Atualidade
Viana do Castelo: Maratona Cultural de Apoio ao Povo Ucraniano leva centenas de artistas ao Centro Cultural e Praça da Liberdade
É já este sábado, dia 9 de abril, que Viana do Castelo recebe cerca de cinquenta participações, integrando centenas de artistas, para participar na Maratona Cultural de Apoio ao Povo Ucraniano, que acontece no Centro Cultural e numa mega tenda instalada na Praça da Liberdade. Entre as 16h00 e as 00h30, os cantores, bandas de música, grupos folclóricos, poetas, entre muito mais, vão subir ao palco, com os 5 euros da bilheteira a reverterem a favor da Cruz Vermelha Portuguesa, que fará o devido encaminhamento para a causa ucraniana.
O evento é organizado por Augusto Canário, Junta de Freguesia de Vila Nova de Anha e Câmara Municipal de Viana do Castelo, apresentando um leque de artistas vindos de todo o país para apresentar música tradicional e clássica, DJ’s, folclore, cantares ao desafio, poesia, fado e stand up comedy.
Augusto Canário assegura que quando as imagens da Ucrânia lhe começaram a entrar “pelos olhos dentro através da televisão”, começou a pensar na ideia de promover um concerto de angariação de verbas. Lançou o repto através das suas redes sociais e, após receber centenas de mensagens de artistas e grupos a disponibilizarem-se para ajudar, a ideia teve de ser adaptada e surgiu a Maratona Cultural, que decorre ao longo de várias horas por envolver meia centena de participações.
“Cada participação terá um tempo máximo de dez minutos, com 7 a 8 minutos de tempo útil de palco, o que dá para duas cantigas, uma peça, um poema, o que quer que seja. Começamos por dar prioridade aos artistas do concelho e depois encaixamos gente de muitas outras zonas do país”, realçou Canário.
“Logo na abertura, temos uma banda de música e um grupo coral que reúne em palco à volta de 100 pessoas. Temos também grupos de folclore, música clássica, fado, poemas, desgarradas, cantigas ao desafio, deixando pelo menos dois DJ’s para o final da maratona porque, se houver quem queira ficar por cá, poderemos prolongar um pouco o evento, a pensar na gente mais jovem que gosta de se divertir”, assegurou o responsável.
A Vereadora da Coesão Social, Carlota Borges, recordou que Viana do Castelo tem sido “muito solidária” desde que iniciou o movimento de apoio ao povo ucraniano. “Esta solidariedade já se refletiu em resultados muito positivos e concretos. Já enviámos dois camiões com mais de 40 toneladas de bens essenciais para apoiar os refugiados ucranianos. Estes números só foram possíveis com a ajuda da população de Viana do Castelo, dos mais de 50 voluntários que estiveram presentes, das empresas locais que desde a primeira hora nos ajudaram”, esclareceu.
A vereadora referiu que, numa segunda fase, “começamos a preparar a receção do povo ucraniano”, assumindo que Viana do Castelo “já tem recebido bastantes pessoas”. “Estamos a apoiar as pessoas que vêm mais sozinhas ou encaminhadas por associações. Temos planeado tudo o que respeita a alojamento, receção, acolhimento e integração, com o apoio de todas as pessoas que têm disponibilizado apartamentos, casas, alimentação, também em colaboração com as associações, o SEF, a Segurança Social, a ULSAM, entre outros”, indicou ainda.
Já o Presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Anha, Filipe Silva, explicou que este evento “derivou um pouco de uma iniciativa que iniciamos no ano passado, com o Festival Augusto Canário, que se realiza por ocasião do seu aniversário, a 7 de abril”. “Estávamos em conversações para saber como poderíamos promover o festival este ano quando fomos surpreendidos com imagens que começaram a chegar-nos através das televisões. O Augusto ficou desassossegado com essas imagens e começamos a pensar em como poderíamos ajudar o povo ucraniano”, explicou o autarca da freguesia de onde o artista popular é natural.
Os bilhetes estão disponíveis no Teatro Municipal Sá de Miranda, conforme horário de funcionamento, e na plataforma www.BOL.pt. No dia do espetáculo, a bilheteira funciona a partir das 14h00 no Centro Cultural.
Os bilhetes são válidos para todo o dia, no entanto a saída dos recintos obriga a ler o bilhete, junto do segurança, para que se possa voltar a entrar, caso contrário terá que ser adquirido um novo bilhete.
MARATONA CULTURAL DE APOIO AOS REFUGIADOS DA UCRÂNIA
LISTA DE PARTICIPANTES
FUNDAÇÃO ‘ZÉ PEDRO’
JÚLIO VIANA
UCRANIANA
ORQUESTRA SOPRO DE CORDAS
BANDA ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE VILA NOVA DE ANHA
CORO ESCOLA DE MÚSICA DE PERRE
DARIO
MARLENE
JAIME PARENTE – JAROJUPE
BANDA ALMANOVA
CARLA MARIA
PALHAÇO MIX
MARIA DO SAMEIRO
ABÓBRIGA – GALIZA
FERNANDO CORREIA MARQUES
RUI CUNHA – FADISTA
COSTA PEREIRA – VIOLA DE FADO
JOSÉ MANUEL – GUITARRA
VIANA BRASS QUINTET JUNIOR
JOSÉ SOUSA
TELMO LIMA
ESTEVÃO NEVES
DANIEL LOPES
AFONSO ARAÚJO
VERDE CANTO
GRUPO ETNOGRÁFICO DE AREOSA
HINOPORTUNA
TRADIÇÃO D’OURO
DANIEL SOUSA
NATY VIEIRA
FILIPE GACHINEIRO
JOCA ARAÚJO
EDUARDO KOSTA – AMARANTINA
XORNAS – FÉLIX
GRUPO DE DANÇAS E CANTARES DA CASA DO POVO DE VILA NOVA DE ANHA
MICAEL SIMÕES – ARTISTA ARRAIANO
MAROTOS DA CONCERTINA
GRUPO ASSOCIATIVO DE DIVULGAÇÃO TRADICIONAL DE FORJÃES
FILIPE NUNES
GAITEIROS DE BRAVÃES
GRUPO FOLCLÓRICO DE SANTA MARTA DE PORTUZELO
SIGA A FARRA
AUGUSTO CANÁRIO
CÂNDIDO MIRANDA
RUI JACO
VÍTOR COSTA
RÚBEN PINTO
PORFÍRIO BARBOSA
SÉRGIO MIRRA TRIO
OS PÊGAS
GRUPO TOADAS DO LIMA
MIKE DA GAITA
DAVID GARCIA
TUNA DE VETERANOS DE VIANA DO CASTELO
AUGUSTO CANÁRIO & AMIGOS
CHICO MALHEIRO / RAÍZES
VÍTOR RODRIGUES
JOSÉ FILGUEIRAS
PEDRO CORREIA
TUKANOS
NELSON COSTA
BANDA MEGA STAR
GRUPO KALHAMBEKE
MARIA LEAL
FÁBIO GONÇALVES DJ
ZÉZÉ DJ

Fotos: CMVC.
Atualidade
FUNCEX assina aliança com a “JX” para “ampliar IA regulatória”
A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, FUNCEX, e a JX IA Regulatória, plataforma de inteligência regulatória que consolida fontes normativas primárias, como leis, regulações, decisões, processos e atos normativos das agências reguladoras brasileiras, firmaram uma aliança estratégica para ampliar o uso da inteligência artificial aplicada à área regulatória no Brasil. A iniciativa é voltada para reduzir riscos, organizar informações normativas e apoiar decisões empresariais em setores relevantes da economia.
Segundo fontes, a parceria coloca a FUNCEX no centro de uma agenda ligada à modernização do ambiente de negócios brasileiro. Criada em 1976, a Fundação acumula uma trajetória ligada ao comércio exterior, às relações internacionais, à inteligência econômica e à formulação de estudos e propostas para o fortalecimento da competitividade do Brasil. Com essa nova frente, a instituição amplia sua atuação ao aproximar conhecimento técnico, inovação e regulação.
“A aliança procura responder a um dos principais entraves enfrentados por empresas e investidores no país: a complexidade das informações produzidas pelas agências reguladoras”, afirmou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da FUNCEX.
De acordo com a Associação Brasileira de Agências Reguladoras, ABAR, cerca de 70% do PIB brasileiro passa, direta ou indiretamente, pela fiscalização desses órgãos, o que reforça a importância de instrumentos capazes de tornar normas, decisões e processos mais acessíveis.
Conforme apuração, a JX desenvolveu uma plataforma que organiza e analisa normas, regulamentos, decisões e processos das agências reguladoras, transformando dados dispersos em informação estratégica. A FUNCEX, por sua vez, pretende agregar a esse processo sua experiência institucional e técnica, contribuindo para que a inteligência regulatória seja aplicada de forma alinhada às necessidades do comércio exterior, dos investimentos e da economia produtiva.
A iniciativa, cujo “head” da operação pelo lado da Funcex é Mauro Souza, visa “contribuir para ampliar a previsibilidade regulatória e apoiar setores como infraestrutura, energia, logística, mineração, saneamento e telecomunicações”.
Ao aproximar inteligência artificial, regulação e análise econômica, a FUNCEX poderá reforçar sua posição como instituição de referência no debate sobre competitividade, ambiente de negócios e integração do Brasil às cadeias internacionais de valor.
“Num país ainda marcado pelo chamado Custo Brasil, a capacidade de transformar complexidade em clareza pode ser determinante para atrair capital, estimular investimentos, gerar empregos e fortalecer a competitividade nacional. A aliança entre FUNCEX e JX surge, assim, como uma resposta prática a um desafio estrutural da economia brasileira”, defendeu Antonio Carlos da Silveira Pinheiro.
Atualidade
Reino Unido: Abertas inscrições para o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”
O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou oficialmente, dia 5 de maio, no âmbito das comemorações pelo Dia Mundial da Língua Portuguesa, o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia. As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026.
De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.
Regras das candidaturas
A iniciativa, que conta com inscrições gratuitas, contempla duas categorias: Prosa e Poesia, e destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.
As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem tampouco terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.
Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.
“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.
Segundo apurámos, a primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal “As Notícias”, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.
“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais “Agência Incomparáveis”, “RádioTV Lusa”, “Bom Dia”, “Gazeta Lusófona” e “LusoJornal”, além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).
Como participar?
As candidaturas devem ser feitas on-line em: https://premio-literatura.com/candidaturas
O regulamento pode ser consultado em: https://premio-literatura.com/regulamento
Saiba mais sobre o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” em: https://premio-literatura.com/
Dúvidas podem ser enviada para o e-mail: joaonoronha@asnoticias.co.uk ou joaomarianoronha@yahoo.com
Ígor Lopes
Atualidade
“EurAfrican Forum 2026”: Portugal e Moçambique defendem nova etapa de cooperação centrada no “investimento, estabilidade e desenvolvimento sustentável”
Os presidentes da República Portuguesa, António José Seguro, e da República de Moçambique, Daniel Chapo, defenderam uma nova fase das relações entre os dois países, assente no investimento, na estabilidade institucional, na cooperação económica e na valorização do espaço lusófono.
A conversa decorreu no âmbito da nona edição do “EurAfrican Forum”, encontro realizado dia 16 de julho na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, e promovido pelo Conselho da Diáspora Portuguesa sob o tema “Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation”, reunindo responsáveis políticos, empresários, académicos e representantes institucionais para debater o futuro das relações entre África e Europa.
Moderado pela jornalista Cristina Esteves, da RTP, o painel “Conversa entre Presidentes” colocou em destaque o papel estratégico de Portugal e de Moçambique no atual contexto internacional e a importância de aprofundar a cooperação entre os dois países.
Ao abordar a evolução das relações bilaterais, Daniel Chapo destacou que Moçambique atravessa atualmente uma fase de maior estabilidade política, económica e social, resultado do diálogo nacional promovido após o período de instabilidade que se seguiu às eleições.
Segundo o chefe de Estado moçambicano, esse ambiente constitui um fator essencial para reforçar a confiança dos investidores e criar condições favoráveis ao desenvolvimento económico.
“Nós estamos neste momento a levar a cabo o diálogo nacional inclusivo, em que participam todos os partidos políticos, a sociedade civil, as ONGs e todos os grupos sociais em todo o país para encontrarmos os caminhos que possam permitir, mesmo que haja necessidade de fazer alguma alteração em termos legislativos, fazê-lo, porque o mais importante é que haja estabilidade política, económica, paz e democracia”, começou por referir.
O presidente moçambicano aproveitou também para agradecer o apoio prestado por Portugal na resposta aos desafios de segurança em Cabo Delgado, reconhecendo o papel desempenhado pelo Estado português junto da União Europeia.
“Portugal tem tido um papel extremamente importante ao nível da União Europeia. Gostaria de aproveitar esta ocasião para agradecer ao povo português, ao Governo português e ao presidente da República por esse apoio que tem sido dado”, declarou.
De igual modo, Daniel Chapo sublinhou que o país reúne atualmente condições para atrair mais investimento internacional, defendendo uma estratégia económica baseada na diversificação e na valorização de setores como energia, agricultura, turismo, logística, indústria e economia azul.
“Queremos mais investimentos em Moçambique. Queremos também que haja mais empresários portugueses em Moçambique e mais empresários moçambicanos em Portugal. Há uma feliz coincidência entre os novos ciclos de governação em Moçambique e em Portugal, e esta amizade e cooperação vão permitir solidificar não só as relações diplomáticas e políticas, mas sobretudo a parte económica”, frisou.
O chefe de Estado moçambicano considerou ainda que o desenvolvimento sustentável dependerá da aposta na formação e na inovação, defendendo que o investimento nas pessoas constitui o principal motor do crescimento.
“Não há desenvolvimento, em qualquer parte do mundo, sem capital humano. Daí que esta aposta na formação das pessoas, na formação da juventude, na ciência, na tecnologia e no conhecimento seja estratégica”, finalizou.
Na resposta, António José Seguro reafirmou a disponibilidade permanente de Portugal para aprofundar a cooperação bilateral, defendendo uma relação baseada no respeito entre dois Estados soberanos e na construção de confiança.
“O presidente Daniel Chapo sabe verdadeiramente que pode sempre contar com Portugal no apoio que for necessário, designadamente na necessidade de se manterem as condições de segurança em Cabo Delgado, sempre no respeito pela soberania do Estado moçambicano”, salientou.
O presidente da República Portuguesa destacou também que a estabilidade política constitui um elemento determinante para atrair investimento privado e consolidar o crescimento económico.
“Estamos num momento excelente das relações entre Portugal e Moçambique. Isso gera confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante para os empresários e para os investidores”, sustentou.
Ao abordar o futuro da cooperação, António José Seguro defendeu um reforço das ligações ao nível do ensino superior, da investigação científica, da inovação tecnológica e da formação especializada, considerando que Portugal dispõe de condições para aprofundar essa colaboração.
“Nós temos centros de investigação fabulosos, universidades de excelência e áreas de formação do melhor que se faz no mundo. Temos de passar para esta partilha de conhecimento, porque isso produz muito mais do que a simples troca comercial”, concluiu.
Os dois chefes de Estado convergiram na necessidade de reforçar a cooperação face aos desafios colocados pelas alterações climáticas, pelas infraestruturas resilientes e pela transição energética, considerando que estas áreas deverão assumir um lugar central na agenda comum entre Portugal e Moçambique.
Daniel Chapo reiterou que a resposta a estes desafios exige uma visão estratégica de longo prazo, sustentando que o país moçambicano deve “integrar os desafios das mudanças climáticas nos nossos projetos, nas nossas relações de amizade e cooperação e, sobretudo, nessa visão estratégica que nós temos para os próximos anos”, acrescentando que é necessário “construir infraestruturas resilientes aos desastres naturais” e reforçar o ordenamento do território para reduzir o impacto das cheias e inundações.
Nessa mesma linha, António José Seguro vincou que a cooperação nesta matéria deve assentar no conhecimento científico e na prevenção, salientando que “há hoje modelos que nos permitem, de alguma forma, diminuir as consequências devastadoras dessas severidades atmosféricas” e garantindo que “Portugal estará sempre disponível para cooperar com o Governo de Moçambique no que diz respeito às prevenções ou diminuição das consequências das catástrofes”.
Funcex defende maior protagonismo económico da CPLP
Convidada para estar presente no “EurAfrican Forum 2026”, a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil, e atuação em Portugal através da Funcex Europa, acompanhou os debates e considerou que a principal mensagem transmitida pelos dois chefes de Estado reforçou a necessidade de “transformar as relações políticas em cooperação económica efetiva entre os países lusófonos”.

O presidente da instituição, Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, destacou que Moçambique representa atualmente uma oportunidade estratégica não apenas pelo potencial do gás natural, mas também pelos fertilizantes e por outros setores com capacidade de atrair investimento.
“Eu destaco Moçambique, além do gás, nos fertilizantes. A Vale, mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país, teve uma presença muito significativa em Moçambique e isso remete para a importância estratégica que o país continua a ter”, explicou.
Na perspetiva deste responsável, o “EurAfrican Forum” demonstra que continua a prevalecer uma lógica predominantemente bilateral nas relações entre Portugal e os países africanos de língua portuguesa.
“Percebe-se que os eventos se dão muito nesta lógica bilateral. É Portugal com Angola, é Portugal com Moçambique. Hoje temos há 30 anos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que deveria liderar, sem abandonar o bilateralismo, um verdadeiro multilateralismo da comunidade”, preconizou Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, que considerou que a CPLP continua a surgir como consequência das relações entre os Estados, quando deveria assumir um papel estruturante na cooperação económica.
“A comunidade dos países de língua portuguesa era uma ótima consequência, mas não uma verdadeira causa, que deveria ser. A parte económica deveria ser destacada como um todo”, disse.
O presidente da Funcex defendeu ainda que Portugal deve continuar a afirmar-se como plataforma privilegiada de ligação entre a Europa, África e os restantes continentes, valorizando simultaneamente o crescente interesse internacional pela CPLP.
“Hoje já são 29 países observadores da CPLP. Se 29 países se interessam pela CPLP, ela deve ter alguma coisa de interessante. Ninguém observa sem interesse”, argumentou, sustentando que a organização dos países lusófonos necessita de “reforçar o seu posicionamento económico internacional”.
“Ela nasce muito bem pela integração através da língua e da cultura, mas durante muito tempo descartou o segmento económico. A CPLP precisa de se posicionar como um organismo de peso e de representação efetiva, porque essa dimensão económica será decisiva para o futuro da comunidade”, finalizou.
Ígor Lopes
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