Connect with us

Atualidade

FUNCEX passa a “Observador Consultivo” da CPLP

Publicado

on

A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (FUNCEX), com sede no Rio de Janeiro, Brasil, passou a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na categoria de “Observador Consultivo”, após decisão aprovada pelo Conselho de Ministros da organização durante a XXXI Reunião Ordinária, realizada no dia 19 de agosto, em Díli, Timor-Leste. Na resolução oficial, a instituição surge com a designação Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, nome que esteve na origem da atual FUNCEX, entretanto alterado para corresponder às atuais atividades lideradas pela fundação em nível global. A decisão inclui a fundação brasileira entre 14 entidades de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Timor-Leste que receberam o estatuto.

A entrada da FUNCEX no quadro de “Observadores Consultivos” cria um canal institucional para a fundação no espaço lusófono, em um momento em que a organização brasileira tem ampliado a atuação internacional por meio da FUNCEX Europa, em Portugal, e da FUNCEX Mercosul, desde o Uruguai. A estrutura posiciona a instituição em um eixo que envolve Brasil, Mercosul, União Europeia, países africanos de língua portuguesa e outros mercados ligados à CPLP. A fundação completa, em 2026, 50 anos de atividade.

Para o presidente da FUNCEX, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, a presença no espaço lusófono insere-se no processo de internacionalização desenvolvido pela instituição. Ao abordar a estratégia da fundação para a CPLP, o responsável afirmou que “a criação da FUNCEX Europa abriu um eixo estruturante de articulação com países lusófonos”. Na mesma linha, definiu como objetivo “posicionar a Fundação como ponte técnica entre América do Sul, África lusófona e União Europeia”.

A atribuição da categoria de “Observador Consultivo” reforça, neste contexto, uma relação que vinha sendo construída pela FUNCEX com instituições e mercados de língua portuguesa. A fundação mantém presença em Portugal desde 2022, por meio da FUNCEX Europa, e tem desenvolvido iniciativas direcionadas à aproximação entre empresas, governos e instituições. Antonio Carlos da Silveira Pinheiro já havia assinalado que Portugal pode atuar como porta de entrada de empresas brasileiras no mercado europeu, mantendo simultaneamente ligações com o Brasil, o Mercosul e os países da CPLP.

A estratégia ganha também dimensão econômica diante da aproximação entre o Mercosul e a União Europeia. A FUNCEX tem associado a sua atuação em Portugal à preparação de empresas e instituições para novas condições de comércio e investimento, incluindo exigências regulatórias, regras de origem, sustentabilidade e padrões técnicos. A fundação defende uma atuação articulada entre a sua estrutura no Brasil, a FUNCEX Europa e a FUNCEX Mercosul, procurando estabelecer conexões entre a América do Sul, o mercado europeu e o espaço de língua portuguesa, além de reforçar o seu papel no ramo da internacionalização, tendo ainda anunciado, nas últimas semanas, aposta no campo da Inteligência Artificial em prol da melhor compreensão do ambiente do mercado externo, com foco nas empresas brasileiras que desejam exportar.

Esta aproximação à CPLP por parte da FUNCEX não começou com a decisão de Díli. Em declarações anteriores sobre a expansão internacional da fundação, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro já apontava para uma atuação conjunta com a Comunidade, associando a presença europeia da FUNCEX às relações entre União Europeia e Mercosul e à cooperação com os países lusófonos. A fundação tem igualmente participado de iniciativas institucionais relacionadas com a Confederação Empresarial da CPLP e com entidades portuguesas ligadas ao financiamento, investimento e internacionalização empresarial.

A categoria de “Observador Consultivo” constitui um dos mecanismos utilizados pela CPLP para integrar organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas, entidades empresariais e organismos especializados na atividade da Comunidade. O modelo permite aprofundar a cooperação por meio das estruturas e comissões temáticas existentes, que abrangem áreas como economia, empresariado e investimento, educação, ciência e tecnologia, meio ambiente, energia, assuntos do mar, infraestruturas, administração e políticas públicas. A própria CPLP considera essas entidades instrumentos de participação da sociedade civil na dinâmica da organização.

Além da FUNCEX, receberam a categoria de “Observador Consultivo” a Associação das Comunidades Luso-Asiáticas, APCA, de Timor-Leste; a Associação Internacional das Comunidades de Língua Portuguesa, CLPI, a Confederação do Desporto de Portugal, o Panathlon Clube de Lisboa e a Universidade de Lisboa/Colégio Tropical, de Portugal; a Associação de Educação de Jovens e Adultos de Nampula, ASEJANA, e o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique; e, por Angola, a Associação de Mulheres Marítimas e Portuárias e Actividades Conexas de Angola, AMMPACA-WIMANGOLA, e o Fórum Empresarial dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, FE-PALOP.

Do Brasil, além da FUNCEX, receberam o estatuto o Centro de Educação Ambiental e Preservação do Património da Universidade Federal do Paraná, o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo, FOAESP, o Fundo Brasileiro de Educação Ambiental, FunBEA, e o Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Socioambiental. A resolução oficial contabiliza, assim, cinco entidades brasileiras entre as 14 admitidas nesta reunião. Um momento acompanhado de perto pelo Embaixador Juliano Nascimento, representante permanente do Brasil junto à CPLP.

A decisão foi tomada durante a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada sob a presidência de Bendito dos Santos Freitas, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste. Participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores, ou os respectivos representantes, de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, além da secretária-executiva da CPLP, embaixadora Maria de Fátima Jardim.

Novas resoluções

A reunião de Díli teve uma agenda que ultrapassou a entrada dos novos “Observadores Consultivos”. Os ministros analisaram e aprovaram documentos relacionados com a implementação do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros, o balanço da Visão Estratégica da CPLP 2016-2026 e a preparação da estratégia para 2027-2033, a situação na Guiné-Bissau, a aplicação da Convenção Multilateral de Segurança Social, a operacionalização da Década da Juventude da CPLP 2026-2036 e o reforço da resposta a desastres climáticos.

Foram ainda tratadas resoluções relacionadas com saúde pública, por meio do Programa Frátria, com o Programa CPLP Audiovisual, a Rede de Arquivos Nacionais, a criação de uma rede sobre alimentação, nutrição e saúde escolar e a elaboração da Agenda Estratégica para a Consolidação da Cooperação Econômica na CPLP para o período de 2028 a 2032. O Conselho analisou igualmente matérias orçamentárias e de auditoria referentes ao Secretariado Executivo e ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Foram aprovadas ainda a Declaração sobre os 30 anos da constituição da CPLP e a declaração sobre a consolidação do Estado de Direito Democrático e os desafios da Comunidade.

Para a FUNCEX, a nova condição institucional insere a fundação diretamente em uma “plataforma multilateral que reúne países distribuídos por quatro continentes e onde a cooperação econômica passou a assumir uma presença crescente na agenda”.

“A fundação chega a este espaço com estruturas no Brasil, na Europa e no Mercosul e com uma estratégia direcionada para internacionalização, inteligência de comércio exterior, formação e aproximação institucional e empresarial. O estatuto aprovado em Díli cria, desta forma, uma ligação formal entre a experiência acumulada pela FUNCEX no comércio exterior brasileiro e a agenda de cooperação da CPLP. Num cenário marcado pelas relações entre Mercosul e União Europeia e pela procura de novas ligações econômicas com África e o espaço lusófono, a fundação passa a integrar a rede de entidades chamadas a contribuir para projetos e iniciativas da Comunidade. Como tenho defendido, a atuação deverá manter-se ligada ao Brasil, a Portugal, ao Mercosul e aos países da CPLP, procurando transformar cooperação institucional em projetos e resultados”, disse à nossa reportagem o presidente da FUNCEX, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.

O evento contou ainda com a presença do primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão; de Maria de Fátima Jardim, secretária-executiva da CPLP; do ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional de Cabo Verde, Manuel Augusto Lima Amante da Rosa, e de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, entre outras autoridades.

Ígor Lopes

Atualidade

Conhecido por promover a circulação da literatura em língua portuguesa na Europa, Roberto Parmeggiani participa no 6.º “Flitabira”

Publicado

on

Escritor, poeta, educador, editor e prefeito da cidade italiana de Sasso Marconi, Roberto Parmeggiani é um dos convidados internacionais do 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, que acontece de 29 de outubro a 1º de novembro. Nascido em Bolonha, na Itália, em 1976, Parmeggiani construiu uma trajetória singular, marcada por sua relação com o Brasil, onde viveu durante dois anos e aprendeu o português, língua em que também escreve seus livros. No sábado, 31 de outubro, às 15h, ele participa na mesa “Outras Habilidades”, com mediação de Carlos Vinícius, para “discutir as diferenças humanas e os padrões que determinam o que a sociedade considera normal”.

Formado em Ciências da Educação pela Universidade de Bolonha, Parmeggiani trabalhou como voluntário na periferia de São Bernardo do Campo, em São Paulo. A experiência brasileira foi decisiva para sua formação pessoal e literária. O português tornou-se também sua língua de criação, e o contato com o país estabeleceu uma relação que permanece presente em sua atuação como escritor e editor.

Entre as suas obras publicadas no Brasil estão “A lição das árvores”, “A avó adormecida”, “O mundo de Arturo”, “Felicidade submersa” e “Desabilidade”. Os seus livros circulam entre a literatura infantil, a poesia e a reflexão sobre as relações humanas, abordando questões como envelhecimento, convivência, educação e as diferentes maneiras de perceber o mundo.

É em “Desabilidade”, publicado pela Editora Nós, que Parmeggiani desenvolve uma das ideias centrais de seu pensamento. Em vez de considerar a deficiência apenas uma condição individual, o escritor questiona a dificuldade da própria sociedade em reconhecer e acolher as diferenças. A provocação desloca o olhar: até que ponto a deficiência não está também na incapacidade de compreender o outro? O livro propõe uma crítica aos padrões de normalidade e às formas de exclusão que continuam presentes nas relações sociais.

Essa reflexão nasce da sua experiência na educação inclusiva. Ao longo da carreira, Parmeggiani trabalhou com crianças, professores e projetos voltados à participação de pessoas com deficiência na vida cultural e educacional. A sua literatura não se limita a apresentar personagens diferentes, mas procura questionar os critérios pelos quais determinadas maneiras de viver são consideradas legítimas e outras, inadequadas.

Um escritor entre o Brasil e a Itália

A ligação com o Brasil ganhou uma nova dimensão em 2024, quando Parmeggiani fundou, em parceria com a editora brasileira Simone Paulino, a Edizioni Noi, projeto editorial dedicado à publicação e à circulação da literatura brasileira e de língua portuguesa na Itália. A iniciativa amplia o acesso dos leitores italianos à produção literária contemporânea brasileira e estabelece uma ponte entre os mercados editoriais dos dois países.

A sua trajetória literária também recebeu reconhecimentos importantes. “A avó adormecida” foi contemplado com o Prémio Anna Osti, em 2013, e “A lição das árvores” foi selecionado pela revista “Crescer” entre os 30 melhores livros infantis de 2014. Parmeggiani já participou em importantes encontros literários brasileiros, entre eles a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o Fliaraxá e o Fliparacatu.

Além da atuação literária, Parmeggiani desenvolveu uma carreira na administração pública italiana. Eleito prefeito de Sasso Marconi, município da região de Bolonha, em 2019, foi reeleito em 2024. A sua experiência na gestão pública acrescenta outra dimensão às questões que atravessam os seus livros, especialmente no que diz respeito à “educação, à convivência social e aos direitos das pessoas com deficiência”.

Segundo apurámos, no Flitabira, o encontro “Outras Habilidades” parte justamente dessa trajetória para discutir os limites da normalidade. O que significa ser diferente? Quem estabelece os padrões pelos quais julgamos as capacidades humanas? Como a literatura pode contribuir para uma sociedade que reconheça as singularidades sem transformá-las em motivo de exclusão?

A conversa também estabelece uma relação com o tema central do Festival. Em “Claro Enigma”, Drummond apresenta, no poema “A Máquina do Mundo”, a possibilidade de uma explicação total da existência. A obra de Parmeggiani, por outro caminho, questiona as explicações que pretendem “reduzir a diversidade humana a modelos únicos de comportamento e capacidade”.

De acordo com a organização do festival, a sua participação no 6º “Flitabira” traz ao público brasileiro a “experiência de um autor que transita entre duas línguas e duas culturas, e que encontrou na literatura uma maneira de interrogar nossas certezas sobre o mundo e sobre aqueles que o habitam”.

A Vale apresenta o 6º “Flitabira”, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú.

Sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, o Festival celebra os 75 anos de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade. Toda a programação é gratuita, com transmissão ao vivo pelo YouTube @flitabira e recursos de acessibilidade.

Ígor Lopes

Continuar a ler

Atualidade

Cientistas descobrem nova variante de proteína que pode ajudar a controlar o cancro e o envelhecimento celular

Publicado

on

Uma equipa de investigação, liderada pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) da Universidade de Coimbra (UC), identificou, pela primeira vez, uma nova variante da proteína p53, que tem um papel direto no controlo do envelhecimento celular e propriedades anticancerígenas. A descoberta abre novas portas para compreender como travar o envelhecimento celular e a multiplicação de células tumorais.

Em concreto, este estudo liderado pelo grupo de investigação Envelhecimento Molecular, Química do RNA e Oncogénese do MIA-Portugal, liderado por Marco Candeias, descobriu esta nova variante, chamada Delta246p53, e conseguiu mostrar, em ambiente de laboratório, que esta induz a senescência celular – o processo pelo qual as células deixam de se dividir – e inibe a formação de tumores em células.

Esta variante pode contribuir para os mecanismos de proteção do organismo, ajudando a impedir que células danificadas ou com potencial tumoral continuem a multiplicar-se. “A Delta246p53 controla várias vias que envolvem outras proteínas essenciais ao controlo da senescência, promovendo este processo e limitando a proliferação de células tumorais ou de células com danos”, explica o líder da investigação.

Sobre as oportunidades que esta descoberta pode trazer, Marco Candeias destaca que “se conseguirmos manter a expressão desta nova proteína restrita apenas às células em risco de transformação oncológica, poderemos perspetivar um possível prolongamento da esperança de vida, mantendo ou reforçando em simultâneo a defesa contra o cancro”.

Esta variante é uma nova proteína produzida a partir do gene TP53, um dos genes mais poderosos do genoma humano, frequentemente chamado “guardião do genoma”. Controla a divisão das células, repara o ADN quando este sofre mutações e promove a morte celular sempre que necessário. Uma alteração ou falha no seu funcionamento leva a alterações celulares significativas que podem resultar em envelhecimento precoce e aparecimento de cancro.

A nova variante do gene TP53 agora descoberta é, em comparação com outras proteínas já identificadas, uma proteína com funções mais específicas, uma “especialização” que pode abrir caminho a intervenções mais diretas para travar o envelhecimento e problemas oncológicos.

A investigação contou ainda com a participação da Universidade de Quioto (Japão), do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e da Universidade de Trento (Itália).

O artigo científico New Delta246p53 isoform responds to DNA damage to enhance p53 family functions in cellular senescence (Nova isoforma Delta246p53 responde a danos no ADN e potencia as funções da família p53 na senescência celular, em português), publicado na revista Cell Death Discovery, está disponível em www.nature.com/articles/s41420-026-03374-7.

Continuar a ler

Atualidade

Do património familiar ao empreendedorismo: Glamping Academy apresenta oportunidades à diáspora

Publicado

on

A “Glamping Academy”, iniciativa portuguesa dedicada à formação e ao empreendedorismo no turismo de natureza, pretende aproximar os portugueses residentes no estrangeiro das oportunidades de investimento em Portugal, particularmente através do “aproveitamento de terrenos, quintas e imóveis familiares”. O projeto, fundado pelo empresário luso Luís Almeida, procura apoiar quem pretende estudar a possibilidade de criar um alojamento turístico, seja como investimento, atividade empresarial ou parte de um plano de regresso ao país.

A proposta dirige-se a portugueses e luso-descendentes que vivem em países como França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Estados Unidos e Canadá, muitos dos quais mantêm propriedades ou ligações familiares às regiões de origem. A “Glamping Academy” considera que esse património poderá, em determinadas condições, “ser utilizado para desenvolver atividades ligadas ao turismo rural, permitindo conciliar a preservação de imóveis familiares com a criação de iniciativas económicas”.

O projeto surge num contexto de crescimento do turismo em espaço rural. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal e do Turismo de Portugal citados pela organização, o Turismo no Espaço Rural e o Turismo de Habitação receberam 1,5 milhões de hóspedes em 2025 e registaram 3,3 milhões de dormidas, aumentos de 6,7% e 6,9%, respetivamente, face ao ano anterior. As regiões Norte, Alentejo e Centro concentraram 65,1% das dormidas neste segmento.

O glamping, conceito que combina elementos do campismo com condições de conforto associadas ao alojamento turístico, é uma das modalidades apresentadas pela academia. As soluções podem incluir cabanas de madeira, tendas equipadas e pequenas unidades integradas na paisagem. A atividade procura responder à procura de experiências ligadas à natureza, à gastronomia regional e ao património dos territórios.

À frente da “Glamping Academy” está Luís Almeida, também responsável pela “Arrabia Guest Houses Glamping”, localizada na Raiva, no concelho de Castelo de Paiva. A partir da experiência na criação e gestão de alojamentos turísticos, o empresário desenvolveu uma plataforma de formação que reúne conteúdos e especialistas em áreas relacionadas com a instalação e exploração de empreendimentos turísticos.

A academia disponibiliza cursos online, ferramentas de planeamento e programas de formação sobre escolha de terrenos, licenciamento, financiamento, construção, marketing, gestão e rentabilidade. A possibilidade de acompanhar os conteúdos à distância constitui uma das características da iniciativa, permitindo que “interessados residentes no estrangeiro iniciem a avaliação de um projeto antes de regressarem a Portugal ou avançarem com um investimento”.

Um dos aspetos destacados pela organização é a necessidade de confirmar a viabilidade legal e técnica de cada propriedade. A existência de um terreno não significa, por si só, que seja permitida a instalação de unidades de glamping. A concretização de um empreendimento depende das disposições do Plano Diretor Municipal (PDM), de eventuais restrições da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN), bem como das condições de acesso e das exigências de licenciamento. Estas regras podem aplicar-se também a estruturas amovíveis, tendas e casas sobre rodas, dependendo das características do projeto e do enquadramento territorial.

Por esta razão, a “Glamping Academy” recomenda que os interessados “realizem estudos prévios de viabilidade, avaliem os custos e analisem a procura turística antes de assumirem compromissos financeiros”. A organização sublinha que “a atividade não representa uma garantia de rentabilidade e exige preparação empresarial”.

Além da formação digital, a iniciativa promove encontros presenciais denominados “Imersões Glamping Academy”, destinados a reunir empreendedores, potenciais investidores e profissionais de áreas como arquitetura, licenciamento, financiamento e exploração turística. A mais recente edição decorreu nos dias 2 e 3 de outubro de 2026, na “Arrabia Guest Houses Glamping”, em Castelo de Paiva.

Durante estes encontros, os participantes têm oportunidade de “conhecer experiências de gestão, esclarecer dúvidas e estabelecer contactos com profissionais do setor”. A academia pretende, ainda, “desenvolver uma comunidade de pessoas interessadas na criação de projetos turísticos, combinando a aprendizagem on-line com atividades presenciais.

Para os portugueses residentes no estrangeiro, a iniciativa apresenta-se como uma possibilidade de estudar o aproveitamento de património familiar sem necessidade de uma mudança imediata para Portugal. A análise de terrenos, a preparação de planos de negócio e o conhecimento das exigências legais podem ser realizados numa fase anterior à decisão de investir.

A “Glamping Academy” disponibiliza informações sobre os seus programas e atividades através do portal www.glamping-academy.info

Com esta iniciativa, Luís Almeida procura “colocar a formação e o planeamento ao serviço de portugueses e luso-descendentes interessados no turismo de natureza, apresentando alternativas de utilização de propriedades familiares e oportunidades de empreendedorismo nas regiões rurais portuguesas”.

Ígor Lopes

Continuar a ler

Mais lidas