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Cheias no Nepal provocam centenas de mortos e deixam portugueses entre as vítimas e desaparecidos

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Uma cidadã portuguesa morreu e um segundo cidadão nacional português, do sexo masculino, continua desaparecido na sequência da enxurrada que atingiu na quarta-feira, 26 de agosto, o norte do Nepal, junto à fronteira com o Tibete, numa catástrofe que já provocou pelo menos 292 mortos nos dois lados da fronteira e deixou mais de 1.300 pessoas por localizar.

A situação dos portugueses foi sendo atualizada ao longo das últimas horas. Inicialmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português confirmou uma cidadã portuguesa entre os desaparecidos. A mulher encontrava-se integrada num grupo junto ao posto fronteiriço do lado nepalês quando a massa de água, lama e detritos atingiu a região. A portuguesa foi posteriormente encontrada sem vida, informação avançada pela RTP.

Mais tarde, o MNE confirmou um segundo cidadão português desaparecido, desta vez um homem. A diplomacia portuguesa indicou que acompanha a situação e mantém contactos relacionados com as operações em curso. Até à atualização disponível esta quinta-feira, 27 de agosto, não tinha sido divulgada informação sobre a localização deste cidadão.

Há, contudo, outros cidadãos portugueses no Nepal que se encontram em segurança. Um grupo de 16 portugueses, acompanhado pelo operador turístico Nélson Vieira, encontrava-se na quarta-feira na cidade de Gorkha, a cerca de 350 quilómetros da zona diretamente atingida. Segundo declarações prestadas à RTP, os viajantes estavam bem e em segurança e tinham previsto prosseguir a viagem, realizando de avião o último percurso até Katmandu. A maioria dos elementos deste grupo é, segundo fontes, da Gafanha da Nazaré, no concelho de Ílhavo.

O Governo português já transmitiu solidariedade às autoridades e à população do Nepal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros manifestou apoio às famílias afetadas e às equipas envolvidas nas operações de busca e salvamento, numa altura em que a dimensão da catástrofe continua a ser apurada.

O balanço de vítimas sofreu sucessivas revisões desde quarta-feira. Na atualização divulgada esta quinta-feira, a polícia nepalesa elevou para 289 o número de mortos no Nepal. As autoridades chinesas contabilizam, por sua vez, três mortos no Tibete, colocando em pelo menos 292 o número de vítimas mortais nos dois lados da fronteira.

No Nepal, pelo menos 826 pessoas permanecem por localizar, segundo os números da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes. No Tibete, as autoridades chinesas elevaram para 558 o número de desaparecidos, entre os quais 260 estrangeiros. Considerados os dados divulgados pelos dois países, mais de 1.300 pessoas continuam desaparecidas na região atingida.

A dimensão internacional da tragédia tornou-se também mais clara à medida que as autoridades atualizaram as listas de pessoas incontactáveis. O Nepal Tourism Board contabilizou 644 turistas desaparecidos no lado nepalês, dos quais 517 são estrangeiros e 127 nepaleses. Entre os estrangeiros encontram-se cidadãos de mais de 30 países. A Índia apresenta o maior número de turistas desaparecidos, seguida pelos Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá. Portugal consta igualmente da relação de nacionalidades afetadas.

As operações de busca e salvamento prosseguem por terra e pelo ar, com recurso a forças policiais, militares, helicópteros e outros meios de emergência. As autoridades nepalesas indicaram, entretanto, que 445 pessoas foram resgatadas com vida nas últimas horas, entre as quais 27 estrangeiros, enquanto as equipas continuam a percorrer áreas junto aos rios e localidades atingidas.

A enxurrada entrou no Nepal a partir da região tibetana e atingiu o sistema do rio Bhotekoshi, avançando depois para os rios Trishuli e Narayani. Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, no distrito de Rasuwa, ficaram entre as localidades diretamente afetadas, mas os efeitos da massa de água e detritos prolongaram-se por vários distritos a jusante.

Uma avaliação técnica do Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal indica que as autoridades receberam, pelas 09h05 locais de quarta-feira, informação de que uma cheia de grandes dimensões tinha entrado no Bhotekoshi proveniente do Tibete. Cerca de dez minutos depois começaram a ser enviados alertas para populações instaladas junto aos rios em Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan. Mais de 600 mil mensagens de aviso foram emitidas à medida que a onda avançava.

As causas exatas continuam sob análise. Os primeiros relatos referiram um possível sismo, mas avaliações posteriores apontam para um colapso de gelo e rocha numa zona glaciar, seguido pela formação e rutura de uma barreira temporária de detritos que terá libertado uma grande quantidade de água para o sistema fluvial.

Imagens de satélite analisadas pelas autoridades indicam que uma avalanche de gelo e detritos terá bloqueado o curso de água cerca de 20 quilómetros acima da ponte de Miteri, formando temporariamente uma massa de água que acabou por romper a barreira. O Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal ressalva, contudo, que se trata ainda de uma avaliação preliminar e que a sequência completa do fenómeno permanece em investigação.

O evento sísmico inicialmente interpretado como um terramoto foi igualmente objeto de revisão. O Serviço Geológico dos Estados Unidos registou atividade sísmica na região, mas análises posteriores relacionaram o sinal com o colapso de uma grande massa de gelo, rocha e detritos, e não necessariamente com um sismo tectónico na origem da catástrofe.

A força da corrente destruiu habitações, estabelecimentos, pontes, estradas e instalações ligadas à produção hidroelétrica. As autoridades nepalesas contabilizaram danos em dezenas de pontes e em vários quilómetros de estradas. A ligação rodoviária entre Betrawati, em Nuwakot, e a passagem fronteiriça de Rasuwagadhi sofreu danos ao longo de cerca de 42 quilómetros, dificultando o acesso terrestre às áreas mais afetadas.

As dificuldades de comunicação, o terreno montanhoso e a destruição das vias continuam a condicionar as equipas de emergência. Hospitais em Katmandu receberam sobreviventes e familiares à procura de informações, enquanto as autoridades afixaram listas e fotografias para apoiar o processo de identificação das vítimas e de localização das pessoas dadas como desaparecidas.

A catástrofe ocorre numa região dos Himalaias particularmente exposta a deslizamentos, cheias repentinas, avalanches e fenómenos associados a lagos glaciares. Em julho de 2025, a mesma área do rio Lhende, próximo da fronteira entre o Nepal e a China, já tinha sido atingida por uma cheia associada à rutura de um lago glaciar.

Enquanto prossegue a identificação das vítimas e a procura dos desaparecidos, as autoridades alertam que os números continuam provisórios e sujeitos a alterações frequentes. Para Portugal, a prioridade mantém-se no acompanhamento do cidadão português que permanece desaparecido e no apoio relacionado com a vítima mortal e os restantes nacionais que se encontram no Nepal.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, indicou que os cidadãos portugueses que se encontrem no Nepal, bem como familiares que necessitem de informações ou apoio relacionado com a catástrofe, devem contactar o Gabinete de Emergência Consular do MNE, disponível 24 horas por dia. Os contactos são o telefone +351 217 929 714, o telemóvel de emergência +351 961 706 472 e o endereço eletrónico gec@mne.pt

O governante reforçou a importância de os portugueses afetados ou ainda não contactados pelas autoridades utilizarem estes canais para comunicar a sua situação e permitir o acompanhamento pelos serviços consulares portugueses. Os números constam igualmente dos canais oficiais do Governo português para assistência a cidadãos no estrangeiro.

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CCILB apresenta novas iniciativas para associados com foco na formação, inovação e oportunidades de negócio

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A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) está a desenvolver uma nova etapa da sua atividade institucional, com o lançamento de uma Universidade Corporativa, a criação de uma plataforma digital e o alargamento da programação de eventos empresariais. As iniciativas, apresentadas em outubro de 2026, integram a estratégia da instituição presidida por Otacílio Soares para “reforçar os serviços prestados aos associados e promover novas oportunidades de relacionamento e negócios entre Portugal e Brasil”.

A nova estrutura assenta em três áreas de intervenção: eventos, formação empresarial e marketplace. O objetivo é “aproximar os associados dos instrumentos de desenvolvimento profissional, facilitar contactos entre empresas e criar condições para que a rede da Câmara possa gerar novas parcerias comerciais e institucionais”.

Para o presidente da CCILB, Otacílio Soares, o desenvolvimento destas iniciativas representa uma “oportunidade para ampliar o papel da instituição junto da comunidade empresarial dos dois países”.

“A CCILB reúne uma rede extraordinária e queremos ampliar as oportunidades geradas a partir dela. As iniciativas aumentam o protagonismo dos nossos associados, fortalecem as conexões e ampliam a gama de benefícios para as empresas e associados da Câmara”, afirmou.

Uma das principais novidades é a criação da Universidade Corporativa da CCILB, concebida para “disponibilizar programas de formação destinados a empresários, gestores e dirigentes de organizações”. A iniciativa contempla conteúdos relacionados com liderança, gestão, cultura organizacional e sustentabilidade, procurando “responder às necessidades de desenvolvimento das empresas portuguesas e brasileiras”.

A estrutura contará com programas desenvolvidos pela Opera Education em parceria com a Câmara de Comércio. A direção da curadoria e da construção de parcerias com universidades e instituições de ensino está a cargo de Giovana Bratti, diretora da CCILB, que participa também na definição da nova estratégia institucional.

“A estrutura permite a expansão do potencial da Câmara de Comércio, cria valor para os associados enquanto a instituição se prepara para atrair novas empresas para uma comunidade internacional relevante, ativa e integrada. Na Universidade Corporativa, queremos facilitar o acesso e promover conhecimento relevante, aplicável e de alta qualidade”, explicou Giovana Bratti.

Formação de líderes e vagas patrocinadas

Para assinalar o lançamento da Universidade Corporativa, a CCILB e a Opera Education abriram candidaturas para uma nova edição do Programa Liderança de Alta Performance, com início previsto para 5 de novembro de 2026.

O programa, que dispõe de certificação internacional, contará com vagas patrocinadas destinadas a presidentes executivos e responsáveis de Recursos Humanos de médias e grandes organizações. A participação será gratuita para os candidatos selecionados, estando sujeita a um processo de avaliação e ao número limitado de lugares disponíveis.

A iniciativa pretende proporcionar aos dirigentes empresariais contacto com metodologias de gestão e liderança, permitindo-lhes avaliar a aplicação dessas práticas nas respetivas organizações. Segundo informação dos promotores, o programa apresenta um indicador de satisfação NPS de 98.

A edição contará ainda com a participação de Carlos Gonçalves, CEO da Casa Mendes Gonçalves, e de Charles Tokarski, CEO do Grupo Roval, em conversas conduzidas por Giovana Bratti, autora do livro “Open Leaders”. Os encontros permitirão partilhar experiências sobre modelos de gestão, desafios organizacionais e desenvolvimento de equipas.

O programa decorrerá em formato de imersão online, reunindo executivos de organizações portuguesas e brasileiras para analisar o papel da liderança num contexto de transformação empresarial.

A CCILB apresenta também experiências de empresas que já adotaram os modelos abordados na formação. Entre os exemplos está o Grupo Roval, presidido por Charles Tokarski, que promoveu recentemente a atualização de conhecimentos de aproximadamente 120 líderes da sua rede.

A empresa participou ainda em iniciativas relacionadas com a integração da sustentabilidade na cultura organizacional, incluindo o programa Cultura Estratégica de Sustentabilidade, desenvolvido em parceria entre a CCILB, a Opera Education e a Casa Mendes Gonçalves.

“A adoção desse modelo fortaleceu a nossa cultura e contribuiu para a construção de uma rede mais saudável, alinhada e orientada a resultados”, sublinhou Charles Tokarski.

Plataforma digital para aproximar empresas e associados

Outra área da estratégia institucional é a criação de uma plataforma digital destinada a centralizar serviços e facilitar a comunicação entre os membros da CCILB. O projeto conta com o patrocínio do Grupo Edesoft e tem a participação de Manoel Edésio, responsável pelo desenvolvimento da estrutura de benefícios e relacionamento com os associados.

A plataforma integrará um marketplace empresarial, concebido para apresentar produtos e serviços das empresas associadas. A ferramenta permitirá “identificar fornecedores, potenciais parceiros e oportunidades comerciais dentro da rede da Câmara de Comércio, procurando transformar os contactos institucionais em relações de negócio”.

Segundo Manoel Edésio, sócio da Edesoft, a iniciativa pretende aumentar a proximidade entre a instituição e os seus membros.

“A nova plataforma aproxima o associado da Câmara e dos demais membros da nossa comunidade. Queremos que ela seja um ambiente vivo, que facilite conexões, dê visibilidade às empresas e transforme a dimensão da nossa rede em oportunidades diversas para os associados”, declarou.

A digitalização dos serviços permitirá ainda apoiar as restantes áreas de atividade da CCILB, incluindo a divulgação de eventos, a formação empresarial e a apresentação de iniciativas dirigidas à comunidade luso-brasileira.

Eventos empresariais e aproximação entre gerações

A programação de eventos constitui a terceira área de intervenção da nova estratégia. A CCILB pretende ampliar os encontros empresariais, fóruns e iniciativas de relacionamento profissional, incluindo atividades dirigidas às mulheres, às famílias e aos jovens.

Entre os projetos em desenvolvimento destaca-se o Comité Jovem, criado para aproximar da Câmara pessoas entre os 16 e os 25 anos e promover o contacto com empresários, gestores e profissionais com experiência nas relações económicas entre Portugal e Brasil.

A proposta prevê a participação dos próprios jovens na escolha dos temas e formatos das iniciativas, procurando criar oportunidades de aprendizagem, relacionamento e integração na comunidade empresarial.

Esta orientação pretende alargar a atuação da CCILB para além das relações comerciais entre empresas, promovendo também o contacto entre diferentes gerações e a participação de familiares dos associados em atividades institucionais.

A aproximação entre jovens e dirigentes empresariais integra uma estratégia de continuidade das relações luso-brasileiras, através da partilha de experiências e da criação de contactos que poderão contribuir para futuros projetos profissionais e empresariais.

CCILB procura ampliar benefícios e participação dos associados

Com a implementação destas iniciativas, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira procura reforçar a sua atuação como entidade de ligação entre os meios empresariais de Portugal e do Brasil.

A combinação de formação executiva, ferramentas digitais e encontros presenciais pretende proporcionar aos associados diferentes formas de acesso ao conhecimento, à cooperação institucional e às oportunidades comerciais.

A Universidade Corporativa permitirá desenvolver competências de gestão e liderança, enquanto o marketplace deverá facilitar a identificação de empresas e serviços dentro da rede. A programação de eventos continuará a promover contactos entre empresários e profissionais, incluindo novas iniciativas de participação das gerações mais jovens.

As candidaturas para a edição do Programa Liderança de Alta Performance, com início a 5 de novembro, encontram-se abertas através da plataforma da Opera Education, no endereço: https://www.opera-education.com/lideranca-de-alta-performance-decisores/

Ígor Lopes

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Eduarda M. Pereira e Ana Isabel Freitas promovem encontro dedicado à identidade feminina

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O “The Astoria”, em Vila Nova de Gaia, no Norte de Portugal, recebe esta sexta-feira, 30 de outubro, a partir das 19h, o evento “Indomável”, uma iniciativa dirigida exclusivamente a mulheres, concebida e idealizada pela empreendedora e mentora Eduarda M. Pereira e por Ana Isabel Freitas, decoradora e responsável pelo espaço. A proposta combina jantar, música, decoração temática e convívio, com o objetivo de “criar um espaço onde as participantes possam explorar diferentes formas de expressão pessoal, sem a pressão das expetativas sociais”.

Inspirado na proximidade do Halloween, o encontro pretende ir além do formato de uma festa temática. As participantes poderão optar por fantasias ou vestuário preto ou vermelho, com possibilidade de utilizar máscaras e brilhos. A organização apresenta a iniciativa como uma oportunidade para questionar convenções, experimentar diferentes formas de apresentação pessoal e celebrar a identidade feminina.

A programação inclui jantar e festa com DJ. A componente visual será marcada por tons de vermelho, bordeaux, preto e dourado, com iluminação de velas, flores e elementos de inspiração gótica e romântica. A cenografia é desenvolvida com a participação de Ana Isabel Freitas, decoradora e responsável pelo espaço.

Uma das reesposáveis pelo projeto é Eduarda M. Pereira, cujo percurso profissional passou pela advocacia, pelo empreendedorismo e pela construção de independência financeira. Depois de alcançar objetivos que durante anos orientaram a sua vida, decidiu abandonar a carreira jurídica e iniciar um processo de transformação pessoal, centrado na “procura de uma identidade para além das conquistas profissionais e materiais”.

Atualmente, dedica-se à criação de experiências, palestras e conversas dirigidas a mulheres, abordando temas como identidade, liberdade de escolha, desenvolvimento pessoal e superação de expectativas sociais. A sua visão é sintetizada numa mensagem que acompanha o trabalho que desenvolve.

“Não te ensino a ser outra mulher. Ajudo-te a ter coragem para seres quem és”, afirma.

Também à frente do evento, Ana Isabel Freitas iniciou o seu percurso profissional na fotografia, área a que se dedicou durante 12 anos, com especial enfoque nos casamentos de luxo. O contacto com o universo dos eventos levou-a a desenvolver a marca “Histórias com Alma”, um projeto dedicado à conceção de experiências personalizadas, que integra decoração, cenografia, design de papelaria, arranjos florais e organização de espaços. Atualmente, a sua atividade estende-se à criação de encontros dirigidos ao público feminino, através de iniciativas como “Mulheres que Dançam” e “Indomável”, que procuram proporcionar momentos de convívio, expressão individual e liberdade. O seu trabalho assenta na valorização da identidade de cada evento e na criação de ambientes que promovam a ligação entre os participantes.

Para as organizadoras, o encontro está associado à necessidade de proporcionar momentos em que as mulheres possam afastar-se das exigências do quotidiano e refletir sobre as suas próprias escolhas, dando espaço à transformação pessoal, que “começa quando se questionam certezas e se reconhece a possibilidade de construir uma vida mais próxima dos próprios valores”.

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Conhecido por promover a circulação da literatura em língua portuguesa na Europa, Roberto Parmeggiani participa no 6.º “Flitabira”

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Escritor, poeta, educador, editor e prefeito da cidade italiana de Sasso Marconi, Roberto Parmeggiani é um dos convidados internacionais do 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, que acontece de 29 de outubro a 1º de novembro. Nascido em Bolonha, na Itália, em 1976, Parmeggiani construiu uma trajetória singular, marcada por sua relação com o Brasil, onde viveu durante dois anos e aprendeu o português, língua em que também escreve seus livros. No sábado, 31 de outubro, às 15h, ele participa na mesa “Outras Habilidades”, com mediação de Carlos Vinícius, para “discutir as diferenças humanas e os padrões que determinam o que a sociedade considera normal”.

Formado em Ciências da Educação pela Universidade de Bolonha, Parmeggiani trabalhou como voluntário na periferia de São Bernardo do Campo, em São Paulo. A experiência brasileira foi decisiva para sua formação pessoal e literária. O português tornou-se também sua língua de criação, e o contato com o país estabeleceu uma relação que permanece presente em sua atuação como escritor e editor.

Entre as suas obras publicadas no Brasil estão “A lição das árvores”, “A avó adormecida”, “O mundo de Arturo”, “Felicidade submersa” e “Desabilidade”. Os seus livros circulam entre a literatura infantil, a poesia e a reflexão sobre as relações humanas, abordando questões como envelhecimento, convivência, educação e as diferentes maneiras de perceber o mundo.

É em “Desabilidade”, publicado pela Editora Nós, que Parmeggiani desenvolve uma das ideias centrais de seu pensamento. Em vez de considerar a deficiência apenas uma condição individual, o escritor questiona a dificuldade da própria sociedade em reconhecer e acolher as diferenças. A provocação desloca o olhar: até que ponto a deficiência não está também na incapacidade de compreender o outro? O livro propõe uma crítica aos padrões de normalidade e às formas de exclusão que continuam presentes nas relações sociais.

Essa reflexão nasce da sua experiência na educação inclusiva. Ao longo da carreira, Parmeggiani trabalhou com crianças, professores e projetos voltados à participação de pessoas com deficiência na vida cultural e educacional. A sua literatura não se limita a apresentar personagens diferentes, mas procura questionar os critérios pelos quais determinadas maneiras de viver são consideradas legítimas e outras, inadequadas.

Um escritor entre o Brasil e a Itália

A ligação com o Brasil ganhou uma nova dimensão em 2024, quando Parmeggiani fundou, em parceria com a editora brasileira Simone Paulino, a Edizioni Noi, projeto editorial dedicado à publicação e à circulação da literatura brasileira e de língua portuguesa na Itália. A iniciativa amplia o acesso dos leitores italianos à produção literária contemporânea brasileira e estabelece uma ponte entre os mercados editoriais dos dois países.

A sua trajetória literária também recebeu reconhecimentos importantes. “A avó adormecida” foi contemplado com o Prémio Anna Osti, em 2013, e “A lição das árvores” foi selecionado pela revista “Crescer” entre os 30 melhores livros infantis de 2014. Parmeggiani já participou em importantes encontros literários brasileiros, entre eles a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o Fliaraxá e o Fliparacatu.

Além da atuação literária, Parmeggiani desenvolveu uma carreira na administração pública italiana. Eleito prefeito de Sasso Marconi, município da região de Bolonha, em 2019, foi reeleito em 2024. A sua experiência na gestão pública acrescenta outra dimensão às questões que atravessam os seus livros, especialmente no que diz respeito à “educação, à convivência social e aos direitos das pessoas com deficiência”.

Segundo apurámos, no Flitabira, o encontro “Outras Habilidades” parte justamente dessa trajetória para discutir os limites da normalidade. O que significa ser diferente? Quem estabelece os padrões pelos quais julgamos as capacidades humanas? Como a literatura pode contribuir para uma sociedade que reconheça as singularidades sem transformá-las em motivo de exclusão?

A conversa também estabelece uma relação com o tema central do Festival. Em “Claro Enigma”, Drummond apresenta, no poema “A Máquina do Mundo”, a possibilidade de uma explicação total da existência. A obra de Parmeggiani, por outro caminho, questiona as explicações que pretendem “reduzir a diversidade humana a modelos únicos de comportamento e capacidade”.

De acordo com a organização do festival, a sua participação no 6º “Flitabira” traz ao público brasileiro a “experiência de um autor que transita entre duas línguas e duas culturas, e que encontrou na literatura uma maneira de interrogar nossas certezas sobre o mundo e sobre aqueles que o habitam”.

A Vale apresenta o 6º “Flitabira”, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú.

Sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, o Festival celebra os 75 anos de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade. Toda a programação é gratuita, com transmissão ao vivo pelo YouTube @flitabira e recursos de acessibilidade.

Ígor Lopes

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