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Sintra: “Ressuscitadas” vence Prémio Nacional Maria João Fontainhas

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“Ressuscitadas”, obra original de Miguel Falcão, venceu o Prémio Nacional das Artes de Espetáculo Maria João Fontainhas 2022, promovido pela Câmara Municipal de Sintra em parceria com o Chão de Oliva – Centro de Difusão Cultural em Sintra.

O texto dramatúrgico inédito de Miguel Falcão foi eleito por unanimidade e considerado pelo júri “um trabalho em termos dramáticos fantástico, muito bem elaborado, que prima pela originalidade e atualidade do tema da violência sobre as mulheres. É uma obra que honra na totalidade a memória da atriz Maria João Fontaínhas.”

O vencedor do prémio, é investigador do Centro de Estudos de Teatro, professor coordenador da Instituto Politécnico de Lisboa responsável pelo Domínio do Teatro, Mestrado em Educação Artística e pelas pós-graduações em Marionetas e Formas Animadas e em Animação de Histórias, e autor de diversas publicações.

O Prémio Nacional das Artes de Espetáculo Maria João Fontainhas, promovido pela autarquia, foi instituído para divulgar as artes do espetáculo em Portugal e contribuir para a renovação e o aparecimento de novos criadores. O galardão, bienal, destina-se a projetos inéditos de teatro, dança, marionetas, música ou transdisciplinares.

Com este prémio, a autarquia homenageia a atriz pela sua dedicação ao teatro no concelho de Sintra. Atriz e encenadora fundou a Companhia de Teatro de Sintra e trabalhou com conhecidos encenadores portugueses, entre eles Joaquim Benite e João Mota, e interpretou dramaturgias de diversos autores, de Gil Vicente a Dario Fo.

Ao vencedor deste prémio é atribuído o valor monetário de 5.000€ para divulgação e montagem da peça de teatro que deverá ser colocada em cena, no prazo de dois anos, pela Companhia de Teatro Chão de Oliva.

Foto: DR.

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Trabalho de Barcelos na área da saúde mental em destaque no Palácio das Nações

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O presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, acompanhado pelo vereador Filipe Pinheiro, participou hoje no encontro internacional «Advancing Mental Health and Well-being – From Global Commitments to Community Impact», realizado no Palácio das Nações, em Genebra (Suíça), a convite do Embaixador de Portugal junto das Nações Unidas, João Mira Gomes. A iniciativa, promovida em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi dedicada à promoção da saúde mental e do bem-estar, bem como à reflexão sobre a forma como os compromissos internacionais nesta área podem traduzir-se em ações concretas com impacto nas comunidades locais.

O evento reuniu representantes das Nações Unidas, da OMS, de diversos países bem como de outras organizações internacionais, proporcionando um espaço de partilha e cooperação tendo constituído uma oportunidade para projetar internacionalmente o trabalho desenvolvido em Barcelos no domínio da saúde mental.

Enquanto primeira Capital Mundial da Saúde Mental, no período 2023-2026, Barcelos tem vindo a afirmar o seu compromisso com a promoção do bem-estar e o desenvolvimento de respostas de proximidade. Na sua intervenção, Mário Constantino Lopes sublinhou que “não há saúde sem saúde mental”, defendendo o papel decisivo dos municípios na construção de respostas capazes de responder às necessidades das comunidades.

O presidente da Câmara destacou a criação, em Barcelos, da primeira Rede Municipal de Saúde Mental em Portugal, que integra 70 entidades, e o Plano de Ação desenvolvido em colaboração com instituições do concelho. Entre os projetos apresentados, destacou o Barcelos d’Abrigo, que já permitiu retirar 140 pessoas da rua; o VALIHUM+, dirigido ao apoio a pessoas com doença mental e às suas famílias; o Pró-Cuidador, dedicado ao apoio aos cuidadores; e a Sala Multissensorial da Escola Básica e Secundária de Vila Cova, que promove o bem-estar e apoia as necessidades das crianças e dos jovens.

Mário Constantino Lopes abordou ainda o compromisso de Barcelos com a criação e integração da Rede Europeia de Saúde Mental, que reúne 38 cidades, salientando a importância da partilha de boas-práticas, do desenvolvimento conjunto de políticas e da cooperação internacional. Como afirmou, “se os problemas da saúde mental não conhecem fronteiras, também as soluções não devem conhecer”.

O trabalho desenvolvido pelo Município assenta numa abordagem contínua e colaborativa, que envolve diferentes públicos e agentes locais, nacionais e internacionais, reforçando a importância da cooperação entre municípios, instituições e comunidades na promoção da saúde mental, da inclusão social e da qualidade de vida.

Como forma de agradecimento pelo convite, o presidente da Câmara Municipal de Barcelos ofereceu ao Embaixador João Mira Gomes um Galo de Barcelos, símbolo maior da cultura popular e da identidade do concelho, assinalando a participação institucional de Barcelos nesta iniciativa internacional.

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“O passado faz parte da nossa história, mas não precisa de determinar o nosso futuro”, afirma Eliane Alves na Suíça

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Eliane da Silva Alves, brasileira de 49 anos e residente na Suíça há 15 anos, esteve em Lausanne entre 25 e 27 de setembro para participar no “Conexão Global Suíça”. Cozinheira de formação e com experiência como aide en cuisine e responsável por equipas de limpeza, Eliane levou ao encontro uma nova dimensão do seu percurso: a de autora, escritora, palestrante e mentora, apresentando ao público uma trajetória construída entre trabalho, imigração, escrita e desenvolvimento pessoal.

Foi em 2025 que publicou o primeiro livro, “Superação”, lançado em maio pela Editora Legado, de Salvador, obra autobiográfica que marcou a entrada da autora no universo literário. Em Lausanne, Eliane apresentou também “Vida com Abundância” e partilhou reflexões sobre recomeço, identidade, fé, propósito e valorização da vida, num evento que reuniu escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas. Em entrevista à Agência Incomparáveis, Eliane sublinhou a sua presença na Suíça e reforçou o objetivo de levar os livros, as palestras e o movimento “O Renascer do Lótus com Propósito” a novos públicos e contextos internacionais.

Eliane, como começou o seu percurso pessoal e profissional até chegar à escrita? Que experiências da sua vida foram determinantes para assumir a literatura como uma forma de partilha, reflexão e transformação?

O meu percurso até chegar à escrita não começou no mundo literário. Na verdade, durante muitos anos, nunca imaginei que um dia me tornaria escritora. A minha trajetória começou muito cedo, marcada pela necessidade de lutar e trabalhar. Venho de uma família muito simples e conheci de perto a pobreza e as dificuldades. Por isso, aprendi desde cedo a procurar caminhos para mudar a minha realidade. Ao longo da minha vida profissional, trabalhei em diferentes áreas. Fui cozinheira, trabalhei na área da limpeza, inclusive em clínicas, cheguei a ser responsável por uma equipa e também tive experiências como empreendedora. Cada trabalho teve importância na construção da mulher que sou hoje, porque me ensinou responsabilidade, disciplina, coragem e, principalmente, a não desistir perante as dificuldades. Um dos momentos mais importantes da minha trajetória foi a decisão de sair do Brasil e vir para a Suíça. Deixar o meu país e, principalmente, ficar longe das minhas filhas foi uma decisão muito difícil. Vim à procura de trabalho e de melhores condições de vida, mas a imigração também me trouxe desafios, aprendizagens e uma grande transformação pessoal. A escrita surgiu muito mais tarde, quando comecei a perceber que havia uma história dentro de mim que precisava de ser contada. Durante muitos anos, tinha aprendido a trabalhar, a lutar e a sobreviver, mas ainda não tinha aprendido a colocar em palavras tudo aquilo que carregava. Quando comecei a escrever “Superação”, algo mudou. Percebi que a escrita não era apenas uma forma de registar a minha história. Estava também a ajudar-me a compreender a minha própria trajetória e a dar voz a experiências que permaneceram em silêncio durante muitos anos. Foi assim que nasceu a escritora. Não foi algo que planeei desde a infância. A escrita encontrou-me no momento em que eu estava preparada para transformar a minha história numa mensagem. Depois de “Superação”, compreendi que aquilo que vivi poderia ir além de mim. A escrita abriu caminho para uma nova etapa da minha vida, que hoje passa também pelas palestras e pela mentoria. As experiências mais determinantes foram precisamente aquelas que, durante muitos anos, tive dificuldade em compreender e expressar. A infância marcada pela pobreza, pela violência e pelo abuso, os desafios da vida adulta, a distância das minhas filhas quando vim para a Suíça, a imigração, os períodos de medo, depressão e crises de pânico fizeram com que acumulasse muitas perguntas e sentimentos ao longo da vida. Acredito que o ponto decisivo aconteceu quando percebi que já não queria apenas sobreviver à minha história. Precisava de compreendê-la, resinificá-la e descobrir quem poderia tornar-me depois de tudo o que tinha vivido. Foi nesse processo que a escrita ganhou um significado muito maior para mim. Quando comecei a escrever “Superação”, percebi que colocar as minhas experiências no papel permitia-me olhar para o passado de outra forma. Já não escrevia apenas sobre a dor. Refletia sobre aquilo que a dor me tinha ensinado, sobre as escolhas que fiz, sobre a minha fé e sobre a possibilidade de reconstrução. A partir daí, compreendi que a literatura poderia ser uma ponte entre a minha história e a história de outras pessoas. Aquilo que durante tantos anos foi silêncio passou a ser voz. E aquilo que um dia foi uma ferida pessoal começou a transformar-se numa mensagem capaz de gerar identificação, reflexão e esperança. Foi isso que me levou a assumir a literatura como parte da minha missão. Hoje, não escrevo apenas para contar o que vivi. Escrevo para transformar experiência em reflexão, dor em aprendizagem e palavras em possibilidades de recomeço. Quando um leitor se reconhece em alguma parte da minha história e percebe que também pode mudar a direção da própria vida, é nesse momento que a literatura, para mim, cumpre o seu verdadeiro papel de transformação.

Um dos seus livros tem como título “Superação”. Que história está por detrás desta obra, que episódios ou desafios pessoais estiveram na origem do livro e qual é a principal mensagem que pretende transmitir aos leitores?

“Superação” nasceu da minha própria história. É uma obra autobiográfica e, para compreender a origem deste livro, é preciso voltar à minha infância. Cresci numa realidade de muita pobreza, fome, medo e violência dentro de casa. O meu pai era alcoólico e presenciei muitas situações de violência contra a minha mãe. Ainda criança, vivi também uma das experiências mais dolorosas da minha história: fui vítima de abuso sexual cometido pelo meu próprio pai. Foram acontecimentos que deixaram marcas profundas e que, durante muitos anos, carreguei em silêncio. Na vida adulta, outros desafios se juntaram à minha história. Vivi uma relação marcada pela violência, enfrentei grandes dificuldades emocionais e precisei de tomar decisões muito dolorosas. Uma delas foi deixar as minhas filhas no Brasil e vir para a Suíça à procura de trabalho e de uma oportunidade de construir uma vida melhor para elas. A distância, a saudade e a responsabilidade de continuar, mesmo quando emocionalmente estava fragilizada, também fizeram parte desse processo. Durante muitos anos, fui uma mulher que, por fora, continuava a caminhar, a trabalhar e a lutar, mas, por dentro, ainda carregava muitas feridas. Cheguei a enfrentar períodos de depressão, medo e crises de pânico. Houve momentos em que simplesmente sobrevivia. Foi depois de tantos anos a guardar a minha história que nasceu a necessidade de escrever. Quando comecei a colocar no papel aquilo que tinha vivido, percebi que não estava apenas a escrever um livro. Estava finalmente a dar voz à menina e à mulher que permaneceram caladas durante tanto tempo. Por isso, “Superação” não nasceu de uma história que alguém me contou. Nasceu da história que vivi. Cada capítulo carrega uma parte da minha trajetória, desde a menina que conheceu muito cedo a dor e o medo até à mulher que decidiu enfrentar o passado, romper o silêncio e reconstruir a própria vida. Escrever “Superação” foi, para mim, transformar anos de silêncio em palavras e perceber que a minha história não precisava de terminar no lugar onde a dor tinha começado. A principal mensagem que quero transmitir com “Superação” é que a nossa história pode explicar muitas das nossas feridas, mas não precisa de determinar o nosso destino. Durante muitos anos, pensei que superar significava simplesmente continuar a viver apesar de tudo o que me tinha acontecido. Hoje compreendo que “Superação” é muito mais do que sobreviver. É ter coragem para olhar para a própria história, romper o silêncio, enfrentar os medos, procurar a cura e permitir-se recomeçar. Quero que cada pessoa que leia o meu livro compreenda que, por mais difícil que tenha sido o seu passado, ainda é possível escrever um novo capítulo. Não podemos mudar aquilo que aconteceu, mas podemos decidir o que faremos a partir daquilo que vivemos. Também quero mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Muitas vezes, passamos anos a tentar ser fortes sozinhos, quando o verdadeiro ato de coragem é reconhecer que precisamos de apoio para nos levantarmos. A minha fé em Deus ocupa igualmente um lugar fundamental nesta mensagem. Foi através da fé, das decisões que tomei e do processo de reconstrução da minha vida que comecei a compreender que as minhas feridas não precisavam de ser o fim da minha história. Por isso, quando alguém termina de ler “Superação”, gostaria que levasse consigo uma certeza: a dor pode fazer parte da sua história, mas não precisa de ter a palavra final. É possível levantar-se, reencontrar a própria voz e transformar aquilo que um dia nos feriu em força para construir uma nova história. Se a minha trajetória conseguir despertar esperança numa única pessoa e fazê-la acreditar novamente que também pode recomeçar, então “Superação” já cumpriu o seu propósito.

Em “Superação”, trabalha a ideia de que o passado não precisa de determinar aquilo que uma pessoa será no presente ou no futuro. Como foi transformar experiências pessoais, dificuldades e aprendizagens em literatura e o que espera provocar em quem se reconhece nessas páginas?

Sim. Em “Superação”, uma das ideias centrais é precisamente mostrar que o passado faz parte da nossa história, mas não precisa de determinar quem somos no presente nem quem nos tornaremos no futuro. Não posso mudar aquilo que vivi. Não posso apagar a pobreza, a violência, os abusos, os medos ou as perdas que fizeram parte da minha trajetória. Durante muito tempo, essas experiências influenciaram a forma como me via e como me posicionava perante a vida. Mas chegou um momento em que compreendi que, embora não pudesse mudar o meu passado, podia decidir o que faria com ele. Para mim, superar não significa esquecer ou fingir que nada aconteceu. Significa reconhecer a própria história sem permitir que ela continue a comandar a nossa vida. Foi quando comecei a olhar para o meu passado dessa maneira que percebi que não precisava de continuar a viver como vítima daquilo que me aconteceu. Poderia transformar as minhas experiências em aprendizagem, encontrar novamente a minha voz e construir uma nova história. Hoje, quando olho para a mulher em que me tornei, compreendo que sou muito mais do que aquilo que me aconteceu. O meu passado explica algumas das minhas cicatrizes, mas não define a minha identidade, o meu valor nem o meu destino. Essa é uma das mensagens que desejo deixar através de “Superação”: não escolhemos muitas das coisas que nos aconteceram, mas podemos escolher não lhes entregar o poder de decidir quem seremos daqui para a frente. Transformar as minhas experiências pessoais em literatura foi um processo muito profundo. Escrever significou regressar a lugares da minha história que, durante muitos anos, preferi manter em silêncio. Houve momentos em que precisei de parar, respirar, chorar e continuar, porque cada lembrança trazia consigo sentimentos que fizeram parte da minha vida. Ao mesmo tempo, a escrita permitiu-me olhar para essas experiências com uma nova consciência. Não queria simplesmente relatar as dificuldades que enfrentei. Queria compreender o que me ensinaram e mostrar que existe uma pessoa para além daquilo que lhe aconteceu. Quando coloquei a minha história no papel, percebi que estava a transformar silêncio em voz. As experiências continuavam a fazer parte do meu passado, mas já não ocupavam o mesmo lugar dentro de mim. Passei a vê-las não apenas pela dor que causaram, mas também pela mulher em que me fui tornando ao longo do caminho. Por isso, espero que quem se reconheça nas páginas de “Superação” não encontre apenas a minha história. Quero que encontre um espaço para refletir sobre a sua própria vida e, principalmente, para perceber que ainda existem possibilidades. Não quero provocar pena pelo que vivi. Quero provocar coragem, reflexão, esperança e decisão. Quero que alguém que esteja preso ao medo, ao silêncio ou às feridas do passado possa terminar uma página e pensar: “A minha história ainda não terminou. Eu também posso recomeçar”. Se a minha experiência puder ajudar uma pessoa a encontrar a própria voz, procurar ajuda, reconhecer o seu valor ou dar o primeiro passo em direção a uma nova vida, então transformar a minha história em literatura terá valido a pena. Porque, para mim, escrever “Superação” foi exatamente isso: transformar aquilo que um dia me silenciou numa voz capaz de alcançar outras pessoas.

O seu segundo livro, “Vida com Abundância”, apresenta uma proposta distinta, embora ligada ao desenvolvimento pessoal. Sobre o que fala esta obra, como surgiu o projeto e que significado atribui ao conceito de abundância para além da dimensão material?

“Vida com Abundância” nasceu como uma continuação natural da transformação que começou em “Superação”. Se no primeiro livro conto a história de uma mulher que precisou de enfrentar o passado, romper o silêncio e aprender a levantar-se, em “Vida com Abundância” surge uma nova pergunta: depois de superar, como aprender verdadeiramente a viver? Foi dessa reflexão que nasceu o projeto. Compreendi que superar a dor era fundamental, mas não era o ponto final. Depois de vencer tantas batalhas, precisava de descobrir como viver de forma plena, equilibrada e com propósito. Por isso, “Vida com Abundância” trabalha cinco áreas que considero fundamentais na construção de uma vida plena: a vida espiritual, emocional, física, os relacionamentos e o propósito. O livro convida o leitor a olhar para cada uma dessas áreas e perceber onde existe equilíbrio, onde é necessário cuidar, restaurar ou tomar novas decisões. Quando falo de abundância, não estou a falar simplesmente de dinheiro, bens ou sucesso profissional. Para mim, uma pessoa pode possuir muitas coisas materialmente e, ainda assim, sentir um enorme vazio interior. Abundância é plenitude. É ter paz dentro de si. É cuidar das emoções e do corpo, construir relações saudáveis, fortalecer a vida espiritual, reconhecer o próprio valor e compreender que a nossa existência possui um propósito. A minha fé em Deus está profundamente ligada a esse conceito. Para mim, viver com abundância é também compreender que fomos chamados não apenas para sobreviver aos nossos dias, mas para viver com sentido, fé, equilíbrio e propósito. Existe uma frase que resume muito bem a relação entre os meus dois livros: “Superação ensinou-me a vencer. Vida com Abundância ensinou-me para que venci”. “Superação” fala sobre sair de um lugar de dor. “Vida com Abundância” fala sobre aquilo que fazemos com a vida depois de decidirmos sair desse lugar. É esse o significado de abundância que desejo transmitir: não ter tudo, mas aprender a viver por inteiro, com Deus, connosco próprios, com as nossas emoções, com o corpo, com as relações e com o propósito que dá sentido à nossa caminhada.

Quando coloca lado a lado “Superação” e “Vida com Abundância”, que relação existe entre os dois livros? Podemos dizer que representam diferentes etapas do seu próprio percurso, primeiro o confronto com a dor e a “Superação” e, depois, a construção de uma nova forma de viver?

Quando coloco “Superação” e “Vida com Abundância” lado a lado, vejo dois livros diferentes, mas profundamente ligados. Para mim, representam duas etapas de uma mesma jornada. “Superação” é o livro do passado, do enfrentamento e do rompimento. Nele, conto a minha história, as dores que vivi, os desafios que precisei de enfrentar e o processo que me levou a compreender que aquilo que me aconteceu não precisava de determinar o resto da minha vida. É o momento de sair do silêncio, reconhecer as feridas e decidir levantar-se. Já “Vida com Abundância” nasce depois dessa decisão. Representa uma nova etapa: não apenas vencer aquilo que ficou para trás, mas aprender a construir aquilo que está pela frente. Foi quando compreendi que existe uma grande diferença entre sobreviver e viver. Durante muitos anos, sobrevivi. “Superação” representa a decisão de romper com esse lugar. “Vida com Abundância” representa a descoberta de que, depois de superar, também precisava de aprender a viver de forma inteira, espiritualmente, emocionalmente e fisicamente, assim como nas minhas relações e no meu propósito. Por isso, costumo dizer: “Superação ensinou-me a vencer. Vida com Abundância ensinou-me para que venci”. Um livro fala sobre não permitir que o passado determine o futuro. O outro fala sobre aquilo que podemos construir quando assumimos a responsabilidade pelo presente e descobrimos um propósito para o futuro. Se tivesse de resumir os dois numa única trajetória, diria: “Superação” é o levantar; “Vida com Abundância” é o caminhar. Um mostra que é possível sair da dor. O outro mostra que, depois de sair dela, também é possível florescer e viver com propósito. Os dois livros representam diferentes etapas do meu próprio percurso e, de certa forma, mostram a mulher que fui e a mulher que escolhi tornar-me. “Superação” representa o confronto com a minha história. Foi o momento de olhar para as dores que carreguei durante tantos anos, romper o silêncio, enfrentar medos e compreender que o passado fazia parte de mim, mas não precisava de continuar a determinar a minha vida. “Vida com Abundância” nasce noutro momento. Depois de aprender a levantar-me, surgiu uma pergunta muito importante: como quero viver daqui para a frente? Foi então que percebi que superar não era o fim da caminhada. Precisava de construir uma nova forma de viver, cuidando da minha vida espiritual, das minhas emoções, do meu corpo, das minhas relações e, principalmente, compreendendo o meu propósito. Por isso, vejo “Superação” como uma passagem da dor para a cura, do silêncio para a voz e do medo para a coragem. Já “Vida com Abundância” representa a passagem da sobrevivência para uma vida consciente, equilibrada e com propósito. Os dois livros contam, portanto, uma transformação. Primeiro, precisei de compreender que a dor não tinha o direito de escrever o final da minha história. Depois, precisei de compreender que vencer também trazia uma responsabilidade: decidir o que faria com a vida que estava diante de mim. Hoje, compreendo que não venci apenas para continuar a viver. Venci para encontrar a minha voz, descobrir o meu propósito e transformar a minha experiência numa forma de alcançar outras pessoas.

No “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, apresentou os seus livros e participou como autora, palestrante e mentora. Que temas levou ao público durante a sua intervenção e que aspetos da sua própria história considerou importante partilhar num encontro dedicado à valorização da vida, saúde emocional e desenvolvimento pessoal?

No “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, a minha intervenção esteve muito ligada à valorização da vida, à saúde emocional, ao desenvolvimento pessoal e, principalmente, à importância de encontrarmos força para recomeçar. Levei ao público temas que fazem parte não apenas dos meus livros, mas também da minha própria trajetória: superação, medo, silêncio, identidade, coragem, posicionamento, fé e propósito. Falei sobre a diferença entre simplesmente sobreviver e tomar a decisão de reconstruir a própria vida. Para mim, era importante não subir ao palco apenas como autora, palestrante ou mentora. Queria estar ali também como mulher, partilhando uma história real. Por isso, falei sobre momentos em que eu própria perdi a minha voz e passei anos a carregar dores em silêncio. Partilhei que enfrentei experiências muito difíceis desde a infância e que, na vida adulta, também atravessei períodos de medo, depressão e crises de pânico. Houve uma época em que estava viva, cumpria as minhas responsabilidades e continuava a trabalhar, mas interiormente percebia que não estava a viver plenamente. Esse foi um dos aspetos que considerei mais importante partilhar naquele encontro: existe uma grande diferença entre estar vivo e sentir-se verdadeiramente vivo. Também falei sobre a importância de pedir ajuda, de não guardar a dor em silêncio e de compreender que procurar apoio não diminui ninguém. Pelo contrário, pode representar o início de uma mudança. A minha própria história mostra que é possível sair de um lugar de dor, reconstruir a identidade, encontrar novamente a própria voz e descobrir um propósito. Foi precisamente essa transformação que deu origem aos meus livros e, posteriormente, ao trabalho que hoje desenvolvo com outras mulheres. A mensagem que procurei deixar naquele encontro foi a de que a nossa vida tem valor, a nossa voz tem valor e pode sempre existir um novo começo. Enquanto existe vida, existe a possibilidade de tomar uma decisão diferente, procurar ajuda, reconstruir caminhos e voltar a sonhar. Não subi àquele palco para mostrar uma mulher que nunca sofreu. Subi para mostrar uma mulher que sofreu, caiu, precisou de ajuda, se levantou e decidiu transformar a própria experiência numa forma de encorajar outras pessoas a escolherem também a vida.

Como avalia a experiência de participar neste evento na Suíça, num ambiente que reuniu escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas?

Participar neste evento na Suíça foi uma experiência muito enriquecedora. Estar num ambiente com escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas proporcionou uma troca muito especial de conhecimentos, experiências e histórias. Para mim, foi também uma oportunidade de apresentar os meus livros, partilhar a minha trajetória e perceber como histórias diferentes podem encontrar-se em torno de um mesmo propósito: inspirar, transformar e contribuir para a vida de outras pessoas. Saí desse encontro com novas ligações, aprendizagens e ainda mais certeza da importância de criar espaços onde as pessoas possam partilhar conhecimento, experiências e propósito.

Que contactos, testemunhos ou momentos ficaram dessa passagem por Lausanne e que importância têm encontros desta natureza para autores que procuram chegar a novos públicos?

Ficaram as ligações, os testemunhos e o carinho das pessoas que se identificaram com a minha história. Mas ficou também um despertar pessoal: percebi que sou capaz de ir mais longe e que preciso de continuar a aprender e a preparar-me. Esse encontro despertou em mim o desejo de aprofundar os meus conhecimentos, especialmente em áreas ligadas ao comportamento humano e à saúde emocional, para acrescentar cada vez mais ao trabalho que desenvolvo com mulheres no movimento “O Renascer do Lótus com Propósito”. Para mim, crescer também significa estudar, evoluir e estar mais preparada para servir.

Depois da publicação de “Superação” e “Vida com Abundância”, quais são atualmente as suas principais preocupações enquanto escritora e mentora?

Depois de “Superação” e “Vida com Abundância”, a minha principal preocupação é continuar a crescer e a preparar-me para que a minha mensagem tenha cada vez mais responsabilidade e propósito. Como escritora, quero produzir conteúdos que provoquem reflexão e transformação. Como mentora, quero aprofundar os meus conhecimentos sobre desenvolvimento pessoal e saúde emocional para estar mais preparada para acompanhar e orientar mulheres. Hoje, o meu propósito não é apenas contar a minha história, mas usar aquilo que aprendi para contribuir com outras mulheres através de “O Renascer do Lótus com Propósito”, ajudando-as a encontrar a sua voz, fortalecer o seu posicionamento e construir novos caminhos.

Está a preparar novos livros, palestras, projetos ou iniciativas internacionais, e que mensagem gostaria de deixar às pessoas que atravessam momentos difíceis e procuram reconstruir a própria trajetória?

Os meus projetos estão a crescer comigo. Depois do lançamento de “Superação”, em 24 de maio de 2025, nasceu “Vida com Abundância”, que já apresentei no “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, e que ainda será oficialmente lançado. Também recebi com muita gratidão o convite da Raíssa para participar no livro “Conexão Global: O Legado, O Ciclo Acaba em Mim!”. Hoje sou embaixadora da “Conexão Global em Lausanne”, palestrante e estou a preparar-me cada vez mais para atuar como mentora, porque quero desenvolver o meu trabalho com responsabilidade. Quero levar os meus livros, as minhas palestras e o movimento “O Renascer do Lótus com Propósito” mais longe. O meu desejo é que a minha história ultrapasse fronteiras, toque vidas e gere uma transformação que não alcance apenas mulheres, mas também as suas famílias, as suas casas e, consequentemente, a sociedade. Ver este trabalho a ser reconhecido tem sido muito gratificante. Participar no Salão do Livro e receber reconhecimentos por “Superação”, incluindo a homenagem que receberei no dia 17 de outubro no “Força, o Seu Nome é Mulher”, confirma para mim que uma história que nasceu de momentos tão difíceis pode transformar-se numa mensagem de esperança para outras pessoas. Acima de tudo, vejo tudo isto como uma missão que Deus colocou nas minhas mãos. Acredito que Ele transformou a minha história em propósito e que, a cada nova oportunidade, estou a ser preparada para cumprir essa missão: levar uma mensagem de fé, perdão, renascimento e transformação cada vez mais longe. A mensagem que deixo para quem atravessa momentos difíceis é: não permita que uma fase difícil se transforme na definição da sua vida. O passado faz parte da sua história, mas ainda pode escolher os próximos capítulos. Procure ajuda, continue a aprender, encontre a sua voz e tenha coragem para construir a sua própria trajetória.

Ígor Lopes

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Vinho do Dão conquista 94 pontos e projeção internacional no ranking de James Suckling

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O “Domínio do Açor Dão Vila Romana Branco 2024” foi classificado como o quarto melhor vinho de Portugal em 2026 pela equipa do crítico internacional “James Suckling”. A referência recebeu 94 pontos e entrou no “Top 100 Wines of Portugal 2026”, divulgado a 14 de outubro, numa seleção que reuniu vinhos de várias regiões portuguesas.

Produzido em Carregal do Sal, na região demarcada do Dão, o “Vila Romana Branco 2024” destacou-se entre os primeiros lugares de uma lista marcada pela presença de vinhos do Douro, Bairrada, Dão e Vinho Verde. Segundo a avaliação divulgada, o vinho apresenta notas de limão seco, flores e fruta, tendo sido valorizado pela “precisão e pelo equilíbrio”.

A classificação assume particular relevância por se tratar de uma referência posicionada como vinho de entrada do produtor. Apesar desse enquadramento, a equipa de “James Suckling” destacou o facto de o “Vila Romana” receber os mesmos cuidados na vinha e na adega que os vinhos de gama superior da casa, conjugando “qualidade, disponibilidade comercial e um posicionamento mais acessível dentro do portefólio”.

A produção tem origem em vinhas conduzidas em solos graníticos de Carregal do Sal. O projeto “Domínio do Açor” conta com Luís Lopes na enologia e tem vindo a ganhar reconhecimento em avaliações nacionais e internacionais, contribuindo para reforçar a visibilidade do Dão num momento em que a região volta a ocupar posições de destaque entre os vinhos portugueses.

No ranking de 2026, o primeiro lugar foi atribuído ao Niepoort Vintage Port 2024, seguindo-se o Palmirinha Loureiro Portugal 2024 e o Fonseca Vintage Port 2024. O “Vila Romana Branco 2024” surge imediatamente depois, na quarta posição, colocando um vinho branco do Dão entre as referências portuguesas com maior destaque na seleção deste ano.

O reconhecimento acrescenta projeção ao trabalho desenvolvido pelo “Domínio do Açor”, que junta portugueses e brasileiros, e chama também a atenção para Carregal do Sal enquanto território vitivinícola. Num setor em que a afirmação internacional depende cada vez mais da consistência das avaliações, da identidade regional e da capacidade de chegar a diferentes mercados, a presença no “Top 100 de James Suckling” reforça a posição do produtor e do Dão no panorama dos vinhos portugueses.

Ígor Lopes

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