualidade
Lançado “Guia Completo” para os peregrinos do Caminho da Geira
Os peregrinos que queiram percorrer o Caminho da Geira e dos Arrieiros podem contar, a partir de agora, com um novo guia, que descreve em pormenor as 10 etapas do percurso que é o principal ponto de partida de Braga com destino a Santiago de Compostela.
O “Caminho da Geira e dos Arrieiros – Guia Completo”, da autoria de Carlos da Barreira, José Manuel Almeida e Gaetano Pucca, descreve o património e apresenta mais de 200 fotografias de monumentos, igrejas, edifícios históricos, pontes, miliários romanos, cascatas e rios.
Além disso, contém “informação prática sobre alojamentos, restaurantes, bares, farmácias e outros serviços para peregrinos, bem como mapas e perfis de elevação de todas as etapas”, explica Carlos da Barreira, destacando que o guia descreve também “a dificuldade de cada etapa e informação útil, como distâncias, desníveis, tipo de terreno, património histórico e natureza”.
O guia, composto por 186 páginas, é apresentado na sexta-feira, 31 de julho, às 19 horas, no Auditório de Caldelas, no concelho de Amares, numa sessão aberta ao público, onde poderá ser adquirido a um preço reduzido. “Agora são publicadas as versões em espanhol e português e esperamos que, antes do final do ano, estejam já disponíveis as versões em inglês e italiano, e talvez mais algum idioma”, refere Carlos da Barreira.
Esta “é uma versão à qual faltam pequenas correções de texto e de paginação, que nos próximos meses será melhorada com as sugestões dos peregrinos, prevendo-se que, no final de outubro, seja apresentada a versão definitiva”.
A obra, já registada, estará disponível online na Amazon (19 euros) e em algumas livrarias físicas especializadas nos Caminhos de Santiago, e as receitas servirão para suportar os custos de uma página na Internet dedicada ao Caminho da Geira e dos Arrieiros.
No início do “Caminho da Geira e dos Arrieiros – Guia Completo”, o jornalista e peregrino Carlos Ferreira escreve que “a amplitude da riqueza natural e patrimonial do Caminho da Geira Romana e dos Arrieiros transporta-nos aos tempos ancestrais dos romanos e da construção da Catedral de Santiago de Compostela; percorrendo florestas, bosques e vinhedos, atravessados por rios largos e pequenos ribeiros, onde a nossa presença ainda surpreende os animais no seu ambiente natural”.
Por isso, conclui que “é um itinerário de espiritualidade, descoberta e aventura, que convida os peregrinos a regressarem ao verdadeiro Caminho”.
Este Caminho de Santiago tem 239 quilómetros, começa na Sé de Braga e passa pelos municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.
Foi apresentado em 2017, em Ribadavia (Galiza) e em Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, e referido em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021). Está incluído na lista dos caminhos culturais a homologar este ano pelo Governo da Galiza.
Até agora, segundo as associações que o promovem, foi percorrido por 8.657 peregrinos (1.364 no ano passado), dos quais 3.596 receberam a Compostela, oriundos de meia centena de países.
O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via do género mais bem conservada do antigo Império Romano do Ocidente, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos poucos que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.
Atualidade
Carla Schmidt: “Queremos fortalecer as relações entre o mercado editorial alemão e os países de língua portuguesa”
Há três décadas na Alemanha, Carla Schmidt transformou a experiência entre duas culturas numa plataforma de circulação literária. Aos 49 anos, a editora, escritora e estratega de comunicação dirige a JUST. Verlag, editora independente sediada no país europeu, criada com o propósito de aproximar autores, leitores e profissionais de diferentes mercados, com particular atenção à literatura em língua portuguesa.
Natural do Rio de Janeiro, Brasil, Carla Schmidt é formada em Musicologia e Estudos Medievais, possui um MBA em Comunicação Integrada de Marketing e desenvolve, atualmente, investigação nas áreas da liderança feminina, comunicação e burnout, enquanto doutoranda na Edinburgh Business School. Além de dirigir a JUST. Verlag, trabalha como consultora de comunicação através da SPARKS Communication, é palestrante e autora do livro “I DID IT MY WAY”.
A estreia da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt, prevista para outubro deste ano, representa uma nova etapa neste percurso. A editora prepara uma participação coletiva destinada a apresentar obras, promover autores e estabelecer contactos com editoras, agentes literários, tradutores e outros profissionais do setor. Com atividade desenvolvida na Alemanha, em Portugal, na Suíça e no Brasil, Carla Schmidt procura reforçar a ligação entre o mercado editorial alemão e o espaço lusófono, num trabalho que combina publicação, tradução, comunicação e internacionalização. Em entrevista à nossa reportagem, explica a missão da JUST. Verlag, as oportunidades abertas aos escritores e os desafios de fazer chegar a literatura em língua portuguesa a novos públicos.
A JUST. Verlag prepara a sua estreia na Feira do Livro de Frankfurt desde a criação da editora. O que representa este momento para si e para o projeto editorial, e quais são as principais expectativas para esta primeira participação?
A presença da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt representa a concretização de uma visão que existia desde a fundação da editora. Criei a JUST. Verlag com a convicção de que boas histórias merecem ultrapassar fronteiras. Frankfurt é o maior encontro editorial do mundo e, para nós, é muito mais do que uma feira comercial. É um espaço de diálogo internacional, de construção de redes e de criação de oportunidades para os nossos autores. A minha expectativa é apresentar o catálogo da editora ao mercado internacional, estabelecer novas parcerias e mostrar que existe uma literatura de enorme qualidade em língua portuguesa pronta para conquistar novos leitores.
A proposta da JUST. Verlag vai além da exposição de livros, apostando numa estratégia de internacionalização dos autores. Quais são os principais objetivos desta presença coletiva e que oportunidades pretende proporcionar aos participantes?
O nosso objetivo nunca foi apenas colocar livros numa estante. Queremos posicionar os autores internacionalmente. Por isso, desenvolvemos uma participação coletiva que inclui apresentações, networking, encontros profissionais, ações de comunicação, divulgação internacional e oportunidades de contacto com editoras, agentes literários, tradutores e profissionais do setor. Queremos que cada autor regresse da feira não apenas com uma experiência, mas com novas possibilidades para a sua carreira.
Que perfil de autores, editoras ou projetos literários a JUST. Verlag procura reunir na Feira do Livro de Frankfurt 2026? A iniciativa está aberta apenas a escritores já publicados ou também a novos talentos?
A iniciativa é aberta tanto a autores já publicados como a novos talentos. O critério principal não é o número de livros publicados, mas a qualidade da obra e o compromisso do autor com o seu percurso literário. Procuramos escritores que desejem construir uma carreira internacional e que vejam a Feira de Frankfurt como um investimento no seu desenvolvimento profissional.
Muitos autores podem ter interesse em integrar esta iniciativa. Como funciona o processo de inscrição, quais são as modalidades de participação disponíveis e que apoio será prestado aos escritores antes, durante e após a feira?
Os interessados podem candidatar-se diretamente junto da JUST. Verlag, em: https://www.just-verlag.de/
Existem diferentes modalidades de participação, desde a presença do livro no stand até programas mais completos, que incluem sessões de autógrafos, apresentações, apoio de comunicação, divulgação nas redes sociais e acompanhamento durante todo o processo. O nosso trabalho começa muito antes da feira e continua depois dela, porque acreditamos que a internacionalização não acontece em cinco dias, mas através de uma estratégia consistente. Mais informações podem ser solicitadas por e-mail: info@just-verlag.de
A JUST. Verlag tem vindo a afirmar-se no mercado editorial alemão, mas também com um olhar no público lusófono. Que missão orienta a editora e de que forma pretende contribuir para a projeção internacional da literatura em língua portuguesa e de autores de outras nacionalidades? Há traduções para outras línguas na editora?
A missão da JUST. Verlag é construir pontes entre culturas através da literatura. Publicamos obras de diferentes nacionalidades e acreditamos que uma boa história pode emocionar qualquer leitor, independentemente da sua língua. Sim. Trabalhamos com traduções, sobretudo entre português, alemão e inglês, e pretendemos expandir este trabalho para outras línguas nos próximos anos. O nosso objetivo é tornar autores internacionalmente visíveis e facilitar o diálogo entre diferentes mercados editoriais.
Entre as iniciativas previstas destaca-se o JUST. Literary Award. Qual é a importância deste prémio para a valorização dos autores e que impacto espera que tenha na promoção das obras e no reconhecimento dos seus participantes?
O JUST. Literary Award nasceu para reconhecer a qualidade literária, independentemente do tamanho da editora ou da notoriedade do autor. Queremos criar um espaço onde as obras sejam avaliadas pelo seu mérito e onde novos talentos possam ganhar visibilidade. Esperamos que o prémio contribua para aumentar a projeção internacional dos participantes e incentive ainda mais a circulação de obras entre diferentes países.
A Feira do Livro de Frankfurt é considerada o maior encontro mundial da indústria editorial. O que espera que esta edição de 2026 represente para a JUST. Verlag, para os autores participantes e para o fortalecimento das ligações entre os mercados editoriais internacionais?
Espero que esta edição marque o início de uma presença duradoura da JUST. Verlag em Frankfurt. Queremos fortalecer as relações entre o mercado editorial alemão e os países de língua portuguesa, aproximar autores, editoras e profissionais e mostrar que a literatura continua a ser uma das formas mais poderosas de criar pontes entre culturas.
Em que locais tem atuado com a editora e como escritora?
Ao longo dos últimos, anos participei em projetos editoriais e literários na Alemanha, Portugal, Suíça e Brasil. A JUST. Verlag tem vindo a marcar presença em diferentes eventos internacionais e, em 2026, participará, entre outros, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na Feira do Livro de Frankfurt, no Salon du Livre de Colmar e Genebra, e em diversos encontros literários na Alemanha. Como autora, tenho apresentado o livro “I DID IT MY WAY” em diferentes cidades europeias e brasileiras.
Como é viver na Alemanha?
Viver na Alemanha ensinou-me o valor da organização, da disciplina e do planeamento. Ao mesmo tempo, nunca perdi as minhas raízes brasileiras. Hoje, sinto que pertenço aos dois países. Essa combinação entre a objetividade alemã e a criatividade brasileira influencia profundamente a minha forma de trabalhar e também a identidade da JUST. Verlag.
Como avalia o campo literário no país?
A Alemanha possui um dos mercados editoriais mais estruturados do mundo, com enorme respeito pelos livros, pelas livrarias independentes e pelos eventos literários. Ao mesmo tempo, existe espaço para novas vozes e para literatura internacional. Vejo um crescente interesse por autores que apresentam diferentes perspetivas culturais, e acredito que a literatura em língua portuguesa tem muito a oferecer aos leitores alemães.
Por fim, quem é Carla Schmidt?
Carla Schmidt é editora, escritora e estratega de comunicação. Sou brasileira radicada na Alemanha há três décadas, fundei a JUST. Verlag com a missão de aproximar culturas através da literatura. Atuo também como consultora de comunicação internacional, palestrante e autora. O meu trabalho centra-se na internacionalização de autores, na valorização da diversidade cultural e na construção de pontes entre os mercados editoriais europeu e lusófono.
Ígor Lopes
Atualidade
Lisboa: Fiocruz inaugura primeiro escritório europeu nas instalações da ApexBrasil na capital portuguesa
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com sede no Rio de Janeiro, Brasil, inaugurou, na passada quarta-feira, 15 de julho, o seu primeiro escritório permanente na Europa, instalado na sede empresarial da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Lisboa, durante uma cerimónia que reuniu responsáveis governamentais, académicos e institucionais portugueses e brasileiros, assinalando um novo ciclo de cooperação entre os dois países nas áreas da saúde, investigação científica, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial.
Segundo os seus responsáveis, a abertura da representação europeia da Fiocruz concretiza um compromisso assumido pelos governos de Portugal e do Brasil durante a “Cimeira Luso-Brasileira de 2023” e representa um passo estratégico para consolidar Lisboa como plataforma de ligação entre o sistema científico brasileiro, o espaço europeu e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Instalado no escritório da ApexBrasil na capital portuguesa, onde já se encontram representadas outras instituições brasileiras, como a Embratur e, futuramente, a Embrapa, a nova base da Fiocruz pretende facilitar o desenvolvimento de projetos conjuntos entre universidades, centros de investigação, empresas tecnológicas e entidades reguladoras, “reforçando simultaneamente a internacionalização da ciência brasileira e a cooperação entre os sistemas nacionais de saúde”.
Durante a cerimónia, foram também formalizados novos acordos de cooperação entre a Fiocruz, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P (Infarmed), Portugal, e as universidades portuguesas, ampliando uma relação científica que já se desenvolve há vários anos e que agora ganha uma estrutura permanente em território europeu.
Brasil defende inovação com acesso universal
O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, começou por enquadrar a instalação do escritório como a concretização de um compromisso assumido pelo Presidente Lula da Silva durante a “Cimeira Luso-Brasileira de 2023”, recordando que a abertura da representação da Fiocruz em Lisboa foi acompanhada de perto pelo chefe de Estado brasileiro.
Para o ministro brasileiro, Portugal era o local natural para acolher a primeira representação permanente da Fiocruz fora do Brasil, não apenas pelos laços históricos entre os dois países, mas também pela proximidade construída entre os respetivos sistemas públicos de saúde.
“Os dois sistemas nacionais de saúde dos países, o Sistema Nacional de Saúde (SNS) português e o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, surgem no mesmo contexto histórico da redemocratização dos dois países. Nós, ao construir o SUS, aprendemos muito com a luta dos portugueses para construir o seu Sistema Nacional de Saúde e com os seus desenhos e arranjos institucionais”, vincou este governante, que reiterou que a presença da Fiocruz em Lisboa permitirá aprofundar essa cooperação, reforçando a ligação da instituição brasileira ao ecossistema científico europeu e aos países de língua portuguesa.
“A Fiocruz é a maior instituição de saúde do nosso país, tem um papel muito importante na pesquisa, na formação profissional, mas também na produção de medicamentos, de tecnologias. E a Fiocruz, estando aqui em Portugal, amplia a sua parceria com empresas, instituições da Europa como um todo e com países, sobretudo os países de língua portuguesa que estão na África, além do Timor-Leste”, salientou.
“A Fiocruz aqui também vai estar mais presente, inclusive na realidade de saúde dos brasileiros e brasileiras que vivem em Portugal em parceria com o Sistema Nacional de Saúde português”, acrescentou.
Ao longo da intervenção, Padilha sublinhou também que a internacionalização da Fiocruz responde aos atuais desafios globais da saúde pública, defendendo que a inovação deve estar sempre associada ao acesso universal aos cuidados de saúde.
“Quando nós falamos de inovação, a gente fala de inovação pensando em acesso, sempre. Porque nós temos vários países extremamente inovadores cuja inovação nunca chega à população do seu próprio país. Muitas vezes inovam e exportam para o mundo inteiro, mas tem um abismo do acesso da população do seu próprio país para os inovadores. Inovação sem acesso não deveria se chamar inovação. Inovação sem acesso é injustiça, não tem outro nome”, declarou, frisando que “essa é uma característica de dois países como Portugal e Brasil que assumiram o compromisso de ter sistemas nacionais públicos de saúde para os quais é fundamental aumentar a sua capacidade de produção e desenvolvimento de inovação guiada pelo acesso”, concluiu.
Governo português destaca Fiocruz como referência mundial
Por sua vez, a ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, classificou a instalação da representação permanente da Fundação Oswaldo Cruz em Lisboa como um marco na cooperação entre os dois países, considerando que a escolha de Portugal representa um reconhecimento da qualidade das instituições nacionais e do trabalho conjunto desenvolvido ao longo das últimas décadas nas áreas da saúde, ciência e tecnologia.
“Esta escolha constitui, naturalmente, uma honra para o nosso país, mas representa também o reconhecimento da qualidade das instituições portuguesas, da proximidade entre os nossos sistemas científicos, de saúde e tecnológicos, e da relação de confiança que Portugal e o Brasil têm vindo a construir ao longo das últimas décadas”, afirmou.
De acordo com Ana Paula Martins, a presença permanente da Fiocruz vai muito além da abertura de um escritório, criando uma estrutura de cooperação científica e institucional entre Portugal, Brasil, Europa e o espaço lusófono.
“A Fiocruz é uma instituição de referência mundial na investigação, na inovação e na saúde pública. A sua presença em Lisboa cria uma ponte permanente entre o ecossistema científico e tecnológico brasileiro e Portugal, a Europa e o espaço lusófono. Para nós, é muito mais do que a celebração de um escritório. É uma visão partilhada de cooperação baseada na ciência, na inovação, na formação, na produção de conhecimento e no fortalecimento dos sistemas de saúde”, realçou a ministra, que salientou também que os protocolos assinados com o Infarmed, universidades portuguesas e outras entidades demonstram que esta parceria assenta numa cooperação já consolidada e que agora ganha uma dimensão permanente.
“Não começamos do nada, bem pelo contrário. Começamos já com muito trabalho feito e estamos a ampliá-lo. Temos bases sólidas para desenvolver conhecimento, reforçar capacidades institucionais, promover inovação e gerar benefícios concretos para as populações dos nossos países”, referiu.
Ana Paula Martins enquadrou ainda esta iniciativa no contexto dos desafios globais da saúde, defendendo que nenhum país consegue responder isoladamente às transformações em curso e que a cooperação internacional será determinante para reforçar os sistemas públicos.
“A saúde não tem fronteiras, os desafios da saúde são cada vez mais globais e nenhum país os vai conseguir enfrentar sozinho. Precisamos de instituições fortes, de redes internacionais de confiança e de parcerias capazes de transformar o conhecimento em melhores políticas e melhores cuidados de saúde”, disse, sem deixar de adiantar que, “com a Fiocruz em Portugal, seremos seguramente mais fortes, nós, os portugueses, e o Serviço Nacional de Saúde também será mais forte”.
Fiocruz aposta na internacionalização da investigação
Já o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mário Moreira, recordou que a Fiocruz representa simultaneamente o Sistema Único de Saúde brasileiro, o sistema nacional de ciência e tecnologia na área da saúde e uma das principais instituições de investigação da América Latina, defendendo que a presença permanente em Portugal permitirá estreitar relações com universidades, empresas e centros de investigação europeus.
“A partir da nossa localização na Embaixada do Brasil e aqui na ApexBrasil, poderemos interagir, estreitar os laços com o sistema de saúde português, com o sistema de ciência e tecnologia português e com o empresariado aqui de Portugal e também da Europa”, frisou.
Para Mário Moreira, a decisão de instalar a Fiocruz em Portugal responde também à necessidade de acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico da instituição, integrando-a num ecossistema europeu mais maduro de inovação.
“Hoje os desafios da saúde são de ordem global. Já foi o tempo em que cuidar da saúde de um país era suficiente para cuidar da sua população. Hoje os desafios são comuns e nenhum país consegue enfrentá-los sozinho. Internacionalizar as atividades da Fiocruz é fundamental e o passo que damos é inserir a Fiocruz num ambiente de ciência e tecnologia maduro, que possa acelerar os nossos projetos a partir de cooperações com indústrias inovadoras”, disse.
O presidente da Fiocruz destacou também que Portugal é já o principal parceiro internacional da instituição em matéria de cooperação científica, existindo projetos em curso com várias universidades e entidades portuguesas, mas considerou que a instalação permanente permitirá alargar essa colaboração ao desenvolvimento tecnológico e industrial.
“Portugal é, de longe, o país com o qual mais cooperamos. Temos intercâmbio de professores, projetos científicos conjuntos e desenvolvimento de produtos. Agora a Fiocruz insere-se em solo português para fazer também desenvolvimento tecnológico e inovação que possa favorecer tanto o sistema de saúde português como o sistema de saúde brasileiro”, referiu.
O presidente da Fiocruz explicou ainda que a presença institucional ficará repartida entre dois espaços complementares: um escritório na Embaixada do Brasil em Lisboa, dedicado à diplomacia da saúde e à cooperação estruturante com Portugal e com os países da CPLP, e outro instalado nas instalações da ApexBrasil, também na capital portuguesa, orientado para ciência, inovação, tecnologia e ligação ao setor empresarial.
“Na Embaixada brasileira teremos uma atividade importante de diplomacia da saúde. A Fiocruz aqui é também representante do Governo brasileiro fazendo diplomacia da saúde. Já neste espaço da ApexBrasil queremos inserir-nos nos sistemas de saúde mais avançados, desenvolver inovação, aproximar-nos da indústria portuguesa e ampliar as nossas capacidades de cooperação científica e tecnológica”, concluiu.
ApexBrasil sublinha desenvolvimento económico com a instalação da Fiocruz em Portugal
Na visão do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a instalação da Fiocruz em Lisboa é parte da estratégia do Governo brasileiro para reforçar a presença institucional do Brasil em Portugal e aproximar empresas, ciência, tecnologia e inovação dos mercados europeus.
“O presidente Lula, em 2023, trabalhou a ideia de termos um espaço em Portugal, aqui em Lisboa, que reunisse o Brasil, que reunisse as entidades, que desse fôlego e que acelerasse essa relação estratégica de amigos, de parceria, de cooperação e de comércio também”, começou por explicar Müller, atestando que a Fiocruz foi uma das primeiras instituições a aderir ao projeto e representa hoje um elemento central na estratégia de internacionalização do complexo económico-industrial da saúde brasileiro.
O responsável salientou que, para a ApexBrasil, a presença da instituição em Portugal permitirá criar oportunidades de inovação, desenvolvimento tecnológico e cooperação internacional.
“Para a ApexBrasil, que é a agência que promove o Brasil no mundo, promove as empresas, o empreendedorismo brasileiro e atrai investimentos, é muito importante ter neste ambiente aqui em Portugal a Fiocruz, porque ela atrai, além das possibilidades de trabalharmos com o mercado europeu, principalmente parcerias de inovação, de tecnologia para desenvolver melhor os nossos sistemas de saúde e também cooperar com os sistemas de saúde de outros países, principalmente os países africanos, os países de língua portuguesa e conectar com todo o ambiente de inovação aqui na Europa”, frisou.
Laudemir Müller considerou ainda que a cooperação na área da saúde deve ser encarada também como um motor de desenvolvimento económico, defendendo que o reforço da inovação e da capacidade produtiva poderá aumentar a presença das empresas brasileiras no mercado europeu.
“A Europa importa mais ou menos 20 mil milhões de dólares desta área de medicamentos e fármacos. O Brasil exporta 472 milhões. Então, de 20 mil milhões, a gente exporta meio milhar de milhões. Meio milhar de milhões é bastante coisa, mas olha o quanto que a gente tem para crescer”, enfatizou.
Na sua perspetiva, esta estratégia permitirá reforçar a cooperação científica, o desenvolvimento tecnológico e a internacionalização das empresas brasileiras.
“Estamos falando de saúde, estamos falando de cooperação, estamos falando de tecnologia, estamos falando de ciência e estamos falando de emprego, exportação e desenvolvimento também. É disso que estamos falando, e isso a gente tem que fazer juntos, porque esse é um tema que não é nacional, é um tema cada vez mais global”, argumentou.
Presidente da Funcex reforça apoio da entidade à internacionalização brasileira
Por fim, o presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), presente em Portugal através da Funcex Europa, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, enquadrou a instalação do primeiro escritório europeu da Fiocruz como mais um passo na internacionalização das instituições brasileiras, explicando que a própria Funcex adaptou recentemente a sua missão para acompanhar este tipo de processos através do apoio à Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) do Brasil, entidade que presta suporte à Fiocruz no campo do apoio técnico e operacional às atividades da entidade.
“Estamos dando suporte à internacionalização e, por consequência, a Fiotec faz o mesmo com a Fiocruz. É uma extensão. É isso que nós ampliamos no Estatuto da Fundação”, explicou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, sublinhando que a Funcex “procura assumir um papel de suporte institucional”, privilegiando o “fortalecimento das entidades parceiras em vez do protagonismo próprio”.
“A Fundação não se propõe a ser protagonista. Desde que nasceu, através do seu estatuto, presta serviço, é suporte de ações”, disse, acrescentando que “as nossas excelências se dão pelas excelências dos nossos parceiros”.
Antonio Carlos da Silveira Pinheiro recordou também que a própria criação da ApexBrasil nasceu de um estudo desenvolvido pela Funcex em 1997, considerando particularmente simbólico que a fundação que hoje lidera acompanhe agora a expansão internacional de várias instituições brasileiras reunidas em Lisboa.
Na sua perspetiva, a presença permanente da Fiocruz em Portugal representa uma “oportunidade” para aprofundar a cooperação científica, tecnológica e institucional entre Brasil e Portugal, permitindo reforçar a ligação ao espaço europeu e aos países lusófonos.
“Não podemos ter nenhuma ação excludente ou nenhuma ação onde a gente não perceba que ela é menos ou mais importante”, defendeu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, considerando que “todas as ações que levam a um resultado positivo devem ser postas na mesa, devem ser trabalhadas e devem ser, principalmente, concluídas”.
A instalação do escritório da Fiocruz em Lisboa simboliza, assim, mais do que a abertura de uma representação internacional. Constitui um novo instrumento de cooperação permanente entre Portugal e Brasil, aproximando governos, universidades, centros de investigação, empresas e organismos reguladores num momento em que a inovação, a soberania tecnológica e o reforço dos sistemas públicos de saúde assumem uma importância crescente no contexto internacional.
Ígor Lopes
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